18.7.03

Hoje, só uma coisa está me fazendo feliz: esse raio de sol que está batendo no meu pé esquerdo, descalço.

a moveable feast

Minha madrinha Anna me revelou há algum tempo atrás que eu quando tinha lá meus 5 anos ia a uma psicóloga porque tinha medo de tudo.

Quando ia à casa das outras pessoas eu ficava agarrada na saia da minha mãe ou na dela o tempo todo. Se eu ouvisse o barulho de um carro na rua já ia me esconder e quando chovia e trovejava eu me encolhia na cama, tampava os dois ouvidos e ficava cantalorando lalala's. Eu tinha medo de tudo mesmo, de papai noel, de coelhinho da páscoa, de palhaço. Deveria ser a criança mais chata do parquinho.

Eu nunca me divertia nas festas das minhas amiguinhas e nas minhas nunca teve um palhaço se quer. Sempre tive poucos amiguinhos e não me importava com isso.

Cresci, e agora com dezesseis anos na cara continuo a mesma, não sei fazer sala, tenho medo de raios e trovões, chega visita e eu me enfio no meu quarto, odeio o papai Noel, o coelhinho da páscoa, quero que todos os palhaços morram e sinto um temor imensurável por esses caras que se fantasiam de telletubies em festas de crianças. Conto meus amigos na minha mão direita e continuo não me importando com porcaria nenhuma.

Quando te disserem que 'as coisas mudam quando você cresce', é tudo mentira.

its my blog and I'll cry if I want to

Fim

Pararam as obras. Tá tudo parado. O trânsito está congestionado.
Pararam as ampliações. Lacraram as portas. Colocaram um cadeado no lugar.
Pararam as máquinas. Ficou um silêncio. Pararam as doações de sangue.

Um coração parou.

Parou no meio da linha, a caneta com a tinta seca. Parou entre duas bocas o último beijo, a última saliva de um amor amargo, prestes a acabar. Tardou. Parou. Tudo. Apagaram as luzes, esvaziaram as garrafas, a tinta descascou, e até o porteiro, com suas luvas de lã e cachecol azul, se foi, sem ao menos ser questionado se queria sair, se queria ficar.

E por ali, ficaram aqueles restos e sobras de uma construção que nunca foi concluída, que nunca foi aceita, que ficou no papel perfeita, na maquete, reluzente, mas no concreto, interminada. Pararam tudo, interditaram o pipoqueiro, e também os banheiros, afastaram todo e qualquer tipo de vida que estava por ali. Chamaram o controle de pragas, para acabar com as possíveis baratas e insetos que por ventura viessem aparecer depois do fim, e acabaram espantando para longe não só as serpentes, pulgas e ratos piolhentos, mas também o casalzinho de joão-de-barro, que feliz, se aninhavam por ali.

Fecharam tudo, bateram as portas, apagaram as luzes, enxotaram vidas, calaram o silêncio, varreram as cinzas e purpurinas, tomaram o último gole, até o vazio, deram um jeito de esconder. Acabou-se o asfalto onde a gente estava acostumado a andar.

oldstyle

E o problema é...

ser normal. Normal demais. Não é extremamente legal, e nem insuportavelmente chato. Não me faz rir sem parar, e também não pega no meu pé, nem me pentelha até que eu fique possessa de raiva. Não é muito feio, mas também não me atrai a ponto de eu não conseguir desviar o olhar. Não se veste muito bem, mas também não se veste mal me fazendo ter vontade de contar que bermuda laranja e verde limão não combina com uma camiseta da seleção italiana . Não concordo com todas suas palavras, porém seu ponto de vista não faz com que cada conversa seja interessante, mesmo que um pouco hostil. Não tem uma personalidade que me surpreenda e me entretenha, embora também não aja e pense de uma maneira que cause conflitos, que me irrite, enfim, que faça com que todos meus pensamentos sejam relacionados a ele. Não tem um estilo parecido com o meu e não pode-se dizer que é a "Fernanda de calças compridas", entretanto não distoa completamente na multidão. Não tem nem de longe os mesmos gostos ou hábitos que eu, mas também não tem atitude suficiente pra se opor ao que eu digo. Não me cobre de elogios, nem faz com que eu me sinta a pessoa mais importante, mas de maneira alguma me trata com indiferença ou se mostra despreocupado comigo. E apesar de já ter feito e passado por coisas completamente absurdas, não consegue fazer com que qualquer momento relacionado a mim seja menos normal.

