31.3.03

Já não tiro minha mãe para dançar Chuck Berry nem a vejo perguntar "que porra que é essa?" sobre qualquer pessoa, fato ou objeto, desconhecido ou não. Não jogo bola no fundo infinito do estúdio nem ouço meu pai explicar como funciona o filme de tungstênio. Mas houve a época.

Não fui uma criança fácil. Encharcava a toalha e dizia ter tomado banho, escondia o dever de casa embaixo da cama, fingia desmaiar a cada tombo, mentia pelo prazer da contravenção e ainda roubava chiclete na banca do seu Júlio. Ateei fogo na área de serviço, escondi um cesto de roupa em chamas no armário do quarto, rasguei na cara da diretora a nota de suspensão, fingi ser trombadinha e quase me acertaram com um berimbau na caixa do peito.

Não fui uma criança alienada. Em 89 votaria Ulisses porque parecia ser um bom avô.

Não fui uma criança tranqüila. Lá pelos sete, oito anos, aprendi novos significados para "lábios" lendo Rê Bordosa, ia à praia de Stella Maris de gravata e gel Bozzano, lutava caratê com os encostos do sofá e travava conversas telepáticas com minha mãe toda vez que surgia anunciando as Dicas do Massinha na Tv Bahia.

Não fui uma criança sem apelidos. Peulourinho, pinduco, bebê bundeco, pisqüila e tudo mais que ultrapassasse os limites do constrangedor.

Não fui uma criança saudável. Tirei um saco plástico do frio e do sereno porque não gostaria que me tratassem daquela maneira, escrevi uma carta de condolências a Adoniran Barbosa quando meu pai contou que Iracema atravessou mesmo a contramão, adotei durante meses um pedaço de algodão que, precisa ver, lembrava fielmente um weimaraner manco, passei papel carbono pelo corpo e tive um ataque quando meu pai disse que ficaria preto para sempre.

Faço 22 anos hoje e estou há meia hora procurando a moral dessa história.

sub-notas

Engraçado pensar nisso, mas ninguém aceita o fato de eu falar com Edgar. Vou explicar. Edgar é o meu amigo imaginário...tenho várias teorias sobre o surgimento dele...e de como ele se foi e como se manifesta as vezes...

Quando eu era pré adolescente eu me isolava muito...ficava dias inteiros sozinha no quarto e de certa forma sentia solidão nessas horas. Foi aí que surgiu o Edgar. Ele, obviamente, é perfeito em todos os sentidos. Um gentleman lindo e maravilhoso, o homem que todas as mulheres idiotas sonham (porque perfeição não tem a menor graça) e procuram arduamente durante suas vidas. Conversei com ele dos 10 aos 18, constantemente. Aos 18 perdi a virgindade e com isso deixei de conversar com ele.

1ª hipótese: Edgar era o meu hímen. Essa hipótese não faz sentido porque ele ainda se manifesta nos momentos engraçados. E não há resquício de himen por aqui.
2ª hipótese: Edgar é o meu anjo da guarda. Mas ele é muito descarado pra ser anjo!
3ª hipótese: Eu sou louca mesmo e falo com um amigo imaginário e não existe explicação lógica pra isso.
Pra quem convive comigo é absolutamente normal me ver olhando pra algum lugar no infinito e largar um comentario idiota. Estou falando com ele nessas horas...

apenas Palavras achadas por uma Garota Perdida

Esse blog nunca foi 100% livre. Sempre houveram algumas poucas amarras que me impediam de contar tudo que eu queria. E o mais engraçado (não num sentido exatamente divertido) é que todas as histórias que eu gostaria de ter contado envolviam alegrias. Mas elas não puderam ser contadas. E agora não há como contá-las aqui - na verdade não sei se quero contá-las agora. Quero histórias novas. Alegrias novas.
Mesmo sabendo que não posso contar aqui todas as novas alegrias que surgem. Mas é necessário que seja assim...

vida em Borovnia (a.k.a. neurose tupiniquim)

Melhor foi ontem, na aula da noite, quando eu separei a galera in pairs e dei um papelzinho com um texto estilo conselho sentimental:

Dear fulana,
I'm in love with two people.

Aí eles tinham que continuar a história, dando argumentos para o problema proposto. No fim aparecia:

Can you give me some advice?
Can you help me?

E a partir daí eles trocavam os papéis e davam conselhos pros problemas dos outros, usando should e ought to, que era a matéria do dia.

Pois então - tinha um que era "dear fulana, eu briguei com meus pais por um motivo babaca". Continuaram a história assim (atenção à riqueza de detalhes): "eu transei com o porteiro do meu prédio no elevador sem camisinha e peguei AIDS". O melhor é que quem escreveu foi uma das alunas que é minha vizinha, aí eu não deixei passar:
- Com o Joaquim?? Caraca, você tem coisa com o Joaquim, hein?
- Nada, teacher, o Joaquim é feio. O João é bem melhor.
- Quem é João?
- Aquele todo bonitinho, tímido. Ta aí, teacher, ele até combina contigo!
- ...

Pronto, neguinho tá querendo me arrumar até com o porteiro agora. Ah, e o conselho dado foi tão baixo que nem convem postar aqui.

me Jane you Tarzan

Eu estou desconexo. Eu sinto a ponta dos meus dedos... só porque eles estão frios. Eu estou doente, e o suco de maracujá azedou porque eu deixei fora da geladeira. Só porque não tem mais suco. Só porque eu nunca soube pontuar os porquês. E a febre vindo. E a febre indo. Eu não devia estar escrevendo. Um homem veio me buscar de táxi, ontem. Mas hoje ele não vem. Então, eu vou me deitar e esperar até amanhã.

Um dia tinha sangue na pia. E eu tomei remédio. E os cabelos nas minhas costas estavam arrepiados. E já era tarde e eu não ia dormir. A cada momento era uma coisa diferente. E irritante. E, então, começou outro discurso. Mas eu já estava muito cheio e resolvi mesmo ir dormir. Haja paciência!

Eu andei observando algumas coisas que eu escrevo e quase tudo começa com eu. Será que eu sou assim tão egoísta? Talvez para algumas coisas. Talvez para várias coisas. Algumas pessoas sempre me disseram que eu sou a minha única e maior preocupação. Eu já achei que sim. Hoje, não acho mais, acho. Mudando radicalmente de assunto, eu estou sentindo-me bastante confuso com as coisas que escrevo, como se nada fizesse sentido, exceto para mim. Ou como se nem eu mesmo conseguisse extrair algum sentido em meio à minha verborragia habitual. É. Chegou a hora de parar de escrever este trecho. Enfim, eu estou um pouco confuso com as coisas que escrevo. E isso é ao mesmo tempo bom e ruim.

apenas Gotas de Sangue

30.3.03

Qual é o problema com quem dorme tarde?

Eu sou um vagabundo honesto pagador dos seus impostos e que tem direito de ir dormir e acordar a hora que quiser, mas o mundo parece não concordar muito com isso não.

Ao lado do meu prédio tem uma casa. Uma casa das grandes. E não sei porque diabos o distinto morador de tal casa teve a brilhante idéia de ter um galo em seu quintal. Com um quintal tão grande como o dele ele podia ter pensado em fazer uma piscina pras crianças, uma quadra de tênis pra exercitar sua bunda gorda ou doar pro MST, mas não, ele acorda de manhã um dia e enquanto veste suas pantufas pensa “Comprarei um galo que reinará absoluto em meu grande quintal”.

Acontece que a porra do galo é neurótico, insone e provavelmente importado da Noruega, porque anda com o fuso trocado que nem o meu. Todas as madrugadas, por volta das 4 da manhã, quando tudo está silencioso e tranqüilo, eu invariavelmente sou acordado – salvo quando ainda estou acordado, daí eu só sou importunado – pelo som do animal demoníaco batendo suas asinhas com força contra o peito e berrando com todos seus pulmões mais ou menos assim ó:
COCORICÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ.

Isso se repete mais algumas vezes enquanto o maldito galináceo norueguês dá voltas pelo gigantesco quintal berrando e se ocupando de verificar todo seu imenso reinado e se assegurar de que nenhuma pessoa num raio de 3 quilômetros ainda dorme.

Eu acordo puto mas logo lembro das belas imagens do Discovery Chanel de animaizinhos correndo soltos pela mata e medito um pouco sobre a beleza da natureza e dos animais e acabo desistindo de atirar móveis no quintal do vizinho.

Conformado com o comportamento do Woody Allen (foi assim que eu apelidei o galo neurótico Norueguês) eu volto a dormir.

A culpa toda não é do galo, na verdade. Mesmo que ele não existisse ou que fosse morto por um coquitel molotov anônimo (uhnnn...) eu ainda teria outros problemas.

Eu pareço não ter sorte com vizinhos de cima. O do meu apartamento antigo tinha o péssimo habito – ao menos ao meu ver – de copular de forma animalesca com sua esposa o que produzia barulhos impossíveis de se ignorar a não ser que você seja surdo. Eu até pensava em dar umas vassouradas no teto, mas ficava com dó pensando que o cara podia broxar e ficar traumatizado e ser enxotado de casa pela esposa ninfomaníaca que não agüentava mais tanto tempo sem sexo e atacava qualquer objeto fálico que atravessava sua frente. Seria um casamento arruinado pro minha culpa.

O vizinho de cima atual resolveu economizar e comprar o ar condicionado mais barato da loja, que fica instalado bem encima da sacada do meu quarto e faz um barulho semelhante ao de um Panzer em movimento.

Quando chega 7 horas da manhã e eu milagrosamente ainda estou dormindo o maldito caminhão de gás dos inferno estaciona em frente ao meu prédio e libera o caos. Os moços do gás saem correndo felizes – eu já observei uma vez – e tocam os interfones de todos os apartamentos de todos os prédios da rua oferecendo gás TODO dia. Por mais que eu diga pro moço que bate aqui que eu não compro gás NUNCA e que meu fogão é à lenha, ele continua a tocar aqui todo dia e a dizer “Gáaiiss” quando eu atendo “Uhnnn ?”.

Hoje, depois de toda essa maratona, ainda acordei com alguém tocando insistentemente no interfone. Assustado com a urgência do toque eu pensei ter acontecido alguma coisa. Fui atender correndo, todo preocupado e uma voz meio fanha saiu do interfone:

“Ôii... ê dã cãza do Leopoldo????”

.......

[C A C O F O N I A]

Lembram-se de quando eu vim de bermuda ao trabalho e me repreenderam? Pois é. Neste mês - mesmo com dinheiro em caixa, parece-me - não me pagaram um terço do salário, não me explicam a razão e nem me dão previsão. Hoje vim de chinelo havaianas. E estou andando para lá e para cá, arrastando os chinelos para que todos percebam. Vamos ver no que dá.

tolos devaneios tolos

Yes, nos temos baratas

Eu nunca tinha visto barata aqui, nem formiga (formiga, soh aquelas de campo mermo, nao aquelas pentelhas de casa que invadem o açucareiro). Mosca, no verao, tem aos montes, me sinto na Etiopia. Mas barata, nao. Tanto que nem tem palavra especifica pra barata: usam "scarafaggio", que como se ve, significa escaravelho - resumindo: besouro.

Ontem estou eu me preparando pra me recolher aos aposentos depois do trauma de Solaris, meu livrinho Red Dragon (melhor que o filme, que é uma merda, Edward Norton à parte) na mao, quando olho pro chao e vejo uma coisa assim baratal rastejando pra baixo da cama. Fui à sala chamar o Mirco, que curava seu trauma de Solaris com um Nesquick geladinho.

- Um bicho!
- Quale bicho?
- Uno scarafaggio...

Lah foi ele cumprir seu papel de Macho Detonador de Insetos Asquerosos, chinelo numa mao, lanterna na outra. Nada da barata.
- Deixa pra lah, vamos dormir...
eu: Tah doido? Jah vi baratas maiores e mais cascudas (essa era meio preta e mais arredondada, mais besouruda mesmo, mas pra mim, tem mais de quatro patas eu automaticamente odeio e desejo fervorosamente o seu exterminio), mas NAO dormirei jamé num lugar onde tem um inseto de paradeiro desconhecido! Vai que o bicho invade um orificio facial qualquer e eu tenho que ir ao hospital operar? Um amigo meu de Valença teve que ir ao hospital tirar um besouro do ouvido. Tudo bem que nao é fatal, mas eu acho que morreria assim mesmo, de nojo.

- Dai, "chatona", andiamo a dormire! (jah falei aqui do eruditissimo vocabulario do Mirco, nao?)

