Por que? Por que eu não tenho um amiguinho mágico? Por que eu não consigo ficar numa coisa por muito tempo? Por que alguém não me dá um tiro? Por que o passado tem que atrapalhar a vida de todo mundo? Por que as pessoas de quem eu gosto moram sempre tão longe? Por que eu não encontro logo o velhinho de barba branca com a resposta pra todas as perguntas? Por que as pessoas não se contentam com o que têm? Por que o mundo é tão injusto? Por que essa (suposta) reforma da previdência foi tão igual às anteriores? Por que quem é honesto sempre se ferra? Por que eu não entendo o sentido das coisas? Por que eu não pesco as coisas no ar? Por que todo mundo briga tanto? Por que eu não consigo me admirar? Por que ninguém, só pra variar, faz eu me sentir feliz alegre e amada sem esperar nenhuma cobrança ou alguma coisa em troca? Por que é tão difícil aprender as coisas? Por que eu estou nervosa? Por que as pessoas acham que eu fico chateada por qualquer coisa, quando é exatamente o contrário? Por que todo mundo tenta me afetar? Por que eu existo? Por que você existe? Por que eu não nasci uma concubina malasiana? Por que eu estou presa às coisas que eu cativo, já que eu na verdade não queria ter nada a ver com elas? Por que a vida é complicada?
A resposta é sei lá.
Obrigada.
real folk blues
17.8.03
Ela estava chateada. Bem chateada. Triste pra burro. Tri triste. Nada com ele, ou quase. Decidiu ficar na dela, deitar cedo, afofar o gato e bater papo com uma amiga. Pediu que ele não viesse, não ligasse. Ela ligaria. Antes de dormir. Ia passar no salão de beleza, jantar, bater papo, ouvir música e depois ligar.
Óquei? Óquei. Entendeste? Tudinho. Ótemo.
Chegou antes do que previa e enquanto estava no banho, ele ligou e falou com a amiga. Tá no salão, né? Não, já chegou. Ah, hã, ah... Vou chamar. Não, não, não precisa. Desligou. Estranho, concordaram ambas. Será que ele achou que eu tava enrolando, que ia pra fubangagem?! Argh! Homens! Que ódio!
Meia hora depois, banho tomado, sentada na sala com a amiga, passos no corredor recém encerado.
Wick, ... wick, wick... wick, wick... wick, wick... wick. Os passos se detêm diante da porta.
Elas se entreolham.
Crashhh, cracsh, creshc. Barulho de papel celofane.
Pééééééééééééééééééé. Campainha.
Wick, wick, wick, wick, wick, wick, wick. Desabalada corrida corredor encerado afora.
Ela vai até aporta e abre. Um lindo buquê de rosas no chão. Um cartão. Dele.
Aaaaaaaaaaai que fofo.
E ela ficou o resto da noite olhando as flores com o sorriso mais besta do mundo na cara.
Argh! Mulheres!
"não discuto com o destino, o que pintar eu assino"
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Ratapulgo
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17.8.03
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16.8.03
O videotexto (Post XX)
Chegamos à festa. Festa de músicos eruditos. Poucas mulheres e discussões sobre Mozart e Wagner. Ainda bem que eu fui. Dez minutos depois daquele papo sem graça, a conversa mudou para bizarrices sexuais e a tara nossa de cada dia. Não há nada mais divertido do que falar de sexo. Pena que o repertório seja limitado.
Na roda estávamos eu, quatro rapazes, o "ex" e uma violinista muito simpática, que tropeçou na minha frente logo que eu cheguei. Ela só não se esborrachou no chão porque se apoiou em mim - um acidente que fez com que passássemos alguns minutos no hall de entrada. Foram minutos suficientes pra eu ir com a cara da menina e apresentá-la para o "ex" e seus amigos. Fui gentil. Ela estava sozinha, não parecia ser uma mala sem alça e era uma moça muito bonita. Os rapazes da mesa, certamente, me agradeceriam pela sociabilidade. Quanto ao "ex", não havia o que me preocupar. Ele era maravilhoso, mas era feio feito o cão chupando manga. Ela não se interessaria por ele, não aquela loira linda que poderia ter qualquer banana daquela festa.
Duas horas depois de muito vinho e conversa boa, apareceu no meio do jardim um bolo e um aniversariante. Todos se levantaram para os parabéns e, na hora do corte do bolo, perceberam que não havia como cortá-lo. Por mania de educação desnecessária, me ofereci para ir até cozinha buscar uma faca.
Revirei um armário inteiro atrás de uma bendita espátula e não encontrei. Tive que lavar uma faca de pão que estava melecada de manteiga dentro da pia. Lavei, sequei e corri para entregá-la ao aniversariante. Atravessei a cozinha, segui pelo corredor, passei pela sala, abri a porta que dava para a sala de estar e senti que a porta havia emperrado em alguém. Antes que eu pudesse me desculpar, me deparei com o "ex" e a loira se engolindo atrás da porta.
Nunca imaginei que isso fosse possível, mas eu surtei. Joguei a carteira e a chave dele num matagal de terreno baldio, arranquei a minha chave do bolso dele, disse um monte de absurdos com a faca a um milímetro do nariz dos dois e enfiei a mão na cara da loira no mesmo instante que ela abriu a boca para dizer alguma coisa que eu não me dei ao trabalho de ouvir.
Eu sei que estávamos separados, sei que eu disse que queria ser amiga, mas ficar com alguém na minha frente? Assim? Tão rápido? E logo com a bonitona? Meio bêbada e aos prantos, saí da festa com o cretino tentando me segurar pela bolsa. Não satisfeito, tentou segurar a porta do carro. Quase perdeu as unhas dos dedos para sempre. Parti cantando pneus. E chorei tanto e corri tanto, que acordei em um pronto-socorro.
O videotexto (Post XXI)
Abri os olhos e achei que estava sonhando ou que tinha morrido. O clone do "ex", estava ao meu lado meio choroso e com um buquê de flores nas mãos. Não tive dúvidas: "Morri e estou vendo meu próprio enterro". Meus pais entraram no quarto no momento seguinte e me acordaram do pesadelo. Fui obrigada a me defender das broncas, antes mesmo de comemorar a escapada que eu dei na morte. Passado o esporro, me dei conta do que aconteceu. De tanto chorar, dormi no volante. Quis morrer de ódio, no instante seguinte.
Que coisa estúpida, dormir ao volante. Eu não durmo nunca! Logo no volante? Mas não lembrava de ter batido o carro e me estropiado toda. Eu não, porque até dormindo eu dirijo bem. As poucas lembranças e os fatos indicavam que eu fui adormecendo, indo para o acostamento, o carro parando e parou. Eu teria acordado, levado um susto, mas estava protegida pela arte da "pilota" sonâmbula. E nenhum acidente teria acontecido se não fosse por causa de uma outra topeira sonolenta que cochilou e fez um strike de meia dúzia de carros na estrada. Eu não vi nada - me contaram - e ainda bem que não vi. Seria como acordar em um grande desastre físico e emocional. Porque, maior do que a dorzinha dos poucos hematomas da batida, eram as dores da cena do dia anterior.
