Domingo, 09 de fevereiro de 2003. (19:46)
- Alô.
- Fred?
- Quem tá falando?
- Sou eu, porra, Tatu.
- Qualé, rapá?
- Vai me zoar não?
- Por quê?
- O jogo, cara
- Quanto foi?
- 3 x 0 pro Flu.
- Ah!, se fodeu, otário!
- Vai tomar no cu, Frederico!
- Que que cê quer?
- Pô, me quebra um galho?
- Qual?
- Cara, sabe aquela tal mulher que conheci no chat, a Paula?
- Sei.
- Pois é, ela quer sair pra tomar um chope, mas eu tô na pilha de ficar aqui pela Vila Isabel mesmo. Tá rolando um sambão na rua do Claudinho e daqui a pouco o Martinho vai pintar pra dar uma canja.
- Tá, mas que que tu quer que eu faça?
- Véio, se ela ligar, diz que eu tive que levar um dos caras que vieram comigo pro Maraca ao hospital. Fala que ele tá passando mó mal.
- Só isso?
- É. Mas vê se não vai inventar de novo que eu fui resolver uma parada no Uruguai, porra. Aquela foi foda, Fred. Me queimou, seu viadinho.
- Hahahaha! É, foi foda mesmo. Mas se ela não acreditava que você pudesse ser capaz de ter paradas a resolver no Uruguai, então ela não te merecia.
- Valeu, mas nada de correr o risco de novo. Um abraço.
- Tchau.
Segunda, 10 de fevereiro de 2003. (10: 34)
- Alô.
- Eu poderia falar com o Fabiano?
- É ele.
- Oi, Fabiano, é Paula.
- E aí, Paula, tudo bem?
- Tudo. E você?
- Tô legal.
- E o seu amigo, como é que ele tá?
- Melhorando. Mas teve que ficar em observação.
- Caramba. Que chato, hem?
- Nem me fale. Tô chegando de lá.
- Sério?
- É.
- Deve estar cansadão, não?
- Pra cacete. Não dormi nada. Ele passou mal a madrugada toda, coitado.
- E quem tá com ele lá agora?
- A mãe dele veio de Paracambi.
- E o que ele tem, afinal?
- Essa é a parte mais chata, Paula.
- Ai, meu Deus. Por quê, Fabiano?
- Ele teve um choque hipoglicêmico.
- Que isso?
- Foi sim. E só depois a gente foi saber que ele é diabético.
- Não é possível, Fabiano.
- Pois é, menina. E olha que a gente já se conhece faz tempo. Nunca que desconfiei de nada. Mas ele também só descobriu no ano passado.
- Mas o que que houve? Ele tomou muita insulina?
- Ele disse pro médico que não. O lance foi que ele saiu de casa sem comer e ainda caiu na cerveja lá no estádio.
- Maluco.
- E irresponsável.
- E agora?
- Agora ele deve aprender. Depois do susto, né?
- Verdade.
- Mas foi horrível.
- Imagino. Ainda bem que você tava com ele.
- Foi sorte.
- Deu pra terminar de ver o jogo?
- De jeito nehum. Saí com ele pro P.S. do Maracanã e de lá levaram a gente pro hospital. E mandei que levassem pra um particular, mesmo sabendo que ele não tem plano de saúde.
- E quem vai pagar?
- Dei uma força, né? Se tivesse mais, até pagava tudo.
- Pô, vocês devem ser amigos mesmo, hem?
- Irmãos. Ele faria o mesmo se fosse o contrário.
- Depois dessa, acho que gostei mais de você, sabia?
- Ah, fala sério.
- Tô falando sério. Adoro gente que se preocupa com os outros. Principalmente com os amigos.
- Esquece isso, Paulinha.
- Quero mais ainda te ver. Pode ser hoje ou você tem que voltar pro hospital?
- Não. Mas o problema é que ainda tô muito impressionado, sabe?
- Acredito. Se fosse comigo...
- Não tô com muita cabeça pra sair.
- Posso te ligar amanhã, então?
- Pode.
- Então tá, gatinho. Amanhã a gente se fala.
- Valeu.
- Beijão.
- Tchau.
