28.10.07

Da vida tudo se leva

Chega. Chega de folhear revistas de celebridades para ver que fulano passou por um ataque cardíaco quase fatal e, ao convalescer, se deu conta do "valor das pequenas coisas", da "importância de fazer tudo sem pressa" e, oh, ignomínia, de que "da vida nada se leva". Quero abrir agora uma revista de anônimos e saber que seu Altair, aposentado, 67, que todos os dias pega o jornal no portão, ainda de pijama, teve um belo piripaque no peito (os cadernos do jornal se espalharam pela rua, ele machucou a careca na queda; dona Isaurinha quase morre junto) e, durante a recuperação, na enfermaria do hospital São Francisco das Chagas, acordou para a vida: viu o valor das grandes coisas (aquela viajona para Búzios no verão custou o mesmo que o fim de semana em Poços de Caldas, é, bebé?), se tocou que sem pressa tudo desanda (deixa para registrar o palpite da Mega Sena lá na lotérica do Djalma na quarta depois das seis, deixa) e que da vida tudo se leva (o lance é carregar no caixão a grana do pé-de-meia: deixar dinheiro para a Suely e o picareta do Batista? Aqui, ó). Hoje seu Altair continua pegando o jornal (mas dá prioridade ao caderno de economia, onde tem devaneios faraônicos e longas ereções quando lê o Mercado Futuro de Ações), usando o mesmo pijama e com um risinho encruado. Da vida tudo se leva, não vê quem não quer. Dona Isaurinha viu e – há quanto tempo! – gostou.

ao mirante, nelson

24.10.07

Mocó de homem solteiro

Noves fora o “homem de predinho antigo”, aquela criatura que adora um pé-direito alto, um sofá de época e uma luz indireta, o macho solteiro é um desastre no capítulo decoração. Tem lá o seu sofá velho, a sua tv, uma cama barulhenta, três ou quatro panelas - sem cabo - encarvoadas pelo tempo, e copos de requeijão, muitos copos de requeijão, alguns deles ainda com um pedaço do papel do rótulo. Se brincar, o cara coleciona também os velhos copos de geléia de mocotó, um primor de utensílio vintage.

E quando a fofa, toda fina e fresca, nova costela, chega lá no muquifo com a sua garrafa de champanhe?! Procura, procura as taças, para fazer uma graça com o seu mancebo... e nada. O jeito é beber Veuve Cliquot em copo de extrato de tomate. Quem mandou apaixonar-se por um macho-jurubeba autêntico, que vem a ser justamente o avesso do metrossexual (aquele mancebo da moda que se lambuza de creminhos da Lancôme e decora o loft, sim, ele mora num loft, de acordo com as tendências da revista Wallpaper).

Pior é quando ela tenta mudar tudo. E põe aquele quadro caríssimo –artista contemporâneo, tendêeencia!- numa sala que não tem nem mesmo um sofá que preste?! Um desastre.

A fofa, toda metida a besta, não desiste nunca. Ai presenteia o bofe - sim, ela está doida e perdidinha - com uma batedeira prateada ultramoderna com 600 funções, que nunca será usada. Ai fica aquela batedeira high-tech fazendo companhia aos três pratos chinfrins e aos garfos tortos - como se o Uri Geller, aquele parapsicólogo que aparecia no Fantástico das antigas, tivesse jantado por lá ou feito faxina na área.

Ela começa a revirar geral, um deus-nos-acuda, numa casa onde ninguém havia mudado sequer uma planta de lugar. O reino vegetal, aliás, é outro ponto fraco do macho solteiro. Jarros, flores? Nem de plástico.

Na casa do homem solteiro típico, a utilidade triunfa sobre a estética. O cúmulo do utilitarismo. Sofá da tia-avó vira cama, como diz a minha amiga D., co-autora dessa crônica. A cama vira sofá, a rede vira sofá e cobertor, o cobertor vira cortina preso à persiana... A falta de cortina é outra marca registrada do desmantelo do cavaleiro solitário. Quando muito, papel filme. Abajur? De jeito maneira. Tosco no último, ele não tem cultura de luz indireta, nem nunca terá, esqueça.

