11.10.03

ESTE LADO PARA CIMA:

* Não entendo como algumas pessoas podem ser tão agressivas, sem ao menos dar a chance de conhecer quem estão agredindo. Decididas a fechar a sentença, a carta, a pontuação de sua respiração, explicando o que não foi perguntado, respondendo somente ao interesse da visibilidade. Incapazes até de sentir um ódio por inteiro. Fiéis aos seus enganos, defendendo algo que não faz parte do sangue, mais preocupadas em ouvir seus pensamentos do que escutá-los fora. Ranzinzas no trânsito dos talheres, chateadas, de vaidade nervosa, com um medo de perceber que estão irremediavelmente sozinhas, com horror da simplicidade e complicando o que não precisa pedir licença. A literatura não é feita para isolar. Lembro de uma frase de Calderon de la Barca: "que farão pelo que ignoro/ se pelo que sei me enterram".

* O elogio da modéstia é a pior vaidade.

* Os justos são discretos. Eles não dependem do troco para contar o que foram.

* Minha incompetência é ficar sozinho no quarto, com o guarda-roupa aberto. Sou favorável à eutanásia das roupas.

* Tenho dificuldades em decorar telefones e nomes. Meu catálogo é folhear um rosto umedecendo os dedos.

* Minha avó ficava horas a bordar. Levantava o pano e se fazia entre as agulhas. Parecia fechar uma ferida, que só ela via. Daí meu desejo de escrever com as unhas, raspando a terra.

* O pessegueiro é o carvão do vento.

* Duas infelicidades não conseguem dialogar. Uma quer ser maior do que a outra. Na hora em que se conta uma tristeza, aumenta-se a história para evitar a concorrência.

* Abolir o dever e as pessoas que acompanho se transformam. Hoje só vejo o dever. Necessito esquecê-lo. Uma criança que retorna de férias e entra em seu quarto como se tudo fosse novo e impossível de brincar em uma única tarde. Quando não damos conta do mundo, estamos vivos.

* Não escrevo por esporte.

* Basta a verdade conviver comigo e ela aprende a mentir.

.:. Fabricio Carpinejar .:.

10.10.03

A Tabuletra Informa: Projeto “Bandido Legal” já Dominou o Estado.

(do nosso enfiado especial: Chucky, o brinquedo assassino; consultora associada: Malícia Silverstone)

Cidade Capital urgente – A regulamentação das atividades criminosas, novo projeto do Desgoverno do Estado, está fazendo o maior sucesso. O plano agradou tanto aos populares indefesos quanto aos profissionais marginais. Em depoimento à Tabuletra, os cidadãos confirmaram sua satisfação com a novidade.

“Antes desta lei era aquele negócio: um moleque xexelento te agarrava o braço, dava empurrão, ameaçava com caco de vidro, um estresse. Qualquer assalto era a maior roubada! Agora não, ta organizadinho, com senha e tudo” declarou Maria do Socorra-me, auxiliar de enfermagem que trabalha no centro. “Você nem precisa andar com dinheiro porque agora eles aceitam todos cartões de crédito: levam qualquer um que estiver na sua bolsa”. Entre as muitas novidades, a que mais encantou a alegre Maria foi o programa de milhagem: “A gente ganha pontos para cada milha que roubam da nossa conta-corrente. Depois pode trocar por um cordão afanado, um Rolex falso... Mas meu grande sonho é tirar o prêmio principal: um carro zerinho puxado na hora. A gente pode até escolher a cor e o modelo!”.

O êxito do projeto foi tamanho que já começam a surgir problemas decorrentes de sua acelerada expansão. Alguns dos lalaus mais famosos já têm fila de espera para os próximos meses. Um dos meliantes mais célebres declarou à nossa reportagem que só aceita novos clientes através de concurso. Na próxima semana serão disponibilizadas 30 novas vagas em sua carteira de clientes. “É a ultima chance neste ano. Depois disso as vagas só vão surgir nas carteiras da nossa clientela. Especialmente se forem carteiras cheias de dinheiro e cartões de banco”. Além da demanda exagerada, os bandidos ainda precisam enfrentar a burocracia: suas licenças criminosas por enquanto são apenas provisórias e todos têm um prazo de apenas 30 dias para falsificar as definitivas.

O mundo empresarial também já aderiu ao programa e (...)

continua no Letra Morta

(...)

Urologista. Nunca entendi porque alguém iria na vida querer ser urologista. Urologista pra mim era ser médico de pau. Pra que que o cara, sem ser viado, vai querer ser médico de pau? Aí qual não foi a minha surpresa ao ver uma senhora na fila do consultório...

Pensei: “Puta merda, é traveco! Mas como pode, velhinha desse jeito”. A senhora tinha uns bons 60 anos. Não imaginei que traveco chegasse nessa idade. Aí na hora que a velha saiu perguntei pra secretária que me explicou que urologista cuida da uretra. E mulher, seus burros, também tem uretra. Mesmo assim achei meio humilhante praquela pobre senhora ter ficado ali, no meio de um monte de homem.

