14.7.03

Ontem eu tomei um Ginseng do meu pai e inacreditavelmente eu arrumei TODAS as gavetas do meu quarto.
Eu agora fico abrindo e fechando as gavetas, to orgulhosa.Tenho gaveta de lenço, lingerie,camisetas,calça,saia e blusas de frio, uma pra cada coisa.Acabei de tirar fotos do meu guarda roupa, momento histórico e heróico.Bolsa com bolsa, sapato com sapato.
Segundo minha avó isso significa que eu to querendo trazer homem pro meu quarto, só não sei se é por causa da arrumação ou se é por causa do Ginseng.
Passei o dia todo arrumando, tirei 2 sacos de 100 litros de lixo daqui, fiquei na internet até as 5 da manhã, deitei na cama, custei pra dormir e ainda acordei dançando rumba.
Hoje eu já tomei de novo, vai que a boca da minha avó esteja abençoada.

(...)

Eu acho que esse Ginseng foi feito pra doméstica.
To aqui 3 da manhã, puta frio ,olhando pra parede e me segurando na cadeira pra não levantar e lavar as 4 paredes
Se eu fizer isso, juro que amanhã eu me benzo.

(...)

Eu tô quebrada.
Lavei as benditas paredes as 3 da manhã.
Fui juntar os Cds e percebi que tinham 20 promocionais, daqueles que não servem pra nada ou quase nada.
Coloquei 5 lado a lado em 4 carreiras e ví que formava um quadro engraçadinho.
Passei cola nos 20 e dessa forma colei na parede.Ao lado tinha um maldito prego que fez com que minha obra ficasse descentralizada.Achei uma pintura de Botticeli , daquelas da pinacoteca Caras " O Jovem e a medalha" e pus ao lado,tamanho perfeito e sincronizado com o quadroCD.Mas o prego continuava.
Resolvi fazer uma moldura com giz de Cera, isso já eram aproximadamente umas 5 da manhã, comecei pintar a parede com giz bege,ao redor da arte,aí mesclei com giz azul e laranja, fiz como uma moldura, mas me empolguei e acabei pintando a parede toda nessa mesclagem doida.Olhei de longe e tinha alguma coisa errada,aquela figura do Botticeli tava me irritando ao lado dos Cds, virei a figura , atrás tinha a explicação dela,ficou muito mais bonito.Assim ficou.
Ainda tinha o maldito prego, sem cabeça, muito bem pregado pro meu pobre martelo de carne arrancar.Eis que olho pro lado e lá estava a minha salvação, um LP de 78 rotações,daqueles grandes mas que cabia só uma música de cada lado,do meu bisavô,Gravadora "Copacabana" , Música: Cosme e Damião por Jorge Veiga, mais ou menos de 1950.Aquele prego foi feito pra ele.
Sobrepôs a parte de cima do avesso do "Jovem e a medalha", ao lado dos Cds do UOL, Terra , AOL, Linux(é eu preguei um CD do linux na parede sim) entre outros.
A composição ficou perfeita.Obra de arte.
Arte mesmo, intitulada como "A falta" (do que fazer).


bolinhas do casos e acasos virtuais

e toooooooooodo mundo me escreve perguntado como eu fiquei tao rica e fina.

Cah entre nos, uma coisa gabriela: eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim... sempre barbie baiana.

na real: eu vivo e renda, e tenho um escritorio pra administrar os bens da familia e os investimentos que temos.
tem bicha que nem tem sobrenome, as mais finas tem nome e sobrenome e eu tenho vaaaaaarios sobrenomes quatrocentoes. uma coisa: Barbie Setubal Ferraz de Vasconcelos Lafer Piva Baumgarten de Sabrit Fasano Jafet Maluf Matarazzo Vilela Brandao Vidigal Monteiro Marinho de Figueiroa Baiana. Barbie Baiana pras bunitas.

e é isso.

