A sexta me conforta, enquanto vou levando minha vida celibatária, sem menáges, sem loucuras. Só eu. Não q sexo seja ruim, muito pelo contrário. Mas a putaria por putaria não me apetece. Nunca me apeteceu. É uma das coisas q mais me irrita no meio homo, a promiscuidade desvairada. As barbies lindas q se comem lindas e sem nada nas lindas cabeças, postonove assiste estático. Hoje vou sair sem a fúria louca por caçar. Só para descontrair. Sair, no sentido figurado, sair da minha realidade. Sair.
pela porta de Desgraça pouca é bobagem
27.1.03
Vendo durante todo esse tempo, os amigos que entraram e saíram da minha vida, vejo que fui a que mais se arriscou, a que mais cometeu as tão julgadas "loucuras" pelos outros, e no final das contas, eu não me dei mal. Eu não engravidei de um desconhecido no estacionamento, eu não casei com um cara espancador de mulheres, não levei nenhum tiro, não entrei em overdose, não peguei nenhuma DST, não me afoguei bêbada, não me meti com traficantes, agiotas, não tive nenhum filho prematuro, ou com lábio leporino. Não cortei os pulsos. Não morri. Isso dá uma perigosa sensação de imunidade.
{...}
Às vezes é muito melhor permanecer na ignorância. Falo isso por mim, não pra generalizar, porque cada um caga pelo cú que lhe convém. Mas veja só, se não fosse por aquele maldito teatro na noite de um inverno muito fudido, em 1999, com a capa vermelha da Sabrina, talvez eu tivesse mais consideração pelas pessoas que gostam de mim, ou que ao menos almejam gostar, mas que com o meu escudo protetor, acabo afastando todo mundo de mim. Afasto todo mundo mesmo. Só não consigo me afastar de mim mesma. Então volto a repetir, que eu sou minha própria praga. A culpa é minha e eu ponho em quem quiser.
um triste blues do Neutro Azul
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Ratapulgo
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27.1.03
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Depressão é ouvir a abertura do Fantástico.
do ¢AtaRrO vE®De
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Ratapulgo
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27.1.03
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Meu... Ainda bem que eu estava passeando em Floripa no final de semana. Coisas horríveis aconteceram aqui na casa de praia (relato baseado em depoimentos reais).
Minha avó convidou meus parentes mala pra vir aqui. A forma como eles chegaram é meio misteriosa. Primeiro entraram os cachorros portão adentro. Depois meu priminho. E muuuito tempo depois o resto da família. Não sei quem disse que um dos cachorros defecou na frente da padaria e o padeiro mandou eles limpar (???). Tomara que tenha sido com a língua...
Minha tia tem a mania de fazer piquenique aqui em casa. Eles pensam que a gente não tem comida e trazem sempre pão de tudo que é tipo, sempre tomando o cuidado de misturar bem os pães doces com os salgados.
Minha mãe, coitada, foi com minha priminha até a locadora de vídeo. E teve que ouvir trocentas vezes os mesmos assuntos do verão passado: ela está em dúvida se troca o curso de pintura por natação, ela comenta os sites com pegadinhas da internet e, é claro, fofocas das amigas. Bem, no ano passado quando ela começava eu já aumentava o volume da TV ou colocava o fone de ouvido pra escapar da tortura...
O gambá da calha da garagem fugiu com medo dos cães, que sujaram a sala inteira. Dá pra fazer um tapete com o pêlo deles.
E eu estava bem longe... Ah, coisa boa, hehehe...
relatos de um muNDO anOrmAL
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Ratapulgo
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27.1.03
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Aí, eu ando meio encucado com esse negócio da banda.
Tipo, eu não acho que se possa fazer uma banda de verdade sem que todos os integrantes tenham conhecimentos elevados de teoria musical. Isso o Enzo já tem, e eu e Magno estamos estudando. O problema é que é meio complicado fazer música sem ter a mínima noção de qual estilo vc vai tocar. O problema é que a gente gosta de tudo que se pode fazer no rock. E a grande merda é que cada um desses estilos tem carcaterísticas que só ele tem, vantagens e desvantagens que acompanham. Aí fica difícil escolher. Eu gosto até de blues, música clássica, mpb, etc.