O beijo que o crápula deu na loira foi o ponto final nas recaídas, na saudade e na história toda. Não havia mais o que extrair daquele relacionamento, mas como doía! Uma dor egoísta que me fazia crer que eu podia e ele não. O clone ao meu lado, sem saber de nada, achando que eu era namorada dele e eu acusando mentalmente o "ex" por não respeitar o prazo de validade da nossa separação.
Pra piorar, aquele escândalo. Que merda, que vergonha! Deixei o cara sem carteira, sem dinheiro, sem condução e com uma violinista linda, que certamente o levou para dormir na casa dela. Que estúpida, que desequilibrada e que vontade de continuar chorando. Mas não podia.
No meio de toda a minha dor de cotovelo, ainda fui obrigada a mentir. Não podia dizer o motivo daquela presepada toda. Nem para o clone e muito menos para os meus pais. Graças a deus meu orgulho sempre foi maior do que as minhas crises de insanidade. Eu não assumiria um chilique como aquele, nunca! Além do mais, tadinho do clone. Todo atencioso, preocupado, não desgrudou de mim um minuto sequer. Dormiu no sofá do hospital, passou frio de noite, me deu água na boca e quando eu acordei, ele não estava mais lá. Estranhei mas, pouco depois, ele chegou com o café da manhã, um presente e um cartão.
Mordi a maçã, abri a pequena caixinha com um anel lindo, agradeci achando que era um agrado qualquer e tirei o cartão do envelope:
"Não tente parecer forte para sempre. Eu sei o quanto você é frágil.
Casa comigo? Eu cuido de você."
----------------------->> Continua
na cumbuca de amarula com sucrilhos
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Ratapulgo
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5) Bebida
Que o álcool numa solução diluída em água, quando tomado pelo organismo humano, atua como depressor e não como estimulante, é hoje um clichê tão batido que até os fisiólogos mais avançados estão começando a tomar conhecimento dele. O leigo inteligente não recorre à garrafa quando tem compromissos importantes a resolver, sejam intelectuais ou manuais; ele deixa a primeira dose para depois do trabalho feito, quando deseja relaxar a tensão e reduzir a pressão de seu mau humor. O álcool, por assim dizer, nos desenreda. Ele levanta o toldo da sensação e nos torna menos sensíveis aos estímulos externos e, particularmente, àqueles que nos são desagradáveis. Ao pôr um freio em todas as qualidades que nos permitem tocar a vida e brilhar diante dos colegas - por exemplo, a combatividade, a agudeza, a diligência, a ambição -, o álcool liberta as qualidades que nos enternecem e fazem com que as pessoas gostem de nós: a afabilidade, a tolerância, a generosidade, o humor, a simpatia. Um homem com dois ou três drinques a bordo não será capaz de amputar a perna de alguém, pilotar um avião ou reger a missa em si menor de Bach, mas será imensamente mais competente para dar uma festa, admirar uma mulher bonita ou ouvir a missa em si menor de Bach. As coisas mais difíceis e úteis do mundo, como extrair dentes ou descascar batatas, ficam melhores quando feitas por pessoas tão sóbrias quanto os condenados às vésperas da execução. Mas as coisas mais gostosas, inúteis e divertidas deveriam ficar a cargo daqueles já devidamente lubrificados. O Pithecanthropus erectus era abstêmio, mas os anjos sempre souberam o que lhes convinha às cinco da tarde.
Tudo isto é tão óbvio que me espanto ao ver que nenhum utópico, até hoje, se propôs a abolir todas as lamentações do mundo pelo simples artifício de manter toda a humanidade ligeiramente alta. Note bem, eu não disse bêbada; disse ligeiramente alta - e peço desculpas por não saber como descrever este estado numa frase menos indecorosa. O homem ligeiramente calibrado pelo álcool é capaz de pôr suas melhores qualidades para fora. Ele não é apenas imensamente mais amável do que o indivíduo que vive a seco; é também imensamente mais decente. Reage a todas as situações de maneira expansiva, generosa e humana. Torna-se mais liberal tolerante e agradável. É melhor cidadão, marido, pai e amigo. As iniciativas que tornam a vida humana insegura e desconfortável nunca são tomadas por este homem: ele não declara guerras, não rouba nem oprime ninguém. Todas as grandes vilanias da História foram perpetradas por homens sóbrios e, principalmente, por abstêmios. Mas todas as coisas belas, do Cântico dos Cânticos à tartaruga à Maryland, das nove sinfonias de Beethoven ao martíni seco, foram concebidas por homens que, na hora certa, trocavam a água da bica por algo mais colorido e com outros ingredientes que não apenas hidrogênio e oxigênio.
no alambique dentro do confessionário do Padre Levedo
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Ratapulgo
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15.8.03
trim!
trim!
'alguem atende?'
trim!
trim!
'alguem? por favor?'
trim!
trim!
'po, sera q alguem pode atender o telefone?'
trim!
trim!
'caralho! ninguem vai atender essa merda?'
trim!
trim!
'voces sao pagos pra q, hein?'
trim!
trim!
'vamo lá, pode ser o chefe...'
trim!
trim!
po, sandra, nem tu?'
trim!
trim!
's eu tiver q atender esse telefone vai ter, hein! to avisando...'
trim!
trim!
'putapariu! alô, porra! ... desculpa, seu paiva netto... nao, nao ligou ninguem da cidade d pau grande pro senhor. nao, ninguem... desculpa d novo. o q o senhor quiser, seu paiva netto. ok, vou anotar... obrigado pela paciencia, ate mais, seu paiva netto.'
desliga.
'aí, ó. s alguem d pau grande ligar, confirmar a palestra do seu paiva netto, ouviram? vou pegar açucar pro cafe lá nas doações e ja volto. ve se nao vao esquecer d anotar o recado dessa vez. fui!'
e assim foi mais um começo d expediente na legiao da boa vontade.
bituca, o psicossodomita
e aí eu pergundo Como Assim Dois Uísque?
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Ticcia
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15.8.03
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Não pratico esportes individuais porque sou preguiçoso. Não pratico esportes coletivos porque sou preguiçoso e acho péssimo ficar dando high fives e abracinhos de comemoração, ia deixar todo mundo no vácuo. E se reclamassem dos meus erros ia mandar tomar no cu e erraria de propósito dali em diante. E se alguém do meu time errasse, ia logo chamar de burro, mandar prestar atenção e falar que todo mundo estava perdendo por culpa dele. Me preocupando com o bem-estar do próximo é que fico deitado no sofá de controle remoto na mão.
sexo, doce e tecno
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Ratapulgo
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Esguicha-Granizo
Esta alcunha – que podia perfeitamente ser um apelido alentejano – granjeou-a um colega do meu avô. De seu nome Andrade, era um homem permanentemente atacado por lassidão intestinal. Uma diarreia tal, que fazia com que cada peido seu, por mais inocente e discreto, transformasse uma cueca numa embalagem postal.
