30.12.08

PROGRAMA ZEN

Conhecemo-nos numa aula de yôga. Vi logo que ele era peculiar, mesmo antes de saber que se tinha especializado em feng shui. Fomos jantar sushi e, durante o jantar, ele fez-me um origami com o guardanapo. Já em casa praticámos reiki e fizemos sexo tântrico.

insónia

você é um personagem que não existe fora das palavras. você é inventado com a força e a complexidade de um ser humano, real para mim, mas não passa de papel. você é só papel.

aymberê

Primeira chupada

Minha mãe viajou pra um congresso na Bahia e eu tinha a casa livre por três dias. Eu já tô acostumado a ficar sozinho em casa, mas como todo bom nerd, sempre fico assistindo algum filme que eu baixei no emule ou jogando emulador de snes, mas dessa vez eu queria tentar alguma coisa com uma garota que eu já tinha ficado antes, o nome eu vou omitir por motivos óbvios... Vou me limitar a dizer que ela é baixinha, usa óculos, peitão e cabelo curto.

Liguei pra casa dela e ela estava assistindo televisão, perguntei se podia vir na minha casa me ajudar com física (foi a única coisa que consegui pensar na hora), pensei que ela iria negar, mas acabou aceitando! Disse que não tinha nada pra fazer de tarde, mas achou estranho, ela nunca foi uma aluna exemplar na matéria, mas sempre teve uma fama de CDF, sempre estava carregada de livros fora do currículo escolar e usa óculos. Isso pra maioria dos estudantes faz com que a pessoa seja inteligente, mesmo escrevendo INTELIJENTE em uma redação.

Tinha pouco tempo, então vesti alguma coisa mais decente (quando eu fico sozinho em casa, as roupas se limitam a uma cueca ou bermuda velha) e fui comprar todo o dinheiro que minha mãe tinha deixado em cerveja. Também comprei um champanhe, mulher gosta dessas coisas, pensei na hora.

Quando ela chegou, foi logo perguntando se era boa tomarmos álcool antes de estudar, lembrando do Chico Sciense, eu respondi: "Uma cerveja antes do almoço...", eu sei, eu sei, é DEPOIS do almoço, mas eu não ia perder a oportunidade de tentar ser engraçado pelo menos uma vez na vida com essa garota, poderia ser minha única oportunidade. E eu já tinha bebido uma porrada de latinhas, já não estava no meu perfeito raciocinio.

Depois de meia hora bebendo, fomos direto pro sofá e comecou a pegação, ela era bem novinha na época, então não tentei nada de muito ousado, só pegando no peito dela (ohhh, quanto tempo esperei pra sentir aquelas bolas de carne, como diria Frank Zappa) e os triviais beijos na boca.

Depois de uns 10 minutos assim, percebi que a garota estava pronta pra "algo mais", botei meu pau duro pra fora e pedi pra ela comecar a chupar, ela olhou com uma cara estranha, pronto, comecei a pensar, parabéns, vai ficar batendo punheta o resto do final-de-semana. Mas depois de pensar um pouco, ela comecou a chupar, ohhh, e acho que não era a primeira vez dela, ela chupava muito bem, tanto que eu ficava empurrando a cabeça dela as vezes, acho que ela se incomodou um pouco com isso, então relaxei e deixei terminar, como já estava um pouco bebado não lembrei de avisar pra ela quando já estava quase gozando e... sim, gozei na boca dela. Ela fez uma cara engraçada, cuspiu no chão e comecou a rir, ri aliviado também, pra muitas mulheres isso seria um ultraje, mas ela levou numa boa.

Depois comecamos a beber denovo e conversar, depois de um tempo fiquei curioso e perguntei que gosto tinha... vocês sabem... o gozo! Ela disse que tinha gosto de lágrima (WTF?) e que grudava no céu da boca. Depois ela perguntou se tinha alguma coisa pra comer e eu disse que só tinha lembrando da bebida, ela riu e foi na cozinha pegar mais cerveja.