Por Barbie Baiana*

13.7.03

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será próximo a contar. Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
- 1,2,3,... - a Loucura começou a contar. A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.
- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar... A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza , a Timidez... Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:
- Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas. Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.


rapto do bangulhus

12.7.03

É real

Meu útero latejava enquanto a música alta da festa fazia com que as pessoas criassem um ambiente propício para a diversão. Risadas altas, olhos quase fechados, suor, álcool e minha dor.
Não tinha sido avisada que uma dor pulsante ao ritmo da música pudesse me dominar. Me agarrava nos braços dele, até não conseguir mais me conter e chorei de dor. Como uma peça frágil fui carregada em seus braços até um lugar em que pudesse ficar em seu colo, parada, em silêncio ouvindo apenas nossa respiração e sentindo sua mão deslizando nos meus cabelos tentando aliviar meu sofrimento.
Depois de esquecer um pouco da dor conseguimos ir para casa, onde fui colocada na cama como uma criança que finge q está dormindo no sofá, e como criança pedi para que ficasse ali comigo por que tinha medo de ficar sozinha com meu útero.
Deitei em seu peito pra ser ninada ao ritmo das batidas de seu coração que estava descompassado como depois de uma longa caminhada. Suas mãos tentavam me proteger ao máximo sem serem rudes. Passei a mão em seu rosto e percebi q estava molhado de lágrimas. Me assustei, levantei a cabeça rapidamente, e procurava seus olhos no meio daquela escuridão.
-Que aconteceu? Pq vc tá chorando?
Ele continuava em silêncio, e era aterrorizante. Meu coração também disparou na mesma caminhada que o dele.
-Me diz menino... Fala por favor! O q vc tá sentindo?
Meus cabelos começavam a ficar úmidos, pois as pontas tocavam suavemente seu rosto.
-Descansa! Fica quietinha! Eu tô chorando pq minha alegria transbordou meu peito, não coube no meu sorriso e acabou explodindo nas minhas lágrimas.
Fiquei confusa, ele estava feliz? Ele não conseguiu aproveitar a festa, agüentou meus choramingos e estava feliz?
-Como assim?
-Agora, com vc aki deitada no meu peito, descobri q encontrei o que eu sempre procurei na minha vida.
Tremi, estava quase sufocando, não consegui dizer uma só palavra, e ele completou.
-Traks, minha menina, EU TE AMO! Não sei como aconteceu, foi tudo numa velocidade incontrolável mas esse é o sentimento mais forte de todos que eu já senti, se não for amor juro que não quero amar, por que meu coração teria de ser um milhão de vezes melhor pra aguentar algo mais forte que isso.
Não consegui dizer uma só palavra, apenas chorei muito deitada em seu peito, chorei até adormecer, e acordei com seus olhos brilhantes a me velar.


solução: em caso de coma, me coma

Como ser feliz em dois parágrafos

Conheço uma pessoa feliz. É uma pessoa cheia de não. Ela não tem história, tão quietinha, não tem história. De tudo que viveu, diz apenas que passou. As escolhas que fez modificaram a sua vida mas não imagina nem por um segundo o que poderia ter sido se. E se tivesse tomado outro caminho? Não tomou, e esse pensamento basta. “Tenho gavetinhas na cabeça, esvazio quando não quero mais”.

A pessoa feliz não carrega o passado ladeira acima; prefere assisti-lo rolar até lá embaixo. Age no presente instintivamente, como um cachorro abanando o rabo. Não tem respeito por nada que não seja este instante - o resto simplesmente já foi. Seu papel na história é seguir adiante. A felicidade é assim: aconteceu.


(receita) (entre parênteses)

Coisas que não se deve fazer quando se está com raiva:
Enviar e-mails.
Telefonar para a pessoa que provocou a nossa raiva.
Ficar paralisado.
Sofrer demais.
Alimentar a raiva com pensamentos recorrentes.

Coisas que não se deve fazer quando se está apaixonado:
Casar.
Gastar mais do que se pode bancar.
Mudar de emprego.
Mudar de cidade.
Engravidar.
Comprar um cachorrinho.

receita de angel 7000

ADEPLHIA PARTE 1

Aquele orgasmo ficou no passado, mas gostaria que continuasse presente. Perpétuo. Infinito. Mas, foi. Desde então sinto uma dor lancinante. Infeliz. Minha história é triste demais. Mais que isso. É repugnante, humilhante, deprimente. Fui roubado. Não é o que vocês estão pensando. É pior. Foi a maior decepção que já tive. Eu a amava. Minha preciosidade. Talhada, esculpida e torneada pelo maior dos experts. Um artesão de renome universal. O cara era o fodão. A operação custou uma fortuna, mas valeu a pena. Ficou perfeito. Como ela me trouxe alegria. Foi o melhor ano de minha vida. Confesso: ela foi minha grande e única paixão. Amor verdadeiro. De pica.