Aliás, humilhante pra todos eles. Eu pelo menos era garotão. Quem me olhava devia pensar: “Esse aí meteu o pau onde não devia”. Quem olhava pros outros devia pensar: “Esse deve tá com impotência”. Quer dizer, acho que eu era o que tava com melhor perspectiva ali. Pela primeira vez na vida me senti um garanhão.

Fiquei um tempo na sala de espera, lendo as tradicionais revistas de consultório. Aliás tenho uma teoria de que quem sustenta o mercado editorial do Brasil são os consultórios médicos. Ninguém mais compra Quem, Caras, Veja, esse tipo de coisa. Até Época tinha lá.

Quando chegou a minha vez eu, por suposto, entrei. O doutor disse ‘oi’ e esticou a mão pra eu apertar. Apertei, o que foi uma decisão bastante temerária. Ele me fez as perguntas padrão e mandou eu deitar na maca, pelado. Deitei, ele ficou ali mexendo no meu pau e, graças a deus, eu não senti nada. Essa é uma vantagem de se ir no urologista, você tira a prova dos 9 de se é viado ou não.

Então ele fez o pedido macabro: precisaria coletar esperma. Eu fiquei meio nervoso, não sabia como reagir e fiz a pergunta mais estúpida do mundo: “Tá, mas como faz isso?”. Ele abriu um sorriso de meia boca e me deu um potinho. Apontou uma porta nos fundos da sala e disse: “Vai ali dentro, o esperma tem que ficar no potinho, claro. Quando terminar é só sair. Tem uma pia lá também pra lavar a mão”. E eu fui.

E esse deve ser o segredo mais guardado nas faculdade de medicina, porque ali estava a explicação que eu vinha buscando há anos. Que tipo de homem se torna urologista? Os punheteiros! Aquilo era o paraíso da punheta. O Éden de Onan!

Tinha um armário daqueles de arquivo com (...)

mais no Cocadaboa: Jardim do Édem

A única anarquia que funciona - além da sociedade das formigas - é uma boa pelada.
Não a fêmea nua, mas uma boa partida de ludopédio.
Não que fêmeas nuas não sejam interessantes, mas o papo é anarquia.
Enfim. Voltando ao assunto.
Peladas não tem esquema tático, mas é raríssimo um contra-ataque numeroso. Quando ocorrem contra-ataques.
Posição em pelada é um lance muito simples. Quem é bom fica na frente. Quem é ruim, vai pra trás. O pior dos ruins vai pro gol. E todo mundo se conforma numa boa.
Pelada não tem juiz. E mesmo assim, todo mundo se entende. Discussão em pelada só quando rola um bêbado.
A sociedade poderia ser que nem uma pelada. Todo mundo conformado com a função que exerce. E em caso de dúvida, só precisaria saber de duas coisas:

1. Só sai quando passa do meio fio.
2. Estourada é da defesa.

Assim todos seríamos felizes.

KSW 7.0 | One sweet dream came true today

desconstruindo

um de seus dedos caiu, simplesmente. foi enfiá-lo no nariz para que pudesse aliviar a sensação de obstrução pela qual passava - leia-se tirar tatu - e o dedo ficou ali, se desprendendo da mão, sem sangue, sem dor, apenas saiu.

simples, usaria os outros dedos para tirar o indicador dali, e tentaria disfarçar a ausência de um dos dedos com uma salsicha costurada no lugar. simples.

com o indicador da outra mão e seu devido polegar opositor - dá-lhe jorge furtado! - fez o movimento de pinça adequado à operação e sua surpresa foi terrível, assim como será para vocês: os dedos desprenderam-se da mão do mesmo jeito como acontecera antes com seu outro indicador.

tentou mais algumas vezes até que lhe faltassem todos os dedos das mãos - eram só duas mãos.

desesperou-se. como enfrentaria a sociedade assim, com um dedo enfiado no nariz e nenhum nas mãos, nunca mais poderia fazer chifrinhos (lml) para os amigos, nunca mais podendo dedilhar moças e pianos, nunca mais podendo pedir carona, nunca mais tc(!), nunca mais esse monte de coisas que vocês imaginaram?

simples. não enfrentaria. daria um tiro em sua própria cabeça, para encerrar logo o sofrimento.

mas para isso eram necessários dedos. tentou usar os dos pés que também soltaram-se, um a um.

mas ainda tinha seu pênis mediano.

preferiu não arriscar.