Outro traço de personalidade do macho solteiro: tudo que chega até a cozinha vira tupperware - aquelas embalagens plásticas de lasanha comprada pronta, caixinha de entrega de comida chinesa ou japonesa, potes de sorvete...

Melhor assim do que as frescuras do ex da minha amiga D., a mesma rapariga acima citada. Ela entrou na casa dele e logo ouviu a advertência, em altos brados: “Não pisa de salto no meu carpete de madeira!”
“Nooooosssssa!,” arreganharia a bocarra o velho Costinha, se vivo fosse.

o carapuceiro

21.10.07

Ensaio sobre a completude humana

água + terra = Lama => vai pro fogo => Barro => sopro divino (ar) = é nóis na fita, mano

dies iræ

8.10.07

O mito da criação sob a perspectiva de um pinto

No princípio era a Vagina. E Deus disse:
— Faça-se a penetração.
Mas o pinto não se mexeu. E, cabisbaixo, perguntou:
— Aquilo não tem dente?
E Deus, em sua eterna sabedoria, deu uma mãozinha a ele. E, após trocar cinco dedos de prosa com o Senhor, o pinto levantou-se, triunfante. Mas, como só tem um olho, complicou-se e acabou entrando na porta errada. E o pinto disse:
— Tá tudo escuro aqui!
E Deus replicou:
— Faça-se a luz!
Então o pinto pôde enxergar. E achou ruim.
— Pô, mas isso aqui é uma merda!
E Deus, em sua infinita paciência, falou:
— Não tá gostando, abilolado?
— É muito sujo.
— Ha! Você precisa ver quando eu criar o Congresso brasileiro.
— Além disso, fede, é quente, mal-iluminado...
— Espere só até conhecer o Recife.
— ... e apertado demais.
— Apertado! O que não é a falta de parâmetros. Tente passar o mês com um salário mínimo no futuro Brasil.
— Além do mais, dói pra entrar.
— Que é que você queria? Qual seria a graça caso não houvesse dor pra, depois, se alcançar o prazer? Olha... isso dá até uma bela teologia, hein? Taí, você me deu uma idéia. Vou inspirar um livro nesse sentido. Mas peraí, dói? Onde é que você... Burronaldo! Você tá no lugar errado! Seu jumentildo! Sai já daí!

E Deus sacou o pinto e, como não tivesse onde lavá-lo, separou as águas que estão debaixo do firmamento daquelas que estão por cima. E o pinto pairou sobre a face das águas. E Deus disse:
— Ui! — e se arrepiou todo, pois a água estava gelada.
Em seguida — porque, apesar de não ter subconsciente, é seguidor de Freud —, o Senhor colocou o pinto no lugar psicanaliticamente correto.
E o pinto achou bom:
— Que maravilha! Quanta diferença! Obrigado, Senhor.
E Deus replicou:
— Isso, vai se divertindo. Quero ver daqui a nove meses.
E o pinto continuou:
— Devo admitir que, tirando a cueca samba-canção, essa foi Sua melhor invenção até agora, Pai.
E Deus não disse nada mas, em sua sempiterna bondade, começou a trabalhar num primeiro esboço de doença venérea. E, para reprimir ainda mais a sexualidade humana, imaginou o casamento como forma de punição.

marconi leal

4.10.07

Casal sai atrasado de casa ao tentar a democracia

O homem nasceu para o halterofilismo.
Levantar a moral da mulher.
É como se o marido fosse obrigado a dizer aquilo.
Mas se ele não declarasse, o que aconteceria?
Mulher não confia na sugestão do marido, confia na observação de outra mulher.

De manhã, ela no banheiro, prova uma roupa e pede a opinião ao marido.
- Olha acho que a calça está um pouco abarrotada na cintura.
- Como abarrotada?
- Parece um saco.
- Tá me chamando de cimento?
- Não, pediu para que a ajudasse, pode colocar algo que deixa a bundinha mais arrepiada.
- Tá falando que minha bunda caiu?
- Não....

Decide trocar tudo, do jeans e blusa põe um vestido. Parte ao trabalho emburrada, com a certeza de que o marido não a ama mais.

Qualquer comentário surgindo de uma boca feminina, não agrediria.

