13.1.04

Quando eu era criança, morria de vergonha de ser chamada a atenção na frente dos outros. Quando algum professor da escola fazia isso, eu desviava o olhar e sempre fingia que estava vendo algo embaixo da minha carteira.
Até que um dia quando repeti o ritual não-sei-do-que-você-está-falando, e olhei sob a minha carteira, algum engraçadinho da sala comentou que eu sempre fazia isso.
Foi a última vez. Nunca mais olhei debaixo da carteira, de vergonha.

Blog de uma Cucaracha

11.1.04

o que não fica

Convencida: vivo uma infância emocional da qual não me liberto. Quanto querer para querer algum. E as permanências em mim ainda não ficam, tenho e quero tudo e nada ao mesmo tempo. E tão fácil me canso das permanências quanto da saudade do que parte. Sempre o etéreo me passeando pelas mãos, sublimando um sentir que não subsiste a um passo em falso. Ou a um passo demasiado certo. Tenho mãos que não se atam por muito tempo, escorregadias e fugazes. Tempo, um castigo ou uma benção? Ele sempre me escapa pelas mãos, como aquele olhar apaixonado que tanto cultivei e hoje deixo partir de mim, tristemente incapaz – sem querer ser – de manter seu murmúrio doce soprando futuros no meu ouvido.

Ponte sobre o caos

10.1.04

Estava esses dias lendo alguns arquivos do Vidas Breves e vi alguns Posts que eu escrevi chamados Momento Loser – ou Soy um perdedor, I´m a loser baby, so why don´t you kill me – que pra quem não sabe, é o refrão de uma música do Beck.

Enfim, era uma sessão onde eu escrevia casos de losers, fosse comigo ou com alguém que eu conhecia.

Percebi no entanto que esqueci de contar o caso mais loser de toda minha vida, que vou partilhar a partir de agora.

Emília era o apelido dado a um moça que fazia faculdade comigo e, embora estivesse um ano à frente, assistia algumas aulas com minha turma.

Morena, gostosa, cabelos crespos mas de um comprimento e um corte que fazia parecer que era um cabelo rastafari, tinha uma tatuagem de uma rosa na parte de cima do quadril (daquelas que ficam aparecendo quando se veste uma calça de cintura baixa – que ela sempre usava) e um sorriso bastante simpático.

Enfim, era uma moça com uma aura ao mesmo tempo misteriosa e pitoresca. Por se tratar de uma faculdade de engenharia, muitos comentários baixos forma feitos com relação a tatuagem dela e as situações onde ela seria melhor observada, que sempre envolviam pouca ou nenhuma roupa.

Curiosamente, apesar de todos os carinhas mais atirados e dados a xavecos, ela se aproximou de mim e passamos a conversar durante alguns intervalos de aulas e eu sempre ficava procurando aberturas nas conversas pra tentar fazer rolar alguma coisa mais.

--x--

Em uma das conversas, comentei que fazia parte de uma chapa concorrente à eleição da diretoria do Centro Acadêmico, daí prometi que daria a ela uma camiseta de nossa chapa para ela usar no dia da eleição e mostrar seu apoio à nossa chapa.

No dia que fui entregar a camiseta, fiquei esperando que ela saísse de sua aula, mas na hora que ela saiu, um colega da chapa passou por ela antes e entregou uma camiseta pra ela. Emília olhou pra ele, olhou pra mim e disse pra ele:
- Eu não quero essa camiseta, quero aquela! – apontando pra camiseta que eu trazia embalada.

--x--

Em outra ocasião, nos encontramos em um bar. Eu com a turma da minha sala e ela com uma turma dela.

A certa altura da noite, fui conversar com ela e acabei esquecendo da turma que tinha ido comigo. Quando olhei, as mulheres da minha sala estavam às costas da Emília fazendo macaquices. Nunca tive certeza se ela percebeu alguma coisa, mas pedi que me desse licença, fui até as mulheres da minha sala e demonstrei toda minha polidez – que também é marca registrada:

- Minhas queridas, qual é o vosso problema?
- Você vem com a gente pro barzinho e prefere conversar com a Emília.
- Deixa eu perguntar, então: Alguma de vocês vai dar pra mim?
- Não!!!
- Ela talvez dê. Já ganhou de vocês!

