No final do ano passado tomamos uma decisão importante aqui em casa: não passaríamos mais um longo inverno sem assinar a Rede Globo Internacional. (Nota-se: moramos em Midland MI, perto do Canadá, portanto 5 meses de inverno).
A decisão veio porque estavamos cheios da TV americana, que só fala do Saddam e agora, do sequestro de uma moça grávida, cujo principal suspeito é claro, o marido. Enfim, num sábado apareceu o instalador do satélite e em poucas horas estavámos conectados com o mundo Global.
Que maravilha! Acho que nunca vi tanta TV na minha vida. Vemos tudo: Fantastico, Caldeirão do Huck e claro, Futebol - razão primeira do investimento pois ninguém é obrigado a aguentar campeonato de beisebol.
Agora, o mais divertido são as propagandas. Além do prazer de termos intervalos comerciais curtíssimos, porque não são muitos os anunciantes daqui, o comercial em si é incrível. São três temas básicos: carro, churrascaria, e remessa de dinheiro para o Brasil.
Os de carro, mostram uns dealers - sempre em trios não sei porque - vestindo camisas floridas cafonérrimas, tentando te convencer a comprar uma SUV tração 4 rodas pra andar nas ruas asfaltadas de Coral Gables. As de remessa de dinheiro…. Essas dão dó porque os personagens estão sempre com cara de cansados, suor na testa, mas felizes em poder mandar umas verdinhas pra família lá em Minas. E as de comida é de dar água na boca, tem aquele close da picanha no espeto com um chopp gelado e uma vista panorâmica do salão de festas com 3 gatos pingados sambando… Dá pra não ter saudades assim?
O bacana é que parece TV de antigamente, onde a propaganda não tinham muita importância, os filmes eram sem grandes coloridos, falavam de sabão em pó ou margariana, e logo logo voltavamos para a programação principal; tinha uma certa genuinidade no reclame. Aqui, os comerciais são caseiros, a imagem meio tremida, sem contraste e os atores quase sempre famliares do anunciante, o que dá um ar de cumplicidade com o espectador. Ao contrário dos filmes de hoje que são tão sofisticados e estridentes que as vezes esquecemos o que estamos assistindo.
O importante é que estamos livres da CNN, e agora podemos ver sem culpa o JN, que dá uma resumida de leve na situação mundial e sempre acaba com uma matéria sobre futebol para nos tranquilizar. Afinal Saddam mora bem longe daqui.
muito mais que 168 horas
9.2.03
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