De manhã, ela no banheiro, prova uma roupa e pede a opinião a uma amiga.
- Olha acho que a calça está um pouco abarrotada na cintura.
- Também acho, lembra um saco.
- Pois é, pode tentar algo para valorizar as curvas.
- Boa idéia, nunca gostei mesmo desse jeans. Usei pouquíssimo.

Homem não é espelho de mulher, nem dele mesmo.
A mulher tem independência e domínio no gosto, ela o deixa assistir, apenas isso.
Quando confia no acerto, não desistirá da roupa, ainda que seja um parangolé.
Quando não gosta de um detalhe ou uma peça, nada a demoverá. Nada. Nem o Tratado Lógico-filosófico, de Wittgenstein.
É uma coerência secreta.
O homem não está ali para concordar ou discordar, apesar do pedido ter sido esse.
O homem está ali para amá-la.
Do jeito que vier.

Fabricio Carpinejar

29.9.07

Tempo, tempo, mano velho

Entre sete e meia e oito da manhã, meia hora tem a duração de três piscadas de olhos.
Entre cinco e meia e seis da tarde, a de dois dias inteiros.

Duas Fridas

Já aconteceu de você se sentir ofendido por alguma coisa que alguém te fez, só que você simplesmente não consegue expressar em palavras exatamente o que foi ofensivo naquele ato, naquela atitude?

Já aconteceu de você ter convicção de que está com a razão, só que você não consegue explicar nem pra você mesmo os motivos de toda essa certeza?

Já aconteceu de você achar toda uma determinada situação extremamente enervante, só que você não consegue identificar o que te deixa assim tão alterado?

Já aconteceu de você querer que tudo fosse completamente diferente, só que você não tem idéia de como poderia ser melhor do que, de fato, é?

Já aconteceu de você ver que não tem saída fácil e indolor, só que você se questiona o porquê de estar cogitando a rota de fuga, pois, na verdade, onde você está é confortável, seguro e bom?

É a mãe!

25.9.07

Transporte coletivo

Eu sei que andei sumida, mas é que eu passei esses dias ocupada. Ocupada andando de ônibus. Morar no extremo norte da cidade e estudar no sul é privilégio de poucos. Valeu, Jesus! Outro dia eu tava esperando o ônibus no Terminal de Integração. Ninguém gosta de andar de ônibus, mas basta o bendito entrar pelo Terminal que as pessoas esquecem de onde vieram e pra onde vão. São 70 pessoas e só há 50 assentos. Os cálculos são feitos em silêncio, as pessoas se entreolham. A adrenalina sobe. O clima esquenta... O único intuito delas é conseguir algum lugar no ônibus e isso se torna uma disputa incrível. Os milagres de Cristo podem ser vistos claramente através das manifestações do povo. Pra pegar o ônibus o cego vê, o aleijado anda e a mulher grávida corre. Leis da Física são quebradas. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar? Não no Terminal de Integração de João Pessoa. Eu já vi duas mulheres entrarem no ônibus e se tornarem três lá dentro. Eu tou em tom de brincadeira, mas eu confesso que tenho medo às vezes. É incrível a força que uma mulher de 80 anos pode ter quando quer andar sentada no ônibus. Elas arremessam seus filhos coletivo adentro, dão cotoveladas e, em última instância, gritam. Um grito aborígine, sabe... AAHHH LULULU! E somem ônibus adentro. Eu, branquela amedrontada, criada à base de Leite Ninho, ainda tremo o queixo de medo quando o ônibus se aproxima. Motorista e cobrador têm que andar armados se não quiserem perder o lugar. Enfim, é a visão do inferno que eu dou testemunho diariamente. Mas apesar disso, é legal andar de ônibus.

