a memória é um negócio curioso. eu vejo ela como uma pessoa. é. uma versão nossa-- bem pequenininha que passa o dia perambulando dentro da nossa cabeça. vestindo uma calça de moletom, um par de havaianas e uma camiseta branca daquelas puídas-- com a gola esgarçada. é. uma pessoazinha, com a sua cara que carrega uma caneta bic e um bloquinho de papel-- e que vai fazendo as anotações no decorrer do dia. e é claro-- quando você precisa de alguma informação, basta acionar a memória que ela vai vasculhar a informação que você precisa nos bloquinhos de anotações. ou-- pelo menos era para ser assim. o problema é que a minha memória é muito preguiçosa. a fila da puta não anota nada. acorda tarde. dorme cedo. e quando anota alguma coisa, anota errado. minha memória é foda. até hoje só anotou uns 6 endereços aqui em são paulo. graças a ela-- continuo me perdendo. nem nome de rua-- a fila da puta anota. nome de pessoa então, é de fuder. só para me sacanear, minha memória desenha o rosto das pessoas, mas não anota o nome. resultado: na hora que eu reencontro a pessoa, eu sei que eu conheço, mas passo por mal educado. não me lembro telefones. muito menos de compromissos marcados com mais de uma semana de antecedência, tipo dentista. é. se não ligar no dia anterior da consulta para dar mais uma chance da memória anotar-- fudeu! eu falto o dentista. minha memória é seletiva. seletiva até demais. ontem, por exemplo, fui dormir de lente de contato e sem colocar o alarme. erros dos mais básicos, que a minha memória já deveria saber de cor. mas não sabe. por isso mesmo resolvi escrever sobre a minha memória preguiçosa. essa mini versão da minha pessoa que passa o dia coçando o saco dentro da minha cabeça. é. resolvi escrever sobre ela por duas razões. a primeira, e mais óbvia, é que eu-- literalmente esqueci o que eu ia escrever aqui quando liguei o computador. e a segunda razão, bem, sinceramente, eu não lembro.
caráio! sem memória
15.9.03
Aconteceu comigo e com você?
- Colocar roupa clara, sair no portão e o cachorro pular com as patas sujas de barro.
- Estar na esquina de casa atrasado porque teve que trocar de roupa, olhar pra trás e o cachorrinho que não pode fugir ta atras de você no pique.
- Voltar pra casa com o cachorro no colo e perceber que ele sujou DE NOVO a sua roupa.
...
- Jogar o café fora, colocar água pra ferver e na hora de fazer ver que acabou o pó.
- Fazer café com a água fervente do arroz ou vice e versa
- Colocar farinha de mandioca pra engrossar molho achando que ninguém ia perceber o "arranjo"
- Entrar pro banho e esquecer a toalha
- Sair pelado pra pegar a toalha achando que ninguém ia ver e notar que estava redondamente enganado.
- Ir tomar banho no quintal achando que o vizinho está dormindo e notar que está redondamente enganado de novo, no meio do banho.
- Colocar absorvente do lado errado.
- Chegar em casa com o número do guarda volumes do supermercado no bolso.
- Ficar pro lado de fora de casa porque o cachorro não te deixa entrar.
- Fazer barulhinhos estranhos no telefone, simular interferencia só pra não atender pessoas indesejadas, depois do primeiro alô.
- Fingir que não ouve a outra pessoa: Alo..alo..alo..alooww
- Ser chamado de lanterninha depois de comprar o ultimo celular da Vivo e tentar usa-lo num onibus a noite
- Comer biscoitos que estavam na lata e perceber que era comida pra cachorro.
- Dar tchau pra alguém e que não te viu e pra não passar vergonha você continua dando tchau e simula uma conversa.
- Fazer careta pra alguém e a pessoa te pegar em flagrante.
casos e acasos virtuais
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Jan
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15.9.03
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14.9.03
Gosto de pessoas que sorriem quando andam na rua.
