Fim
Pararam as obras. Tá tudo parado. O trânsito está congestionado.
Pararam as ampliações. Lacraram as portas. Colocaram um cadeado no lugar.
Pararam as máquinas. Ficou um silêncio. Pararam as doações de sangue.
Um coração parou.
Parou no meio da linha, a caneta com a tinta seca. Parou entre duas bocas o último beijo, a última saliva de um amor amargo, prestes a acabar. Tardou. Parou. Tudo. Apagaram as luzes, esvaziaram as garrafas, a tinta descascou, e até o porteiro, com suas luvas de lã e cachecol azul, se foi, sem ao menos ser questionado se queria sair, se queria ficar.
E por ali, ficaram aqueles restos e sobras de uma construção que nunca foi concluída, que nunca foi aceita, que ficou no papel perfeita, na maquete, reluzente, mas no concreto, interminada. Pararam tudo, interditaram o pipoqueiro, e também os banheiros, afastaram todo e qualquer tipo de vida que estava por ali. Chamaram o controle de pragas, para acabar com as possíveis baratas e insetos que por ventura viessem aparecer depois do fim, e acabaram espantando para longe não só as serpentes, pulgas e ratos piolhentos, mas também o casalzinho de joão-de-barro, que feliz, se aninhavam por ali.
Fecharam tudo, bateram as portas, apagaram as luzes, enxotaram vidas, calaram o silêncio, varreram as cinzas e purpurinas, tomaram o último gole, até o vazio, deram um jeito de esconder. Acabou-se o asfalto onde a gente estava acostumado a andar.
oldstyle
18.7.03
E o problema é...
ser normal. Normal demais. Não é extremamente legal, e nem insuportavelmente chato. Não me faz rir sem parar, e também não pega no meu pé, nem me pentelha até que eu fique possessa de raiva. Não é muito feio, mas também não me atrai a ponto de eu não conseguir desviar o olhar. Não se veste muito bem, mas também não se veste mal me fazendo ter vontade de contar que bermuda laranja e verde limão não combina com uma camiseta da seleção italiana . Não concordo com todas suas palavras, porém seu ponto de vista não faz com que cada conversa seja interessante, mesmo que um pouco hostil. Não tem uma personalidade que me surpreenda e me entretenha, embora também não aja e pense de uma maneira que cause conflitos, que me irrite, enfim, que faça com que todos meus pensamentos sejam relacionados a ele. Não tem um estilo parecido com o meu e não pode-se dizer que é a "Fernanda de calças compridas", entretanto não distoa completamente na multidão. Não tem nem de longe os mesmos gostos ou hábitos que eu, mas também não tem atitude suficiente pra se opor ao que eu digo. Não me cobre de elogios, nem faz com que eu me sinta a pessoa mais importante, mas de maneira alguma me trata com indiferença ou se mostra despreocupado comigo. E apesar de já ter feito e passado por coisas completamente absurdas, não consegue fazer com que qualquer momento relacionado a mim seja menos normal.
I have no idea where it came from
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Ratapulgo
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18.7.03
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17.7.03
muito pânico nessa hora
Comecei a namorar uma embalagem de biscoito Passatempo recheado. Aí, vi a recomendação, na lateral do pacotinho, mais ou menos nos seguintes termos: tenha sempre um passatempo por perto. Com um biscoito você repõe as energias de 25 minutos de corrida.
Uia, que meda. Quase atirei o pacotinho. Não tenho condições de correr por cinco horas seguidas.
uma pérola perolada
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Ratapulgo
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17.7.03
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Uma professora muito bacana, mas que vive completamente no mundo da lua, estava ao telefone com uma amiga quando a filha pequena veio e disse (e tudo isso ela contou na sala de aula):
- Mãe, a professora mandou eu procurar no dicionário duas palavras, uma que comece com E, e outra que comece com H...
- Sei.
E a professora lá, falando com a fulana. Quando se deu conta de que a filha estava lá, ainda, esperando, virou e disse, sem nem pensar:
- Exegese e hermenêutica.
E a coitadinha da menina ficou com aquela cara de interrogação, sem saber como escrever, nem qual começava com qual.
Sua mente capta?
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Henrique
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17.7.03
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Porque eu não sabia o quanto doía, embora soubesse da dor. Porque seus gritos me paralisavam de medo. Porque eu nunca aprendi a perder. Porque eu nunca soube ganhar. Porque você me deu a chave de casa quando ainda era muito cedo pra isso com o aviso "faça o que quiser, vá pra onde quiser, mas todo dia, às seis da manhã, eu tiro você da cama pra escola". Porque você comprava biscoitinhos recheados de chocolate e dizia "Bi, vem cá, comprei os Olímpicos". Porque você chamava a despensa da casa de "special reserve". Porque você cantava a música do baile na gafieira pra mim, e a dos sapatos de Iracema e aquela em italiano, sobre o comunismo e a liberdade. Porque você me ensinou a amar música cubana. Porque eu não passo 24 horas sem pensar em você. Porque eu amava o Alexandre e quando você o conheceu, você o amou também. E aí, meu amor por ele aumentou. Porque você me levou para viajar pra tudo quanto foi lado, e viajar com você era andar com o melhor guia turístico do mundo. Porque uma vez, em Lisboa, você me disse : "Civilização, é isso aqui, digam o que disserem. O mundo é melhor em Portugal, Bi". Porque até os motoristas de táxi da Alfama te conheciam. Porque você sabia dos gregos, dos romanos, dos fenícios, dos visigodos. Porque as suas malhas tinham um cheiro bom. Porque ninguém podia usar seus chinelos ou mexer no seu umbigo. Porque no dia da formatura do Pedrão, ele ali no palco, você me disse "seu irmão foi a melhor coisa que eu já fiz na vida" e eu fiquei triste e feliz ao mesmo tempo. Porque agora, seu globo terrestre é meu. Porque você botou a Setembrina nas nossas vidas, e agora eu tenho pesadelos horríveis com ela, e acordo chorando. Porque sua mãe tinha olhos azuis e me chamava de "cariño". Porque você botou a Lola na minha vida, e isso não tem preço. Porque eu queria um pai, não um amigo. Porque nós não fomos nem amigos. Porque você andava a cavalo como um Huno, e eu tinha tanto orgulho que achava que ia desmaiar. Porque eu nunca vi mãos tão belas quanto as suas. Porque você é meu pai, e ninguém tira isso de mim. Porque as palavras duras nunca paravam na sua garganta e sempre paravam na minha. Porque você se deitava no chão do meu quarto, pegava na minha mão e cantava "se essa rua fosse minha" com a voz mais doce do mundo. Porque você, mais que ninguém, me ensinou que ostentar tudo, de carro novo a conhecimento, é a coisa mais execrável que se pode fazer. Porque o Alexandre vive dizendo "se o Nelsinho estivesse aqui...". Porque você me ensinou a andar de bicicleta. Porque você sabia como me magoar. Porque você cantava no banho. Porque seu pai foi a pessoa que mais me amou nessa vida. Porque você nadava tão bem, pulava tão lindo do trampolim. Porque eu subia nos móveis e gritava "madeeeeeeeiraaaaa!"e você corria pra me apanhar. Porque você me mandou pro Rio, pra ver o Bolshoi no Municipal. Porque você nos contava as historinhas do Bingo. Não, Pingo. Bingo. Pingo. Ai, pai, decide, como é o nome do indiozinho? Porque você passava o tempo todo fazendo média pra arquibancada, e só a gente sacava. E agora, pagamos o preço pelo seu teatro... e isso não é justo. Porque seus carros tinham nomes engraçados como "Roberta Close", "Juvenal Alfafa", "Viatura". Porque a vida sem você é tão ruim, que muitos dias eu não consigo nem sair da cama. Porque você nunca disse que eu era bonita. Porque você dissecava peixes, asas de galinha, galinhas inteiras, até uma cobra que você atropelou, pra explicar como os bichos funcionavam e uma vez na feira, (lembra?), a mamãe comprou um filhote de tubarão e foi a maior aula da minha vida. Porque você dava aulas de astronomia também, com lanternas e laranjas, e depois nos levava ao Planetário. Porque eu nunca fui capaz de ser o que você queria que eu fosse. Porque você amava meus cabelos. Porque você me ensinava o que havia de mais invocado em genética, e eu adorava. Porque você tinha enciclopédias genias, e agora elas estão aqui. Porque eu tenho uma foto sua com uma flor na boca. Porque na primeira vez que eu me vesti de "mulherzinha", você tirou os tamancos plataforma dos meus pés no meio da rua, e jogou num tereno baldio, e eu não me lembro de humilhação maior. Porque 12 horas antes de morrer, você estava preocupado com a minha gripe. Porque eu nunca amei tanto alguém. Porque eu nunca odiei tanto alguém. Porque você fazia "ovos no inferno" e tostex, e nós ríamos na cozinha. Porque você se cercava de gente de décima categoria, pai, sempre. Porque você adorava as cantinas do Bexiga, e comia fussili e perna de cabrito. Porque você tinha a gargalhada mais gostosa e mais rara, e o que eu mais desejava na vida era fazer você rir. Porque hoje é seu aniversário e você não está aqui. Mas eu estou. Então, você está aqui, em mim.