=====


ninguém havia-lhe avisado ao longo de sua brevíssima existência física e etílica pelos botecos próximos da faculdade na qual fingia estudar psicologia das relações humanas e onde conhecera a maior parte de seus atuais amigos ainda que não fossem todos amigos de verdade e ainda assim amigos que reconhecia como tais porém não tinha certeza se todos o reconheciam assim reciprocamente e também nem se importava muito com isso contanto que pudesse continuar bebendo sua cervejinha em paz mesmo não sendo avisado e se você ler ali no começo vai perceber que eu já iniciei o assunto de que é possível fazer frases enormes e sem a menor elaboração ou concordãncia ou estrutura gramatical de coerência mínima que seja para um entendimento geral da idéia encerrada na sentença contanto que se mantenha uma certa unidade no encadeamento das idéias que nela devem estar encerradas.

hmmm, perdi o fio da meada... o que ia dizendo mesmo?


como assim dois uísque?

Separação

- Você me ama?
- Pra cacete.
- Eu nunca amei ninguém tanto assim.
- ...
- E agora, o que a gente faz com isso?
- Guarda numa caixinha.
- E depois passa?
- Às vezes demora mais, outras demora menos, mas sempre passa.

A Bêbada e o Equilibrista

9.10.03

Maria Luiza

Há uma casa em um lugar chamado Maria Luiza. Há um pedaço de mar que encomendei e que pode ser visto quando saio e caminho pelas ruas da cidade que desenhei. Passo a mão sobre o dorso de meu cachorro e ele me sorri em lambidas. Eu e ele caminhamos agora sobre os traços de nossos mapas. Há uma garrafa de vinho chileno para as noites de frio na casa que nos espera. Pico o queijo, ajeito a toalha, sinto o cheiro do banho. Preciso de mãos que deslizem hidratante sobre a pele que queimei quando os meus olhos se distraíram com o azul. Deslizamentos sobre Maria Luiza provocam confusões no trânsito. Faço um sinal com o dedo sobre lábios em sorriso. Os vizinhos ainda não sabem de nossa presença e não quero que invejem o amor que planejamos. Há um pedaço verde em um canto qualquer de um papel dentro de minha gaveta. Nele coloquei um nome mas não uma data. Tenho na mochila tudo o que preciso. Sei da fogueira sinalizando um sorriso. Queimo também.

Walkwoman

Foi como achar aqueles tênis Rainha Iate vermelhos de novo. Aqueles que eu não sei a razão de eu ser tão obcecado por eles, talvez porque eram como os sapatos de rubi da Dorothy. Aqueles que eu queria desesperadamente quando era pequeno, mas minha mãe comprou um tênis preto qualquer porque preto é mais prático e combina com tudo.

Na época, cheguei a ficar até deprimido, mas bem no fundo, eu sabia que aqueles tênis vermelhos ainda iriam ser meus. E eles foram. 10 anos depois. E quando vc já é um homem feito, eles se tornam ainda menos práticos.

Mas eles eram lindos e mágicos e simplesmente tudo o que eu queria que todos meus tênis fossem. Nada me fazia tirá-los dos pés. Admirar sua singularidade. Desejar que todas as coisas pudessem ser perfeitas. Desejar que todas as coisas pudessem me trazer um pouco do prazer da inocência.

Eles me fizeram esquecer como era andar de pés descalços. Eles me fizeram esquecer que poucas pessoas os acham ou ousam usá-los.

Mas eu ousei. Como se eu tivesse 8 anos de idade de novo, com o mesmo coração bobinho. Como se o tempo não tivesse passado e não tivesse sido tão cruel comigo como eu sempre pensei.

Eu não liguei se eles não combinavam com nada. Eu os levei pra casa. Eles se tornaram uma parte de mim.

E então, uma manhã, os tênis não pareciam felizes. Os tênis não queriam mais caber nos meus pés. Eu tentei inocentemente forçá-los várias vezes, mas nada adiantou. Eu fechei meus olhos e desejei que eles, de alguma forma, voltassem a ser do jeito que eram quando eu os vi pela primeira vez. Eu desejei que aqueles momentos não tivessem passado.

Então eu me conformei. Eu os coloquei na caixa, mas não voltei a loja pra devolvê-los. Eu não poderia colocá-los de volta no mundo dos tênis.

Me comprometi a colocá-los na estante mais alta do meu armário, e a sempre acreditar, com meu coração ainda bobinho, que um dia eles irão caber de novo.

. my own pretty hate machine .

Sem conseguir dormir, decidi virar artista.

