Jogando búzios
Por Bia Jagger
Há semanas atrás vocês lembram, eu tive ímpetos de atirar meu telefone pela janela porque percebi que estava em casa, de repente em uma espécie de plantão inconfesso, mais uma vez esperando e esperando aquele telefonema que nem sei se aconteceu. Não fiquei pra saber e se tocou jamais admitirá, o crápula digo, não o telefone.
Aqui no Rio tem uma hora que a praia pinta e em um dia especial que é a partida do inverno e a largada do verão. Isto é claro acontece sempre durante a primavera. Como num sinal cabalístico secreto, todo mundo larga tudo e se move em bandos como lemingues para o point. Quem perder a largada na segunda-feira será facilmente reconhecido pela cor destoante.
Todos adquirem aquela cor de cobre que é a meta final de meses de preparo dos bumbuns e culotinhos para caberem naquele biquíni novo, propositadamente comprado no número abaixo. Os telefones só tocam o mesmo convite : praia!
Eu para racionalizar minha fossa eminente, pensava que era melhor mesmo que eu estivesse só nesta época e que merecia curtir esta minha nova e duramente conquistada liberdade, em um primeiro verão de muitos que passei tentando agradar e sendo em troca agredida.
- É isto aí amiga! Vamos abrir a temporada em grande estilo! Alugamos uma casinha em Búzios que é uma gracinha e vai sair baratinho já que somos 5 com você 6. Todas livres leve e soltas, prontas para torturar quantos Argentinos apareçam em João Fernandes. À noitinha vamos desfilar o bronze na Rua das Pedras comer e beber bem!
Este foi o segundo de outros tantos convites que surgiram assim, pufff e assim decidi também, puff e eis-nos em Búzios. Vocês lembram que eu comentei na volta, só não sabem é o que rolou por lá.
Fortalecida com toda esta liberdade em doses para hipopótamo, pude enfrentar e resistir galhardamente à Lúcia chorando em uma rede na varanda da casa, desde o minuto que desfez as malas até sua volta no dia seguinte mesmo, de manhã e antes do café. Um horror de fossa!
Motivo: tinha acabado com o namoro e não era coisa muito antiga. Que boboca não? Como é que pode, por causa de homem! Eu hein! Tesconjuro e praia!
Eu encontrei no mesmo dia na praia, um velho amigo com quem eu sempre nutri um certo clima no passado jurássico e voltamos a nos ver de noite. Saímos mais cedo do Chez Michou e como eu estava com a chave da casa, resolvemos ir para lá por uma sugestão dele.
Ficamos sós, abrimos um bom vinho e escutamos todos os discos de jazz que levamos conosco. Eu estava no clima, mas ele não. Não me deu nem um beijo, nem de despedida! Eu tomei o lugar da Lúcia na rede, depois que ele se foi e chorei tudo o que tinha, até de manhã.
Não sei o que foi pior, se enfrentar meu poço profundo ou ter que fingir o resto do fim de semana para ficar dentro do meu script de linda leve e solta! Rindo muito sempre eu desejava lá no fundo que todo o capim do mundo secasse e meus homens todos, morressem de inanição.
Nestes 3 dias, comi como uma anta, bebi como uma lontra e tomei todo o sol do Geribá.
Voltei negra! Por dentro também. Meu coração está descascando até agora e dentro de um peito, nada proposital, um número menor!
chefe & cia.
31.10.03
Terminal do Guadalupe
De manhã, não importa o quanto eu arrume o meu cabelo, lute e brigue com ele por não estar do jeito que eu gostaria, de qualquer jeito, eu vou passar ao lado do Terminal do Guadalupe, e sentir aquele odor curtido de urina, vindo dos sanitários públicos. Ainda é 11:15 da manhã. Não importa o quanto a minha cara esteja amassada, e a barra da minha calça suja, ou as minhas botas empoeiradas e mal engraxadas, o cafetão gordo e cearense, que fica sempre parado no telefone público, cuidando do movimento da rua, e conseqüentemente das suas putas, ali próximo à Travessa da Lapa, vai me abordar e dar "bom dia moça, vai almoçar comigo hoje?". E se eu não andar rápido, e não for precisa no meu movimento de desvio, o cara ainda me passaria a mão na bunda. E já pensou? Brigar com um fulano desse em plena calçada? Perigo levar uma navalhada, e agora, não temos mais a Tribuna, com suas páginas sangrentas pra eu ser capa, ou destaque, com foto colorida, na sexta-feira do Hallowen.
---
Comprei uma estola de plumas. A verdadeira estola de plumas. Elton John style! Dá a volta no pescoço e ainda bate no chão. As plumas alaranjadas. Tinha cor de rosa, tinha sim, mas quer saber? Eu mudei. De repente voltou aquela vontade de comprar uns Raybanitos de camelô, muy estilosos! E onde é que eu vou com toda essa parafernália? Sei lá, o mundo é enorme! Posso me rebatizar, virar travesti, e a partir de agora ser Dan-Dan, a louca.