I have no idea where it came from

17.7.03

muito pânico nessa hora

Comecei a namorar uma embalagem de biscoito Passatempo recheado. Aí, vi a recomendação, na lateral do pacotinho, mais ou menos nos seguintes termos: tenha sempre um passatempo por perto. Com um biscoito você repõe as energias de 25 minutos de corrida.

Uia, que meda. Quase atirei o pacotinho. Não tenho condições de correr por cinco horas seguidas.


uma pérola perolada

Uma professora muito bacana, mas que vive completamente no mundo da lua, estava ao telefone com uma amiga quando a filha pequena veio e disse (e tudo isso ela contou na sala de aula):

- Mãe, a professora mandou eu procurar no dicionário duas palavras, uma que comece com E, e outra que comece com H...

- Sei.

E a professora lá, falando com a fulana. Quando se deu conta de que a filha estava lá, ainda, esperando, virou e disse, sem nem pensar:

- Exegese e hermenêutica.

E a coitadinha da menina ficou com aquela cara de interrogação, sem saber como escrever, nem qual começava com qual.

Sua mente capta?

Porque eu não sabia o quanto doía, embora soubesse da dor. Porque seus gritos me paralisavam de medo. Porque eu nunca aprendi a perder. Porque eu nunca soube ganhar. Porque você me deu a chave de casa quando ainda era muito cedo pra isso com o aviso "faça o que quiser, vá pra onde quiser, mas todo dia, às seis da manhã, eu tiro você da cama pra escola". Porque você comprava biscoitinhos recheados de chocolate e dizia "Bi, vem cá, comprei os Olímpicos". Porque você chamava a despensa da casa de "special reserve". Porque você cantava a música do baile na gafieira pra mim, e a dos sapatos de Iracema e aquela em italiano, sobre o comunismo e a liberdade. Porque você me ensinou a amar música cubana. Porque eu não passo 24 horas sem pensar em você. Porque eu amava o Alexandre e quando você o conheceu, você o amou também. E aí, meu amor por ele aumentou. Porque você me levou para viajar pra tudo quanto foi lado, e viajar com você era andar com o melhor guia turístico do mundo. Porque uma vez, em Lisboa, você me disse : "Civilização, é isso aqui, digam o que disserem. O mundo é melhor em Portugal, Bi". Porque até os motoristas de táxi da Alfama te conheciam. Porque você sabia dos gregos, dos romanos, dos fenícios, dos visigodos. Porque as suas malhas tinham um cheiro bom. Porque ninguém podia usar seus chinelos ou mexer no seu umbigo. Porque no dia da formatura do Pedrão, ele ali no palco, você me disse "seu irmão foi a melhor coisa que eu já fiz na vida" e eu fiquei triste e feliz ao mesmo tempo. Porque agora, seu globo terrestre é meu. Porque você botou a Setembrina nas nossas vidas, e agora eu tenho pesadelos horríveis com ela, e acordo chorando. Porque sua mãe tinha olhos azuis e me chamava de "cariño". Porque você botou a Lola na minha vida, e isso não tem preço. Porque eu queria um pai, não um amigo. Porque nós não fomos nem amigos. Porque você andava a cavalo como um Huno, e eu tinha tanto orgulho que achava que ia desmaiar. Porque eu nunca vi mãos tão belas quanto as suas. Porque você é meu pai, e ninguém tira isso de mim. Porque as palavras duras nunca paravam na sua garganta e sempre paravam na minha. Porque você se deitava no chão do meu quarto, pegava na minha mão e cantava "se essa rua fosse minha" com a voz mais doce do mundo. Porque você, mais que ninguém, me ensinou que ostentar tudo, de carro novo a conhecimento, é a coisa mais execrável que se pode fazer. Porque o Alexandre vive dizendo "se o Nelsinho estivesse aqui...". Porque você me ensinou a andar de bicicleta. Porque você sabia como me magoar. Porque você cantava no banho. Porque seu pai foi a pessoa que mais me amou nessa vida. Porque você nadava tão bem, pulava tão lindo do trampolim. Porque eu subia nos móveis e gritava "madeeeeeeeiraaaaa!"e você corria pra me apanhar. Porque você me mandou pro Rio, pra ver o Bolshoi no Municipal. Porque você nos contava as historinhas do Bingo. Não, Pingo. Bingo. Pingo. Ai, pai, decide, como é o nome do indiozinho? Porque você passava o tempo todo fazendo média pra arquibancada, e só a gente sacava. E agora, pagamos o preço pelo seu teatro... e isso não é justo. Porque seus carros tinham nomes engraçados como "Roberta Close", "Juvenal Alfafa", "Viatura". Porque a vida sem você é tão ruim, que muitos dias eu não consigo nem sair da cama. Porque você nunca disse que eu era bonita. Porque você dissecava peixes, asas de galinha, galinhas inteiras, até uma cobra que você atropelou, pra explicar como os bichos funcionavam e uma vez na feira, (lembra?), a mamãe comprou um filhote de tubarão e foi a maior aula da minha vida. Porque você dava aulas de astronomia também, com lanternas e laranjas, e depois nos levava ao Planetário. Porque eu nunca fui capaz de ser o que você queria que eu fosse. Porque você amava meus cabelos. Porque você me ensinava o que havia de mais invocado em genética, e eu adorava. Porque você tinha enciclopédias genias, e agora elas estão aqui. Porque eu tenho uma foto sua com uma flor na boca. Porque na primeira vez que eu me vesti de "mulherzinha", você tirou os tamancos plataforma dos meus pés no meio da rua, e jogou num tereno baldio, e eu não me lembro de humilhação maior. Porque 12 horas antes de morrer, você estava preocupado com a minha gripe. Porque eu nunca amei tanto alguém. Porque eu nunca odiei tanto alguém. Porque você fazia "ovos no inferno" e tostex, e nós ríamos na cozinha. Porque você se cercava de gente de décima categoria, pai, sempre. Porque você adorava as cantinas do Bexiga, e comia fussili e perna de cabrito. Porque você tinha a gargalhada mais gostosa e mais rara, e o que eu mais desejava na vida era fazer você rir. Porque hoje é seu aniversário e você não está aqui. Mas eu estou. Então, você está aqui, em mim.