Drops da Fal, no aniversário do pai dela.
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Ticcia
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17.7.03
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Gravação Eletrônica do Instituto de Saúde Mental
"Obrigado por chamar o Instituto de Saúde Mental, a companhia mais saudável em seus momentos de maior loucura.
Se você é obsessivo compulsivo, tecle repetidamente 1.
Se você é co-dependente, peça a alguém que tecle 2 por você.
Se você tem múltiplas personalidades, tecle 3, 4, 5 e 6.
Se você é paranóico, nós sabemos quem é você, sabemos o que faz e sabemos o que quer. Espere na linha enquanto rastreamos a sua chamada.
Se você sofre de alucinações, tecle 7 e sua chamada será transferida para o Departamento de Elefantes Cor-de-rosa.
Se você é esquizofrênico, escute atentamente... uma vozinha lhe dirá que número pressionar.
Se você é depressivo, não importa que número escolha, ninguém irá lhe responder.
Se você sofre de amnésia, tecle 8 e diga em voz alta seu nome, endereço, telefone, número da identidade, data de nascimento, estado civil e o nome de solteira de sua mãe.
Se você sofre de indecisão, deixe sua mensagem logo que escutar o sinal... ou antes do sinal...ou depois do sinal...ou durante o sinal. De qualquer maneira, aguarde o sinal...
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você sofre de perda de memória a curto prazo, tecle 9.
Se você tem baixa auto-estima, por favor aguarde.
Todas as nossas telefonistas estão ocupadas atendendo pessoas mais importantes.
Obrigado.
um espírito de porco (via Isabel)
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Ratapulgo
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17.7.03
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– Oi, Pedrinho!
– Meu nome é Pedro.
– Eu sei, Pedrinho. Então, como você tá?
– Eu tô bem, mas fico melhor se você NÃO me chamar de Pedrinho.
– Tá bom, Pedrinho. Então, tá chegando seu aniversário.
– É PEDRO, caralho! Porra, não tem assunto melhor pra falar, não?
– Melhor do que o seu aniversário, Pedrinho?
– Meu nome é PEDRO, porra! É. Existem zilhares de assuntos melhores que o meu aniversário. Até a descrição fiel de um tratamento de canal sem anestesia é mais divertida que falar dessa porra.
– Ah, Pedrinho, como você é desagradável. Ei, vai ter festinha?
– NÃO! E MEU NOME É PEDRO!
– Poxa, Pedrinho. Festinha, bolinho, parabéns-pra-você. Ia ser tão legal. Vou ligar pra sua mãe pra gente fazer uma em sua homenagem.
– Você não ouve porra nenhuma do que eu falo, né?
– Pssst. O filme tá começando, Pedrinho.
– ...
Cara, conversar com a Marcela é angustiante.
um pedrinho nunes básico
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Ratapulgo
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17.7.03
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Mais danos do que perdas
- Você deveria ter me avisado.
- Como avisar algo que nem eu sei.
- Sabe sim. Como não sabe?
- Eu não planejei nada. Aconteceu.
- Você pensa que eu sou idiota. Isso não é o tipo de coisa que simplesmente acontece. Tinha que ter espaço pra isso.
- Não, eu juro. Foi tudo muito casual.
- Imbecil, idiota, canalha.
- Por favor, não leve as coisas pra esse lado.
- Olhe bem na minha cara. Eu pareço idiota? Tenho jeito de idiota? Não estamos mais numa época em que as coisas simplesmente acontecem. Pelo amor de Deus.
- Tá, tudo bem. Vamos dizer que eu colaborei um pouco pra que isso acontecesse.
- A sua colaboração foi definitiva. Do princípio ao fim, você agiu com a determinação necessária pra que isso tudo fosse exatamente como aconteceu.
- Me perdoe.
- Não. Eu não te perdôo. E quero que você olhe bem pra minha cara.
- Eu te amo.
- Ama porra nenhuma. Ama o caralho. Você não ama ninguém.
- Não, não é verdade. Eu amo você.
- À merda com este amor. Olhe bem pra mim. Vamos, olhe!
- Eu te amo.
- Esta é a última vez que você está me vendo. Sente o meu cheiro?
- Eu te amo.
- Sinta o cheiro dessa pele. Você nunca mais vai me ver. Nunca mais vai me tocar.
- Me perdoe, eu amo você.
- A partir de agora, eu vou ser apenas uma lembrança. Não, melhor. Vou ser uma presença.
- Eu te amo.
- Uma presença equivocada na sua vida, que você nunca mais vai ter notícia. Esqueça que eu existo, esqueça meu nome, esqueça meu telefone. Esqueça também o meu endereço. Nem no seu pensamento eu quero estar presente.
- Eu te amo.
- Ama porra nenhuma. E pare com essa chantagem emocional barata e mesquinha.
- Não me deixe.
- Já deixei. Se você não está entendendo, eu explico. Estou saindo agora por essa porta. E a partir de hoje, eu não conheço mais você. Entendeu? Eu não conheço mais você.
- Não me abandone.
- Verme. Pústula. Canalha. Como pôde fazer isso comigo? Você deveria ter me avisado.