Porra, acho que eu não to me fazendo entender. O que eu quero dizer é que eu quero ser um músico cujo hobby é a medicina ou engenharia, e não um médico ou engenheiro cujo hobby é a música. Eu quero fazer algo que agrade a todos, algo que fique pra história da música, caralho. Será que isso é tão impossível quanto todos me dizem?
tomando na veia Morfina
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Ratapulgo
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27.1.03
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A cidade está minada. não posso mais chegar perto da janela e, de noite, ao invés de dormir encima da cama, durmo embaixo dela, porque é mais seguro, embora não seja tão confortável. Minha unha agora é feita de ferro, como um canivete pra me proteger. Minha dermatologista mandou blindar minha pele. Meus olhos não são mais de cristal e sim de plástico. Meu coração teve de ser revestido de aço inoxidável e, talvez por isso, já nao bate mais como antes, se é que antes ele batia. A fina teia que tece a minha vida, súbito tornou-se nylon.
pousado em Free Bee
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Ratapulgo
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26.1.03
A empregada da minha tia, por motivo desconhecido, deixou o seu marido. Passou um tempo, e o fulano começou a ameaçá-la de morte. Ela não prestou queixa na polícia, mas ficou escondida na casa de uma amiga. Pobre é foda.
Passou mais alguns dias, e ela foi morar numa favela bem distante, arrumou outro emprego por lá, e tal. Então ela ficou sabendo que o ex-marido já tinha comprado uma arma, e estava atrás dela.
Eu só me pergunto como é que esse povo fica sabendo dessas coisas. Enfim, quando foi hoje de manhã, ela estava num ponto de ônibus pra ir trabalhar, quando passou o cara e sapecou dois tiros nela. Se morreu? Nem... Ela conseguiu entrar numa loja de móveis que havia ali próximo, e se escondeu atrás de alguns móveis. O cara tava indo atrás dela com a arma em punho, quando o dono da loja, um policial militar, atirou duas vezes nele e o matou. Ela ainda levou mais uns tiros nessa confusão, e morreu a caminho do hospital. É, morreram os dois.
Mais uma vez, pobre é foda. Pelo menos eles estão em todos os jornais daqui de Recife. Descansem em paz, empregada da minha tia e maridinho revoltado.
escafedido no PAPAHIMEN
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Ratapulgo
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26.1.03
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No trabalho
O sangue de Jesus tem poder e a drogaria POP cuida bem de você enquanto eu te ajudo a exercer tua cidadania!
A astrologia seleciona relacionamentos conforme suas intenções de vida e - não é porque tá muito frio, não é porque tá muito calor - eu te ajudo a conhecer tua realidade.
Datas e fatos, Cadernos da Comunicação e Manual do PageMaker. Vou te contar, hein? Estou te dando um pouco de visão pública.
Você faz mais gostoso com Maggi - mas com essa galinha azul pregada no meu gabinete eu não tenho vontade de fazer nada gostoso.
Tem um tríptico do "Jardim das Delícias", do Bosch, com uma tartaruga de costas para o concurso de fantasias que a barata ganhou. A barata ganhou dentes caninos, mas já não era mais barata!
Tem uma borboleta feita por um presidiário. Faltou a etiqueta: "De: presidiário Para: presidiária"
Tem um porquinho de fúcsia gritante flutuando sobre um livro, desgarrado e sem mãe (vai arrumar mãe prum porco rosa desse jeito!).
Um Zogninho nunca retribuído me dá tchau e manda recados de Polyanna.
De vez em quando eu destampo o vidro do duende e ele sai para passear. Os elefantinhos, deixo presos. Nunca gostei destes, mesmo.
no .:.¨she.:.rides.:.the.:.night¨.:.