Farto disso, e já sem dinheiro para roupa interior, o Andrade resolveu auto-medicar-se radicalmente e esvaziou uma caixa de Ultra-Levur em meia-hora. Ora, a auto-medicação é como o auto-broche: muito poucos conseguem levar a cabo em termos e, invariavelmente, acabam por se magoar.
No caso do Andrade, as consequências foram dramáticas. O químico não se limitou a actuar no sistema digestivo e transbordou para outras paragens. Afectou uma data de funções biológicas, mormente a do sistema caralhal.
Resumindo: em vez de se limitar a endurecer o cocó, o remédio foi longe de mais e, entre outras coisas, acabou por também tornar rija a langonha. O resultado está bom de ver, claro. Cada punheta do Andrade transformou-se numa saraivada de berlindes de nhanha. Aquilo era uma granizada tal, que o Andrade não se vinha, o Andrade chovia!
Parece que o gajo ainda tentou disfarçar, mas a quantidade de azulejos rachados na casa de banho dos homens começou a levantar desconfianças. A confirmação veio quando a Celeste – a muda da reprografia, que aviava o pessoal da repartição, em troca de um nata e uma meia de leite, na pastelaria lá da rua – apareceu com hematomas vários na cara, um olho vazado e dois dentes partidos. Normalmente, ninguém desconfiaria. Sucede que, no entanto, o Rocha – da contabilidade, que costumava bater em pegas – estava de férias. A suspeita recaiu sobre o Esguicha-Granizo e ele teve de confessar.
A vergonha fê-lo despedir-se e o meu avô nunca mais ouviu falar dele. Mas conta-se por aí que teve um desfecho triste: casou três vezes – o sonho dele era ter filhos – e às três mulheres furou os ovários. Acabou sozinho e foi encontrado morto na sua casa-de-banho, calças pelos tornozelos e um hematoma na fonte, causado por um cristal de meita. Acidente ou suicídio? Ninguém sabe.
vindo da uretra do meu pipi
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Ratapulgo
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14.8.03
O telefone toca e você corre para atender - corre, não, estica o braço - que esse barulho é Urgência e com Urgência não se brinca. Você fala o nome do departamento: Fyklaustrebouges? Mas do outro lado era engano. (Saia da internet! Saia da internet! - diz uma voz de igual Urgência. A internet é uma Droga e você bem sabe. Droga para escapar de Fyklaustrebouges.)
Talvez hoje você saia mais cedo e coma picanha. Ou vista calças limpas após o banho. Quinta feira não é dos dias mais sonhados (a maior incidência de pesadelos ocorre nas terças, segundo o Instituto Brasileiro de Everyone Else), talvez você se espante ainda com a vontade de ser mais do que um empregado de Fyklaus. Trebouges.
O vendedor de queijos disse que a crise era séria. Que a Empresa vai demorar dez anos para saldar as dívidas. Daí que você não vai ter aumento até 2013. Você resolve não comprar os queijos pelos próximos dez anos. Está decidido.
E na tevê todos Repercutem a morte do 'jornalista'. Cá em Fyklaustrebouges ele era conhecido como o dono dos Olhos & Ouvidos de Todo o Mundo.
Acalme-se e Tome uma Xícara de Chá
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Ticcia
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14.8.03
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Naquela manhã, dona Gumercinda levantou-se da cama de um pulo. Olhou-se no espelho e não gostou do que viu. Olhou para o porta-retratos com a foto do seu casamento. Olhou para o homem com quem dormia há 40 anos e viu, pela ordem, a calva, a barba por fazer e o filete de baba pendendo do canto da boca dele. Acordou-o com um grito: "Almeidinha, você é um banana!". Se vivêssemos num mundo perfeito, Almeidinha responderia: 1) "É? Então vem aqui me descascar, meu chuchu". 2) "Sou, sim. Joga mel em cima de mim e me amassa todinho". 3) "Não, meu bem, eu sou um goiaba. Faz tempo que eu estava pra te dizer isso. Quer conhecer meu blog?" Mas sabemos que Almeidinha, que já ligou o foda-se há tempos, vai se virar do outro lado e continuar a dormir, desta vez babando na metade oriental do travesseiro. E dona Gugu, que por segundos desligara o seu "fuck off", vai ligá-lo novamente e sintonizar a TV no programa da Sônia Abrão. Felicidade é isso.
Salada de frutas do >PURAGOIABA
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Anônimo
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14.8.03
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13.8.03
História real de um enquadramento
A amiga de uma amiga minha, recém-separada, trinta e tantos, começou a sair com um cara de vinte e poucos. O namoro ia muito bem, os dois tinham uma rara sintonia, em todos os sentidos. Mas logo ela foi cercada de pela mãe e alguns amigos, que lhe diziam os mais conservadores conselhos:
- Você não vai ficar tão bonita por muito tempo!
- Em breve ele te troca por duas de vinte!
- Que futuro esse rapaz pode lhe dar?...
Terminou tudo. Engatou com outro -- mais velho, bem empregado, dentro dos padrões. Ficou infeliz. Quis o antigo de volta. Mas agora ele tem medo. Ela insiste. Ele diz que é louco por ela, mas foge. Engatou namoro com uma moça de vinte e poucos, tranqüilinha, dentro dos padrões.
Ele sofre. Ela sofre. Tudo, claro, dentro dos padrões.
ficam elas por elas
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Ratapulgo
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O Assunto Gay - Uma Posição Dura, Mas Necessária
Queria comprar um monóculo. Quando me dissessem pelo telefone, “Vamos pra uma balada?”, eu iria lá, e colocaria o monóculo e diria: “Ah, isto é uma balada?” Ou quando me deixassem chocado, eu só abriria o olho um pouco e o monóculo cairia no meu peito, ficando sustentado por uma correntinha dourada.
Também queria cicatrizes no rosto – como os estudantes alemães do século dezenove. Sim, eu sei que há quem queira fazê-las de graça. Mas realmente não se pode duelar com pessoas de certas classes. Not done, don’t you know. Bad form. Quando um membro das classes baixas o ofender, o melhor é chamar cinco ou seis empregados e mandar espancá-lo. Mas esse hábito só poderá ser reintroduzido quando ensinarmos à sociedade que isso é normal e gostoso. Chega de ver o olhar de censura no rostinho lindo das minhas amigas cada vez que mando meus empregados espancar um mameluco insolente num shopping.
A volta do uso de espadas. Bom, se proibirem as armas de fogo (que são bregas), podemos ao menos sair à rua com rapiers. Mas sinceramente o que eu queria, mas queria mesmo, era uma bengala com espada embutida.