Seja qual for a situação, minta sempre. Um homem nunca pode usar de mais de 40% de sinceridade. E os que dizem que o fazem, só confirmam a minha filosofia.
o avião... o avião... Tatu
21.2.03
Limbo
Bem, de volta ao inferno (eu dei uma subida aí na superfície porque tava muito calor aqui embaixo. Viram o que aconteceu? Até me meti na briga da minha mana com o cunhado! Coitado, até que eu gosto dele, mas tem hora que dá raiva viu!) eu vou falar um pouco de como estão as coisas aqui desde que morri.
Primeiro, quero expressar toda a minha revolta por causa dos sacanas que entraram naquela de suicídio coletivo e me deixaram morrer sozinha. Ótimo. Eu fui a primeira, fiquei esperando, só que na hora, todo mundo abandonou o barco. Afe! Aqui é um saco, ainda bem que tem internet - O Chifrudo fez uma gambiarra. Na verdade, eu não estou beeeeem no inferno. Eu to naquele lugar onde ficam os suicidas. O limbo. Não tem muita diferença pelo que dizem, e vai que rola uma chance de voltar aí pra esse mundinho.
Por outro lado, tem até algumas vantagens estar por aqui: Já encontrei pessoas ilustres, rola uma sacanagenzinha às vezes ( mas nem!), e até descobri algumas coisas que muita gente aí de cima suspeitava:
1- Ragatanga é mesmo coisa do demônio
2- Pagode também
3- Aí se faz, aqui se paga.
E mais umas outras que acho que ninguém sabia:
1- Ao contrário do que se diz, o rock não tem nada a ver com o pessoalzinho daqui.
2- Eguinha Pocotó é obra divina
3- Nào só as almas dos seres humanos são julgadas! Tem muito plancton vagando por aqui!
E chega de me lamentar!
* D'autres aliments ne sont que nourriture. Mais le chocolat est chocolat. *
Postado por
Ratapulgo
às
21.2.03
0
grudados
Tem pessoas que simplesmente não têm noção da influência que causam na gente. Tem pessoas que não sabem o quão bem fazem duas palavras que elas dizem. Hoje, conversando sobre isso com uma pessoa considerada estranha, ouço uma resposta: você é uma dessas. E eu fiquei com isso na cabeça, porque não foi a primeira nem a única. Isso me preocupa. Minhas palavras a maioria das vezes são meras cópias de outras, meus sentimentos são clichês 'holywoodianos' e minhas lágrimas só fazem sentido inteiro para mim. Parem de me dar importância, porque no fundo eu sou suja como todos os outros seres humanos.
(...)
Tem gente que simplesmente não é capaz de se censurar de alguns atos inúteis. Às vezes inúteis porque bobos, ridículos, sem razão, sem noção, sei lá. Eu sou uma dessas. Mas tem gente que extrapola. Extrapola, ouviu?! Extrapola. E aí, mesmo sabendo que não é de verdade, mesmo assim, não vai dar mais para agüentar essa sua impulsividade, amigo. Não dá. Eu não agüento mais essa disputa diária de agressões entre nós. Por isso, coleguinha, estou me afastando. É. Não atendi seus telefonemas de propósito e não vou mais responder seus e-mails. Gosto de você demais para isso. Até um dia.
Desculpa, pessoas, mas a caixa de e-mails dele está lotada, não recebe mais mensagens e eu tinha que falar com ele de alguma maneira.
e agora? cadê a petulância?
Postado por
Ratapulgo
às
21.2.03
0
grudados
20.2.03
Ame o Poema
Eu gosto de escrever. Mais do que isso, gosto de brincar com palavras e jogos que as envolvam. Sou fascinado, por exemplo, por palíndromos. Um palíndromo, para quem ainda não sabe, é aquela frase ou palavra que, lida da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda, mantém o mesmo sentido. Por exemplo, "radar" ou "luz azul". Dizem que a frase palindrômica mais longa da língua portuguesa é a clássica "socorram-me, subi no ônibus em Marrocos". No entanto recebi por e-mail, outro dia, uma maior ainda:
- Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na Moda da Romana: "Anil é cor azul".
O autor é desconhecido. Provavelmente é alguém que sofre de insônia, como eu. Ou o Chico Buarque, que num desses momentos ociosos em que a mente vaga distraída e/ou desastrada, criou a seguinte pérola:
- Até Reagan sibarita tira bisnaga ereta.
Pensar Enlouquece. Pense Nisto.