circo sem futuro

18.9.07

BOIÂNIA E A PRIMAVERA

Abril pode ser o mais cruel dos meses, dezembro o mais chato, agosto o mais infeliz, mas pelo menos aqui em Boiás, setembro é o mais infernal. A umidade do ar tá tão baixa que, no zoológico, o camelo foi surpreendido tentando se disfarçar de hipopótamo pra poder ficar dentro d'água; em Brasília, o mar de lama secou e virou o oceano do pó vermelho, o que é extremamente prático : por mais enlameadas que suas excelências estivessem (hipoteticamente, claro), bastaria parar de chafurdar um instante, se levantar, dar uns tapinhas no Armani pra chacoalhar a poeira e dar a volta por cima, imediatamente imaculados, prontos pra (várias) outra(s). Em todo o Centro-Oeste, as roupas secam antes que você acabe de pendurá-las no varal, e não importa quanto hidratante se use, abaixo dos joelhos, toda canela é em pó. A cor verde só existe nos semáforos e placas de estrada, e se continuar assim por muito tempo, periga até eles ficarem cor de ouro velho e mais enrugados que uma mulher normal de 40 anos em comparação com uma perua hollywoodiana - ou carioca da Barra - de 68. Você pode se fechar numa salinha com o ar condicionado programado pra 17 graus, que a sensação térmica ainda assim será de, na melhor das hipóteses, 27. O estado físico das coisas muda, de sólido pra pastoso, de líquido pra gel, de vapor pra pura memória; o estado de espírito dos seres - relativamente - vivos entra em slow-motion permanente : o chocolate não quebra, se rasga; a manteiga não se espalha, se entranha; o sangue não corre, se arrasta; o coração não bate, belisca; o suor não encharca, evapora; os pulmões não se enchem, se enervam; as lágrimas não escorrem, empoçam; o trabalho não anda, engatinha; as gatas não miam, gemem; e as blogueiras não escrevem, postam qualquer besteira só pra fazer de conta que atualizaram. E acreditem, até isso já é trabalho demais.

Cyn City

30.8.07

Nunca me satisfaço com o sexo que assisto, seja na tv, no cinema, na internet.
Ou é pudico demais, suprimindo o essencial, ou é desnecessariamente explícito, o close tão close que você até esquece que na outra ponta tem gente.
Então acontece que só diante de cenas de sexo tenho rompantes de cineasta: fico mentalmente dirigindo atores, imaginando outros ângulos, selecionando trilha sonora e, claro, gritando com o roteirista pra melhorar o enredo.
Não, eu não vejo filme pornô. Mas só porque até hoje não gostei de nenhum.

duas fridas

7.8.07

Mudança de Hábito

Resolvi parar de usar “viado” como xingamento. Primeiro porque não vejo no que a sexualidade de uma pessoa – a não ser que seja pedófila, o que é horroroso em qualquer circunstância, mas, convenhamos, muito longo e elaborado pra se gritar pro energúmeno que acaba de nos dar uma fechada no trânsito - seja intrinsecamente má, ou da minha conta, pra dizer o mínimo. Segundo porque tenho medo de que algum dos meus amigos e conhecidos ache isso ruim, apesar de acreditar que eles saibam que no caso a intenção de xingar é o que vale, e não significado da palavra. Quanto a gente tá realmente revoltada com alguém, até "lindinho da titia" dito com a entonação certa vale por uns dez "fiadaputas", mas enfim, é melhor não arriscar. Em terceiro lugar, porque - como outras pessoas já disseram antes, e bem melhor que eu - nossos xingamentos clássicos andam mesmo um bocado ultrapassados, usando definições que não são mais ofensa nem motivo de opróbrio (palavrão é isso, o resto é elogio) pra ninguém, tá aí a tal "escritora" escorpiana que não me deixa mentir. E em último, porém não menos importante, porque eu sou preguiçosa e “viado” (ou será “veado” ?) é o xingamento bobo e defasado mais fácil de abandonar. Por exemplo: eu sei que existem ascendências bem piores e mais dignas de vergonha do que puta e charreteiro, mas não sei se consigo lembrar de gritar “seu filho de uma apresentadora de TV com deputado” pro moleque que quase arranca meu retrovisor com sua moto antes que ele saia do meu campo de visão; estou bem consciente de que tem muita gente, dos dois sexos, que não só aprecia bastante ir tomar no cu como também chega a recomendar a prática aos amigos e amigas, assim como quem ensina uma nova e deliciosa receita de salada de berinjela, e acho que cada um tem mais é que fazer o que lhe agrada. Mas mesmo que isso faça de mim uma conservadora preconceituosa, ainda me parece uma coisa suficientemente dolorosa e desagradável pra funcionar como ofensa, e além disso é bem mais fácil do que resmungar, pra perua que fura a fila no supermercado e entra com seu carrinho com 854 itens na fila especial pra quem só leva 20, a excelente e muito mais apropriada sugestão da jornalista Milly Lacombe, a realmente tenebrosa “Vá fazer um exame ginecológico completo”. Poderia até acrescentar "e com o espéculo gelado", mas acho que aí também já é crueldade demais. Eu também acho – apesar do que afirma meu lindo gatim, que diz que a culpa SEMPRE é do homem – que ninguém tem culpa de ser traído pelo cônjuge. E sei que é maldade chamar alguém de hipodotado, ou impotente, ou feio, ou malcheiroso (principalmente se for tudo verdade), mas também peraê, não se pode abrir mão de antigos xingamentos favoritos assim, sem mais aquela e sem nada igualmente fácil, rápido e curto pra botar no lugar. É por isso que, apesar de eu não chamar mais meus desafetos, sejam eles antigos e fiéis ou momentâneos de “viados”, sei que isso não vai me tornar um ser humano melhor, nem mais evoluído, e que nem meus pais vão ficar satisfeitos e mais orgulhosos de mim. É que eu me conheço e sei que a cada vez que eu deixar de chamar de viado um motorista barbeiro, um playboyzinho folgado ou um monstrinho malcriado e seu pai pitburro, meu mecanismo de compensação do hábito suprimido vai entrar em ação... e eu vou acabar chamando o quem-é excomungado de corno seboso, escroto e broxa, de pau pequeno e filho de uma vaca sifilítica com um cachorro manco.