Também queria a volta dos soldadinhos de chumbo. Way cooler than bloody transformers.
Polêmico, hein? Um post defendendo a volta dos soldadinhos de chumbo? Fala a verdade! Ah, vou agora defender a volta das polainas.
- Quem liga? As Guerras Gays sendo travadas, e você aí falando de polainas!
(Meu monóculo cai diante de tanta rudeza) Sobre certos assuntos não falo. Não falo em Matrix, por exemplo. Sou conhecido do Aconcágua à Prússia por minha resistência em falar de Matrix. Homens mais rijos do que eu já fraquejaram...
Posso, no entanto, falar de Monica Bellucci. Querem que fale de Monica Belluci? Gosto até de falar o nome dela. Monica Bellucci. Ela...
- Fale sobre o espancamento de gays! Não seja omisso!
(Pondo o monóculo para examinar pessoa tão grosseira) Espancamento de gays - você diz com escovas de prata, bastões de cricket, essas coisas? Humm, kinky, very kinky. Se eles gostam, I say, jolly good, jolly good.
- Céus, você tem geléia no lugar de cérebro? Diga alguma coisa relevante sobre os gays! Posicione-se!
(Suspirando) Mas não posso simplesmente ficar repetindo o nome de Monica Bellucci? Ok, vou dizer o que acho dos gays. Acho que são uma raça superior. Acho que deviam matar todo mundo e depois ficar dançando Everybody Dance Now. Eu por mim seria gay, mas me ocorre que tenho nojo de homem. Sei intuitivamente que a boca de um homem é suja, por exemplo. Todos sabemos, porque víamos os nossos colegas de escola puxando catarro ou falando com pontes de saliva no canto da boca ou comendo comida que caiu no chão. Francamente não sei como os gays se esquecem disso, devem ser sujos também. Glauco Mattoso e todos aqueles sonetos sobre chupar pés de homem. Há comparação entre um pezinho de mulher e um pé de homem? Como os gays não percebem isso? Merecem ser espancados.
- Você se contradiz, seu direiteca festivo, homófobo metido a aristocrata!
Que bom. Mas me diga, quem é festivo entre a direiteca? Sempre procuro blogs de direita que sejam festivos, mas acabo me desapontando. E juro que acho vocês gays uma raça superior. Imagine uma sala cheia de Oscar Wildes, Noel Cowards, Cole Porters. Qualquer um teria que sentir seus joelhos se dobrarem de inferioridade. Só espero que não se dobrem demais, hahaha. (Batendo na própria coxa sem conseguir conter o riso) Mas eu dizia, são uma raça superior - menos os gays brasileiros, porque os gays brasileiros deram errado. (Percebe o trocadilho involuntário e bate na coxa de novo, desta vez rindo em silêncio) Deram muito errado. Gays brasileiros são burros.
- Como assim, seu direiteca homófobo metido a lorde?
Nada, nada.
na mansarda de Alexandre Soares Silva
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Ratapulgo
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13.8.03
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12.8.03
óia, tudo junto atendendo a pedidos histéricos de fão confusos:
RESUMÃO DO NOVELÃO
Novela. Carioca, cerrrrrrto? leblon. Todo mundo na novela é rico. Ninguém tem treta de cheque especial, ninguém se pergunta como vai fazer o super, como aqui, nos Solar dos Azevedo Cardoso. A única com potencial de pobre é a Ex-Puta, mas ela tem um protetor, o Toni Piludo Ramos, de modos que nem ela é pobre. Mas e as empregadas? Olha, imagina-se que as empregadas da novela sejam pobres, mas a gente só vê as moças uniformizadas e sorridentes, servindo café e ouvindo desaforo de criança. Nada se sabe da vida delas.
Então tem dois irmãos. O Toni Piludo Ramos e a Rosinha, em homenagem à namorada do Zé Carioca (que é a Susana Vieira, ela tem aquela boquinha de periquita). O Piludo foi casado primeiro com a Mãe Conceito (a Elisa Lucinda). Com ela ele teve uma filha, a Carninha Pitanga (Camila Pitanga) que hoje é médica. Guarde todas essas informações. Depois, o Toni Piludo foi casado em segundas núpcias com Cristiane Torloni, a Mulher Apito. Com ela ele adotou um garotinho, a criança mais sem educação, estragada e insuportável que eu já vi: o Lucas. O Que a Mulher Apito não sabe é o seguinte: no começo de seu casório com ela, Piludo encaçapou a bola oito com a tal da Ex-Puta, que naquele tempo ainda era puta da ativa, certo? Ela teve um filho dele. Agora, percebam a genialidade do Piludo; ele resolveu adotar o próprio filho, e não contar nada pra esposa pra "salvar o casamento"!! Um gênio, uma mente brilhante. A Ex-Puta já tinha uma filhinha de pai (até agora) desconhecido. A menininha chama-se Salete. A Ex-Puta tem uma mãe cachaceira e malvada, que ameaça fazer chantagem com o Piludo de contar tudo pra Mulher Apito.
Até aqui tudo bem? Dúvidas?
Bão, mesmo sem saber dessa safadeza toda, a Mulher Apito quis separar-se do Piludo. Quis, pra correr atrás dum amor dela de juventude, o Dr. Cara-de-Anão César. Ele é um neurologista famoso, e, percebam a mente poluída do autor da novela: namora a filha de Piludo, a Carninha Pitanga, que é médica (lembra?) e trabalha com ele na clínica. Sim, além de Cara de Anão ele tb é safado, e está tendo caso com duas moçoilas.
Bão, lembra que o Piludo tinha uma irmã, a Rosinha? A Rosinha foi casada com o Cláudio Marzo, vulgo Renato Aragão. Ele é gerente dum puta hotel. Agora ela é casada com um moço, o Elo Perdido, que é modelo. Ela tem dois filhos. A Mocinha, que é filha do autor da novela e é uma inútil, e o Pantero, que é o Rodrigo Santoro, que tb é um inútil, mas é o Rodrigo Santoro. Ah, já te contei que o Rodrigo Santoro tá na novela? Então. O Rodrigo Santoro foi casado com a Marina - a mulher esqueleto, mas já separou. A Marina tb não faz nada, se bem que agora tá brincando de fotógrafa. O pai dela tem uma agência de viagens e um caso com a funcionária da joalheria que funciona ao lado da agência dele, veja vc. Detalhe, tanto a joalheria, qt a agência, funcionam dentro do Hotel do Renato Aragão, o Trapahotel, que é pra economizar cenário. É lá tb que funciona o único bar do Rio de Janeiro. Nesse bar tem música ao vivo, e lá o Piludo toca saxofone e a Mãe Conceito assassina todos os standarts da MPB com seus "as" abertos e sua insuportabilidade geral. (A Mãe Conceito casou com o pianista e tem um filhinho). Ainda falando da família da Mulher Esqueleto, a mãe dela, a Natália do Vale da Morte, tem um caso com o taxista, que é namorado de sua empregada e tb é casado com uma funcionária da escola da Rosinha (funcionária essa que tb se chama Rosinha, na novela. Na vida real a moça é Guinle e é casada com o Zé Wilker... (ela tá por cima da carne seca).
