3.2.09

Adolescentes perigosos

Fui cortar os cabelos no sábado. Faz alguns anos que decidi frequentar salões melhores. Por algum motivo, quando mais nova, ia sempre a cebeleireiros de um porta, que cobram R$ 10. Saía com cortes medíocres e invejava desajeitadamente minhas colegas com cortes irregulares, desfiados e modernos. Eu realmente não percebia que o corte estava diretamente relacionado ao preço. Um cabeleireiro sabe fazer cortes bacanas se estudou - e estudou para ganhar melhor, então trabalha num salão mais caro.

Parece banal, mas eu não percebia. Sempre focalizada em economizar NO MOMENTO de pagar. Então, na hora, R$ 10 me parecia mais adequado que R$ 50. Simplesmente não parava a pensar que o custo deveria se diluir pelos meses que o corte durava. Se um corte dura quatro ou cinco meses, R$ 150 por ano é na verdade pouco para manter o cabelo bonito. Uma economia anual de R$ 120, nesse caso, não faz o menor sentido, porque é baseada na restrição do sentimento íntimo de estar bem tratada e bonita. Se os R$ 120 precisam REALMENTE ser economizados, melhor cortar cerveja em boteco, pizza, todas essas porcarias que a gente acaba engolindo pra "se divertir". Gastar o dinheiro no salão e depois, no boteco, pedir uma água mineral. Em vez de inebriada pelo álcool, passar a noite inebriada pela própria vaidade silenciosa.

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Talvez isso nada signifique para quem cresceu vaidosa e abstêmia. Para mim, é quase uma contravenção.

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Minha mãe era professora. Ela só cortava o cabelo nas férias, para evitar os comentários dos alunos. Que perigo existe em adolescentes sorrindo e perguntando "cortou o cabelo, professora?". Pra que tanto medo?

limas da pérsia