Dormi no sofah.

Hoje de manha, enquanto Baldo estah trabalhando com sua meia duzia de marroquinos, dois equatorianos e um iugoslavo, sem falar no Legolas que jah ficou cinza de tanta poeira de chao de oficina que entranhou no pelo, eu fui dar uma limpada basica na casa. Levanto o tapetinho do quarto e quem vejo? Seu Scarafaggio. Soh que ele nao contava com uma coisa: eu estava armada. Mirei o aspirador de poh, e lah foi ele, se afogar na poeira do saco do meu aspirador Philips roxo leeeeendo.

arma secreta da Pacamanca

Seis e meia da manhã quando saio para caminhar. Você detestaria, eu sei. Ficaria dormindo até eu voltar e quando eu chegasse meu dedinho ligaria a cafeteira, meu corpo gelado se enfiaria debaixo dos lençóis e se enroscaria em você como cobra. Você detestaria. Sim, eu sei. Mas não diria. Faria uns "ãh... hum... ai", viraria para o outro lado. E eu ficaria ali te cheirando o pescoço. Faz frio às seis da manhã. Ventinho gelado na rua, do sol apenas um tom rosado, atrás da colina. Atravesso a avenida, nenhum automóvel. João de barro quer assunto. Digo bom dia. Você não daria bola. Mas se um dia você viesse comigo, eu te mostraria a casa dele. Fica depois da curva, numa velha árvore. Eu te mostraria um jardim que descobri. Depois daquela cerca, há hortências que devem ficar azuladas na primavera. Mas o mais inquietante, são os cactos. Eles se intercalam entre as hortências na maior intimidade, como se fossem primos, amigos, irmãos. Você não acreditaria. E eu te contaria sobre aquela névoa que se formava sobre o lago durante esta manhã, enquanto minhas pernas estivessem enroscadas nas tuas, debaixo do edredom, e você fingindo que prestava atenção, dizendo arrã, eu sei, tá. E o cheiro do café entraria manso e morno pelo quarto. E eu te beijaria atrás da orelha. Te diria que está na hora, e na ponta do lóbulo esquerdo, uma mordidinha de leve. Você detestaria. Mas abriria os olhos, finalmente, e os colocaria sobre meu rosto em risos... e então você se lembraria de mim, do amor que eu tinha, do beijo meu. E me abraçaria bem forte. E doeria. E eu detestaria te dizer, mas diria: amor, acorda... a gente não existe e eu estou caminhando só.

its dedicated to the one... Walkwoman

Numa discussão que tive ontem com um chato que vive na frente do supermercado pregando Jesus e o caralho a quatro, que foi mais ou menos assim :
Ele:Pode explicar isso?
Eu: vai tomar no cú
Ele:Está com medo da verdade?
Eu: vai tomar no cú
Ele:Jesus te ama
Eu: vão vc e ele tomar no cú
...
Ele:Não tem argumentos
Eu: vai tomar no cú
Ele:Não pode provar que estou errado
Eu: vai tomar no cú

Ele desistiu..

O legal tb, é zombar com a crença deles, tipo, Maria é a maior puta da história, José o maior corno, e Jesus por hereditariedade o maior filho da puta de todos...Maria traiu José com o exercito romano, e disse que foi o Espírito Santo que engavidou ela, e José ingênuo caiu...Logo, se tornaram o que são...
Isso é perfeito pra deixar eles sem graça...

beavis and butthead's Cornholio

Santinhos

Na fila, o homem chegou e me abraçou forte, não querendo me largar. Eu dava tapinhas nas suas costas, evitando parecer selvagem com um cara que só podia ser louco, a me perguntar: “Tem dinheiro aí?”. “Tenho uns trocados, sim”, falei sacando minha carteira com uma foto que ele, me soltando, passou a admirar: “Sou eu este daqui”, ele disse a sorrir e a babar como quando um bebê reconhece a atenção franca de um desconhecido. A foto era minha, confesso, na Primeira Comunhão. Sempre achei esclarecedora do meu jeito vida afora aquela expressão beatífica que o seu Karol, o fotógrafo judeu, me ensinara a compor. E o louco de cabeça raspada e cheiro de mijo se achava ali. Quando lhe ofereci os trocados ele não quis. Viu o sinal aberto e partiu.

Albergue

Quantas vezes corri esbaforido ao cinema para pegar em tempo uma sessão. Nem sempre por uma premência artística. Apenas para me saciar no escuro onde ninguém sabe de mim. Longe de cadeiras ocupadas, adormeço em muitos filmes para só no fim despertar. Não bem um sono, de fato, como na cama onde me atiro com avidez de apagar. Fico olhando as imagens, isso sim, para pensar no que elas não podem me dar. Assim vejo outro filme, um sempre ausente da tela mas sempre vivo no quase cochilo do tato, aqui, no suor da minha mão. Ao voltar ao espetáculo percebo que um novo personagem apareceu e que a música de Bernard Herrmann está custando a chegar com o apogeu – mas, quando ela vem, vejo estar sequioso por mais uma sessão.

Leite & fel

Não havia destino anterior àquela rocha à beira do Guaíba. Foi nela que sentei. As águas cintilavam. Não havia nada que pudesse lembrar. Me fiz de profeta, alguma coisa assim: pernas dobradas, joelhos nas pontas laterais, sobre eles os dedos fazendo o tal círculo (em outras ocasiões obsceno), sei lá para quê. Assim fiquei, nessa pachorra um tanto encenada. Para quem?, pra ninguém, não se via viva alma por perto. De algo eu lembrava: fugira um dia antes. Só não sabia de onde. Recordava que na escapada uns galhos me feriram a testa e que num ponto da caminhada abriu-se o rio, essa rocha. Desabotoei a camisa, vi ser eu uma mulher. Na bolsa presa ao ventre, lembrando um canguru, um bebê sofria espasmos. Botei sua boca no bico do meu seio. E assim pude morrer.

João Gilberto Noll na Revista Eletrônica FRAUDE F for Fake

Curtas

Eu preciso fazer um check-up do coração todo ano, e então fui pegar o endereço do lugar para os testes. Naturalmente é um lugar mais freqüentado por cardíacos, hipertensos, obesos, coisas do tipo. Achei engraçado ver que a clínica ficava no vigésimo sexto andar do prédio. O elevador sobe num impulso só, dá aquela pressãozinha no ouvido, e o pessoal mais velho sai para o corredor meio que em ziguezague, risos. Depois dessa quem não tinha problema pode passar a ter na hora.

* Eu cheguei um pouco antes da hora no curso daí fiquei um pouco deitada na biblioteca. Lá tem um cantinho com almofadas pra quem quiser ver HQ's, mas como não tinha ninguém lá então me apossei, risos. As pessoas passavam e ficavam olhando, querendo entender porque uma garota daquele tamanho estava ali espalhada. Eu tirei o sapato pra ficar à vontade, até porque era carpete. Achei engraçado que as crianças passavam por mim pra pegar gibis e quando me viam descalça, acharam que era pra tirar também. Ninguém exige isso, mas minutos depois tinha uma porção de chinelos, sandálias e afins, em volta do tapete, risos.

notas Tendenciosas

Na minha tpm...

sinto uma absurda necessidade de sexo, preciso de doces muito doces, não ligo para chocolate, não ligo para faculdade, não ligo para homens, não ligo para mulheres, não ligo para família. Surto a cada 3 segundos pelos mais diversos motivos. Destruo o dia de minha mãe. Aliás, deságuo toda a mágoa recém-criada em minha mãe. Sempre nela. Também choro assistindo às novelas, ao mais recente comercial da BomBril e a escrotidões do gênero. Se contam, porém, que alguém muito próximo está fodido, morto ou mal-pago, rio e gargalho tal qual uma louca. Realizo as mais absurdas compras, e corto os cabelos dos mais absurdos modos, e profiro as mais absurdas frases. Os olhos ficam esbugalhados, as roupas justas, o andar pesado e firme de quem sabe o que quer. E nunca sei. E nunca quero. Nada. Já briguei com todos os meus namorados em épocas assim. Já tentei, em vão, enforcar minha mãe em frente ao médico. Já protagonizei barracos em feiras, shoppings, restaurantes, ruas, avenidas, casas, quartos, salas, banheiros. Já disse coisas que ninguém diria. Já soquei uma menina que sofria de glaucoma. Já chutei minha cama, minha parede, minhas cadelas.

Antroposofia, óleo de peixe, óleo de prímula, acupuntura, pílulas anticoncepcionais, pílulas que vetam a menstruação, antidepressivos, ansiolíticos, medicina chinesa, fórmulas ginecológicas. Tudo uma grande bobagem diante desta bomba relógio do caralho. Portanto, meus queridos, não torrem meus preciosos colhões nessa época. Ela passa, mas talvez suas cicatrizes não possuam a mesma sorte.

hormônios em ebulição da Juliana não tem epidímio

:::tédio desanimo liga muisca billie holiday desliga a muisca pq ta encomodando a irmã dormi tedio raiva não aguento mais isso um cigarro dores pelo corpo infecção alimentar eu acho dor de estomago vontade de sumir falta de perspectiva falta de grana preciso de um trabalho preciso de atenção o fim do blog da proximo? acho que sim to cansado disso aqui to cansado de min mesmo um dia um amigo falou que queria outra vida pq tava cansada da dele e eu tambem estou cansado da minha e quero uma novinha em folha um vida legal e chique demais sem acentos nem pontos sem numero e sem inimigos sem pessoas chatas e sem musica ruin quero so musica legal para meus ouvidos cansados de tudo que nao passa emoção por isso que eu vou sentar na privada cagar fumar um cigarro e tudo isso regrado ao velho e bom cartola e e antes q eu me esqueça va tomar no cu por favor.

(...)

:::em um papo de icq com o amigo cabeça:

VEGETARIAN/mande msg(02:15 AM) :
novidades.....nada cara...sempre mesma coisa e tu?

"fael"(02:17 AM) :
po, minha banda acabou,
essa semana arrumei duas entrevistas mas não fui pq nao tinha grana pra pegar onibus,
minha garganta inflamou,
tenho fumado meio cigarro por dia pq nao tenho grana pra comprar mais
e acho q não vou beber no fim de semana.

...e o pior e q não para por ai.

dias e dias onde nada acontece

29.3.03

ânimoânimoânimoânimoânimoânimoânimoânimo

(...)

Metástase no cérebro, fígado e coluna vertebral. Quimio urgente. Decisão difícil.

(...)

De molho em casa pra não passar gripe pro meu pai, tô aqui tentando colocar o sono e a vida em dia. Mais de uma semana vendo o mundo desabar lá fora e aqui dentro também.

(...)

Dormir no hospital é modo de dizer. Impossível dormir num hospital, com o entra-e-sai de enfermeiros, inaladores, médicos, copeiras, seringas, tubos e caixinhas de pílulas. Mas o que importa é que onde há vida, há esperança.

(...)

Pelo menos estou colocando a TV em dia. E como o mundo parece fútil.

Annix - 20th Century Girl

Sim, qual o espanto em saber que Deus é negro?

A existência de um Deus negro pode parecer muito estranha numa cultura onde o branco é a imagem da pureza, do divino. Mas se analisarmos friamente, tanto do ponto de vista religioso, quanto científico ou histórico, chegaremos à conclusão que um Deus negro não só é possível, como também é muito mais lógico do que um Deus branco.

Teologia não é a minha área, mas eu sei que a Bíblia diz, e todos repetimos sem pensar no assunto, que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Ora, todas as pesquisas que conhecemos apontam a origem humana em território africano, e comprovam que os primeiros homens estavam mais para um aborígene australiano do que para as representações loirinhas de Adão e Eva que a arte retratou. Então, qual homem foi feito à imagem de Deus?

(...)

HERESIA!

Sim, chamem como quiserem... Mas eu não acredito na Bíblia. Motivo? Como confiar em um livro dividido em duas partes, uma parte escrita há mais de 3 mil anos, e a outra parte contando uma história mais de 100 anos depois de acontecida? E considerando que este livro foi escrito em uma sociedade de mais de 2 mil anos, passou por inúmeras traduções (inclusive por uma, por exemplo, em que a palavra Jovem foi substituída pela palavra Virgem, fato que posteriormente formou um dos grandes dogmas do Cristianismo) e que, inclusive, sobreviveu ao poder supremo da Igreja Católica da idade média... Dá pra acreditar? Claro que sim, e em coelho da páscoa também.

Deus é Negro!