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Ratapulgo
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26.1.03
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Só queria deixar registrado que hoje eu não só preparei todo o meu almoço inteiramente sozinha, como também lavei TODA a louça, inclusive uma frigideira. Se isso não é um sinal de que eu cresci enquanto pessoa, eu não sei o que é. Alguém poderia argumentar que isso é uma coisa muito normal, que a maioria das pessoas faz isso, e que na verdade eu devia ter vergonha de não fazer mais. Bom, cara pessoa desagradável e intrometida de quem ninguém pediu a opinião, isso obviamente quer dizer que você não me conhece. Eu cuido do meu próprio almoço todo dia, mas geralmente eu pago por ele: seja num dos estabelecimentos alimentícios do Shopping Rio Sul ou um dos congelados amigo-de-todas-as-horas-da-Sadia. Não esquecendo que lavar louça figura orgulhosamente no top 10 de "Coisas que eu odeio fazer". Por isso, o que pode parecer simples para você foi um momento de grande importância para mim. Uma salva de palmas para mim, por favor.
enxaguado por Oba Fofia
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Ratapulgo
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26.1.03
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...Então apenas para deixar claro...(na minha mente, e na de quem interessar)
...O Joon veio de um casamento muito conturbado. Exatamente por causa da ex-esposa. Ele foi criado no interior do Paraná. Os meus pais no interior do Piauí. A ex-esposa dele, suponho numa aldeia indígena no Pará.
...Depois do divórcio dos meus pais, moramos com o pai alguns meses. Ele trouxe para cá uma nova mulher, a Rosália, a qual era mãe de alguns filhos, sendo que o mais novo antes de conhecer meu pai, hoje está fazendo faculdade de Educação Física.
...Meu pai se preocupou bastante com os nossos estudos, nos direcionando desde cedo para o Colégio Militar de Brasília, pelo qual eu e meus dois irmãos terminamos o segundo grau. Ao menos ele foi um pai forte.
...Minha mãe conheceu o Joon, e se envolveu com ele. Sendo que ele ainda estava legalmente casado, e tinha uns 3 filhos maiores de idade.
...Depois de um tempo, minha mãe conseguiu se estabelecer financeiramente. Ela nunca havia trabalhado, mas conseguiu, com a ajuda do diploma de Psicologia pelo CEUB, o qual conseguiu com muita dificuldade, por causa da necessidade de meu pai, de ter uma mulher totalmente dependente. Ela conseguiu a nossa guarda.
...O meu pai já sabia o que podia acontecer, e estava construindo uma casa em um condomínio perto de Sobradinho, então foi para lá com sua nova companheira.
...Nunca vou esquecer que minha mãe voltou para casa no dia da minha primeira comunhão, no fim da quinta série, já no Colégio Militar. Aquele foi o único dia que eu usei uma túnica branca. O uniforme de gala do colégio.(fui levado à fazer a primeira comunhão contra a minha vontade, mas eu geralmente fazia tudo o que os meus pais mandavam)
...Em pouco tempo, o Joon estava morando com a gente. Não sei se foi pouco, mas não me lembro de quando ficamos sozinhos com minha mãe em casa. Fomos vivendo... Meu irmão Lincoln acho que havia terminado o colégio, e estava entrando na UnB, para Engenharia Mecânica(depois ele mudou para Ciências da Computação, que é o que acho que faz hoje). O Lineu e eu estávamos ainda no colégio.
...Sendo que o Fillipe tem 9 anos, acho que ele nasceu em 1993. Soube pela minha mãe que foi uma última tentativa da ex-mulher do Joon de manter o casamento. O Joon a conheceu no Pará, quando estava construindo rodovias junto com o exército.
...Está certo, pessoas criadas como Joon, ex-esposa do Joon, Teresinha(mãe), Oisenis(pai)... Não têm muitas chances de aprender como a vida funciona mais eficientemente. Eu espero aprender. Mas tenho medo. Medo de acabar que nem eles. Medo de não saber criar meu filho. Medo de me apegar à alguém por puro medo de ficar sozinho.
