28.11.02

Bom, que eu toco música brasileira em bares e que não sou gay vocês já sabem. Toco meu violão por aí há uns treze anos. Esse negócio do Milton de "muita gente boa pôs o pé na profissão" não se aplica a mim: Sou músico de boteco e sempre serei músico de boteco. Não tenho pretensões além disso. Sou um cantor mediano e violonista medíocre. Ouvido absoluto? Nem sei o que é isso. Teoria musical? Nunca vi. Muita gente que começou quando eu já estava na estrada hoje faz sucesso, e eu continuo na mesma. Não os invejo, sei que são muito melhores que eu.
"...não importando se quem pagou quis ouvir": os freqüentadores desse tipo de lugar quase nunca querem ouvir mesmo. Você toca e canta com afinco, às vezes é até uma música que foi ensaiada por semanas antes de ser apresentada, e quando termina não ouve nada além do tilintar dos copos e dos gritos de "Garçom!". Não que eu espere outra coisa, meus tempos de terminar uma música e esperar ouvir aplausos já passaram. Começo logo outra e continuo criando as histórias na minha cabeça, como se não estivesse ali. Vez por outra alguém puxa um aplauso e outros, relutantes, acompanham. Não sei se gosto muito disso, ser aplaudido por piedade, mas também não ligo.
Às vezes surge um cara novo. Ele senta nesse banquinho duro e desconfortável (dia desses eu descrevo com detalhes como foi tocar depois da operação das hemorróidas. Não é nada engraçado). Mas esse cara novo chega, pega o violão, ajusta o microfone, faz aquela ceninha desnecessária de testar o som e começa sua apresentação. Não sei o que acontece. As pessoas começam a prestar atenção. Aplaudem espontaneamente no final da primeira música. Lamentam-se -- "Ahh..." -- quando ele diz que vai fazer uma pausa. Depois de um tempo, esse cara já tem uma pequena comitiva de admiradores, que vão aonde quer que ele vá se apresentar. Sei lá o que é isso. É talento, claro. É técnica, óbvio. Mas já vi gente tocando uma música cheia de acordes dissonantes e passagens complexas e não receber nem um olhar mais atencioso. Aí chega um cara desses, toca a mesma música com sol-dó-ré-mi menor e é ovacionado. Existe algo mais que eu não sei explicar, algum tipo de energia que conquista e seduz as pessoas.
Não sei como funciona, mas de uma coisa já estou bem certo: Eu não tenho isso. É bom conhecer os próprios limites.
Bom, acho que vou parar por aqui. Vou tocar essa música, Nos Bailes da Vida, hoje à noite e preciso treinar um pouco. Sei que é em ré e na parte do “... em troca de pão” vem um ré com sétima maior. Mas tem um acorde de passagem aí no meio que eu não consigo achar. Aliás, se alguém puder ajudar, agradeço. Como disse, sou um violonista medíocre.

açoitado no Chicote Verbal

Eu tava com a velha discursão com minha progenitora sobre o que comer e tal..pq ela diz que eu tenho que me alimentar melhor...
Ela falou...:
- Come menos carne...tua avó dá essa preocupação toda hoje em dia pq ela nao se cuidou qnd era nova...
- Pelo menos ela aproveitou a vida...eu quero aproveitar a minha e tambem nao quero chegar na idade dela mesmo ... ( 90 ou 91 anos...)
- Tu quer aproveitar a vida e deixar o trabalho pros teus filhos é?
- É, eu nao vou cuidar deles? Ele tambem tem que cuidar de mim ué
- Pois eu não quero + ficar nessa preocupação toda, todo esse trabalho levando tua avó de um lado pro outro em médico por causa dos problemas dela.
- Rapá, não fala isso...depois tá arrependida...