- Eu te amo.
- Você deveria ter me avisado.
o mundo paralelo de João Bernardo, via Dani
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Ratapulgo
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17.7.03
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16.7.03
Eu, um astronauta e um cubo estávamos numa mesa de bar. Como é óbvio, a conversa foi longe, passando por planos de vida, desígnios amorosos, família, política, tudo de que um bêbado é capaz de falar. Mas, por algum motivo, o papo enveredou para Teoria da Comunicação. Foi mais ou menos aí que alguém atrás de mim disse 'oi'.
Silêncio na mesa.
O Cubo - Oi.
Silêncio.
Eu, voltando-me e vendo alguma coisa do sexo feminino num estado pior que o nosso, na outra mesa - Sim?
Silêncio.
A coisa do sexo feminino - Eu sou... socióloga... tô fazendo uma pesquisa de campo.
Longo silêncio.
O Cubo - E?
Silêncio.
Mais silêncio. O Astronauta olhava para o nada com uma cara de 'aimeudeusdocéu'...
A coisa do sexo feminino - Eu me interessei pelo assunto de vocês...
Silêncio. A coisa do sexo feminino sorria um sorriso stephenkingniano.
Eu - Há quanto tempo tu tá aí? Não cheguei a perceber...
Silêncio.
A coisa do sexo feminino - Ah... recém cheguei... o tempo de tomar uma Coca.
Eu - Mas pegou a conversa em que ponto?
Silêncio.
A coisa do sexo feminino - Ah, só o final...
Silêncio. A coisa do sexo feminino continuava com aquele sorriso assustador. Nós ficamos calados. O Astronauta continuava olhando para o nada. Eu e o Cubo meio que nos comunicávamos por olhares, mas não nos entendíamos. Acabamos falando sobre cigarros, ou cerveja, não sei bem. O fato é que ninguém queria mais beber e, realmente, já estava na hora de ir embora. Mas ainda pudemos ouvir.
A coisa do sexo feminino, com desdém - Três gatões desses... Pesquisa de campo. Há!
(Não lembro se as palavras foram essas mesmo, mas se foram, não confiem no julgamento estético da coisa...)
direto das Garras do Ornitorrinco
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Ticcia
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16.7.03
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Cliente é recepcionado por ladrões em posto de combustível
Inovação. O atendimento dos assaltantes agora está personalizado, com muito mais qualidade. Agora, ao abastecer o carro em um posto de combustível, você não corre o risco de ser surpreendido por assaltantes. Por quê? Porque o frentista é o assaltante. Foi o que aconteceu com Rafael Moura de Paula (20).
Rafael, o cliente, parou o carro no Posto Realeza, na avenida Fernando Corrêa, tirou a chave do contato, estendeu o braço para fora da janela e pediu: "Põe 20 reais". O frentista com um sorriso maroto no rosto, pegou a chave e disse "põe 100 reais". Rafael não entendeu e o frentista completou a frase. "Põe 100 reais no meu bolso que é um assalto".
Umbigo no chão
O cliente foi obrigado a descer do carro. Aí ele pôde ver o revólver e a pistola que o falso frentista e o companheiro dele de roubo estavam carregando. Com uma olhadela mais apurada ele pôde ver também a nova decoração do posto: um tapete humano. Funcionários e clientes que haviam sido rendidos foram obrigados a ficar deitados, perfilados, no chão do posto.
Os ladrões roubaram R$ 140, documentos, cartões de banco e 30 vales-transporte de Rafael. Outro cliente não teve a mesma sorte, pois além de dinheiro e objetos pessoais, a vítima teve o automóvel Santana, cor vinho, roubado. Foi no automóvel do cliente que os ladrões fugiram.
Há muito dizem que quando paramos nos postos de combustíveis de Cuiabá, olhamos para a bomba e nos sentimos assaltados. Mas Rafael não poderia imaginar que a situação fosse levada ao pé da letra algum dia.
positivo e operante, copia?
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Ratapulgo
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16.7.03
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Coisas que mudam
Com a gravidez eu larguei tantos maus hábitos :)
Não mudei radicalmente a minha vida, mas agora eu tomo café da manhã, inédito!
E não fumo. Um pouco é pelo desprazer de ter fumaça em volta, e é mais por sentimento de culpa, se algo desse errado eu me sentiria um monstro e não me perdoaria nunca. Parei e não sinto falta.
O vinho, oh my, eu achei que era melhor evitar o primeiro gole, mas quando provei a tomar vinho percebi que depois do segundo gole eu já estou farta, e então não me sinto privada do prazer de beber. Ano que vem eu volto a beber normalmente, depois de amamentar, claro.
Eu tenho espinhas e acho tudo uma coisa boa, não fico me achando um bagulho feio, olho pra mim e vejo um rosto com umas espinhas mas penso que não é um castigo.
Não tenho uma calça que feche o botão... por enquanto ainda subo o ziper, não engordei nos quadris (só faltava) mas estou barrigudinha, nunca tive a barriga enxuta mas agora tá com cara de gravidez, sim. Isso é lindo, quem falou que eu vou esconder? Mas é uma realidade: estou sem roupas pra ir trabalhar. E tudo isso é lindo lindo lindo.
gestado pela chi:ko:rit:a
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Ratapulgo
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16.7.03
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DENUNCIA DE ROUBO
'...no presente dia, por volta das 3:30 hs da manha me encontravo nesta, Praça da Repubblica, e depois de ter acompanhado um meu amigo, ao despedir-me do mesmo deixava minha mochila sobre o meu motorino, e mi distanciei, passados 10 minutos retorno e constatavo que desconhecidos a haviam roubado...
Tal mochila sintética de cor azul claro marca Nike com ziper continha minha carteira com dentro os seguintes documentos todos intestados a mim:
-carteira de identidade emitida da prefeitura de Florença
-codigo fiscal
-permesso di soggiorno emitido a policia federal de Florença com vencimento Dezembro 2003
-passaporte emitido pelo governo brasileiro
-carteira de identidade brasileira
-carta Visa Electron emitida pelo Banco do Brasil
-carteirinha universitaria da faculdade de psicologia
-libretto universitario com relativa foto, lista de exames e documentaçao de identificaçao universitaria
-carteirinha do restaurante universitario
-libretto de poupança emitido pela Cassa di Risparmio di Firenze agencia Via Nazionale
-portadocumentos com dentro seguro do meu motorino de placa 8YL9G, no momento desconheço o n° do chassi, se trata de um scooter Piaggio Free de cor azul
-um celular Ericsson T20 de cor cinza com SIM TIM/WIND
-a quantia de €20
-carta fidelidade azul TAM
-carta fidelidade supermercado Esselunga
-um livro chamado Psicologia e Psicopatologia do Comportamento Sexual
-oculos de grau com lentes formato retangular/oval
-um chaveiro com 4 chaves
-cartoes de menor importancia.'
...quero desaparecer pra nao ter que enfrentar isso...