Na volta ela disse que estava sentindo umas coceiras e pediu pra eu dar uns beijinhos na buceta dela (que meigo). Tá, eu disse, mas só depois que você me chupar de novo. Ela concordou e comecou a chupar, mas por algum motivo que eu nunca vou entender, o alcool já tinha feito muito efeito e eu dormi antes do segundo ato.

Ela deve ter ficado meio frustrada, quando acordei todas as garrafas da geladeira estavam no chão e nem sinal da garota. Passei o resto do final de semana conversando no msn, jogando Super Mario e limpando a bagunça. Quando minha mãe chegou e perguntou oque eu tinha feito todo o final de semana, só respondi: Computador.

Encontrei com ela no colégio, fui me aproximando e ela virou a cara. Nunca mais nos falamos. Sempre teremos Paris.

disque P para Paris

Na rodoviária

Toda uma confusão de filas. "Quero ir pra Campinas! e não tem passagem!", escuto de soslaio. E prà praia? Quem quer ir? Mil mãos candidatas a levantarem-se. Para ir até a minha cidadezinha e deixar a megalópole onde me fiz a vida miserável, preciso de dois ônibus, porque não há ônibus direto. Levo a mala, mais a valise de mão: toda palavras-cruzadas, livros, poesias, cadernos de escritas. Meu pé! Mas que conho! Por que não olha por onde anda? Por que a gente tem de ir ver a família obrigatoriamente nessas épocas nefastas de fim de ano? "E pra Bertioga, tem?"; terei de ficar-me estacada quatro ou seis horas esperando o ônibus. Depois, mais umas esperando o ônibus para a minha cidade. Bom ano-novo, senhora. Puxo meu dominox e a caneta.

sete linhas

Manera que tudo e' manero

Um papa obcecado pela ordem astronomica e temporal, um tal Gregorio 13, medieval feito um iron maiden, achou de bom tom puxar uns dias aqui, interromper outros tantos ali, acrescentar algumar horas, dar vazao aos bissextos, mexer no calendario juliano que estava todo errado e tambem para solucionar certas colheitas que ja estavam quase acontecendo no inverno.
Quase nao pega feito algumas leis no Brasil. Na Suecia deu tanto rolo que quase inventam um 30 de fevereiro.
Por isso, aproveitem bem enquanto o ano-novo comeca no dia 1 de janeiro. Pode vir um papa doidao e dizer que Gregorio estava errado, que o ano tem 730 dias e que tudo comeca em 1 de novembro, na ressaca de um halloween de arrepiar.
Ou pode vir outro e dizer que nao existe o conceito de ano, mes, semana, dia, hora, minuto, segundo, formula um, cem metros rasos. Nada. O que existe e' um continuum temporal e isso e' deus e ponto final. Ou eternas reticencias pai filho patati-patata amem.
Ja que instalou-se uma crise mundial a partir da nova ordem mundial de Bush Pai, vem um papa bem purpurina e diz que todo ano tem 24 horas, todo dia e' reveillon e vai comecar a farra.
Tem esse japones que escreveu 2009 karako e kanjis. Quem souber o que significam, me diz.
Na verdade, essa foto e' de 2006, so inverti o ultimo algarismo pra ilustrar o texto.
Fake, happy new year e' fake, marketing pessoal feito acreditar em roupa branca, sete pulinhos, sopa de lentilha, sete bolinhas de nhoque, folha de louro na carteira ou porres homericos.
Ou barquinho de Iemanja sujando a praia.
Quer fuder com a agua? Faz oferenda na pia do banheiro e escova os dentes com a porcariada misturada, macumbeiro exibido.

estrovenga

Às vezes acontece da gente chamar "amor" ao que é uma espécie de comédia de erros. Quando a paixão brota de desentendimentos e erros de interpretações. Não é que não seja de verdade: é só que o interesse no outro surge daquilo que a gente imagina, fantasia ou simplesmente torce para ser verdade.

Mas também às vezes, embora mais raramente, a gente chama "amor" ao que é encontro, reconhecimento imediato e acerto.

