11.3.03

Hoje fui à minha primeira aula de Cálculo 4. Cheguei às onze em ponto. O professor já estava na sala. Gostei disso, pontualidade é algo que admiro muito. Detesto professores que chegam com quinze ou vinte minutos de atraso! Durante a aula, ele manteve a disciplina. Também gostei! Parece que vai ser um curso leve e agradável, afinal de contas. Tomara que ele tenha pulso firme para manter as rédeas seguras durante todo o semestre.

Quando fui monitor (umas três ou quatro vezes, depois a minha paciência se esgotou), eu costumava esperar quinze minutos. Se nenhum aluno aparecesse, eu simplesmente ia embora. Suponho que, se ninguém da turma consegue chegar na hora, é porque não há interesse suficiente da parte dos alunos - e portanto não há razão para dar a aula.

Certa vez, o barulho era tanto que avisei à turma: "Pessoal, pode parecer frescura da minha parte, mas eu não gosto de barulho. Nem quando estou escrevendo no quadro. Eu sei que a prova é amanhã e vocês estão nervosos, mas se eu virar as costas para vocês e ouvir mais uma só conversa, vou embora e fim de aula." Voltei-me para o quadro, recomecei a escrever e imediatamente ouvi um murmurinho e uma risadinha. Parei de escrever, juntei os meus papéis e saí da sala. Fim da aula. E o jogo de cintura? Não, não tenho. E nunca me fez falta.

Lembrei de outro episódio. Era a época das "eleições estudantis" e todas as chapas (não existe denominação melhor para esse bando de vagabundos chapados) estavam à cata de votos. Resultado: eles começaram a "invadir" as salas de aula no horário das monitorias para apresentar as suas "propostas eleitorais". Eu estava escrevendo no quadro quando uns seis ou sete cabeludos portando cartazes, panfletos, buttons, camisetas do Che Guevara, bandeiras e o diabo-a-quatro abriram bruscamente a porta da minha sala. Um deles se adiantou e começou a falar:

- Professor, será que a gen...
- Não.

Foi um "não" curto e grosso. Nem olhei para o sujeito. Apenas disse: "Não" - e apontei para a porta. Nem parei de escrever enquanto disse o "não"; eles ainda hesitaram por uns dois segundos, mas como continuei apontando para a porta enquanto escrevia no quadro com a outra mão, finalmente optaram por se retirar, em silêncio. A turma caiu na gargalhada.

Às vezes, para pedir silêncio, eu dizia: "Gente, se vocês ficarem quietinhos, no final da aula deixo que apaguem o quadro." Essa era tiro e queda, sempre funcionava!

Apesar dessas coisas, eu me dava bem com os alunos. As minhas monitorias estiveram sempre entre as mais concorridas. Como nunca me resignei a fazer um trabalho porco, eu não me limitava a resolver as listas de exercícios no quadro. Besteiras! Quem tem que resolver as listas são os alunos, que são os que precisam aprender. Como o pessoal é muito preguiçoso, eles estavam acostumados a copiar as resoluções dos monitores e decorar os "macetes" para aplicar nas provas. Eu considero que isso não é aprender; é trapacear, é ser "malandro". Infelizmente, o "Kanun" da PUC-Rio reza que "monitores resolvem as listas de exercícios no quadro, os alunos copiam e decoram." Tive sérios atritos por causa disso. O que eu fazia era perguntar: "O que foi que vocês fizeram durante a semana?" Ninguém respondia. Claro, ninguém tinha feito nada, todos estudam só na véspera das provas. Então, eu perguntava: "O que vocês querem fazer?" Imediatamente, alguém pedia: "Pô, faz aí o número quatro da lista." Eu escrevia o enunciado do problema no quadro e deixava que eles me guiassem durante toda a resolução. Às vezes, eles me guiavam pelos caminhos errados. Ainda assim, eu fazia o que estavam mandando - para no final mostrar as razões dos erros. Dessa forma, eles trabalhavam comigo o tempo todo - e aprendiam. Aliás, eles gostavam dessa interação. Já os professores reclamavam, porque diziam que eu estava "dando aulas" em vez de limitar-me a "resolver os exercícios". Não, não estava. Estava apenas fazendo com que os alunos trabalhassem, estudassem e aprendessem com os próprios erros, em vez de incentivá-los à preguiça e à maldita malandragem, instituição nacional que odeio com todas as minhas forças.

Portal Claudio Téllez

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