Primeira-Dama dos EUA critica o regime de Saddam.

Depois de tantos anos sob o mesmo regime, é um absurdo que o ditador ainda esteja tão gordinho. Diz, indignada, Mrs. Bush.

Mural Plural

Eu queria saber quantas meninas mentirosas dizem que tamanho não é documento.
Pra mim é documento sim
Quanto maior a conta corrente dele
Mais prazer ela me dá!!!

(...)

Entro num chat e o cara já vem me perguntando..
- Voce é gostosa?
- Sou, e vc, tem pau grande?
Aí o sujeito se sentiu ofendido. Claro. Só as mulheres precisam responder essas perguntas ridículas de chat.

Acho impressionante também o cara que vem e fala "tá afim de aguentar um 19X5?"
Poxa falem-me a verdade , nem precisa deixar o nick verdadeiro , como é que voces medem isso?
Fita métrica? Régua? Compasso? Polegadas?
Sou obrigada a rir imaginando a cena do cara com o Pau duro certamente, medindo o comprimento e o diametro da coisa.
Deve ter até um caderninho de anotação.Mede mês a mês..
Po esse mês meu pau aumentou 2 milimetros!

Porra grande coisa..GRANDE COISA mesmo!

Aí vem um sujeitinho desses ainda falar comigo...
" Duvido que voce aguente um 28X9"

Ah , puta propaganda enganosa.
Agora passou de 16 cm eu só acredito se tiver o selinho do Imetro
Testado e Aprovado!!
SABELADEUSPORQUEM!

Casos e Acasos Virtuais

Sem rodeios, eu vou contar um sonho aqui

Eu sonhava que ela (até em sonhos...:/) tinha se mudado pra casa vizinha da minha vizinha...
E que apesar dela ta la, ja tinha um tempo que eu nao tinha nem falado com ela
Entao,uma bela noite, eu resolvi ir até lá
Entrei ( a porta estava entre-aberta) e perguntei se ela estava por lá. Responderam que não. No exato momento que escutei tal resposta, se escutou a buzina de um carro na garagem pedindo pra abrir a porta. A mulher que me atendeu disse que era ela.
Nesse exato momento, eu sai correndo pelo outro lado em direção a minha casa.

--x--

Pra mim, eu nao sei pra vocês,mas esse sonho reflete o que se passa na minha cabeça:
- Eu sei que ela sempre ta por perto de mim. Eu tenho uma enorme vontade de ir falar com ela, como se fosse uma coisa normal. Mas eu tenho medo. E sempre corro dessa possibilidade. Fujo mesmo. Sem dizer nada
Saudade é bixo foda viu?
Só não é mais que aquele tal de Sentimento

no Bangulhus

Ele não tem uma vida para me dar, não a vida que eu acho que mereço. Se bem que eu sempre acho que mereço muito e isso pode ser bem mais do que realmente é, enfim, ele não tem. Ele não convive, ele coabita, o que para mim não serve. Não quero nenhum dependente, mas quero quem de mim não prescinda ou seja, se ele pudesse me dar, aliás, quisesse me dar a vida que mereço, ele não conseguiria. Ele vive, eu interajo. Não está claro para mim onde nos encontramos no meio dessa sandice toda. Nossas vidas são paralelas mas alguma força gravitacional poderosa distorce o espaço-tempo e, por algums momentos, nossos universos se interpenetram. Então é como de fôssemos o avesso um do outro, partes do mesmo enigma, rotas gêmeas. Então nascem super-novas, planetas são engolidos. De tão intensa, a força se instabiliza, entropia muito alta, a deformação dos planos cessa e nossos mundos se desprendem. Não sem terem deixado um no outro, sinais de encontro, órbitas sutilmente modificadas. Seguimos o movimento de expansão, cada vez mais distantes, rumo às incertezas, sem saber quando, ou se, isso acontecerá novamente.

Não Discuto e dai?

Caminhava pela avenida a passos desconexos. Havia deixado sua bolsa no restaurante junto com toda sua história. Seu olhar atravessava os demais transeuntes que não tinham consciência de sua vida. Cada pisada no chão esmagava um pouco mais a vida que levava até então. Não poderia suportar mais ser usada como o capacho de uma lanchonete de quinta categoria freqüentada por trabalhadores braçais e suas botas cheias de lama. Estava cansada. Estava imersa num filme transtornante em que pedia suplicante pelo "Corta" do diretor. Mas não havia o comandante que pudesse interromper aquela cadência carregada de brutalidades e excrescências. Dependia de si mesma.

Fez sinal para um táxi sem ter a idéia clara de para onde iria.

- Boa noite. Para onde vamos?
- Não sei.
- Minha senhora, eu preciso ter um destino.
- Não sei. Sai andando.

E sua cabeça naquele momento estava tomada por uma delicada sensação de que aquele seria o último dia. Lembrava-se dele. Do modo nocivo com que a beijava todas as vezes que lhe arrancava a roupa. Das suas mãos entrando por baixo de sua saia nos elevadores lotados. Do gosto de sua pele. Do cheiro animal que exalava de seus poros machos. Chorava e masturbava-se. Não poderia mais permitir que lhe roubassem a juventude. Chorava e masturbava-se convulsa no banco de trás do táxi. Mas queria que lhe fosse tolhida a possibilidade da escolha. Chorava e masturbava-se convulsa no banco de trás do táxi de olhos fechados. Pensava em todas as vezes que abriu mão de seus desejos e da sua dignidade. Chorava e masturbava-se convulsa no banco de trás do táxi de olhos fechados pensando simplesmente que nunca mais.

O motorista do táxi já havia percebido o que estava acontecendo. Ficou envergonhado em dizer qualquer coisa. Era um senhor de uns cinqüenta anos, cabelos grisalhos, barba por fazer, óculos de aros grossos, fumante inveterado. Casado, sem filhos. Ex-professor de Geografia. O que fazer com aquela mulher ali que chorava sem parar e que dentro de pouco tempo estaria com a vagina em sangue tamanha a violência com que se tocava? Aquilo nunca havia lhe acontecido. Não sabia nem ao menos para onde ir. O taxímetro rodava por ruas mais escuras para que não vissem o que acontecia dentro de seu carro contando vinte centavos por gemido. De repente ouviu a mulher explodir num grito de dor. Achou que ela havia se machucado.

- Está tudo bem?
- Não. Pode parar o carro.
- Minha senhora, esse bairro é perigoso. Está escuro. Posso levá-la aonde quiser.
- Me deixa aqui. Quanto é?
- Foi por conta da casa.

Ele ficou olhando a mulher descer do carro cambaleante sem entender o que acabara de se passar ali dentro. Seguiu seu caminho. Decidira ir para casa. Encontrar a esposa, dormir juntinho. Não lhe contaria do ocorrido. Ela poderia pensar coisas estranhas. Ela nunca confiou nele mesmo. Aquela história só poderia trazer-lhe à tona aquele velho ciúme que já houvera sido razão de grandes tormentos conjugais.

- Velho, passa a carteira.
- Que é isso?
- O Mickey Mouse, vovô. Um assalto, porra!
- Calma, calma. O que você quer? Dinheiro? Toma.
- Rápido, rápido.

Pegou o dinheiro do taxista e se mandou antes que alguém nos carros ali próximo avisasse alguma viatura de polícia. Conseguira apenas sessenta reais. Mixaria. Deveria fazer mais um assalto ainda naquela noite para poder pagar a dívida que tinha com o Minhocão. Sabia que se até duas da manhã não pagasse o traficante seria encontrado na manhã seguinte degolado no Beco da Norma. Ainda faltavam uns cem. De cano guardado na cintura seguiu adiante na avenida. Por que cargas d'água se envolvera com aquela gente? Parou num boteco para tomar um café. Pagaria o filho da puta naquela noite e nunca mais.

- E aí? Já tem o dinheiro?
- O quê?
- O dinheiro, malandro.
- Olha, ainda faltam cem. Mas até o horário combinado vai estar tudo quitado.
- É bom mesmo. Senão você já sabe.

Recebeu do outro uma piscadela marota com gosto de morte. E saiu. Precisava ou de um carrão de janela aberta ou então de algum casal saindo dos restaurantes da redondeza. O sinal fechara. Era agora. O sangue subia-lhe à face e as mãos suavam. Sacou a arma da cintura e chegou ao motorista.

- Passa a grana, grã-fino.
- O quê?
- Dinheiro, cara!
- Calma, olha eu não tenho um tostão aqui comigo.
- Como não, rapaz? Está querendo me enrolar?
- Olha, não tenho mesmo.
- Então chega para lá.

O assaltante deu a volta no carro e deu um tiro na janela. Vidro estilhaçado, apatia das pessoas em volta, puxou a trava do carro e entrou. Apontou a arma para a cabeça do homem.

- Olha, cara, pode fazer o que quiser, mas não me mate.
- Não quero te matar. Vire à direita.

Ele estava com a arma apontada para sua cabeça. Levava o carro para um destino que desconhecia. Nunca houvera sido assaltado. Nunca sentira a vida de um modo tão tênue. Qualquer movimento em falso poderia custar-lhe muito caro. Não desobedeceria a seu seqüestrador.

- Pare aqui.
- Está bem.

O assaltante saiu do carro e deixou-o lá. Poderia fugir. Mas fugir para onde? De certo achariam-no e então seria o fim. Calma. Muita calma. Isso seria um pesadelo que em poucos minutos estaria terminado. Ouviu alguns gritos. Havia alguém que não gostara de saber que ele estava lá. Tiros. Um homem alto e magro saiu de dentro da casinha simples em que o outro assaltante havia entrado.

- Boa noite. Meu nome é Minhocão. Eu sinto muito pelo senhor estar passando por isso.
- Eu sabia que devia ser um mal entendido.
- E foi. Mas não posso deixar o senhor sair assim, sem nenhum pedido de desculpas.
- Não se incomode. É só me dizer como...

Levou três tiros à queima roupa. Dois na cabeça e um no braço. O Minhocão saiu de perto e voltou para o casebre de onde tinha saído.

Pessoas começaram a se juntar ao redor do carro. Inúmeros comentários carregados de dó rompiam o silêncio da noite.

- O que aconteceu?
- Um homem foi baleado. Acho que está morto.
- Ele está dentro do carro?

Ela conhecia aquele carro. Não, seria muita coincidência. Começou a abrir caminho na multidão para chegar mais perto.

- Não!

Era ele mesmo. Aquele que a maltratara, que a usara, que lhe destruiu a crença em si mesma. Que fora tudo. No banco do passageiro havia caída uma foto dela. A que ele sempre levava no porta-luvas.

A polícia já estava lá. E ela de joelhos no chão ao lado de uma poça de sangue.

- A senhora conhecia a vítima?
- Sim.
- É parente?
- Ele era meu pai.

Allons, enfants! Chocados?

28.3.03

Frase do dia:
Eu gostava mais de você quando não te conhecia.

oooooooops!

Caralho, estava eu aki agora lembrando da minha primeira transa.
Eu tava super preucupado... séra que vai ficar duro?? será que eu vou gozar rapido?? será que a menina vai gostar do meu desempenho??
Como eu éra um jovem padawan de apenas 16 anos, fui me aconselhar com um amigo mais velho, que tinha uma namorada fixa.
O cara falou assim:
"Relaxa... vou te dar uma dica.. na hora H.. desencana.. fica pensando em outras coisas..."
Bem! fiquei bem mais tranquilo com o conselho do meu amigo, só que na hora H, me deu uma tremedeira da porra!
A garota éra mais velha (21 anos), e mais experiente. ela ligou o som... e rolou um cd de reagge... Inner Circle "Black Roses" .. me lembro como se fosse hoje (a primeira vez agente nunca esquece).
Então eu lembrei das sábias palavras do meu amigo: "Relaxa... vou te dar uma dica.. na hora H.. desencana.. fica pensando em outras coisas..."
Então eu me concentrei na musica, como maconheiro profissional, eu sabia a letra na ponta da lingua, o foda é que eu comecei a cantar a musica e não conseguia parar:

"What have happened to my garden of black roses? Oh nurturing years of so long"

Foda.. a menina me olhou com uma cara do tipo "vc veio aqui pra cantar ou pra fuder?" ... mas tudo acabou bem.. quer dizer.. teve um pequeno incidente na colocação da camisinha devido a pouca experiencia.. mas tb não vou ficar revelando as minhas intimidades... aheuaheuhe

Cavera de Jegue

Receber spam em inglês de um fazendeiro do Zimbawe, perseguido politicamente e exilado na Holanda, procurando ajuda financeira e sócios para transferência de um fundo bloqueado e outras trapalhadas mais, é o uó do forrobodó. Mr. Bulawa Mulete Jr: vai ver se eu não estou em Bagda!

