19.10.05

Da série SÓ DE CONGA NA MINHA CARA.

A pessoa tinha marcado bilhete de volta ao Brasil para uma segunda e resolve voltar na sexta. Tem lugar? Claro que não. Opção? Usar milhas, fazer upigreidi e voltar de executiva. Hum. Nada mal. Vamos ver como é que os ricos viajam. Óquei. Ticcinha imbuída do espírito sefazente de rica. Nada de levar sacolinha prástica na bagagem de mão que nóis semo pheEEEEEEna. Todas as bugigangas dentro do malón e toca pular ni riba do container pra fechar. Com Ticcinha, só sua mochila féchion, coisa meiga, com seu MP3 pleier, seu moleskine, seu acessórios, maquiagem, balinha, lencinho, canetinha, artiguinhos de higiene. Uma fineza só.

Dá seis da matina e Ticcinha tem que se despencar para o aeroporto. Despencar, literalmente. São 4 lances de escada pra descer, cujos degraus são estreitos, com um malón do tamanho de um bonde. Ticcinha pensa, pensa, pensa. De degrau em degrau não dá, malón não cabe. Descer nas costas tipo estivador, no way. Descer na cabeça estilo lata d’água, impossibile (não tem força pra subir e acaba com o penteado). Ticcia deita o malón e escora aquele amontoado de rocha e cimento (é o que parece ter dentro) por quatro longos e infindáveis lances de escadas. Chega ao térreo levemente suada, com o desodorante prestes a vencer. Não há de ser nada. A sefazente rica não esmorece. Enxuga o rostim com o lencim, taca um pozim compacto e vamquevam.

Já no aeroporto, Ticcinha olha com satisfação o pobrerio na fila dos comuns e ordinários, quilométrica, enquanto se dirige, lépida, faceira e posuda para a fila do EXECUTIVE CLASS. Pheeeeeeeeena. U-huuu. Lá chegando, é atendida por uma recalcada pobre, feia, asquerosa e mal-humorada que deve ter trabalhado a madrugada inteira. Possibilidade de tratar Ticcinha linda, rica e sorridente bem: ZERO.

Ticcinha entrega o bilhete, o passaporte e deposita o contêiner na esteira. Recalcada atendente informa que malón tem excesso de peso. Ticcinha não perde a sua pose de sefazente rica. Pergunta quanto custa o excesso (no melhor estilo vou pagar pra não me incomodar, nem to aí pra essas mixarias). Ela informa que são 120 dólares. Ãnh? 120? Ticcinha resolve dar um jeito, que a gente é só sefazente rica, mizifia e não tamos aí pra gastar o dinheirinho do frixóps. Pheeeneza sim, idiotice não.

Ticcinha recolhe o malón e sai à cata de uma loja que venda uma sacola de viagem para onde Ticcinha possa verter 10 quilos. A ÚNICA loja do aeroporto que vende mala ou sacola é uma chiquérrima que só comercializa Sansonite. A mais simplisim, baratim e pequetitim, custa 206 euros. Ticcinha conclui que vai tomar no c*. Desespero, ranger de dentes, Ticcinha finalmente confrontada com a sua total pobreza e despreparo.

Eis que, uma luz a alumia e ela lembra que na mochila tem o presente da Clarinha, numa sacola prástica reforçada. Abrindo mão de todo glamour, toda a crasse, toda a pose, numa atitude de despreendimento digna de São Francisco de Assis, Ticcinha abre o malón em pleno saguão e toca ver o que de mais pesado tem ali. Tudo isso, senhoras e senhores, acompanhado de perto por metade dos passageiros da fila dos comuns e ordinários, que, claro, devem ter ganho o dia vendo a sedizente rica chafurdando em calcinhas, meias de nylon, sutiãs e etc. (Ticcinha louca de medo que um etc saltasse da mala) pra não pagar excesso.

Terminado o show, despacha-se a mala e segue a sefazente rica com mochila e sacola prástica cheia de entulho rumo ao frixóps. Sorte que lá havia um sacolão tipo muambeiro pra vender. Até essas Ticcinha já tinha desistido de se fazer de pheeeena, tava com os dedos em carne viva da sacola prástica pesando 10 quilos, comprou o sacolão de feira e foi assim mesmo.

Moral da história: a gente tira a pessoa da crasse econômica, mas não tira a crasse econômica da pessoa.

Megeras Magérrimas

Um comentário:

Lou disse...

Adorei... estava procurando no google somente a plavra muambeiro e cai nesse blog... dei boas risadas!!!