Cyn City

19.7.07

As alegrias que o Google me dá (XXX)

simpatias para quem te fez sofrer
Um murro no olho. Um pontapé na boca no estômago. São as únicas simpatias em que posso pensar. E isso porque eu sou uma pessoa boa. Se eu fosse mau, sei de uns métodos de tortura bastante eficientes.

videos curtos de mulheres fazendo um boquete
Ou "vídeos de mulheres pagando um boquete em um moço com ejaculação precoce".

por que o brasileiro não reconhece suas qualidades
Porque passa tanto tempo sem ver as coitadas, sem ligar para elas, sem nem saber que existem, que quando as encontra por acaso na rua não sabe mais quem são.

manual do suicídio
Juro que se tivesse um eu te dava. Te mandava por Sedex, até entregava pessoalmente. Porque se até para se matar você precisa de um manual, a coisa está realmente feia e você não tem mais jeito.

frases no preterito mais que perfeito
O pretérito mais que perfeito é um absurdo da língua portuguesa que deveria ser imediatamente extinto. Porque não existe um passado perfeito, muito menos um "mais que perfeito": todos eles são imperfeitos, em todos mudaríamos alguma coisa, de todos nos arrependemos.

significados de tamanho não é documento
Só um: desculpa. Talvez mais outros dois: consolo barato e auto-engano.


videos de homens q chupam o proprio penis

Procure pelo filme "O Anão Superdotado e Corcundinha", que fez um certo sucesso em 1988 com trilha sonora de Nelson Ned.

pensamentos eu te quero
Nada tão triste como um amor não correspondido. Você quer ter pensamentos, mas eles não querem você.


mulheres casadas com 40 anos apaixonadas por menino de 20 que fazer?

Comer os bichinhos. Se as coroas não comem os garotos, quem vai comer? Por isso, minha amiga, se jogue. Imagino que seu marido tenha lá seus 50 anos. Não funciona mais como funcionava antigamente -- isso se a senhora teve sorte e ele funcionou algum dia. Então, no seu caso o garoto de 20 anos vai representar um sopro de vida -- essa vida que é doce, mas é dura -- no seu cotidiano sexual. Talvez ele ainda precise ser burilado, mas do alto dos seus 40 anos a senhora deve ter aprendido alguma coisa e poderá guiar o garoto ingênuo e ansioso. Portanto, minha senhora apaixonada, deixe-se amar. Deixe-se levar pelo sentimento que lhe inunda o coração e lhe torna a vida rósea. E coma o rapaz com gosto, coma bem comido até perder o fôlego, até esfolar o moço, porque em 20 anos você vai ser só rugas e pelancas e aí o meninão vai lhe trocar por duas de 30.

