ETERNA NAMORADA
Apesar de lembrar que foi amor à primeira vista, não consigo precisar como foi nosso primeiro encontro. Sei que foi ótimo porque permanecemos amigos desde então.
Tivemos desencontros, é verdade. Ela já foi chamada de gorduchinha, mas nunca reclamou. Confesso também que a chutei algumas vezes, mas sempre curti muito mais os momentos em que tive ela nos meus braços. Agarradinhos, os dois, sempre que podíamos.
Mas ela também escapou de mim muitas vezes. Fugiu, me deixou para trás, caído, desolado. E a cada decepção, eu me levantava, ia buscá-la. E ela voltava para mim.
Traição, mentira, entre nós, nunca houve. Jantares caros, cinema de arte? Não, nunca foi necessário. Ela esteve sempre comigo nos lugares onde eu sempre quis estar. E estará, novamente, hoje, no dia dos namorados.
resmungado por O PIOR NÃO TEM LIMITES
14.6.03
LIMITES, um dia eu me canso.
Nenhuma pessoa no mundo merece viver num constante equilibrismo e permanecer IMUNE.
Eu apenas quero acreditar que fiz o bastante, fiz o que foi possivel, e mais nada.
Nao quero mais. Nada disso me interessa, nao consigo conviver com DOR. Essa dor que acaba com a minha possibilidade em permanecer com lucidez. Cansaço extremo. As pessoas sao muito crueis, e eu nao quero acabar sendo o que abomino. Nao vou permitir que outros façam de mim o que pretendem: me nivelar por baixo, ao nivel da mesquinhez deles.
Eles seriam vencedores se eu me tornasse igual a eles. Me recuso a isso.
tem saída em Sem Saída
Postado por
kktanaka
às
14.6.03
0
grudados
Vista curta
Os pais achavam que o menino era retardado. Demorara tanto para andar e falar! E agora, na escola, não aprendia, não brincava, não tinha um único amiguinho. Levaram-no a um psicólogo. Após uma rápida análise, o doutor chamou os pais e explicou:
- O problema não está na cabeça. Está nos olhos.
- Os olhos ficam na cabeça, gracejou o pai.
O doutor suspirou.
- O menino não enxerga um palmo a frente do nariz. Pelo visto, vocês também não.
Os pais saíram ofendidos com o psicólogo, isso era jeito de falar? No entanto, confiaram em sua palavra e levaram o menino a um oculista. O oculista se espantou.
- Mas ele está quase cego! Como vocês não perceberam antes?
- Achamos que ele era retardado, doutor.
- Acharam que ele era retardado?
Mandaram fazer um óculos enorme (pagaram, claro, à vista). Ao colocá-lo, o menino abriu um largo sorriso – era seu primeiro sorriso – e exclamou:
- Como o mundo é bonito!
A mãe ficou emocionada e não conteve uma lágrima, mas o pai cochichou:
- Estávamos certos. Além de cego, é retardado.
FDR
Postado por
Ratapulgo
às
14.6.03
0
grudados
Adolescentes
Sou a favor de adolescentes. Acho a adolescência uma fase fantástica. Espinhas, puberdade, pêlos, punhetas. Aquela coisa toda. E digo isso por uma simples razão: não entendo por que as pessoas querem tanto acabar com a adolescência, por um lado, e querem tanto prolongar a adolescência, por outro.
Veja só o primeiro caso. São quase todos intelectuais. Ou ao menos acham que são intelectuais. Ou ainda querem ser intelectuais. E só porque passaram uma adolescência atroz, isto é, com tudo de ruim que a puberdade pode oferecer, arrependem-se completamente de terem vivido isso (com razão, claro) e querem que os outros não passem pelo menos sofrimento. Logo, pregam a sublimação da adolescência.
O segundo caso é tão ruim quanto. É gente que adora a adolescência. Talvez por não terem passado, ainda, pelos entraves da idade. É aquele tipo de gente que vai ter espinhas com quarenta anos, sabe? E que põe piercing nos mamilos com trinta anos. Ou que descobre os prazeres do vício solitário em plena maturidade. E por aí vai.