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
1 grudados
Cozinhar pelado envolve riscos. Hoje derrubei uma colher de molho fervendo no pé, bem perto da alça da havaiana. Tive que deixar o pé na água corrente, enquanto descascava uma cebola. Agora o problema é o contorcionismo: esfregar o peito do pé no cabelo até passar a dor. Funciona na mão, tem que funcionar no pé. Difícil seria queimar o pinto e esfregá-lo na cabeça. Aliás, me ocorre agora uma idéia: os hospitais de queimados poderiam contratar legiões de auxiliares de enfermagem bem cabeludas, pra ficar esfregando a cabeça nas vítimas. Loirinhas.
um ¢AtaRrO vE®De
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
O "Lunário Perpétuo" foi durante dois séculos o livro mais lido nos sertões do Nordeste. Dava informações sobre horóscopos, física rudimentar, fenômenos meteorológicos, receitas médicas, calendários, vidas de santos, biografias de papas, conhecimentos agrícolas, conselhos de veterinária e ensinamentos gerais. Ensinava até como construir um relógio de sol. Os fazendeiros seguiam seus prognósticos meteorológicos como lei, e os cantadores populares o consultavam quando precisavam saber noções de gramática, história, geografia, religião e mitologia. A primeira edição do "Lunário Perpétuo" é de 1703, em Lisboa. Hoje virou relíquia. Eis um dos conselhos publicados na edição de 1921: "Quando o bicho ou cobra entrar no corpo de alguma pessoa que estiver dormindo, o melhor remédio é tomar fumo de solas de sapatos velhos pela boca, por um funil, e o bicho sairá pela parte de baixo: coisa experimentada."
das páginas do alfarrábio da Prosa Caotica
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
Eu gosto de surpresas e novidades. Só tenho MUITO medo quando elas partem da minha família... minha relação com a minha família é uma merda. Minha família é uma merda... montes de relações mal resolvidas, ressentimentos, verdades não ditas, inverdades ditas, discussões, mentiras e todo mundo esperando o pior de todo mundo... gente problemática (só pensar em mim que sou a mais normal que você já tira uma base de como deve ser o resto), promessas não cumpridas, empurra-empurra de responsabilidades, infantilidade e medo, muito medo... foi no meio dessa maravilha que eu cresci e meu irmão também. Sei que nenhuma família é perfeita mas a minha tem aquela coisa especial digna de roteiro de novela mexicana com um quê de filme de terror...
Pois bem, ontém meu pai me ligou e hoje vamos ele, eu, meu irmão e minha madrasta almoçarmos juntos pois ele tem uma novidade... parece bom mas, na minha família, nunca se sabe... minha mãe ontém já estava surtando se ele não iria mexer com a pensão, se a "novidade" não seria merda grande e isso e aquilo. Eu, como ser racional que tento ser, disse que ninguém vira e fala todo empolgado: "Filhos, tenho uma novidade! Vou processar todos vocês e tirar a pensão! Iupiiiiiiiiii!!!!!!"
Imagino e espero que seja algo bom mesmo mas, nem imagino o que possa ser... atualizações da merda da minha vida pós almoço...
(...)
Eu ainda estou em estado de choque... vocês não vão acreditar qual era a novidade da hora do almoço.
Eu ganhei um apartamento. Sim, um apartamento. 50m2, 2 dormitórios, literalmente em frente ao metrô Bresser.
O condomínio vai ter tudo. Piscina, churrasqueira, salão de festas. Vou além, meu irmão vai morar no bloco ao lado do meu. Sol o dia inteiro, sosego apesar de estar do lado da Radial. Eu estou em choque... eu ganhei um ap. Eu nunca ganhei nada dessa dimensão e sinceramente dúvido que eu volte a ganhar algo dessa dimensão... Juro, não sei o que dizer, o que falar... não sei nem o que pensar. Ele ainda não saiu do chão. Teoricamente vou poder morar lá daqui um ano e meio. Mas, nada disso muda o fato de que pela manhã eu não tinha pn e, agora eu tenho um ap em um ano e meio. Um APARTAMENTO. Paguei a lingua... mas, isso só prova duas coisas:
1 - coisas boas podem acontecer
2 - people change
Sem palavras...
hahaha oooooooops!