Da primeira vez que a vi, julguei-a insuportável. Em minha sentença seus cabelos ruivos eram um anúncio da personalidade forte que, de encontro com a minha, provocara-me uma certa repulsa, instantânea e gratuita. Sempre fui assim: primeiro desconfio, depois analiso friamente e por fim acabo cedendo. Coisa de mineiro. Acontece que passado o temporal da primeira impressão, veio a tempestade da segunda; e a tormenta da terceira. Foi quando percebi que a cada encontro o incômodo que sua presença me causava crescia alucinadamente. Porém, o mal-estar logo começou a diluir-se em minha mente e passou a esquentar minha pelvis, depois arder, queimar e assim progressivamente, até o momento em que me surpreendi plenamente apaixonado. Comecei então a dormir Amanda, acordar Amanda, almoçar Amanda, lanchar Amanda, jantar Amanda, até que resolvi pedi-la pelo delivery. Não foi barato não. A taxa de entrega era de 70% + impostos. E eu banquei o frete. Cacifei a ingrata. E ela veio.

Depois vieram os olhos brilhando, o sorriso constante, os jantares românticos e, certamente, as noites de sexo. Só que aí começaram os problemas. Nada aconteceu. Amanda tinha a Síndrome de Rokitansky – esse tema está registrado nos compêndios de medicina, juro. Era Adelphia. Não possuía vagina. A incidência da síndrome é rara. Estimasse 1 caso para cada 4 mil mulheres. Mesmo assim, ela é a mais freqüente das anomalias congênitas do trato genital feminino e sabe-se que é decorrente do desenvolvimento inadequado dos ductos de Müller. A sua causa é desconhecida e ela não apresentava alterações nos cromossomos.

Foi esquisito. Ela sempre tinha uma desculpa para não transarmos. Já a tinha visto pelada e, num dos amassos, passado a mão de leve em sua buceta. Pensei que fosse virgem, o que Amanda confirmou ¿ e nem podia ser diferente. Ela era a própria virgem. A vagina dela era uma cavidade virtual. Aquilo, a princípio, me deixou intrigado, mas não assustado. Amanda era maravilhosa. Gata 9 graus na escala Richter. Nunca tive dúvidas que a satisfaria completamente. O que faltava era a vagina, o resto estava todo lá. Com minha língua trissulca, a fiz gozar várias vezes, lambendo seu clitóris de uma forma alucinada, mas suave. Sexo anal não era tabu para ela. Percorri também todos os acidentes anatômicos de seu reto, atravessei o diafragma da pelve e o do períneo, e até notei, por exemplo, as pregas transversas do canal anal. Mas, literalmente, faltava alguma coisa. Além da ausência da menstruação, a incapacidade de procriar e a tentativa frustrada de relação sexual vaginal eram um incômodo imenso para ela. Amanda chorava muito por causa de seu defeito anatômico e freqüentava o analista três vezes por semana por causa disso. Me declarei a ela, disse estar completamente apaixonado e até amando ¿ na época não tinha certeza disso ¿, mas nada conseguia fazê-la esquecer do problema. Chocado com a minha incapacidade em deixá-la completamente satisfeita, ofereci a ela a felicidade: uma intervenção cirúrgica para a reconstrução vaginal. Amanda sorriu e finalmente disse que me amava. Gozei de satisfação.


CONTINUA em faker fakir

11.7.03

De acordo com a "Ciência dos Sentidos", há sempre um que prevalece. Algumas pessoas aguçam a visão, outras o olfato. No meu caso, a audição é essencial. Se assisto a pênaltis, faço questão de não escutá-los. Quando algo se quebra, meu primeiro reflexo é tampar os ouvidos. Posso ver, mas não posso ouvir. O que dizem é sempre mais importante do que o que fazem sob meus olhos. Consigo guardar frases exatas, datas e situações contanto que digam. Minha memória fotográfica é tão poderosa quanto a de uma lontra, mas a auditiva nunca erra. Discutir comigo chega a ser algo constrangedor, visto que disseco o discurso alheio e meço todas as palavras. Não há letra que passe despercebida por meus ouvidos. Sou incapaz de realizar um olho-no-olho por mais de 3 segundos, mas consigo discutir durante horas a fio. Ouço, ouço, ouço. Não há como nivelar, no meu caso, a audição aos outros sentidos. Talvez o Sexto exerça lá sua função, porém sou incapaz de vislumbrar acontecimentos felizes. Parece absurdo, mas meu Sexto Sentido surge somente quando o futuro apresenta alguma forma de dor. Dessa forma, vale frisar que odeio pressentir. Sou mais ouvir, mesmo que a música ou as palavras não sejam aquilo que espero.


como um orgasmo tântrico: demora mas é melhor

10.7.03

Uma profusão de palavras atropelando-se nas entranhas precipitam-me para a vertigem de lençar-me aqui. Sem medir as alturas devoradas pelo corpo convulso, oscilo entre entregar-me ao canion e arranhar as escarpas à busca inglória de um alívio que inexiste. Convulsão.
Cio. Pavor. Fome. Tremores. Passos errantes e o frio lá fora. O trabalho nas demais janelas, prosseguindo quase no prazo.

