serviço de jardinagem
Ontem vimos que as flores começaram a abrir no jardim, e inclusive abriu um lírio branco. Lírios nascem de bulbos, que permanecem enterrados durante o inverno e brotam na primavera.
O engraçado é que a gente não plantou nenhum lírio branco, quem tem essas flores no jardim são os vizinhos do outro lado da rua.
Algum esquilo safado roubou o bulbo de lá, e enterrou no nosso jardim. Até aí tudo bem, não fosse o fato de que eles também roubaram um monte dos nossos bulbos e carregaram sabe-se lá para onde. Jardineiros de meia-tigela... acabamos saindo no prejuízo, montes das nossas flores não estão mais no nosso jardim.
Entre Quatro Estações
17.4.03
Surpreende minha capacidade de fazer coisas absolutamente sem sentido. Tenho um sinal na axila desde que me conheço por gente. Nunca fui a um médico tirar. Com os anos ele foi crescendo, até virar uma pequena bolinha. Hoje o sinal tava realmente enchendo o saco. Doía. E faz horas que tava preso só por um fiozinhozinho de pele, desde que tentei tirá-lo à força na piscina do Garcia. Tesoura. Cheguei em casa, peguei a tesoura, esterilizei com PERFUME, puxei bastante o sinal para esticar a pele, segurei ar e tá, fechei os aros da tesoura. Abri os olhos e tava lá o sinal, um fio de sangue saindo, a tesoura não teve fio suficiente para cortar. Fui até a cozinha e peguei uma faca. Só que não me coordenei. Chamei o pai. "Pai, me ajuda a cortar isso aqui, puxa essa porra dessa pele..." Meu pai quis usar a faca. Não deu outra: a merda escorregou e cortou UM BIFE de carne da minha axila. O sinal ficou pendurado, debaixo de uma torneira de sangue. Tive de ir ao HPS, onde me fizeram SEIS PONTOS e deram uma vacina antitetânica. Ainda vou ter que voltar lá todos os dias durante uma semana para fazer curativo. Muito bem, Fliper.
Tudo porque achei que seria perda de tempo procurar um médico para uma coisa tão simples.
corte epistemológico das Narrativas de Niill
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Ratapulgo
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17.4.03
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TCHAU
Me matei ontem à noite. Uma montanha de dívidas, enteado chato, mulher com tpm intratável me levaram a isso. À tal saída pela porta dos fundos, sempre aberta pros nossos problemas.
Covardia? Não acho. Mesmo. Uma saída é uma saída, em morte ou na vida - e rima. E podia ser muito pior. Exemplo? Eu poderia ter matado a vizinhança inteira. Seria um genocídio, já que a vizinhança não pára de crescer. Ou liquidado ex e filho, depois me suicidado, o que seria um puta contrasenso. Afinal, eu queria me livrar deles, não trazê-los comigo. Poderia também ter acabado com os dois e cair na gandaia com as putas, vivinho da silva. Mas aí seria delegar minhas responsabilidades pra outro, e isto não faço. Serviço sujo é comigo mesmo. Meu chefe sempre me acusou de centralizador, ´um péssimo gerente!`, ele dizia. É isso aí, sou mêrmo. Então me matei. Até que não foi difícil. Primeiro, dei uma banda pelo quarteirão, pra tomar meus últimos golfejos de ar. Mais tarde, bati um papo com a velhinha budista do nono andar. Ela falou sobre reencarnação e num sei que mais, isto me deu um alívio razoável. Quem sabe eu não voltava como cachorro de estimação de dono de pet-shop? Ou o bichano devotado da boazuda da Piovani? Parecia bom negócio, sim senhor. Subi até em casa, escolhi minha mais resistente gravata italiana e me pendurei na maçaneta de cristal da porta da sala. Enquanto tava ali, estrebuchando, notei que o teto da sala apresentava uma rachadura nova. Daí a maçaneta vagabunda quebrou. Recompus-me e apus um adendo ao bilhete de despedida ´Ps: o teto da sala está rachado. Consertar`. Depois pus o pescoço na porta da cozinha, forcei um pouco, até ouvir CRÉC. Pronto. De repente, senti um frio na bunda. Passei a mão e senti um volume roliço e sem pêlos. Estranhei. Aí veio um negão rebolando e me pegou pela cintura, num passo mirabolante. Enquanto rodopiávamos, olhei pros meus pés e vi as unhas pintadas enfiadas numa sandália dourada e a perna do negão entre minhas coxas depiladas. Levantei a cara pra protestar e o reconheci: era o Cumpádi Washington. Olhei pros lados e vi a Sheila morena à direita e a Sheila loira, à esquerda. Foi então que ouvi a voz do Faustão: ´É ela ou não é? É? Então é! A voz do povo é a voz de Deus! Seja bem-vinda ao Tchã, Sheila ruiva!`. Foi aí que eu desmaiei.
velharia do HOTEL HELL
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Ratapulgo
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17.4.03
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16.4.03
Murphy existe
Ontem o estagiário aqui ia dar um treinamento para todos os outros funcionários da área, inclusive a líder e a gerente da área. Antes de mais nada, gostaria que atentassem ao detalhe de que o ESTAGIÁRIO ia treinar a GERENTE e pensassem junto comigo de que um lugar assim não pode, por uma questão de princípios, ser um lugar sério.