entreouvido em Bangulhus

Onde eu parei? Ah, sim. Estávamos lá, o namorado neandertal psicopata ciumento, Luíza e eu... aliás, eu, o namorado neandertal psicopata e Luíza, pois os burros sempre vêm à frente da carroça. E se havia algum burro na história toda, era eu, que me deixara levar pelos impulsos da cabecinha, ao invés de pensar com cabeçona. Mas o que não têm remédio, já diria minha velha, remediado está, e minha única opção era pisar no acelerador e tomar distância daquele sociopata o mais rápido possível.
    E foi o que eu fiz. Peguei uns 160 km/h. No eixão, de madrugada, dá pra fazer esse tipo de estripulia, se você ficar esperto com os pardais, os conhecidos radares eletrônicos que o Detran instala e os adolescentes marginais apedrejam. Pois bem, segui com Luíza pelo eixão e os faróis do Opala chegaram a sumir do meu retrovisor, mas existe essa maldita Lei de Murphy, que eu nunca consigo burlar, e o pneu traseiro esquerdo estourou. É, estourou mesmo. Bum! Com direito a onomatopéia e tudo. Achei que já tinha me livrado do Godzilla, e desci para colocar meu companheiro, o estepe, no lugar do pneu. Naquela hora soube bem como ele se sentia, servindo apenas como substituto de emergência para o integrante oficial do quarteto de rodas, já que eu, aqui, era o substituto de emergência para o King Kong da Luíza.
    Luíza não se deu sequer o trabalho de descer do carro enquanto eu executava o trabalho braçal de erguer o automóvel com o macaco. Ficou lá, dormindo, tranqüila que só vendo. Quase mandei-a sair do meu veículo e tomar um táxi para casa, tal era minha revolta, mas não deu nem tempo de fazer isso, pois chegou o quinto cavaleiro do Apocalipse, em seu Opala rebaixado. E eu nem tenho testamento..., pensei.
    O Arauto da morte desceu do carro. Não estava com a arma na mão, pelo menos. Fiquei imaginando que ele talvez não fosse me matar. Quem sabe apenas não me desse uma surra? Se bem que com um só murro daquele armário meu crânio iria esfacelar de tal modo que viraria o quebra-cabeças preferido do pessoal do necrotério. O cara chegou perto. Pensei que ele estivesse bêbado, o que me daria alguma chance - de fugir, é lógico -, mas não. Estava perfeitamente sóbrio. Me olhou de alto a baixo.

retalhado do Sobre nada... e talvez alguma coisa.

– Tô pensando em viajar no feriado, mãe.
– Pra onde?
– Tô em dúvida entre Belo Horizonte e São Paulo....
– São Paulo?!?!?
– É, ué. Porque o espanto?
– O que você vai fazer em ésse-pê, meu filho?
– Ué, mãe, vou lá, vou a ésse-pê, vou... hm... é isso aí, vou a ésse-pê. Sabe?
– Vai ver a Camila?
– Tsc! Que Camila, mãe? Que Camila? E a Camila lá quer me ver? Se liga, né?
– E o que você vai fazer em bê-agá?
– Hm... vou... bem... eu vou... ué, mãe, vou a bê-agá, ué, ver... ver... ver bê-agá e... bem... é isso aí. Ver bê-agá, sabe?
– ... (silêncio, seguido de olhar de mãe)
– Ih.
– Pedro...
– Ih. Quê que foi?
– Quem é a pistoleira que você vai encontrar dessa vez?
– Porra, mãe, que mané pistoleira o quê! Que mané pistoleira, porra! Você acha que eu só viajo pra ver mulher?
– ... (silêncio, seguido de olhar de mãe)
– Certo. Todas as vezes que eu viajei foi para ver gurias. Mas dessa vez é diferente.
– ... (silêncio, seguido de olhar de mãe)
– Ok, eu vou encontrar umas gurias, mas nada a ver. Nem tô viajando por causa delas, e nem é só pra vê-las, e nem vai rolar nada, e... e...
– ... (silêncio, seguido de olhar de mãe)
– Ah, vou te contar, viu. Não dá pra conversar com a senhora...

apreendido da Utopia Dilucular

No primero dia de praia decidi eliminar o problema número um: pele branco-noruega. Protetor solar fator 15 contrariando a recomendação da Dra. Teresa, que indicou o 30 para evitar o câncer de pele. O branco-noruega venceu o sol. No segundo dia troquei o Sundown 15 pelo 8. O branco agora era italiano. Eu já não parecia um boneco de gesso mas ainda me sentia um peixe fora d’água. Terceiro dia e que se dane o câncer de pele! Bronzeador fator 4, cinco horas ininterruptas de sol e uma noite em claro, sem possibilidade alguma de encostar as costas ou a barriga no colchão. No dia seguinte fiz meu namorado ir à farmácia logo cedo para comprar um super-hiper-megaprotetor solar fator 50.

