28.4.06

O Orkut será pago

Por favor, reserve alguns minutos do seu precioso tempo e leia esta mensagem IMPORTANTÍSSIMA.

Seguinte: o Orkut vai passar a ser pago. Nós, cidadãos pertencentes a um país com alta capacidade de indignação diante de causas irrelevantes, precisamos fazer algo urgentemente! Por isso mande imediatamente um e-mail com esta mensagem para 25 pessoas de sua lista, e um Orkut atualizado (seja lá o que quer que isso signifique) aparecerá em sua tela! Depois, envie esta baboseira para mais 25 pessoas, porque o Google, interessado em aumentar sua base de cadastrados, presenteará você com um celular da Nokia e uma viagem para a Disneylândia, e fará ainda uma doação de 100 mil dólares à Fundação das Macacas Bulímicas que Dançam Macarena Compulsivamente no Zoológico de Xiririca da Serra!

ADVERTÊNCIA: Herbert Steira, 42, ignorou esta mensagem e morreu de indigestão após ter comido três hambúrgueres do McDonald's feitos com carne de minhoca. Juninho Billy, 27, também a desprezou, foi seduzido pela prima do concunhado da vizinha do seu melhor amigo e acordou no dia seguinte numa banheira cheia de gelo, encontrando ao seu lado um bilhete informando que um rim e metade dos seus neurônios haviam sido roubados.

Já Bete Tuda, 34, passou um dia inteiro no Orkut fazendo comentários na comunidade "Eu Acredito no Zé Dirceu e na Velhinha de Taubaté" e deixou seu filho contrair leptospirose ao tomar Fanta Citrus em uma lata contaminada com urina de ratos. Last, but not least: Indignada da Silva, 19, encaminhou um e-mail indignado aos seus amigos no Orkut desmentindo este boato, queixando-se da "ignorância de certas pessoas que crêem em tudo que lêem na Internet e abarrotam caixas postais alheias com correntes idiotas", e encerrou seu desabafo solicitando a todos que repassassem adiante o seu esclarecimento...

Pensar Enlouquece. Pense Nisso.

27.4.06

E de Eráclito

"É impossível pisar no mesmo rio duas vezes. Talvez num lago congelado."

I de Istória

"Nenhum Homem é uma ilha, isolado em si próprio. Geralmente é um arquipélago.

A morte de qualquer pessoa te diminui, porque tu és de esquerda e te sentes envolvido, cativado, quase que enrabado pela Humanidade.

Portanto, nunca perguntes por quem os sinos dobram: pergunte se é casamento ou velório. Se dá pra filar bolo, ou se só vai rolar café." (John Long Donne)

dies iræ

25.4.06

revelações pré-copa do mundo

sempre que leio o nome da seleção de Sérvia e Montenegro, só me vem à cabeça aqueles adesivos de carros com nomes de pessoas que se amam, tipo "Séforah e Gleydson". E o carro que imagino quase sempre é um Chevette.

Silenzio, No Hay Banda

Estudos antropológicos no cinema

Minha idéia de entrevista na entrada da sessão:

1) O senhor sabe que filme está indo assistir? O filme, sabe de que diretor é? Ah, o senhor acha que isso não tem importância? OK, próxima questão...

2) O senhor gostaria de um megafone para que as outras pessoas ouvissem as suas opiniões com mais clareza? Aceita? Ok. Ah, o senhor quer mais um para os seus amigos? Eu verei o que posso fazer, senhor.

3) O senhor se sentiria mais relaxado se, antes da sessão, o cinema oferecesse um espaço para que se brincasse numa piscina com bolinhas de plástico? Sei, o senhor também acha que um pouco de Trash 80s combina com o ambiente? Sim, e pirulito DipiliQ também? Senhor, pare de dançar por um momento, só até o final da entrevista. Entendi, o senhor diz que quer mais é ser feliz. Senhor... Senhor...

E na saída:

4) Qual foi a graça da cena em que o ator mostrou o pênis? Ah, sei, o senhor achou engraçado que eu falei pênis? Seria mais sério se a legenda tivesse escrito pinto? Ah, pinto também faz você rir? Entendi, e se fosse piroca? OK, desculpe causar um ataque de riso, pulemos para a próxima questão...

5) Explique-me a emoção que causa aplausos em certos momentos do filme. Ah, é porque ele citava o David Lynch? OK, não estou pedindo para que o senhor aplauda agora, só quero saber a sensação que te causa. Ah, sei, a vontade de aplaudir é irresistível, O cara é muito bom. É isso? Entendi, O cara é foda. Senhor, preciso que pare de aplaudir para que eu consiga te ouvir. Prossigamos...

6) Para encerrar, reparamos que algumas pessoas ficaram incomodadas com os toques de alguns celulares. O senhor acha que ajudaria se cada pessoa na platéia tivesse um controle remoto para pausar o filme, atender o telefone, e depois retomá-lo? Ahn? O senhor quer perguntar pra Lili o que ela acha? Está bem. Ela gostou da idéia? Obrigado pelas respostas, esperamos em breve melhorar sua experiência no cinema. Tchau.