.:Piores Blogs:.

O encontro foi casual. Encontram-se na rua. Ele pediu desculpas por não ter ido ao enterro do marido dela. Eram amigos, mas na ocasião ele estava viajando a trabalho. "Uma pena, uma pena .. ele era tão moço", repetia.

Conversaram amenidades. Ele queria se desculpar, se redimir pelo sumiço numa hora tão dura para ela. Convidou-a para almoçar, quem sabe um jantar. "Não se incomode. Qualquer dia desses passe lá em casa para tomar um café. Sei o quanto você gostava dele", disse a moça querendo ser gentil. Foi um convite pró-forma. Aquela coisa tipicamente carioca de convidar sabendo que a pessoa nunca vai aparecer na sua casa.

Mas ele apareceu. Dias depois, lá estava o bruto diante da porta. Levou bombons. Ao entrar, mais uma vez desculpou-se por não ter podido ir ao enterro do amigo. Já acomodado no sofá, perguntou como ela estava, se precisava de alguma coisa. Ela falou da solidão, da dor da perda e disse que entendia os motivos dele. Afinal, a morte foi repentina, a doença muito rápida.

Conversaram por uma hora.

- Seu filho vai demorar? - ele perguntou depois de alguns segundos daquele silêncio constrangedor. De fato, ela não sabia. Respondeu que o menino, na verdade já um homem, não parava em casa.

- Esses cachinhos do seu cabelo são naturais?, nova pergunta inusitada, dessa vez acompanhada por uma aproximação física e uma passada de mão no cabelo dela.

Ora bolas. Os cachinhos sempre estiveram lá. Ele já estava careca de saber que o cabelo dela era daquele jeito. Afinal, o malandro era amigo do marido dela há anos! "Que diabos de pergunta é essa?", ela pensou já procurando um novo lugar no sofá, bem longe do bruto.

- Já que seu filho vai demorar, bem que a gente podia dar uma deitadinha ... - sugeriu o palhaço.

Proposta inusitada, certo? Mais inusitado ainda foi o que ela entendeu. Surdez, velhice ou nervosismo, ela não sabe. Apenas entendeu que o homem queria comer uma empadinha.

- Aaahhh ... se você tivesse me dito antes, eu tinha me preparado melhor - disse em tom de culpa, desculpa, já pensando onde poderia ter encomendado as empadinhas.

- Não precisa ser tão formal. É só uma deitadinha ... - respondeu o bruto, ainda sem perceber a confusão.

- Poxa .. é que eu não sabia que horas você ia passar, por isso nem pensei em alguma coisa assim mais pro salgado ... eu podia ter passado na Casa da Empada, encomendado algumas ... - ela ainda justificou.

- Casa da empada?!?! - perguntou ele assustado.

- É. Você não quer uma empadinha? - ela rebateu agora sem entender a reação dele.

- Não, não - disse ele rindo - Quero dar uma dei-ta-di-nha com você, coisa rápida.

Quando ela se deu conta, estava enchendo o homem de bolsadas. "Ponha-se daqui pra fora seu tarado filho da puta!", gritava ela já abrindo a porta. Tentando se defender, ele ainda levou a caixa de bombom na cabeça.

Dias depois, ela recebe em casa um enorme buquê de rosas do bruto. Com uma tesoura, cortou o cartão em picadinhos e devolveu as rosas, também picadinhas.

Homem É Tudo Palhaço

Sinto-me como se saisse de um belo sonho e entrasse direto num pesadelo. Eh uma anomalia fetal que acontesse em 1 gravidez entre 1000 e aconteceu na minha. Chama anencephaly e mesmo que nasca vivo, o bebe nao sobrevive mais que minutos. Foi um choque imenso.

A indicacao agora eh o aborto terapeutico.
Quando tudo estiver terminado, sera tempo de repensar total essa minha vida. Temo o vazio que hei se sentir, afinal fazia muito tempo que nao me sentia tao forte, feliz e decidida do que durante essa minha curta expectativa de ser mae. Talvez essa experiencia tenha servido para me acordar para esse desejo.

Naked Emotions

Um dia num bar, um pai e uma mãe

"Os mitos dessa geração não duram mesmo..."

Largou essa pensativo,o olhar perdido do outro lado da mesa, esperando a cerveja chegar.

"Ahn?"

Eu estava com o olhar perdido no lado oposto, tentando ver quem tinha passado o bilhetinho com Leminskis.

"Os mitos da sua geração. O André Sant'anna parou de beber, você casou e tá grávida..."

Pronto, de novo. Agora todo mundo acha que eu passo o dia perambulando pela casa de avental sujo de molho de tomate, colher de pau na mão e panela no fogo. Nada disso. Eu passo o dia perambulando pela casa sem roupa, olhando as caixas, sentando no computador alheio às vezes e desolando-me com a eterna bagunça. É bem pior. Eu nem sei cozinhar.

"Rá. Espera o Beanie nascer pra você ver. Vou fazer tudo que fazia e não fiz nesses últimos meses, tá?"

Olhares entre o casal. Eles têm um filho. Olhares risonhos entre o casal que tem um filho. Eles desistiram da boemia. Eles sabem tudo. Tudo sobre as fraldas e os choros noturnos. Tudo sobre tudo. Eles riram de mim. Ai, meu deus. Aiaiai, meu deus.

Enchi um copo de cerveja, só um, e acendi um cigarro, só um, pra não me sentir a última da minha raça.

Pensei: é temporário.
Pensei: é só até parar de amamentar.

Amamentar, ainda tem que amamentar, ainda vai demorar. Eu vou ter um ataque, vou ter que inventar alguma coisa, café, sei lá, alguma coisa.

Alguma coisa.
Se bem que os hormônios andam dando conta.

Lady Averbuck ars longa, vita brevis

Ela


Vinha eu dentro do fretado, percorrendo o longo caminho que separa minha casa do trabalho. E pensava sobre a necessidade de perder uns quilinhos. Uns vinte, pelo menos. E então me assustei com uma voz claramente vindo de dentro da minha cabeça:
– Eu faria qualquer esforço para ver você emagrecer pelo menos um pouco.
– Epa! Quem falou isso?
– Eu!
– Quem disse "eu"?
– Eu disse "eu".
– Quem disse "eu disse eu"?
– Ok, sem Pica-Pau aqui. Sou eu, oras.
– Eu quem???
– A mulher dentro de você.
– Mulher dentro de mim? Tá doida??? A mulherada sempre vem com aquele papo de dedinho e tal e eu nunca deixei! Como é que ia ter uma mulher inteira dentro de miim?
– Você se acha engraçado, não?
– Hehehe.
– Pois não é.
– Hum.
– Posso continuar o que estava dizendo?
– Claro, vá em frente. Meu deus, estou falando com as vozes na minha cabeça! Sou um personagem de Stephen King!
– Não se preocupe. Relaxe, converse comigo. Bom, eu ia dizendo. Ia ser muito bom você perder uns quilos. E arrumar os dentes.
– Você é a Daniela, por acaso?
– Um pouco. Sou uma mistura de várias mulheres que você conhece ou gostaria de conhecer. Mas vê se pára de tentar racionalizar tudo! Você está conversando com uma voz dentro da sua cabeça!
– Taí, me pegou. Mas como é que eu nunca tinha notado você antes?
– Porque você é homem, portanto burro. Eu estou sempre por aqui. E você me deixa escapar às vezes...
– Ôpa! Tá doida???
– É verdade! Sabe quando você vai tomar café, se distrai e de repente o mindinho salta, ficando esticadinho pra fora? Sou eu! E quando você vê um rapaz e pensa "Pô, cara bonito"? Então! Sou eu...
– PERAÍ! Isso é apenas meu jeito másculo de admitir as qualidades físicas de outros homens.
– Sei, sei... Que nada! Sou eu, sempre eu!
– Hum... Você é gostosinha pelo menos?
– Que importa? Nunca vai poder rolar nada entre nós mesmo. Se bem que quando você se...
– SHHHHH!
– Ok, ok, boca de siri.
– Eu ainda não acredito que estou conversando com você.
– Você me ofende! Conversa naturalmente com um urubu, numa boa. Aí comigo é esse estranhamento.
– Mas é diferente. O urubu não está na minha cabeça.
– Tem certeza, mané?
– Hein?
– ...
– Ô! Ô! Ô mulé! Ô Marcaurélia! Cadê você, porra???
Sumiu. Malditas mulheres.

Jesus, me chicoteia!

Cláudio Caetano
O Cláudio Caetano morreu. Encontraram seu corpo no centro, encostado na parede de uma grande loja de departamentos. Jazia sobre uma cama de papelão, numa piscina de sangue.
Ele tinha 39 anos, era negro, dois dentes na boca e nenhuma ilusão. Vítima da vida, Cláudio também fazia suas vítimas na profissão, que cultivava cuidadosamente nas noites de Porto Alegre. Ele furtava rádio de carros e, às vezes, arrombava residências. Mas, quando o conheci, chegou como vítima. Apanhara da polícia. O saldo era o pulso quebrado, umas costelas fraturadas, um olho vazado. E o cheiro, meu Deus!... Cheiro que penetrava no ambiente, violava nosso olfato. Mas a figura me comovia. Não sei se era o rosto, o desespero dos olhos, a vocalização singular das palavras. Falava aos arrancos, como um animal acuado. Ele tinha medo, medo que vinha da culpa, da desesperança. Era um ser que inspirava horror. Tinha cara de mau. Os olhos sempre injetados, mas como brilhavam... Era a miséria em toda a sua glória. A miséria sem inocência, miséria que não inspirava compaixão. Acolhia a repulsa. A miséria e todos os seus vícios, presentes e futuros. Que belo quadro daria aquele rosto...
Só que a vida de Cláudio Caetano era um belo filme de terror. O mais aterrador. O terror cotidiano, o terror comum de uma história sem originalidade, aquela que acontece o tempo todo nas cercanias da cidade, nos cinturões da fome, o terror sem inspiração.
Aos nove anos, cansado de apanhar da mãe e do padrasto, Cláudio Caetano tentou se matar. Entrou no Guaíba na certeza de morrer afogado, já que não sabia nadar. Mas, ao sabor da fome, juntou-se o gosto do medo e seu corpo começou a nadar sozinho. Então matou sua infância, o padrasto e foi para a Febem.
Cláudio Caetano não tinha nem sombra de ternura. Só que algo suavizava naquele rosto embrutecido quando falava da Janete, a mulata esquálida que costumava espancar nas tardes de domingo e que já lhe dera quatro filhos, um morto. Ela tinha treze anos quando deixou de passar fome em casa para dividir a fome com o Cláudio Caetano. Naquele tempo, ele estava quase bem de vida, proprietário de um barraco na Vila Cachorro Sentado.
Os filhos... ele não sabia dizer a idade. Confundia seus nomes, suas realidades. Na verdade, os filhos o aborreciam. Eram corpos que necessitavam coisas que jamais poderia suprir. Coisas materiais, como alimento, roupas, escola, brinquedos... Coisas espirituais, como amor, amizade, afeto, compaixão... Coisas que nunca tivera e, sabia,... nunca teria. Mas ser humano que era conhecia sua existência, por puro instinto, pela própria necessidade. Melhor não soubesse de nada, melhor seria... E tinha consciência do fato.
A última vez em que vi o Cláudio Caetano com vida foi quando ele foi levado a fazer o reconhecimento dos policiais que o agrediram. Na ocasião, ele demonstrou coragem. Tinha um medo insano da polícia. Mas desta vez não era o medo do homem culpado e sim o medoda vítima. A perda do olho foi tão sentida que venceu a si mesmo e foi. Só que mostraram fotografias antigas. Impossível reconhecer os policiais bandidos. O último resquício de esperança no sistema se esvaía. Foi a partir daí que o Cláudio Caetano tomou novos rumos na profissão. Passou dos pequenos furtos para os roubos e os latrocínios.
Aquela sova - não que fosse a primeira - deu sede de sangue. Sangue em que se banhou inteiro antes de partir.

na morgue do Angel 7000

27.3.03

Há muito descobri uma tática para sempre ter papo com pessoas que tinham filhos. Quando eu estava muuuito a fim de ser simpática, lascava um “e o Fulaninho, como está?”. Nunca ouvi “tá bem, obrigado.”, sempre havia um complemento, uma corujice, um caso, uma reclamação. É por isso que esse blog dura até hoje.