Tenho vontade de dizer "olá" e saber mais da vida, sorrir de volta e compartilhar um pouco do que me faz feliz.
Elas às vezes andam com olhos distraídos e não reparam em nós, os que sorriem de volta só de vê-las sorrindo.
Sorrisos contagiam.
joanina
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Jan
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14.9.03
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Não faço questão de trabalhar com gentlemen. Na verdade, tanto melhor se não forem assim.
Faço questão apenas de trabalhar com gente inteligente.
Prefiro um inteligente que arrote na mesa do que um aristocrata que rime amor com dor.
o polzonoff
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Jan
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14.9.03
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Estou fundando a partir de agora uma associação para os que não atingem o sucesso na vida amorosa. O nome vai ser Associação dos Não Amados, nome inspirado pela sugestão da Lívia. Tive esta idéia após ver que muita gente me procura e entra em contato comigo depois de ler meus textos e se identificar com essa incapacidade minha de amar outra pessoa E ser correspondido. Pois bem, eu sou bom nisso, já passei muito por isso e portanto sou o mais indicado para ser presidente e sócio-fundador desta associação.
Definirei aqui as condições a serem atendidas pelas pessoas que desejarem se tornar sócios:
- Estar amando alguém e não estar sendo correspondido(a).
- Ter amado alguém e não ter sido correspondido(a).
- Ao se apaixonar por alguém, tornar-se amigo desta pessoa e nunca passar disso.
- Ter muitos amigos do sexo oposto (ou do mesmo sexo, para homossexuais) que lhe dizem que você é o parceiro perfeito.
- Mesmo assim, nunca conseguir ficar com ninguém.
Não necessariamente todas as condições devem ser atendidas para que se torne sócio, mas ter uma das duas primeiras é essencial para que se seja aceito como sócio. Não, não é obrigatório ter um blog. Como sócio, você terá alguns privilégios como vigilância 24 horas pelo CVV e descontos na compra de lenços e comida de consolo (coisas como chocolate e sorvete e basicamente qualquer coisa com algum teor alcóolico) e nas sessões do analista. Teremos reuniões semanais para atividades gerais, como leitura dos poemas de Carlos Drummond e outros, audição de música de fossa, conversas sobre as besteiras que se fez pela pessoa amada e, para encerrar as reuniões, todos iremos chorar embaixo da pia.
Inscrições abertas com vagas limitadas com no one knows
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Jan
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14.9.03
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Fazendo alguma comida, derramei sardinha na minha bermuda. A bermuda foi um presente do meu pai. A sardinha também. Eu odeio como o abridor de lata escapa quando está abrindo a lata de sardinha. Escapa várias vezes. O molho espirra. O molho da sardinha escapa pelos furos e suja a minha mão de molho grudento e vermelho. É preciso passar detergente para tirar aquele molho. Para tirar aquele cheiro. Eu fiz a sardinha em uma frigideira suja de ovo. Os restos de ovo sujaram a sardinha. Ela não era mais cinzenta e gostosinha. Era uma massa carnuda babada de ovo e impurezas oleosas acumuladas durante dias na frigideira maldita. Eu joguei panelas na pia. Eu joguei água nas panelas. Eu joguei a frigideira na pia. Água espirrava. Água suja de molho. Água e óleo. Eu joguei a sardinha e o molho sobre um prato de miojo. Eu comi rapidamente. Na pia já tinha tanta vasilha. O prato ficou imundo de óleo. Óleo e molho de sardinha. Eu joguei o prato na pia. Todos estavam despreocupados com as vasilhas sujas. A mulher da limpeza viria no dia seguinte. No dia seguinte, a mulher da limpeza não veio.
Gotas de Sangue
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Ratapulgo
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14.9.03
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Marcha dos Alemães sobre Paris
Um de meus sonhos é ir a Paris, mas não para ficar uma semana sem tomar banho ou sobreviver à base de vinho e croissant.