:: At War With The Mystics ::

23.4.06

22.4.06

Como manda a cartilha

Não ouço vozes, não vejo espíritos, não tenho a menor lembrança de outras vidas. Nunca fiz uma viagem astral, nunca tive sonhos premonitórios, nunca o menor vestígio de duendes, fadas, elementais. Não faço idéia de qual é meu anjo, animal totem, signo ascendente. Não me lembro de ter visto algum relógio marcar 11:11. No meu céu nenhuma luz se move, no meu mar, nem Iemanjá nem Poseidon, nenhuma cobra na coluna vertebral. Os gatos simplesmente me ignoram, as pombas brancas fogem assustadas. O abismo nunca olhou de volta, o arrogante. Nem acordei com uma flor azul nas mãos.

Que tipo de idiota aprende tudo assim tão certo?!
Definitivamente, amigos, também meu reino não é deste mundo.

mas talvez não faça mesmo diferenca nenhuma...

Conselho

Uma vez uns estudantes de jornalismo entrevistaram o Millôr.
Fizeram perguntas sérias e graves, que ele respondeu, caracteristicamente, como se estivesse brincando; se algum dos entrevistadores parou para raspar o verniz da ironia, certamente encontrou algo bem mais profundo do que as palavras soltas no papel.
A última pergunta foi clássica:
-- Que recomendação o senhor tem a fazer aos jornalistas que estão entrando agora no mercado de trabalho?
E o Millôr:
-- Tenham sorte.

Cora

O Par

(…)

Andar na rua é uma aventura só comparável às de Tolkien. Com tantos e tão bons pares, que todos os dias encontro pelo caminho, cheguei à única conclusão possível: Deus é Gay. Só assim se compreende que existam em média seis pares para cada homem e os cavalheiros sejam despachados para o reino dos céus mais depressa do que as senhoras. Se Deus fosse verdadeiramente heterossexual guardava a Scarlett Johansson só para ele. Chocados? Não fiquem. Há pior. Muito pior. Deus é tarado. Qualquer pessoa que tenha visto dois dedos de pornografia sabe isso. Porquê? Porque ele vê tudo. Vocês agarram a maminha da vossa mulher. Ele vê. Vocês tocam uma na casa de banho. Ele está sentado no penico. Vocês espreitam a saia da secretária. Ele é o vento que sopra. Alguém desce ao rés-do-chão. Ele agacha-se. Vêem pornografia. Ele está ao vosso lado. Deus é um voyeur. Pensem nisso da próxima vez que estiverem a planear fazer mais dois ou três catraios. Ginecologista? Pediatra? Qual quê. O que é preciso é ir já a correr ao psicólogo. E já agora, dêem um saltinho na igreja para rezar uma dezena de Ave marias. No mínimo. E nunca se esqueçam: nada de pensamentos obscenos. Porque ELE sabe.

(…)

Diário de Tiago Galvão

Sombras

Há um despropósito tão grande em todas as coisas. E Mário disse, "é engraçadíssimo." Tudo em um cômico profundo. E essa gente toda se levando tão a sério, e discutindo Proust e versos tocantes de poetas brasileiros menores, e vendo força e beleza em uma palavra, singela palavra, isolada palavra. Agonia. Gritos. Oras! Despropósitos tão grandes. Música tocando como se não tocasse. Indiferenças. Desfalar de um que tentou compreender coisas demais muito mais do que deveria ou poderia. Quem está mais certo? Por que se importar. O passado aconteceu e estará acontecido também amanhã, e um pouquinho mais ainda daqui um ano. O passado desvirtua tudo. Somos sombras, sempre sombras, e sombras buscam a luz porque na escuridão elas deixam de existir. Sombras rastejam. Generalizações e outros erros rebaixando o futuro a um mundo de sombras, cada vez mais porque as pessoas desacreditam nos efeitos do tempo e as pessoas se esquecem que o presente não é nada demais senão o que está para se fazer passado, e o passado um monstro gigantesco com uma boca enorme a devorar tudo que encontra pela frente.

Forsit

HOMENS PERFEITOS NÃO SÃO HOMENS

"Ai, não tem homem no mundo", "Ai, eles não são românticos", "Ai, ele não abaixa a tampa da privada", "Ai, ele só pensa em futebol"... Pare, querida! Antes que seja tarde demais.
São raras as mulheres que gostam e respeitam a natureza masculina sem tentar transformá-la. As lésbicas são as únicas que admitem (mesmo que inconscientemente) que mulheres são criadas para gostar de mulheres e não para gostarem de homens. Elas se poupam da tarefa insana de mudar os homens e não ficam empatando o jogo como muitas mulheres que tentam, a qualquer custo, acabar com o que ainda existe de masculinidade neste planeta.
Que a verdade seja dita: hoje em dia, um homem que preencha todos os requisitos do homem perfeito não é um homem; é uma mulher.