O treinamento corria com uma tranquilidade absurda, eu ia demonstrando a ferramentao programa para as pessoas com uma certa desenvoltura, todo mundo entendendo, a chefe com cara de feliz, tudo na mais tranquila paz. Mas (sempre existe um mas), eis que surge a pergunta fatal:
- "Leandro, você poderia mostrar para a gente como funciona na prática?"
- Claro, era exatamente isso que eu ia fazer
Com muita habilidade, deslizo o cursor do mouse sobre o ícone do programa, tentando abrí-lo. Porém, na mais súbita ira dos deuses dos computadores pessoais, o programa simplesmente não abre. Não abre!
- (abre, desgraçado!)
- "Não está abrindo, Leandro?" Diz a chefe.
- Está sim, ele só está um pouco lento.
Poupando a minha auto estima, termino a história dizendo que o programa não abriu e eu tive que me virar falando tudo isso sozinho sob os comentários maldosos das pessoas que diziam:
- "Programa muito bom. Pena que não funciona quando a gente precisa, né Leandro?!"
Dormi muito bem ontem à noite.
leis de Murphy no Castelo de Cartas
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Ticcia
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16.4.03
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Puta cheiro de gás aqui. Algum vizinho esqueceu ligado ou se suicidou [nesse caso, espero que não seja a loira gostosa do 173]. Tem um posto de gasolina ao lado. Se essa merda for pelos ares, vai o quarteirão inteiro. E o Catarro vai junto. É muita merda voando.
abaixe-se ou pode pegar Catarro Verde em você
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Ticcia
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Não tente me entender, não enlouqueça. Cresça, o mais alto que puder, e de lá me acene. Não se ocupe tentando me impressionar, até porque, querendo ou não, só me impressiono com o que pressiona o botão - no hipotálamo. Escale paredes, finja-se de tonto, lamba o chão que eu piso e depois me surpreenda, cuspindo na minha cara uma cereja rubi. Não nasci ontem mas se eu morrer amanhã, irei contrariada, portanto, mantenha meu interesse ou parto no próximo ônibus com destino à Nova Ramada. Enrubesça às vezes, nunca em público e, de vez em quando, me puxe pelo braço e me crave os dentes. Encha minha boca de rosas e meu ventre de promessas, ou o contrário, a seu critério - que deve variar - pois enjôo fácil. Não mate um leão por dia, mate um bicho novo a cada entardecer e me ofereça num banquete. Me diga impropérios, palavrões e poemas - esses menos, para eu não me acostumar mal. Anoiteça em meus cabelos e perca suas mãos pelos meus vãos. Coragem. E antes e acima de qualquer coisa: nunca faça o que eu mando.
eu sei, eu sei, Não Discuto
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Ratapulgo
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16.4.03
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Ainda não estou pronto para o mundo
e meu casulo se tornou um lugar hostil.
Minha concha. Onde entrei com o intuito de me tornar uma pérola. Mas fui atipicamente cuspido pela ostra.
no one knows
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Ratapulgo
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16.4.03
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Eu tinha um sonho recorrente quando era um tenro adolescente colegial. Sonhava, pelo menos umas duas vezes por mês, que por algum motivo tinha que correr. Correr para pegar um ônibus que estava chegando no ponto, correr para fugir da chuva, correr porque era zagueiro e tinha que fazer a cobertura dos laterais, correr. Mas sempre que eu começava a correr, praticamente não saía do lugar. As pernas pesavam e eu simplesmente não pegava velocidade. Queria correr e não conseguia. Angustiante. Não sei bem quando esses sonhos pararam, e nem o significado deles, embora suspeite de algo como necessidade de fuga ou coisa assim. Só sei que até hoje esses sonhos me deixam desconfortável. Eu não os sonho dormindo, mas agora, acordado, eles continuam a me incomodar por terem existido.