Levantei, fui na sala e li rapidinho uma notícia sobre Alex Katz. Falei "uau", uma e meia da manhã nem é tão tarde e decidi virar artista também.
A primeira idéia era pegar um bocado de folha branca, um canetão, sentar lá no quarto e desenhar no escuro. Canetão sem funcionar, desisti.
Lembrei do potinho velho de nanquim e do pincel "duro", daqueles que secaram sem limpar, "irreversíveis". Panhei os dois, cortei metade das cerdas (?) do pincel, abri meia página de jornal em cima da mesa da sala e com o pescoço todo duro comecei o processo.
Pinga pra cá, espirra pra lá, nascia ali um novo Matisse, um Picassinho insone e sem jeito. Lembranças do mar, figuras fantásticas, cenas da infância... nada disso passou pela minha cabeça. Todo travado, medo de sujar tudo, desenhava só rosto, menos chance de dar errado.
Feliz com uma ou outra cabecinha, trombei no potinho que caiu em cima do jornal. Uh, caralho, jornal é fino, busquei um pano, veja multiuso, acordei o papagaio. Passei o pano rapidinho, dei uma lambrecada mas o veja consertou. Só que na vorta, percebi que o potinho agora tinha caído em outro lugar...
Desde pequeno eu lembro daquele paninho de crochê. Mesa de madeira, um vasinho e um paninho daqueles embaixo: maravilha. Nanquim selvagem, pulava de pedacinho em pedacinho, a mancha crescendo... Desespero, sentei a mão no troço pra estancar a sangria, enchi as unhas de tinta, pus no colo que nem um filhote de tatu machucado. Levei pro tanque, abri a torneira, acordei todos os canários e espalhei com maestria o resto do nanquim, mapa de Portugal virou
Rússia.
Barulheira, catei tudo que não prestava (pincel e potinho de ex-nanquim...), lixo. Pus os desenhos que gostei em cima da mesa, esperei dar uma secadinha andando de um lado pro outro, fiz um xixi, voltei, pus tudo dentro dum caderno de jornal pro meu pai não ver espalhado de manhã e fui tentar dormir, duas e meia.

as figurinhas estão no opa

Dentro do umbigo selvagem (as coisas não mudam)

Gostava da outra. Na verdade, era mais, muito mais do que isso. Mas tem coisas que são difíceis de admitir. Melhor fingir que tudo foi um engano e contar para os amigos, cada vez menos solidários, que as lágrimas vertidas faziam parte de um laboratório. Eu não contei? A Globo me convidou para fazer uns testes e.

Gosto dela. Na verdade, é mais, bem mais do que isso. E admito tudo com uma falta de pudor que me assombra. Vontades estranhas tem me acometido. Tenho pensado em adquirir uma canga e me mudar para o litoral no verão. Canelas finas expostas ao sol e ao ridículo. Eu não contei? Sou voluntária em uma pesquisa da NASA sobre os efeitos dos raios UVA e.

Gosto de mamy. As vezes. Toda aquela confusão travestida de misticismo. Tento convencê-la de que no estado em que as coisas estão deus, seja lá qual for o nome que ela invoque, não pode mais ajudar. No entanto, sempre comento com um estudado tom de voz casual, um bom psiquiatra faria misérias. Ela se nega, me renega e até baba quando discutimos. Bacana. Se continuar assim, um dia poderei cobrar ingresso.

Mulherzices

8.10.03

Teatro

Há a peça, há os atores e há você. Você talvez não seja a atriz principal. Em compensação, você é o cenário, o figurino, o roteiro, a direção, a iluminação – Você é luz/É raio, estrela e luar –, você é o público e as poltronas puídas em que ele se senta, é a bilheteira mal humorada, o cara que toca a campainha para anunciar o início da peça.

Quando durmo, e começa a peça surrealista dos meus sonhos, você é a esfinge que cai do céu, espalhando enigmas por todos os lados em forma de esferas com ideogramas chineses. Você sai correndo com minhas roupas enquanto eu fico nu no meio da Avenida Paulista. Eu corro e não saio do lugar; é você me segurando. Eu começo a cair e foi você quem me empurrou. Eu vôo, mas é com as suas asas. Morro e vou para o inferno, julgado por você.

Eu precisava tirar você do meu teatro. Eu era ator principal desse negócio; agora me contento com qualquer figuração: acho que o tempo dos palhaços tristes ficou para trás.

Jesus, me chicoteia!

Neste Brasil imenso,
Quando chega o verão,
Não há um ser humano
Que não fique com tesão

É uma terra danada,
Um paraíso perdido
Onde todo mundo fode
E todo mundo é fodido

Fodem moscas e mosquitos,
Fodem aranhas e escorpiões
Fodem pulgas e carrapatos,
Fodem empregadas com patrões

Os brancos fodem os negros
Com grande consentimento,
Os noivos fodem as noivas
Muito antes do casamento

General fode tenente,
Coronel fode capitão
E o presidente da república
Vive fodendo o povão

Os freis fodem as freiras,
O padre fode o sacristão
Até na igreja de crente
O pastor fode o irmão

Todos fodem neste mundo
Num capricho derradeiro
E o danado do dentista
Fode a mulher do padeiro

Parece que a natureza
Vem a todos nos dizer
Que vivemos neste mundo
Somente para foder

E você, meu nobre amigo
Que agora está a se entreter,
Se não gostou da poesia
Levante e vá se foder

Phanta Uva em ¢AtaRrO vE®De

Desencana, Isa

Quando estive em BH, Raquel ficou impressionada com o fato de que tudo, absolutamente tudo, corria o risco de virar um post.