(…)

Licor de Marula com Flocos de Milho Açucarados

Da série Republicação a Pedido - A VERDADE

Sabe aquelas eternas dúvidas sobre se o Bofe está a fins ou não está a fins? Aquela coisa que dá vontade de ir à cartomante, jogar tarô, comprar bola de cristal? Aquilo de ligar pras amigas às quinze pra meia noite para pedir um auxílio na interpretação da resposta dele da mensagem que você recebeu pelo celular? Tudo isso é coisa do passado.

Nós, as Megeras Magérrimas, vamos ajudar a superar esse dilema do ele está ou não a fins.

1) Minha filha, se você abalou Bangu, abalou de cara. Ele não vai ter sido meio morno da primeira vez que vocês ficaram juntos, meia boca da segunda, para dois meses mais tarde ele descobrir que você é a mulé dos sonhos. Se não bagunçou o coreto de chinfra, never more. Próximo!

2) Ele disse que depois te liga? Se não ligar no máximo três dias depois, não liga mais e se ligar, é porque não achou nada melhor para fazer (ou comer). Homem que ficou realmente interessado, vai querer marcar território e LOGO, antes que algum gavião apareça e leve sua princesinha embora.

3) Ele disse que depois ELE te liga? Então não ligue. Ou ele está dizendo que ELE vai pensar no assunto, ou está dizendo que ELE dá as cartas. Se você quiser ligar, tudo bem, mas aí não dá para saber do real interesse do rapaz e é possível que ele entre numas de “já que você insiste...” Tudo bem, se pra você isso pouco importa, o negócio é aproveitar e fim.

4) Se ele disse para VOCÊ ligar e você estiver a fins, ligue. Ele tomou essa atitude porque não ficou convicto de que você está interessada. Ligue e pronto.

5) Se ele não ligou não é porque você deu, nem porque você não deu. É porque não rolou o clima certo. Pelo menos pra ele. Desencane, parta para outra, chame a senha seguinte. Nada pior que uma mulher correndo atrás de bofe desinteressado, mandando mensagenzinha besta pro celular, arrumando desculpa para ligar, numa coisa encalhada pelamordedeus-me-chama-pra-sair. Assim como a gente ODEIA bofe uó pegajoso, que fica na cara que está tentando chamar atenção mandando mensagenzinha besta, e-mailzinho triste, ligando com desculpazinha esfarrapada, eles também percebem essas manobras idiotas. Se manca.

6) Se ele estiver realmente interessado, vai deixar bem claro. Se ele for meio que meio, mais pra lá que pra cá, ficar se fazendo, é porque tá te cozinhando até arrumar coisa melhor. Isso de mandar um mail na vida outro na morte, te incluir em lista de piadinha, vez por outra mandar mensagem no teu celular pra saber como você está, é furada, é só pra te manter orbitando no harém de Vossa Excelência. Nenhum homem que está realmente a fins faz isso. Homem a fins convida para jantar, pra ir ao cinema, para sair. Manda o morninho seguir. Dá um vale transporte pro garoto e larga no ponto de ônibus. Dispensa.

7) Se ele ligar e você estiver realmente a fim, tope o programa. Fazer joguinho de cena é de uma imbecilidade atroz. Se ele é do tipo caçador que precisa de resistência e emoção, esconde-esconde, momentos de tensão, que vá fazer safári. Seja sincera, fique feliz, tope e vá linda, bela, cheirosa e capriche no modelão.


OBS.: Aos defensores do vernáculo de plantão, aviso que a expressão "a fins" é de minha própria e intransferível autoria, trata-se de neologismo apoplético e eu assumo total responsabilidade pelo atentado contra a língua pátria.

Megeras Magérrimas

19.4.06

QUINTA (6/4), 16h30, GUAÍBA, PORTO ALEGRE

Eu cheguei às 16h30 na Usina do Gasômetro para ser fotografado pelo jornal Zero Hora. O vento estava morno, fazia o rosto vibrar entre as cordas dos cabelos. Um senhor comentava para três brigadianos a cavalo: - ela diz que a água está quentinha. "A água está quentinha!"

Ela é uma menina bonita, sei apenas isso até agora, que largou na margem o moletom rosa, a bolsa de pano e as sandálias Azaléia e decidiu mergulhar no Rio Guaíba poluído e perigoso para o banho. Foi de jeans e camiseta. A área é pedregosa e cheia de buracos. Ela não estava interessada em riscos. Ficou boiando de costas, perto de um bar flutuante, em que conversava com os freqüentadores. Os passantes começaram a brincar e apontar para a excentricidade do entardecer, como se ela fosse um avião voando rente dos edifícios. Com malícia, alguns queriam ver como ela deixaria a água. Com medo da tragédia, muitos pediam para que ela saísse logo da água.