Os adeptos da não-adolescência pregam a supressão de certos valores que são inerentes a este período. Eles não conseguem entender que a adolescência é o tempo certo (eu diria o único tempo) para se duvidar de tudo: Deus, capitalismo, família e sobretudo bom-gosto. Somos marcados por um período de extremo bom-gosto, que é a infância, e depois vem a adolescência, quando damos um tempo para o bom-gosto. Retomá-lo na idade adulta é de bom tom, mas temos que encarar o inevitável: haverá aqueles que escutarão rock para o resto de suas vidas. E acharão bonito ir a uma festa fantasiados de integrante mascarado e andrógino do Kiss.
Os outros, bem, os adeptos da adolescência eterna estão em toda a parte. Deve ter um agora mesmo, ao seu lado. É, aí nada sala do escritório. Ou então em você mesmo. Impregnado neste corpo adulto, um adolescente tardio. Como um encosto. Livre-se dele! Já.
Quero que meu filho seja um adolescente sadio. Terá no pai um crédulo, mas deverá ser, ainda que por pouco tempo, ateu. Ou ao menos agnóstico. Só para ver qual é. E deverá escutar rock de mau gosto (pleonasmo) no último volume, até ensurdecer seu pai e sua mãe que estarão, a esta altura do campeonato, relendo Guerra e Paz. E deverá usar camiseta do Che Guevara e freqüentar passeatas.
Mas isso durante um tempo determinado. Será na dúvida do monstrinho cheio de espinhas que plantarei minhas certezas todas. Isso, claro, se até lá eu tiver alguma.
O Polzonoff
Postado por
Ratapulgo
às
14.6.03
0
grudados
retrato
em uma mensagem eletrônica chega seu retrato. preenche, enorme, meu monitor de 17 polegadas. seus grandes olhos parecem contar que têm saudades de um janeiro frio e distante. são os mesmos olhos cheios de mar. melancólicos como as ondas que rebentam na praia. você é assim. sua vida se desdobra entre o drama de letras teatrais e romances fugazes de inverno. eu decidi que quero viver e ser feliz. seu retrato é lindo, provoca-me saudoso sentimento. mas passou. acabou. página virada.
seu cabelo cresceu. meu oceano inundou. quase me afoguei nas águas salobras das lágrimas que não derramei. te disse adeus em uma carta: "time to move on". e você pretende continuar o hide and seek game. olho para o monitor. você não é mais meu. nem nunca será. esboço um sorriso. você continua lindo, mas esta sua melancolia, esta sua arte da tristeza e da distância. não. não a quero mais.
te olho e te vejo: distância. você já é outro. eu também sou outra. mas o que pretende enviando-me fotografias? não meu querido. eu não vou participar deste jogo. eu quero brincar, quero ser lúdica. mas não quero mais jogos amorosos. pode me enviar retratos, músicas românticas, peças teatrais. não. eu sei que nada disso é para mim. nada disso é em nome de um amor. isto é sua vaidade. fique com ela. sinta-a, ame-a, deixe-se inundar pela solidão do amor não realizado. viva assim, se é o que deseja. eu não. eu quero amar de verdade. ou não amar de mentira.
adeus
boop it
Postado por
Ratapulgo
às
14.6.03
0
grudados
13.6.03
Jantar
Num restaurante aconchegante, com música ao vivo e garçons de smoking, o casal na mesa do canto olha a banda tocar, e ele comenta:
- Olha lá aquele cara. Ele sabe tocar saxofone!
- O que que tem?
- Ele deve comer mulher pra caramba!
- Como?
- É, o jeito que ele toca, o assoprar, o instrumento meio fálico, as caras e bocas, o charme!
- Que bobeira!
- Sério. Ele convida as mulheres, diz que uma do Stan Getz é dele, e que ele dedicou à ela, e zap! Come! Mulher cai nessa fácil, fácil.