Drops da Fal, no aniversário do pai dela.

Gravação Eletrônica do Instituto de Saúde Mental

"Obrigado por chamar o Instituto de Saúde Mental, a companhia mais saudável em seus momentos de maior loucura.

Se você é obsessivo compulsivo, tecle repetidamente 1.

Se você é co-dependente, peça a alguém que tecle 2 por você.

Se você tem múltiplas personalidades, tecle 3, 4, 5 e 6.

Se você é paranóico, nós sabemos quem é você, sabemos o que faz e sabemos o que quer. Espere na linha enquanto rastreamos a sua chamada.

Se você sofre de alucinações, tecle 7 e sua chamada será transferida para o Departamento de Elefantes Cor-de-rosa.

Se você é esquizofrênico, escute atentamente... uma vozinha lhe dirá que número pressionar.

Se você é depressivo, não importa que número escolha, ninguém irá lhe responder.

Se você sofre de amnésia, tecle 8 e diga em voz alta seu nome, endereço, telefone, número da identidade, data de nascimento, estado civil e o nome de solteira de sua mãe.

Se você sofre de indecisão, deixe sua mensagem logo que escutar o sinal... ou antes do sinal...ou depois do sinal...ou durante o sinal. De qualquer maneira, aguarde o sinal...

Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.

Se você tem baixa auto-estima, por favor aguarde.
Todas as nossas telefonistas estão ocupadas atendendo pessoas mais importantes.