Blue Idol
Postado por
Ratapulgo
às
31.10.03
0
grudados
30.10.03
As 3 tattoos
1 siri
6 conchas
1 peixe
hahahhahhaha. É uma caldeirada.
Eu estava conversando lá com a Malu, a tatuadora:
- Você gosta de coisas do mar, hein?
Pois é. Eu gosto. E papo vai, papo vem:
- Como chama a sua filha?
- Marina.
hahhahahhah. É uma obsessão.
Ilha de Siris
Postado por
Ratapulgo
às
30.10.03
0
grudados
Brasília
ou A Lei do Mais Denso
Meu namorado hoje me explicava o que era osmose. Eu sempre entendi a osmose como uma mera absorção. Hoje eu fiquei sabendo que o fenômeno compreende um pouco mais do que isto: é absorção de um corpo (ou meio) menos denso por um meio mais denso.
Ele me explicou que é a pele que nos impede de simplesmente desintegrar, já que somos menos densos que a água de uma piscina, por exemplo. Se não houvesse a pele, toda a água do nosso corpo se esvairia quando entrássemos no mar.
Então eu me lembrei de quando eu vivia em Brasília e tinha constantemente a sensação de que iria me dissipar naquele céu gigante. Os horizontes eram tão amplos e as paisagens tão desertas que eu sentia os pensamentos escapando de mim, depois eu mesma me escapando, até sentir o medo de estar me dissolvendo para sempre e nunca mais voltar a caber em mim.
A solidão me tirara a pele. Eu não me limitava por mais nada, nem pela paisagem, nem por vivalma. E assim eu me esvaía docemente olhando o pôr do sol.
Brasília é um lugar denso para se viver.
O Chaveco
Postado por
Ratapulgo
às
30.10.03
0
grudados
29.10.03
Constatação da noite de ontem:
Existem duas coisas que invariavelmente me fazem chorar: matemática e hardware.
oooooooops!
Postado por
Ratapulgo
às
29.10.03
0
grudados
Preciso me manter longe de mim mesma, antes que eu acabe me machucando. Todos sabem que crianças não devem brincar com fogo. Preciso me levar para passear e ver se me distraio e traio o que venho sentindo, se esqueço do que me preenche e consigo fazer de conta que isso tudo aqui não é comigo e que, apesar das evidências empíricas em contrário, não vai durar para sempre. Preciso urgente de uma viagem para longe da minha vida que me leve a lugares desconhecidos, desses onde eu não queria estar, para ver se encontro lá um outro eu e reencarno viva para parar de matar meu futuro a ferro, fios e cortes. Preciso tomar um porre de algo forte que me faça perder o norte, essa única direção conhecida, e ver se cambaleando a esmo entre vazios encontro o rumo de mim mesma.
Não Discuto
Postado por
Ratapulgo
às
29.10.03
0
grudados
chocolate...
domingo à tarde, sol forte, típico do verão gaúcho. fernando e laura estão em casa, no quarto, quase sem roupas devido ao calor. laura olhava-se longamente no espelho, só de calcinha, analisando-se. fernando, deitado na cama, totalmente absorto na televisão, assistindo a um jogo de futebol. sem olhar para ele, laura perguntou, atenta ao que observava no espelho.
- amor, eu tô mais gorda, né??
fernando ouviu claramente a pergunta, mas preferiu o silêncio, enquanto mentalmente fazia as contas para certificar-se de que estavam ¿naquela¿ semana. seguiu olhando atento o jogo que passava, inclusive reclamando de um erro do ataque de seu time.
- chuta, chuta...
- amor!!! tô falando contigo...
- hein?? ah, desculpa, paixão... tava distraído...
- também, com este monte de cerveja que tu tomou no almoço, e futebol na tv é como seu eu não existisse pra ti, né??
- não, hã... é que... ah, que bobagem, meu amor... o que tu disse mesmo?
- perguntei se tu concorda comigo que eu tô mais gorda?
agora não tinha escapatória. sabia que uma resposta errada neste momento podia encaminhar o tranqüilo fim de domingo em um inferno. mas ele precisava responder. ou enrolar.
- dá uma voltinha, amor.
laura saiu da frente do espelho se colocou na frente da cama, mãos na cintura, girou para um lado, para o outro, sorriso no canto da boca. adorava se mostrar para o marido. parou de frente pra ele, olhos nos olhos, ansiosa, esperando a resposta dele. fernando pensava em como falar isso da melhor maneira possível, e começou bem: desligou a televisão.
- tá meio longe, não tô conseguindo ver direito. vem aqui pertinho, vem...
o sorriso discreto alargou-se no rosto de laura. dirigiu-se insinuante, lânguida, lasciva para a cama. e foi maravilhoso. fernando sabia que tinha que ser maravilhoso, afinal, laura precisava disto. depois, comeram alguns pedaços de chocolate que estava sobre o criado-mudo e foram ao banho com o tesão ainda fervilhando em seus corpos. embaixo do chuveiro resolveram continuar a festa do domingo a tarde. inebriados pela paixão, fernando encostou laura na parede e ergueu-a para poderem transar mais uma vez. mas quando levantou-a, deu um grito ao sentir uma fisgada forte nas costas. soltou laura no chão e colocou a mão às costas com a expressão contraída de quem estava sentindo muita dor. laura cobriu parte do rosto com as mãos, tapando a boca, preocupada.