O Descrente
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Ratapulgo
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Na noite de domingo, fria como jamais imaginei uma noite carioca, descobri o óbvio: envelheci. Não foi o caso clássico de se olhar no espelho e descobrir rugas. Nem tampouco foi o tédio que se apoderou do corpo já sem vontade de respirar. Foi somente uma sessão de cinema com velhos e novos amigos. Na tela, Os Saltimbancos Trapalhões, filme que marcou minha infância como, creio, a de muitos dos meus leitores. Ao meu lado, um novo amigo cantava empolgado as músicas de Chico Buarque em parceria com Os Trapalhões. E eu lá, assistindo ao filme, rindo e me descobrindo velho cena após cena.
Descobrindo-me velho porque Os Trapalhões já não faziam o menor sentido para mim. Eram somente uma lembrança boa. Uma overdose de nostalgia, a mesma que sinto quando leio as crônicas do Antônio Lobo Antunes. Eu assistia à história com um cinismo que obviamente não existia em mim quando eu era criança. E vasculhando cá este cinismo eu descobri uma coisa importante.
O grande problema de envelhecer não é o cheiro próximo da morte. Nem tampouco é o cansaço inerente ao corpo. Ou a memória que o trai aqui e ali e aqui e ali e aqui e ali. O grande problema de envelhecer é que você adquire um compromisso com a realidade. A imaginação se perde e tudo tem que ser real. Talvez seja uma necessidade de se provar para si mesmo, a todo instante, que não se está morto e que o que se vê é palpável. O fato é que os velhos precisam da realidade.
E quando eu digo velhos é claro que não estou falando de senhores de cabelo branco e de senhoras d’além menopausa. Falo de trintões ou nem isso, que precisam pegar um avião às seis da manhã para seus trabalhos burocráticos; de trintões que têm filhos; de trintões cujo sonho maior no momento é arranjar um emprego de gerente do McDonald’s. E escrever um livro, quem sabe?
(...)
Envelheci, mas não queria. O Chico Buarque que canta no Os Saltimbancos ainda me faz todo o sentido, mas sou um imbecil teorizando sobre as letras, dizendo que uma máquina de escrever ao fundo de uma música é genial. Envelheci, mas não queria. Fico pensando que o ator que faz um ajudante de circo não pode ser, algumas cenas adiante, um policial. Envelheci, mas não queria. Não entendo o porquê de o filme ter parte filmada nos Estados Unidos, num estúdio de Hollywood, nem compreendo o fato de um cachorro correndo na chuva não se molhar nadinha. Envelheci, mas não queria. Quero uma luta de classes no final, quero diálogos complexos, faço mentalmente citações de Marx, Hegel, Freud e o escambau. Envelheci, mas não queria. E quando o burro chora, na última cena, aceito o rótulo de piegas para aquele momento que deveria apenas ser considerado ingênuo. Envelheci.
(...)
Não quero a realidade. Não quero Carandiru nem Cidade de Deus. Não quero Godard nem Bergman. Não quero ler Wittgenstein e Kant. Pouco me interessa Saddam Hussein, Bush e Osama Bin Laden. Quero de volta a minha imaginação. O valor das pequenas coisas, desde a Wimmi com pastel de queijo, passando pelos tubos de ensaio da Bond Carneiro, pelo Capitão Gay do Jô Soares, o pluct, plact, zum que não vai a lugar nenhum, a minha BMX Monark, o autorama que nunca tive, a guerra de mamona; e chegando até o limite disso tudo, que é Luan & Vanessa cantando um amor sofrido de crianças impúberes. Não quero a realidade; quero a imaginação de estar nadando mar adentro rumo à África, de achar que a amizade e o amor são eternos, de acreditar que a polícia está à minha cata só porque eu derrubei um pote de doce de leite no supermercado.
dilacerado dO Polzonoff
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Ratapulgo
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16.4.03
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15.4.03
Se ele não tivesse morrido, jamais seríamos um casal vivo e feliz. Eu o guardo dentro do vidro em formol e assim fico pensando quão bom ele parece que seria para mim. De dentro do vidro ele me sorri. Imagem congelada. Gelado. Se fosse quente e vivo, não há garantias de que eu o amaria. Em formato de compota, admito: sou louca por ele. Deixo-o sobre o guardanapo de rendas na melhor prateleira de minha parede azul. Fique bonzinho, Sr. Compota. Fique quietinho. Nada de gritos ou escândalos, você não está em condições de fazer exigências.
estante da Walkwoman
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Ticcia
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15.4.03
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Instantâneos Praianos
Dona Constância - sogra do Mirandinha e quituteira de mão cheia -, frita uns bolinhos de camarão no quiosque enquanto repara desalentada no genro se atrapalhando todo com os engradados de cerveja. Ela me chama num canto e, apontando o dito cujo:
- Meu nego, não dava pra esse infeliz estar num emprego melhor?