...Mas, à(?) cada dia, aprendo um pouco mais.
the real Life sucks
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Ratapulgo
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26.1.03
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Acordei dez minutos mais cedo e nem esperei o despertador tocar pra pular da cama. Um sonho ruim me acordou. Sonhei que estava na triagem de um hospital de câncer. O lugar era feio, escuro e acho até que escorria água da chuva pelas paredes. Bem deprimente, mesmo. Pois eu era a próxima da fila e a pessoa que saiu na minha frente comentou:
– Ih, parece que a próxima tem câncer no maxilar. Vai ter que tirar. Ouvi o médico dizer.
E eu, ao lado dela pensava: “Caraca, a próxima sou eu! Mas calma, Ana Paula, vamos ver o que o médico diz.”
Acordei justamente na hora em que a recepcionista chamava meu nome.
Claro que passei o dia inteiro boladérrima, sentido dores no maxilar, nos dentes, no ouvido.
olha o passarinho: 3x4 Colorido
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Ratapulgo
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26.1.03
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aqui estou eu, estragando as minhas
unhas, depois de gastar dinheiro na
manicure e deixar elas até bonitinhas.
não sei por que ainda insisto nisso.
não sei por que alguém esquisita como
eu insiste em querer ter unhas bonitas.
unhas bonitas são coisa pra garotas
bonitas, que tem rosto de porcelana
e corpos de barbies.
de que adianta ter unhas lindas se
eu sou redonda como um barril?
é como eu sempre digo...
o meu cérebro é um tesão.
maybe life sucks...
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Ratapulgo
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26.1.03
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Essa é a história (verídica) de um caixa de banco com problemas auditivos. Depois de semanas sofrendo com dores terríveis em seu ouvido direito, o moço em questão pediu à namorada que cuidasse do caso. Afinal de contas, passar o problema adiante é uma habilidade cuidadosamente desenvolvida por bancários em geral.
- Morzinho, vire a cabeça para lá. - disse a garota.
- Ei, o que é isso que você pingou no meu ouvido? - perguntou o rapaz.
- O remédio de ouvido dos meus cachorros. Eles vivem com dor de ouvido. - respondeu ela.
E o namorado melhorou milagrosamente da tal dor. Uns dias depois, o ouvido do rapaz começou a coçar, coçar, coçar. Aquela agonia o dia todo: um dedo no teclado e outro no ouvido. Desenvolveu uma técnica imbatível para cutucar o ouvido em movimentos circulares com a mão direita, enquanto a outra mão passava contas da Eletropaulo pelo leitor de código de barras. Só se embananava na hora de grampear os comprovantes: duas ou três vezes grampeou a própria orelha.
O destino, porém, conspirava contra ele. Na fila do caixa, a cliente mais importante do banco aguardava o atendimento. Assim que pegou as contas da moça para pagar, sentiu aquela velha coceira. Sem pensar duas vezes, meteu o indicador direito no ouvido e começou o processo de limpeza: girando, girando, girando. Três voltas para a frente, quatro para trás, enfia até o fundo, puxa um pouquinho. Era praticamente a abertura de um cofre. Ao tirar o dedo, uma surpresa: um bloco de cera do tamanho de um toco de lápis adornava seu indicador.
Olhou para aquele corpo estranho, olhou para a cliente. Olhou de novo para a cera, mais uma olhadela para a cliente. Limpou de qualquer jeito a cera na sua calça pensando "minha mãe vai me matar" e continou a pagar as contas. Ao entregar os comprovantes para a cliente, notou manchas com aquela cor... aquela. Olhou para o teclado e não encontrou a tecla A. Olhou para sua calça e chorou. Até hoje o rapaz não conseguiu explicar ao seu gerente que tipo de prática sexual foi realizada naquele caixa no dia em questão. Mas a cliente nunca mais apareceu por lá.
garranchos do texto livre
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Ratapulgo
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26.1.03
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esta menina
é tão mais bonita
do que a poesia.