---x---

Daí chegamos à fase loser.

No final do ano ela veio me pedir ajuda com a calculadora HP48GX dela.
Abandonei a partida de truco e passei a ajudá-la, todos foram embora e ficamos somente nós no salão do CA.
Antes de terminarmos, a maior chuva do mundo desabou e quando estávamos indo embora ela abriu um guarda-chuva e me perguntou:
- Pra que lado está seu carro?
Eu respondi
- Ah, o meu está pro outro lado...
- Então acho que vou me molhar um pouquinho...
- Faz assim, vai comigo ate meu carro e eu te dou carona até o seu.
- Legal

Quando ela parou o carro do lado do meu, ainda estava chovendo forte, daí a conversa, que estava animada acabou. Eu não sabia o que falar, me senti num desenho animado, quando a lista amarela sobe pelas costas me transformando num gambá. Meu cérebro deu esvaziamento de pilha em E000324# e eu surtei:
- Bom, obrigado – beijinho no rosto – tchau!

E você acha que foi só isso? Depois tem mais.

Arkhan Asilum

9.1.04

A Vingança De Saruman

Nesta Natal eu ganhei um chaveiro com uma miniaturazinha do Saruman, já devidamente anexado às chaves do carro.

Ontem, na hora de abastecer o possante, a frentista do posto me olhou horrorizada, como se eu fosse um praticante do mais tenebroso ocultismo. Corajosa, ela ainda arriscou perguntar quem era o feio no chaveiro.

"Saruman", eu respondi enigmático, contendo a gargalhada malévola que deveria acompanhar a resposta.

E segui o meu caminho, pelo lado sombrio da estrada.

MegaZona

Eu não existo. Sou uma criação, algo em permanente mutação e sendo formada e reformada a todo tempo. Não sou séria nem risonha, triste ou feliz, simples ou complexa. Sou antes de tudo o tudo e o nada, um vazio pronto a se encher. Quem tiver conteúdo se esvazie em mim, e serei você. Me sobram personagens, me falta personalidade.

Sanatorium

Voltei de lá

Lá parece que não existe pressa, o tempo corre lento. Acordo com o canto dos galos nos quintais e a sinfonia dos pardais. Cavalos se misturam aos carros, a roça e a cidade confundidas. "Dia" quando é de dia, "tarde" quando é de tarde, e assim os cumprimentos se reduzem a toda e qualquer pessoa que passa na rua. A gente de lá parece mais educada. As cadeiras vão para as calçadas no cair da tarde, os mais velhos acendem um cigarro de palha, a brisa sopra morna e as cigarras iniciam um show bem alto. Se chover, pouco antes a garotada brinca de soltar tanajuras como se fossem pipas, e durante a chuva corre acompanhando o barquinho de papel solto na enxurrada. Apesar da mesmice, à noite a praça principal fica cheia, as pessoas conversando umas com as outras, namorando. O céu de lá tem mais estrelas, mesmo quando não está tão estrelado. Acabei de voltar de lá. Vi lagartixas, vagalumes, tanajuras. Ouvi cigarras, galos, sapos, o padeiro deixando o pão na varanda. Andei por ruas de pedra, deitei no banco da praça pra lembrar como são claras as estrelas, namorei à luz delas. Deixei de olhar pros lados ao atravessar as ruas, peguei carona na charrete do cumpadre que não é padrinho de ninguém lá em casa, comi goiaba no pé. Dormi e acordei com portões destrancados e janelas abertas. Toquei violão e fiz serenata. Lá é assim, sempre foi.

Sanatorium

8.1.04

"Se em 2003 até o Saddan Hussein saiu do buraco,
que em 2004 você também consiga!"

Pergunte para a Vaca!