Compilaria um romance épico hoje com osvocábulos todos que se entrechocam na taquicardia oriunda do desassossego trivial. Não seria por certo nada palatável, por certo não seria notável, seria mero extravasamento. Talvez contivesse o fel que perpassa DH Lawrence - com quem ainda divido fragmentos das noites frias; poderia ter lacunas como a dor de Miss Woolf apenas pode imprimir nas leituras dos meus 18 anos; poderia ter lapsos de brilhantismo que apenas eu mesma vislumbrasse; poderia conter páginas e mais páginas em branco. Poderia... e suposições são como lepra, como diria meu pouco estimado avô materno.

vá você também Contra o Tempo

Estava pensando aqui que não devo assistir televisão.
Nunca tenho esse hábito e quando resolvo alimentá-lo, veja você o que acontece.
Das últimas vezes em que assisti TV nos últimos meses, o Barry White morreu, pitboys de Barra Mansa jogaram pessoas de viadutos, irmãs iranianas siamesas foram operadas e morreram e ainda tive que assistir um pedaço de Kubanakan.

Só desgraça.

Quer mais um Biscoito Doce?

Aconteceu com dois ilustres: Tom Jobim e Brigitte Bardot. Anos 70, numa as vindas dela ao Brasil, numa noite no Copacabana Palace. Ela jogava todo o seu charme, ele se derretia ao piano, e o clima entre os dois foi esquentando.

Lá pelas tantas, o Tom foi levá-la ao hotel. E avisou:

- Daqui a pouco estou aí.

Todo mundo achou que ele não voltaria, mas 10 minutos depois, estava Tom ao piano novamente. E explicou:

- Tirar a roupa, ficar de pau duro, fazer a mulher gozar, tomar banho e ainda contar uma mentira em casa. Isso tudo dá muito trabalho. Melhor assim.

Quem me contou a história foi um amigo, que passou por uma situação parecida há pouco tempo. Madrugada, ele totalmente assediado por uma moça, ela dando todo o mole possível, mas ele resolveu pegar um táxi e deixá-la em casa, apesar de toda a insistência dela. Só não citou Tom Jobim porque acho que a mocinha não entenderia. Mas jura que o taxista que fez a corrida o deixou em casa convencido de que ele era gay.


cuzada federal em elas por elas

9.7.03

A teoria é boa. Desarmar o cidadão. Mas seria melhor desarmar o assaltante. O cidadão que tem arma, não comete crime com ela. Muito pelo contrário, só se defende deles. Proibir as armas não é impedí-las de chegarem as mãos dos bandidos. Droga é proibida, e tem aos montes por aí. É mais fácil de comprar do que pão. Tem traficante que até fiado faz. Coisa que a padaria lá perto de casa nem cogita. Pelo menos pra mim.
Proibir as armas é apenas um meio de deixar o cidadão mais indefeso. E apenas um tipo de tráfico que irá crescer. O de armas. Talvez mais violento e perigoso que o de drogas. Mas tudo bem. A essa altura, foda-se tudo. Não elegeram o Lula como presidente? Então. Teorias esquerdistas absurdas não serão mais motivo de surpresa até o fim do mandato de nosso (hic) presidêntie. Mas o foda é que o que me assusta não são as teorias... Mas sim as práticas...

Fermentado por Fenris, Cerveja Blog

Einstein
Relatividade é tudo, bi. Estou cheia das dúvidas existenciais, então, analisemos as situações e respondamos às seguintes perguntas:

- Famosa jornalista de moda lança livro sobre a cena paulista no começo dos anos 90. Publicação é festejada. Famosa jornalista de moda digivolve de caipira deslumbrada fashion para um ser-que-usa-peças-básicas-na-fashion-week. Antes de perguntar o que aconteceu com a rebeldia de uma década atrás e de onde veio o dinheiro para o vestuário de grife, a dúvida: livro à venda no centro de SP por R$4 é sinal do quê?