Penso em alugar um carro, estacionar defronte a um café, abrir o porta-malas, pôr um retrato de minha namorada à mesa e escutar, a todo volume, "As 14 melhores gravações de La Vie en Rose".
Faixa bônus: uma roda de samba tocando La Marseillaise em português. Espero que minha deportação cause um grave incidente diplomático.
dies iræ
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Ratapulgo
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14.9.03
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mudança II
um dia ele vem pedindo pra dar uma olhada, esqueceu um envelope importante em alguma gaveta, eu deixo entrar.
e não durmo aquela noite.
pois não é que logologo eu acabo ligando: achei uma camiseta sua aqui, vem buscar.
ele vem, fica um pouco, fica muito, leva a camiseta que eu sabia que não podia ser dele, tem a Legião Urbana.
eu não durmo dessa vez também, não durmo mais, de repente ele aparece no portão pra ver se nasceu um pé de alguma coisa que plantou no quintal.
mentira, tudo é pretexto e nem precisa ser bem tramado, é só pra deixar claro que a casa ainda não está vazia.
só tem um jeito, ou dois: ou eu tranco tudo e faço a volta ao mundo em oitenta dias botando um cão de guarda feroz no quintal pra não deixar nem sombras se aproximarem até que tudo seque e esterilize ou eu transformo isto aqui em escola, clube, hotel, ginásio de esportes, espaço de multidões até que se descaracterize, se desfigure, se neutralize, perca o cheiro, perca a identidade.
mas sabe, ainda é uma casa de fantasmas, só dos meus fantasmas, e sabe, ainda me sinto melhor assim.
viagem
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Ratapulgo
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14.9.03
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Um sensação de perda veio bater na minha porta esta manhã. Não atendi, mamãe me ensinou a não abrir a porta para pressentimentos estranhos. Mas ela insistiu tanto que acabei deixando-a entrar. Em questão de segundos ela parecia confortavelmente instalada no apartamento quarto&sala de mulher solteira de 20 e poucos medos. Perguntei se queria beber ou quem sabe comer alguma coisa e ela recusou de uma forma muito distinta até. Disse para eu não me preocupar, queria apenas ficar ali, esperando. O quê? Perguntei em meio a uma onda crescente de preocupação que subia do peito para a boca e da boca para o mundo. O quê não, quem, respondeu. Nesse momento, ouvimos um barulho de chave penetrando a fechadura e vimos a luz do corredor invadir a pequena sala. A espera havia acabado.
Raquel Ri em Mulherzices
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Ratapulgo
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14.9.03
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Se uma mulher vai pra esquina com um megafone na mão e grita 'Eu gostaria de sair com algum cara!', em cinco segundos, a fila estará dobrando a esquina; se um homem faz a mesma coisa, será taxado de maluco e tarado e, certamente, nenhuma mulher entrará na fila. A mulher pode até ser carimbada como algo ruim, mas certamente não ficará sozinha"
Depois de escrever isso, lembrei daquela frase "Mulher, quando quer dar, ninguém segura". A idéia é a mesma. Essa facilidade que as mulheres têm de arrumar alguém não deve ser vista de forma simplista, como (apenas?) uma vantagem. É fato que, seja um beijo na noite, trepadas isoladas, a conquista de uma CSP (convivência sexual prolongada) sem compromisso, ou um carinha legal para namorar e até para casar, elas conseguem. Agora, não será também uma maldição ter tantas possibilidades E o poder de fazer acontecer - ou não - ao seu comando? O excesso de escolhas pode ser tão grande vantagem quanto desvantagem. Ou talvez eu precise acreditar nisso porque sou homem.