Denunciado por Mezzo mozzarella, mezzo peperoni
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Criss Ferrari
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16.7.03
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15.7.03
Esse é o lado bom de ter fama de cachaceiro, pensei que não houvesse: quando você fica a noite toda chorando com a cara afogada no travesseiro ao ponto dos seus olhos incharem e ficarem do tamanho de duas sementes de melancia, e seus colegas de trampo começam a te questionar, porque raios teus olhos e tua cara tão desse jeito, você resume tudo com uma simples palavra que dá fim ao possível início de conversa: ressaca!
lacrimejado no cata vento & montanha russa
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Ratapulgo
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15.7.03
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Um convite ao olhar
Ser Olavo de Carvalho &/ou simpatizante no Rio de Janeiro é burrice. E cegueira. No mínimo miopia. Com uma pitada inequívoca de mau-caratismo. Ser Olavo de Carvalho no Rio de Janeiro é mostrar toda a incapacidade diante do generoso ato cotidiano do olhar. Olavo de Carvalho é como aquele adesivo preto que se cola aos vidros dos carros: o insul-film do intelecto. Ser Olavo de Carvalho no Rio de Janeiro é perder toda a chance de redenção, seja ela intelectual ou espiritual, numa cidade que as oferece aos borbotões, todos os dias, em todas as esquinas.
Fui e continuo sendo um crítico da estética da miséria, que tem desdobramentos em outros campos do pensamento brasileiro. Os subúrbios me fascinam, sempre fascinaram, e toda a moral própria que rege estes lugares me fascinaram, ainda que eu insista em vê-los criticamente. Também me fascina a miséria, as possibilidades da miséria, mas insistirei e não fazer da manutenção da miséria a minha bandeira. Não vejo com bons olhos grupos de que espécie forem, religiosos, sexuais, raciais e políticos. Enfim, quando olho para mim, dentro do ônibus, percebo que sou eu ainda sacolejando ao lado de um mulato de olhos vermelhos demais para o meu gosto.
Alguma coisa, porém, acontece quando, na Praia de Botafogo, em frente ao tráfego intenso das seis da tarde, sob um pôr-do-sol que já vai longe, vermelho como só o inverno pode proporcionar,um mendigo defeca. O gesto extremado de dignidade negativa talvez faça com que o gentleman, educado nos melhores colégios ingleses, vire o rosto e pense numa frase espirituosa. Ao redor deles, há meia-dúzia que aplaudirá. No banco da frente do mesmo ônibus, um estudante de filosofia provavelmente cite Kant para explicar a cor barrenta da dignidade esvaindo-se do homem. Lá atrás, tão deplorável quanto, um homem vestido de vermelho vivo, trajando boné, foice e martelo, rasga com os dentes travados uma nota de um real, maldizendo de si para si o capitalismo.
Pode parecer escatológica e de fato é a imagem de um mendigo defecando no meio de uma cidade de sete milhões de habitantes. Seria realmente um recurso retórico baixo, não fosse por um detalhe: é real. Não é matéria de ficção de subliterato comunista tardio, nem gracejo político de presidente sem dedo, muito menos fruto de uma mente exageradamente engajada de cineasta uspiano. Você escolhe: pode fechar os olhos, virar para o lado, concentrar-se num verso de Bruno Tolentino, rezar o terço, rir, chorar, tirar uma foto e mandar para o Ministro da Fazenda, sonhar com um mundo sem classes, tocar no bolso para se certificar que tem dinheiro para chegar em casa ou ainda ser indiferente. Meu convite é para que apenas olhe. Não use insul-film na alma.
(...)
Os vidros do carro estão fechados e o ar-condicionado no máximo. Conversa-se amenidade. A validade da crítica ao socialismo de George Orwell, em A Revolução dos Bichos. Talvez. O sinal fecha. O menino repete o gesto há algumas horas já: puxa o carrinho de lixeiro para o meio da faixa de pedestres, nele sobe, faz o sinal da cruz e joga três bolinhas de tênis usadas para cima. Por que faz o sinal da cruz, não sei. Parece cronometrado: poucos segundos antes de o sinal abrir, ele desce do carrinho de lixeiro que afasta rapidamente para o meio-fio e desfila entre os carros, pedindo moedas. Faz isso diariamente. E quase sempre dá de cara nos insul-films.
É uma situação absolutamente insolúvel. Não será, não!, a revolução comunista a salvação para o menino malabarista. Nem tampouco o liberalismo ortodoxo, muito menos lições de Charles Murray para índio ler. Tudo isso é bonito de se mostrar numa festa, bebendo-se espumante ou Chivas, comendo queijo suíço ou gorgonzola, entre muitos homens que têm o mesmo tique nervoso: limpam os óculos de tempos em tempos na manga da camisa. O que embaça a vista dos homens, contudo, não é o hálito das marés.
A mim me assusta constatar que Olavo de Carvalho e seu séquito de míopes, cegos e de caráteres duvidosos evoquem, em nome de sua causa, a voz de Cristo. Não entendem, eles, o significado da palavra piedade, que acompanha o discurso cristão pelos últimos séculos. O único sentido para a existência de um discurso asqueirosamente limitado como o de Olavo de Carvalho na imprensa brasileira e no meio de círculos intelectuais influentes é o da lição do engano. Por este sentido, Olavo de Carvalho funcionaria como uma espécie de catalisador de nossas maldades e mesquinharias diárias, justamente estas que nos impede de olhar. Simplesmente olhar.
com os óculos do Polzonoff
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Ratapulgo
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15.7.03
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Inferno. Inferno, repito toda vez que não te vejo e toda vez que tento me livrar de ti. Inferno. Por que não morres, não desapareces, não te ausentas, não te afastas? Porque não se abre uma garganta no chão e te engole, terra adentro e te leva pro intestino do mundo? Como assim não fazes nada? Fazes. Existes aí em algum lugar desta cidade, deste país, deste mundo e isso basta para que eu me estenda correntes, algemas, para que a minha volta cresçam grades e cercas mortas e eu paralise deitada sobre tua latência. Inferno, repito. Não te desencrustro da pele, não te desencravo dos olhos porque amanhã lembrarás meu nome e teus passos te trarão até a minha esquina e quando teus olhos me despirem de chegada, da tua boca voarão rosas. Amanhã perceberás teus pés nos sapatos errados, notarás teu casaco verde do avesso, sentirás falta das luvas das minhas mãos. Amanhã estranharás o frio da vida que não é tua, a casa em ruínas, o pão mofado sobre a mesa indisposta. Amanhã conseguirás ler outro nome gravado na coleira de culpa ao redor do teu pescoço e finalmente entenderás porque te apertava tanto. Amanhã verás um outro rosto no espelho e ele terá os olhos do menino que ouvia minhas histórias e um sorriso amplo esperará em teus lábios como antes esperava ao me ver passar vestida de azul. Amanhã a campainha soará quarteto de cordas e tu entrarás na sala só com certezas nos braços. Inferno. O inferno é o amanhã.
eu não discuto
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Ratapulgo
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15.7.03
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14.7.03
Eu só queria uma coisa aos 16 anos: uma garota que gostasse de Doors. Os Doors, no colégio de classe média pagodeira onde eu estudava, eram a coisa mais obscura do mundo e, claro, nenhuma garota por lá fazia idéia da existência de 'Light My Fire'. O tempo foi passando, as pessoas ao meu redor foram mudando e eu continuei sem encontrar alguma garota que gostasse de Doors. Bem, na verdade eu não encontrei garota nenhuma.