- Socialite polêmica mantém uma carreira bem sucedida como marida de industrial e lutadora de boxe tailandês em jantares. Concede entrevista para a imparcial, séria e conceituada publicação científica das massas, a Veja. "Cocô Chanel dizia", cita a pensadora, com um acento gráfico no lugar certo, "luxo não é oposto de pobreza, é antônimo de vulgaridade". Sendo luxo = ela, vulgaridade diferente de pobreza, o que seria igual a riqueza?

- Funcionário de grande e transparente grupo de comunicação divulga a venda de sua caranga "passadinha", um super-carro ano 2001, completinho, por apenas dez vezes o salário bruto desta redatora (notem o detalhe: salário bruto, não bruuuuto salário). O valor deve ser pago à vista, já que comporá a última prestação de um apartamento de 22 quartos, 27 suítes e 14 vagas na garagem. a) Posso pagar com ticket? b) Aceita vale-transporte? c) Tá precisando de diarista, dotô?

dúvidas na Vida de Redatora

- Eu te amo.
- Eu também.
- Eu que amo.
- Nada disso, quem ama sou eu.

Tinha múltipla personalidade, todas bem diferentes entre si. A não ser pelo amor que tinham por ela. Ela achava meio estranho, mas pensava que esse negócio de múltipla personalidade era só piada – afinal, uma dessas facetas era bastante brincalhona. Até que a piada perdeu a graça: “Chega! Acabou! Vai procurar a mulher barbada, freak duma figa!!”

- Ei, ela falou com você.
- Comigo não, foi com você.
- Não, deve ter sido com ele.
- Que nada, foi com um de vocês.

Aquela discussão foi demais para a pobrezinha. Num átimo, ela pegou uma machadinha (é sempre bom ter uma à mão) e cravou nas costas dele(s). Quando voltou a si, deparou-se horrorizada com o corpo morto do namorado. Não sabia o que fazer. Até ter a idéia de vender seu cérebro para a pesquisa científica.

esquizofrenia by Veríssimos

Muletas para uma vida menos insuportável
Disponíveis em três formatos, adquira já a sua:

Muleta 'Acredito em Deus ou numa força superior'

Bem cômoda e fácil de usar. Basta regrar sua vida de acordo com algo que nunca viu, mas todo mundo fala bem. A primeira versão ('acredito em Deus'), mais aprimorada, pode exigir um esforço mínimo: a definição de uma religião. Recomendável também ser hipocritamente iluminado, bastando para isso juntar as mãos e falar algumas frases pré-definidas. Freqüentar templos e igrejas dará um upgrade em sua muleta. Mas se você está procurando algo simples, recomenda-se a segunda versão ('acredito numa força superior'): basta um semblante esteticamente respeitoso quando soltar esse frase ('acredito numa força superior') e pronto, já que nem mesmo você sabe no que acredita (mas é sempre bom escorar parte de sua vida em qualquer coisa, desde que não você mesmo).


Muleta 'Me drogo e bebo até esquecer'

Também demasiadamente fácil de usar. Nada mais simples do que colocar algumas substâncias em contato com seu organismo, esperar alguns minutos e sair da sua realidade para entrar num mundo onde as cores mudam de tom, tudo parece fazer sentido e todos são tão bonitos. Mais fácil, impossível. Quanto maior o investimento financeiro, melhor será o seu funcionamento. Geralmente usada por pessoas que se acham extremamente interessantes, acreditam estar sempre bem vestidas e aparecem constantemente como personagens de novela das 8.


Muleta 'Tenho alguém pra falar e ouvir Eu te amo'

Bem difundida, essa muleta requer um pequeno esforço mas que pode ser feito por qualquer um: depilação de 10 em 10 dias para as mulheres e desodorante diariamente para os homens. Confundir carência temporária com o chamado 'mais nobre dos sentimentos' tem grande aceitação no mercado. Aproveite, faça disso um showroom de sua aparente felicidade: ande de mãos dadas em shoppings, dê beijos calorosos nas ruas e chame por apelidinhos carinhosos em público. Não perca nenhuma oportunidade de demonstrar que essa é a sua opção de muleta: inclua as palavras 'namorado (a)', 'noivo (a)', 'companheiro (a)' ou 'marido (esposa)' sempre precedidas pelo pronome possessivo da primeira pessoa do singular em quase todas as frases que falar e pronto: os outros te olharão num misto de admiração e inveja.