Pois, no nosso caso, quando não se trata de alguém ao mesmo tempo ajustado, interessante (vasto, isso aqui) e bem inserido em um grupo de amigos, está só. Pois não existe megafone que resolva a situação. Não mesmo. Elas simplesmente não correm atrás da gente porque não são "desesperadas" como nós. Nós somos lobos em qualquer idade.
(...)
continua em Fogo Ariano
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Ratapulgo
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14.9.03
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A saga do pimeiro beijo (Post IX)
Minha mãe só podia ter enlouquecido. Logo depois do almoço, todos saíram. Meu pai voltou para o escritório, meus irmãos foram para a escola e, mesmo assim, minha mãe deixou a molecada toda assistir TV em casa. Pra completar, ainda nos encheu de cobertores, almofadas, travesseiros, chocolate quente e saiu; simplesmente saiu. Eu não acreditei! Meu pai mal me deixava conversar com meninos e, de repente, minha mãe libera a casa e nos deixa sozinhos e de casal. Aquilo era inacreditável! A Marilu olhava pra mim incrédula. Já os meninos, achando tudo normal, não despregavam os olhos do bendito filme "As sete faces do doutor Lau".
Foi minha mãe bater o portão, pra Marilu e eu pularmos de alegria. Pulávamos, ríamos e dávamos aqueles gritinhos irritantes misturados com risos e mensagens cifradas que só as pirralhas insuportáveis entendem.
- Olha a frente aí, ô filha de vidraceiro!
- Silêncio, mulherada...
Os dois babacas nem se deram conta da situação - homem é realmente um bicho devagar! Eu notei que a Marilu olhou diferente para o Ivo assim que bateu o olho nele, mas não imaginei que a danada fosse agir tão rápido. Indignada com a falta de visão dos garotos, ela pegou um dos travesseiros e disparou contra a cabeça dos dois. Foi o suficiente para iniciarmos uma guerra de travesseiros que botou o doutor Lau no chinelo.
Viramos a casa do avesso. Poltronas serviram de escudo, o tapete saiu do lugar, quebramos uma lâmpada do lustre... Estouramos uns quatro travesseiros. Era espuma pra tudo que era lado. Uma festa, uma delícia de festa que fez com que perdêssemos a consciência da bagunça que estávamos aprontando.
De uma forma muito ingênua, aquela não passava de mais uma das nossas brincadeiras de criança. Uma brincadeira mais do que comum, mas que, acrescida dos nossos hormônios e da nossa empolgação de ter a casa só pra nós, causou um estrago quase irreparável.
O anta do Murilo, sem mais nem menos, se jogou em cima de mim. Caí estatelada no chão com o garoto sobre o meu corpo. Morta de vergonha, mas adorando a sensação de tê-lo tão próximo, danei a fazer charme e a me debater para que ele me soltasse. Não que eu quisesse, mas dizia.
- Murilo, me solta!
- Não.
- Solta ou eu...
- Eu o quê?
- Eu... eu não falo mais com você.
- Só solto se você me der um beijo.
- De jeito nenhum!
- Então diz que aceita namorar comigo...
- Não! Você prometeu esperar até amanhã.
- Por causa de um dia? Só um beijo! Custa?
- Você já terminou com as meninas que você estava enganando?
- Não exagera. Era uma menina só! E eu já terminei.
- Jura?
- Juro.
- Se você não terminou com ela e me fizer de boba eu...
- Você o quê?
- Eu... eu...
Por muito pouco não nos beijamos. A porta da sala foi aberta repentinamente e minha mãe...
- Vocês podem me explicar o que está acontecendo aqui?
----------> Continuará no Amarula Com Sucrilhos
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Ratapulgo
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14.9.03
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13.9.03
Estevão está na fase dos "por quês". Mas aos 8 anos, vc me pergunta? É, aos oito anos. Diz a Márcia desanimada, sacudindo a cabeça, que ele está nessa fase desde que começou a falar, espantosamente aos 11 meses, prova de que não apenas deus não existe, como além disso não tem misericórdia nenhuma, hohohoho.