Noturnos Imperfeitos

27.12.08

O Senhor Comentador sabe ler o discurso do Papa nas entrelinhas

O Papa Bento XVI no seu discurso de balanço à Cúria apelou a uma ecologia do homem. O contexto é o seguinte: a homossexualidade e a transexualidade são uma destruição da obra de Deus. Neste caso, a obra de Deus é o homem heterossexual. Para as pessoas liberais nos costumes, esta afirmação é mais uma declaração homofóbica da Igreja Católica. Para os conservadores, que concordam no conteúdo, podem achar o termo “ecológico” já de si um bocado bicha. Ainda mais quando O Papa mencionou que protegemos as florestas tropicais e não protegemos o homem. O homem heterossexual, claro. Se o Papa o tivesse comparado com a eminente extinção do lobo ibérico ou do urso polar, teria reunido mais consenso. Floresta tropical é uma coisa demasiado rebuscada, um pouco como essas festas temáticas que são sempre um bocado gay. Mas eu percebo onde quer chegar. Ao contrário dos seus colegas islâmicos, o Papa não está a apregoar o enforcamento dos homos e afins nem nada que se pareça. O Papa está, no meu entender, apenas preocupado com a possível extinção dos heteros. Por outras palavras, está a dizer-nos que já passou o tempo em que as mulheres deviam ser tratadas como flores de estufa. Segundo Bento XVI, chegou o momento de declarar os homens que gostam de mulheres como património sexual da humanidade. Faz sentido porque alguém tem de reproduzir. Desta vez não são os homossexuais que devem ser separados da sociedade: são os heteros que devem ter um território inacessível à mão do homem. Neste caso, literalmente. Outro pormenor. que não é um pormenor, foi que o Papa não mencionou as lésbicas nem as transexuais mulheres, e não por serem poucas. Eu interpreto isto como um prelúdio de abertura dentro da Igreja. Um acto de fé que nos diz no subtexto, que no fundo elas podem sempre voltar ao caminho certo. Acho animador e muito simpático da parte do Papa. Um apelo cheio de esperança, muito apropriado nesta quadra. Faço minhas as suas palavras, e desejo a todos um grande e ecológico Natal.

o senhor comentador

O MELHOR BLOGUE DO ANO

Foi o meu. A dona do Rosa Cueca ficou grávida, engordou 15 quilos e viu crescer varizes e um cu superlativo. Pariu a criatura mais assombrosa do planeta Terra, emagreceu em tempo recorde, sacou o puto a Chueca em quanto coube nos jeans mais cool do armário e já está pronta para outra. E sem perder a graça, sem deixar de postar e de estar atenta ao mundo e aos seus encantos. Não é falta de modéstia, é que bloggers como eu já somos uma rareza. E isso tem prémio.

rititi

um dia de fúria

Eu me considero uma motorista muito civilizada. Não buzino, dou a precedência sem rancor, sempre ligo a seta antes de virar, de sair de uma vaga ou numa rotatória, paro na faixa de pedestres pro povo atravessar, não supero o limite de velocidade, não estaciono onde não devo. Não incomodo, enfim. Mas tem o seguinte: quando eu sei que estou com a razão, eu peito. Não me interessa se quem tá errado é um caminhão jamanta gigante (a única exceção são caminhões que transportam animais vivos, esses eu não peito por motivos óbvios): se o cara tá errado, eu encaro. Quer furar fila? Na minha frente não passa DE JEITO NENHUM. A única vez que me pegaram, digamos assim, foi um dia em que um idiota me pegou distraída e me ultrapassou na rampa de saída pra Foligno, já na parte zebrada, muuuitos metros depois do fim da faixa tracejada que dava direito à ultrapassagem, e obviamente me deu um susto danado. Jurei que nunca mais aconteceria, e desde então fico ligadona toda vez que pego uma saída da estrada. Se vejo alguém vindo desembestado pela minha esquerda com pinta de quem quer me ultrapassar na rampa, jogo o carro pra esquerda coladinho na faixa. Meu sonho é um dia empurrar um filho da puta desses pra esquerda até ele bater com a fuça no guardrail a 120 km/h. Se depender dos motoristas italianos, um dia vou conseguir.

