15.1.03

Há algumas horas eu estava no bar Point do Vinho com meus amigos, bebendo meu guaranazinho e comendo calabresa e batata frita.
Houve uma confusão no banheiro por causa de um sujeito que, por motivos desconhecidos (álcool, talvez?), resolveu urinar em cima de dois outros caras. As pessoas que trabalham no lugar foram informadas do acontecido e iniciou-se uma discussão: o mijão e seu amigo contra alguns garçons e o dono do bar. O show de bate-boca foi assistido pela platéia embasbacada, composta por mim, meus amigos e o os outros clientes.
Eu e o Paulo resolvemos ir embora logo depois. Pagamos nossas comandas e saímos do bar. O Paulo chamou um táxi pelo celular e ficamos esperando o carro chegar, na frente do Point do Vinho. Quando o táxi chegou, me despedi dele e comecei a andar em direção à minha casa. Era meia-noite e meia, mais ou menos. Vi que mijão e seu amigo estavam do outro lado da rua, provavelmente porque haviam sido expulsos do lugar. Evitei olhar muito pra eles, com medo de arrumar confusão.
Virei à esquerda, na rua Azevedo Soares, logo à frente do colégio Ascendino Reis. Esse trecho da rua fica muito escuro à noite e àquela hora estava praticamente deserto.
Ouvi passos, cada vez mais rápidos, em minha direção. Quando vi a sombra de duas pernas se aproximando, fui agarrado por trás. Era o mijão. Ele apertou meu pescoço com muita força. Uma chave-de-braço, sei lá como isso se chama. O amigo do mijão vinha logo atrás. Os dois começaram a me bater, dizendo que eu tinha "agitado" a briga no bar. Perguntaram se eu tinha dinheiro. Eu disse que tinha só umas moedinhas (só depois, em casa, eu fui ver que não tinha dinheiro algum), que eles podiam levar tudo, e implorei pra que eles parassem de me bater. Não reagi, só lembro de ter tentado proteger minha cabeça. Gritei como uma criança. Me mandaram calar a boca. Levei alguns chutes e socos até que caí no chão e ouvi:

-Sai correndo sem olhar pra trás.

E foi o que eu fiz. Nunca corri tanto em toda a minha vida. Cheguei ao meu prédio com a camiseta completamente rasgada. E machucados nos dois braços, na testa, na sobrancelha e embaixo do olho direito. E um pedaço de dente quebrado. E também tem a minha mandíbula, que dói quando eu abro a boca.

E poderia ser muito pior. Eles poderiam estar armados com pedras, pedaços de pau, revólveres. Eu poderia ter me machucado muito mais.
Pensei que fosse morrer.
Foi tudo muito rápido. Talvez algum porteiro de um dos prédios da Azevedo tenha visto. Enquanto eu apanhava, passaram na rua dois carros. Ninguém fez nada. Mas aposto que devem ter ouvido meus gritos.

Morais da história?
Não bebam além da conta.
Não urinem em cima de outras pessoas.
Não batam em pessoas inocentes.
Não andem sozinhos à noite em ruas escuras.

Obrigado

no sutil como um paquiderme

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