Ando na rua. Chove. Penso na solidão das noites de chuva. Mentalmente, escrevo um post. Cinco minutos depois, já esqueci.

Leio o email da Patsy. Ela fala de Sampa. Penso em Caetano, meu coração bate mais forte pela esquina da Ipiranga com a São João. Mentalmente, escrevo outro post.

Penso nos relacionamentos on-line. Nas expectativas que as pessoas têm quando se encontram, de fato, na vida real. No desejo - impossível - de corresponder à fantasia do outro. Mentalmente, escrevo mais um post.

Converso com Gabriel sobre Macs e PCs. Penso nas aspas inglesas, na minha fissura por tecnologia, nas origens deste interesse. Lembro o quanto o mundo virtual me encanta, há tanto tempo. Mentalmente, tudo isso vira mais um post.

Passam das onze da noite. Coisas e mais coisas, como flashs, como relâmpagos, passaram na minha cabeça ao longo do dia. O café que eu tomei na esquina, o taxista que ouviu minha conversa, a mulher gorda ao meu lado, a mulher louca com quem conversei horas a fio.

Tem também as frases que disse e, na hora, achei absolutamente geniais, mas já esqueci todas...Ah, vai ver que nem eram tão boas assim. Mas naquele instante, mentalmente, também viraram um post.

Tudo isso se processou numa espécie de liqüidificador e virou este post. Desencana, Isa. E pára de transformar a vida em post....

elasporelas

Mania de grandeza

Às vezes eu me deparo com homens que vivem em delírios intelectuais. São grandes a não mais poder (no sentido de elevado, pelo amor de Deus!), emitem opiniões definitivas, são detentores do Grande Conhecimento e, por último mas não menos importante, sentem pena dos outros a granel.

A diferença entre mim e um maluco com mania de grandeza é que ele sente pena de mim pela minha pequenez que é real, enquanto eu sinto pena dele, por sua grandeza que é ilusória.

À noite, eu rezo pelas almas dos homens que se pensam grandes. Peço para que se tornem microscópios, para que notem que há sapiência no que não se dimensiona a metro. Rezo em especial para os homens que não se permitem sentir, porque se acham grandes. Para eles, não há nada pior do que o momento em que a noiva joga o buquê para trás, enquanto duas primas gordas rolam pelo chão, esperançosas. Os homens pequenos riem; um ou outro chora. O homem grande, não. Ele cita Aristóteles.

Digo o que digo com a autoridade de quem já passou meses de cama, acometido pelo mal da grandeza. Eu era febril na crença da minha superioridade. Perdi a conta de quantas vezes, tremendo, com o termômetro marcando quarenta e um graus, eu era sacolejado na sela de uma montaria que vencia obstáculos na Hípica. Noutras ocasiões, agarrava-me ao preciosismo de um soneto. O mais triste foi quando fiquei 48 horas insones na Biblioteca do Vaticano procurando por apenas uma referência ao brasão de minha família.

Não sei se há na psiquiatria termo adequado para definir o homem que delira na sua ambição aristocrata. Tratamento não há, ao menos não na farmácia alopática. Somente uns poucos curandeiros, dotados de um espírito cheio de galhofa, são capazes de prescrever remédios que curem a grandeza que é ilusória, para não dizer mentirosa, fraudulenta mesmo.

O tratamento inclui, antes de qualquer coisa, trocar o cinza por uma cor mais alegre. A calça social por uma calça de brim. O sapato por um tênis All Star. As meias finas por outras, chamadas soquete, com inscrições em inglês na canela. Raspar a barba também faz bem. Deixar de ler autores clássicos para se entreter com o que há de novo e bom é uma ótima pedida. Telefonar para os amigos, sobretudo para os inferiores, e com eles conversar sobre futebol e a novela das oito. Ir à praia vez por outra, beber Schincariol no lugar do bourbon. Não se ministra música ruim aos ouvidos dos seres que pensam que são grandes, mas doses homeopáticas de boa bossa têm se mostrado eficazes para curar o jazzismo ou classicite em estados já terminais. Em tempo: há doentes que não se furtam à audição de rock, desde que sejam capazes de ver metafísica na canção. Neles, o ideal é mesmo música sertaneja na veia. Um namoro cairia bem ao homem que acha que é grande, mas isso é remédio que depende de fatores externos. Nada melhor para um ser que se julga elevado do que uma noite passada em claro, com saudades da amada.

Os freudianos mais raivosos defendem que a mania de grandeza é a pior das perversões, porque transforma o doente num caricato rei da sarjeta. Ele diz que sabe apreciar bons vinhos e fumar bons charutos; quando a gente conversa com ele, não deixa nunca de escutar uma frase em latim; ele é capaz de discorrer sobre a nobreza da caça; e fica horas tecendo comentários sobre um verso de Alberto da Cunha Melo, por exemplo. Mas é rei num reinado fictício. Certo dia eu vi um documentário sobre o assunto, num desses canais pagos: era triste ver o homem que se dizia elevado em andrajos (cinzas, obviamente) tendo de ir ao banheiro e, assim, deparar-se com o que há de mais natural em sua condição de ser civilizado e grande.