Todas as muletas podem ser usadas ao mesmo tempo, havendo apenas uma pequena incompatibilidade entre a primeira e a segunda delas, mas que pode ser resolvida com um mínimo de hipocrisia. A segunda muleta é altamente compatível com a terceira: lembre-se que todos ficam bem mais bonitos e interessantes com ela.


muletas assanhadas de sexo, doce e techno

– Pra onde você tá indo?
– Tô saindo.
– Pra onde?
– Vá se foder.
– Pra onde, porra?
– Adeus.
– Volta aq...

A porta batendo calou a voz dela. Segui rápido pelo hall e desci correndo os degraus que me separavam da portaria, e da rua, por conseqüência. Ainda consegui ouvir aquela megera abrindo a porta para me procurar, mas eu já havia sumido escada abaixo.

Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei viver com aquela mulher. A gente comete uns erros na vida, sabe? Decisões que não deveríamos tomar, mas o calor do momento toma por nós. Somos substituídos - nossas mentes, consciências, raciocínios e princípios - por nossos hormônios, nosso tesão e nossos arroubos juvenis de contradizer tudo o que nossos pais nos ensinaram só pelo prazer da rebeldia e pelo gosto do contestável. A vida sem emoção não tem graça. Pois no cu a emoção. No cu de quem disse isso. No cu. A vida com emoção realmente é muito engraçada: te transforma num palhaço, e todo mundo pode rir de você depois.

Saí e resolvi andar pela cidade. Acendi um cigarro e fui caminhando. Crepúsculo. Qualquer um diria que eram 17:30, mas os relógios marcavam quase 19:00. Odeio horário de verão. Odeio.

A cidade fedia. Fedia e fede. A óleo diesel queimado e concreto quente. Porque concreto quente fede pra caralho. Os outros não acreditam quando eu digo, falam que é maluquice minha, que é impressão, eu falo Vai tomar no cu, porra. Fede e fede muito!. Pois fede e fede muito. Não dá pra sentir, a maioria não sente, porque vive aqui, enfurnada nessa porra urbana e totalmente cimentada. Pra esse povo a grama é a exceção, a grama é o espaço raro. O que impera mesmo é o asfalto e o concreto, os dois fedorentos. Eu também vivi aqui, na cidade, a vida inteira, no meio do asfalto e do cimento. Não devia saber que concreto fede, mas eu sei. Acordei um dia sentindo um cheiro estranho. Mãe, que cheiro é esse?, Que cheiro, menino? Não tem cheiro nenhum, Tem, sim, eu tô sentindo, Cê tá louco! Senta e toma seu café. Tomei o café todo, e o cheiro me dando náuseas. Fui pro colégio, com o cheiro me dando náuseas. Meu colégio, eu ainda lembro perfeitamente, tinha um enorme pátio cimentado, onde os moleques sempre destruiam seus joelhos em acidentes sem nenhuma importância. O cheiro que vinha do pátio era insuportável. E ninguém sentia.

Vomitei várias vezes esse dia. Vomitei muito por muito tempo, até me acostumar com o cheiro. E vomito até hoje, de vez em quando. Acho que vou vomitar hoje. O cheiro está muito forte mesmo. E os carros passando no asfalto e levantando mais fedor... odeio carros. Odeio essa cidade. Vou pra algum lugar sem isso tudo, algum dia.

Calçada. As pessoas na calçada parecem não ver os outros, passam esbarrando, empurrando. Eu empurro e esbarro também. Quase derrubo um guri, ele pede desculpas e continua seu caminho. Desculpas. Desculpa é o caralho, moleque, pensei em dizer, mas não disse. Quando eu era moleque pedia desculpas também.Desculpa é o caralho. Passa uma loira por mim, com grandes peitos e um belo decote. Não dá pra não dizer nada. Gostosa, e dou um sorriso safado. Vai te foder!, Já fodi com tua mãe, vagabunda!. Puta metida a difícil. Pior raça que tem. Se não quisesse levar pica não vestiria uma roupa daquelas, um cara comenta do meu lado, na faixa de pedestres. Um crioulo. É!, falo, seco, querendo matar a conversa. Não quero saber de papo com crioulo.