- tá tudo bem?
- tá, tá... não foi nada...
- foi sim... viu, como eu tô gorda?
fernando preferiu não responder, e colocou a cabeça embaixo do chuveiro frio para demonstrar sua contrariedade com a pergunta. laura saiu emburrada de dentro do box, batendo as portas e encharcando o caminho entre o banheiro e a cama. estava furiosa e fernando sabia que nada do que fizesse neste momento, iria acalmá-la. talvez um pedacinho de chocolate. mas, como oferecer um pedaço de chocolate, para alguém que começaria um regime no dia seguinte??
estranhas palavras
Postado por
Ratapulgo
às
29.10.03
0
grudados
Ah, como é difícil.
Dizem que tudo só depende de você. E pode até ser, mesmo, mas pra isso é preciso chegar a um certo ponto da zona onde as coisas normais nem sempre acontecem.
Por favor, passe-me o controle da minha vida, sim?, como quem pede mostarda à mesa do jantar? Eu acho que não.
(...)
The real folk blues
Postado por
Ratapulgo
às
29.10.03
0
grudados
Os Oito Mandamentos Para Falar Ao Telefone
1. Não deveis urinar.
Esse é de longe meu problema principal. Minha filosofia urinária principal diz que quando vc precisa mijar, vc TEM QUE mijar. Só houve uma vez, que eu me "aliviei" bem devagarzinho, com medo de ser notado, mas isso aconteceu em nome do amor. Em todas as outras vezes, é como xixi de cavalo e a situação ainda é agravada pelo fato de que eu sinto a necessidade de anunciar o mijo, não importando o rumo da conversa: "EU TÔ MIJANDO!".
2. Não deveis beber metade de uma garrafa de vinho.
E muito menos uma inteira.
3. Não deveis ficar equilibrando-se na cadeira, e principalmente, não deveis cair dela.
Sério, isso tem que acabar.
4. Não deveis oferecer-se pra comprar coisas pras pessoas.
Eu estou duro. Completamente. Todo meu dinheiro é imaginário, e apesar de eu amá-lo, no mundo real ele não tem muito uso. Não me deixe vender o computador também. A menos que vc seja bem bonitinho e eu queira realmente ajudar.
5. Não deveis deixar vir à tona memórias obscuras, esquisitas e escondidas da infância.
E se isso acontecer, deveis reclamar de cólica e desligar o telefone.
6. Não deveis insistir em listar as inúmeras razões pelas quais os homens não se interessam por vc.
Principalmente se vc se interessa pelo homem que está no telefone.
7. Não deveis fingir que não acordou agora.
Porque vc nunca consegue enganar ninguém.
8. Não deveis colocar o telefone no meio das pernas ou dentro da cueca.
Na verdade, eu não tenho nada a ver com isso, quem faz é uma outra pessoa. Mas agora que eu sei disso, temo não resistir e experimentar.
. my own pretty hate machine .
Postado por
Ratapulgo
às
29.10.03
0
grudados
Guardanapo V
Na mesa à frente um grupo paga e outro senta. Dois casais. Um camarada lá pelos 25~30 anos, com um inacreditável bigodinho no melhor estilo Cantinflas, acompanhado dos pais e da namorada.
Na mesa ao lado, um casal de namorados come uma pizza 1/2 margueritta,1/2 tomate sêco com rúcula entre sorrisos e casos contados.
A garçonete insiste em demorar em nos trazer dois copos com gelo.
Na mesa do camarada com bigode de Cantinflas, a conversa sobre futebol não parece empolgar nem a mãe dele nem à namorada. Permanecem mudas.
De repente todas as atenções são voltadas aos quatro sagüis que passam correndo por cima dos cabos telefônicos e brincando nas árvores. Nem ligam para os ônibus e buzinas dos carros. Por um momento lembro do casal de sabiás que canta na minha janela todas as manhãs, em outra rua movimentada do Rio de Janeiro.
O pai do rapaz pergunta porque ele tem jogado pouco futebol, ele diz que perderia a namorada se ficasse jogando pelada aos sábados. O pai retruca, com a moça presente, que se fosse com ele ela teria que se acostumar, que ela que fosse fazer outra coisa. Sem graça, permaneceu quieta, talvez pensando nas outras coisas que poderia fazer enquanto o camarada de bigode Cantinflas jogava bola. Se me perguntasse, eu teria dado várias sugestões. Nenhuma delas levaria em conta o que o Cantinflas iria pensar a respeito. Muito menos o pai dele.
Depois de pedir à gerente, chegam os copos com gelo. Na outra mesa, toca o celular do rapaz. Aquele que saboreava a pizza e trocava sorrisos com a namorada. Ele atende e sua expressão é de contentamento. A namorada fica olhando. O papo demora, em tom baixo. Ela deita a cabeça na mesa. A mão direita sobre o braço esquerdo, exibe suas unhas vermelhas. Tenho uma opinião particular sobre unhas vermelhas, mas ela não cabe aqui.
