Acho que já falei antes do meu senso de realidade distorcido, pois bem, pus-me a imaginar as minhas seis coferências Norton, que jamais vão acontecer. Um motivo simples para isso, ninguém se prepara para as coferências Norton, ninguém estuda, pesquisa e pensa tendo como objetivo único ser convidado a apresentar o cíclo. Não, essas pessoas passam a vida se dedicando as suas obras, no intuito de contribuir para a formação de conhecimento da humanidade e coisa e tal. Imagina uma banda formada só para participar de um festival hype ou um Abril pro Rock da vida...
Mas voltando, minhas conferências teriam o nome de 6 Vezes Perdido nos Labirintos dos Clichês. Sim, falaria de como os clichês da ficção afetam nossa existência. A vida está cheia desses clichês que sempre buscamos ofuscar por trás de uma busca extraordinária por algo maior. Não, não é o caso de achar tal busca desinteressante ou desnecessária. Mas, antes, o caso de mostrar como são os cliches a base de tudo.
O clichê da mãe protetora, do aluno esforçado, da criança feliz, do trabalhador exemplar, do bêbado consumindo a própria vida, do amor não correspondido, dos momentos de afeto.
É mais ou menos esse o objeto de meu estudo. Quero saber do ordinário, do patético, do ridículo, do banal, do que ninguém vai se emocionar se acontecer, mas acontece mesmo assim. A tarde de Sábado preguiçosa na rede, a comida simples feita por você mesmo para você mesmo, a pipoca quente e um bom filme na TV – grata surpresa, o livro emprestado com grifos, o disco que se escuta todo dia, das fotos tiradas num dia qualquer, uma pessoa que sentou do seu lado lhe proporcionou uma boa conversa, o mal cheiro de alguns lugares e o agradável aroma de outros, as noites escuras, as noites de lua cheia, céu estrelado, sol escaldante, calor inclemente, manhã chuvosa em baixo das cobertas, leite achocolatado e ir pro trabalho, pegar o ônibus, chegar atrasado, chegar cedo e ficar sozinho, os bons momentos em silêncio, as conversas planejadas que não se planeja, quadros que se ver em qualquer canto...Enfim, como isso tudo afeta a gente?
São essas coisas, esses clichês, sempre apresentados nos textos, nas músicas, nas conversas e discursos, nos filme e nas peças... que acabam constituindo parte importante da vida da gente, parte que precisa existir para que algo fora do comum aconteça, e até o fato desse fora do comum acontecer não passa de um clichê também.
entreouvido nas Conversas com Fiodor
15.1.03
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