17.9.04

Manuscritos de Omar, o Morto

GÓLGOTA BLUES

(Testado e aprovado pelo scholar Marco Aurélio)

1 Então o nazareno, tendo subido ao Gólgota, deixou cair ali o pesado madeiro. 2 E eis que em seguida pôs a mão no ombro do centurião romano, assim dizendo: "Encomenda entregue. A paz esteja convosco." 3 E após estas palavras o nazareno atravessou a multidão, ante seus atônitos discípulos, aos quais murmurou, em voz baixa: "Simulai naturalidade, bando de incréus." 4 Ora, o centurião romano pegou o nazareno pelas vestes e o arrastou de volta ao madeiro. 5 E o nazareno bradava, enquanto era arrastado: "Não se faz mister assinar nota fiscal, é entrega sem ônus tributário!" 6 E enquanto era deitado no madeiro, o nazareno bradou aos céus: "Devo ter jogado pedra na cruz!" 7 E quando o verdugo foi fincar os pregos o nazareno manteve as mãos fechadas, murmurando: "Estou convosco e não abro!" 8 E, tendo erguido o madeiro, o centurião ofereceu ao nazareno um cálice com mirra, para mitigar a dor. 9 O nazareno provou, cuspiu e clamou: "Devo ter bebido vinagre no cálice sagrado!" 10 E na hora sexta o nazareno olhou os céus e lamuriou-se: "Por que me desamparaste?" 11 E nisso uma voz vinda dos céus falou como dez mil trovões: "Tens trinta e três anos e até hoje moras com tua mãe - ainda querias que eu não te cortasse a mesada?" 12 Porém a mesma voz dos céus, após uma breve pausa, prosseguiu: "Um momento - não és Yeshua, o carpinteiro?" 13 E o nazareno, exangue, respondeu: "Não, sou Yehuda, o coletor de impostos." 14 A voz nos céus assim então bradou: "Pelas doze tribos de Israel! Confundi ano sabático com ano fiscal! Perdoai, eu não soube o que fiz." 15 E a terra tremeu.

na Bíblia do Ao Mirante, Nelson!

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