- E eu não sei? Ainda tenho guardado aqueles seus poeminhas bobos que você me fez.
- Bobos, mas com amor! E, confesso, um deles eu fiz pra outra menina antes. Mas agora ele é só seu!
- O da cama?
- Isso.
- Eu já sabia. Foi pra Fabiana, não?
- Como você sabe?
- Coisas de mulher.
- Mas eu juro que...
- Xii! Fica quieto que eu estou ouvindo o saxofonista tocar! Lábios fortes, não?
Zazoeira
Postado por
Ratapulgo
às
13.6.03
0
grudados
Quando vão perceber que para o mal-humorado, a demonstração de interesse é algo bem irritante? O ápice então é perguntar se o humor já melhorou. Puta que pariu não fode vai tomar no cu caralho que merda filho da puta. Isso é o pensamento. Silêncio. Mas não há o menor esforço para que minha feição demonstre algo diferente disso.
fluxo de consciência do Sexo, Doce & Techno
Postado por
Ticcia
às
13.6.03
0
grudados
12.6.03
Amores aos pares
são ímpares.
Paixões plurais
são singulares.
By Veríssimos
Postado por
Ticcia
às
12.6.03
0
grudados
Sabe o que vou dar para minha namorada no dia 12? PICAS!!!
LACTOBACILO MORTO
Postado por
Ratapulgo
às
12.6.03
0
grudados
Súbito fez-se alma o que já fora pedra e manso o que fora voragem e não havia mais nada que àquilo pertencesse que não tivesse sido tocado por um suspiro, nem nada que daquilo viesse que não trouxesse em si um rufar de folhas e um abrir de portas. Chegou com ele um improvável cheiro de manhã perdida, entre sons de casa e lençóis azuis, que se espalhou pelos cantos inexoráveis dos sentidos. Também com ele vieram cães amarelos deitarem-se aos pés da cama, sob a janela, anunciando que já quase ia meio dia. Desejei que não se escoasse o poço do que era, desejei que ali ficasse preso, para sempre, aquele pedaço de mundo ungido de calma, aquele sótão da realidade imprecisa repleto de olhares suspenso, vistos pelas frestas de sol. Então, súbito se fez novo o que já ia se fazendo velho e deitei a cabeça no peito morno da manhã que havia partido.
Não Discuto
Postado por
Ratapulgo
às
12.6.03
0
grudados
A minha avó odeia o meu pai e vice-versa. A relação sogra-genro mais radical que eu conheço. Não, nada de "quero que ele(a) morra" ou coisa do gênero, eles decidiram ser um pouquinho mais civilizados. Eles simplesmente não se falam. Aparentemente, não fazem a menor questão de mudar essa situação. Menos mal. Melhor do que aquela histeria de novela global ou filme de Almodóvar.
Ontem à noite, por exemplo, no fim da minha conversa telefônica com ela:
- Então tá, vó. Um beijo.
- Um beijo, querida. Outro prá sua mãe e um pro Pedrinho. (sic)
- E pro meu pai, não tem beijo, não? (eu sou má)
- Não. Não há necessidade.
A autenticidade dela é que me impressiona. Quando eu crescer, quero ser igual a ela.
me Jane you Tarzan
Postado por
Ratapulgo
às
12.6.03
0
grudados
11.6.03
Manipulação de Chi Maligno - Algumas Técnicas
Na Renânia uma vez um homem foi assassinado com trocadilhos. Ele revirava os olhos de desgosto cada vez que ouvia um. Uma vez que o irmão disse um trocadilho particularmente ruim, o homem ficou em silêncio como se tivesse sido insultado; depois suspirou e disse baixinho: Ai, Senhor, dai-me...
Diz a história que nesse ponto o irmão fez um trocadilho com “paciência”, que só tem sentido em alemão medieval, e nem em alemão medieval tem muito sentido; e aí o homem olhou incrédulo para o irmão, branco de horror, e cobriu devagar o rosto com as mãos como se sofresse muito, e foi tombando no chão, e morreu no meio das galinhas.