Armo um veemente protesto - afinal, eu sou o patrão do infeliz - mas ela, apaziguadora, emenda:
- Não, meu nego, seria aqui na Praia mesmo. Mas olha a situação em que ela se encontra... Os blogs dos teus amigos são tão mais bonitos, modernosos, personalizados, cheios daqueles links pra outros blogs, e outros quetais... O teu não podia ser assim também, não?
"Parece minha mãe falando", penso, mas não digo. E explico pra dona Constância que não entendo de template, html, webdesign, essas coisas, que eu já peguei o layout pronto no blogger.com.br por ser semi-analfabyte, que até gostaria muito de turbinar o blog, que não me falta querência, mas ciência - essas coisas. Resumindo: fazer o quê, né...? Entretanto, não abro mão da dignidade e estufo o peito:
- Blog simplório, sim - mas honesto!
Ela lança um olhar pro Mirandinha e deixa escapar um "Claro, claro...", não sei se de resignação ou ironia.
cenas da Praia do Nelson
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Ticcia
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15.4.03
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Que vontade de escrever alguma bobagem tonta (redundância?) mas completamente iluminadora, como "o amor é o antídoto da cenoura" (esta é do português Miguel Esteves Cardoso, em "O Amor é Fodido"). Algo como "a verdade está dentro do coelho, dê cá a faca, Alice". Uma vez, sob influência de um surrealista português e de um ameno verão no Laranjal, escrevi tanta bobagem em versos e me convenci de que eram bons. Mandei para dois amigos. Não responderam. Às vezes é útil fazer um adendo aos emails que contêm poesia, um adendo-maldição do tipo "se você não comentar esse poema em 24 horas vai passar quatro meses sem fazer sexo". O que em se tratando de algumas pessoas pode ser até uma perspectiva otimista, mas não para os amantes da poesia, ah, não não não, porque somos todos de um tudo & sexo e bebida nunca nos faltam.
amante da poesia? Reclamações no Tome uma Xícara de Chá
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Ticcia
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15.4.03
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Quem chama?
237250 insetos comidos em vôo pelos passarinhos em 5 anos completos hoje.
237251. 237252. 237253. 237254. 237255. 237256.
Hein? Quem é? Quem está me chamando?
Como pode um computador falar, chamar meu nome. Porque ele está falando Kowalski, Kowalski?
Só matando. Quem estaria perdendo tempo com isto? Que bobagem. Vocês querem que eu escreva aqui? Mas, quem são vocês? Sei, sei, estão na Internet. Moram lá fora. Me disseram uma vez que lá fora é um lugar chamado Mundo. Já fui lá uma vez. Gostei das MULHERES. Muito boas. E a Internet, vocês estão achando que me enganam? Ah ah ah ah, vocês é que estão enganados, pois já conheci uma vez, há anos, a Internet. Entrei num chat, mas não consegui fazer muitos amigos. Você quer ser meu amigo? Se quiser, posso convidá-lo a me visitar aqui em casa. É que, desde que nasci, só saí uma vez no Mundo, este que está do outro lado da janela, com insetos voando para que passarinhos possam comê-los.
Tem um barulho lá na sala. O que será? Vou dar uma olhada. Tomara que não seja o doutor, com aquele papo de ajuda. Autista é ele, pobre diabo. se for, tomara que ele tenha trazido os comprimidos. Tomara.
.:SÓ MATANDO ponto com ponto bê érre:. porque eu tava querendo MATAR o Weblogger
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Ratapulgo
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15.4.03
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É trote
Se algo de mau acontecer, se sua vida deixar de evoluir, se o retorno nunca for similar ao esforço, relaxe: é trote. Sim, trote. Porque Deus, em sua poltrona dourada e felpuda, de lá do alto do céu, também sofre de tédio, depressão e estresse. Para que tais etapas não cresçam e para que as dores não se transformem em imensos cancros, Ele, o insondável, comete pequenas picardias. Não, você não quebrou o braço por culpa do destino. O pé na bunda não estava traçado. A demissão não estava escrita nas estrelas. Sua vida não é produto de uma macumba mal feita. Não, não, não, não. Aceite os fatos e siga. Caminhe, pois você simplesmente sofreu um trote. Peça desculpas, sorria e agradeça, visto que Ele, o inexplicável, poderia ter escolhido Joaquim, Reginaldo ou Milton. Dentre tantas possibilidades, porém, o alvo é você. E a má sorte não passa, a bem da verdade, de uma tremenda honra. Aproveite!
Juliana não tem epidímio
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Ratapulgo
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15.4.03
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Amizade de aparências
Estou enjoada de uma amiga minha. Não aconteceu nada pra eu me sentir assim, não brigamos, não ficamos afim do mesmo cara, não estamos afim uma da outra, enfim não aconteceu nada mesmo.