Mas então. Isso dito, estava eu hoje saindo do estacionamento do Ipercoop muito placidamente, sem pressa nenhuma. Desde que ampliaram o estacionamento, parece que nem eles conseguem dar jeito no labirinto que aquilo ficou, e toda vez que vou lá mudaram alguma coisa na conformação das saídas. Hoje, por exemplo, a saída do estacionamento coincidia com a fila de entrada no posto de gasolina, que vende combustível com desconto pra quem tem a carteirinha do supermercado. Então tá, né, não tem jeito, vamos encarar a fila. Parei no sinal de Stop e liguei a seta, pedindo que alguém deixasse eu passar. Só que no carro que poderia ter dado permissão pra eu passar, que não estava na minha frente mas bem pra minha direita, o motorista estava ocupado contando dinheiro, com direito a lambida no polegar e tudo. Atrás dele, uma fila gigantesca de motoristas putos da vida, já todos com as mãozinhas fazendo o gesto italiano de “ma che cazzo succede?”, internacionalmente traduzido como “wtf?”. E aí eu, apertadíssima pra fazer xixi, fiz uma coisa antipática, mas não necessariamente errada: fui e passei. Veja bem, não atrapalhei ninguém, não furei a fila, não dei fechada em ninguém. Simplesmente considerei a distração do cara como permissão pra passar, que mais cedo ou mais tarde ele ou alguém teria me dado mesmo. Passei e o cara nem percebeu, tanto que as buzinas começaram a tocar só um momento depois e o cara ainda demorou um pouco pra chegar na bunda do meu carro. Pelo retrovisor vi que ele tava putinho, gesticulando feito um doido. Juntei as mãozinhas e inclinei a cabeça, indicando que só passei porque ele tava dormindo no volante feito um dois de paus. Caraca, o homem virou bicho! Quando vi que ele tava soltando o cinto de segurança corri pra fechar o pino da porta. Bem na hora, porque ele veio até o meu carro e tentou abrir! Eu olhando muito pacatamente pra cara dele, e ele gesticulando feito um maluco: “eu tava dormindo, é? Agora quem espera na fila tá dormindo, é?”. E eu imitando o que ele estava fazendo, fingindo que contava dinheiro. O cara ficou lá agitando os braços e eu: “vai me bater? Vai me bater?”. Até que ele cansou e voltou pro carro, e lá ficamos nós parados na fila, eu ouvindo minha musiquinha e ele fazendo gestos de “Mas veja só, macacos me mordam”.

Na próxima vez juro que eu desço do carro correndo antes do cretino e me coloco em posição de combate de caratê (na verdade vai ser uma pose da Chalene mas ninguém precisa saber disso) no meio da rua. Com a raiva que eu fico quando essas coisas acontecem, claramente visível na minha cara, du-vi-do que alguém tenha coragem de me encarar.


will read for food

26.12.08

Jesus Don’t Want me for a Sunbeam

Tem um monte de banda que eu gosto de ouvir: The Who, Wilco, Weezer, White Stripes, Whiskeytown, só pra ficar nas com W.

Mas a verdade é que quando eu escuto qualquer outra música, é como se só estivesse fazendo hora pra ouvir mais umas dos Beatles.

Beatles, sim, é a melhor banda que já existiu. E eu seria capaz de apostar meus pulmões que nunca vai aparecer nada melhor. Só não o faço porque já os coloquei em uma aposta a respeito de uma queda-de-braço entre o Henri Matisse e Mark Twain.

Digo isso porque, como não está dando praia aqui no Rio, andei revendo uns pedaços do Beatles Anthology - que ganhei há muitos e muitos anos de pessoa mui querida e de quem nunca mais tive notícias.

Acontece que, revendo um dos capítulos, mudei o objetivo da minha carreira solo. Agora eu não quero mais ir ao Pitchfork Festival. Não. Minha meta agora é fazer uma turnê nas Filipinas.