Calma, respire. Sim, leia de novo, até entender. A vida real é muito complexa, não?
Bão, no prédio que mora a rosinha e a ex-mulher do Piludo com o filho deles (sim, eles moram no mesmo prédio, nas duas coberturas), mora a família do Carlão Boca de Alma. Há-há, vc vai me dizer, olha a realidade social aí, a família do carlão é pobre. Ah, me economiza, pobre? O condomínio daquele prédio deve ser duns 1000 reais. Me esquece. O Carlão Boca de Alma trabalha em casa, faz uns trampos tipo de contabilidade. A mulher dele usa camisola da marisa (a loja) e não trabalha fora ( e nem dentro, caba de me lembrar o meu belíssimo Alexandre). Ele tem um filho, um Ruivinho (Lembra do ruivinho viciado do Cidade de Deus? É ele) que é um amor, um doce e estuda na escola da Rosinha (sabia não? ela tem uma escola). O Carlão tb tem uma filha, malvada e gostosa, chamada Dóris, falaremos dela mais tarde. Com o Carlão tb moram a empregada, uma graça de atriz, falei o nome dela hoje de manhã pro Alexandre e agora ele me fugiu (o nome me fugiu, o Alexandre tá passando aspirador no quarto), e os pais do Carlão, dois atores fofos da velha guarda, o (QUALÉ O NOME DO ATOR GENTEM??????) e a Carmem Silva. Uns fofos. Claro que a Dóris, a mázinha, odeia os avós. E a gente odeia ela por isso.
Louzada, completa com competência, novamente, o belíssimo Alexandre. O nome do ator que faz o pai do Carlão Boca de Alma (que é interpretado pelo competentíssimo Marcos Caruso, eu-amo-esse-homem) é Louzada. Já contei que o Alexandre tem ciúmes do Carlão. Pois tem. Não posso fazer nada. Sou doida pelo cara.
Nos próximos capítulos: a escola de Rosinha, a turma ixxxxpérrrta da thiatru, os filhos do cara-de-anão, Tom Ránques de Itapevi: o homem dos olhos ao contrário.
(Se eu Não tenho nada pra fazer? não, não tenho não. Mas fale a verdade. Vc já tinha lido um resumo de novela tão bão?)
***
A Rosinha do Zé Carioca (Suzana Vieira) tem uma escola. Era do pai dela e tale e coisa. Lá tem uma professora chamada Santana. No começo da novela, a Santana era professora de religião, mas aí mudaram e agora ela dá aulas de geografia tb. Quem faz é a perfeita Vera Holtz (nem sei se escreve assim). A mulher não bebe. Ela come com farinha, é gambazeira fina. É o pé de cana master da novela. Bebe mais que a mãe da Ex-Puta. De vez em quando ela dá uns vexames, entorna no banheiro da escola e tale e coisa. Mas ela é gente boa. A diretora da escola é a Mulher Apito. Sim, sim, sim, além de dar pro safado do Cara de Anão, ela cuida da escola da ex-cunhada (se bem que já dizia nosso saudoso Collor, cunhado não é parente).
Nessa escola estuda o Ruivinho, filho do Carlão Boca de Alma. Ele é amigo do Frééééééédhi. O Fréééééééédhi, é um menininho esquisitinho, durinho e com cara de bicho de goiaba. O Frééééédhi é filho da Mulher-Camarão. O Frééééééééédhi é apaixonado pela professora de Educação Física, a Totosinha. Além disso, o Frééééééédhi é chato pra cacete. A Totosinha é meio dura pra interpretar, mas é mulher do diretor da novela, é bonita pra burro (ela atende, na vida real, por Helena Ranaldi). Na novela a Totosinha é casada com o nosso querido Tom Ranques da Vila Sônia, o homem que tem os zóio ao contrário. Além de ser parecido com o Tom Hanks, o cara é doido. Doido, doido, doido. Doido, doido, doido, doido. Deu pra entender que o cara é doido? Ele espanca a Totosinha ao som de música clássica. Dá na bicha de raquete. Um pavor. E dá umas gargalhadas de psicopata que são ótemas.
Bão, além disso, estudam com o Ruivinho Fofinho as louras entendidas. Elas são lindas, louras e se namoram entre si(hohohoho) para escândalo da minha tia avó, a dona Enelsina, que me liga aqui falando um monte e dizendo que o mundo vai se acabar. Vai, mas não por isso. As Duas Louras tem que driblar a mãe da loura número dois, a Megera, que é contra. Na turma do Ruivinho tb estuda a Filha da... Essa menina é filha do Cara de Anão. Ela é chata, bestinha, boazinha e babaquinha. Ela torra o meu saquinho. Ela é irmão do menino feijãozinho. O Menino Feijãozinho é formado em teatro em São Paulo (eles não tem coragem de dizer que o guri fez ECA, então eles só mandam essa vago "em São Paulo", hahahaah). Agora, além de assassinar o já falecido Xeiquêspere, ele tb é dono duma loja de motos. Eu já falo da loja. Ah, e a melhor amiga da Filha Da... é a paulinha. A Paulinha é uma aprendiz de Odete Roitman. Ela é má. Muito má. Nós a chamamos de Odetinha. A Odetinha é filha do faxineiro da escola. Ela é revortada. Ela trata mal o pai, os amigos, as professoras, ela é má. Muito má. Ai, acho que eu já disse isso.
O Faxineiro mora na escola. na escola tb moram a cantineira (A FENOMENALLLLLLL_LINDA_PODEROSA_VITAMINADA Regina Braga... e se vc sacudir os ombros e achar que eu tou exagerando, vá assití-la no teatro. Ela é casada em segundas nupcias com o Drazio Varela, sabiam?? E é mãe do Gabriel Braga Nunes, que tb é ator. Ele é filho dela com o diretor Celso Nunes (olha como sei das fofocas). O marido dela que eu não lembro o nome e a filha dela, a Planeta dos Macacos.
Bão, a Planeta dos Macacos (pelas caretas que faz) era namorada do Kid Chapinha. E quem é o Kid Chapinha? Bão, lembra que eu disse que o Cara de Anão é neurologista (neo-urologista) e trabalha numa clínica? O Pai do Kid Chapinha, Dr. Moretti, é dono da tal clínica. O Kid Chapinha não é médico. Ele é sócio do Menino Feijãozinho na loja de motos. Aliás, o Rodrigo Santoro, filho da Rosinha do Zé carioca, filho do Renato Aragão (gerente do Trapahotel, lembra???) tb é sócio da loja. Ng trabalha, mas eles são os donos. Fácil ter negócio próprio, né?