é tão mais poesia
do que F. Pessoa.
ela é viva.
fala sorrindo,
com toda a alma
e o próprio rosto,
além do corpo inteiro.
a amiga loira dela,
que parecia mais bonita,
está escondida
para que eu veja
só a que brilha
(mesmo sem saber se
a outra também não).
língua
e dentes
separados
e olhos
e boca
sorridentes:
tudo dança
o balé
da beleza.
tem covinhas.
põe a mão na
boca quando ri.
estou me
apropriando
da imagem dela,
observando e
escrevendo
aqui neste trem.
agora ela também
está escondida.
deve ser para eu
não ficar doente.
devo parar.
ou espio
por frestas
entre as
pessoas.
Fiz uma cópia resumida para entregar para ela. Rasguei o papel e dobrei. Só assinei, para deixar que ela me encontre de alguma forma, se quiser. Logo mudei de idéia, pensando que seria injusto se ela gostasse do poema e não tivesse contato comigo nunca, e escrevi o e-mail no verso. Esperei um bom momento para a entrega. Só que as condições espaciais e a coragem não foram compatíveis. Ela desceu na Estação Sapucaia. Foi para a porta e muitos outros acumularam-se atrás dela, evitando que eu fosse até lá e entregasse o papelzinho. Talvez se eu encontrá-la de novo um dia.
ímpeto do DOUGLASDICKEL
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Ratapulgo
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26.1.03
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Parei de tomar o remédio tem dois dias. Antes do remédio, insônia, angústia, ansiedade, vontade de chorar, vontade de dar porrada, de cortar os pulsos, de tomar alguma coisa só pra poder simplesmente descansar, dormir e não acordar mais, você entende? Não era pra me matar.
Depois do remédio, gordo, gordo, gordo, engordei, fiquei cheio de espinhas, perebinhas, a caspa aumentou, tem seborréia até na sobrancelha, semana passada descobri uma poeirinha esquisita nos cílios.
Foda-se a calma. Parei com o remédio tem dois dias. A vontade de cortar os pulsos já voltou, mas pelo menos as espinhas sumiram.
do Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa
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Ratapulgo
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26.1.03
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A alma dos loucos não é louca. Também pensava assim, querido. Mas bastou que olhasse no buraco da fechadura e visse o que acontecia com você lá dentro depois de tantos dias trancados. só a pão e água você disse. Mas nem pão nem água depois de duas semanas gritando palavras desconexas lá de dentro.
Não adianta tapar os ouvidos. Por mais que eu saia durma suma seus gritos são aqueles que vêm lá de dentro. De dentro? Da alma, querido? O que sabemos da alma? KIERKEGAARD ajuda? Ajuda querido? O que você gritava? KIERKEGAARD?
Eu não posso ajudar. Kierkegaard não pode ajudar. O que vai ajudar? Não sei querido. Não sei. Mas grita. grita. grita. Que depois passa.
escondido atrás dos olhos das meninas sérias
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Ratapulgo
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26.1.03
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O lance é o seguinte. O computador fica no quarto de empregada. Aí eu fico aqui um bom período de tempo. E meu pai tem a péssima mania de me chamar pra ver TV. Se ele viesse aqui e chamasse, tudo bem, mas ele grita lá do quarto dele. E como o grito tem que atravessar duas paredes, ele geralmente é bem sonoro. E uma das 817827817 coisas que me irritam é gente gritando. Comigo então, por qualquer motivo, eu me irrito.
Mas o pior não é ele gritar. O pior é que geralmente é alguma coisa trash.
- Olha só Pedro, uma cobra de sutiã no João Kléber!
- Olha só, tem um menino escamado na Márcia Goldschimt!
- Olha só, o Tiririca no Sem Censura!
- Olha só, a caixa surpresa da Sônia Abrão!
E coisa desse estilo. Então toda vez que ele grita, eu já vou bufando pro quarto.
Mas hoje eu gostei. Ele gritou pra eu ver o Lula no Fórum Social Mundial.