Se eu for bem recebido no país que praticamente expulsou os Beatles a tapas, poderei dizer - pelo menos por lá - que sou mais popular que Jesus e os Beatles, todos juntos.

Que aliás, seria uma banda espetacular: “Beatles feat. Jesus”, como se diz. Possivelmente, Jesus saberia conduzir o público tão bem quanto o Paul e teria um espírito tão revolucionário quanto o do John. Acredito, de verdade, que o talento dos quatro rapazes de Liverpool somado ao do homem de Nazaré poderia mudar o mundo mais uma vez. Como eles já fizeram antes, cada um em sua época.

De qualquer modo, dizer que sou mais popular que Jesus seria uma boa estratégia para vender discos. Poderia eu mesmo promover uma grande fogueira de discos meus durante um show no Maracanã.

Só que eu prefiro não me envolver em polêmica com religião e tenho medo de ser interpretado de forma errada. Caso eu afirmasse ser mais popular que qualquer ídolo religioso, posso garantir que seria apenas para aumentar as vendas, jamais para ofender alguém. Muito menos nesse período de Natal, de forma alguma.

Então, em vez de dizer que sou mais popular que Jesus, aqui vai a minha declaração. Anotem, por favor:

“Eu sou mais popular que o Romário.”

Pronto. Agora é só esperar as ligações querendo marcar shows ou apedrejamentos.

daniellrezende

programa de culinária e o fim do mundo

o mundo anda invadido pela mania de cozinhar, como se fosse uma atividade misteriosa, cheia de segredos e truques - ir pra cozinha virou hype! descascar, picar, refogar, assar e fritar pra alimentar a família agora é moda.

cursos de gastronomia pipocam pelo país (pelo mundo, talvez) a preço de ouro e são lotados por patricinhas e mauricinhos que querem ser chefs. a atividade mais básica e rudimentar realizada por qualquer ser da nossa espécie virou, vejam vocês, um luxo.

(para informação geral, não acredito em culinária como forma de arte. não acredito também em neutrinos)

não sei se rio ou choro enquanto acompanho os desdobramentos do culto à culinária: milhares de pessoas investindo rios de dinheiro em cursos de gastronomia para se tornarem chefs (tem trabalho pra tanto chef?) ou em cozinhas milabolantemente complexas e cheias de utensílios lindos que elas jamais usarão. centenas de livros de culinária são publicados todo mês, ensinando receitas que levam coisas como asa de morcego albino da tailândia. homens constroem cozinhas gourmet (ahn?) separadas das cozinhas das esposas, porque afinal o que eles fazem é arte, o que elas fazem é só... comida.

mas a pior parte dessa alucinação coletiva são os programas de culinária na TV: vocês já viram um programa do jamie oliver que se passa num palco de teatro e é filmado? pode ser só preconceito meu, agradeço esclarecimentos, mas qual é o sentido de ir a um teatro e ver um cara fazendo comida em cima de um palco? não dá pra ver a panela e muito menos a comida e é impossível acompanhar a execução, porque ele sempre parece que cheirou 1 quilo de pó...

sem querer vi essa semana (na GNT, é claro) o exemplo mais patético dessa onda de programas de receita: um negão tipo rapper cujo vocabulário é pontuado por "YOs" e que tem um caso sério de TOC. o cara lava a mão 234 vezes durante o programa (que dura 30min) e repete incessantemente que você deve lavar as mãos. ele é americano, claro.

o episódio em questão foi sobre preparação de frango, e a idéia é ser simples e "sem frescura" (muito embora ele use echalotas). o cara começa o programa pegando um frango limpo inteiro (sem cabeça, pés ou entranhas), colocando na tábua e dizendo: "você provavelmente nunca viu um frango inteiro, então dê uma boa olhada que eu vou ensinar a cortar o frango em pedaços!".

meu mundo caiu. como assim, nunca viu um frango inteiro?

ele ensinou 3 formas de preparar o frango, mas prestei pouca atenção, tamanho era meu choque com a revelação: há pessoas que nunca viram um frango inteiro nem no supermercado. já me espanta ter gente por aí que nunca viu uma vaca viva ou um frango ciscando, nunca comeu fruta do pé e não sabe diferenciar escarola de alface. mas nunca ter visto o bicho morto e limpo no mercado? surtei.

