31.3.06

Saudades Quixotescas

No dia da graça de 20 de Maio de 2004, ano do Senhor,
Da mui digna cidade de Belo Horizonte das Minas Gerais, assim escreve Dona Margarida das Doces Águas a Dom Sérvio das Altas Florestas, encontrando-se este algures nas selvas ferozes do chamado Panamá.

Meu amo e senhor, soberano e alto cavaleiro,

Aquela a quem punge o espinho da tua ausência e chagado tem até o mais fundo do coração te deseja, dulcíssimo Sérvio, a alegria que não possui. Se a tua sobranceria me esqueceu, se a tua generosidade não me vale, se os teus desdéns persistem em acalcanhar-me, por muito que eu esteja afeita ao sofrimento, de sorte poderei com tanta mágoa, dura em demasia, além de esmagadora. Nossas boas filhas te darão relação minuciosa, ò belo ingrato, meu inimigo adorado, da situação em que me quedo em respeito teu. Se te apraz acudir-me, tua sou; e, se não, faze como quiseres, terás ainda a mim, que o que sinto não varia em face do teu desamor. Mas se em teu peito se abriga ainda algo que dê esperanças ao meu infortúnio, vem salvar-me com teus olhos que eu por eles me perdi e dar-me a vida com teus beijos, já que por eles morri...
Tua sempre, até a morte,
A Dama do Leito Vazio

no boteco chiquetéssimo da Meg mineira

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