Minha opinião sobre o assunto diverge da literatura médica e psicanalista ortodoxa. Não acho que seja caso para hospício nem tampouco considero a mania de grandeza uma perversão comparável à prática do sadomasoquismo. Acho que é mau-caratismo mesmo, curável com um ou dois cascudos bem dado no lombo do moço. Em geral - e as mães fazem isso sem se preocupar com teorias estapafúrdias -, uma boa sova com vara de marmelo cura este esnobismo. Na criança os efeitos são sentidos de imediato, mas num adulto que não tenha passado por isso na idade certa o efeito pode demorar a surgir. Logo, são necessárias duas ou três surras muito bem dadas no caboclo para que ele deixe de ser besta.

Mas eu dizia que sentia pena e sinto. Seria, portanto, incapaz de dar um tapa num maluco destes. Por mais que fosse para o seu bem. Como se trata de um caso extremo, talvez fosse aceitável, do ponto de vista cristão, desejar-lhe a morte. Ainda que eu saiba que tal afirmação jamais será compreendida. A morte como redenção, vista pelo outro, ainda é algo muito nebuloso, e se confunde facilmente com desejos homicidas.

Uma ignorância, sem dúvida.

O Polzonoff

7.10.03

Alguém já te disse isso?
Quando algo de muito bom lhe acontece, quando você tem sucesso ou sorte,quando você consegue tirar férias e viaja para um lugar paradisíaco, quando você encontra o amor da sua vida antes de suas amigas......
A sua felicidade é tanta que não cabe dentro de sí e aí você precisa contar para alguém ou para todo mundo, mas você corre direto para o seu melhor amigo, ai ele te responde : "Poxa, que legal! Estou feliz por você! Que inveja! Mas é uma inveja branca, boa!"
Pode soar um pouco estranho, mas está aí uma palavra que falta no nosso vocabulário, ou se existe, eu ainda não conheço. Uma palavra para traduzir um sentimento de felicidade pelo próximo mas ao mesmo tempo uma vontade de que aquilo tivesse acontecido com você também.

A inveja má (ou somente inveja) sempre vem acompanhada de um comentário maldoso ou uma cara de dúvida sobre aquilo que você acabou de contar.

Ontem mesmo eu deixei um comentário para a Claudinha sobre quando ela diz que consegue conversar em holandês, fazer piadas e comprar a passagem para o Brasil, sozinha, sem ajuda, sem apelar para o Inglês. Eu disse que a invejei. Mas é uma inveja de admiração, por ver que ela não tem medo de errar, não tem medo de tentar o "pouco" do holandês que ela sabe (o que já significou muito) e sair da agência vitoriosa.
Isso me fez pensar também no meu desempenho quando aos estudos. Tudo bem, reconheço que não sou assim a esforçada, não tenho muita paciência para estudar em casa e peco falando português com o marido e inglês no trabalho. Mas me considero uma aluna boa. Apesar de eu perder todos os dias 1 hora de aula, por causa do trabalho, sempre tiro notas boas nas provas, entendo a matéria sem muita dificuldade e escrevo melhor do que falo (hehehe). No fundo acho que tudo seria mais fácil se os belgas resolvessem se esforçar também para falarem a língua correta, sem dialeto. Isso me deixaria tão admirada quanto eles ficam vendo o meu esforço em tentar aprender a língua deles.

Mas nesse verão passado eu tive a inveja ruim também. E tive muita! Que horror!! - Tive inveja das pessoas que passavam o dia tomando sorvete, se espremendo nas mesas do restaurante onde eu trabalho, sem ter que pensar no depois, rindo, curtindo aqueles dias de sol maravilhosos enquanto eu passava na rua, vendo todo esse cenário de felicidade-gringa-no-verão, indo para o trabalho. Teve dias que eu sentia vontade de jogar uma bomba neles ou de gritar que eles são todos um bando de falsos simpáticos, hipócritas e babacas. Mas essa raiva era da lembrança dos meus finais de semana nas praias paulista. Do nosso verão. Da nossa felicidade e simpatia natural e depois dessas lembranças, voltar a realidade era difícil. Passado a raiva eu reconhecia o meu egoísmo e me sentia mal.

Será que, quando a gente sente algo ruim (como a inveja) e depois reconhecemos o erro, conseguimos tirar das nossas costas a carga negativa da culpa por ter desejado algo ruim, mesmo que tenha sido somente num momento de estress ou raiva ?