Após uns 10 minutos, o rapaz desliga o celular e a namorada pergunta quem era. Sorridente, ele responde ser fulana, sua grande amiga e que ela estava doida para conhecê-la. A moça faz uma cara de irritada e diz que ela estava mentindo, que não devia ter o menor interesse em conhecê-la, bate as unhas vermelhas na mesa, ajeita o vestido branco de bolinhas pretas e sai da mesa de qualquer maneira em direção ao banheiro. Todos olham.
Guardanapo VI
Tomate sêco com rúcula parece ser a pizza da moda, servida e pedida em todos os lugares. Já operei na bolsa e digo: quando está todo mundo comprando, está na hora de vender e realizar lucro. Embora rúcula pareça nome de doença. Fulano não vem? Não, coitado. Está com rúcula.
O rapaz espera pacientemente que a namorada ciumenta retorne do banheiro. Um pedaço da metade margueritta mais do que fria, outro da doença, digo, da rúcula.
Na mesa encostada à varanda, as quatro amigas pedem o quê? advinhou quem pensou numa pizza família de tomate sêco com rúcula. Já chegaram às gargalhadas pedindo quatro chopps.
Na mesa do rapaz com bigodinho Cantinflas, o assunto é a péssima fase do Vasco da Gama. Discutem animadamente pai e filho. A mãe devora um pratinho com pickles, a namorada observa o movimento na rua entre um gole e outro de caipvodka. Poderosa ela.
A mulher das unhas vermelhas e vestido branco de bolinhas pretas retorna do banheiro mais nervosa do que levantou. Dá com a coxa na mesa, quase derruba o chopp do pacato rapaz.
- Quer saber? diz ela elevando o tom da voz já estridente. E continua.
- Também vou arranjar um melhor amigo para ir ao cinema comigo, sair para tomar chopp, sem você. E vou pedir para ele ligar quando estivermos juntos. O rapaz, de tão sem graça, parecia não saber nem onde colocar as mãos, ainda tenta se justificar, como se existisse algum motivo para alguém se justificar por ter uma amiga e com ela, ter vontade de sair e bater papo. Era só o que faltava. Fico imaginando por que motivo um sujeito namora uma maluca daquelas. Case study? Vai ver está cursando psiquiatria. Namorada(o) arruma-se aos montes. Amiga(o) não. Conta-se numa das mãos e muitas vezes sem utilizar todos os dedos. O garçom aparece e o sujeito, ao invés de pedir a conta, ainda tem coragem de perguntar se ela quer sobremesa - e ela quer - e pede duas mousses de chocolate. A reclamação continua. Até o Cantinflas já percebeu e acena com a cabeça para o pai, cortando o assunto Vasco da Gama. E sem sair do colorido, já que a moça veste branco e preto. E aquelas unhas vermelhas.
A pizza das quatro amigas chega lá pela terceira rodada de chopp.
papel de pão
Postado por
Ratapulgo
às
29.10.03
0
grudados
28.10.03
Devo estar pagando castigos por atos pregressos.
A minha crise nas costas que não me atacava há 2 anos resolveu atacar 2 vezes no último mês.
Não consigo mexer o braço, nem sequer abrir uma porta sem desencadear uma dor na parte superior das costas. E é dor de gritar mesmo, não são pontadinhas.
Conheço o nome de todos os remédios que tomo (que são os mesmos de minha avó). Estou fazendo acupuntura e tomando florais de Bach. Dormi no chão e acordei gripado.
Às vezes tenho a impressão de que meu inferno astral me ataca sempre com 3 meses de antecedência.
Silenzio, No hay banda
Postado por
Jan
às
28.10.03
0
grudados
27.10.03
eu não queria pagar os preços das coisas; porque, meu deus?
porque eu tenho que fazer exercícios para emagrecer e estudar para ser inteligente? Que inferno!
Tem pessoas que comem feito umas putas e são magérrimas, e outras que não fazem nada e têm um QI de 180. ai, fodam essas pessoas, elas merecem a morte eterna por ter como função vitalícia causar inveja nas pessoas gordas e burras.
uma solução seria morar com alguém inteligente e magérrimo, e ser influenciado. além de ser...
...privilegiado com tão boa companhia.
adoçante
Postado por
Jan
às
27.10.03
0
grudados
26.10.03
: Tou bêbida e que se foda!!! ::
Comprei, comprei, comprei sim, meu caralho!!! Tou feliz demais! Tou bêbada e feliz demais, bêbida que nem um gambá, e deus-o-livre, caralho, quanta felicidade! Comprei sim! Capitu Sou EU, o novo do Trevisan, grande bosta! Grande bosta que sou, grande bosta que ele é!!!!