fatos da historia capitoes da arei que comprovem o periodo moderno
É nisso que dá. O menino passa o dia ouvindo Linkin' Park e Slipknot, batendo punheta e tentando sem sucesso comer as amigas através do MSN. Aí, quando chega a hora da prova, passa uma vergonha dessas. Vai fazer algo de útil da sua vida, vagabundo.

simpatia para separar o namorado dos amigos
Aí está ela, em todo o seu esplendor. A louca. A mulher que elevou a insegurança e o ciúme ao nível máximo, que deixaria o namorado trancado em casa, se pudesse. A mulher insensata que destrói a vida do seu namorado sem saber que destrói também a sua. Ah, triste sina a do namorado dessa moça.

putaria com velho
A única putaria que se pode fazer com velho é tirar a roupa na frente dele e cantar: "A pipa do vovô não sobe mais..."

casais liberais e maridos que gostem de ver sua mulheres fudendo com outros machos gauchos
Casais liberais são fáceis de achar no Rio Grande do Sul. Difícil é achar um macho gaúcho.


anatomia da vagina da cachorra

Não basta ser zoófilo. Tem que se dedicar. É preciso saber onde se está entrando. O zoófilo consciente faz assim: estuda a vagina da cachorra porque não é só ele que deve ter prazer. Cachorras também gozam. E zoófilos legais gozam por último.

imagens gays dando o rabinho para gays
Taí. Eu nunca vi uma frase tão bonitinha, tão doce, tão pueril. Fofa, fofa. Eu só faço uma pergunta, que essa independe de orientação sexual: por que "rabinho"? O que você, meu caro, tem contra um rabão daqueles que param o trânsito? Alguns valores, eu não canso de repetir, não podem ser deixados de lado jamais.

porque a saliva é branca?
Porque ela não engoliu.

Rafael Galvão

11.7.07

Dar Tempo ao Tempo

Waldir Peres; Zé Maria, Orlando Fumaça, Rondinelli e Wladimir; Chicão, Caçapava, Biro-Biro e Batista; Nílton Batata e Serginho Chulapa.

Segundo o professor Dunga, esta é a seleção que teria vencido a Copa de 82.

Fantasma do Maracanã

6.7.07

Imperfeitas emoções, pensamentos idiotas e perguntas vãs

Como é que hoje em dia, neste admirável mundo novo em que até bebês tomam prozac, ritalin e outras drogas com prescrição médica, alguém ainda sabe se está deprimido e precisa encher o rabo de remédios ou se só está triste, com montes de razões palpáveis, de motivos bem fundamentados e perfeitamente saudáveis pra estar fodidamente triste?

Essa imbecilização absurda e crescente da população brasileira está tomando conta só das classes menos favorecidas ou é geral ? E se for geral, como parece, daqui a uns dez anos, quem vai tratar dos doentes, projetar estradas e pontes, controlar o tráfego, programar os computadores e dar manutenção nas máquinas?


cyn city

15.6.07

Você ainda vem aqui?

catarro verde

14.6.07

Marcha para Jesus

Tem um bando de gente desocupada fazendo uma mega algazarra aqui dentro da minha casa. Eles berram em alto-falantes, cantam hinos, gritam "Jesus, Jesus, Jesus" o tempo inteiro, buzinam e apitam. Tudo isso dentro da minha casa!
Tá, não é deeeentro da minha casa. É na esquina. Mas a gente mal sente a diferença. Juro.

Além dos desocupados na terra, temos os desocupados do ar: helicópteros que sobrevoam a minha casa bem baixinho com a desculpa de estarem acompanhando a falta do que fazer dessa gente toda. Não, não é UM helicóptero. São pelo menos três.

Obviamente, eu acordei com essa putaria dos infernos.

Agora, com tanta gente chamando, eu fico imaginando o humor de Jesus quando conseguirem acordá-lo.
Só espero que seja logo.
Ô bichinho pra dormir pesado...