Mas essa tal de inveja branca é algo que vem sendo usado com frequência por todo mundo. Querem exemplos? A Gabriela disse que inveja pelo meu piercing na língua pois ela morre de vontade de ter e nunca teve coragem de fazer. A Andrea uma vez disse que tem inveja de mim e da Sam por morarmos com nossos amores e pertinho do amor dela, e ela está lá longe. Eu e a Sam morremos de inveja de uma cubana, numa festa latina, que dançando maravilhosamente bem, linda, absoluta, o salão parou.
Eu invejo uma amiga bem sucedida profissionalmente e ela me inveja por ter um amor verdadeiro. Torcemos uma pela outra para que consigamos alcançar a outra parte que falta. E vibramos pelas vitórias uma da outra, ajudamos nos momentos de dúvida, cantamos os momentos felizes mesmo que seja só de uma parte.

E no final o que nós queremos é que todos sejam felizes e tenham coragem de fazer aquilo que nos fazem felizes. Seja um piercing, seja encontrar um amor, seja morar em outro país, seja ir no show da banda preferida ou chupar sorvete num domingo de verão sem se preocupar com as contas do próximo mês.

Por Débora Melissa, NoFreezer

Os blogs são legais. Até eles deixarem de ser legais. Até você perceber que as pessoas doudas lêem o seu e gastam energias brabas lhe desejando coisas ruins (como pode, né? mas pode), e eu não sei falar sobre outra coisa que não seja a minha vida, minhas diarices, meus atrapalhos, eu não sei. Não acho isso bom, mas é assim.

Então, meu povo, tô fechando a budega. El bodegón.

Porque não quero mais. Que saibam de mim ou de onde eu tô e deixo de estar ou de como o céu tá hoje e a minha unha encravada dando chunchadinhas, quando você poderia pensar que sua unha encravada em letras ia te trazer problemas? A gente tenta ser humilde nessa vida e o povo num deixa, lhe colocando em lugares que não te merecem. Isso é potencialmente ruim.

Os comentários eu tiro também porque num adianta eu dizer pra vocês que num comentem, que vocês são uns compulsivos, praticamente.

:P

Aí fica aquela coisa "aaah, voooolta!" e eu aposto que tem gente por aí que avalia errado: ela faz isso pro povo pedir que ela volte e lhe fornecer massagens egóicas (?) e... Ó a besteira.

A mensagem do dia que eu passo pras crianças leitoras aqui é uma coisa simples e politicamente correta: se beber, não dirija. Nem fique perto de um telefone. Nem deixe todo o catarro verde do seu coração escapulir. Faça isso não que é anti-higiênico. Especialmente se o catarro do seu coração contiver lixo nuclear. Problemas, meu amigo. Problemas.

Como é possível, meudeus, que o super-ego, tão super assim, seja tão sofrivelmente solúvel em álcool? Como se permite algo dessa natureza?

(como se não tivesse sido eu e sim alguma entidade maligna do além - sigo me enganando)

E assim vamos todos. É verdade que algum dia é capaz que eu apareça de volta, né? Bem capaz.

Eu só quero que seja simples. Não pobre. Simples.

autonauta da cosmopista

Pior que a morte é estar sozinho, agoniado dentro de si mesmo. Como um rato dando voltas e mais voltas dentro de uma gaiola, só esperando a mão em uma luva vir buscá-lo para a próxima experiência. Como um leão enjaulado num zoológico servindo de atração. Pior que a morte é ter vivido sem ter amado de verdade, sem ter se doado, sem ter recebido em troca. Pior que a morte é não ter corrido atrás, não ter feito nada pra mudar a situação. Pior que a morte é só ter prejudicado os outros, por egoísmo, por ciúmes, por orgulho, por burrice. Pior que a morte é viver como se não estivesse vivo. Pior que a morte é não saber porque se está aqui, no hoje, nessa exata hora, nesse dia, nessa vida.