Mas o tempo passou mais. E mais... Então, num belo dia de verão, vi aquela menina apontando para mim e rindo da minha cara. Ela tinha uma bandeira do Jim Morrison no quarto e cantava 'Wild Child'. Acabamos indo juntos a um festival de rock, ela salvou a minha vida durante um show de heavy metal e eu mal consegui um beijo no rosto.
Mas o tempo passou muito mais. Sem nenhum beijo, ela brigava comigo. Ela me mandava para fora e depois me puxava de volta. Ela inventava desculpas para não me ver e depois implorava pela minha presença. Eu ia e voltava, eu ia e voltava, eu gostava e odiava, eu gostava e odiava, eu gostava, eu gostava, eu gostava... Aquele já era o terceiro verão das idas e vindas, dos dias em que se alternavam o IN e o OUT. Numa certa madrugada IN, não tínhamos moedinhas para a passagem e tivemos que voltar para casa andando. Andando muito. Andamos tanto que, durante a caminhada, deu até tempo para que cantássemos juntos todas as músicas dos Doors. Doors, Doors. A garota que gostava de Doors estava do meu lado. Love me two times, I'm going away? Não, babe, não... I love you, the best, better than all the rest that I meet in the summer.
Logo veio o beijo. Não sei como e não interessa quando. Porque, hoje, Valerie me ama. Logo outro verão chega, com vindas e vindas. Só vindas.
escurecido por blog preto
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Criss Ferrari
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14.7.03
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Eu te amei sem pontos nem vírgulas, sem corrigir ortografia, sem olhar tuas construções sobre estacas não confiáveis. Eu te amei porque escolhi o amor naqueles dias difíceis em que teus olhos se estendiam sobre minhas linhas como gatos sobre os telhados em noites de lua. Eu te amei com meu coração inteiro. Com minha pele em risco. E fiz. E feito está. E faria de novo se os tempos não fossem outros nos outonos que se acabam e deixam nus os caules pálidos dos plátanos que agora sorriem amareladamente com piedade da esperança que tivemos.
walkwoman
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Ratapulgo
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14.7.03
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Ando meio triste com o que me aconteceu sabado passado. Fui fazer o club em Watford; nem era para eu ter ido, aceitei fazer a cancelacao porque a agencia insistiu muito. Era a terceira vez que la ia, tinha feito bem nas vezes anteriores e me parecia um lugar legal. Nesse dia, ja no final da noite, a gerente me chama e diz que umas das meninas contara que minha danca estava "inspirada" demais. Nao deveria ser assim mas me ofendo muito facilmente e nao gosto de ser acusada injustamente. Simplesmente pedi para ir embora naquele mesmo instante. Queria sair dali.
E la fui eu correndo para estacao para pegar o ultimo trem, que alias, perdi. Tive de esperar ate o dia seguinte para pegar um onibus de volta para Londres, ja que eh arriscado pegar um taxi na rua sozinha de madrugada. E como desgraca pouca eh bobagem, ainda me dou conta que esqueci meus cds no club: simplesmente dois porta-cds repletos!
E aconteceu o que eu estava esperando. A agencia me liga ontem dizendo que nao posso voltar mais no lugar.
Quando rola esse tipo de coisa sempre me bate a vontade de deixar de mao os lugares onde se tem de fazer essas malditas private dances. Queria eu poder ganhar meu pao so fazendo striptease no palco.
vida londrina de naked emotions
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Ratapulgo
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14.7.03
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Ontem eu tomei um Ginseng do meu pai e inacreditavelmente eu arrumei TODAS as gavetas do meu quarto.
Eu agora fico abrindo e fechando as gavetas, to orgulhosa.Tenho gaveta de lenço, lingerie,camisetas,calça,saia e blusas de frio, uma pra cada coisa.Acabei de tirar fotos do meu guarda roupa, momento histórico e heróico.Bolsa com bolsa, sapato com sapato.
Segundo minha avó isso significa que eu to querendo trazer homem pro meu quarto, só não sei se é por causa da arrumação ou se é por causa do Ginseng.
Passei o dia todo arrumando, tirei 2 sacos de 100 litros de lixo daqui, fiquei na internet até as 5 da manhã, deitei na cama, custei pra dormir e ainda acordei dançando rumba.
Hoje eu já tomei de novo, vai que a boca da minha avó esteja abençoada.
(...)
Eu acho que esse Ginseng foi feito pra doméstica.
To aqui 3 da manhã, puta frio ,olhando pra parede e me segurando na cadeira pra não levantar e lavar as 4 paredes
Se eu fizer isso, juro que amanhã eu me benzo.
(...)
Eu tô quebrada.
Lavei as benditas paredes as 3 da manhã.
Fui juntar os Cds e percebi que tinham 20 promocionais, daqueles que não servem pra nada ou quase nada.
Coloquei 5 lado a lado em 4 carreiras e ví que formava um quadro engraçadinho.
Passei cola nos 20 e dessa forma colei na parede.Ao lado tinha um maldito prego que fez com que minha obra ficasse descentralizada.Achei uma pintura de Botticeli , daquelas da pinacoteca Caras " O Jovem e a medalha" e pus ao lado,tamanho perfeito e sincronizado com o quadroCD.Mas o prego continuava.
Resolvi fazer uma moldura com giz de Cera, isso já eram aproximadamente umas 5 da manhã, comecei pintar a parede com giz bege,ao redor da arte,aí mesclei com giz azul e laranja, fiz como uma moldura, mas me empolguei e acabei pintando a parede toda nessa mesclagem doida.Olhei de longe e tinha alguma coisa errada,aquela figura do Botticeli tava me irritando ao lado dos Cds, virei a figura , atrás tinha a explicação dela,ficou muito mais bonito.Assim ficou.
Ainda tinha o maldito prego, sem cabeça, muito bem pregado pro meu pobre martelo de carne arrancar.Eis que olho pro lado e lá estava a minha salvação, um LP de 78 rotações,daqueles grandes mas que cabia só uma música de cada lado,do meu bisavô,Gravadora "Copacabana" , Música: Cosme e Damião por Jorge Veiga, mais ou menos de 1950.Aquele prego foi feito pra ele.
Sobrepôs a parte de cima do avesso do "Jovem e a medalha", ao lado dos Cds do UOL, Terra , AOL, Linux(é eu preguei um CD do linux na parede sim) entre outros.
A composição ficou perfeita.Obra de arte.
Arte mesmo, intitulada como "A falta" (do que fazer).
bolinhas do casos e acasos virtuais
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Ratapulgo
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14.7.03
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e toooooooooodo mundo me escreve perguntado como eu fiquei tao rica e fina.
Cah entre nos, uma coisa gabriela: eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim... sempre barbie baiana.
na real: eu vivo e renda, e tenho um escritorio pra administrar os bens da familia e os investimentos que temos.
tem bicha que nem tem sobrenome, as mais finas tem nome e sobrenome e eu tenho vaaaaaarios sobrenomes quatrocentoes. uma coisa: Barbie Setubal Ferraz de Vasconcelos Lafer Piva Baumgarten de Sabrit Fasano Jafet Maluf Matarazzo Vilela Brandao Vidigal Monteiro Marinho de Figueiroa Baiana. Barbie Baiana pras bunitas.
e é isso.
