10.2.03

E, enfim, ontem, a conversa. Não, não, o fim não chegou. Mas depois de ontem sinto que é questão de tempo e de coragem. Eu falei, falei, falei, falei muito, disse muita coisa que estava entalada aqui há tempos. A sensação que tenho é que desembuchei um boi.

O estranho é que eu sempre tive medo de dizer certas coisas, e algumas foram ditas ontem. Por que eu tinha medo? Porque sabia que ele ficaria puto, e vê-lo puto sempre foi sinônimo de vê-lo em dúvida e eu sempre tive medo das dúvidas dele. Como é que eu só fui ter coragem de mostrar certas opiniões quando a relação já não tinha como correr mais risco? Ela já está instável, e não há nada que eu faça que possa deixá-la mais em perigo. Por isso, a coragem. Covarde.

Como estamos? Na mesma, com a diferença de que agora ele está puto, o que não estava antes. Eu disse que prá mim chegamos a um momento de decisão, no vai ou racha. Ele concordou. E concordamos também que não vamos a lugar algum. Estamos rachando, e consensualmente. Mas não terminamos de quebrar o pote. Desligamos o telefone no momento em que a única coisa ainda a ser feita era o tapa que falta prá nossa relação espatifar de vez. Covarde, de novo.

estilhaçado pelo analecto

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