(não vou contar a receita, mas a versão light do frango era filé empanado com molho de creme de leite e manteiga, com macarrão. juro por tudo que é mais sagrado)

complementando o quadro mundial de fixação por comida, intercalandos com os blocos de programas de receitas temos os programas de desordem alimentar - obesos mórbidos encontram anoréxicos e malucos que comem somente queijo e nada mais. a comida e o comer se transformaram em circo, meu deus do céu!

**

depois de passado o susto, pensei melhor e acho que a maior parte do mundo não deve estar tão mal assim. até por necessidade, milhões de pessoas dão à cozinha e ao cozinhar o peso e o valor adequado. a realidade não é estados unidos, londres, jardins e leblon, graças a deus. maldita TV, que transforma modinhas de minorias em verdade.

não vou deixar de ver TV, que isso é muito anos 70 pra minha cabeça, mas definitivamente vou evitar certos programas quando encarar a telinha. muito mais discovery e menos GNT. credo

zel

A Zeladora

Um mp3 no bolso do uniforme. Só um dos fones no ouvido. Luva na mão. Abre lixeira. Esvazia lixeira. Fecha lixeira. Pega bandejas. Limpa bandejas. Separa bandejas. Azul, Burger King. Verde, Mc Donald’s. Cinza, Girafas. Detestava copos descartáveis. Olha a colega de uniforme e sorri. Troca música. Apalpa seio. Aperta mamilo. Segue para o vestiário. Tira o lixo das lixeiras do carrinho. Guarda o carrinho. Tira a luva. A colega aparece. Tiram o uniforme. Olham o relógio. Têm dezoito minutos. Apalpa o seio. Dela. Morde os mamilos. Dela. Troca música. Separa cada parte. Sua. Junto com cada parte. Dela. Senta a colega no carrinho. Desliga a música. Tira as pilhas do mp3. Restam cinco minutos. Será que as pilhas vão agüentar?

7 linhas

o que é moralismo, versão brasileira:

uma estudante de direito de 20 anos guardou dinheiro pra ir pra um cruzeiro com os amigos. num imprevisto horrível, ela teve um piripaque e morreu no navio. é triste, é raro, mas acontece. quem tá vivo tá sujeito. Em todas as vezes que eu vi notícias sobre isso, especulações de mau tom eram feitas: oh, ela estava bebendo muito, ela havia consumido drogas (oooh, as drogas!) etc e tal. se consumir drogas matasse assim, traficante não tinha renda. que absurdo falar que morreu porque bebeu muito - quantas pessoas já não beberam muito? e nem por isso morreram. A menina morreu e as pessoas têm que achar uma justificativa moral pra morte dela, como se a morte de um jovem fosse necessariamente um castigo divino, como ela devesse ter feito algo de errado pra morrer. jovens também morrem, pra morrer basta estar vivo, o mundo nem sempre é justo. mas a morte dessa moça no navio ficou sendo ocasião para uma cruzada contra "os excessos" dos jovens. isso a ponto de o advogado da família sair a público pra dizer que a garota era meiga, culta, estudiosa, trabalhava, não tinha vícios. A moça morreu! ninguém precisa defendê-la. Quem não passou por isso nem imagina a dor que é pra família dela a sua morte repentina, e não ajuda a imprensa ficar divulgando especulações cretinas baseadas em nada. nunca que beber muito - ou festejar muito, se divertir muito, dormir pouco ou até se drogar - pode justificar uma morte.

moralismo é imbecil porque parte de uma áurea de mistério em torno das coisas. além de ser crueldade, é ignorância; como se as pessoas não bebessem, não trepassem. um tempo atrás foi divulgado o vídeo de uma menina chupando um cara numa festa de faculdade e alguns alunos fizeram o maior estardalhaço disso. acerca de um boquete! todo o mundo na vida faz e/ou recebe boquete, até o maior perdedor como os tontos que acham que isso é um absurdo. era uma festa, estranho era ter uma câmera filmando o quarto onde eles estavam.