Por Barbie Baiana*
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Criss Ferrari
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13.7.03
A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será próximo a contar. Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
- 1,2,3,... - a Loucura começou a contar. A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.
- CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar... A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza , a Timidez... Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:
- Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas. Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.
rapto do bangulhus
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Ratapulgo
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12.7.03
É real
Meu útero latejava enquanto a música alta da festa fazia com que as pessoas criassem um ambiente propício para a diversão. Risadas altas, olhos quase fechados, suor, álcool e minha dor.
Não tinha sido avisada que uma dor pulsante ao ritmo da música pudesse me dominar. Me agarrava nos braços dele, até não conseguir mais me conter e chorei de dor. Como uma peça frágil fui carregada em seus braços até um lugar em que pudesse ficar em seu colo, parada, em silêncio ouvindo apenas nossa respiração e sentindo sua mão deslizando nos meus cabelos tentando aliviar meu sofrimento.
Depois de esquecer um pouco da dor conseguimos ir para casa, onde fui colocada na cama como uma criança que finge q está dormindo no sofá, e como criança pedi para que ficasse ali comigo por que tinha medo de ficar sozinha com meu útero.
Deitei em seu peito pra ser ninada ao ritmo das batidas de seu coração que estava descompassado como depois de uma longa caminhada. Suas mãos tentavam me proteger ao máximo sem serem rudes. Passei a mão em seu rosto e percebi q estava molhado de lágrimas. Me assustei, levantei a cabeça rapidamente, e procurava seus olhos no meio daquela escuridão.
-Que aconteceu? Pq vc tá chorando?
Ele continuava em silêncio, e era aterrorizante. Meu coração também disparou na mesma caminhada que o dele.
-Me diz menino... Fala por favor! O q vc tá sentindo?
Meus cabelos começavam a ficar úmidos, pois as pontas tocavam suavemente seu rosto.
-Descansa! Fica quietinha! Eu tô chorando pq minha alegria transbordou meu peito, não coube no meu sorriso e acabou explodindo nas minhas lágrimas.
Fiquei confusa, ele estava feliz? Ele não conseguiu aproveitar a festa, agüentou meus choramingos e estava feliz?
-Como assim?
-Agora, com vc aki deitada no meu peito, descobri q encontrei o que eu sempre procurei na minha vida.
Tremi, estava quase sufocando, não consegui dizer uma só palavra, e ele completou.
-Traks, minha menina, EU TE AMO! Não sei como aconteceu, foi tudo numa velocidade incontrolável mas esse é o sentimento mais forte de todos que eu já senti, se não for amor juro que não quero amar, por que meu coração teria de ser um milhão de vezes melhor pra aguentar algo mais forte que isso.
Não consegui dizer uma só palavra, apenas chorei muito deitada em seu peito, chorei até adormecer, e acordei com seus olhos brilhantes a me velar.
solução: em caso de coma, me coma
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Ratapulgo
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Como ser feliz em dois parágrafos
Conheço uma pessoa feliz. É uma pessoa cheia de não. Ela não tem história, tão quietinha, não tem história. De tudo que viveu, diz apenas que passou. As escolhas que fez modificaram a sua vida mas não imagina nem por um segundo o que poderia ter sido se. E se tivesse tomado outro caminho? Não tomou, e esse pensamento basta. “Tenho gavetinhas na cabeça, esvazio quando não quero mais”.
A pessoa feliz não carrega o passado ladeira acima; prefere assisti-lo rolar até lá embaixo. Age no presente instintivamente, como um cachorro abanando o rabo. Não tem respeito por nada que não seja este instante - o resto simplesmente já foi. Seu papel na história é seguir adiante. A felicidade é assim: aconteceu.
(receita) (entre parênteses)
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Ratapulgo
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Coisas que não se deve fazer quando se está com raiva:
Enviar e-mails.
Telefonar para a pessoa que provocou a nossa raiva.
Ficar paralisado.
Sofrer demais.
Alimentar a raiva com pensamentos recorrentes.
Coisas que não se deve fazer quando se está apaixonado:
Casar.
Gastar mais do que se pode bancar.
Mudar de emprego.
Mudar de cidade.
Engravidar.
Comprar um cachorrinho.
receita de angel 7000
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Ratapulgo
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ADEPLHIA PARTE 1
Aquele orgasmo ficou no passado, mas gostaria que continuasse presente. Perpétuo. Infinito. Mas, foi. Desde então sinto uma dor lancinante. Infeliz. Minha história é triste demais. Mais que isso. É repugnante, humilhante, deprimente. Fui roubado. Não é o que vocês estão pensando. É pior. Foi a maior decepção que já tive. Eu a amava. Minha preciosidade. Talhada, esculpida e torneada pelo maior dos experts. Um artesão de renome universal. O cara era o fodão. A operação custou uma fortuna, mas valeu a pena. Ficou perfeito. Como ela me trouxe alegria. Foi o melhor ano de minha vida. Confesso: ela foi minha grande e única paixão. Amor verdadeiro. De pica.
Da primeira vez que a vi, julguei-a insuportável. Em minha sentença seus cabelos ruivos eram um anúncio da personalidade forte que, de encontro com a minha, provocara-me uma certa repulsa, instantânea e gratuita. Sempre fui assim: primeiro desconfio, depois analiso friamente e por fim acabo cedendo. Coisa de mineiro. Acontece que passado o temporal da primeira impressão, veio a tempestade da segunda; e a tormenta da terceira. Foi quando percebi que a cada encontro o incômodo que sua presença me causava crescia alucinadamente. Porém, o mal-estar logo começou a diluir-se em minha mente e passou a esquentar minha pelvis, depois arder, queimar e assim progressivamente, até o momento em que me surpreendi plenamente apaixonado. Comecei então a dormir Amanda, acordar Amanda, almoçar Amanda, lanchar Amanda, jantar Amanda, até que resolvi pedi-la pelo delivery. Não foi barato não. A taxa de entrega era de 70% + impostos. E eu banquei o frete. Cacifei a ingrata. E ela veio.
Depois vieram os olhos brilhando, o sorriso constante, os jantares românticos e, certamente, as noites de sexo. Só que aí começaram os problemas. Nada aconteceu. Amanda tinha a Síndrome de Rokitansky – esse tema está registrado nos compêndios de medicina, juro. Era Adelphia. Não possuía vagina. A incidência da síndrome é rara. Estimasse 1 caso para cada 4 mil mulheres. Mesmo assim, ela é a mais freqüente das anomalias congênitas do trato genital feminino e sabe-se que é decorrente do desenvolvimento inadequado dos ductos de Müller. A sua causa é desconhecida e ela não apresentava alterações nos cromossomos.