- Tia Bi, por que as coisa funcionam?
- Quais coisas, meu amorzinho?
- Assim, todas. Por que o mundo funciona?
- Não sei, meu querido. Especialmente nessas tardes geladas, longe do seu tio Alexandre, com fome e dor nos pés, sem um puto, sem uma bebida, eu não sei porque porra nenhuma ainda funciona. Por mim, essa bosta podia ir toda pro espaço. Quer mais um caramelo?
¡Drops da Fal!
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Ratapulgo
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MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fazer você pensar que está sussurrando, quando,na verdade está gritando.
O consumo de álcool pode fager foxe valar coisas dexe zeito.
O consumo de álcool pode fazer você acreditar que ex-namoradas(os) estão realmente "a fim" de receber um telefonema seu às 4 horas da madrugada.
O consumo de álcool pode fazer você se virar ao acordar e ver algo realmente escabroso deitado ao seu lado (cujo nome e/ou espécie você nem consegue se lembrar).
O consumo de álcool é a principal causa de inexplicáveis hematomas e galos na testa.
O consumo de álcool pode criar a ilusão de que você é mais esperto, sedutor e forte do que um cara muito, muito grande, cujo apelido é Montanha.
O consumo de álcool pode levá-lo a achar que as pessoas estão rindo COM você, e não DE você.
O consumo de álcool pode causar um desvio espaço/tempo, onde um pequeno (ou às vezes muito grande) intervalo de tempo pode,literalmente, desaparecer.
O consumo de álcool pode realmente CAUSAR gravidez.
aqui tem coisa
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Ratapulgo
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13.9.03
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Como as coisas são
escrito em março, chega a ser hilário
Era tão baixo, como é que podia existir alguém tão baixo nesse mundo? Era do tipo que se jogava aos meus pés no meio da rua, e chorava, gritando para os meus amigos o quanto me amava, o quanto não conseguia viver sem mim, o quanto eu era indispensável, o quanto sua vida não tinha sentido antes de me conhecer. E fazia aquele drama, e se descabelava, e protagonizava as cenas mais escandalosas por ciúme.
E me deu a porra de livro chato, fazendo-me jurar que eu iria ler, e contou a história inteirinha. Me dedicou músicas, e tatuou meu nome no corpo. Me comprou cartões. Vasculhou meu passado. E me colocou num pedestal enorme. Disse que aquela porra de cidade nunca mais seria a mesma, depois que estive lá.
Aí eu virei as costas e...como era o meu nome mesmo?
A minha consciência que estava pesada, até flutuou, por ter ido num puteiro, por ter agarrado todos os teus conhecidos, por ter bebido horrores, e ter escrachado com o teu nome. Aliás, toda a culpa se foi. A culpa que eu tinha por ter amarrado teu nome na boca de um sapo. Por ter fingido dores, por ter escondido recalques, por sempre achar que tua mãe era uma vaca gorda e pobre, por ter apostado no nome de um cavalo igual ao teu, por te ligar todos os dias às quatro da manhã, e nunca ter dito uma palavra, por ter cuspido na tua foto, e desinfetado o teu cheiro das minhas roupas. E ter enganado você da forma mais cruel que existe: fingindo amor.
in your HEAD your REMEDY
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13.9.03
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Ouço frequentemente amigos dizerem (a propósito de um quadro de Van Gogh) que "nenhum quadro vale US$65 milhões." Mas olho pela janela e vejo quatro prédios feiosos que, juntos, devem valer US$65 milhões. Ué, um quadro de Van Gogh não vale quatro prédios feiosos? Vale a cidade inteira, e as pessoas que vão dentro.