Um dos brigadianos disse para um grupo de curiosos: "deixa ela lá". Ouvi bem, mas não entendia o que estava acontecendo. As patas dos cavalos separando a grama, girando nas encostas. Os brigadianos não se aproximaram dela, não a coibiram, não gritaram para que voltasse, não avisaram dos riscos. Acharam natural, assim como é natural enrolar papel seda na beira das pedras, assim como é natural jogar sujeira no rio, assim como é natural esperar o pôr-do-sol. A menina bonita era uma banalidade que não merecia repreensão e resgate. Não merecia sequer um telefonema. Não merecia.

O banho durou vinte minutos. Ela de repente esticou a mão esquerda, onde poderia ter uma aliança se pudesse casar um dia. Ela naufragou rapidamente e sumiu na sucção escura. Dois homens pularam na água e rodearam o local da desaparição. Deram braçadas desesperadas, em voltas. Não havia mais ligação da carne dela com a superfície.

Percebendo o tumulto, os brigadianos vieram para socorrer. Mas era tarde. Sempre é tarde para descobrir que é tarde.

Restava a sua bolsa na terra. As anotações do curso de informática que estava fazendo, o celular com a última ligação para sua tia, os documentos e adesivos de adolescente. Até a carteira de identidade era uma cópia xerox da verdadeira identidade, talvez perdida. Seu nome era Tatiana Pereira, 16 anos. Era. A menina bonita que sorria da travessura na espuma voltou de bruços para areia, inchada, triste e dolorida. Diferente. Infelizmente morta. Não irá ao seu próprio aniversário depois da Páscoa.

Toda dia acordarei com a certeza de que poderia ter feito mais do que olhar. Poderia ter sido um pouco mais do que omissão de viver o que me interessa e não se importar com os outros.

.:. Fabricio Carpinejar .:.

Falar da cor, dos temporais, do céu azul, das flores de abril

- Fal?
- Eu.
- Acordei o Alê?
- Nada acorda o Alê, Ana, vc sabe, ele desmaiou às 9 e meia.
- Que vc tá fazendo?
- Vendo Ronifon e me preparando pra assistir o Jô, pq ele vai entrevistar o Ronifon.
- Ah, que programão.
- Si fudê.
- Rárárá. Vi vc na televisão, falando de blogs.
- Foi.
- Vc não sabe falar de mais nada?
- Não, e nem disso. Eu engano, vc sabe.
- Eu sei.
- Ou tento enganar, o que é pior.
- Eu sei.
- As meninas tão boas?
- Insuportáveis e boas.
- Bom.
- Sua mãe tá bem?
- Agora tá sim.
- Eu li no blog que de domingo pra hoje vc não dormiu vendo filme de mulher que chora no box.
- Verdade.
- Dormir pouco engorda, vc sabe.
- Vai à merda, Ana.
- E hoje, vc tá com sono?
- Não.
- Tem programa?
- Mas criatura, eu não acabo de dizer que vou ver o Ronifon no Jô?
- Ah é.
- Então.
- Eu tou na minha mãe. Tem reunião financeira essa semana e eu tou em São Paulo.
- E só avisa agora, cretina?
- É, ué.
- Sei.
- Comprei uma garrafa de rum.
- Ana, são quase 11 da noite!
- Vc tem limão aí?
- Ana, são quase 11 da noite!
- Tem ou não?
- Tenho.
- Gelo?
- Tenho.
- Seu liquidificador funciona?
- Funciona.
- Vc precisa jogar essa merda fora e comprar um de jarra de vidro que nem o meu.
- Olha aqui, ele funciona, tá?
- Tou indo.

Quando o belo Ronifon entrou no palco estávamos pra lá de bagdá, senhores.
Só lembro vagamente da entrevista e dele cantando de mão no bolso, coisa fofa da titia. E depois eu dormi que foi uma beleza.
Frozen daiquiri.
A bebida dos que não têm religião.
Ou têm, mas esqueceram.
E faz tempo.

¡Drops da Fal!

Ensaio sobre situações rotineiras

Morar em uma cidade como Brasília tem uma vantagem interessante: a rotina informal inconsciente. Por ser uma cidade planejada, tenho poucas opções de rotas, e dessas poucas, a grande maioria é congestionada. Então trafego pela última que me resta.

Aí todo dia quando saio para trabalhar, fico à caça de algumas repetições mnemônicas, involuntárias e contundentes.

Quase sempre encontro pelo trajeto o carro japonês esportivo branco, bi-turbinado e com um engravatado de camisa branca dirigindo, sério; O ônibus velho-verde-escuro com a banda do exército; O ônibus grandão e imponente da policia federal; O fusca-fafá-amarelo, com o adesivo 'POTOTINHA' colado no vidro traseiro; Um carro oficial, com motorista engravatado na boléia e passageiro engravatado lendo jornal no banco traseiro; A mulher louca que parece uma cobra-mal-matada dentro do corsa branco, ao som de Kalypso; O caminhão da Coca-Cola, nas terças e quintas, estacionado na pista ESSCN-SCS atrapalhando o trânsito; O volquis vermelho com a grade modificada, emprestada de uma BMW velha; O tatuzento que tira catôtas do nariz e cola no teto do carro; O velho grisalho e barbudo, engravatado também, que anda com um coupê coreano.

