Bom, o professor Eugênio alegou que, apesar de ter rido muito da minha monografia sobre o Sexo Anal e de tê-la achado a melhor e mais criativa dentre todas, estava sendo pressionado a me dar zero e me deixar para prova final. Pior, uma comissão estaria sendo formada para avaliar o caso e não estava descartada a hipótese de eu ser jubilado. Isso mesmo, jubilado, expulso, chutado da faculdade. E tudo isso só porque eu falei de cu. É mole?
Segundo o Eugênio, uma professora do curso de Administração e que também era a superior dele, entrou na sala no momento em que ele corrigia a minha monografia. Ao vê-lo se contorcendo de tanto rir, pediu pra dar uma olhada também. Ele disse que relutou mas não pôde impedi-la, uma vez que ela era sua chefe. Como o professor era apenas contratado e não concursado, teve que se sujeitar ao que aquela vaca ordenou que fizesse, ou seja, me reprovar. Só que eu não aceitei aquela posição. Pôrra, eu só precisava de meio ponto. Era muita putaria não me darem nem meio ponto. O trabalho valia até mais. Muito mais.
No meio da conversa com o cara, chega a piranha. Não sabia quem era ela. Daí começou:
- É esse aí o moleque, Eugênio?
- Bem, dna. Norma...
- De onde a sra. me conhece pra me chamar de moleque?
- Fabiano, calma.
- Moleque sim. E fique sabendo que essa é um instituição séria, não é pra gente como você.
- Séria!? Séria o cacete! Nunca vi uma instituição séria servir ovo todos os dias da semana, no almoço e no jantar, sendo que tem cursos de agronomia, zootecnia, pecuária e tudo quanto é merda de roça rolando dentro dela.
- Olha aqui, garoto...
- Olha aqui a sra. Não me venha com liçõezinhas de moral, que eu tenho mais o que fazer. E que moral pode ter a sra. pra me falar o que é certo e o que é errado e qual lugar serve pra mim e qual não serve? O filho do reitor dessa "instituição séria", como a sra. disse, tá preso, esqueceu? E por quê? Porque traficava e desmanchava carros aqui dentro. Então vá tomar no olho do seu cu. E, se quiser ajuda pra saber como faz, leia o meu trabalho. Quem sabe assim não fica menos azeda. O que deve estar te faltando é rola. É das grandes.
Nessa altura a sala já tava cheia, pois eu berrava tudo isso aí a plenos pulmões. O mais engraçado era ver o Eugênio com a mão no peito e procurando seu exordil na gaveta. Foi hilário. Ela chorava. Dizia que era uma vergonha aquilo tudo, que nuinca havia sido tào humilhada. Foda-se.
Quase um mês se passou até que eu fosse chamado para uma reunião no Depto. de Ed. Física. O chefe do Depto., o Henrique, reuniu toda a diretoria pra dizer que havia sido montado um processo contra mim e que por não concordar com as acusações que me eram feitas estava mobilizando todo o curso para um protesto. Foi muito foda. Ed. Física é o maior curso da Rural (cerca de 500 alunos na época). Eu fiquei popular logo no primeiro período. O que podia querer mais? Mas, no entanto, ele não tinha como evitar que houvesse uma espécie de julgamento. E eu ainda teria que fazer visitas semanais a uma psicóloga designada pelos caras. Achavam que eu tinha algum desvio. Acho que pensaram que eu era tarado ou coisa parecida. Fiz tudo direitinho. E ainda virei parceirão da psicóloga. Tomava cerveja e o caralho depois das sessões que, estrategicamente, passaram de quarta para sexta-feira. Até mulher ela pôs na minha fita.
Enquanto isso, o bicho pegava no campus. Parecia um daqueles college movies. Era a gente contra o resto. Pra dizer a verdade, Ed. Física, na Rural, sempre foi considerado um cursinho de segunda, coisa pra coçador. Em parte, era verdade. Mas isso não vem ao caso. Até abaixo-assinado teve. Bombou. E, no final, depois que minha amiga psicóloga deu um diagnóstico altamente favorável a minha pessoa, um júri composto por 7 professores deu ganho de causa a mim por unanimidade que, nesse caso, não foi burra.
Até hoje sorrio ao lembrar da cara que aquela puta escrota fez quando saiu o resultado. E a festa de comemoração, então? Um show. Desde então, até hoje, quando vou na Rural e ficam sabendo que sou o Tatu, alguém pergunta: "Você é o cara do sexo anal?". Que bela maneira de passar para a posteridade.
no rabo do Tatu
15.1.03
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