Fico hoje imaginando chegando perto da barreira que agora esta na frente no Palácio do Planalto. Provavelmente encostaríamos para dar uma passeada com os olhos e se o dia for de sol ver aquele branco chapado brilhar.
É provável que aí eu viraria de costas para olhar para trás em busca dos outros bonitos horizontes e daria de cara com um homem alto, de cabelo cortado rente, óculos escuro Orkley do filho dele, fone de ouvido descendo pelo pescoço e se escondendo atrás da camisa, e terno escuro e gravata igualmente negra. Vindo na nossa direção daria para ouvir rapidamente o que ele falaria pelo microfone costurado na altura do punho do seu terno..
“Souza. Avise quando o homem estiver saindo”..... “Com licença senhor, por favor não fique muito próximo da grade”.
Meio espantando quero confirmar se a conversa é comigo “Desculpe-me, mas não entendi”.
“Eu estou pedindo para que o senhor não encoste na grade.Pode ser perigoso.”
Na minha cabeça ta passando – Mas até que enfim estão protegendo o Lul...... .
O segurança emenda “É que esse Presidente costuma pular e agarrar as pessoas”.
Devo estar com a cara mais incrédula do mundo e ele continua já num tom de justificativa. “É lamentável sim, mas semana passada mesmo o Presidente e a Primeira Dama deslocaram a clavícula de uma senhora velhinha. O Presidente quer porque quer agarrar o povo”.
Nesse momento sinto um braço de lindo tecido cinza chumbo me dando um golpe popularmente chamado de gravata. O grip é forte, mas a sensação do tecido contra o meu pescoço não deixa duvidas de que é Armani.
O barulho em volta de nós é de confusão e consigo ouvir o segurança gritando mais uma vez para a manga do seu terno “PORRA SOUZA. FALEI PRA AVISAR PORRA !!!”.
Minha cara devia já estar vermelha. A voz rouca, pesada e singular falava alto atrás de mim. “Sou assim mesmo. Presidente de todos os brasileiro.” Mesmo quase sem ar eu ainda arregalei os olhos ao reconhecer a voz do Presidente da República. “Presidente de todas as raças, até desses aqui de origem do estrangeiro”.
Que força tinha esse homem. Eu estava tentando de todas as formas me desvencilhar e mesmo com a ajuda do segurança já temia pelo meu pescoço. Ainda mais minha mulher. Onde estava minha mulher !!!!! No mesmo segundo a Gi apareceu na minha frente tentando arrancar pela frente o braço dele.
Logo vi que a Gisela estava com a cara toda coberta de marcas de um batom vermelho berrante estilo Avon. Soube depois que Marisa havia rolado com ela no chão, mas logo dominada e colocada por três seguranças femininas para dentro do Omega.
Os dois, mais a bursite do Presidente, acabaram por enfraquecer o golpe. Quando sinto os meus pulmões se enchendo novamente pude virar e apoiar na barreira e ainda vê-lo sendo levado para dentro do carro da presidência. “Isso aqui vai melholá. Ce vai ver !!!”.
direto por 168 horas
17.1.03
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