Obrigado.

um espírito de porco (via Isabel)

– Oi, Pedrinho!
– Meu nome é Pedro.
– Eu sei, Pedrinho. Então, como você tá?
– Eu tô bem, mas fico melhor se você NÃO me chamar de Pedrinho.
– Tá bom, Pedrinho. Então, tá chegando seu aniversário.
– É PEDRO, caralho! Porra, não tem assunto melhor pra falar, não?
– Melhor do que o seu aniversário, Pedrinho?
– Meu nome é PEDRO, porra! É. Existem zilhares de assuntos melhores que o meu aniversário. Até a descrição fiel de um tratamento de canal sem anestesia é mais divertida que falar dessa porra.
– Ah, Pedrinho, como você é desagradável. Ei, vai ter festinha?
– NÃO! E MEU NOME É PEDRO!
– Poxa, Pedrinho. Festinha, bolinho, parabéns-pra-você. Ia ser tão legal. Vou ligar pra sua mãe pra gente fazer uma em sua homenagem.
– Você não ouve porra nenhuma do que eu falo, né?
– Pssst. O filme tá começando, Pedrinho.
– ...

Cara, conversar com a Marcela é angustiante.

um pedrinho nunes básico

Mais danos do que perdas

- Você deveria ter me avisado.
- Como avisar algo que nem eu sei.
- Sabe sim. Como não sabe?
- Eu não planejei nada. Aconteceu.
- Você pensa que eu sou idiota. Isso não é o tipo de coisa que simplesmente acontece. Tinha que ter espaço pra isso.
- Não, eu juro. Foi tudo muito casual.
- Imbecil, idiota, canalha.
- Por favor, não leve as coisas pra esse lado.
- Olhe bem na minha cara. Eu pareço idiota? Tenho jeito de idiota? Não estamos mais numa época em que as coisas simplesmente acontecem. Pelo amor de Deus.
- Tá, tudo bem. Vamos dizer que eu colaborei um pouco pra que isso acontecesse.
- A sua colaboração foi definitiva. Do princípio ao fim, você agiu com a determinação necessária pra que isso tudo fosse exatamente como aconteceu.
- Me perdoe.
- Não. Eu não te perdôo. E quero que você olhe bem pra minha cara.
- Eu te amo.
- Ama porra nenhuma. Ama o caralho. Você não ama ninguém.
- Não, não é verdade. Eu amo você.
- À merda com este amor. Olhe bem pra mim. Vamos, olhe!
- Eu te amo.
- Esta é a última vez que você está me vendo. Sente o meu cheiro?
- Eu te amo.
- Sinta o cheiro dessa pele. Você nunca mais vai me ver. Nunca mais vai me tocar.
- Me perdoe, eu amo você.
- A partir de agora, eu vou ser apenas uma lembrança. Não, melhor. Vou ser uma presença.
- Eu te amo.
- Uma presença equivocada na sua vida, que você nunca mais vai ter notícia. Esqueça que eu existo, esqueça meu nome, esqueça meu telefone. Esqueça também o meu endereço. Nem no seu pensamento eu quero estar presente.
- Eu te amo.
- Ama porra nenhuma. E pare com essa chantagem emocional barata e mesquinha.
- Não me deixe.
- Já deixei. Se você não está entendendo, eu explico. Estou saindo agora por essa porta. E a partir de hoje, eu não conheço mais você. Entendeu? Eu não conheço mais você.
- Não me abandone.
- Verme. Pústula. Canalha. Como pôde fazer isso comigo? Você deveria ter me avisado.
- Eu te amo.
- Você deveria ter me avisado.

o mundo paralelo de João Bernardo, via Dani

16.7.03

Eu, um astronauta e um cubo estávamos numa mesa de bar. Como é óbvio, a conversa foi longe, passando por planos de vida, desígnios amorosos, família, política, tudo de que um bêbado é capaz de falar. Mas, por algum motivo, o papo enveredou para Teoria da Comunicação. Foi mais ou menos aí que alguém atrás de mim disse 'oi'.

Silêncio na mesa.

O Cubo - Oi.

Silêncio.

Eu, voltando-me e vendo alguma coisa do sexo feminino num estado pior que o nosso, na outra mesa - Sim?

Silêncio.

A coisa do sexo feminino - Eu sou... socióloga... tô fazendo uma pesquisa de campo.

Longo silêncio.

O Cubo - E?

Silêncio.

Mais silêncio. O Astronauta olhava para o nada com uma cara de 'aimeudeusdocéu'...