Fiquei brincando de tirar dinheiro do caixa-automático, até resolver o que eu iria fazer. Queria ter um caixa automático em casa, pra ficar brincando de tirar dinheiro, que nem tem maluco aí que queria ter máquina da Coca Cola, só pra ficar espancando o dia inteiro. Ou uma daquelas máquinas dos cassinos de Las Vegas, que fulano roda e tem que fazer um trio de figuras igualzinho, como é o nome daquela porra de máquina, aquela dos desenhos do Pica Pau? Podia até sair dinheiro falso, de mentirinha, eu não ligava. Aquele é meu momento. Meu momento tirar dinheiro do caixa automático. E podem me enterrar junto com os indigentes quando eu morrer, que eu não ligo, eu pelo menos tive o prazer de tirar dinheiro no caixa automático. Ai, que grande bosta de pira! Que pira mais louca!
Aí, eu nem quis saber de porra nenhuma, esse dinheiro é meu, meu último dinheiro feliz, deixa eu ir ali na esquina comprar alguma coisa que me faça gozar, e não tem nada a ver com o pau do meu ex! Me dá o último do Trevisan moça, e embrulha pra presente que hoje a noite é minha, e que se foda o mundo. Trevisan vai entrar pelos meus poros, pela veia, até a última ponta. E se vender Skol nessa porra, me manda duas já, porque o dinheiro dá para os dois vícios sagrados, a cachaça e o Trevisan.
E que se foda! Tou bêbada mesmo, e tou vestida de vermelho, e que se foda! Que se foda o All Star, eu quero é as minhas fantásticas e gigantescas botas, e o meu delineador perfeitamente borrado, e a minha bocona pintada com um batonzão nervoso. Que se foda essa cara pálida, que há quanto tempo mesmo não vê uma pintura?!
Que se foda o ex, que se foda o pequeno, que se foda as rápidas conquistas em busca de cerveja no Largo da Ordem, que se foda se a vida é barra pesada, que se foda o subsolo do underground, que se foda, que se foda, que se foda as luzes amarelas assimétricas de Curitiba. Que se foda o Fire Fox e sua janela perfeita, de onde as luzes assimétricas não me sossegam o facho, e me cegam de Skol e copos por todos os lados. É sexta feira, antes da meia noite, e eu tou em casa, viva, feliz, e meio embriagada, mas estou em casa, em segurança, e que se foda!
Que se foda Dalton tá aqui comigo, e que se foda.
---
Outubro/2003
Eu fui, depois de ter feito amaior merda da minha vida. Melhor não revelar o nome dela. Especialista em dependentes químicos. Tava na lista. Páginas amarelas. Um consultório todo estiloso, branco, com almofadas de cores quentes. Qual é o seu problema Daniele? Eu bebo. Eu tinha dezoito anos. Depois, na semana passada... Era algo totalmente fora de ordem. Flashes de cinco anos atrás, depois flashes daquela semana horrenda. Pai, mãe. Botecos. Namorado. Ex-namorado. Vida. O que quero ser. Mais perdida que cego em tiroteio. Vim andando, não conseguia achar o prédio. Não vou chorar. Eu quase chorei. Engoli tudo. Ela disse que ali era o lugar de chorar. Vou ter que conversar com seus pais, você mora com eles, e enquanto você morar e for sustentada por eles, eles tem que te ajudar. Não só financeiramente. Eu acho que minha família inteira precisa de psicólogo. Eu falo com eles. Saí de lá tonta. Uma mistura de alívio e dor. De peso, e alívio. Tudo misturado. O choro entalado na garganta. Dor no rosto. Palpitação, e ainda tenho que ir trabalhar e dar de cara com aquela catarina vagabunda! Passei duas noites em claro, chorando. Depois comecei a me controlar. Dava uma choradinha, virava para o canto, e tentava dormir. Eu que achava que psicólogo era médico de louco, quase me ajoelhei diante dela, implorando pra que ela não me deixasse mais sair. Mesmo sabendo que ela é médica de gente desequilibrada, eu fiquei feliz, porque nos últimos cinco meses, ela foi a única que me pegou pelos ombros, jogou minha estima pra cima, e disse: Você pode recuperar tudo isso.
Mas...
Não deu certo. Ela não atende por convênio. Meu pai imediatamente achou muito caras as consultas. Chamou a médica de mercenária, só porque ela concordou em voltar a fechar com o convênio do meu pai, porque disse que "gostou de mim", [afinal, quem não gostaria de tratar a mente de Dani Blue?]. Ela também sugeriu que meus pais fossem falar mais de perto com ela [fazer terapia], meu pai, óbvio, se ofendeu. Afinal as loucas da família sou eu e minha mãe, ele não tem nada. Mandou eu procurar outra médica, do convênio dele. Não quis nem saber quando eu disse que ela tinha concordado em voltar a fechar contrato com o convênio dele. Eu disse que não iria em outra psicóloga, passar por todo aquele sofrimento da "primeira vez" novamente. "Esquece", ele disse. Tou pintando meu pai como um carrasco, mas ele não é. Imagina só, a psicóloga deve ter mexido com os brios dele dizendo que a família inteira precisa se tratar.
Agora o assunto virou tabu, ninguém mais fala, ninguém mais comenta. Eu voltei a semana toda pra casa bêbada. Direto para o meu quarto. O segredo sujo da família.