CALABOCA que eu tô falando!

Eu estava aqui em casa, com uma crise no ar,
o outro lado da crise sentada no sofá e eu no computador.
Eis que toca o interfone. Eu atendo.
"Floricultura para a Srta!"
Fiquei puta. Então ele achava que era assim que se resolvia as coisas, depois de me encher o saco a semana inteira? Nem olhei pra ele ali no sofá e mandei:
"Ah, não quero"
Bati o interfone na cara do pobre entregador de flores.
Não disse mais nada. Achei que o moço sentado no sofá, que evidentemente tinha mandado as flores, tinha sacado. Mas ele não disse nada. Nem esboçou reação.
Aí eu falei, né.
"Porra, me mandando flores? Eu já disse que..."
"Que flores? Não mandei flores. Não mandei nada."

:|

Alguém me mandou flores.
E eu mandei as flores embora achando que vinham da pessoa errada.
E agora eu nunca vou saber quem foi.

Adiós Lounge

Pterodactylus Blues

Quanto mais eu olho em volta – e olha que eu evito ao máximo : nunca vejo TV aberta, não leio jornal nem revistas há mais de um mês, só leio blogs de gente que pensa e escreve mais ou menos igual a mim e só sei (pouco) do que acontece no mundo quando vejo, quase sempre sem querer, as inevitáveis chamadas na página de abertura do UOL – e percebo quais são os valores, comportamentos, interesses e “virtudes” valorizadas no mundo de hoje, seja em termos profissionais, morais, políticos ou o cazzo alato, sabe como eu me sinto ? Como uma excelente, talentosa, capacitada, bem-treinada, virtuose, insubstituível, inigualável e imbatível... fabricante de agulhas de gramofone.

cyn city

4.6.07

Na Paulista

Eu gosto tanto da avenida Paulista que, quando vou pra Consolação, chego a descer na Brigadeiro só pra poder andar a pé pela avenida e não perder nada do panorama. Vou como sempre, mão no bolso, periscópio ligado, absorvendo o espaço pelos olhos, nariz e ouvidos, sentindo perfumes nacionais e estrangeiros, observando as moças se equilibrarem nos saltos finos sobre as pedras irregulares do calçamento, parando nos camelôs e entristecendo-me por não usar relógio (cada Rolex lindo por 15 pratas!), por não gostar de música popular (dvds da banda Calypso por 7!), por não precisar de uma multi-lanterna-sirene-bússola-cantil (por 12!).
Por isso tudo, venho sorrindo — ou quase isso — e, ao chegar ao Masp, vejo pessoas de branco, dezenas, centenas de pessoas de branco como num congresso de pais-de-santo, mas de estetoscópios no pescoço — pescoçoscópios —, entristeço-me novamente ao perceber que haveria mais pretos se fosse mesmo um congresso de pais-de-santo, e vou olhando a meninada em baixo do Masp, ao lado do Masp, por cima do Masp (são mesmo muitos), e as faixas a oferecer saúde, previna-se, cuide dela, é uma campanha pela boa saúde promovida por uma universidade particular — e por isso há tão poucos pretos —, meça sua pressão gratuitamente, avalie seus níveis glicêmicos, mesmo que não saiba o que é isso, e a meninada de pescoçoscópio em punho — punhoscópio? — a pescar passantes, a laçar reses distraídas, a medir suas pressões, a assustá-los um pouquinho, e eu sorrio enquanto ensaio o não, obrigado, minha pressão é uma merda mesmo, e vou passando por dois, cinco, quinze moças e rapazes de branco, vinte, mas eles, trinta, ao contrário dos bêbados — que têm por mim uma atração quase mágica — ignoram-me, e cem pessoas de branco deixam-me passar sem moléstia, como se fosse invisível, como se não estivesse ali.
Das duas, uma: ou transpareço saúde, ou já estou visivelmente desenganado.

Branco Leone, um blog sem conteúdo

31.5.07

a day in the life

Este mundão é bem mais que um grande pão com manteiga, café e com leite.
E sete é um número pequeno para as maravilhas, não é não?

o som nosso de cada dia