A coisa do sexo feminino - Eu me interessei pelo assunto de vocês...

Silêncio. A coisa do sexo feminino sorria um sorriso stephenkingniano.

Eu - Há quanto tempo tu tá aí? Não cheguei a perceber...

Silêncio.

A coisa do sexo feminino - Ah... recém cheguei... o tempo de tomar uma Coca.

Eu - Mas pegou a conversa em que ponto?

Silêncio.

A coisa do sexo feminino - Ah, só o final...

Silêncio. A coisa do sexo feminino continuava com aquele sorriso assustador. Nós ficamos calados. O Astronauta continuava olhando para o nada. Eu e o Cubo meio que nos comunicávamos por olhares, mas não nos entendíamos. Acabamos falando sobre cigarros, ou cerveja, não sei bem. O fato é que ninguém queria mais beber e, realmente, já estava na hora de ir embora. Mas ainda pudemos ouvir.

A coisa do sexo feminino, com desdém - Três gatões desses... Pesquisa de campo. Há!

(Não lembro se as palavras foram essas mesmo, mas se foram, não confiem no julgamento estético da coisa...)

direto das Garras do Ornitorrinco

Cliente é recepcionado por ladrões em posto de combustível

Inovação. O atendimento dos assaltantes agora está personalizado, com muito mais qualidade. Agora, ao abastecer o carro em um posto de combustível, você não corre o risco de ser surpreendido por assaltantes. Por quê? Porque o frentista é o assaltante. Foi o que aconteceu com Rafael Moura de Paula (20).

Rafael, o cliente, parou o carro no Posto Realeza, na avenida Fernando Corrêa, tirou a chave do contato, estendeu o braço para fora da janela e pediu: "Põe 20 reais". O frentista com um sorriso maroto no rosto, pegou a chave e disse "põe 100 reais". Rafael não entendeu e o frentista completou a frase. "Põe 100 reais no meu bolso que é um assalto".

Umbigo no chão

O cliente foi obrigado a descer do carro. Aí ele pôde ver o revólver e a pistola que o falso frentista e o companheiro dele de roubo estavam carregando. Com uma olhadela mais apurada ele pôde ver também a nova decoração do posto: um tapete humano. Funcionários e clientes que haviam sido rendidos foram obrigados a ficar deitados, perfilados, no chão do posto.

Os ladrões roubaram R$ 140, documentos, cartões de banco e 30 vales-transporte de Rafael. Outro cliente não teve a mesma sorte, pois além de dinheiro e objetos pessoais, a vítima teve o automóvel Santana, cor vinho, roubado. Foi no automóvel do cliente que os ladrões fugiram.

Há muito dizem que quando paramos nos postos de combustíveis de Cuiabá, olhamos para a bomba e nos sentimos assaltados. Mas Rafael não poderia imaginar que a situação fosse levada ao pé da letra algum dia.

positivo e operante, copia?

Coisas que mudam 

Com a gravidez eu larguei tantos maus hábitos :)

Não mudei radicalmente a minha vida, mas agora eu tomo café da manhã, inédito!

E não fumo. Um pouco é pelo desprazer de ter fumaça em volta, e é mais por sentimento de culpa, se algo desse errado eu me sentiria um monstro e não me perdoaria nunca. Parei e não sinto falta.

O vinho, oh my, eu achei que era melhor evitar o primeiro gole, mas quando provei a tomar vinho percebi que depois do segundo gole eu já estou farta, e então não me sinto privada do prazer de beber. Ano que vem eu volto a beber normalmente, depois de amamentar, claro.

Eu tenho espinhas e acho tudo uma coisa boa, não fico me achando um bagulho feio, olho pra mim e vejo um rosto com umas espinhas mas penso que não é um castigo.