:: Blue Idol :::: you see I, I don't want, to be hurt by love again ::
Postado por
Ratapulgo
às
26.10.03
0
grudados
25.10.03
Essas mulheres...
Tia Magaly sempre foi mulher meio insegura, se achava feia e infeliz porque nunca conseguiu "segurar" um marido,mas era talentosa.
Talentosa na área dela, advogada de mão cheia,procuradora do Estado, moça comportada, até onde sabíamos.
Sempre desconfiei desses bons modos,não com olhos preconceituosos, mas com olhos de curiosidade mesmo.
Em 98 viajamos juntas,dar umas voltas por aí e uma das voltas mais curiosas aconteceu em Berlim.
Foi com a testa brilhando, tinha acabado de fazer uma plástica no rosto, daquelas que se sorri, mexe o dedão do pé.
Todas as noites durante a viagem, saíamos para beber, quer dizer, ela saia pra beber e eu pra olhar, porque ela não me deixava beber, no máximo uma cerveja e olhe lá.
Bebia até ser carregada (por mim) durante a noite e acordava com aquela cara de "o que que eu fiz" querendo vir embora pro Brasil, de vergonha, é claro.
Outro vício dela era o chá com leite.
Numa dessas tardes em que ela tomava o chá e eu me preparava pra carregá-la mais tarde,ela tirou um caderninho da bolsa e disse assim:
- Débora, vou te contar um segredo, mas se você disser isso pra alguém, eu juro que nunca mais te levo pra passear.
- ok,fala aí!
- Ta vendo esse caderninho aqui?
- To, o que que tem?
- Abre..
Abri e ali tinha pelo menos o nome de uns 60 homens, uns com xis outros sem xis na frente.
- Que isso Tia? Nome de cliente?
- Nãoooo, que cliente o que, é nome de homem que eu sempre quis dar mesmo.
- Esses com xis são os que a senhora "traçou"?
- Isso..
- Sem xis é o que não traçou, certo?
- Hum hum
- E os riscasdos?
- São os que a filha da puta da Berenice traçou.
- Berenice?
- Minha ex melhor amiga.
- Ué, não dava pra dividir?
- Ela não deixava, mas esses homens eram meus,ela não tinha nada que se meter nos meus planos.
- Nossa, era disputa então?
- É, mais ou menos como a cerveja, o chá com leite,tudo muito viciante,adrenalina total, mesmo sabendo o risco que estava correndo eu não parava,perdi pessoas que gostava de verdade, estranho isso, como se eu quisesse provar pra mim mesma o quanto eu era melhor que a vaca da Berenice.
- Por isso nunca ficou tanto tempo com uma só pessoa?
- Acho que sim.Castigo talvez, "Não desejar o marido da próxima", já dizia aquele "velho" senhor e a pior sensação é essa a da ressaca em que você acorda sabendo que magoou alguém, promete nunca mais fazer até ver a próxima garrafa.
- Tia traçadora, hein?
- Mais respeito menina!
- Oh tia, o que que é esse último nome na lista aqui?Tá com a data de hoje!
- É o pianista.
- Que pianista?
- Lá do Bar do Hotel.
- Ué, mas não era disputa sua com a Berenice?Ela nem aqui está.
- Esse é o problema, a Berenice era só uma desculpa pra infidelidade e além do mais eu disse que um dia eu daria prum músico Inglês antes que ela, e vou dar!
- Mas estamos em Berlim e não na Inglaterra!!!
- É Homem,Músico e Europeu, o resto a gente vê depois, quando chegar a hora da ressaca, e me passa o chá com leite que hoje a noite é longa.
---
Procura-se
Desesperadamente uma certidão de divórcio.
Sem ela não posso casar-me com meu futuro noivo.
Segundo ele, a filha usou como rascunho (é ele disse isso de você), e pede encarecidamente que todas as suas 5 ex-esposas, que lêem meu blog diariamente, envie cópias para nós.
Hoje ele foi comprar as alianças e foi ao sex shop comprar todos os apetrechos para comemoração do noivado.
Uma camisinha verde-limão fluorescente com bolinhas de borracha na ponta é um deles, vamos apagar as luzes e brincar do Retorno de Jedi!
Se as certidões chegarem, em novembro eu caso no templo Budista vestida de branco, que é coisa de moça virgem que não tem caderninhos de anotações igual ao da tia.
Aliás, em Curitiba tem Templo Budista?
Casos e Acasos Virtuais
Postado por
Ratapulgo
às
25.10.03
0
grudados
PERSONAGENS À PROCURA DE UM ENREDO - PARTE I
Criançada, agora ninguém me segura. Com o firme propósito de atingir meu objetivo de vida, que segue o vetusto lema "otium cum dignitate", investirei meu tempo (que é muito) e minha energia numa nova carreira: escritor de roteiros para a novela das oito. Vamos aos personagens:
RINALDO MESURAS D'ANTANHO: Próspero industrial do ramo da mineração. Gordo, careca, baixinho e corno. Famoso pelo talento em gastar quantias fabulosas de dinheiro com excentricidades, como acarpetar todo o Clube de Golfe do qual é sócio com grama sintética fabricada por Yves Saint Laurent. Casado com Quiquinha (neé Francisca) e pai de Pôla.
