15.9.04

Vultos

Tenho visto vultos ultimamente. Estou sentado na sala, vendo TV, e vejo uma forma vagamente humana aproximar-se pelo corredor, logo na fronteira do meu campo de visão. Viro-me para ver quem é, e não há ninguém. Estou sentado aqui no meu quarto, escrevendo alguma bobagem para deliciar meus leitores (Puxa, alguém mais idiota do que eu!, eles pensam) e mais sinto do que vejo uma figura infantil esgueirar-se pela porta na direção da minha cama. Olho e não há criança nenhuma (sorte minha, a última coisa de que preciso agora é de um processo por pedofilia).
Fosse outra pessoa, daria uns trocados para uma benzedeira, ou um dinheirinho pro padre da vizinhança benzer a casa. Ou então depositaria o dízimo no gazofilácio de alguma igreja neopentecostal, esperando em troca que o culto de descarrego surta seu efeito. Ou ainda: poderia levar uma galinha preta, umas velas e outras coisas assim para um pai-de-santo arriar um ebó que pacificaria os exus e pombas-giras que ora me atormentam.
Sendo eu, porém, um cético de pedra, vou acabar gastando dinheiro com oftalmologista ou, em último caso, psiquiatra.
Esse negócio de ceticismo sai muito mais caro...

Jesus, me chicoteia!

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