Manchete da capa da Tribuna do Paraná de hoje:
"ACABOU A FESTA. VOLTA AO TRABALHO!"
Isso sim é jornalismo verdade.

mardito fiapo de manga

Olha a demonstração de ESPERANÇA no começo do ano.
Que coisa mais imbecil pra se desejar pro Ano Novo...
"Muita paz, saúde e ESPERANÇA" <- o voto paodrão de todo retardado.
Esperança? Uhm, não, obrigada. Prefiro REALIZAÇÃO. Ou, sei lá,
um reloginho despertador, um Tupperware, um dedal. :^P

Eu diria que...

Sou contra as medidas de reciprocidade adotadas na chegada dos norte-americanos ao Brasil: são muito suaves. Só fotografar e colher impressões digitais não basta. Falta deixar os gringos esperando na fila, debaixo de sol, chuva, arrogância e má vontade, pra receber visto nos consulados brasileiros. Reciprocidade não tem meio-termo. Ou é ou não é.

catarro verde

7.1.04

É impressão minha ou amansaram o chato das Casas Bahia?

O Monoglota

Qualquer relação puramente utilitária com a literatura pra mim é piada. Só porque você leu um livro não quer dizer que vai ter mais "cultura". Não vai ter "conteúdo" para conversas, meu deus. Eu leio com razoável regularidade e construir um diálogo com a maioria das pessoas continua sendo um intimidante desafio pra mim. Já era antes, vai continuar assim, indefinidamente. De modo que posso ler quanto quiser, decorar quantas passagens "interessantes" me couber na mente falha: vai continuar a mesma coisa. O máximo que pode ocorrer é o comum "Leu ***, do ***?", "Ô. Bem bom". O que já é demais.

Tombadilho

rebeldes sem calça

ai como são chatos os deprimidos-revoltados, meu deus...
acho que vou comprar um algodão-doce ali e já volto.

Joanina Rabugenta

O silêncio é uma arma tão poderosa que seu uso devia ser restringido.
No campo interpessoal é a arma de guerra mais eficiente.
Nada do que faz me machuca, apenas o silêncio. Nada mesmo.
Ignorar a presença, fingir não ouvir a fala.
Eu percebo ser invisível aos teus olhos.

Silenzio, no hay banda.

Por que eu escrevo aqui? porque tenho necessidade faminta de uma companhia como a daqueles amigos invisíveis que a gente tem quando é criança ou esquizofrênico, sabe como? não posso estar o tempo todo pentelhando pessoas, afinal.

Take Me Somewhere Nice

6.1.04

Vidaogame. Quanto mais fases, mais difícil o jogo fica. Mas isto não é um jogo. Isto é vida. Eu pensei que era forte, que tinha munição. Me enganei. Didn't see this one coming.

A vida é mais que uma xicara de chá.

Vocês sentiram a minha falta? Pois eu não sinto a menor falta de vocês.

Utopia Dilucular

Retrospectiva 2004

JANEIRO
: No litoral do RS, os salva-vidas reclamam das baixas diárias pagas. Ameaçam greve. A população fica nervosa. O governador Rigotto tem um ataque dos nelvos e precisa de outra aplicação de botox, urgente.
: Um tubarão é encontrado bebendo cerveja num quiosque na Praia de Canô, Alagoas. Populares dizem que, depois de pedir uma porção de mariscos, o barbatanudo fugiu sem pagar a conta.
: O inverno em Reikjavik atinge -85 graus Celsius e congela 120 mil islandeses. Um avião da Cruz Vermelha vira gelo em pleno ar, cai e espatifa. A OPEP não gosta e manda construir um muro à volta.
: Recomeça o Carnaval da Bahia. Parece que é o carnaval de 1976, que não acabou ainda.

FEVEREIRO
: Chegam nas telas brasileiras os candidatos ao Oscar. Tom Hanks faz outro papel de bonzinho sofredor que chega à vitória no final do filme. Robin Williams entra em depressão.
: Início do Carnaval, conforme calendário oficial. Alguma destaque siliconada faz escândalo no Sambódromo. As vinhetas da Globo causam paralisia mental em 18 crianças do Espírito Santo.
: Em Davos, milhares fazem protesto contra a globalização e botam fogo num bode. Vivo.
: Os veranistas de janeiro reclamam que o clima em fevereiro é melhor, todos os anos. Um metereologista é torturado na praia de Albatroz.
: As crianças nascidas no dia 29 estão amaldiçoadas para sempre.