Foi esquisito. Ela sempre tinha uma desculpa para não transarmos. Já a tinha visto pelada e, num dos amassos, passado a mão de leve em sua buceta. Pensei que fosse virgem, o que Amanda confirmou ¿ e nem podia ser diferente. Ela era a própria virgem. A vagina dela era uma cavidade virtual. Aquilo, a princípio, me deixou intrigado, mas não assustado. Amanda era maravilhosa. Gata 9 graus na escala Richter. Nunca tive dúvidas que a satisfaria completamente. O que faltava era a vagina, o resto estava todo lá. Com minha língua trissulca, a fiz gozar várias vezes, lambendo seu clitóris de uma forma alucinada, mas suave. Sexo anal não era tabu para ela. Percorri também todos os acidentes anatômicos de seu reto, atravessei o diafragma da pelve e o do períneo, e até notei, por exemplo, as pregas transversas do canal anal. Mas, literalmente, faltava alguma coisa. Além da ausência da menstruação, a incapacidade de procriar e a tentativa frustrada de relação sexual vaginal eram um incômodo imenso para ela. Amanda chorava muito por causa de seu defeito anatômico e freqüentava o analista três vezes por semana por causa disso. Me declarei a ela, disse estar completamente apaixonado e até amando ¿ na época não tinha certeza disso ¿, mas nada conseguia fazê-la esquecer do problema. Chocado com a minha incapacidade em deixá-la completamente satisfeita, ofereci a ela a felicidade: uma intervenção cirúrgica para a reconstrução vaginal. Amanda sorriu e finalmente disse que me amava. Gozei de satisfação.
CONTINUA em faker fakir
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Ratapulgo
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11.7.03
De acordo com a "Ciência dos Sentidos", há sempre um que prevalece. Algumas pessoas aguçam a visão, outras o olfato. No meu caso, a audição é essencial. Se assisto a pênaltis, faço questão de não escutá-los. Quando algo se quebra, meu primeiro reflexo é tampar os ouvidos. Posso ver, mas não posso ouvir. O que dizem é sempre mais importante do que o que fazem sob meus olhos. Consigo guardar frases exatas, datas e situações contanto que digam. Minha memória fotográfica é tão poderosa quanto a de uma lontra, mas a auditiva nunca erra. Discutir comigo chega a ser algo constrangedor, visto que disseco o discurso alheio e meço todas as palavras. Não há letra que passe despercebida por meus ouvidos. Sou incapaz de realizar um olho-no-olho por mais de 3 segundos, mas consigo discutir durante horas a fio. Ouço, ouço, ouço. Não há como nivelar, no meu caso, a audição aos outros sentidos. Talvez o Sexto exerça lá sua função, porém sou incapaz de vislumbrar acontecimentos felizes. Parece absurdo, mas meu Sexto Sentido surge somente quando o futuro apresenta alguma forma de dor. Dessa forma, vale frisar que odeio pressentir. Sou mais ouvir, mesmo que a música ou as palavras não sejam aquilo que espero.
como um orgasmo tântrico: demora mas é melhor
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Ratapulgo
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11.7.03
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10.7.03
Uma profusão de palavras atropelando-se nas entranhas precipitam-me para a vertigem de lençar-me aqui. Sem medir as alturas devoradas pelo corpo convulso, oscilo entre entregar-me ao canion e arranhar as escarpas à busca inglória de um alívio que inexiste. Convulsão.
Cio. Pavor. Fome. Tremores. Passos errantes e o frio lá fora. O trabalho nas demais janelas, prosseguindo quase no prazo.
Compilaria um romance épico hoje com osvocábulos todos que se entrechocam na taquicardia oriunda do desassossego trivial. Não seria por certo nada palatável, por certo não seria notável, seria mero extravasamento. Talvez contivesse o fel que perpassa DH Lawrence - com quem ainda divido fragmentos das noites frias; poderia ter lacunas como a dor de Miss Woolf apenas pode imprimir nas leituras dos meus 18 anos; poderia ter lapsos de brilhantismo que apenas eu mesma vislumbrasse; poderia conter páginas e mais páginas em branco. Poderia... e suposições são como lepra, como diria meu pouco estimado avô materno.
vá você também Contra o Tempo
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Ticcia
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10.7.03
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Estava pensando aqui que não devo assistir televisão.
Nunca tenho esse hábito e quando resolvo alimentá-lo, veja você o que acontece.
Das últimas vezes em que assisti TV nos últimos meses, o Barry White morreu, pitboys de Barra Mansa jogaram pessoas de viadutos, irmãs iranianas siamesas foram operadas e morreram e ainda tive que assistir um pedaço de Kubanakan.
Só desgraça.
Quer mais um Biscoito Doce?
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Ticcia
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10.7.03
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Aconteceu com dois ilustres: Tom Jobim e Brigitte Bardot. Anos 70, numa as vindas dela ao Brasil, numa noite no Copacabana Palace. Ela jogava todo o seu charme, ele se derretia ao piano, e o clima entre os dois foi esquentando.
Lá pelas tantas, o Tom foi levá-la ao hotel. E avisou:
- Daqui a pouco estou aí.
Todo mundo achou que ele não voltaria, mas 10 minutos depois, estava Tom ao piano novamente. E explicou:
- Tirar a roupa, ficar de pau duro, fazer a mulher gozar, tomar banho e ainda contar uma mentira em casa. Isso tudo dá muito trabalho. Melhor assim.
Quem me contou a história foi um amigo, que passou por uma situação parecida há pouco tempo. Madrugada, ele totalmente assediado por uma moça, ela dando todo o mole possível, mas ele resolveu pegar um táxi e deixá-la em casa, apesar de toda a insistência dela. Só não citou Tom Jobim porque acho que a mocinha não entenderia. Mas jura que o taxista que fez a corrida o deixou em casa convencido de que ele era gay.
cuzada federal em elas por elas
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Ratapulgo
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9.7.03
A teoria é boa. Desarmar o cidadão. Mas seria melhor desarmar o assaltante. O cidadão que tem arma, não comete crime com ela. Muito pelo contrário, só se defende deles. Proibir as armas não é impedí-las de chegarem as mãos dos bandidos. Droga é proibida, e tem aos montes por aí. É mais fácil de comprar do que pão. Tem traficante que até fiado faz. Coisa que a padaria lá perto de casa nem cogita. Pelo menos pra mim.
Proibir as armas é apenas um meio de deixar o cidadão mais indefeso. E apenas um tipo de tráfico que irá crescer. O de armas. Talvez mais violento e perigoso que o de drogas. Mas tudo bem. A essa altura, foda-se tudo. Não elegeram o Lula como presidente? Então. Teorias esquerdistas absurdas não serão mais motivo de surpresa até o fim do mandato de nosso (hic) presidêntie. Mas o foda é que o que me assusta não são as teorias... Mas sim as práticas...
Fermentado por Fenris, Cerveja Blog
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Criss Ferrari
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9.7.03
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Einstein
Relatividade é tudo, bi. Estou cheia das dúvidas existenciais, então, analisemos as situações e respondamos às seguintes perguntas:
- Famosa jornalista de moda lança livro sobre a cena paulista no começo dos anos 90. Publicação é festejada. Famosa jornalista de moda digivolve de caipira deslumbrada fashion para um ser-que-usa-peças-básicas-na-fashion-week. Antes de perguntar o que aconteceu com a rebeldia de uma década atrás e de onde veio o dinheiro para o vestuário de grife, a dúvida: livro à venda no centro de SP por R$4 é sinal do quê?