Mas de uma hora pra outra parece que nossa amizade é tão superficial e puramente por conveniência que enjoei de vê-la. Saímos sempre juntas, gostamos do mesmo tipo de música dos mesmos lugares mas somos muito diferentes. Enquanto eu caio de cabeça em tudo q faço, ela descarta as pessoas e as coisas num instante, e se orgulha de ter esse poder.
Eu não sou santa nem ela é alguém do mal somos apenas diferentes, pensamos diferentes, vivemos diferentes, mas pelo fato das pessoas sempre nos verem juntas nas festas todos acham que somos iguais, e isso está me incomodando muito nos últimos tempos.
Acho q esse sentimento é recíproco mas ficamos quietinhas pra termos com quem ir nas baladas, pois convenhamos q não há nada mais desagradável que chegar sozinha em algum lugar onde não se conhece ninguém. Não existe casamento de aparências? Pois é, nossa amizade também é desse jeito.
Estranhos Apaixonantes
Já me apaixonei de verdade, várias vezes por homens que eu não conhecia. No metrô no ônibus, nas ruas, nas baladas, no colégio. Acredito nesse tipo de amor a primeira vista. Já me apaixonei pelo Maurício, André, Vitor, Bruno, Alexandre. Esses são apenas alguns dos nomes que eu achava que meu amado tinha, idealizava o lugar onde eles viviam e às vezes até ia tentar conferir se eles moravam mesmo onde eu imaginava.
Mas essas paixões não eram cegas, eu também idealizava os defeitos de cada um, a maioria eram exímios mulherengos, mas também tinham os egocêntricos, ciumentos, os drogados - sempre tive fascinação por drogados, mesmo nunca tendo experimentado nenhum tipo de droga ilegal (por incrível q pareça).
Essas paixões são fruto da minha frustração no amor, sou extremamente frustrada por nunca ter um relacionamento do tipo, ligar todos os dias, namorar no sofá no fds, brigar por pensar q ele está olhando demais pro decote de outra garota, procurar uma casa pros dois morarem juntos. Nunca tive um relacionamento convencional, do tipo q a avó pergunta cadê fulano, pq ela fez a comida q ele gosta, q o pai pergunta se o irmão dele já comprou o carro que queria.
Mesmo que todos os homens do mundo me digam que gostam de garotas bonitas mas que sejam independentes, inteligentes e com personalidade, eu não acredito!!!! Por que no fim das contas eles sempre ficam com as não tão bonitas que perguntam quem é a tal de Jú que tem na memória do celular dele. Gosto de ser independente sim, de voar sem rumo, mas queria alguém pra voar do meu lado e me levar também pros horizontes dele, mas os únicos que topam são os meus amados desconhecidos.
Namorado imaginário
Fui uma adolescente bonita e muito inteligente. Minha inteligência sempre assustou os meninos - todos imaturos na minha idade. Isso me causou um grande problema, eu não conseguia ficar com ninguém!!! quando os meninos chegavam com aquele papo de que meu cabelo tava legal, que eu tinha mudado muito, que tava uma verdadeira mulher, etc, etc,etc... Eu perdia minha paciência e deixava o moleque falando. O resultado foi o seguinte, só dei o meu primeiro beijo aos 15 anos de idade!!!!
Um verdadeiro absurdo, todas as minhas amigas já tinha beijado aqueles moleques idiotas q só falavam de video-game e eu "A toda poderosa" . Não!!!!
Inventei então um "NAMORADO INVISÌVEL". Na verdade ele não foi totalmente inventado, ele foi basedo num menino lindo que eu vi apenas um dia na minha aula de datilografia e que se chamava - Sergio.
Antes de prosseguir quero deixar claro que eu não digitei errado, eu fiz aula de datilografia quando tinha 10 anos de idade, hj eu tenho 25, ou seja, já faz UM TEMPÂO.
Continuando, o perfil do menino era o seguite: ele era loiro, olhos pretos, 16 anos, skatista, filho de um biólogo e uma professora de matemática, drogado, me amava MUITO, foi morar no EUA.
Durante anos eu sustentei essa mentira, eu escrevia cartas apaixonadas pra mim, e mostrava pra minhas amigas do colégio, contava pra elas que eu ficava durante horas falando com ele no telefone de madrugada, imagina se fosse verdade qual seria o valor da conta telefônica. Enquanto ele estava no Brasil, os seus pais não aprovavam nosso namoro, e eram vários barracos por causa disso, numa dessa discussões ele ameçou se matar se resolvessem me afastar dele (bem estilo o caso dos Richtoffen). Os pais que não suportavam mais essa situação o mandaram pros EUA, morar com um primo.