Não tenho uma calça que feche o botão... por enquanto ainda subo o ziper, não engordei nos quadris (só faltava) mas estou barrigudinha, nunca tive a barriga enxuta mas agora tá com cara de gravidez, sim. Isso é lindo, quem falou que eu vou esconder? Mas é uma realidade: estou sem roupas pra ir trabalhar. E tudo isso é lindo lindo lindo.

gestado pela chi:ko:rit:a

DENUNCIA DE ROUBO

'...no presente dia, por volta das 3:30 hs da manha me encontravo nesta, Praça da Repubblica, e depois de ter acompanhado um meu amigo, ao despedir-me do mesmo deixava minha mochila sobre o meu motorino, e mi distanciei, passados 10 minutos retorno e constatavo que desconhecidos a haviam roubado...
Tal mochila sintética de cor azul claro marca Nike com ziper continha minha carteira com dentro os seguintes documentos todos intestados a mim:
-carteira de identidade emitida da prefeitura de Florença
-codigo fiscal
-permesso di soggiorno emitido a policia federal de Florença com vencimento Dezembro 2003
-passaporte emitido pelo governo brasileiro
-carteira de identidade brasileira
-carta Visa Electron emitida pelo Banco do Brasil
-carteirinha universitaria da faculdade de psicologia
-libretto universitario com relativa foto, lista de exames e documentaçao de identificaçao universitaria
-carteirinha do restaurante universitario
-libretto de poupança emitido pela Cassa di Risparmio di Firenze agencia Via Nazionale
-portadocumentos com dentro seguro do meu motorino de placa 8YL9G, no momento desconheço o n° do chassi, se trata de um scooter Piaggio Free de cor azul
-um celular Ericsson T20 de cor cinza com SIM TIM/WIND
-a quantia de €20
-carta fidelidade azul TAM
-carta fidelidade supermercado Esselunga
-um livro chamado Psicologia e Psicopatologia do Comportamento Sexual
-oculos de grau com lentes formato retangular/oval
-um chaveiro com 4 chaves
-cartoes de menor importancia.'


...quero desaparecer pra nao ter que enfrentar isso...

Denunciado por Mezzo mozzarella, mezzo peperoni

15.7.03

Esse é o lado bom de ter fama de cachaceiro, pensei que não houvesse: quando você fica a noite toda chorando com a cara afogada no travesseiro ao ponto dos seus olhos incharem e ficarem do tamanho de duas sementes de melancia, e seus colegas de trampo começam a te questionar, porque raios teus olhos e tua cara tão desse jeito, você resume tudo com uma simples palavra que dá fim ao possível início de conversa: ressaca!

lacrimejado no cata vento & montanha russa

Um convite ao olhar

Ser Olavo de Carvalho &/ou simpatizante no Rio de Janeiro é burrice. E cegueira. No mínimo miopia. Com uma pitada inequívoca de mau-caratismo. Ser Olavo de Carvalho no Rio de Janeiro é mostrar toda a incapacidade diante do generoso ato cotidiano do olhar. Olavo de Carvalho é como aquele adesivo preto que se cola aos vidros dos carros: o insul-film do intelecto. Ser Olavo de Carvalho no Rio de Janeiro é perder toda a chance de redenção, seja ela intelectual ou espiritual, numa cidade que as oferece aos borbotões, todos os dias, em todas as esquinas.

Fui e continuo sendo um crítico da estética da miséria, que tem desdobramentos em outros campos do pensamento brasileiro. Os subúrbios me fascinam, sempre fascinaram, e toda a moral própria que rege estes lugares me fascinaram, ainda que eu insista em vê-los criticamente. Também me fascina a miséria, as possibilidades da miséria, mas insistirei e não fazer da manutenção da miséria a minha bandeira. Não vejo com bons olhos grupos de que espécie forem, religiosos, sexuais, raciais e políticos. Enfim, quando olho para mim, dentro do ônibus, percebo que sou eu ainda sacolejando ao lado de um mulato de olhos vermelhos demais para o meu gosto.

Alguma coisa, porém, acontece quando, na Praia de Botafogo, em frente ao tráfego intenso das seis da tarde, sob um pôr-do-sol que já vai longe, vermelho como só o inverno pode proporcionar,um mendigo defeca. O gesto extremado de dignidade negativa talvez faça com que o gentleman, educado nos melhores colégios ingleses, vire o rosto e pense numa frase espirituosa. Ao redor deles, há meia-dúzia que aplaudirá. No banco da frente do mesmo ônibus, um estudante de filosofia provavelmente cite Kant para explicar a cor barrenta da dignidade esvaindo-se do homem. Lá atrás, tão deplorável quanto, um homem vestido de vermelho vivo, trajando boné, foice e martelo, rasga com os dentes travados uma nota de um real, maldizendo de si para si o capitalismo.