Há alguns anos descobri uma coisa sobre a qual é fácil achar assunto, quando você fala com uma pessoa que também tem (fora blogs, porque essa comparação já foi feita). Experimente perguntar a uma pessoa tatuada alguma coisa sobre a tatuagem. Desde que ela não seja superanti-social e que a sua pergunta não seja completamente imbecil, você terá bons minutos de conversa. É mais ou menos como falar de filhos:

. Quando você fez? Quantos aninhos ela tem?
. Pois é… é pra vida toda.
. Você tava sóbria quando fez?
. E o que os seus pais falaram quando você contou que ia ter/fazer?
. Você quer ter mais?
. Ai, quanto mais eu tenho, mais dá vontade de fazer.
. As pessoas acham meio estranho quem tem muitas.
. Tem foto? Dá pra mostrar?
. Você passa filtro solar nela quando toma sol?
. Não, eu nunca pensei em tirar.
. É mais difícil arranjar um emprego assim, né?
. Doeu muito?

É como disse a Mi outro dia: tatoo é igual filho, se doesse tanto não teria tantas por ai. E antes que me apredrejem por comparar um modismo a uma pessoinha amada, aviso que há uma grande diferença: tatuagem não dá trabalho. Taí. Acho que vou fazer outra.


Coisa da Laura, do Mothern

Porra, a cada dia vai ficando tudo mais difícil. Não preciso nem dizer que o problema ainda é a merda da falta de grana. Minha conta virou hoje e a da minha mulher virou já faz quase duas semanas. Hoje tive que pagar a primeira das cinco parcelas de uma grana que peguei emprestada com meu tio, que apesar de ser meu tio, me cobrou juros de 5% ao mês. E ai de mim atrasar um dia que seja. Como não tinha o dinheiro todo pra pagar o que devo a ele, entrei no cheque especial. E não posso nem falar nada com meu pai, pois não agüento mais dar tanta despesa ao coroa. Sei que é ridículo o que vou fazer aqui. E, acreditem, pensei muito se deveria ou não fazer isso. Espero que compreendam a minha situação de total desespero. Não fosse o fato de estar desempregado, com uma filha por nascer e devendo uma boa grana na praça, não me sujeitaria a isso de forma alguma. Mas acontece que estou mal e já não sei mais a quem recorrer. Portanto, se alguém puder me ajudar com qualquer quantia, minha conta é esta aí em baixo:

BANCO DO BRASIL

Agência: 2299-3
C/C: 7801-8

Me perdoem tamanha cara-de-pau, mas volto a dizer que só estou agindo assim porque a coisa anda feia mesmo. Só espero que esta atitude não afaste vocês deste espaço. Não pensem que será sempre assim e que isso tornará a ocorrer se essa minha situação se prolongar. Como disse, foi uma decisão tomada num momento de desespero, por alguém que vê suas possibilidades ficando menores a cada dia. Não vou, entretanto, desanimar nem muito menos desistir. Principalmente agora que estou casado e prestes a ser pai. De qualquer forma, não fujam daqui, por favor. E, desde já, muito obrigado a todos.

Chega de baixo astral. Vamos a mais uma historinha.

O EXU MARKETEIRO

Tenho um primo veado. Bem, nada contra ele ser veado. Nada mesmo. Até porque eu amo meu primo como se fosse um(a) irmão(ã) mais velho(a). Acontece que o cara além de veado é macumbeiro e mitômano também. Aí já é um pouco demais, não acham? Esse meu primo, o Luiz Henrique, também tem uma outra característica muito interessante e que ele deveria explorar melhor. O cara exerce um verdadeiro fascínio sobre as pessoas. Ele tem o dom da palavra. Parece pastor da Universal. É praticamente uma seita. Tem até seguidores. Já houve tempos em que ele era acompanhado por uma pequena legião. Depois, conforme neguinho sacava que ele era um tremendo 171, ia se afastando e, hoje, são três os seus fiéis seguidores: Dina Lara, que abriu mão de seus dois filhos, um rapaz e uma garota, para permanecer ao lado dele após o garoto, que era caso do meu primo, com o consentimento e as bênçãos da mãe, ter quebrado maior pau dentro de casa quando descobriu que a mãe havia passado a casa pro nome do guru. E o fez de maneira oficial, indo ao juizado de menores e passando a guarda de ambos para a avó dos garotos. A outra é a Selma, que nunca se casou – há fortes suspeitas de que jamais tenha tido um homem na vida, o que não necessariamente implica numa virgindade -, é a única com trabalho fixo – é professora das redes municipal e estadual – e, por conta disso, a grande financiadora e mantenedora da casa, além de tratar meu primo como se fosse seu filho, dando tudo o que ele quer, podendo arcar com o ônus da coisa ou não. E finalmente temos o Richardson, que largou a mulher – gatíssima, por sinal – e os três filhos para assumir seu romance de sete anos com o cara. Pior é que durante um bom tempo a mulher dele também foi apaixonada pelo meu primo, que sem que um soubesse da paixão que o outro nutria por ele, pegava os dois.

Bom, por aí acho que já deu pra se ter uma idéia de como é o ambiente por lá, né? A parada é muito bizarra. Certa vez, eu estava brigado com a Flaviana, na época minha namorada, e comecei a dar uns pegas na Suni, a ex do Richardson. Numa sexta-feira à noite, eu e um outro primo, o Big Bruno, sujeito obeso e criador de caso, e a garota estávamos curtindo um forró no bar da Tia Cássia, em Paracambi. De repente, surgem "as moças". A Suni, que não suporta ficar no mesmo ambiente que o ex-marido, me chamou pra ir embora, com o que concordei de imediato. No momento em que passamos pelo Luiz, ele me segurou pelo braço e disse: "Porra, Fabiano, que merda." "O que foi, cara?", perguntei. "Cara, você com a Suni!?". Ao que respondi: "Porra, Luiz, você com o Richardson!?". A conversa acabou ali.

Em 98, pouco depois de ter chegado da Europa, comecei a fazer um curso de treinador de futebol no Forte do Leme. Na época meu primo morava num quarto e sala na Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Nada mais natural do que ficar por lá enquanto durasse o curso. Ele sempre me tratou com todo o respeito e cuidava de mim com carinho e dedicação. E como meu negócio sempre foi mulher mesmo, não via risco algum em cair por lá. O problema é que com isso eu era praticamente obrigado a aturar as conversinhas fiadas dele. E não eram poucas, não. O cara sempre foi um iludido. "Mente que nem sente", diria minha mãezinha, tia dele. E na época ele tava metido numa tal de Net Food, uma parada muito furada, no melhor estilo Amway. É claro que ele tentou alucinadamente me convencer a fazer parte daquela porra. Mas eu, claro, não cedi àqueles delírios. Porém, numa quinta-feira à noite, quando eu já me preparava pra dormir, eis que a porta do quarto se abre e eu vejo a Dina. Tem início então um breve diálogo entre mim e ela e, em seguida, uma das cenas mais grotescas que já presenciei:

- Fabiano?
- Oi, Dina, pode entrar. Ainda não tô dormindo, não.
- Ah, que bom. É que o seu Sete taí e quer falar com você?
- Quem, Dina???
- Seu Sete Covas.
- O santo que o Luiz pega?
- Santo, não, Fabiano, é entidade. E ele não pega, incorpora.
- Tá. Mas o que ele quer comigo, Dina?
- Não sei. Vai lá falar com ele.
- Tá legal.

Não era a primeira vez que eu falava com o Exu. Pra dizer a verdade, freqüentei terreiro por um bom tempo. Adorava ir lá. Achava lindo os atabaques, os pontos de macumba, os santos descendo, as gargalhadas das pombagiras... Era legal. E quando tinha festa no Centro, então? A melhor era a de Preto Velho, porque rolava uma feijoada do caralho. Eu comia muito. E todo mundo babava meu ovo só porque eu era primo do Luiz. Mal sabiam que era tudo encenação. Mas ele era foda. Imitava direitinho. Nem o Pai-de-santo percebia. Pelo contrário, se consultava com ele quando não estava nos "trabalhos". E só pegava santo forte. Sete Covas, Zé Pilintra, Tranca Rua, Caboclo Flecheiro, Pedrinho da Cachoeira e outros que já não me lembro mais. Mas voltemos ao diálogo com seu Sete Covas na casa do Luiz:

- Boa noite, seu Sete.
- Oh, mizifi, quanto tempo.
- É, seu Sete, tempão, né?
- Gostou dos passeio lá na Terra Velha?
- Ah, foi muito bom sim.
- Hehehehe. Mizifi andou muito.
- Bastante, seu Sete.
- E o que que mizifi tá fazendo agora?
- Tô fazendo um cursinho aí.
- Eparrê, mizifi, eparrê.
- Eparrê pro senhor também, seu Sete.
- Já sabe que o cavalo – é como eles se referem ao hospedeiro - tá trabaiando, né?
- Sei sim.
- E ele já falou com suncê?
- Falou.
- E suncê?
- Ah, seu Sete, isso aí não é muito a minha, não.
- Mas suncê num gosta de cascaio?
- Gosto sim, seu Sete. Gosto muito.
- Então mizifi tem que ajudar o cavalo.
- Mas é que eu...
- Não, não, não. Seu Sete vai expricá pra suncê cumé que faz?
- Ahn???
- Depois suncê vai entender porque que os amigo do cavalo lá na Net Food (pronúncia perfeita) anda tudo com brum-brum bonito, grande.
- Brum-brum?
- Cumé que é brum-brum mesmo, Richardson?
- É carro, seu Sete?
- Isso, carro grande, importado.

Nesse exato momento, seu Sete pede ao Richardson que pegue o quadro branco e dois pilotos pra ele. Com uma habilidade e demonstrando total domínio do assunto, o Exu me explica todo o processo de pontuação e premiação, me diz como ir de um simples membro da corrente a diamante e arrisca até uma previsão de compra do meu primeiro "brum-brum" importado. "Com banco de couro", me disse, mostrando um conhecimento automobilístico antes impensado para quem há poucos minutos não sabia nem pronunciar a palavra carro. Desenhava esquemas e gráficos com extrema habilidade e não fosse a voz engabelada e o fato de o cara ainda estar vivo, eu diria que estava na presença do espírito de Philip Kottler, o papa do marketing mundial. Uma palestra grátis e, melhor ainda, só pra mim.

Apesar da brilhante explanação que veio do Além, mantive-me firme na idéia de não aderir àquela pirâmide. Não sei se por causa disso meu nome foi pra boca do sapo ou se enterraram uma cabeça de porco no quintal lá de casa. Acontece que agora sabemos a força que têm o marketing e a propaganda no mundo atual, globalizado.

E, quer queiram, quer não, seu Sete arrebentou.

o fundo buraco do Tatu

O blog começa a lhe fazer mal quando...