Meu namorado era o mais fomoso, rico e inteligente do colégio, por isso não era páreo para nenhum outro, até que eu me apaixonei por um menino da minha sala e resolvi matá-lo! Eu tinha que cometor um assassinato sim!!! Senão, qual moleque que iria se aproximar da toda poderosa sabendo que ela tinha um namorado super poderoso?
Um dia cheguei chorando no colégio, o Sérgio tinha aparecido na minha casa, tinha voltado dos EUA e os pais dele iam se mudar pra Amazonia, ou seja, não adiantava nada ele estar no Brasil se estaria tão longe de mim, esse fato ocorreu numa quinta feira, faltei no colégio na sexta de propósito para preparar o homicídio. Na segunda fiz uma maquiagem extremamente abatida em mim, como se eu tivesse passado dias chorando e sem comer. Todos vieram preocupados me perguntar o que era daí eu falei em prantos:
- O SERGIO MORREU DE OVERDOSE DE CRACK!!!!
Como assim? O namorado perfeito da menina perfeita morreu de overdose? QUE LEGAL!!! Fui notícia entre os bad boys do colégio por dias, esse era meu intuito, o carinha por quem eu era apaixonada era o bam-bam-bam do colégio. Dias depois eu posava de primeira-dama do clã dos bad boys.
Essa história, foi realmente forte, eu a sustentei até a faculdade, todos sabem que eu perdi o meu primeiro namorado por overdose!
A verdade sobre minhas mentiras
Eu sou uma pessoa que mente muito, eu nunca conto uma coisa na íntegra, sempre coloco um tempero pra ser considerada uma pessoa interessante. Sou um ser humano como qualquer outro, com o instinto de sobrevivência aguçado, carente (pra caramba, em todos os sentidos), que quer ser o centro das atenções. Já menti pra parecer pertencer a turminha do mal, às vezes pra parecer da turminha do bem, pra parecer uma mulher sexualmente bem resolvida, pra parecer uma santinha. Já menti pra ganhar dinheiro, pra conseguir notas, pra não desfazer a total felicidade de ninguém, pra não fazer pessoas que eu amo se decepcionarem comigo.
Já menti muito, e continuarei mentindo, estaria mentindo se dissesse o contrário.
overdose de Em caso de coma - Me coma!
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Ratapulgo
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14.4.03
Doenças Exóticas Que Já Tive
Mosquistossomose.
o que causa: ar alcalino. contato com escova de dente diretamente com a cueca do enfermo.
sintoma: sai um liquido preto da gengiva
como cura: com o tempo
Polvomielite
o que causa: ingerir lula ou polvo mal cozido ou batizado.
sintoma: dor no estomo.
como cura: o polvo deve ser expelido pelo anus. pular com a barriga no chão, as vezes, ajuda.
Cifode
o que causa: irmã próxima da lordose e escoliose, é causada pela dormencia de mau jeito. muitas vezes o doente é barrigudo e ao dormir de bruços fica com a coluna torta, causando a cifode.
sintoma: dor generalizada por todo corpo na coluna
como cura: reza braba.
Ininivisubéola
o que causa: os tópricos
sintoma: tropical.
como cura: sorte.
Doença Exótica Que Costela Teve
Sobrecutite
o que causa: é como a catarata. todo possuidor de sobrecu tem a doença em algum grau
sintoma:dor aguda que se extnde do cócix ao sobrecu, com idas e vindas de acordo com seu rebolado
como cura: precisa ir ao folhão pedir um café, beber, pedir uma cerveja e beber no mesmo copo, sem lavar.
Doenças Exótica Que Eu e Costela Não Tivemos mas Temos pena que Quem Teve
Rabose
o que causa: em estudos.
sintoma: dor anal. quem teve, diz que é fogo.
como cura: ui!
(a equipe responsável por pegar, catalogar e estudar as doenças deste post é composta por doutor nasi verissimo, Doutora Rogéria Verissima, Doutor Costela Verissimo e ainda pelas entidades Mão Nasona, Pai Dudu e Irmã Rogéria de Pirituba)
CID by Veríssimos
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Ticcia
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Hoje foi dia de colocar sabonete novo na pia do banheiro. Nada de anormal, até eu olhar bem pro pequeno sabonete que foi o escolhido: um sabonete de motel. Calma, calma, Márcio Silva explica: muitos anos atrás, eu saí com uma moça e pá de lá, pá de lá, pá daqui, pá dali, acabamos indo a um motel. E eu nervoso, pois era a primeira vez que eu ia a um motel. Não sabia como entrar, o que falar na recepção, como proceder. Bem, como proceder eu sabia, mas eu estava nervoso mesmo assim.