retirado do Balde de Gelo

Ele disse, não vou ser mais uma pessoa de plástico, vai tomar no cu, não sou um bonequinho articulado de vocês, e saiu da sala chutando a mesinha onde estava a garrafa térmica de café. Caiu, sujou todo o tapete da Ana. Logo o tapete dela, a histérica, puta merda, ia começar a arremessar panelas na minha cara.
Corri atrás dele, argumentando a favor do pedido do Thomas, não era tão absurdo assim.
- O Thomas não vai contar pra ninguém, pode ficar tranqüilo, eu disse.
- O Thomas é um gringo safado, vai, no mínimo, filmar a merda toda e colocar na internet, naqueles sites fuleiros cheio de putas gordas e arreganhadas.
- O negócio não é tão sujo assim.
- Teu conceito de sujeira está muito diferente do que era antes. Quem diria, o ex-padre perdeu o discurso debaixo da cama de alguém.
- Não me ofende assim, eu disse, fechando o punho, segurando a raiva.
Parei, fiquei pra trás, olhando pra ele, ele andava e olhava pra trás, certificando-se que eu não o seguia mais. Parou também. É um puto, um ator. Só quer atenção. No fundo gostou da grana proposta e está a fim do esquema.
Voltou, olhando para a rua, para os carros. Não olhou na minha cara
- Olha, eu acho que eu vou. - Olhou nos meus olhos - O que você acha disso, de verdade? Seja sincero.
- Não vejo mal nenhum.
Vi que ele se sentiu muito melhor com minha aprovação. No fim, todos querem mesmo é ouvir a mesma coisa, a mesma frase. Querem que alguém lhes diga que tudo dará certo.
- Tudo vai dar certo.
Ele sorri.
Não há muito o que dizer. Só quero saber da minha parte e de limpar aquela sujeira logo, antes que a Ana chegue.

emanado do Genérico Incolor

... uma pecinha do jogo Tetris

Ah!

Ah!

Ah!

Ah!

Ah!

Ui! Rodei!

Ih! Rodei de novo!

Rodei!

Rodei!

Rodei, rodei, rodei!

Ai!

Tô tonta!!!
.
.
.
.
.
Ufa! Caí!       ?????      Puts!... de cabeça pra baixo!

retirado do hoje sou...

Hoje, na gaúcha, um dos apresentadores pergunta pro Brizola:
- Governador, uma pergunta bem objetiva: o senhor vai ser ministro do governo Lula?
- Bom, a pergunta pode ser objetiva, mas a resposta não vai ser...

informou o Foca News

 
Saca o Bingo Botafogo - aquele psicodélico-cheio-dos-raio-laser do lado do Canecão? Eu fui lá hoje. E a Lia estava lá comigo. Pogramão antropológico total. Descobri que todas as idosas fumam, e muito, enquanto estão lá. Me senti super bem, com 60 aninhos, corpinho de 55 e acho até que flertaram comigo. Tive muita vontade de gritar bingo umas 5 vezes, só pra ver a reação da ala senil.

penetra de Damas Gratis ate as 20 horas.

Acabam de informar que uma vizinha minha está no hospital. Isto não seria relevante se o nome dela não fosse Delícia (não tô falando de apelido, mas nome mesmo). Lembro também da história que já é muito famosa na minha família. Uma vez meu pai foi oferecer carona pra ela e de dentro do carro se atrapalhou com o nome e registrou isso pra sempre na história: "Quer uma carona até o centro Dona Gostosa?". Mas não se preocupe, se eu mesmo não estivesse no carro, também não acreditaria.

extraído do Estranhos Links

O blogspot perdeu todo o arquivo de textos antigos do Ora Bolas.
Todo o texto está sendo transferido para este blog (vai dar um certo trampo.....).

Alguém sabe como recuperá-lo??
Vou tentar transferir manualmente o que consegui salvar.