Pode parecer escatológica e de fato é a imagem de um mendigo defecando no meio de uma cidade de sete milhões de habitantes. Seria realmente um recurso retórico baixo, não fosse por um detalhe: é real. Não é matéria de ficção de subliterato comunista tardio, nem gracejo político de presidente sem dedo, muito menos fruto de uma mente exageradamente engajada de cineasta uspiano. Você escolhe: pode fechar os olhos, virar para o lado, concentrar-se num verso de Bruno Tolentino, rezar o terço, rir, chorar, tirar uma foto e mandar para o Ministro da Fazenda, sonhar com um mundo sem classes, tocar no bolso para se certificar que tem dinheiro para chegar em casa ou ainda ser indiferente. Meu convite é para que apenas olhe. Não use insul-film na alma.

(...)

Os vidros do carro estão fechados e o ar-condicionado no máximo. Conversa-se amenidade. A validade da crítica ao socialismo de George Orwell, em A Revolução dos Bichos. Talvez. O sinal fecha. O menino repete o gesto há algumas horas já: puxa o carrinho de lixeiro para o meio da faixa de pedestres, nele sobe, faz o sinal da cruz e joga três bolinhas de tênis usadas para cima. Por que faz o sinal da cruz, não sei. Parece cronometrado: poucos segundos antes de o sinal abrir, ele desce do carrinho de lixeiro que afasta rapidamente para o meio-fio e desfila entre os carros, pedindo moedas. Faz isso diariamente. E quase sempre dá de cara nos insul-films.

É uma situação absolutamente insolúvel. Não será, não!, a revolução comunista a salvação para o menino malabarista. Nem tampouco o liberalismo ortodoxo, muito menos lições de Charles Murray para índio ler. Tudo isso é bonito de se mostrar numa festa, bebendo-se espumante ou Chivas, comendo queijo suíço ou gorgonzola, entre muitos homens que têm o mesmo tique nervoso: limpam os óculos de tempos em tempos na manga da camisa. O que embaça a vista dos homens, contudo, não é o hálito das marés.

A mim me assusta constatar que Olavo de Carvalho e seu séquito de míopes, cegos e de caráteres duvidosos evoquem, em nome de sua causa, a voz de Cristo. Não entendem, eles, o significado da palavra piedade, que acompanha o discurso cristão pelos últimos séculos. O único sentido para a existência de um discurso asqueirosamente limitado como o de Olavo de Carvalho na imprensa brasileira e no meio de círculos intelectuais influentes é o da lição do engano. Por este sentido, Olavo de Carvalho funcionaria como uma espécie de catalisador de nossas maldades e mesquinharias diárias, justamente estas que nos impede de olhar. Simplesmente olhar.

com os óculos do Polzonoff

Inferno. Inferno, repito toda vez que não te vejo e toda vez que tento me livrar de ti. Inferno. Por que não morres, não desapareces, não te ausentas, não te afastas? Porque não se abre uma garganta no chão e te engole, terra adentro e te leva pro intestino do mundo? Como assim não fazes nada? Fazes. Existes aí em algum lugar desta cidade, deste país, deste mundo e isso basta para que eu me estenda correntes, algemas, para que a minha volta cresçam grades e cercas mortas e eu paralise deitada sobre tua latência. Inferno, repito. Não te desencrustro da pele, não te desencravo dos olhos porque amanhã lembrarás meu nome e teus passos te trarão até a minha esquina e quando teus olhos me despirem de chegada, da tua boca voarão rosas. Amanhã perceberás teus pés nos sapatos errados, notarás teu casaco verde do avesso, sentirás falta das luvas das minhas mãos. Amanhã estranharás o frio da vida que não é tua, a casa em ruínas, o pão mofado sobre a mesa indisposta. Amanhã conseguirás ler outro nome gravado na coleira de culpa ao redor do teu pescoço e finalmente entenderás porque te apertava tanto. Amanhã verás um outro rosto no espelho e ele terá os olhos do menino que ouvia minhas histórias e um sorriso amplo esperará em teus lábios como antes esperava ao me ver passar vestida de azul. Amanhã a campainha soará quarteto de cordas e tu entrarás na sala só com certezas nos braços. Inferno. O inferno é o amanhã.