Calma. Ë muita informação, eu sei. Calma. Releia. Deu pra entender?
Bão, o namoro da Planeta com o Kid Chapinha acabou, pq o Kid engravidou a filha da empregada, a Garcinha.
O que me lembra: a mãe do Kid Chapinha é a Mamãe-Beiçuda, irmã da Natália do vale da Morte, aquela que dá pro taxista. Tá me acompanhando??
Bão, voltando à Mulher Apito, eu tenho que dizer: ela tem duas irmãs. Uma dela é a Mulher de Nariz do Máicou Jéquison (a Maria Padilha). Ela é casada, tem uma loja de doces que funciona onde? Certo, no trapahotel. Ela tem uma filha, da qual já falamos aqui.
(oia, foi isso que eu falei, lembra:)
A mãe quer dar um apartamento de presente pra filha de 18 anos, que não estuda e trabalha como balconista na doceria da família. "E como ela vai pagar as contas?" - pergunta você, com essa mentalidade pequeno-burguesa, que não leva ninguém a lugar nenhum. Cara, eu não estou nem aí. Aliás, a mãe também não, a única preocupação da mãe é que "seja num prédio com camareira e telefonista, essas coisas (sic) que facilitam a vida da gente". Se eu me choco com a classe média deste paraíso tropical, deste porto moreno, criando os filhos como se fossem sinhozinhos do café do século XIX? Eu não, estou é morta de inveja.
E a outra irmã da mulher Apito é a Fofão. Fofão tb é douda. É casada com o filhote de bicheiro (vide os penduricalhos no pescoço e nos punhos), aquele lindo do Marcelo Anthony, morre de ciúmes dele e dá uns shows. Tá certo que ele é gostosão e tal, mas a Fofão exagera. Ah, e sabe quem dá em cima dele??? A Mocinha, filha do autor. Tá dando o maior mole pro cara. A melhor amiga dela é a Buchinho. A Buchinho é namorada do Renato Aragão, e é telefonista no Trapahotel (é a ótima Xuxa Lopes que não tem nada de buchinho, a gente só tá implicando com a coitada).
***
Ai gentem, vcs me perdoem, esqueci do Padre!! Se num é a Lu me lembrar, o padre passa batido.
Seguinte, lembram que eu falei da mulher Apito? Além das duas irmãs, a Mulher Apito, certo? Bão, além da duas irmãs-mala, a Fofão e a Maicon Jéquison, ela tem uma prima. A Mula sem Cabeça. A Mula sem Cabeça, como o nome já diz, é apaixonada pelo padre. O padre é o Rixardi Guére. Ele é um padre bom e devoto, mas sabe como é, a carne é fraca e ele tem muita carne. Vai daí que a vagabunda tá se encostando no padre e ele começa a sucumbir. O Rixárdi Guére tem uma tia carolinha, mas boa, interpretada pela TUDO da Valderez de Barros, aquela puta atriz, aquele monumento, aquela tudo di bão. Bão a Mula sem Cabeça é tão rica que mora num Hotel. Qual hotel? Lógico, o Trapahotel!!! hahahahaha!!!! E ela tem dois secretários. A Dóris, lembram, filha do Carlão Boca de Alma, a nossa Chacrete. E um gordinho gay que é bonzinho e chama Eugênio. A Mula sem Cabeça tb é conhecida aqui em casa como Mulher Bochecha. Ela é tão rica que comprou o terreno onde o Rixardi Guére tem uma chácara, onde ele faz horta pros pobres. Olha que vagaba! Agora que ela descobriu que ele é tatuado então, ela tá atacadíssima. Eu tinha esquecido do Padre.
Ah, lembram da Pé de Cana Master, a Santana? Bão, ela mora com uma amiga, a Santa. Sim, pq quem aguenta bêbado tem um lugar garantido no céu. A Santa esconde as garrafas de pinga da bêubeda, segura a testa dela qd ela vai vomitar, pede desculpas pra dona da casa pelo vexame e faz preleções sobre os malefícios do álcool nos poucos instantes que a Pé de Cana Master tá sóbria. A Santa tb é professora na escola da rosinha do Zé Carioca, mas não tem vida pessoal. A vida dela é pagear a Santana.
Sinopse da novela Mulheres Destemperadas no Drops da Fal
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Ticcia
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12.8.03
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São poucas as situações na vida nas quais eu concordaria em usar um terno. A entrega de um grande prêmio em dinheiro com algum apresentador barrigudo me passando um daqueles cheques simbólicos grandões seria uma delas. Uma festa com cerveja, vinho, whisky, vodka, conhaque e coquetéis liberados até as 8 da manhã, é outra. Notem que casamento foi um evento propositadamente omitido, exceção essa que eu só abriria caso o casamento não fosse meu e os noivos oferecessem uma festança da boa após a cerimônia.
Então que Deus resolveu ser bonzinho e fazer com que o Sapo e mais umas gentes conhecidas (Fernanda, Jão, Auad, Popó) formassem na faculdade. E essa foi uma das situações que eu me vi obrigado a usar terno.
Logo que me sentei à mesa, já no baile de formatura, um garçom baixinho e gordinho veio correndo me servir. A cada gole que eu dava no copo ele vinha rapidamente e preenchia com mais cerveja. Ele parecia se sentir numa espécie de dever silencioso, um desafio moral, que o imbuía a manter meu copo cheio na mesma intensidade que eu me sentia impulsionado a mantê-lo vazio. Aquele duelo muito me aprouve, ao que eu chamei-o e perguntei:
- Qual seu nome?
- Almir senhor - disse ele apontando para uma plaquinha em seu peito onde estava escrito A L M I R.
- Almir, quantos anos você tem?
- (Insira aqui uma idade da qual eu não me lembro, mas que com certeza era superior a 20)
- Então pare com isso de me chamar de senhor, eu tenho idade pra ser seu filho.
- Ok ok ok - disse ele rindo.
- Almir nomeio-te meu garçom oficial da noite. Serei servido apenas e exclusivamente por você.
- Oh!
- Você está incumbido de me fazer cair no chão.
- Ha! Ótimo!
- Você acha que pode?
- Claro! Mas quando você for ao chão eu te dou um cafezinho forte pra você se recuperar e beber mais pra ir na chôn de novo.
- FORMIDAVEL!
- Ha! - o Almir era muito dado a esse tipo de exclamação.
- Então toca aqui.
Então nos cumprimentamos e começamos a cumprir nossas partes no tratado. Ele prontamente preenchia meu copo de 2 em 2 minutos e eu respondia "Não, obrigado, somente o Almir" a qualquer outro garçom que tentasse me servir.