Todos sabemos que há chineses que usam trocadilhos para golpear inimigos à distância – trocadilhos são feitos de chi maligno. Uma técnica muito pior, no entanto, vem do arnis, uma arte marcial filipina, e envolve o uso indiscriminado de aspas. Faça uma experiência: fique de pé na frente da tela, braços relaxados, um leve sorriso no rosto, e leia esta frase tirada de um folheto que me veio pelo correio: Promoção “Imperdível”! Descontos “especiais”!
Não sei você, mas eu senti leves agulhadas nas juntas todas quando li essa frase, e vi luzes vermelhas piscando na retina. Mestres de arnis podem matar bois com o uso aleatório de aspas. Na falta de papel, usa-se os dedos indicador e médio das duas mãos, para fazer o gesto de aspas no ar e mandar o chi maligno para a vítima.
Mestres trocadilhistas e aspistas se enfrentaram uma vez, nos arredores da cidade de Manila. Enquanto eles se atacavam todas as mariposas e libélulas de Manila caíram mortas. Sobreviveu apenas um homem, um leiteiro de Makati. Ele fazia trocadilhos, fazia aspas com os dedos, dizia mensagens positivas e *AlTerNava* *leTRas* *mAiúsCulaS* e *MiNúSculAs.*
(Foi morto anos mais tarde, no entanto, quando outro mestre de arnis deixou um comentário no seu blog dizendo: “Ae cara como vc é mala!!!!” Humm.)
trocadalho do Alexandre Soares Silva
Postado por
Ratapulgo
às
11.6.03
0
grudados
Meu quarto sempre foi meu aconchego, minha cara, meu refúgio. Não me refiro ao quarto no qual me encontro neste momento, mas o da antiga casa onde morava. Nasci e cresci naquele quarto. Passei 22 anos da minha vida sendo vizinha de D. Lola, que criava um galo na área do prédio, de D. Maria que sempre vinha pedir um tomatim, um bucadim de açúcar, um tequim de folha verde...De D. Hilda que tinha 300 filhos que brigavam o dia todo e garantiam baixaria de qualidade! Todos eles tinham seus quartos em frente ao meu e milhões de vezes eles presenciaram eu dançando que nem uma louca com os cabelos lá em cima, ou então conversando com as paredes (Edgard, pros mais íntimos) ou então tentando incomodá-los com música alta. Tive várias fases em que ficava enterrada no quarto o dia todo esperando o tempo passar. Meu pai não deixava eu brincar com as outras crianças porque eles eram ¿más companhias¿ e eu era superior (ainda bem que nunca acreditei nisso), e então eu ficava no quarto vivendo minhas fantasias, cortando minhas revistas, lendo, tentando em vão fazer roupas pras minhas Barbies, quebrando meus aparelhos de som quando não conseguia gravar a música que eu queria. Isso me ajudou a tomar gosto pelas coisas. Sempre que eu tinha uma oportunidade de brincar, eu curtia tanto que achava que ia morrer. Sempre que consegui gravar a música que queria ouvia compulsivamente até as pessoas me pedirem pra trocar.
Quando ficava triste, me escondia no guarda roupa, ficava no breu, remoendo minhas dores. Quando estava feliz armava uma barraca no quarto e chamava minhas primas pra acamparem. Fiz o possível e o impossível pra ser feliz ali dentro e fui. Quando já estava de mudança pra cá, fui a última a sair da casa. Arrumei tudo e depois quando entrei no quarto, aquele lugar onde eu tinha vivido quase tudo, ele estava vazio. Minha cama, meus posters, meu criado mudo, não havia mais nada. Eu me sentei no meio do quarto e minha vida passou como um filme na minha cabeça. Meus vizinhos me viram chorando, depois eu fui embora e nunca mais voltei.