eu não discuto

14.7.03

Eu só queria uma coisa aos 16 anos: uma garota que gostasse de Doors. Os Doors, no colégio de classe média pagodeira onde eu estudava, eram a coisa mais obscura do mundo e, claro, nenhuma garota por lá fazia idéia da existência de 'Light My Fire'. O tempo foi passando, as pessoas ao meu redor foram mudando e eu continuei sem encontrar alguma garota que gostasse de Doors. Bem, na verdade eu não encontrei garota nenhuma.

Mas o tempo passou mais. E mais... Então, num belo dia de verão, vi aquela menina apontando para mim e rindo da minha cara. Ela tinha uma bandeira do Jim Morrison no quarto e cantava 'Wild Child'. Acabamos indo juntos a um festival de rock, ela salvou a minha vida durante um show de heavy metal e eu mal consegui um beijo no rosto.

Mas o tempo passou muito mais. Sem nenhum beijo, ela brigava comigo. Ela me mandava para fora e depois me puxava de volta. Ela inventava desculpas para não me ver e depois implorava pela minha presença. Eu ia e voltava, eu ia e voltava, eu gostava e odiava, eu gostava e odiava, eu gostava, eu gostava, eu gostava... Aquele já era o terceiro verão das idas e vindas, dos dias em que se alternavam o IN e o OUT. Numa certa madrugada IN, não tínhamos moedinhas para a passagem e tivemos que voltar para casa andando. Andando muito. Andamos tanto que, durante a caminhada, deu até tempo para que cantássemos juntos todas as músicas dos Doors. Doors, Doors. A garota que gostava de Doors estava do meu lado. Love me two times, I'm going away? Não, babe, não... I love you, the best, better than all the rest that I meet in the summer.

Logo veio o beijo. Não sei como e não interessa quando. Porque, hoje, Valerie me ama. Logo outro verão chega, com vindas e vindas. Só vindas.
escurecido por blog preto

Eu te amei sem pontos nem vírgulas, sem corrigir ortografia, sem olhar tuas construções sobre estacas não confiáveis. Eu te amei porque escolhi o amor naqueles dias difíceis em que teus olhos se estendiam sobre minhas linhas como gatos sobre os telhados em noites de lua. Eu te amei com meu coração inteiro. Com minha pele em risco. E fiz. E feito está. E faria de novo se os tempos não fossem outros nos outonos que se acabam e deixam nus os caules pálidos dos plátanos que agora sorriem amareladamente com piedade da esperança que tivemos.

walkwoman

Ando meio triste com o que me aconteceu sabado passado. Fui fazer o club em Watford; nem era para eu ter ido, aceitei fazer a cancelacao porque a agencia insistiu muito. Era a terceira vez que la ia, tinha feito bem nas vezes anteriores e me parecia um lugar legal. Nesse dia, ja no final da noite, a gerente me chama e diz que umas das meninas contara que minha danca estava "inspirada" demais. Nao deveria ser assim mas me ofendo muito facilmente e nao gosto de ser acusada injustamente. Simplesmente pedi para ir embora naquele mesmo instante. Queria sair dali.

E la fui eu correndo para estacao para pegar o ultimo trem, que alias, perdi. Tive de esperar ate o dia seguinte para pegar um onibus de volta para Londres, ja que eh arriscado pegar um taxi na rua sozinha de madrugada. E como desgraca pouca eh bobagem, ainda me dou conta que esqueci meus cds no club: simplesmente dois porta-cds repletos!

E aconteceu o que eu estava esperando. A agencia me liga ontem dizendo que nao posso voltar mais no lugar.

Quando rola esse tipo de coisa sempre me bate a vontade de deixar de mao os lugares onde se tem de fazer essas malditas private dances. Queria eu poder ganhar meu pao so fazendo striptease no palco.

vida londrina de naked emotions