9.2.03

Acordei depois das 9:00. Minha mãe esqueceu que tinha que me levar e estava vestida para ir pra praia. Saí super atrasado. A fila já estava enorme. Cheguei no banco e descobri que a imbecil do 0800 me deu o valor errado para pagar no banco. Faltava dinheiro, é claro. E eu esqueci minha carteira. E meu celular desistiu de funcionar. E minha mãe não estava perto. Porque o motor do carro quebrou. Em 3 lugares, é claro. Sendo que é aniversário do meu irmão. E primeiro dia de aula dele. Além de me ligarem para avisar que tem almoço de blogueiros. E os horários da faculdade não batem com meu curso de inglês. Nem com o de francês, é claro. E fui buscar o diploma de francês. Mas o preço aumentou em 5 reais. E eu estava com o dinheiro contado, óbvio. Além de descobrir que minha mãe não sabe pegar ônibus. E tem certas dificuldades em atravessar ruas [falta: destreza, agilidade, flexibilidade, coordenação motora, concomitância visuo-manual e velocidade]. Nem preciso falar que encontrei várias pessoas na rua. E precisei falar com elas [porque sou tão simpático]. Sem contar que minhas meias encolheram. E ficam caindo. E perdi minha agenda de telefones. Além de estar derretendo de calor.

(...)

Odeio Copacabana. De todos os bairros que conheço no mundo, Copacabana é disparado o pior deles. Fico imaginando a cara de nojo e decepção desses turista que vêm para cá animados demais. Esperando por uma ótima praia e pessoas bonitas. Em Copacabana não tem porra nenhuma dessas. Isso aqui é uma mistura de Tókio com Senegal. Ninguém consegue andar nas ruas de tão lotadas. É um bairro em decadência. As avós de todo mundo moram aqui. Os dentistas de todo mundo trabalham aqui. É apertado, poluido e quente. As ruas são engarrafadas e sujas. As calçadas são apertadas e entupidas. Tudo fede. Fumaça na cara direto. Lotado de camelô. E de polícia também. É um bairro onde está sempre muito quente. Onde você nunca sabe se está chovendo, pois sempre tem algo caindo na sua cabeça. Ar refrigerado. Cusparada da janela. Cocô de pombos. É lotado de mendigo e gente pedindo esmola. Só tem gente sem camisa. Só tem lojas toscas e podres. Nada funciona. O transito é caótico. Os ônibus não respeitam nada. Os cinemas estão em ruínas. Os muros pichados. As praias repletas de coliformes fecais. Só tem gentinha. Todos esbarram em você na rua. E nem olham pra trás. Tudo é ruim. Salvo os sebos de 0,50 centavos.

sétimo cículo do inferno de Free Bee

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