Passo por mais dois quarteirões e chego a uma pracinha. Os cachorros e as crianças se multiplicam pelo local, eu me sento num banco e começo a olhar em volta. Só tem velha nessa porra, não dá pra puxar conversa com ninguém. Nem quero conversar também. Apago o cigarro mas fico com ele na boca, tragando o filtro, pensando em nada. Até que sinto um calor na batata da perna. Uma porra de um desses cachorros de madame mijou em mim! Mijou em mim! A mulher vem chegando, gritando o nome do animal dela. Duque, ou alguma coisa assim, Não faz xixi no moço, Duque!. O cachorro fica me cheirando e eu ali, de pé, levantei e nem vi que tinha feito isso. Olho pra mulher, pro cachorro dela, pra ela de novo. Ela falando com o cachorro, brigando com ele, como se fosse uma criança, diz pra mim que ele é muito levado, assim mesmo, Ele é muito levado, moço!. A mulher deve ter uns sessenta anos. Velha escrota, deve morar sozinha com esse cachorro, colocá-lo pra fazer sexo oral nela. Escrota desgraçada. Mas a situação é ridícula. A mulher fala comigo, e fala com o cachorro. Não dá pra não rir, e eu começo a gargalhar. Uma gargalhada incontrolável, nervosa. Ela também ri, deve pensar que eu estou achando graça. Estou com ódio. Tanto ódio que não dá pra pensar em mais nada além do quanto somos patéticos. Quando o cachorro dela se aproxima eu aplico um chute certeiro, na cara do animal. Ele gira no ar e cai alguns metros adiante, imóvel, e eu espero que esteja morto, enquanto a velha grita o nome dele, histérica, e me olha, estupefacta. Páro de rir, acendo um cigarro e vou caminhando.

– Duque! Duque! Ei, você, seu filho da puta! Onde você vai?
– Vou embora.
– Onde você vai?
– Vá se foder!
– Volta aqui!
– Adeus.

Déja vu.


despedida no Utopia Dilucular

8.7.03

Surtei. Surtei MESMO. Desci de manhã e fui à vendinha daqui do prédio para dar continuidade ao meu ritual de auto-destruição, comendo tudo quanto é tranqueira que eu sei que eu não deveria comer por que com o tempo só irá me fazer aumentar de peso e consequentemente ficar triste e desapontada comigo mesma... Desci e comprei, comi uma parte mas ai, sei lá o que rolou na minha cabeça e eu pensei: ao invés de comer, quando for pegar um, vou e jogo ele na privada. Fiz isso, mas não foi suficiente.

Ai durante o filme que eu estava vendo, eu senti vontade de comer mais e eu já tinha pensado em esmagar a comida com o martelo (na mesma hora que eu pensei em jogar na privada), peguei e fiz isso. Esmaguei 3 "Bises" na caixa.

Terminou o filme e a sensação não tinha passado, precisava esmagar mais coisas, precisava destruir isso que fica me destruindo. Fui até a cozinha peguie a OUTRA caixa de Bis que eu tinha comprado (sim, eu tinha comprado duas) e esmaguei na pia com o martelo. Não esmaguei com a vontade que gostaria por que fiquei com medo de quebrar a pia mas eu esmaguei aquela caixa.

Parei, liguei para uma amiga minha e contei o que tinha feito... o problema é que a vontade não tinha ido embora. Minha vontade era descer na vendinha aqui no prédio com o martelo e esmagar toda a seção de doces do cara.

Óbvio que eu não podia fazer isso... e a vontade não tinha ido embora... peguei e esmaguei um pacote de bisnaquinha também, esmaguei, esmaguei, esmaguei. Continuei caçando o que esmagar. Esmaguei um macarrão instantâneo, nem sei de que marca, de queijo, ultra engordativo. Por fim, esmaguei o pote de Nutela que eu tinha comprado. Coloquei dentro de um saco plástico para não voar caco e eu esmaguei aquele pote... como eu queria pensar um pouquinho menos e não ter medo de quebrar a pia. Bati com MUITO gosto mas não com todo o gosto que eu gostaria.

Voltei pro telefone e liguei para a minha mãe... desabei a chorar... vai entender... foi libertador mas a vontade ainda não tinha passado... estava quase colocando a roupa e descendo para comprar mais doces só para esmagar. Fui falando com ela no telefone e me acalmei... me sinto estranha... por mim faria disso um ritual semanal...

Toda a raiva que eu sinto dos outros que eu desconto em mim foi parar na comida. Hehehe foi sim, mas de um jeito que só machucou ela, não a mim também.


siricutico do oooooooops!

A mulher patológica

O telefone tocou, mas ele não atendeu. Tocou novamente. Sabia quem era, sabia o porquê daquela ligação. Na terceira vez, atendeu friamente. Ela queria vê-lo, queria conversar. Ele apenas respondia suas questões.