* As pessoas perguntam como foi seu dia e você diz para elas lerem no blog.
* Deixa de sair com os amigos para ler comentários.
* Cria um personagem fictício para comentar no próprio blog.
* Comenta em vários blogs qualquer coisa, só para fazer propaganda do seu.
* Dá reload no blog várias vezes para aumentar o número de visitas no contador.
* Só escreve sobre assuntos que vão lhe render visitas através dos sites de busca.
* Nunca leu um livro, mas acha que pode escrever alguns.
* Acha que um dia pode concorrer à ABL.
* Fica arrasado com críticas e nem consegue dormir.
* Quando está com outras pessoas, só fala de blogs e posts.
* Perde completamente a noção de privacidade, sai botando na banca as piores histórias da família e dos amigos e ainda dá nome, endereço e telefone de todo mundo.
* Não consegue ficar um minuto sequer longe do micro.
* Quando está longe, não vê a hora de voltar pra casa, conferir as estatísticas, os comentários e escrever sobre a sua preocupação em voltar logo para frente do micro.
* Acha que as pessoas vão surtar se você deletar seu blog e desaparecer.
* Passa o dia pensando no que postar.
* Fica deprimido se não há o que escrever.
* Fica deprimido porque ninguém comenta os seus posts.
* Fica deprimido se o número de visitantes diminui.
* Comemora sempre que o contador bate os números redondos.
* Passa o dia fazendo propaganda do próprio site.
* Quando entra em um banheiro público, deixa o endereço do blog atrás da porta.
* Quando não tem nada para fazer, fica procurando erros de português no blog dos outros.
* Senta a boca nos comentários dos blogs populares, só pra ganhar notoriedade.
* Sabe que tem um português sofrível, mas diz que não se importa e capricha nos erros.
* Fica indignado ao ver que o seu blog não saiu nas indicações do No Mínimo, Globo, Blogger, Blig e outros.
* Manda fazer cartões de visita com o endereço do blog.
* Passa mais de oito horas por dia gerenciando o próprio blog.
* Noventa e nove por cento dos seus amigos tem blog.
* Seus últimos relacionamentos amorosos começaram via sistema de comentários.
* Terminou o namoro via post.
* Já pensou em pedir as contas do emprego para se dedicar mais ao blog.
* Quando está com amigos blogueiros e tem uma idéia para um post, avisa logo: "Eu primeiro! Idéia minha! Post meu!"
* Não perde a oportunidade de ser o primeiro a comentar um post.
* Sempre que é o primeiro a comentar um post escreve: "Primeiroooooo!"
* Só encontra seus amigos via ICQ.
* Coloca no blog a foto de alguém que não é você, mas jura de pés juntos que é.
* Quando viaja, não relaxa até achar um cyber café.
* Fica de mau-humor quando o blog ou suas ferramentas saem do ar.
* O Weblogger já te deixou de cama por três dias.
* Fica andando de um lado para o outro quando o blog sai do ar.
* Só se relaciona com blogueiros famosos e ignora qualquer um que tenha menos de cem visitas diárias.
* Fica emocionado quando ganha um award e agradece como se tivesse ganhado o Oscar.
* Você se informa das novidades pelo Top Links.
* Anda na rua achando que todos sabem quem você é.
* Verifica as estatísticas dos blogs antes de se dar ao trabalho de comentar.
* Já namorou o(a) autor(a) de um blog popular só para ganhar um link.
* Acha que link no seu blog vale mais do que ouro em Serra Pelada.
* Não linka ninguém porque acha que não há blog melhor que o seu.
* Não linka ninguém por que não quer concorrência.
* Linka todo mundo porque quer links de todo mundo.
* Quando dorme, você sonha com um template novo.
* Coloca scripts para evitar que copiem seus textos e imagens utilizando o teclado e o botão direito do mouse.
* Deseja esganar um pescocinho quando vê que copiaram um texto e ignoraram a autoria (a propósito, este texto é de Alê Félix, do amarulacomsucrilhos.blogger.com.br!)
* Passa horas pensando em um post que fale sobre os malefícios causados pelo blog, identifica vários em si própria mas, mesmo assim, não vê a hora de postá-lo.

(...)

Putz! Tô bem na foto com este pessoal da Globo, hein? Será que eles não querem comprar espaço publicitário no meu blog? :-)

Ah, sobre o post anterior, fiz um upgrade. O blog começa a lhe fazer mal quando...

* Você já pensou em colocar espaço para publicidade no blog.
* O computador pifa e você pifa junto.
* A internet fica lenta e você liga no provedor e xinga até a mãe dos atendentes.
* Você grita, se descabela e esmurra o computador quando expira o tempo de postagem do blogger e você perde um post inteirinho.
* Seus últimos sonhos de consumo estão todos relacionados ao blog: notebook, câmera digital, webcam, speed...
* Passa o dia atualizando o blog só para aparecer no Fresh Blogs.
* Tem custos altíssimos para manter o blog como: domínio próprio, hospedagem, tráfego adicional, etc.
* Quando está com amigos blogueiros fica calado para evitar que suas idéias sejam usadas por eles.

AMARULA COM SUCRILHOS

To
Mr. George W. Bush
White House
Washington
Zuza

Mr. Bush,

Não daria pra desviar a rota dum Tomahawk pra ele cair na cabeça da síndica do meu prédio, que é uma pentelha insuportável, além de retardada da Igreja Universal do Reino do Bispo? O nome dela é Nair. Se o sr. quiser, eu ponho um GPS escondido no carro dela.

Sincerely,

Sergio Faria
Condômino em atraso

PS - Pelo bigode, eu acho que ela é iraquiana.

perdigotos do ¢AtaRrO vE®De

26.3.03

Quando você estiver desestimulado pela vida, faça algo novo. Pequeno, que não gaste muito dinheiro, que não dê trabalho e que resulte em um momento de prazer só seu. Vá à farmácia e compre uma pasta de dentes que você nunca experimentou. Um shampoo novo, um sabonete que você não conhece. Vá pra casa e tome um banho.
Não importa se o resultado é diferente ou não, é uma nova experiência, algo para distrair sua cabeça.
Fiz isso. Acabei de tomar um banho com um sabonete de cuapuaçú. É estranho, não compraria de novo.
Mas isso eu decidi agora, que já experimentei.
Ninguém no mundo vai viver seus prazeres. Nem suas dores. só você.
por isso, mantenha sempre sua relação consigo mesmo, em paz e harmonia.
Beijos.

Querido Leitor,

I just called to say fuck you

- Amor, desliga você, vai...
- Não, primeiro você, amor.
- Não, você, coisa linda.
- Não, desliga você primeiro.
- Você primeiro, fofa.
- Você desliga.

A Telemar desligou por falta de pagamento.

pérolas de mau humor

Acordei cedo para dar uma caminhada sozinha. O jardim está vazio e os passarinhos dividem comigo os contornos das calçadas. Eu devia estar contente pois venho emagrecendo espontaneamente sem precisar de dietas rígidas ou exercícios. Com o passar dos dias consigo ver meu corpo por inteiro refletido em superfícies cada vez menores: monitores de TV, copos de água, lentes de óculos e nas poças de chuva sob o banco no qual me sento para descansar.

Antes eu dividia este banco com meus amigos, mas agora o telefone já não toca mais como antigamente. O que ouço são portas que se abrem e fecham com cuidado, vozes abafadas e passos de pessoas indo e vindo pelos cômodos da casa.

Meu cabelo começou a cair, fio por fio, até restarem dois que eu tive de arrancar para não atrapalhar a peruca.
A peruca faz sombra no papel da carta que estou lhe escrevendo. Mas não me importo porque sei de cor o que devo dizer. Hoje tenho 25 quilos, nenhum cabelo e é domingo. Aguardo ansiosamente a sua visita.

Prosa Caotica

Hoje eu vou falar sobre a minha vizinha gostosa.
- Ih, você tem uma vizinha gostosa?
Ô. Fenomenal. De parar o trânsito.
- Uau... e já deu uns "pegas" nela?
Não. Primeiro: ela é gostosa.
- Ah sim. Isso explica tudo.
Segundo...
- Não precisa mais detalhar, nós entendemos.
Sim, mas independentemente disso...
- Não interessa, já foi compreendido.
Sim, mas...
- Companheiro, não precisamos mais de razões. O fato dela ser gostosa já te exclui de um possível relacionamento com ela.
Você está insinuando que eu não ficaria com uma mulher bonita?
- Convenhamos meu caro, você tem espelho em casa...
Hum. Tá.
Mas como eu ia dizendo. Hoje eu desci o elevador com ela. E sabe como é, aqueles papos furados de elevador:
- Tá frio hoje, né?
Curte a resposta que eu dei.
- Ah, nem tô sentindo tanto...
Não tem como complicar! Mulheres gostosas tem sempre a razão!
- Você é uma anta!
É, eu sei. E no final, ela disse:
- Tchau! Boa aula!
Por que ela não pode dizer "Bom dia" como qualquer pessoa? Aí eu respondi institivamente:
- Obrigado, você também!
Mas ela não mais tem aulas! E eu fiquei com cara de otário depois!
Será que ela faz isso só pra dizer "Vá pra escola seu pirralho! Resigne-se a sua condição inferior de estudante!".
Hunf!
- Mermão, foda-se, ela é gostosa...
É né? E sabe o que é pior?
Fez um frio do cão.

KSW 4.0 | A voz é a mesma, mas os cabelos...

Uma loucura o encontro, por sinal. Eu fingi que não o tinha visto (ele tava lá aos beijos com a tal menina do incenso, não ia interromper o romance), então nem cumprimentei. Aí fiquei nas redondezas, esperando que ele me visse e viesse falar comigo. Sim, porque eu sou esnobe e salta-pocinhas. Ainda assim, foi só na segunda vez que ele me viu (também não tinha como não ver, tava na frente dele) que ele veio falar comigo. Até me apresentou a Andreia. Ele percebeu que eu tava sem-graça (não me pergunte porque, eu também não sei), mas agiu normalmente comigo.

Tá, vai, eu fiquei com ciuminho/raiva/inveja. Minha vida tá parecendo final de novela: todo mundo que eu conheço tá namorando e exalando felicidade. Que puta mundo egoísta.

ciuminho/raiva/inveja do me Jane you Tarzan

Um dia vou te levar lá. Vamos pedir duas fichinhas no Café Aquário, eu vou ganhar uma verde, tu, uma vermelha, e a gente vai trocar por dois cafés fumegantes. O dia vai estar frio, já vou avisando. Frio e úmido como sempre é em Satolep. Um dia vou te levar lá, na cidade onde não há nada para se fazer e onde, portanto, pode-se não fazer nada. Te levo para conhecer o chafariz e o solar da baronesa e a grutinha que fede um tanto a mijo, mas que traz recordações da minha infância enredada. E se as bicicletas estiverem boas, a gente vai de uma ponta a outra da orla do Laranjal, da Figueira ao trapiche que se foi no último dilúvio - e eu te conto a história da minha vida, aquela que só dura 6 segundos, se os tiveres de sobra.

vá a Pelotas e Tome uma Xícara de Chá

Tristeza Ouvi agora na CBN que um apartamento foi assaltado na Visconde de Pirajá e os assaltantes roubaram 35 reais (!) e violentaram a filha do casal, que estava amarrado. Me lembrei de uma história que aconteceu comigo, quando eu tinha um sebinho no Jardim Botânico. A livraria era a maior paz, musiquinha, cheiro de jasmim, de repente entram dois policiais armados (naquela posição prontos-para-atirar) e uma linda moça, loura. Ela estava aos prantos. Junto com eles estava o pintor de paredes que às vezes fazia trabalhos pra mim.

- A senhora conhece esse homem? Me perguntou o policial com aquela delicadeza que eles costumam ter.
- Conheço sim. Ele pintou a minha casa.
- Essa moça disse que foi estuprada por ele. Ele é da sua confiança?

Tipo da pergunta cretina. Eu posso afirmar que uma pessoa é da minha confiança, que posso deixar ouro em pó em cima da mesa, mas quem sou eu para conhecer os mecanismos da mente humana? Como posso saber se um homem é capaz ou não de praticar um ato de tamanha violência contra uma mulher? Expliquei isso a ele, como pude.

Resumindo a história: a moça, que deveria ter um vinte e cinco anos, foi estuprada aos quinze no Parque Lage. Ela estava matando aula, quando um homem se aproximou e disse que ela deveria se juntar a outros adolescentes que estavam ali por perto, tocando violão. Ela acreditou. O resto vocês imaginam.

Pois bem, anos mais tarde essa moça se casou mas não conseguiu manter o casamento. Obviamente, tinha problemas graves em relação ao sexo. Se separou e casou outra vez, com um homem paciente e amoroso, por sinal cliente da livraria.

O pintor esteve na minha loja, para marcarmos um trabalho. Quando ele estava andando pela rua Jardim Botânico ela esbarrou com ele. Chamou os policiais que estavam por perto, contou seu drama, ele disse que tinha referências e foram todos pra livraria. Os policiais estavam loucos pra dar umas porradas, deviam estar em jejum. Queriam que ela confirmasse a violência. Ela chorava, tomava copos de água com açúcar, e por fim, falou: “Não é ele”. Os policiais, contrariados, liberaram o elemento.

Quando todos foram embora, ela ficou, ligou para o marido e ficamos conversando até ele chegar. Ela me olhou com aqueles olhos muito azuis e molhados. Seu rosto parecia estar contido numa cena de cinema, num super close.

- Você tem filha?
- Tenho
- Por favor, não deixe nunca mais esse homem entrar na sua casa. Nunca mais, por favor...
- Você acha que foi ele?
- Sim, tenho certeza que sim. Jamais esquecerei aquele rosto...
- E por que você impediu que ele fosse preso?
- Porque eu tinha 99% de certeza de que era ele mas tive medo de errar e entregar um inocente... Mas sei que foi ele, tenho certeza.