Lula é foda.
outra do Kobe's Surreal World
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Ratapulgo
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26.1.03
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Menina Maluquinha, fazendo hora pra escovar os dentes em uma casa em obras:
- Mãe, quero a minha pasta de dentes. (é daquelas com gosto doce)
- A sua acabou. Escova com a outra.
- Ah, não, não quero pasta ardida.
- Mas só tem dela, não vai Ter jeito.
(ela vai falar pro avô, pra avó, pro tio, pro papagaio e pro peixinho que acabou a pasta dela. Escuto os passinhos no corredor e o barulho de uma coisa caindo. Ela chega.)
- Mãe, vai Ter que comprar uma escova de dente nova pra mim.
- Porque?
- Por que a minha caiu no chão.
- Não tem problema, lava.
- E se cair na tinta?
- Aí você toma um coro.
: A Teus Pés... :
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Ratapulgo
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26.1.03
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Por favor, vejam isso. Mudaram o cenário do Câmera 2, um dos programas clássicos da TV mais trash do mundo, a TV Guaíba aqui do Uruguai. Agora os apresentadores ficam atrás de uma mesa futurística feita de, sei lá, inox talvez. Ficou um troço meio aquelas mesas de autópsia do IML. O chefe deles fica num dos cantos dessa mesa separado dos demais mortais por um CHANFRO metálico e sentado numa cadeira de espaldar alto. Parece o Capitão Kirk comandando a Enterprise. É mesmo programa que tem o gordinho castelhano ré-no-quibe que fala sobre moda e em seguida faz propaganda de telha.
Apesar da tosquice cenográfica, é uma boa fonte de informações sobre o que acontece na cidade.
E tem também o "Guerrilheiros da notícia", que passa no mesmo canal por volta de 18 horas. É um programa onde cinco ou seis reacionários ficam discutindo aos berros os assuntos do dia. Tem um frade que participa do programa, acreditem. E vestido de São Francisco e tudo. Atrás da bancada onde esse pessoal senta e se destrata, existem cartazes de papelão colados com propaganda dos patrocinadores do programa. Coisas como "Açougue do Zé" e "Barbearia do Pedrão". O âncora do programa às vezes interrompe a discussão para mostrar sua inteligência e erudição. Terminada a intervenção, o bate-boca recomeça. Rigorosamente não se compreende nada do que é ali mencionado.
Muito bom esse também.
televisto pelO futuro do presente
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Ratapulgo
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MERDA DE REMÉDIO
JP (04:53 PM) :
um dia eu vou entender isso aí.
mas não sei se eu quero.
Emma Bovary (04:54 PM) :
um dia eu tb vou entender
e ele tb
JP (04:57 PM) :
e sabe o pior? a gente vai morrer sem entender. sem sequer esbarrar em compreensão alguma. a gente vai morrer procurando coisas que não existem, atirando em alvos móveis, recebendo cartas devolvidas, confiando em endereços e telefones errados, em lembranças falhas e sentimentos quadrados, cheios de arestas. a gente vai morrer incompleto, capenga, sem sentido ou direção. a gente vai morrer sozinho, sem pai nem mãe - e sem substitutos. a gente vai penar pra encontrar uma saída, mas não existe. só existe o caminho. a merda é saber que ele não leva a lugar nenhum.
Emma Bovary (04:58 PM) :
ah, foda-se se ele não leva. acho q a gente tem que prestar atenção nas pessoas e nas coisas que estão nele.
JP (04:58 PM) :
as pessoas e as coisas nunca são o que parecem. elas não existem. só existe a imagem que a gente cria.
Emma Bovary (04:59 PM) :
tá, a tal caverna de platão...
vivamos com as imagens, então
JP (05:01 PM) :
caralho. lindo papo pruma tarde de sol. eu preciso fumar e beber.
Emma Bovary (05:01 PM) :
eu tb preciso beber! MERDA DE REMÉDIO
chegou na cidade o Circo Orlando Orfei
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Ratapulgo
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26.1.03
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