Ela estava carente. Carente e tarada — mais precisamente. E sua súplica quase o convencera.

Ceder uma visita à ela seria voltar-se contra seus princípios. Ceder seu corpo novamente para aquela mulher seria amargurar sua vida já amargurada.

Negou. Venceu-a com sua lábia descabida. Simulou um mal-estar, desconversou-a. Despediram-se.

Ela percebeu que ele não era mais tolo, usável e fútil. Ele percebeu que estava ficando forte. Estava ficando, não era ainda.

Se fosse forte não estaria lamentando, pensando e impaciente. Sua vontade de possuí-la ainda o carcomia por dentro. Mas por hoje a batalha havia se encerrado.


a sofrida desintoxicação do ópio

1 E o nazareno, tendo subido ao Gólgota, deixou cair ali o pesado madeiro. 2 E em seguida deu um tapinha no ombro do centurião romano, assim dizendo: "Bom, encomenda entregue. Até mais, então". 3 E após estas palavras o Nazareno atravessou a multidão, ante seus discípulos atônitos, para os quais murmurou, em voz baixa: "Encontro vocês lá no Jerusalem Inn, às seis, pro ensaio".4 Ora, o centurião romano pegou o nazareno pelas vestes e o arrastou de volta ao madeiro. 5 E o nazareno bradava, enquanto era arrastado: "Não precisa assinar nota fiscal, é delivery free-of-charge!" 6 E enquanto era deitado no madeiro, o nazareno praguejou: "Putz, devo ter jogado pedra na cruz!" 7 E quando o verdugo foi perfurar seus pulsos, o nazareno manteve a mão fechada e murmurou: "Estou contigo e não abro!" 8 E, tendo erguido o madeiro, o centurião ofereceu ao nazareno um cálice com mirra, para mitigar a dor. 9 O nazareno provou, cuspiu e bradou: "Putz, devo ter bebido cachaça no cálice sagrado!" 10 E na hora sexta, o nazareno olhou aos céus e clamou: "Pai, por que me desamparaste?" 11 E nisso uma voz vinda dos céus falou como mil trovões: "Tu tens 33 anos e ainda moras com tua mãe - ainda querias que eu não te cortasse a mesada?" 12 E a voz dos céus, após uma breve pausa, prosseguiu: "Um momento - não és Yeshua, o carpinteiro?" 13 E o nazareno, exangue, respondeu: "Não, sou Yehuda, o coletor de impostos." 14 A voz nos céus assim disse, então: "Putz! Confundi ano sabático com ano fiscal. Foi mal, aí." 15 E a terra tremeu.

desenterrado na praia do Nelson (com a pá do JMC)

7.7.03

Por que organizar um chá de bonecas.

. Para matar a sua vontade de fazer um evento com o nome tão lindo como "chá de bonecas".
. Para aliviar a culpa de deixar sua filha a tarde toda só com a babá e a empregada.
. Para se sentir uma lady inglesa do séc. XVIII.
. Para gastar seus dotes de publicitária, fazendo um convitinho lindo e personalizado (com a ajuda e a boa-vontade da sua dupla).
. Para as coleguinhas da sua filha conhecerem a sua casa.
. Para as meninas se sentirem muito importantes na escola, por terem um evento só para elas.
. Para a sua filha aprender a ser mais despreendida com os próprios brinquedos, e descobrir o prazer de compartilhar.
. Para a sua filha conhecer as bonecas favoritas das amiguinhas (como a adorável Isadora, da Julinha).
. Para observar mais de perto como é a relação da sua filha com as colegas, e como cada uma delas tem um gênio bem diferente da outra.
. Para dar à babá uma tarefa bem mais complexa do que passar as tardes brincando com uma única e dócil menininha.
. Para as garotas descobrirem que também é uma delícia brincar em grupo fora da escola.
. Para ter esse momento registrado em foto e vídeo.
. Para servir às crianças um lanche especial, cheio de coisas deliciosas.
. Para seu marido chegar mais cedo do trabalho, a tempo de inventar brincadeiras com as meninas e ouvir, na despedida de uma das amiguinhas: "Tchau, pai-da-Alice-engraçado!".
. Para chegar em casa à noite, frustrada por não poder ter estado presente.
. Para esquecer essa e todas as outras frustrações ao ouvir da sua filha, após um suspiro, "Aaaai! Que felicidade!"

isso é que é Mothern