Entrei motel com a menina e pernoitamos (obviamente na teoria). Quando deu 12h, ligaram da recepção avisando que o período havia terminado e que era hora de pagar a conta. Vesti minha roupa e fui até o saguão, todo orgulhoso: vou pagar minha primeira noite em um motel! Abri a carteira e, solitária, a nota de R$50,00 esperava ser torrada. Puxei-a e perguntei à balconista de quanto era a despesa.
- São 250,00. O pagamento vai ser em dinheiro, cheque ou cartão, senhor.?
Entrei em parafuso! R$250,00??? Era muito mais do que eu tinha, do que eu podia ter, de tudo que eu pensava que teria na vida quando eu tinha 18 anos. Sabe quanto tempo eu levei prá economizar os R$50,00? Uma eternidade! E me vem a gélida balconista, com seu esmalte vermelho Colorama, cobrar de mim – pobre menino pobre – o quíntuplo de minhas posses? Então, vermelho de raiva, bufando de ódio, tomei a única atitude que um homem em minha posição poderia tomar: chorei. Chorei copiosamente, imaginando as fronhas ensebadas e os lençóis pentelhosos que eu teria que lavar. Claro que esse choro foi interno, porque homem não chora. Ficamos catatônicos. Estava eu, em surto apopléctico, quando ouvi a moça que estava comigo dizer:
- O pagamento é em cartão.
Estranhei. Ela ia pagar a conta? Mas como ela poderia pagar a conta do motel? Era a primeira vez que nós saíamos e sempre quem paga é o homem!
- Não é a primeira vez que você vem, gatinho? Deixa eu te dar esse presente.
Hoje, quando olhei pra saboneteira, lembrei daquele dia no motel... e o embrulhei de novo. Pô, aquele sabonete custou 250 pratas!
Alea Jacta Est
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Ratapulgo
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A saga do primeiro beijo (Post IV)
Já que elas disseram que o Adriano gostava de mim, não seria um problema convencê-lo a espalhar o boato de que estávamos namorando. Namorando de mentirinha, claro, porque eu não seria doida de contar pra ele que eu nunca tinha beijado. Não seria doida de contar pra ninguém! Era só uma questão de vingança.
- Oi, Adri!
- Oi...
- Preciso de um favor seu.
- O que você quiser.
- Você se importaria se eu dissesse para algumas pessoas que estamos namorando?
Ele arregalou os olhos
- Não, não um namoro de verdade. É que tem umas meninas me torrando a paciência e eu queria dar uma lição nelas... A gente finge que já se beijou, só isso. É por pouco tempo! Uma semana já está bom.
Ele fechou a cara. Os olhos arregalados foram diminuindo e me fitando como se quisessem me fuzilar.
- Você quer me usar? Quer me usar para provocar suas amigas ou pra tirar um sarro da minha cara?
- Não, de jeito nenhum! Olha, não é nada disso que você está pensando. Eu jamais faria isso com você, ainda mais sabendo que você gosta de mim...
Ops! Falei demais. Ele arregalou os olhos novamente. A pele branquinha estava vermelha como uma pimenta malagueta.
- Quem disse que eu gosto de você? Você é muito convencida! Mesmo se eu gostasse, você acha que eu toparia ser usado desse jeito? Vê se cresce, menina!
Não adiantou explicar. Ele nunca mais falou comigo. Mudou de escola dois anos depois sem aceitar minhas desculpas, rasgou na minha frente a carta que eu escrevi explicando toda a história.
Depois deste dia, nos encontramos três vezes por acaso. A primeira vez, um ano depois da sua mudança de colégio, no Dancing, uma danceteria dos anos oitenta. Ele dançava alucinadamente Surfing Bird do Ramones; o garoto arrumadinho e introspectivo havia se tornado um punk de cabelos arrepiados e roupas cheias de metais pontiagudos. Estourou uma briga na pista de dança, ele saiu todo machucado. Aproximei-me do gerente da danceteria e ofereci ajuda, disse que conhecia o Adriano... Deitado no chão, ele me reconheceu e começou a esbravejar para que eu me afastasse dele. Não pude fazer nada. O segundo encontro foi em uma loja do shopping. Eu tinha uns dezoito anos. Fui cumprimentá-lo inocentemente e ele mal olhou na minha cara. No ano seguinte nos encontramos em um restaurante. Ele discutia com uma moça, provavelmente a namorada. Nossas mesas cruzavam nosso campo de visão. A moça saiu do restaurante chorando e ele ficou um tempo fumando um cigarro e tomando café. Eu desviava o rosto, fingia não notar, mas ele levantou da cadeira, caminhou em minha direção, pediu licença para as pessoas que estavam comigo, abaixou para falar olhando nos meus olhos e soltou sua última baforada de cigarro contra o meu rosto.