Milhares de pequenos detalhes que transformam minha rotina em um sistema motocontínuo de sobrevivência bestial.

Então sinto-me pressionado a gritar como louco, dentro do carro. A fitar vizinhos de carros no engarrafalento com um olhar lascivo e débil. Soltar gargalhadas insanas, despentear o cabelo como um Einstein-do-serrado e fazer esquisitices claustrofóbicas.

Alguns se assustam, como qualquer pessoa normal se assustaria. Outros, mostram-me a língua, quando lhes mostro a minha para eles. Uns sequer olham para o lado: seria choque cultural demais para um único dia. Outros balangam a cabeça, de um lado para o outro, tal e qual cavalos impacientes: estes, perderam a infância quando ficaram adultos. Para sempre.

E assim sigo o quebrantar da minha rotina em uma cidade rotineira.

Ralph em ÓPIO - DIÁRIO ELETRÔNICO ENTORPECENTE

16.4.06

A ética é como a virgindade: se você bate no peito para dizer que a tem, provavelmente não tem coisa nenhuma ou está doido para perdê-la.

(…)

Idelber adernando à B o m b o r d o

12.4.06

Eu já lhes contei sobre minha tia que é psiquiatra?

Hoje, pela tarde, ela veio visitar mamãe. Passado certo tempo, apareceu no meu quarto,fechou a porta e disse:
- Sua mãe está preocupada com você. Quer conversar?
- Huh..não.
- Quer desabafar?
- Nous.
- Aiai. Você tem feito alguma coisa pra aliviar todo esse estresse?
- Minha diversão social está restrita a um comprimido de Dramim por noite.
Ela me observou com seus grandes olhos azuis(ahn, mmmmaldição que eu não puxei esse lado da família!)e fixou o olhar no único móvel que sobrou do meu quarto.(devido à doença de minha mãe, a mudança está paralisada e eu estou vivendo num estado de semi-acampamento.)
Antes que eu pudesse impedir, ela abriu a gaveta, pegou os comprimidos e jogou pela janela do apartamento.
- Mas.. mas.. isso nem vicia!E agora, como é que fica minha insônia!?!?!
- Isso vai acabar com teu fígado, isso sim. Se quiser um anti-depressivo que preste, toma este aqui, eu tenho uma caixa na bolsa.
- Ah tia, valeu.
- Querida, você nem imagina a merda que me foi esse último mês.
- Opa, quer desafabar? Uma hora é cem reau.
- Cem reais é o preço desse remédio que eu te dei, ingrata!No começo desse mês, eu estava voltando do manicômio às onze horas da noite(esqueci de lhes acrescentar, ela trabalha num manicômio judiciário)e você sabe que eu só ando acima de 100 km/h nessas ruas de noite. Pois bem, quando eu entrei numa avenida, um bêbado de bicicleta cortou a rua na contramão, sapecou no pára-brisa, deu uma cambalhota por cima do capô e caiu estatelado a uns cinco metros do calçamento.
- Amassou o carro?
- Amassou foi o homem todo! Eu desci do carro desesperada, deu um chute nele de leve pra ver se ele acordava, tentei sentir o pulso, e nada! Foi aí que um senhor que estava do outro lado da rua apareceu pra falar comigo!
- Para ajudar?
- Ah, se sesse! Ele veio logo me chamando de assassina, que viu tudo, que eu atropelei de propósito, um horror!
- E aí?
- E aí eu mandei ir se f(piiiii), que fosse pra p(piiii) que o pariu, chamei ele de c(pii)zão, peguei o bêbado, arrastei até o meu carro, soquei no porta-malas e sumi dali.(a tempo, essa tia pesa mais de 100kg e dá porrada até no filho mais velho que tem 1,80m)
- Jogou o corpo no mar?
- Até pensei,mas eu telefonei pro teu tio(que também é médico e estava dando plantão num hospital )e disse que estava levando o bêbado atropelado para lá.
- Aposto que você pensou que, se ele morresse, seria mais fácil colocar como indigente, né.
- Justamente! Quando cheguei lá, comecei a chorar e disse ao seu tio que tinha matado o homem! Foi aí que aconteceu a coisa mais absurda da minha vida: enquanto eu gritava, o bêbado acordou, sentou-se na maca e ficou nos observando discutir. Quando eu falei "ele morreu!", o bêbado respondeu "Morri não, só tava dormindo. Dona, você acabou com a minha bicicleta."
- ...?É boa!
- Daí a gente batou raio-x da cabeça ao pé daquela criatura, eu o hospitalizei, paguei tudo que era medicamento e ele ficou bom em uma semana. Para não haver problema, dei outra bicicleta de presente pra ele.
- Ah, então terminou tudo bem.
- QUE NADA! Ontem mesmo, eu estava dirigindo o mesmo carro, no mesmo horário e na mesma rua e pá, atropelei um ciclista que vinha na contramão! Quando desci pra olhar, adivinha QUEM era?
- Não acredito.
- Eu fiquei com tanto ódio que comecei a chutar o infeliz e a dizer "vai, te mete logo embaixo da roda do meu carro, eu termino o serviço aqui mesmo!", mas o mesmo feladap(piii) que apareceu pra defender o bêbado da primeira vez apareceu DE NOVO e o bêbado conseguiu fugir de mim.
- Tia, acho que você está precisando desse medicamento mais do que eu.