Lá pelas tantas fiz uma descoberta e tanto. Havia uma rampa na entrada do recinto e perto dela forma-se uma fila em frente a um balcão. Como eu não tinha nada pra fazer, a não ser beber, e isso eu podia fazer em qualquer lugar, decidi entrar na fila. Na minha frente havia uma loira deveras ébria que gritava assim para o moço que estava atrás do balcão:
- Eu quero o guardachuvinnhhaaaaaaaaaaa!!!!!
Eu comecei a rir, é claro. Ela notou que eu estava rindo e veio conversar comigo:
- Olá!
- Oi.
- Você também quer o guarda-chuva?
- Ahn?
- O GUARDA CHUVA!
- Que guarda-chuva?
- Aqueles de por nos copinhos pra enfeitar ué!
- Ah, não, aquilo ocupa espaço e fica entrando no meu olho.
Ela riu.
- Ah, meu nome é fulana (porra, claro que eu esqueci) e o seu?
- Gugu delícia!
- Ahn?
- G U G U D E L Í C I A
Então ela me olhou de cima embaixo.
- Ahn, e qual o gosto que tem?
- Não sei, nunca me provei.
- Uhnnn... e é delicia mesmo?
- Claro!
- Posso provar?
Nisso o irmão de 13 anos do Sapo que se encontrava na fila pegando bebida escondido começou a dar uns gritinhos do tipo de gritinhos que as crianças dão no colégio pra atiçar brigas ou discussões.
Eu só sorri e não disse nada.
- Você está com alguém? - ela perguntou.
- Tô sim - e estava
- Oh!
- É!
Então ela continuou a conversar comigo e me informou que aquela fila era pra coquetéis e afins e me indicou as garrafinhas coloridas no bar.
Quando chegou minha vez de pedir eu tratei de me informar com o garçom acerca dos meus direitos.
- Ei, eu posso montar a bebida que eu quiser?
- Vai em frente!
- Uhnn - examinei o monte de garrafas que tinha no bar até que conclui que estava bêbado demais pra lembrar de alguma mistura que ficasse bebivel - faz assim, você prepara pra mim.
- Certo, o que você quer?
- A bebida mais forte que você puder fazer.
- Ah, claro!
Então ele me entregou um copo com um liquido marrom dentro. Eu provei, estava realmente forte.
- E então? - ele perguntou.
- Ta muito fraco!
- Então espera.
Ele pegou uma garrafa de conhaque e despejou um punhado dentro do copo. Provei de novo.
- Agora sim, ta bom!
E então eu comecei minhas incursões etílicas pelo baile. Meu pai disse que a cada 10 minutos eu passava pela mesa com uma bebida de cor diferente inclusive uma que era azul e tinha gosto de chiclete.
Então tudo subiu e eu finalmente fui na chôn, lá no jardim. No caminho de casa meu pai ainda parou o carro umas duas vezes pra eu vomitar.
Coisas que descobri no dia seguinte:
- Eu tirei uma foto com o Almir. Ela ta na maquina do primo da Fernanda e assim que eu obtivê-la eu publico.
- Uma amiga da Laura chegou pra ela e disse "Ei, tem um tarado aqui no baile" , a Laura perguntou "Quem? Quem? Quem? " ao que a guria respondeu, "Aquele cabeludo ali ó!" apontando pra mim.
- Eu fui pego tentando levar uma garrafa de Whisky pra casa.
- EU QUERO É MAIS
relatos de uma formatura no Cacofonia
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Ticcia
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12.8.03
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FILLING THE FACE
O Jeff era da Nova Zelândia e dava aulas particulares de inglês em São Paulo. Um dos seus alunos, por acaso, foi meu colega em uma consultoria, e recebia as aulas lá mesmo, antes do início do expediente, que era às dez da manhã. Um dia, cheguei mais cedo e o Jeff estava lá, esperando o meu colega.
Comecei a conversar com o cara e percebi que era bem mais fácil desistir de entender aquela mistura de espanhol e português que ele falava e partir direto para o inglês. Aí ele me contou da Nova Zelândia e dos vários lugares do mundo que conhecia. Acabamos ficando amigos.
Numa noite, no meu apartamento da rua Augusta (palco para muitas atividades que beiravam a ficção científica), eu estava calmamente bebendo o meu uísque quando tocam a campainha. Era o Jeff. Ofereci o uísque, um honesto Johnny Walker Black Label, e ele torceu o nariz:
- Don't you have cat-tchaça? For cay-pirina? Cinquentsa e uno?
Vejam só: além de gringo, cachaceiro. Bem, para ele isso deveria ser uma bebida exótica. Falei que não tinha pinga em casa, mas certamente haveria no boteco em frente ao prédio. Descemos os dois. O dono do boteco era um turco que mal falava português, mas que conhecia algumas palavras-chave, como "pinga 51". Compramos também uns três limões e estávamos para sair quando surgiu um outro amigo meu, o Sabiá - igualmente cachaceiro e notório mentiroso. Ele já estava bem bêbado. Quando eu o informei que o Jeff era Neozelandês, me perguntou que religião era aquela. Aí expliquei que não era religião, era uma ilha mais ou menos perto da Austrália e o pessoal falava inglês lá.
Então o Sabiá principiou a conversar com o Jeff em algo que, na concepção dele, era inglês. Atenção para o papo:
- Mister Jeff, excuse me but I am tall! (querendo se desculpar porque estava bêbado, alto)
- What do you mean? Non compreendo! (claro que não compreendeu, pois meu amigo era um nanico)
- Não esquenta, mister! Let's fill the face! Understand? En-cher a ca-ra!
- Fill the face?, perguntou Jeff, olhando para mim como quem pede ajuda.
- It means 'get drunk', expliquei.
- Ahh... but he's already drunk!
Neste momento, tarde da noite, uma das putas de calçada se aproximou. A Daiane, uma mestiça de dezessete anos que era, de longe, a mais apetitosa da rua. Tinha um corpo que era só tetas, bunda e coxas, e ainda assim um corpo esguio - tudo no lugar certo, do tamanho certo. O diálogo em pseudo-inglês tinha chamado a sua atenção.
(...)
a baixaria continua no confessinário do Padre Levedo
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Ratapulgo
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11.8.03
amigo do amigo do amigo
EU SÓ QUIS DIZER...
Todas as reuniões da minha família chegam, em determinado momento, a uma sessão nostalgia. Somos cinco filhos e sete sobrinhos, o que resulta em muita história pra lembrar.
Geralmente são as mesmas histórias mas, como somos todos meios descompensados, a gente ri do mesmo jeito.
Uma das minhas histórias de infância - eu sou o caçula e todos os meus irmãos já contaram esta pelo menos umas quinze vezes - diz respeito a uma visita de uns colegas da minha irmã Lúcia, nos idos de 1984.
Na trupe havia uma menina esteticamente deficiente (ou seja, feia) e eu, do alto de meus seis/sete anos de idade, já era franco como hoje.