Blue Idol

A noite transcorria como um século. Mesmo neste ambiente de pouca luz e algum silêncio não consegui dormir satisfatoriamente. Sonolenta, percebo o vaivém de homens, mulheres e crianças se alternando em cadeiras sóbrias e frágeis. Para os maiores não é dia de trabalho, para os pequenos não é hora de brincar. A contragosto, todos preenchem o espaço como podem.
Aqueles que chegam por último se orientam pelas grossas paredes que a todos parecem cercar. Eles esticam o pescoço procurando me divisar em meio à pequena multidão que se forma à minha volta.
O ar cheira a mofo, não sei bem se é a sala que cheira assim ou se é pelo tapete que colocaram debaixo de minha mesa. Estou rodeada de gente me encarando sem discrição, afinal vieram de longe só para me ver e cumprimentar. Por que culpá-los do desconforto que sem o saber me trazem? Se ao menos soubessem como fico sem jeito nessas horas. No entanto falar-lhes agora da minha modéstia seria no mínimo hipócrita. Jamais me perdoariam se eu dissesse que não posso oferecer dedicatórias. Não vejo a hora de sair daqui.
Mas ninguém me pede nada. Existe um assédio respeitoso. Ninguém parece ligar para as minhas roupas. Minhas respostas já não contam. Tanto sucesso involuntário deve ser porque hoje o dia é só meu.
Espontaneamente imóvel, volto a sentir sono novamente. Uma das mulheres passa com uma bandeja de salgadinhos. Onde estão as bebidas? Minha garganta está seca. A música ambiente se arrasta. O sono agora é incontrolável. Gostaria que tudo isso tivesse um fim. O burburinho, o mofo, a modéstia, os salgadinhos. Afinal é noite de sábado ou manhã de domingo?
Não sei dizer. Ninguém sabe me dizer. Na verdade não há ninguém aqui comigo para me dizer. Estou sozinha. Estou sozinha e dou por falta de um último convidado. Que senha deve ter recebido para me descobrir no meio de toda essa gente? Eu não saberei reconhecê-lo se ele não se apresentar. De qualquer modo, ou ele não existe ou está atrasado. Minha maquiagem agora começa a se desfazer. Tenho tanto sono.
Procuro adivinhar qual das paredes vai dar no banheiro. Não tenho tempo a perder pois vejo que todos já estão de pé e fica cada vez mais difícil atravessar a sala lotada eu já nem sei mais de quê.
Todos estão me encarando agora. O que será que querem de mim? O que vão me perguntar? Eu não preparei discursos. Seja o que for, eu não saberei responder. E estou derretendo. De sono. Um sono que chegou para ficar. Alguns homens se adiantam e se aproximam de mim. O que querem? Mas não. Eles estão mudos. Eles não me tocam. Eles nem me encaram mais. Só me cobrem e tudo fica escuro. Vou poder dormir afinal. Fico feliz. Ainda é noite de sábado.

Prosa Caotica

Estou em época predatória: enorme dragão de suntuosas tetas, faminta de vida, sangue, presas, garras fortes, cauda potente, devorando o mundo e a mim mesma. Predadora e presa, fome extrema, autofagia, nada me sacia, estou sedenta do infinito, de um grito, de um mar, de mil luas encobertas, faminta de me ser me sabendo em mim, devorando meu rabo, rasgando minha carne para descobri meu gosto, meu suco, meu sangue. Cravar as unhas em minha pele e me escalar pelo avesso, viver meu cio, me cobrir, me emprenhar e depois parir a mim, ressuscitar.

Não Discuto

6.10.03

Aquilo sim era uma dupla de criação. Experientes o suficiente para entregar um grande trabalho na agência, jovens o bastante para encarar todas as baladas fora dela. E juntos, porque quando uma dupla dá certo, continua dupla fora do escritório.
Um tinha carro, o outro andava a pé. Por isso, no fim das baladas, o diretor de arte levava o redator para casa. Um dia, a caminho de casa, o redator contou que decidira se casar. Foi aquela confratenização meio ébria mas emocionada, com o carro em movimento e os postes se esquivando. Logo depois, o redator aponta:
- Vai ser naquela igreja.
Lá estava o templo majestoso, mais pelas duas ou três doses do que pela arquitetura. A partir daí, era todo dia:
- É aquela igreja.
- Eu sei, você já me contou.
- Você vai no meu casamento e vai sentar na frente, hem?
- Claro, claro.
Dias, baladas, semanas, o tempo passa a jato: chegou o dia do casamento. O diretor de arte enfeitou-se todo, terno, gravata, perfume e toca para a igreja.
Avenida, passa o primeiro viaduto, primeira à direita e lá está - não, lá não está a igreja. Caramba, era ali, avenida, viaduto, primeira à direita. Voltas no quarteirão, procura daqui, procura dali, nada. Dez para as sete. Cinco para as sete. Sete. Tudo bem, a noiva sempre atrasa. Sete e cinco. Ele muda o método de busca. Volta sistematicamente para a avenida e tenta começar o caminho do zero. Nada. Sete e dez. Avenida, viaduto, primeira à direita, segunda à direita, terceira à direita, sete e quinze. Suor no colarinho engomado. Cadê a igreja?
Quarta à direita, nada. De repente, o insight: um boteco na esquina. Pára o carro, entra apressado, sete e vinte, dois frentistas no balcão olham estranho para o ser engravatado.
- Conhaque. Duplo.
Vira o copo de uma só vez, franze o rosto todo, devolve o copo vazio, deixa o troco para o belconista e volta para o carro. Sete e vinte e cinco.
Sete e vinte e sete, a igreja. Ele conseguiu chegar antes da noiva e acenar para o parceiro que, nervoso, esperava a doce amada.
Sentou ao lado de uma convidada, parente aparente do amigo, que puxou assunto:
- Já conhecia a igreja?
- Sóbrio, ainda não.
E foram felizes para sempre.

dito assim parece à toa