moralismo e preconceito se fiam num mecanismo semelhante. quando meu amigo se mudou pra capital, a tia dele o alertou: cuidado com quem você vai conversar, porque a pessoa pode ser um maconheiro, e ter um bafo de maconha, que quando vai falar com você te nocauteia, aí você cai desmaiado e a pessoa te rouba todos os pertences; e também não deixe a janela do seu quarto aberta, porque podem usar o cheiro da maconha pra te desacordar e te roubar. Mal sabia a tia que o pródigo sobrinho, tão estudioso e competente, vivia ele mesmo fumando maconha.

é bom pra quem gosta

25.12.08

TRADUZIR

Fins-de-semana, feriados e férias são péssimos em termos de blogaria. A coisa parece um funeral, tal é o tédio e a inacção. Haverá explicações para o fenómeno, cada uma delas com repercussões de vária ordem no estado actual do país.
A) A rapaziada prefere blogar em consonância com o horário de trabalho, nos chamados dias úteis – inúteis são eles todos -, certamente nas pausas e nas folgas;
B) A rapaziada encara a blogaria como um trabalho, podendo em alguns casos esse mesmo trabalho ser um ganha-pão ou, pelo menos, uma Bimby para outros cozinhados;
C) A blogaria é dominada por grupos de desempregados, precários, reformados, estudantes e gente com grandes empregos (aqueles cuja flexibilidade horária lhes permite olhar o pôr-do-sol às oito da manhã e sentir a aurora pelas vinte).

insónia

futebol

Se a vida for realmente um jogo de futebol, faz tempo que não faço um gol, mas meu time está ganhando.

smb

"meu pai falou q se eu passar no vestiba me da um nitendo Wii então eu quero passar Ò.ó"

essa geração de hoje (L)

estica & puxa

Sábado, na hora do almoço, todo mundo meio alvoroçado com alguns pequenos detalhes da festinha do Duda (lembrei dos preparativos que sempre rolavam pras festinha de aniversário da minha prima Mariana), chega na mesa o Lucas, filho da empregada da casa, que adora o meu filho mais do que muito parente "de sangue". O Lucas fica por ali, brinca, corre pra lá e pra cá com seu jeito e sorriso do Robinho, até que eu ouço:

- Lá em Goiás a gente aproveita melhor essa mão de obra incipiente...

Pronto, agora eu tenho certeza que o meu pai está por perto, el biejo canalla está de volta e recuperando a sua melhor forma!




Esse lance da passagem de tempo é muito engraçado... o trágico e tenebroso NATAL DE 87 já vai pra mais de 21 anos... e o último natal que eu passei com o coroa foi justamente há 10 anos. Mas algumas coisas nunca mudam, como meu pai ter visto gente saindo daqui o dia inteiro pra comprar coisas e só AGORA dizer que precisa comprar cigarro. Não tem nenhum lugar aqui por perto, e meu pai é alguém que ainda se recupera de uma fratura no fêmur, usa bengala e se locomove com dificuldade. Houve um tempo em que o meu maior sonho era mandar meu pai ir tomar bem no meio do olho do cu quando ele me MANDASSE comprar cigarro, e houve um tempo em que eu exerci com toda a veemência e contundência que me caracteriza, essa prerrogativa - aliás, lembro bem do primeiro dia, na casa da minha vó, quando ele veio me entregar o dinheiro pra eu ir comprar cigarro pra ele e o mandei se foder, em alto e bom som, dando risada -, mas hoje, quando ele pergunta sobre um lugar onde ele pode ir comprar cigarro, sei que não tenho outra alternativa a não ser procurar um lugar que ainda não fechou pra comprar essa merda.

