7.11.03

Hoje eu viraria o mundo ao avesso se tivesse mãos maiores. Colocaria flores vermelhas imensas na cabeça e posaria de Frida, se alguém me pintasse. Atravessaria o oceano em nado borboleta, num só fôlego, se não fossem os peixes. Tenho medo de peixes batendo nas minhas pernas. Hoje eu comeria uma estante de livros, se tivesse memória livre no cérebro. Dançaria uma rumba em praça pública, se me prometessem abraços. Escreveria um romance prêmio, se me trancasse num quartinho de um chalé, encravado em um vale europeu, e me vestisse de Clarice. Mas Clarice era séria, e eu gosto de rir. Eu acho que ela era séria. E hoje de manhã, num cochilo tardio antes de sair de casa, sonhei que era de noite e, da minha cama, eu via uma estrela cadente. Fiz um pedido. Depois outro. Foi quando me descobri barganhando desejos com o céu. E se Deus estava acordado, sei que Ele entendeu. Agora vou passar uns dias procurando estrelas derradeiras, um sinal; grudada com a garrafinha de água mineral e cantando por dentro minha música secreta. Hoje, eu armaria um balanço de corda em uma árvore e brincaria de astronauta. Mas só se a árvore fosse um baobá e minha saia tocasse o chão.

::Sorvete de Casquinho::

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