Palavras achadas por uma Garota Perdida
Postado por
Ratapulgo
às
11.6.03
0
grudados
Pérolas da semana passada:
Novinho (sim, esse é o apelido dele!), amigo com alma de Barbra Streisand, para o pai:
- Mas pai, eu não gosto de lavar panela, eu nasci pra brilhar! Ô, pai... (sapateando)
- Então use bombril.
Jardel, amigo guitarrista, sofrendo com a inclemência do sol limoeirense, também para o pai:
- Pai, compre uma moto pra mim?
- Mas você num já tem uma bicicleta?
- Tenho. É que eu queria uma coisa que roncasse, fizesse barulho...
- Compre uma porca e amarre na garupa.
Arroz-de-leite
Postado por
Ratapulgo
às
11.6.03
0
grudados
10.6.03
Sempre chega esse dia
sem mandar aviso
Dia inútil em que não me encontro
que é ameaça de outros tantos que perdi
Lembranças não se apagam
mas queria tanto esquecer
Não lembro é como faço para sorrir
Pior
Não acho motivos
Um dia que foi ontem
porque alguém limitou a minha dor no espaço de 24 horas
Será que devo contar ou fico com o medo de saber o resultado da soma?
Não vi se tinha sol ou lua quando desisti e resignada deitei com essa ausência
Acordei quando para muitos o calendário dizia ser hoje
Tive medo do instante que vinha pela frente
A lágrima é pelo passado que não esqueci e pelo futuro que posso ter
Um dia sem luzes
sem calor
O sol batia no meu ombro
Pedia para que olhasse para a janela e visse a vida lá fora
Não aceitei o convite
De que adiantava saber que marcava 30 e tantos graus no digital da esquina
se o inverno estava dentro de mim?
Ontem
texto do Postal
Postado por
Ticcia
às
10.6.03
0
grudados
Eu preciso fazer um tratamento intensivo com alguém que pense mais em si mesmo do que nos outros, porque eu não sei fazer isso. É questão de sobrevivência, porra. Quero dizer, eu não vou durar muito nesse mundo competitivo enquanto continuar dando importância aos sentimentos e ao bem-estar alheio. Preciso aprender a pegar o que eu quero sem me importar se isso vai partir em cacos a auto-estima e a felicidade alheia.
Preciso parar de me privar de algumas oportunidades só porque sei que grandes amigos vão ficar profundamente magoados. Duvido que deixem de falar comigo ou qualquer coisa assim, mas sei que vão se sentir péssimos e isso é argumento mais do que suficiente pra eu controlar todos os meus impulsos e segurar minha onda, por mais que a necessidade berre, por mais que meu corpo diga que eu preciso daquilo, por mais que a tentação seja forte. Preciso lembrar, de vez em quando, que eu preciso ser minha prioridade.
Mas eu não consigo. Não se for pra chatear alguém importante pra mim.
Alguém aí me empresta um pouco de egoísmo que o meu tá acabando.
Me empresta um pouco, porra.
Caralho, como vocês são egoístas.
atenda o pedido da Utopia Dilucular
Postado por
Ticcia
às
10.6.03
0
grudados
ontem fui ao bar encontrar o mr. wiggles, que agora perdeu o contato com jesus, depois que ele, jesus, saiu do aa e tal. isso de "descobrir uma vida nova" faz as pessoas realmente ficarem uns 30% mais chatas, incluindo a pregação. eu gosto demais do mr. wiggles, mas quando ele estava andando com jesus era tipo um saco encontrá-lo, sempre com o cara a tiracolo em seus delírios pequeno-burgueses, como o dessa gente que acha cool viver na sarjeta. enfim, ambição é como gosto: é mais pra lamentar.
hoje tinha um editorial engraçado do clóvis rossi chochando o lula e conformando-se com seus ansiolíticos, enquanto o lula continua feliz e frequentando festinhas & sessões de cinema com as vedetes hodiernas. o lula virou uma espécie de rainha da inglaterra. acho legal a idéia de termos uma elizabeth com rabada e polenta, só que podiam também mandar junto pelo menos a body shop, hein? que suplício ser brasileira nessas horas.
