29.12.03

Epílogo e Prólogo

Se alguém me contasse há algum tempo atrás que muito em breve tudo o que era doce e amargo teria se acabado, que aquela sensação de transe e estado permanente de maracanã em final de campeonato iria esvair-se assim, ó, pronto, viu, não disse, eu teria mandado internar.

Muitas e muitas vezes eu disse que a lógica e a experiência da humanidade atestavam que ia passar, sim, mas que cada genzinho do meu DNA transgenicamente alterado pela mais absurda e torrencial das paixões dizia vai passar uma ova, fia, que dessa jaca tu não tiras os pés nem daqui a três encarnações.

E os dias foram passando e foram dando as mãozinhas e eram semanas e se multiplicando e virando meses e logo a história tinha começado fazia anos. E eu ali, daquele jeito, entre o coma vegetativo e a entropia desgovernada.

Tentei dar diversos, inúmeros e incontáveis bastas. Decidi irrevogavelmente que chega. Pus um ponto final na palhaçada. Não adiantou nada. Nem as promessas para Nossa Senhora Desatadora de Nós Górdios que não fiz, nem os 5.674 livros de auto-ajuda que não li. Nada. O que resolveu foi a consciência da impossibilidade e o tempo.

Sei que para quem está sofrendo e se descabelando isso não é lá muito confortador. Dizer senta aí e espera que um dia sara, ou compra um livrinho de palavras cruzadas e mantenha a calma, não é o que a gente quer ouvir. Melhor seria que houvesse uma simpatia qualquer daquelas em que numa lua cheia se enterra, ou se despeja no mar, ou se lança da ponte qualquer baboseira e pfui, deu, já era.

Mas não tem. Não tem, não. Só que ainda assim, passa. E agente fica levinha e contente porque toda aquela dor parou de incomodar. A gente acorda e os olhos não estão inchados de chorar na noite anterior. A gente até ouve Chico sem pensar (seriamente) em suicídio. E então, tudo fica tranqüilo. Daí a gente se apaixona perdida e devastadoramente de novo.

Ai, que bão!

Ticcia, no Megeras Magérrimas