Alexandre Soares Silva
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12.9.03
Atentado poético fraudulento
fiquei atentada. saí às 7 de uma noite morna. subi a rua da bahia. toda lampeira. fui até a praça da liberdade deixar uns livros. antes conversei com um porteiro. prédio iluminado, verde. falei umas coisas e subi munida. encontrei ana c e uma prima. e andamos.
primeiro deixei um fantini. ali, num banco de praça, uma branquinha de graça. soltei assim. e quando voltei, minutos depois, já estava sumido. alguém de sorte consumiu fantini ontem à noite, alcóolico. e fiquei feliz de agradar mesmo sem querer.
em seguida soltei um meu, num banco do lado oposto da praça. mais perto do palácio do governo. o primeiro, 'poesinha', relíquia. soltei como se solta um canário belga. livrei do cárcere do meu escritório empoeirado. foi-se. e alguém o me raptou rápido, levou meu livro, me leu, me comeu. tomara.
o terceiro foi um valério de oliveira, 'eu mínimo', pequeno. fiquei com medo de que o confundissem com uma caixa de fósforos. e é mesmo de acender pavios. soltei num banco no caminho. e alguém teve a sorte.
sempre que como um prato gostoso, deixo o melhor por último. e então decidi soltar as 'lascas' do círio germano ricardo schmitt carvalho no final do atentado. deixei ali, mas ana c estava tão flertando com ele, que quis presentear minha amiga. tinha motivos: além de amá-la dum jeito bom, a moça está indo morar em madri, então deixei 'lascas' no jardim. e por que não num banco da praça? porque ximite escreveu um livro gostoso. e então deixei ali, como morangos maduros. e ana c veio logo atrás e colheu, como uma montanhesa florida.
saímos da praça felizes com o sucesso do atentado. derrubamos as torres que desunem leituras e leitores. e fomos pro bar, meu habitat, tomar uma pepsi com gelo. e conversávamos sobre poesia e filhos, quando chegou susan joyce, minha amiga mais diversa e de pressão alta. depois uns amigos de ana c aportaram. e conversamos sobre pedras. joão cabral de melo neto teria adorado. e acho até que estava ali conosco, tomando rum.
e a noite acabou fácil. às duas da manhã. eu cheia de compromissos. e um amigo da ana c, o fedoso, disse um poema: 'você parece um ícone: a gente clica e abre uma janela'.
Estante de livros on-line
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12.9.03
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Coisas que adoraria fazer, se o crime compensasse:
Dizer por que não leio Calvino, Dahl, Fonseca, Naipaul, Rushdie, Cornwell, Poe, Eça, Voltaire. E ser pego lendo ou não, tanto faz.
Explicar a necessidade de alguém entubar uma brachola.
Escorraçar leitores de Derrida, Debord, Lacan, Foucault e laticínios.
Terminar toda frase com cacildis!
Iniciar cada fala com eh limonada!
Dar a Beatriz Segal o que ela merece.
Levantar a pipa do vovô.
Espalhar para os habitantes de Europa que Hene Maru foi um grande revolucionário brasileiro, que deixou pelo menos um filho em cada cidade do Império.
saudade do presidente Figueiredo
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12.9.03
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Top 8 chavões de crises
Por Frase Feita
Dos otimistas:
1. Calma que pior que tá não pode ficar.
2. É nos momentos de crise que se cresce.
3. É preciso transformar a crise em oportunidade.
4. Você está sendo mais realista que o rei.
5. Veja pelo lado bom.
6. Amanhã é outro dia.
7. Pelo menos você tá aprendendo.
8. Encare isso como uma lição de vida.
Dos pessimistas:
1. Nada é tão ruim que não possa piorar.
2. Tudo que começa bem acaba mal, e tudo que começa mal acaba pior.
3. Tudo que é ruim sempre ocorre em série.
4. Onde há fumaça, há fogo.
5. O que é bom dura pouco.
6. De boas intenções o inferno está cheio.
7. Não há vida feliz, há momentos felizes.
8. É a Lei de Murphy.
Site do Homem-Chavão
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Ratapulgo
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12.9.03
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