Seu marido chegou quando ela ainda estava aos prantos e eles se foram. Logo depois entrou uma psicóloga que ia sempre lá, uma mulher muito vivida. Contei tudo a ela. Ela me disse que a garota tinha cometido um erro gravíssimo, que aquela era a chance de ela tentar se livrar do trauma e que aquele fantasma continuaria a persegui-la para o resto da vida.

Liguei e desmarquei a pintura da sala. Para sempre.

estado de alerta do BloWg

25.3.03

Minha mãe ficou horrorizada quando disse que alguns amigos estão fazendo ou querendo fazer análise. "Pra quê?", perguntou ela. Foi meio complicado explicar pra minha própria mãe que eu pertenço a uma turma que se sente insegura com um monte de coisas e tem uma série de problemas de auto-estima. Meio timidamente ela perguntou se eu também era assim. Aliás, perguntou tão timidamente que foi como se não perguntasse. Para evitar maiores aprofundamentos, soltei logo que eu quero procurar um analista também. O ônibus chegou e mudamos de assunto.

Tem certas coisas que é terrível admitir pros pais. Que vc anda infeliz talvez seja a pior delas. Outro dia li no blog de um garoto, o Scissorhands, que a mãe dele descobriu o blog todo deprê dele e caiu no choro, ficou super mal. É foda mesmo, porque os pais dedicados fazem tudo pela felicidade dos filhos e saber que não é o suficiente - nunca é, porque o mundo é uma merda e sempre acaba machucando as pessoas - é muito frustrante.

Enfim: todos pra terapia, ÊÊÊÊÊ!

CocHiLos RodoViárioS

A minha vidinha pode ser considerada "certinha", bem sei, com casa, filho, marido, trabalho e cardápio de almoço e jantar, mas isso não precisa me remeter à preconceitos tolos. O fato de eu ter e preferir um estilo de vida dito tradicional não significa que eu seja uma beata de plantão ou membro do TFP.

Eu cuido da minha vida, contente, assim como ela é e admiro a dos meus amigos, seja que estilo tenham ou que opções façam. Vai ver é por isso que não vejo nada de estranho na vida, nas opções sexuais ou nos relacionamentos dos outros - desde que seja prá ser feliz. Ou pelo menos tentar porque (prestenção!!) na grande maioria das vezes tentar é ser. Muito adequado aquele anúncio "cada um na sua com alguma coisa em comum", porque ser feliz, inegavelmente, é a de todo mundo.

É. Eu não entendo nada mesmo dessa coisa de pode ou não pode, do que é certo ou errado, do que é socialmente aceitável ou politicamente incorreto. Eu entendo de gente que ri, chora, sofre, luta, erra, acerta, esperneia, se assume e não se entrega. Meus pré-conceitos são outros: guerra, fome, droga, pequenez de espírito, nhém-nhém-nhém e falta do que fazer. Isso sim é triste.

O mundo seria bem mais feliz se o lema geral e irrestrito fosse o de viver e deixar viver. E é sempre bom lembrar que viver a vida dos outros não é vida, é osmose; que umbigo não é só prá massagear, mas prá vistoriar as próprias cracas e que quando você aponta um dedo limpo prá alguém, provavelmente está se sujando inteiro.

Afrodite sem Olimpo

Clotilde, minha particular ressaca, a minúscula mulher-gorila que se agarra aos meus cabelos depois das gandaias da vida, resolveu que ontem não foi o bastante, e largará seu tacape na minha cabeça hoje tb.

Drops da Fal versão efervescente

Janice bate em minha porta com toda força. Eu abro, ela pula em meus braços e me lasca um beijo de cinema. Tudo estaria perfeito, mas eu não conheço nenhuma Janice.

- Quem é você?
- Ora, sou eu, a Janice. Mas... isso eu é quem pergunto! Você não é o Valter!
- Meu nome é Rosalvo. O Valter é do 42B. Esse é o 42A. Você pegou o elevador errado.
- Ah... Desculpa, hein! Tchau.

Droga! Por que eu tinha de me chamar Rosalvo!?!

* * * * *

Era tarde da noite e Júlio decidiu sair para tomar um ar. Dane-se o perigo de assaltos: ele não ia ficar refém em seu apartamento com uma cidade como São Paulo para explorar. Júlio, resolvido, pos seu melhor sapato, uma roupa elegante, uma corrente de ouro e saiu a andar num passo firme e decidido.

Desde então Júlio nunca mais foi visto.

mais dois textículos do zazoeira

Diário de guerra: Longa jornada noite adentro

Enviado especial de Folha de S.Paulo a Bagdá
O pior da guerra, você descobre logo, é conseguir dormir. Os bombardeios não respeitam horário e, na fase em que os aviões são utilizados como agora, há inclusive uma preferência pela madrugada, quando a visão desde o solo fica prejudicada. Assim, ir para a cama vira quase, trocadilhos à parte, operação de guerra.

Primeiro, é preciso dormir vestido. Por vestido inclua aí os sapatos. Amarrados. É verdade: se uma bomba atinge o lugar ou próximo do lugar em que você está e se, por uma sorte (que o faz continuar), a edificação não for totalmente destruída, é preciso gastar no máximo cinco minutos para chegar ao abrigo antiaéreo. Ou, se for menos grave, para chegar ao local e ver o que houve.

Assim, de calça, camisa, malha e sapatos, você se deita na cama. Não é possível entrar debaixo dos lençóis, claro. Nem tirar o relógio. Nem a credencial de imprensa, que vai identificá-lo na corrida ao abrigo. Nem o chamado "dog tag", que traz seu nome, tipo sanguíneo e telefone no Brasil. Nem as duas bolsas camufladas por dentro da roupa, uma com metade do dinheiro e as passagens, a outra com a outra metade, os cartões e passaporte.
Mas há mais. No chão a seu lado repousa o colete de trabalho, que tem de trazer pelo menos uma lanterna, para iluminar o caminho, que obviamente estará escuro. Também o espera a postos o colete à prova de balas e o capacete idem, itens que são cada vez mais utilizados pelos jornalistas no dia-a-dia desta cobertura em Bagdá, principalmente nos passeios de ônibus. Pesam sete e três quilos, respectivamente.

E uma mochila perenemente preparada e fechada, com água potável, comida desidratada, estojo de primeiros socorros, máscara de gás ABC (antiataques atômicos, biológicos e químicos) e caixa de antibiótico contra antraz.
Tudo pronto? Tente dormir. Desde sexta-feira, os bombardeios têm acontecido de meia em meia hora, mas ou menos. Antes de a bomba atingir seu alvo propriamente dito, há uma preparação sonora. Começa com as sirenes antiaéreas, que serão seguidas pelas baterias antiaéreas. Então, a explosão. Ou as explosões, pois elas têm acontecido em trios.

Passado tudo isso, sirene, bateria, bomba, explosão, vêm as ambulâncias. Aí, o silêncio. Então, você tenta de novo pegar no sono. Mas o motor da geladeira começa a funcionar, e você dá um salto. Ou um Passat brasileiro velho passa na rua com o escapamento aberto, e você pensa que é um avião se aproximando. (Ah, sim: agora, os norte-americanos estão usando aviões nos ataques; some esse barulho à sequência sonora.)

Digamos que mesmo assim o sono venha. Você começa a sonhar. Com terremotos, batidas de carro ou perseguições (é verdade). Aí, pontualmente às 4h40 da manhã, os muezins vão aos minaretes para chamar os fiéis para a reza pelos alto-falantes. Depois deles, acordam os passarinhos (ainda há aves em Bagdá, apesar da guerra e do petróleo queimado no ar) e, depois deles, começa a sinfonia de cachorros.

Não dormiu? Tarde demais: já é hora da próxima bomba.

tá, não é um blog, é o SÉRGIO DÁVILA na Folha Online - Mundo, mas paciência.

24.3.03

Quando passo por essas estradas, sinto uma necessidade absurda de parar em acostamentos. Tirar fotos dos caminhos do passado, observar os vales e as montanhas já vencidos. Quero a paisagem sob minhas rodas, o próprio chão por onde me perdi.

Muita gente acha que isso é pura nostalgia, ou que é um profundo esquecimento. Que quero simplesmente ter lembranças de tudo, para não ter que me esforçar, e me lembrar.

Na verdade eu só quero olhar para todos aqueles lugares, e comparar o que sentia então com o que sinto agora. Cada foto é somente uma interpretação, um instantâneo, uma lembrança que nunca se mantém a mesma dentro da gente. Simplesmente a gente muda, e tudo que ficou para trás também se transforma em algo que você não sabe realmente interpretar.

Quando saí da vida dela, eu sabia que a casa não tinha como se manter a mesma. Certas redecorações são necessárias para corações partidos. Os objetos parados criam poeira, e mesmo sob os móveis pesados o chão muda de cor e consistência. Coloca-se um quadro novo na parede, flores frescas em um jarro, travas novas pelas portas.

Fechaduras por onde não se espia, esperando o dono das chaves certas.

Por isso não espero as lembranças intocadas, não tenho essa ilusão. Elas se misturam em nosso sangue, diluem em nossos pensamentos, provocam a formação de um novo amálgama. Acho que essa é a real definição de sangue novo, mercurial. Pulsa em minhas têmporas, esquenta minhas mãos, formiga ao som desse motor.

Me lembro daquela foto em que você sorria, segurando as mãos contra o sol, em um vestido que já se esgarçou.

Dessa foto que guardei, percebo a luz daquele momento, a incidência de uma emoção. Nenhum sorriso se repete realmente, mas outros virão.

A estrada segue os contornos de uma montanha ainda distante, e meu coração precisa de mais velocidade. Casas que antes pareciam de brinquedo vão sendo tingidas de realidade.

E eu só quero chegar lá.

polaroid do Cardiotopia

O que você já quis ser na sua vida?
Eu quis ser caixa de supermercado. É, a mocinha que fica lá na máquina registradora (na época que eu tinha estas pretensões, a máquina era daquelas duras que faziam barulhinhos de moedinhas a la Tio Patinhas). Tinha uma moça bonitinha, que sempre atendia minha mãe no Superbom (que era muuuito mais legal que o Sonda, porque havia uma área de camping cheia de barracas onde minha irmã e eu nos escondíamos da mamy, além de containers de amendoim e castanha que sempre estavam abertos, prato cheio pra molecada). Bom, eu queria ser que nem esta tal mocinha, bonita que nem ela, dominar aquela maquininha como ela, contar dinheiro tão rápido como ela, ter as unhas sempre impecáveis como as dela.
Daí mudei algumas vezes, porque cheguei à conclusão que não teria futuro, previ que venderiam o Superbom e demitiriam a garota. Resolvi ser outra coisa. Bailarina, sempre. Mas além disso arqueóloga, dentista, mil carreiras. Pobrecitária foi o que rolou. E como já disse no dia 4/2, é por isso que danço tanto.

Salón Comedor

Já experimentou entrar sozinho no cinema numa tarde de sábado? Ingresso, pipoca, refrigerante e lá vai você à procura do melhor lugar. Quando coloca a cabeça dentro da sala, o choque: casais perdidamente apaixonados sussurando por todos os cantinhos do ambiente. Acomodado na poltrona com um carregamento de guloseimas sobre o colo, você sente suas pernas e braços diminuindo e sua aparência aproxima-se à de uma tartaruga. Enquanto ocorre tal mutação genética nos seus membros, outro fenômeno incrível permite que os casais proliferem-se à sua volta na velocidade da luz: ploft! ploft! ploft! Quando você se dá conta, o espaço está repleto de duplas coladinhas e os barulhos de beijos e risadas passam a ser insuportavelmente incômodos. Já que pipocas não falam, você não tem ninguém com quem comentar aquela cena picante do filme.

Depois de dez minutos na situação acima descrita, sua estatura beira os dez centímetros e você quer morrer afogado no copo de soda limonada que repousa ao seu lado. Nas vezes em que isso aconteceu comigo, eu só pensava no quanto o mundo era cruel com uma menina boazinha feito eu. Adolescentes sempre têm alguma visão romântica acerca dos perrengues da vida: por que as pessoas tinham direito a esse tipo de felicidade plena e eu não? Como diria o poeta, felicidade plena é o caralho, meu nome é Zé Pequeno. Hoje é sabido que 50% daqueles casais tinham rodado a baiana antes de sair de casa. Outros 10% quebrariam o pau depois da sessão, na hora de escolher o fast food mais barato para comer um lanchinho. 20% não brigavam nunca porque eram lobotomizados, mas também não conheciam a tal felicidade plena.