Porque eu sabia, desde o começo, que teria que buscar em algum lugar dentro de mim uma LONGANIMIDADE que nunca tive.

febre alta

a erva que eu gosto

hoje fui comprar erva mate no armazém do senhor iraquiano. ele empilha os pacotes de cruz de malta entre caixas de chá árabes e hindus. me faz sentir exótica. a primeira vez que vi erva para vender em delft, a primeira e única vez, quase não pude acreditar na minha sorte. já havia procurado na internet, mas só encontrei uns fóruns de argentinos recém chegados à holanda, desesperados, subindo pelas paredes. e nada para aliviar el dolor.

entrei no armazém e fui direto à erva. o pacote que tinha em casa já estava por terminar. o dono me perguntou, surpreso: "do you drink that??". os pacotes são de 250 gramas, mas como a minha cuia é pequena...

a cruz de malta chega aqui via beirute.

doce de leite dá pra encontrar no supermercado, se chama "mijn oma" (minha avó) e a receita é argentina. hmmm! que rico. eu fui criada a conaprole, mas recentemente tive que dar o braço a torcer para os argentinos poncho negro e, claro, havanna. experimentem o que vem numa caixinha de papelão. se forem a buenos aires, não deixem de ir à sorveteria persicco e tomar o sorvete de ddl. este é para o dia 1. no dia 2, encarem o de ddl com brownie.

mas tem dias que eu queria mesmo um mu-mu de saquinho.

xicará de mate... ops, chá.

Banco na hora do almoço

Eu entrei no banco e tive que deixar as coisas pra passar pela porta que gira. Essa mulher, que entrou junto comigo, não tinha nada de metal e conseguiu ficar na minha frente na fila ridícula. A mulher ligeiramente na frente dela saiu da fila, pra falar com algum atendente e voltou alguns minutos depois, bem rápido. Eu tinha visto a mulher sair, essa mulher que entrou comigo também tinha visto. E a que saiu queria voltar pro lugar que estava antes. E ela disse, muito simpática e preocupada pra mulher que entrou comigo, e que a partir de agora vamos chamar simplesmente de “chata”, que tinha saído apenas rapidinho, mas que estava ali antes. E a chata disse que não tinha nada a ver com aquilo e que ela também já estava ali antes. A mulher deu um sorriso, preocupada, e disse que era feio furar fila, mas que ela só tinha saído rapidinho, e ficou na minha frente e eu não era o último. E ela disse de novo pra mim que tinha saído rapidinho e que achava feio furar fila. E eu disse tudo bem, porque não queria discutir se é certo ou não fazer o que ela fez. E a chata ficava dizendo pra mulher da frente dela que estava no horário de almoço. Chata, meio-dia é hora de almoço de todo mundo, é a hora mundial do almoço, cala boca. Aí chegou a vez dela, da chata, e ela queria sacar algum dinheiro lá, mas não tinha todos os documentos, e a moça do caixa disse que infelizmente não podia fazer nada. Aí ela reclamou com ela também, disse que tava no horário do almoço. Aí a mulher do caixa disse pra ela esperar que ia ver com o gerente. Aí a chata ligou pra alguém do celular e disse que tava no banco fazia meia hora. E era mentira isso, fazia só uns 10 minutos. E quando chegou a minha vez, eu fui atendido em 30 segundos, porque é sempre assim. Tinha uns idosos lá, passando na frente de todo mundo. Concordo com esse benefício deles poderem furar fila, só acho que eles podiam não ir na hora do almoço, quando só tem dois caixas trabalhando. Mas não fiquei reclamando disso, porque ir no banco na hora do almoço já é uma merda.

zeus era...

um signo aleatório mora no sofá de minha casa. às vezes, confundo as almofadas com meus gatos, já que ambos são peludos. a televisão foi roubada em maio por uma noiva em fúria: o que fazer com o marido após o altar? a cada semana uma nova revista vai para a pilha dos recicláveis. são os acontecimentos do bairro diagramados por um seminarista convicto de sua religiosidade. a clodomiro amazonas alagou com a chuva de ontem, mas creio que ninguém ligou a pessoa ao sobrenome. já as almofadas, para meu alívio, não ronronam mais.

lostpop