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
Ônibus é mais engraçado que qualquer enlatado americano.
Voltando lá do Cruzeiro, entrou um figura no baú. Disse que queria dinheiro pra dar entrada em um processo contra a PM, porque ele considera que foi lá que ele ficou viciado em cocaína. Disse que perdeu 3% do cérebro em ação, e o caralho a quatro.
Me deu vontade de rir naquela hora. O cara vai acionar o Estado? Vá lá. Boa sorte.
Mas a história mais engraçada que eu já presenciei não foi essa. Entrou uma criatura esmolando. Aquele discurso clássico.
"Eu estou passando necessidade, tenho 887867 filhos, pai esquizofrênico, mãe com câncer, estou desempregada, preciso de sua ajuda. É melhor pedir do que roubar..."
Eu confesso que eu fico com pena e sempre ajudo. Mas essa mulher tinha cara de biscateira.
Bem, assim como eu não dei, ninguém do ônibus ajudou-a. E ela se revoltou.
- Vocês são uns unhas de vaca mesmo! Cambada de miserável! Esses ricos (sic) esnobes, não ajudam quem precisa! Vão arder no fogo do inferno!"
E mais diversos elogios à nossas pessoas e familiares. Uma hora ela se cansou e sentou. Entrou pela porta de saída, e ainda estava se achando no direito de se locomover.
Na parada seguinte, o motorista mandou descer. Ela se revoltou:
- Aqui?
- É, aqui!
- Mas moço, eu ainda não cheguei onde eu queria!
- Já encheu muito o saco, desce!
- Moço, mas tá chovendo!
viajando no Kobe's Surreal World
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
Tava aqui lendo umas cartas antigas que apareceram espalhadas pela casa - Deus sabe como - e lembrando de tanta gente que passou pela minha vida, a quem eu atribuí significados tão fortes e tão tolos!
Ex-namoradas por exemplo. Eu não sei o que eu faço que elas todas agem estranho... Umas têm gastrite por minha causa até hoje, outras que eram tão amigas fazem de conta que eu sou um freak a ser temido. Tem ainda quem mantenha as esperanças... São todas umas paranóicas. E parece que eu tenho um chamariz pra essas coisas (ou sou eu mesmo a causa?), porque vivo cercado desse tipo de coisa.
Também, eu cultivava uma imagem muito imbecil até os 18-19 anos... Hoje eu sou um idiota de verdade, só que um idiota muito mais simples por fora.
retirado do InsanidadePublica.
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
Quer apostar?
Desde meus mais tenros anos sou competitiva-possessiva-enlouquecida. Bingo, bicho, raspadinha, loteria, contratos escritos e assinados. E até hoje guardo na carteira o infame papel no qual se lê "se Fabiana não tiver um filho até seus 25 anos, Juliana deverá pagar à mesma 100 reais". Como Fabiana "adquiriu" duas filhinhas, considerei tudo um grande empate e sequer enfiei a mão no bolso. Apostei, com o namorado da querida Raquel, quem beberia mais RG (rabo de galo) e conseguiria, ainda, sair do bar andando. Graças a Deus e a alguns amigos menos afoitos, ainda não nos encontramos para colocarmos em prática tamanho tento.
Há alguns meses, porém, apostei com duas amigas algo patético: eu, Juliana, não beijaria nenhum homem até junho de 2003. Ha. Beijei, no mesmo dia, a pessoa que fez com que eu, hoje, perdesse 50 reais por "desistência". Entendam: além de dever esta quantia exorbitante, ainda devo uma caixa de cerveja a uma das amigas, posto que paguei somente metade da aposta do beijo. Respondam: mereço? É claro que não. Preciso de uma governanta, de um capataz, de alguém que me amordace no exato momento em que eu disser "aposto"
juju não tem epidímio
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
- Você se veste de um modo estranho.
- Se formos falar de coisas mais importantes, como o caráter, vamos ver que é que vai repreender quem.
surto do DOUGLAS DICKEL
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
Sem febre. Menos dor na amigdala.
Mas a má notícia é que essa droga continua extemamente inchada. Ou seja, de acordo com minha vasta experiência em amigdalites (e acredite, é bem vasta meesmo), fui presenteado com outro abcesso. Ou seja... lá vou eu passar de novo por drenagens, duas dezenas de injeções de remédios com nomes esquisitos, etc...