E aí a pobre da menina estava com um top (ou topperzinho, se preferirem) bem justinho e pequeno. E tinha uns peitos inversamente proporcionais ao tamanhos da roupa.
Contam meus irmãos que eu parei... analisei bem a coitada de cima a baixo e diagnostiquei:
"Mas tu é feinha, hein? Parece uma estátua!"
(pausa dramática)
"Ó, teus peitos vão pular pra fora, hein?"
E fui ver a sessão desenho.
relatos de infância na Central de Manicures
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Ticcia
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11.8.03
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Onde Isso Vai Parar?
o cara mais gente boa que conheço casou no sábado.
merece os parabéns.
e um relato do que antecedeu o fato.
sexta para sábado:
1:30 da matina: eu na editora.
1:40: eu entrando na trip.
6:00: saindo da trip.
7:00 parada estrategica no mcdonalds.
8:00 novo ape do noivo. (detalhe, o menino tava tao mamado que eu e porcao, que o seguiamos, ficamos impressionados com a quantidade de contra-mao que ele pegou).
8:01: eu dormindo na cama de casal dele. junto com kilove. leandra dormindo no chao. porco, no sofa. o noivo dormiu sentado na poltrona.
8:59: ele acorda com o telefone.
9:00: a noiva liga pra avisar que o noivo tem que ir casar.
9:02: recado na caixa portal do noivo, de sua mãe: "mas é brincadeira, hein! não vai aparecer não?"
10:00: de noivo, o rapaz volta ao apê casado.
10:01: kilove vomita no banheiro.
10:02: porcao caga no banheiro do jef.
10:03: eu escarro no banheiro.
11:00: seguimos rumo à feijoada da familia dele casamento. coisa de familia. somente parentes próximo dele e dela. eu, leandra, porco e kilo na esteira.´
diários dos Veríssimos
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Ticcia
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11.8.03
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Mew.. faX teMpo kE eU nuM bLoGo.. tO seM teMpo!! =~~ MeW aCoNtEcErAm uMaX paRadA mTo LoKa... ateH bRiGa dI FaKa nU meU coLeGio!! DoiS aMiGoX mEuS, da mInHa tuRma FoRaM eXpULsOs =//~ Um leVo FakA i u otRo uSo!! iSSu.. eM pLenO dOmInGo deManHa nA iNtErSeRiEs!! =~~ BrIgaRaM Nu JoGo.. dAi Foi uNs 20 pA ciMa dOs meUs 2 amIgOs! daiH pA si deFeNdE uM PeGo a fAkA.. i deU uMa FaKaDa iM uM deLeS!! =~~ pEnA kI nAuM mAtO.. Os oTrOs 20 eRaM a MaIoRiA dO gReMiO (3º anO) 3 LevArAm SuSpEnSÃo.. iSSu ki nUs 20 tInHa GaRRafA, Sk8... =~~ BaItA iNjUsTiçA!! MaX eH u tAL nEgOcIo.. U gRemiO eH xEiU dI aRReGo nU cOLeGiO.. FoDa!!! =~~~~
=@@@@@@@@@@@@@@~ pa ToDaXx!!
bLoG dU DaDuH
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Ratapulgo
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11.8.03
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Diálogo sem fim...
Aquele sujeitinho que diz que só faz sexo sem beijar na boca , porque beijo é muito íntimo, me ligou ontem a noite para sairmos hoje.
- Vou passar na sua casa, gravar uns cds, depois podemos dar uma voltinha, o que você acha? Você ainda está de "resguardo"?
- E você, já dá beijo na boca?
- Vamos sair ou não?
- Quanto você tá cobrando a hora ?
- Vai-te a merda!
- Prostituto!
- Nunca mais me liga!!!
- Foi você quem ligou.
- Que horas posso passar ai?
- As 10, mas antes escova os dentes porque hoje eu quero beijar na boca!
- Vou desligar e nunca mais te ligo.
- Fio dental também.
- Você vai se arrepender.
- Arremata com Listerine.
Desligou.
casos e acasos virtuais
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Ratapulgo
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11.8.03
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. Pai .
Pois é, meu pai tá doente.
Acordei com essa notícia na quinta-feira, Erismar, a moça que trabalha aqui em casa me disse:
- Anita, seu pai tá doente.
- De quê?
- Uma dor no ovo.
- ?
- Dor no ovo, chega tá andando de perna aberta.
- !
- Disse que ia lá na Casa Grande avisar que não ia vacinar o gado, que não tinha condições.
- Pois assim que ele chegar me ligue que venho pra levar ao médico.
- Tá.
E fui trabalhar. E trabalhei. E atendi todo mundo e nada de Erismar ligar.
- Alô, Erismar? Cadê papai?
- Voltou ainda não.
- Tá. Vou lá na Casa Grande.
Chegando lá vejo papai com uma pá na mão, juntando o milho recém-processado na forrageira (pra dar pro gado? e gado come milho? não é galinha que come milho? sei não, coisas de meu pai.).
- Pai, o senhor é doido, é? Solte essa pá, homem, vamos no médico.
- Não, isso não é nada não. Vá na frente pra casa, depois a gente conversa.
Cheguei em casa, ele chegou logo em seguida e se deitou.
- Pai, vamos no médico?
- Precisa não.
Bla-bla-bla-bla-bla (tudo conversa inútil, ele não foi.)
Vim pro quarto, ele me chama:
- Anita?
- Senhor?
- Olhe ali no calendário que dia cai a lua cheia esse mês.
- Tá. ... Dia 12.
- Hmm. Será que foi do ácido muriático que usei pra lavar não-sei-o-quê?
- Foi não, pai. Isso é uma infecção, precisa ir no médico.
- Precisa não.
Vim pro quarto, ele me chama de novo:
- Anita?
- Senhor?
- Cê num tem nenhum amigo seu que conheça feitiçaria não?
- Aaaaargh!
Hoje, me aparece com o aspecto ligeiramente melhorado:
- Fui na farmácia e a mocinha me passou um remédio lá.
- Pai, pulamordedeus... O senhor chegou no balcão da farmácia e disse que tava com dor no ovo, pai? E a abestada ainda lhe empurrou remédio, pai? Antibiótico, pai? E só seis comprimidos, meudeus! Que farmácia foi, diga aí.
- Eu vou ficar bom, cê vai ver.
* * * * * *
Isso era pra ser uma homenagem ao meu pai.
Dia dos pais, sabe?
Ficou parecido?
arroz de leite
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Ratapulgo
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11.8.03
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À algum cientista de plantão:
venho informar que estou disponível para ser cobaia do seu teletransportador, desde que me mande - como teste, óbvio - para uma praia da Bahia que ainda tenha sol e cerva gelada...
Grata pela compreensão.
Brasília, 08 de agosto de 2003.
Renata
PS.: junto do seu teletransportador preciso de um holograma para me substituir aqui no serviço.
devaneios insones
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Ratapulgo
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11.8.03
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