(Definitivamente, eu amo minha família.)

BooBlog Um blog inútil para voce passar o tempo útil (ou o contrário)

Apfelsine

gente, eu sou inteligente.
gente, eu sou culta.
gente, eu falo 4 línguas.
gente, eu leio livros difíceis.
gente, eu tenho gosto musical apurado.
gente, eu faço piadas ácidas.
gente, eu sou bem-resolvida.
gente, eu sou linda.
gente, eu sou gostosa.
gente, eu dou pra caralho.
gente, eu arrasto hordas.

gente... gente, onde é que cês tão indo, hein?!

Apfelsine

Abecedário: Gold

Pete Johnson ao piano e Big Joe Turner cantando “Since I Fell for You”, no som do carro às duas da manhã depois de uma longa e frenética noite no escritório. Ao meu lado, Gi, a moça bonita, charmosa e discreta que todos nós gostaríamos de etc., e que eu provavelmente gostaria de mais que etc., comenta: “Uau, que coisa linda”, apontando para o toca-fitas. Eu aceno com a cabeça, concordando, concentrado em não olhar para as pernas dela exibidas pela minissaia e em não começar a cantar junto com a música.

O velho truque da carona-depois-do-sêuvísso, Fudílson? Coisinha mais chulé de se fazer (especialmente se você tem que disputar o posto com mais três caras). Mas a verdade é que ela trabalhava no meu grupo, ou seja, tecnicamente me conhecia melhor do que aos demais, e sua casa ficava de fato no caminho para a minha. (Um dos caminhos, pelo menos.) E quando ela se despediu com um sorriso e um último aceno assim que o portão do edifício se fechou, eu dirigi cantando até em casa, e fui dormir com um sorriso idiota nos lábios, porque mulher que gosta de Big Joe Turner alegra o coração até do mais empedernido entre os cafajestes.

Nos momentos cafajestes da existência, há algo de irresistível nas moças virtuosas. Gi, com a aliança de noivado no dedo e a foto do beau que estava concluindo estudos fora do país enfeitando a mesa, era tanto mais inacessível quanto mais presente. Ao contrário das moças who play hard to get por motivos táticos, ela sempre conseguia deixar muito claro que não estava disponível, e ao mesmo tempo manter o humor, o charme, até o flerte ameno que, na vida dos escrotórios, serve como uma espécie de reconhecimento tácito de que I dig you as a person, ou coisa assim. (Como Gi mesma definia, “aquele olhar de eu-daria-pra-você-mas”.)

Mulheres como a senhorita Gisele são o mais dolorido teste de escrotidão –se o sujeito decide que, what the hell, ela é diliça o suficiente para que ele insista e pelo menos tente vencer pelo cansaço, parabéns: trata-se de um calhorda de sexta categoria. Se –como eu diante dela-, o sujeito decide que, yo, abrir assédio contra uma moça desse tipo é moralmente inaceitável, parabéns: trata-se de um calhorda de sexta categoria do mesmo jeito, porque como explicar todas aquelas outras moças que foram cafajestadas sem que argumento moral algum se interpusesse?

No dia do casamento de Gi com o sujeito por quem ela esperara com tanta paciência, bebi bem mais do que costumo. Na saída do salão, um raio de sol rompeu o bloqueio da inversão térmica paulistana e fez cintilar a aliança na mão com a qual ela acenava em despedida antes de embarcar no carro caprichosamente decorado por todos os caras que, como eu, sentiam estar perdendo, nela, alguma coisa que não conseguiam definir tão bem quanto gostariam: o brilho inatingível daquilo que não nos é destinado. (Dois ou três anos depois, o marido de Gi a trocou por uma argentina a quem salvou de afogamento em aula de windsurf no litoral de SC. Gi descontou fazendo o óbvio com boa parte de seu imenso fã-clube. ‘Twas great fun, mas certo ex-cafajeste que eu conheço saiu um pouquinho decepcionado.)

Filthy McNasty

11.4.06

Fio de Esperança (Não Gostamos de Você)

A grande contribuição de Telê ao futebol foi a invenção de Cafu. Precisa continuar?

(…)

Fantasma do Maracanã

8.4.06

Garcia Márquez Rules

"Ladrão que rouba rufião tem cem anos de solidão!"
Nelsim da Cyn, sobre o Copy and Paste

Animal Traiçoeiro

Talvez eu precise de seis das minhas sete vidas para entender os humanos. Como confiar em uma espécie tão contrastante, tão cheia de altos e baixos? Foi um humano quem me tirou, ainda bebê, da companhia da minha mãe e irmãos e me jogou na rua, completamente indefesa. Mas também foi uma humana quem me encontrou abandonada e faminta e me deu casa, carinho e amizade. Então sempre terei uma pata atrás com você. Não é timidez, é precaução. Você sim é um animal traiçoeiro. Aliás, tão típico de humanos jogar nos outros defeitos que não conseguem (ou não querem) enxergar em si mesmos... Mas enfim, isso é um papo muito filosófico e se eu começar a filosofar, não paro mais.