QUIQUINHA MESURAS D'ANTANHO: Esposa de Rinaldo. Foi comprada aos doze anos num leilão de virgens em Serra Pelada por um procurador do Dr. Mesuras, Pífio Galardão. Boatos maldosos sugerem que Galardão já comeu no mesmo prato do patrão, mas com o prato emborcado. Quiquinha se adaptou extraordinariamente bem a uma vida fútil e luxuosa. Virou socialite, corneando com desenvoltura seu marido com o cirurgião plástico, o ginecologista, o dentista, o psicólogo, o professor de yoga, o gerente do banco, o Padre Jônatan e os colegas do curso de feng-shui.
PÔLA: Filha única do Casal D'Antanho. Garota musculosa, cabelo escovinha pintado de loiro, voz grossa. Ganhou, entre as amigas, o carinhoso apelido de Polacão, que mais tarde foi abreviado para Pôla. Os pais, muito liberais, não enxergam problema algum em receber a turma de Pôla nos churrascos de fim-de-semana onde elas se divertem lutando no gel e disputando queda de braço.
PADRE JÔNATAN SUÍFTE: Pároco da Igreja Madalena Nossa Terra. Beberrão, mulherengo, pulha e cínico. Um dos muitos responsáveis pelo fato de ninguém notar que o Dr. Mesuras é careca, dada a quantidade de chifres. O Padre, secretamente, mantém um negócio de tráfico de Escravas Brancas para o Japão, onde acumula as funções de Proprietário e Degustador.
Confessionário do Padre Levedo
Postado por
Ratapulgo
às
25.10.03
0
grudados
A vida como ela deveria ser
Acordar de manhã cedo, pular da cama e nem calçar os chinelos: correr 10km no barro batido da estrada, ao som dos grilos e guiado pelos vaga-lumes e ver, à direita, o sol nascendo preguiçoso. Voltar prá casa e tomar um banho gelo e te encontrar ainda deitada na cama, corpo banhado pela luz que entra furtiva pela fresta das cortinas.
Largar o jornal e levantar da cadeira sentindo o cheiro do feijão e te roubar um beijo na cozinha. Deitar abraçado contigo na rede da varanda e acordar com as crianças brincando com o cachorro no gramado, enquanto o sol vai dormir atrás das montanhas.
Voltar à varanda e tocar violão sob as estrelas, sabendo que nenhuma delas tem um brilho tão intenso quando o brilho dos teus olhos
Alea Jacta Est
Postado por
Ratapulgo
às
25.10.03
0
grudados
Meus líquidos infestam tua pele e minha carne treme entre teus dentes. Me salvo da asfixia com os goles de ar que saem da tua boca, sugados pelos meus lábios. Escrevo meu nome a saliva na tua barriga, incrusto meus fluidos entre teus dedos, sinto o cheiro do meu sexo na tua boca, ouço tuas palavras escaparem pelos meus lábios, perco meus cabelos em tuas mãos, encontro meu rosto sobre teu peito, me visto de delicadeza e loucura sob teu peso, preencho tuas frestas com a fome da tua inteireza, banhas meus pés com a tua língua, descubro meu prazer emaranhado na tua força, refazes o meu corpo com teus movimentos. Renasço em gozo repleta de ti.
Não Discuto
Postado por
Ratapulgo
às
25.10.03
0
grudados
Dez
Dez horas me diz o relógio. Dez horas e estou cheio de tédio. Dez horas e quero saltar deste prédio. Dez horas e não sei mais qual o caminho. Dez horas e me sinto sozinho. Dez horas e quero um bom motivo pra continuar. Dez horas e um. Melhor assim. Agora um novo tempo começa. Até chegarmos em dez e dois. Então tudo mais ficará para depois.
MegaZona
Postado por
Ratapulgo
às
25.10.03
0
grudados
brazileira!preta - R.I.P.
28.9.01 - 24.10.03
Foi bom, foi lindo, frutífero e inspirado, dois anos de posts ininterruptamente cuspidos e jorrados diretamente do coração desta que vos escreve, dois anos de paixões e amigos e risadas e momentos tristes e uns outros momentos do caralho, dois anos de miséria e euforia.
Mas tudo o que é bom tudo acaba. Senão não tem graça.
Poderia dizer que não tenho mais tempo e que estou afundada entre fraldas e mamadeiras e noites mal dormidas e um frila na mtv - o que é verdade, mas não me impediria de continuar se eu realmente quisesse. Poderia dizer que agora sou uma mulher casada, fiel e apaixonada e que não sofro mais de amor perdido, o que também é verdade - e é que eu procurei a minha vida inteira. Mas isso também não me impediria de escrever no blog. A única coisa que me impede sou eu mesma. Cansei disso tudo, porque um dia cansa.