não comento sobre contas, inflação, impostos e a ladroagem de instituições como o pão de açúcar porque não vale a pena. gosto do brasil porque é o país-modelo das estruturas sociais medievais, com destaque no carro abre-alas pra imobilidade. então, por exemplo, se você nasce cagando dinheiro e é um diniz, sua posição lhe diz (ou, na melhor das hipóteses, vc "ouve vozes" e pode bancar o tratamento em casa) pra meter a mão no dinheiro dos outros e você é obrigado a ouvi-la, sacou? enquanto isso, as vozes na minha cabeça saem de seres disléxicos. praga.
e continua o campeonato pelo extermínio da nossa grande imprensa nacional, filha, irmã e cunhada do nepotismo! vamos ver quem vai ser o primeiro a passar a fita amarela na porta de seu estabelecimento e ir se esticar durante uma temporada nas ilhas seychelles. eu já tenho os meus palpites.
notícias de Nibelunga do Cabelo Duro
Postado por
Ticcia
às
10.6.03
0
grudados
É QUESTÃO DE ESCOLHA
Me liga a Ana Paula, uma prima meio piranha que eu tenho. Ela é super alto-astral e ótima companhia para baladas: bonita, cabeça-de-vento e meio fútil. Costumávamos sair em BH e ela, já no início da noite dizia: "Vou beijar aquele ali". Dito e feito, já tínhamos carona para voltar para casa. Paulinha, gostosona, já foi vendedora de loja de shopping, recepcionista e promotora de eventos. Até que se cansou e resolveu fazer a vida em Portugal. Não, não tão literalmente. Lá namorou russos, portugueses e suiços..até que conheceu um norte-americano interessante. Tiveram um affair de poucos meses e o moço zarpou para Las Vegas. De lá, não resistindo aos encantos de Paulinha, o moço disse que queria casar. Em dois meses ajeitaram tudo, vieram ao Brasil conhecer a family da moça (minha tia, dona Etelvina, que faz a melhor feijoada do mundo) e juntaram trapos e alianças. Há oito meses o casal vive em Los Angeles em perfeita harmonia. A Paulinha.. ah, a Paulinha faz ginástica todas as tardes, estuda inglês e prepara o jantar para o maridão. "Pô, Paulinha, vc não vai trabalhar nem estudar não?". "Hã? Alexandra, eu moro na Califórnia, meu marido é rico e me ama. Quanto você ganha mesmo?".
Um Jeito Alexal de Ser
Postado por
kktanaka
às
10.6.03
0
grudados
E hoje eu fui ao médico de ônibus e fiquei do lado de uma senhorinha. A pele escura, o cabelo branquinho, branquinho, e os olhos apertados que nem eram de chinês nem nada. Assim como eu. E ela sentada, com uma bolsinha surrada de aro de madeira apertada contra o peito farto, numa humildade de santa. Tão linda que eu morri um pouquinho.
Sorvete de Casquinho
Postado por
Ratapulgo
às
10.6.03
0
grudados
Uma das características mais tristes do Rio é a quantidade de crianças pedindo esmola em sinais de trânsito. De uns tempos para cá elas começaram a fazer malabarismos com bolas de tênis, na tentativa de atrair ao menos alguma simpatia dos motoristas. Hoje eu vi, num sinal de Botafogo um exemplo de que, se os malabaristas de sinal estão se esmerando em técnica, ainda falta-lhes planejamento.
Fechou o sinal. Dois rapazes de uns 15 anos, bolinhas de tênis nas mãos, foram para a frente dos carros. Um subiu no ombro do outro e começaram a fazer malabarismos duplex. Demonstraram grande equilíbrio tanto nas esferas quando nos próprios corpos, culminando com um pulo do que estava sobre os ombros do colega. Perfeito, não fosse por um detalhe: o pulo coincidiu com a abertura do sinal. Ao planejarem seu número, eles esqueceram de deixar um tempo para recolherem o dinheiro...
Espírito de porco
Postado por
Ratapulgo
às
10.6.03
0
grudados