- Oi Alessandra. Desculpe interromper seu almoço, mas já que a gente se viu nesses últimos anos mais do que eu gostaria, tomei a liberdade de vir aqui para esclarecer algumas coisas. Todo garoto tem na adolescência uma garota para estragar seus sonhos românticos e os seus relacionamentos futuros. Por isso, se a gente continuar se esbarrando por ai, finge que não conhece.
Ergueu o corpo, puxou do fundo do peito um suspiro que lhe estufou o peito e completou:
- Uma boa digestão para todos vocês.
Não consegui dizer uma só palavra. Também não havia o que dizer. Cada um de nós entende o que quer das experiências vividas; as minhas explicações não serviriam para absolutamente nada. Fiquei muito triste mas não me senti culpada. Dele eu guardei o cheiro das histórias mal resolvidas. Histórias que povoam a minha mente sempre que eu sinto no hálito de alguém o cheiro da mistura do café expresso com a nicotina. Foi graças às lembranças vindas deste cheiro que eu me livrei da culpa que eu sentia em relação ao Murilo. Quem é Murilo? O Murilo foi meu primeiro beijo e o meu maior remorso.
----------> Continua
selinho do AMARULA COM SUCRILHOS
Postado por
Ratapulgo
às
14.4.03
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Falando em Tom Jobim, uma vez, eu estava atravessando pra minha rua e lá vinha o Tom.
Ele me viu atravessando, parou na esquina e abriu o maior sorriso do mundo.
Mas a medida que eu me aproximava, constrangida, ele foi parando de sorrir, constrangido
percebendo que tinha me confundido com alguém, provavelmente muito querido.
Seguimos nossos caminhos constrangidos.
Mas eu: com aquele maior sorriso do Tom no coração.
morra de inveja do Tempo Imaginário
Postado por
Ticcia
às
14.4.03
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Estava lendo um desses blogs que gosto tanto e vi alguém comentando que sua família era estranha. Que família não é estranha? Conheço zilhões de pessoas que reclamam, se estressam e riem de suas famílias. A minha família é um grande exemplo de estranheza! Meu pai é obsessivo e tem tendências magalomaníacas, minha mãe é neurótica e é evangélica, minha irmã é histérica e não sabe dialogar e eu sou paranóica e pessimista!
Minha relação com eles é assim...normal. Eu e minha irmã somos muito amigas apesar da diferença de idade, andamos juntas, vamos as mesmas festas mas temos nossas rusgas. Por sinal, ninguém me tira do sério melhor que ela.
Minha relação com meu pai é complicada desde os primórdios da minha existência. Não me lembro de ter sido feliz ao lado dele. Minto! Quando ele me deu meu primeiro aparelho de som eu fiquei realmente feliz, mas foi só.
Minha mãe é uma figura impar, tem milhões de manias irritantes mas tudo que ela pede eu faço. Adoro essa mulher. Ela é forte, sensível, engraçada, espirituosa, desaforada, dedicada, leal, fiel, amiga, como todas as mães, se preocupa demais com coisas absolutamente absurdas, e adora uma chantagem emocional, mas não caio nessa não! E tem uma coisa que eu admiro muito nela: Ela confia em mim e não fica me fazendo perguntas, nem se metendo na minha vida de forma intrometida e finge que não sabe que eu tenho uma vida sexual (hehehe). Depois que ela se tornou evangélica nossa relação ficou um pouco complicada porque tenho idéias opostas as dela e detesto freqüentar igreja, pagar dízimo e outras coisinhas...Mas ainda assim somos boas amigas.
E como toda família eles são cheios de manias engraçadas, irritantes e adoráveis:
-Minha mãe sempre dorme no sofá na melhor parte do filme ou novela e depois me enche de perguntas.
-Meu pai acorda toda a vizinhança cantarolando as 6:00 da matina
-Minha irmã sempre dorme na minha cama quando não estou em casa. Ela diz que tem o meu cheiro!
-Minha mãe só come se eu fizer o prato ou colocar o café, caso contrário ela passa fome. (quando eu estou em casa, é óbvio).
-Meu pai ronca, assopra, assovia e luta karatê quando esta dormindo. Minha mãe se mudou definitivamente pro sofá.
-Minha irmã bagunça tudo, espalha roupas, nunca lava os pratos e só consegue estudar no silêncio absoluto.
-Minha mãe quando sai pra trabalhar vai me dar um beijinho na testa. Ela sempre me acorda, mas eu gosto!
-Meu pai não tem nenhuma mania adorável. Definitivamente!
-Sempre que minha irmã vai sair ela me pede opinião, porque eu sou muito crítica. Ridícula ela não sai!
-Minha mãe é a rainha das pérolas de duplo sentido.
Minhas manias? Ah...Já escrevi sobre elas...
Palavras achadas por uma Garota Perdida
Postado por
Ratapulgo
às
14.4.03
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