Vivi, do Garoutas, garoutas, garoutas

DE PIGRITIA

(…)

A Preguiça é vilipendiada. A Preguiça tem a imagem distorcida. A Preguiça é a prostituta da Babilônia. A Preguiça sempre tem seu significado intrínseco violentado. A Preguiça é o bode expiatório. A Preguiça é apressadamente apontada como o elemento pernicioso do caráter nacional. A Preguiça é invariavelmente responsabilizada pelo desandar do sistema educional. A Preguiça é tida e havida como a culpada por testemunharmos a orgia institucional em Brasília e não fazermos nada. A Preguiça sempre é acusada de ser a vilã do cenário de imobilidade subtropical. E quer saber? A safada gosta.

(…)

Ao Mirante, Nelson!

Come os nossos pais

Não quero lhe falar, Seu Alaôr
Das coisas que eu perdi no bingo
Quero lhe dizer quem eu já comi
E quem me lambeu o umbigo

Viver é melhor de cocar
Caçar, apitar, dirigir canoa
Mas também sei que chinelo Havaiana
É melhor que sandália Samoa

Por isso cuidado, meu bem
O negão está na esquina
Pão-de-centeio
E o sinal está fechado pra nós
Que usamos modess

Pode abaixar o calção
E mostrar a sua virilha, peluda
Pra isso se fez o regaço, o pecado e a sua avó

Você de peruca, eu de samba-canção
Eu como marmelada, você goiabada Cascão
Eu gosto do Ed Wood, você do Zé do Caixão
Eu vejo vir vindo de van os caras do Taleban
E eu sei de tudo da fita do Osama e aquela anã

Já faz tempo eu vi você de burka
Indo pra Franca num busão da Reunidas
E na agonia da hemorróida
A saudade é a parte que dói mais

Walter Jorge é PCB
Na campanha vai montado num jumento
E ainda come torresmo, e ainda come torresmo
E de quebra os nossos pais

(...)

DGR's bioskop

7.4.06

formatar essa vida

Micro quebrado, mãe me acusando de insanidade temporária, milhões de coisas pra resolver, nenhuma vontade de estar aqui, vontade enorme de formatar essa vida e deletar vários programas que vivem dando pau. Eu devia mudar de cidade e começar tudo do zero... Uma cidade menos windows e mais linux.

Licor de Marula com Flocos de Milho Açucarados

5.4.06

CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - MANOS PIG E A SAUDOSA MALOCA.

Era uma vez três ermão que viviam no morro e, como as condição de higiene não eram das melhor, foram apelidados de Manos Pig. Cada um ergueu um barraco conforme as suas posse. O primeiro construiu de material do lixo recicrável, o segundo arrumou táuba de demoliçã e o terceiro saiu com a carroça do véi Migué pra dá umas banda e voltou c’uns material de construção de primeira, tá ligado? Vai daí que neguim nem bem terminou os cafofo e os dono da boca viero rente tocá os Mano do terreno. Derrubaram a de papelão, derrubaram a de táuba e quando tavam preparando as picareta pra adirrubá a de material, chegou uns brother da favela rival muito faixa dos Manos Pig e encheu eles de pipoco. Toma. Tão lá até hoje e o barraco já tem até puxadim.

CONTOS DE PHADA, versão 2.0. - JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO TRANSGÊNICO

Era uma vez um menino pequeno agricultor chamado João que vivia muito miseravelmente com sua mãe, numa propriedade de 20 hectares. Um dia, ganhou umas sementes de feijão transgênico e plantou no terreno. O pé de feijão cresceu tanto que chegou até as nuvens. Uma galinha que comeu o feijão ficou botando ovos de páscoa sonho de valsa já com embalagem. João então vendeu os ovos a peso de ouro para uma gigante multinacional do chocolate e eles viveram bem ricos felizes para sempre, cultivando produtos orgânicos livres de agrotóxico para consumo próprio.

Muito mais histórias que nossas babás não contavam em Megeras Magérrimas

Sessão "Me segura que tou tendo um troço"

"Richard e Karen (na verdade eram João e Maria, mas adotaram nomes artísticos) eram dois irmãos muito unidos e famosos nos anos 70. Maria/Karen era totalmente pancada e vivia se achando "a gorda", queria porque queria ficar só pele e osso e adotava a dieta fotossíntese água/luz. Tanto foi que não adiantou mamãe Carpenter tentar seduzi-la com doces e guloseimas, casas de chocolate, gravações ao vivo e oscar de melhor canção, os dedos dela estavam fininhos como gravetos e ela foi pro céus das magras. Bem mesmo ficou João/Richard que pôde parar de cantar aquelas músicas e trocou o corte de cabelo."