MARÇO
: Carandiru não ganha o Oscar de melhor filme terceiromundista. A classe artística diz que "nem queria mesmo", mas José Wilker é flagrado chorando copiosamente.
: Palocci declara que a estagnação da economia no primeiro trimestre é fruto da temporada de verão e que as expectativas continuam excelentes para 2004, que na verdade começa em 2006.
: Saddam Hussein é visto fazendo compras em Paso de Los Libres. Os Estados Unidos acionam o alerta laranja e, por engano, um estagiário de chapéu de caubói chama o Jota Quest para tocar a musiquinha da Fanta no Salão Oval. Bush gosta.
: Os números sorteados na MegaSena do dia 26 são 05, 08, 12, 24, 27 e 40.

ABRIL
: O varejo supermercadista festeja as vendas recordes de chocolates para a Páscoa. A indústria farmacêutica e a classe médica também festejam o maior piriri de todos os tempos.
: Começa o Campeonato Brasileiro de futebol. Depois do Estatuto, que pede transparência, a Globo assume - só vai passar jogos de Corinthians e Flamengo. Eurico Miranda sobe nas tamancas, monta num porco e roda a baiana, que fica tonta.
: O loser do Guga perde na estréia do torneio da Pomerânia para um tenista curdo maneta.
: Tony Blair é visto com Boy George e George Michael num pub suspeito, o que causa queda na bolsa de valores da Tailândia e, por extensão, um quase-colapso da energia elétrica no Brasil. Blair se defende, dizendo que só queria um "pint", saco! Em seguida, muda o nome para George Blair.
: Em Tangamandápio, nasce o Anticristo.

MAIO
: A Sony e a Phillips, em consórcio, lançam o DVD que frita ovo e faz torrada. A JVC contra-ataca com um celular que contém vitamina B12 e evita o câncer de orelha.
: Trocentos milhares de noivas causam superlotação nas igrejas de todo o Brasil. As floriculturas e os advogados exultam.
: Bush manda explodir Tangamandápio. Funciona.
: O mês, ao contrário do esperado, dura 38 dias, aniquilando boa parte das classes mais baixas. O problema da fome é reduzido em 45%. Guido Mantega promete que "não faz mais isso", mas os analistas econômicos duvidam.
: Começa a programação 2004 da Globo, que anuncia um monte de filmes que só vão passar no Natal.

JUNHO
: Começam as Olimpíadas de Atenas. O Brasil fica em sexto lugar na classificação geral, com 39 medalhas. Os Estados Unidos vencem, com 1652 medalhas.
: Sherazanga Nganzade leva o primeiro ouro para o Chade (vulgo Tchad, vulgo Cha'ad), no Tiro com Zarabatana Dançando Ragatanga. O australiano Joe Joe Ribeiro, segundo lugar, não gosta e atinge Nganzala com sua zarabatana. Antes de ser capturado, Joe Joe abate 14 agentes federais, e ganha menção honrosa.
: O Carnaval na Bahia é interrompido para os festejos juninos. Pouca gente nota.
: Palocci declara que o declínio da economia no segundo trimestre é fruto das Olimpíadas e da ressaca do Carnaval e que as expectativas continuam boas para 2004, que na verdade começa em setembro de 2006.
: O Papa João Paulo II diz que o Tônico Sexual Tonoklen mudou sua vida. Ele e Pelé topam estrelar um novo comercial de Vitasay, filmado nas ruínas de Pompéia. Em Lisboa, algumas orquídeas começam a devorar pessoas, deixando o número 666 pintado na parede. Com sangue.