Tomara que, ao menos, seja a mesma doutora gostosa que me atendeu a 1 ano e meio atrás. Já seria um consolo....
e tome Cerveja
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
coisas acontecendo
>> sim. estao. nao. nao adianta fingir. nao adianta...
>> muitas coisas de varios lados.
>> acho que uma pergunta boa para mim agora eh: o que eu quero?
>> sei que ainda nao tenho a resposta para o template aplicado em outras esferas. tenho resposta para algumas coisas. mas nao para tudo. sei tambem que outras coisas nao adianta so o meu querer. e ai a coisa complica... o que eu quero? eu sei. ou nao sei?
retirado do [boop it]
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
Dentro de mim tem um mar.
Se observo a superfície, tudo é inconstância, agitação, altos e baixos, mas se mergulho um metro, encontro um mundo de silêncio e calma, um universo novo e distante, cheio de peixes, anêmonas, moréias, corais, algas, reentrâncias e cavernas habitadas por estranhos seres desconhecidos. Alguns deles venenosos, outros predadores vorazes, outros ainda assustadores mas inofensivos.
Dentro de mim há profundezas e alguma escuridão e às vezes me perco ao seguir um polvo ou uma tartaruga. Quando dou por mim, encontrei mais um lugar que não conhecia e passo a explorá-lo com curiosidade.
Dentro de mim há novidades e surpresas e as cores que encontro me surpreendem e emocionam. Dentro de mim há vida, sob todas as formas: desde as mais elementares, organismos unicelulares e simples, até grandes mamíferos gigantes, de cauda possante. Entendê-las, todas, é um desafio de todos os dias, a cada mergulho.
É bom saber que dentro de mim tem um mar. Quando me canso do fora de mim, fecho os olhos e mergulho de volta no meu mundo secreto.
das profundesas abissais de Have a Sit
Postado por
Ratapulgo
às
20.2.03
0
grudados
18.2.03
Mais uma da menina dos koans. Essa foi neste fim de semana, quando o Ed gritou de dor depois de um esbarrão na quina da mesa:
- Desculpa, papai!
- Ô, Lili, você não teve culpa nenhuma. Fui eu que me machuquei mesmo.
- Então pede desculpa para você, papai!
(...)
Ouvi de um senhor na padaria:
(da série Juju bisbilhotando conversas alheias)
... a menina não quer mais ir pra escola de jeito nenhum. Ontem eu sentei com ela e falei bem firme:
- Olha, fazer os filhos freqüentarem a escola é lei! É obrigação dos pais. Se você não for pra escola sua mãe pode ir pra cadeia!
- e quantos dias ela vai ter que ficar lá?
ser Mothern é padecer num pára com isso
Postado por
Ratapulgo
às
18.2.03
0
grudados
Eu tenho uma pequena caixa de madeira escura, que guardo no fundo do meu armário. Na verdade, é um pequeno cemitério de recordações dos meus tempos de atleta. Medalhas, algumas fotos, memórias. Quem vê este meu invejável físico de halterocopista não imagina que eu já fui um nadador de competição e que já fiz um índice de Pan-Americano. Sabe do que mais? É bom que ninguém imagine mesmo. Isso fica entre vocês, eu e a caixinha de madeira escura.
do fundo do armário de Alea Jacta Est
Postado por
Ratapulgo
às
18.2.03
0
grudados
Meu pai começou a fazer jiu-jitsu. Vai na academia 7 vezes por semana, toma anabolizante, compra revistas de Miss Universo e pôs um poster do Gracie enquadrado na sala, no lugar do Renoir da minha mãe. Todo dia ele fica lá em casa, vendo os homens se agarrando no pay-per-view. Não posso mais ver o meu desenho animado em paz, que ele logo chega e diz: saí daí, moleque, que o Ultimate Fighting XVII vai começar.
Pô, meu pai era tão legal comigo, agora ele fica citando Gracie, Ban Ban, Belfort. Esses dias ele disse à mamãe que ela bem que podia tingir o cabelo de loiro, malhar feito uma porca e se parecer com a feiticeira. A mãe só dava risada, dizia que o papai precisava se auto-afirmar, que quando ele era jovem e franzino só apanhava dos moleques no colégio, e agora que ele tinha disponibilidade precisava se achar o fortão.