Ticcia, insuportável como sempre

3.4.06

Abecedário: Adrift

Meu primeiro beijo foi com a prima-menos-bonita da garota de quem eu gostava, aos 13 anos. Ela ficou me olhando com aqueles olhos pidões de cachorrinho de capa de caderno; eu como sempre não sabia direito o que fazer, mas me aproximei; ela tirou o chiclete da boca e ficou com ele na mão, e se colocou na ponta dos pés, oferecendo os lábios; eu a enlacei, fechei os olhos, abri os olhos subrepticiamente para conferir a aproximação, e presto: primeiro beijo. (Sabor tutti frutti. Bleargh.)

Se bem Hardy Har-Har já fosse meu herói, aos 13 eu não era pessimista o suficiente para imaginar que o primeiro beijo viesse a determinar tendências e que eu viveria permanentemente condenado a beijar a prima-menos-bonita-da-mulé de-quem-eu-gostava, e a degustar para sempre variações progressivamente mais caras mas não muito mais saborosas do maldito tutti frutti. However, já dava pra desconfiar que amor e eu, uh oh, not a perfect match.

A mocinha do primeiro beijo se tornou algum tempo depois minha primeira namorada. Os beijos melhoraram, especialmente porque ela começou a jogar o chiclete fora em lugar de segurá-lo na mão. (Come on, a menina lá com o chiclete na mão quer dizer “yo, acaba logo essa beijação que eu tenho um Ploc para mascar”: péssima mensagem para um sujeito que era ainda menos seguro de si aos 13 anos.)

Eu sabia que ela sabia que eu só estava com ela porque a prima não queria saber de mim, e o fato de que ela aceitasse a situação fazia com que eu gostasse dela menos do que poderia ter gostado (porque, as far as teenage romance goes, ela era uma ótima namorada, infinitamente paciente). Mas uma coisa que eu talvez devesse ter descoberto ainda petiz é que os Rolling Stones não estão certos 100% do tempo, e que, quando o sujeito está apaixonado, não adianta muito ele conseguir o que precisa quando não consegue o que deseja.

Espero que a Adriana lembre daquele beijo com o mesmo carinho que eu, e que tenha me perdoado pelo namoro: yo, baby, eu não sabia mesmo o que estava fazendo. (Bom, provavelmente, ela só me beijou porque não conseguiu beijar o cara de quem realmente gostava, anyway.)

Filthy McNasty

1.4.06

Danças

Eu sei que estou fora do Brasil há algum tempo, mas às vezes as notícias de lá me parecem meio surreais.

Tomemos o caso da dança da deputada. Vejamos se eu entendi: um deputado estava sendo acusado de receber dinheiro ilegalmente e foi a julgamento na Câmara. Foi absolvido. Uma deputada, amiga e colega de partido dele, comemorou a absolvição dançando no plenário; foi suspensa e vai sofrer um processo administrativo por quebra de decoro.

Agora, pergunto: se o deputado foi absolvido, é porque supostamente é inocente, ao menos para a Câmara e oficialmente. Nesse caso, a deputada estava dançando para comemorar o fato de um amigo e colega seu, que é oficialmente inocente, ter sido absolvido; nada mais justo. Qual foi a quebra de decoro, então? Dançar no plenário rende processo e suspensão?

(não estou dizendo que o deputado seja inocente; não estou acompanhando muito as notícias, não sei se ele é inocente ou culpado e, na verdade, não me interessa muito; só estou intrigado com a hipocrisia de absolver o deputado e punir quem fica feliz com isso)

Palavras ao Vento

A lei de imprensa serve para proteger os jornalistas

Decerto. Assim como a invenção do dr. Guillotin nos protegeu da forca.
E a lei de Talião beneficiava os dentistas. E a cadeira elétrica foi concebida, em última análise, para extirpar a loucura da sociedade.

Mozart

Frases para a posteridade que pensei no banheiro

Falar pouco é característica de quem pensou muito.

Notas do Dr. Porfirio Caetano das Neves, barbeiro

Subemprego 29: Suporte de maçã

Toda noite eu vestia um maiô de lantejoulas e um par de botas vermelhas, sentava num banquinho e ficava lendo "As Brumas de Avalon", até chegar a minha hora.

- Vai filha!

Fechava o livro, dava três estrelas e aterrizava no meio do picadeiro. Dois homens me levantavam pelos braços e me carregavam, feito estátua, até o alvo. Botavam uma maçã na minha cabeça. Eu soprava um beijinho para o público e fechava os olhos, era um tipo de adeus.

A partir daí eu ia me imaginava com uma lua crescente tatuada na testa, dançando em volta da fogueira e uivando.

Só abria os olhos quando sentia a gosma da maçã escorrendo pelo meu cabelo. Deixava o picadeiro dando piruetas e pensando que precisava, urgentemente, encontrar um jeito de ter mais emoção na minha vida.

||| Índigo - 73 Subempregos |||