JULHO
: Neva na Serra Gaúcha. Pneumologistas exultam. Fabricantes de roupas pesadas compram mansões. Ovelhas migram para Manaus.
: A passagem de Netuno pela Casa XII forma uma quadratura com Saturno, trazendo a Peste Negra de volta. O movimento GLS acha "hor-ro-ro-so", "ca-fo-na" e "uma baba".
: O Brasil lança seu novo satélite. O "Tupi IV" dá quatro voltas em torno da terra e atinge em cheio o "Crusader LXXIII", dos Estados Unidos. Os satélites caem no Alabama. Bush declara "alerta vermêio" e manda explodir o Alabama. Quando se dá conta do que fez, culpa a ONU, o Eixo do Mal e o Imperador Ming.
: Bill Gates se candidata a prefeito de Gigabaite do Oeste, Mato Grosso do Sul.
: Sting, Elton John e Paul Simon lançam um disco de world music. A ONU intervém e Bush explode os três.

AGOSTO
: Começa a droga da propaganda política gratuita. A novela das 20h, que geralmente é dàs 20h45, passa a iniciar 21h15. Assistir o Jô fica impraticável. Doutor Vandir, do 408, é pressionado a fazer sexo com sua esposa, mas por sorte acha em VT um compacto do citadino de biribol de Birigüi, 1972.
: Elijah Wood, o ator que interpretou Frodo na trilogia do Senhor dos Anéis, diz que, na verdade, é um hobbit. Ninguém dá a mínima.
: Mike Tyson e O. J. Simpson estrelam "Double Fuça", thriller brasileiro de ação, rodado inteiramente no Deserto de Atacama. Beto Brant dirige - à distância, do tele-estúdio instalado em sua casa.
: Numa encruzilhada escura em Nova Armani, zona sul do Maranhão, dia 13, catorze cachorros castrados enfrentam três tigres tristes. A defesa civil intervém, abate tudo e doa para o Fome Zero.

SETEMBRO
: Chega a primavera. Um casal de esquilos transgênicos, foragidos do laboratório de biogenética da UFRGS, reproduz-se de maneira frenética. Multiplicam-se logaritmicamente. No dia 29, o Parque da Redenção, em Porto Alegre, desaparece.
: Stênio Garcia e Tarcísio Meira filmam Juba e Lula, Ho! 2 - A Missão.
: Nas comemorações de 7 de setembro, o presidente Lula peida no palanque. "Foi o companheiro cavalo", diz, gargalhando, à dona Marisa.
: A Pepsi lança seu novo refrigerante com sabor de Tâmaras Frescas no Deserto sob a Luz da Lua. Caetano e Gil acham "lindo" e Neguinho da Beija-Flor resolve escrever um samba-enredo para 2005, intitulado "Iluminou: A Sociedade Moderna e as Tâmaras Frescas no Sertão sob a Luz da Lua e o Rei do Baião na Passarela".

OUTUBRO
: O Brasil pára dia 3 - chegam as eleições. O carnaval é suspenso por 18 horas na Bahia. Dia 4, o Brasil continua. Igualzinho. Nada muda.
: Paulo Coelho lança As Rebarbas de Gaetano, suspense esotérico em que um padre tenta ardentemente reencontrar o amor de sua vida, mas não se dá conta de sair da sacristia. Fracassa fragorosamente.
: Mãe Dinah pressente sua própria morte, esmagada por uma bigorna. Mas não dá bola, por "não acreditar nessas charlatanices". Dois dias depois, morre engasgada com um torteii empanado.
: Daiane dos Santos realiza o "Duplo Twist Carpano Enfiado", e é expulsa da Federação Mundial de Ginástica.
: Durante um show em Helsinqui, os lábios de Mick Jagger caem.