E eu não vou ficar me forçando a fazer algo que não quero. Sem paixão não rola. Sem paixão não tem condições. Está nos meus Dez Mandamentos: não faço nada que não queira, nada que seja forçado, senão fica sem alma e sem alma não presta pra nada. O brazileira!preta, de um tempo para cá, tornou-se mais uma obrigação do que prazer. Antes eu era obcecada por postar, postar, postar, escrever, escrever, escrever, o tempo todo, o dia inteiro, com chuva, com sol, neve, granizo, coração partido, álcool nas veias, lágrimas nos olhos. Passou. Claro que eu não vou parar de escrever, senão eu morro. These words I write still keep me from total madness, mas elas agora serão escritas de outro jeito, em outros lugares, lidas por outras pessoas, em jornais ou livros ou revistas ou qualquer outro veículo. Mas não mais aqui. Cansei, saturou, não quero mais saber desse negócio de blog. Só essa palavra já me embrulha o estômago, dá ânsia de vômito, "bloooogh". Cansei. Mas não vou parar. Só vou mudar de novo, e de novo, e de novo. Prometo que aviso quando o Vida de Gato sair. Vocês reclamem com o Joca Reiners Terron, que eu já entreguei o livro para ele e agora não é mais comigo. Estou escrevendo outro livro, agora para uma editora grande, bem grande, mas não vou falar sobre essas coisas porque dá azar. Agora eu vou escrever livros. Chega de blog, chega de escrever de graça, chega de gastar as minhas histórias. Queridos leitores, obrigada por tudo, todo o carinho, todos os emails, todos os presentes e tudo que vocês me deram. Eu vou continuar por aí, nas prateleiras, nas revistas, nos arquivos do blog e no coração de vocês.
E agora chega, que eu detesto despedidas.
Com amor,
Lady Averbuck
before you accuse me take a look at yourself
Postado por
Ratapulgo
às
25.10.03
0
grudados
24.10.03
Eu fui
Moacyr Scliar tomou posse na Academia Brasileira de Letras. Eu fui. Quem diria, hein? Na sexta-feira passada aluguei um smoking numa casa do gênero em Copacabana, passei um gel na careca e lá fui.
Divertido ter passeado incógnito pelos salões da ABL. Cumprimentei Moacyr Scliar, que não me reconheceu e eu nem fiz questão de. Sabe como é, sou muito tímido. Tomei aquela bebida inexplicável que é o tônico dos velhinhos, com vodca e abacate, e fiquei um tanto quanto alto na Casa de Machado de Assis.
A cerimônia em si foi chata, é preciso dizer. Discurso, aplausos, cheio de laquê no ar, calor, repórteres de treze anos escrevendo sobre o assunto, perguntando um no ouvido do outro quem é Moacyr Scliar, aquelas coisas. E eu lá, no meu smoking alugado, a gravata borboleta fazendo com que eu parecesse o José Mauro de Vasconcelos na contracapa da minha edição do O Meu Pé de Laranja Lima.
Circulei, circulei. Dizem que este é o segredo: ver e ser visto. Se bem que, quem me viu, não soube quem eu era. Os poucos que me conhecem por fotografia não ligaram o homem em calças jeans e tênis desamarrado ao bonequinho de cera em smoking alugado (rimou).
Aliás, o discurso de Scliar foi uma preciosidade do começo ao fim. Não à toa, o povo de smoking e vestido longo, as velhas com colares de pérolas, nas rodas que se formaram após a formatura, digo, posse, comentava a ousadia do moço Scliar, que propôs o referendo popular para a escolha dos novos nomes da Academia.
Em especial uma velhinha de lábios finos, que vestia um longo preto com uma renda no busto, de modo a esconder os seios já sem vida, estava indignada. Ela dizia para sua interlocutora, que exagerara um tiquino no blush, sem medo de estar cometendo uma gafe, que o recém-imortal está maluco. No que eu concordei um pouquinho, tenho de dizer. Olhei por cima das cabeças e lá ao longe vi Scliar, em seu fardão tinindo de novo. Ele sorria naquele modo inegavelmente gaúcho de sorrir.
Passei pela estátua de Machado de Assis que fica no pátio da ABL e dei um tchauzinho ao bruxo. Estava meio de pileque, por causa da mistura de abacate com vodca. Como um bêbado de filme felliniano, pensei em gritar para a estátua:
- O que fizeram de você, hein?!
Mas me contive. Desci as escadas, atrás de um grupo de senhores que falavam sobre Mário Quintana, a quem Scliar homenageou. No táxi, a caminho de casa, me perguntei que tipo de glória é essa, de que falam os acadêmicos. E que tipo de glória é a outra, de que fala Machado de Assis na estátua. Há uma diferença enorme entre elas, mas será que ninguém percebe? Ou preferem mesmo ficar recitando o tal do passarão-passarinho?
De qualquer modo, é bom que se registre: referendo popular, em se tratando de Academia Brasileira de Letras, é uma idéia tão, mas tão boa quanto a própria Academia Brasileira de Letras. Se é que me entendem.
O Polzonoff
Postado por
Ratapulgo
às
24.10.03
0
grudados