Faltou alguma coisa? Ah, sim. Pelas minhas contas, varri uma bela porcentagem dos casais para debaixo do tapete só para não ter que falar sobre coraçõezinhos vermelhos e olhares brilhantes. Acontece que os 20% restantes eram felizes juntos e isso é incontestável mesmo para uma pilha de gelo cética como esta que vos escreve. Não eram, no entanto, plenamente contentes como eu imaginava durante minha adolescência, porém conseguiam ser suficientemente felizes e isso já é muito quando se sabe que a plenitude não existe.

Morfina

Por que eu fui emprestar o dinheiro justo para aquele vagabundo? Eu sabia que ele nunca ia me pagar de volta! Agora o que eu vou fazer? Droga, odeio ligar para o Ricardo.

- Oi Ri...
- Quié? Já sei. Aquele filho da puta não te pagou de volta, né?
- Ô Ri, que grosseria. Tudo bem contigo?
- Sim. Estou certo, não?
- É que...
- Você quer quanto?
- O de sempre...
- Tudo bem. Passa aqui em casa hoje de noite. Mas dessa vez de calcinha vermelha, viu!
- Combinado.
- E só te pago se você engolir!

um textículo do Zazoeira

Agora é fato: pouco falta para os quarenta. Dia 18 de março completei 36.
Houve jantarzinho aqui em casa. Ganhei flores, uma pulseira linda, linda, ganhei uma camisa do Lôro, me dei livros e um par de sapatos de presente. E recebi amor, muito amor.
Minha família organizou uma festinha de aniver para mim, Lôro e minha irmã do meio, chamada por nós cá do Norte simplesmente de Nêga.
Na festinha que minha família organizou também ganhei presentes, mas um dos melhores foi o cartão da minha sobrinha Fernanda. Acontece que eu e Lôro demos a ela um daqueles blocos com imagens magnetizadas e aí ela pode fazer uma série de interferências na imagem, que é a Monalisa. E o cartão que a Fê me deu diz assim: "tio Baba (ela me chama assim desde bebê) te amo de mais (sic), adorei a Monalisa ou Gi... Tô aqui. Fê". Entre as lágrimas de comoção e a bobagem toda que são as festas de aniversário, ri bastante das palavras dela. Em tempo: o "Gi..." é de Gioconda.
E claro que o Fratelo ligou, que a Zel ligou, que a Rose e o tio Mário ligaram, que os amigos que não perdi ao longo da minha trajetória ligaram. É sim, que eu perdi porque deixei muita gente partir acreditando que eu não as desejava por perto.
Então eu preciso dizer, ainda que com atraso, que eu sei bem quando as pessoas partem, eu conheço o que é estar só. E que "I want to be alone" de cu é rola. Eu gosto de ter o meu cardume. Mas vê, eu tou me despindo e ficando cada vez mais nu a ponto de dizer que eu sei dos meus silêncios, sei do meu sem jeitismo com os outros, da minha habilidade em desaparecer dando aos outros a impressão de "não estou nem aí", mas, olha, eu tou aí sempre. É só o que posso dizer.
Estou feliz. A vida é boa pra mim.
Amor, amor, amor.

Um pisciano descrito nas Páginas Íntimas

O Mito do Herói


É, meu amigo Charlie. Era um garoto que amava Blur e Radiohead. Foi lutar pela pátria. Com soldados armados, amados ou não. Não há luar, ó gente, ó não, luar como esse do sertão que é o deserto. No rancho do seu pai no Texas também era assim, ou quase. Só não tinha esse bombardeio todo, esse calor desmesurado, essa sede. E agora, Joseph? Minnesota não há mais. Os cães de guerra ladram e a caravana passa. Tudo passa, tudo sempre passará. A morte vem em ondas como as dunas. E o mundo é apenas um retrato na parede. Mas como dói.

Texto drummondiano no Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa

. (PONTO FINAL)

Acabou. Tudo.

É. Não vou mais ter blog. Essa vida virtual dá duplo sentido em tudo o que você escreve. Felizes são aqueles que escrevem ficção. Já basta na vida real, ter que entender mensagens subliminares.

Prefiro escrever um diário e ter minha vida ali, no papel. Pelo menos não corro o risco do meu passado escrito, sumir na rede cibernética. E tb não corro o risco de que as pessoas levem por outro lado, o que eu falo.

Boa sorte para os que ficam!
:*
Aninha

my imagination ITS OVER OK? O-V-E-R ...

e a herança lusitana

E vou parar de comer bacalhau e de contar piadas de português. Afinal, foram os lusitanos que transformaram esse país num imenso cemitério indígena (e segundo o filme Poltergeist é por isso que nada dá certo aqui).

saudade do presidente Figueiredo

Ele atrasa dez minutos, chega como se nada tivesse acontecido e você desaba o mundo em sua cabeça. Lembra de todas as vezes em que ele se atrasou, fala, fala, fala e fala. Aí, ele vira e diz pra você irrelevar o atraso, já que está tudo bem e ninguém vai morrer por isso. Aí você desata a chorar. Cena patética.

TPM é f***.

amente.capta

Eu me sinto vazia... complatamente vazia... é uma sensação estranha...

Acordei e quando vi o tempo fiquei feliz. Quando eu era pequena acreditava que quando eu estava MUITO triste e chorava, chovia por que o mundo chorava junto comigo. Eram minhas lágrimas escorrendo no vidro... maluco não?

Estou tendo uma semana lastimável... fora os "problemas" já citados, os quais eu tenho plena consciência de que não são problemas reais, ontém minha mãe foi na minha casa para acessar os e-mails dela e, assim, como quem comenta do tempo, falou como ela anda pensando em se matar todos os dias... como ela tem que fazer força para sair da cama pela manhã...

E, derepente, ouvindo isso ontém, sem falar nada por que eu não tenho o que falar, me ocorreu que foi assim a minha vida inteira... desde que os meus pais se separaram eu tive que crescer no tapa por que minha mãe ficou nesse estado e, desde os meus 12 - 13 anos escuto ela falando como ela pensou em enfiar o carro em um poste, ou sobre como ela não aguentava mais a situação e iria abandonar tudo...

Eu não sei mais como isso me afeta e, para ser sincera não sei como me afetou. Sei que eu endureci. Tinha que endurecer por que senão eu despencava... para minha infelicidade sou como o preto, as coisas batem e são absorvidas e, absorvendo tudo isso eu tive que dar um jeito de sair do meio disso, de sobreviver.

Ontém, ao ouvir tudo aquilo, eu senti a retração chegando, mas, ao mesmo tempo eu me senti distante e hoje, sinto meu peito travado, meu coração gelado, um vazio dentro de mim mesmo. Preciso do vazio por que caso contrário eu não conseguiria fazer mais nada na minha vida à não ser me desesperar pelas coisas que eu não posso mudar.

Eu sei que hoje estou diferente, mas não sei dizer como... ou seja, a coisa me afeta mas, de uma forma muito louca, eu criei formas de não sentir nada já que, enquanto ela falava aquilo eu só não falava como também não sentia. Não posso sentir... não acho que eu consiga explicar...

De qualquer forma, todas essas lembranças vindo, só serviram para eu ponderar que, no final das contas, eu sai mais normal do que eu poderia esperar...

Sim, sei que tem gente com problemas muito piores por aí mas, quer saber, não são meus problemas.

oooooooops!

23.3.03

Ah! Mais uma desventura dessa vida de andarilha. Chego em Brasília. Tripulação vai para o hotel, dormir, como merecido.
Recepção do hotel, tumulto. Pergunto à recepcionista o que acontece e ela me responde prontamente: reunião de prefeitos, tem mais de 200, do Brasil todo...
Pressentindo a "cagada" tiro o crachá, enfio na bolsa, pego a chave do quarto e subo.
Uma e meia da manhã, depois do "Ilê das sete Amapeaux", Manuela, Mariana, Anita e Garibaldi também dormindo, toca o telefone:
- Olá, boa noite. Tudo bem?
(Educada)
- Tudo...
- Quem tá falando?
- Quem tá falando pergunto eu, quem me ligou foi você...
- Eu sou o fulano de tal, te vi na recepção do hotel e pensei se... Sou prefeito de (sei lá aonde!) e precisava de conversar com alguém...
(Silêncio pausado)
- Liga pra sua mãe, pra sua avó, pra puta que o pariu. Mas vai encher o saco de outro que eu estava dormindo. E nem sua eleitora sou. Velho idiota!!!!!!
(Revoltada, ligo pra recepção)
- Escuta, quem passou o número do meu quarto? Tô dormindo e me liga um louco, acho que você deveria ter perguntado pelo menos o nome antes de passar a ligação, né?
- Ele falou que viu umas comissárias na recepção e pediu o telefone de uma... Aí eu dei o seu...
- Sei lá...
Vou dormir, melhor não arranjar confusão.
Passam-se mais algums horas, cerca de 4:30, toca o telefone, de novo. Atendo, voz de bêbado do outro lado:
- Alô...
- Alô.
- Quer falar comigo agora?

Me diga: Alguém merece???
O que passa pela cabeça desse povo?
Depois de mais de 8 horas trabalhando ter que passar por isso
Nobody deserves!!!!

Mais uma aventura de Wannabee

CONTO DE FADAS

Uns dias atrás instalaram uma máquina dessas de salgadinho aqui na redação. Também tiraram a de café. Desde então proliferam barulhos crocantes de dentes esmigalhando farinha e glúten. Minha suspeita é a de que estão tentando nos engordar aqui na EMPRESA. Pra que não sei: nos comer não vão. Fosse esse o propósito, Hermano já teria sido sacrificado: rapaz vem aumentando de circunferência a olhos vistos (segundo o próprio, inclusive) desde a sua admissão.

Não me excluo da maldição - o mesmo me acontece. Mas ainda tou meio longe do ponto de abate.

ONE HUNDRED PERCENT CHONGAS

árvore, filho, livro

aquele era o tipo de informação que fica na cabeça, perdida entre belos pares de coxas e peitos femininos. quando criança, viu numa entrevista do chico anysio ao goulart de andrade que um homem só se realizaria no dia em que escrevesse um livro, plantasse uma árvore - excetuada a mandioca, devido às conotações que tal sentença suscita, e já que plantar a mandioca leva, em alguns casos ( uns seis bilhões atualmente, mais ou menos, mas o número tende a diminuir devido ao belicismo crescente) ao último ponto da tríade da realização anysiana: ter um filho.

pois bem, depois de dois apostos intermitentes, só resta contar que obviamente a frase não é do produtivo anysio - filhos e mulheres mil, sem contar os personagens; mas sim de uma sabedoria popular (conceitos estranhos de serem postos numa mesma frase, esses...), antiga e de etimologia a mim desconhecida. mas ele não sabia dissso, o que sabia é que tinha um desejo inconsciente de plantar uma árvore, já menino, e assim o fez, com um pouco de algodão e água e alguns grãos de feijão num copo de cafezinho, típico de repartições rodrigueanas, sabem?, os feijõezinhos germinaram mas nunca viraram árvores, pelo menos não do jeito que ele queria. de apartamento que era, desistiu do projeto do plantio, pelo menos para se concentrar nos outros dois tópicos da agenda até que pudesse ir morar no campo e terminar com um dos tópicos.

e cresceu e ficou tentando ter filhos a todo custo. é de estranhar e eu não vou ficar de fora disso que ele tentasse ter filhos com toda e qualquer mulher que aparecesse, de professoras a balconistas de sorveteria, passando pelas coleguinhas de aula e culminando nas namoradas que teve, a muito custo conquistadas, por dinheiro e bebida nenhuma engravidadas. até que o inesperado aconteceu. a camisinha estourou, desespero dela, sorriso dele. como tivesse espermicida, lá se foi o plano de novo, até porque não era período fértil e ele deveria ter-se informado melhor a respeito disso.

restava-lhe o livro. dos desígnios da imortalidade, a tarefa que parecia ser mais simples. só escrever, publicar e vender pros amigos verdadeiros, talvez dar um de presente pra mãe, que bancaria toda a publicação. mas era péssimo, nem a genitora conseguia ler algo dele, nem os colegas de estágio, nem a ex-namorada promoter, que terminou com ele e saiu espalhando por aí que ele tinha mania de reprodução, o que fez com que suas possibilidades de conquista diminuíssem consideravelmente, com isso diminuindo também compradores potenciais para o livro que nunca escreveria, pois a mãe declarou que nunca daria um centavo a ele para que estragasse quilos de papel com aquilo.

frustrado, criou um blog. e nunca ficou sabendo que a frase não era do chico anysio, seu ídolo maior.

vida besta.

como assim dois uísque?