NOVEMBRO
: Faz sucesso internacional as Xup Girls, grupo de axé que canta em inglês e rebola em português. "Come to Ae Ae Ie Ae", o primeiro álbum, vende mais de dezoito milhões de cópias no leste europeu. O single Come Here ("Come Aqui"), de Sullivan e Massadas, é a primeira música brasileira a tocar na Cerimônia do Chá da rainha Elizabeth.
: Jack deJeanenne torna-se o primeiro homem a beber um refrigerante de tâmara no espaço. Dezoito minutos depois, torna-se o primeiro homem a sofrer uma congestão num ambiente de gravidade zero.
: Começa a cagagésima temporada de Simpsons, com os novos personagens Terry, o Pescador Maneta, e Alyia, a Albina, namorada de Bart. Rufus, o Hamster de Plástico, faz uma aparição no episódio educativo "Bart e a higiene íntima".
: Morre, aos 89 anos de idade, Raimundo Nonato de Nonato y Noñato, considerado pela revista Science o "Pai do Rádio a Lenha".

DEZEMBRO
: O Natal cai num sábado, trazendo um nível de blasfêmia jamais visto no Ocidente.
: As vendas atingem volume recorde, notadamente pelas bonecas, cds, roupas, maquiagem, kit cantora, kit guaraná, kit lipoaspiração e kit quét das Xup Girls.
: O sensacionalista The Sun estampa na capa, em garrafais: Papai Noel torna-se avô solteiro.
: É finalmente revelado o terceiro segredo de Fátima: "manga com leite empedra". E, numa nota de rodapé, as ainda não compreendidas inscrições "Toniolo '92".
: Chega 2005. A Bahia comemora inaugurando o Reveillon de 1979. O mundo toma outro imenso porre coletivo.

. B e r e t e a n d o .

Eureca!

Descobriram outro dia que uma das responsáveis pelo fim dos casamentos é a indústria de alimentos. A tecnologia avançada já não permite mais a produção de vidros de maionese, azeitonas ou palmitos difíceis de abrir. Com isso, diminui em larga escala a função de um marido na vida da mulher!

Elas por Elas

É impressionante como eu sempre viro o centro de atenções dessa casa nas festas.
No Natal de 2002 meu pai passou todo o tempo rindo de mim só porque eu estava "namorando" um jovem de 52 anos com aparencia de 60.
Ele colocava uma almofadinha na bunda, por dentro da calça pra dizer que aquilo era uma fralda geriátrica e saia desfilando pela casa dizendo que meu namorado andava daquele jeito.
Qualquer um que chegava ele contava a história e todo mundo olhava assustado pra mim, perguntavam até se o cara era rico, porque não tinha outra explicação.
- Ah deixa ela dar o golpe do baú, dizia meu tio.

Esse ano apareceu aqui um lolito de 22 aninhos, e é claro que meu pai não poderia deixar pra trás, aliás ninguém deixou.
Minha tia o apelidou carinhosamente de Anemias Milton Zero, meu pai perguntava de 5 em 5 minutos - Cadê o Zero?
Na verdade ele queria mesmo era que o Zerinho saísse lá fora, pros amigos dele verem o novo assunto da família, dessa vez meu pai ficou espalhando que toda vez que olhava pro Zero ele estava digitando no meu braço, de tão viciado em computador que é. Agora você imagina a seguinte posição: Os braços encolhidos e os dedinhos pra baixo simulando digitação, imaginaram?
Pois então, era exatamente assim que todos faziam, encolhiam o braço, simulavam o teclado e perguntavam : - Cadê o Zero?
Até os amigos dele, eu passo pelo bar onde trabalham e do outro lado da rua estão todos no balcão com o braço encolhido, digitando e olhando pra minha cara.
Meu pai é tão repetitivo, tão persuasivo que ele consegue embutir isso definitivamente na cabeça de qualquer um.
Quando saímos pra tomar sorvete, junto com meus primos, tivemos a infelicidade de estacionar na frente da loja de uma outra tia minha, acreditem se quiser, mas a loja toda saiu pra fora pra ver o Zerinho e quando cheguei em casa o telefone tocou, era minha tia perguntando quem era o menininho na sorveteria conosco.
O que a minha avó falou do menino já é um capítulo a parte já que vocês sabem que ela não deixa nada barato.
Tadinho do Zero, nem sei se ele vai querer voltar mais aqui em casa, tem que ser muito corajoso pra enfrentar essa gente toda e ainda sair sorrindo.

Casos e Acasos Virtuais