Até ontem, quando a mãe chamou a gente para jantar, e ele disse com a voz grossa: Cadê o meu açaí? Ela respondeu que esqueceu. Daí ele meteu a mão na cara dela, chamou-a de Olívia Palito e falou que aquela casa era pouco pra um homem tão macho quanto ele. Ele então entrou no quarto, vestiu o vestido rosa da minha mãe, passou batom, pôs meia calça, calçou salto plataforma e bravejou que estava indo malhar na academia, que lá todo mundo entendia ele e que lá tinha açaí sempre que ele quisesse. Agora, minha mãe está no quarto chorando e eu aqui, vendo meu desenho animado em paz. Vai, Digimon, vai!
escafedeu do zazoeira
Postado por
Ratapulgo
às
18.2.03
0
grudados
Bom, o causo é o seguite:
o computador continua com problemas e vai ser internado, provavelmente.
Portanto:
a) as coisas continuarão um pouco devagar
b) a bendita promoção de janeiro ainda não acabou,
mesmo porquê, pelos últimos cálculos do TRE, existe ainda um empate
c) sei lá. bola pra frente.
atenciosamente,
o adminstrador dessa birosca.
Postado por
Ratapulgo
às
18.2.03
0
grudados
17.2.03
Meu irmão não tem porra nenhuma a fazer além de me torrar os colhões.
Estava eu no quarto botando em prática meu novo método terapêutico.
– Quarenta e dois, quarenta e três, quarenta e quatro, quarenta e cinco...
– O que você tá fazendo, Pedro?
– Quarenta e oito, quarenta e nove... Lambendo maçaneta. Não tá vendo? Cinqüenta, cinqüenta e um, cinqüenta e dois, cinqüenta e três...
– Você? Fazendo flexões?
– Cinqüenta e seis, cinqüenta e sete... Não estou fazendo flexões, estou lambendo maçanetas. Já disse. Cinqüenta e oito, cinqüenta e nove...
– Pra quê você tá fazendo isso?
– Sessenta e três, sessenta e quatro, sessenta e cinco... Pra me acalmar. Sessenta e seis, sessenta e sete, sessenta e oito...
– Você é doente.
– Setenta. Setenta e um, setenta e dois, setenta e três...
– Noventa e nove, duzentos e quatorze, mil setecentos e oitenta e nove, três, vinte e dez...
– Setenta e oito... Se eu tiver que me levantar e te enfiar a porrada, não vou parar até que me sinta calmo. Acho bom calar a boca. Setenta e nove, oitenta.
– ...
*****
Depois eu estava na sala, brincando de fazer bolhas de sabão com as mãos, habilidade que eu pensava ter perdido.
– Caraleo! O que é isso?
– Um mafagafo. Nunca viu um?
– Uma bolha de sabão?
– Não. Uma bolha de catarro. Acabo de espirrar. Estou pensando em comê-la.
– Como você fez isso?
– Com as mãos.
– Ah, fala sério.
– É sério.
– Duvido.
– Então estoura e eu vou fazer outra.
– Como eu estouro?
– Cutuca ela, porra.
– ...
– Pronto. Agora se liga.
– CARALEO!!
– Viu?
– Porra, como você faz isso?
– Você acabou de ver, idiota.
– Você é um doente, Pedro.
– ...
– Seu desocupado.
– ...
– Me ensina?
estourado no Utopia Dilucular
Postado por
Ratapulgo
às
17.2.03
0
grudados
Não preciso de câmeras. Tenho várias aqui, mas não preciso delas. Porque desde aquele dia meus olhos gravam sua imagem na película que fica lá no fundo da minha mente. E depois eles a projetam nas folhas em branco, nas paredes da sala, e até, titânica, nas fachadas dos edifícios ou no céu nublado. E é você falando, e gesticulando seus pequenos gestos, e sorrindo, e gargalhando, e vindo, e me abraçando, e pousando a cabeça no meu peito...
PAUSE
REWIND
STOP
PLAY
... e me abraçando, e pousando a cabeça no meu peito...
PAUSE
REWIND
STOP
PLAY
... e me abraçando, e pousando a cabeça no meu peito...
PAUSE
REWIND
...
.
.
jesus me chicoteia
Postado por
Ratapulgo
às
17.2.03
0
grudados