- Socialite polêmica mantém uma carreira bem sucedida como marida de industrial e lutadora de boxe tailandês em jantares. Concede entrevista para a imparcial, séria e conceituada publicação científica das massas, a Veja. "Cocô Chanel dizia", cita a pensadora, com um acento gráfico no lugar certo, "luxo não é oposto de pobreza, é antônimo de vulgaridade". Sendo luxo = ela, vulgaridade diferente de pobreza, o que seria igual a riqueza?
- Funcionário de grande e transparente grupo de comunicação divulga a venda de sua caranga "passadinha", um super-carro ano 2001, completinho, por apenas dez vezes o salário bruto desta redatora (notem o detalhe: salário bruto, não bruuuuto salário). O valor deve ser pago à vista, já que comporá a última prestação de um apartamento de 22 quartos, 27 suítes e 14 vagas na garagem. a) Posso pagar com ticket? b) Aceita vale-transporte? c) Tá precisando de diarista, dotô?
dúvidas na Vida de Redatora
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Ticcia
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9.7.03
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- Eu te amo.
- Eu também.
- Eu que amo.
- Nada disso, quem ama sou eu.
Tinha múltipla personalidade, todas bem diferentes entre si. A não ser pelo amor que tinham por ela. Ela achava meio estranho, mas pensava que esse negócio de múltipla personalidade era só piada – afinal, uma dessas facetas era bastante brincalhona. Até que a piada perdeu a graça: “Chega! Acabou! Vai procurar a mulher barbada, freak duma figa!!”
- Ei, ela falou com você.
- Comigo não, foi com você.
- Não, deve ter sido com ele.
- Que nada, foi com um de vocês.
Aquela discussão foi demais para a pobrezinha. Num átimo, ela pegou uma machadinha (é sempre bom ter uma à mão) e cravou nas costas dele(s). Quando voltou a si, deparou-se horrorizada com o corpo morto do namorado. Não sabia o que fazer. Até ter a idéia de vender seu cérebro para a pesquisa científica.
esquizofrenia by Veríssimos
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Ticcia
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9.7.03
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Muletas para uma vida menos insuportável
Disponíveis em três formatos, adquira já a sua:
Muleta 'Acredito em Deus ou numa força superior'
Bem cômoda e fácil de usar. Basta regrar sua vida de acordo com algo que nunca viu, mas todo mundo fala bem. A primeira versão ('acredito em Deus'), mais aprimorada, pode exigir um esforço mínimo: a definição de uma religião. Recomendável também ser hipocritamente iluminado, bastando para isso juntar as mãos e falar algumas frases pré-definidas. Freqüentar templos e igrejas dará um upgrade em sua muleta. Mas se você está procurando algo simples, recomenda-se a segunda versão ('acredito numa força superior'): basta um semblante esteticamente respeitoso quando soltar esse frase ('acredito numa força superior') e pronto, já que nem mesmo você sabe no que acredita (mas é sempre bom escorar parte de sua vida em qualquer coisa, desde que não você mesmo).
Muleta 'Me drogo e bebo até esquecer'
Também demasiadamente fácil de usar. Nada mais simples do que colocar algumas substâncias em contato com seu organismo, esperar alguns minutos e sair da sua realidade para entrar num mundo onde as cores mudam de tom, tudo parece fazer sentido e todos são tão bonitos. Mais fácil, impossível. Quanto maior o investimento financeiro, melhor será o seu funcionamento. Geralmente usada por pessoas que se acham extremamente interessantes, acreditam estar sempre bem vestidas e aparecem constantemente como personagens de novela das 8.
Muleta 'Tenho alguém pra falar e ouvir Eu te amo'
Bem difundida, essa muleta requer um pequeno esforço mas que pode ser feito por qualquer um: depilação de 10 em 10 dias para as mulheres e desodorante diariamente para os homens. Confundir carência temporária com o chamado 'mais nobre dos sentimentos' tem grande aceitação no mercado. Aproveite, faça disso um showroom de sua aparente felicidade: ande de mãos dadas em shoppings, dê beijos calorosos nas ruas e chame por apelidinhos carinhosos em público. Não perca nenhuma oportunidade de demonstrar que essa é a sua opção de muleta: inclua as palavras 'namorado (a)', 'noivo (a)', 'companheiro (a)' ou 'marido (esposa)' sempre precedidas pelo pronome possessivo da primeira pessoa do singular em quase todas as frases que falar e pronto: os outros te olharão num misto de admiração e inveja.
Todas as muletas podem ser usadas ao mesmo tempo, havendo apenas uma pequena incompatibilidade entre a primeira e a segunda delas, mas que pode ser resolvida com um mínimo de hipocrisia. A segunda muleta é altamente compatível com a terceira: lembre-se que todos ficam bem mais bonitos e interessantes com ela.
muletas assanhadas de sexo, doce e techno
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Ratapulgo
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– Pra onde você tá indo?
– Tô saindo.
– Pra onde?
– Vá se foder.
– Pra onde, porra?
– Adeus.
– Volta aq...
A porta batendo calou a voz dela. Segui rápido pelo hall e desci correndo os degraus que me separavam da portaria, e da rua, por conseqüência. Ainda consegui ouvir aquela megera abrindo a porta para me procurar, mas eu já havia sumido escada abaixo.
Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei viver com aquela mulher. A gente comete uns erros na vida, sabe? Decisões que não deveríamos tomar, mas o calor do momento toma por nós. Somos substituídos - nossas mentes, consciências, raciocínios e princípios - por nossos hormônios, nosso tesão e nossos arroubos juvenis de contradizer tudo o que nossos pais nos ensinaram só pelo prazer da rebeldia e pelo gosto do contestável. A vida sem emoção não tem graça. Pois no cu a emoção. No cu de quem disse isso. No cu. A vida com emoção realmente é muito engraçada: te transforma num palhaço, e todo mundo pode rir de você depois.
Saí e resolvi andar pela cidade. Acendi um cigarro e fui caminhando. Crepúsculo. Qualquer um diria que eram 17:30, mas os relógios marcavam quase 19:00. Odeio horário de verão. Odeio.
A cidade fedia. Fedia e fede. A óleo diesel queimado e concreto quente. Porque concreto quente fede pra caralho. Os outros não acreditam quando eu digo, falam que é maluquice minha, que é impressão, eu falo Vai tomar no cu, porra. Fede e fede muito!. Pois fede e fede muito. Não dá pra sentir, a maioria não sente, porque vive aqui, enfurnada nessa porra urbana e totalmente cimentada. Pra esse povo a grama é a exceção, a grama é o espaço raro. O que impera mesmo é o asfalto e o concreto, os dois fedorentos. Eu também vivi aqui, na cidade, a vida inteira, no meio do asfalto e do cimento. Não devia saber que concreto fede, mas eu sei. Acordei um dia sentindo um cheiro estranho. Mãe, que cheiro é esse?, Que cheiro, menino? Não tem cheiro nenhum, Tem, sim, eu tô sentindo, Cê tá louco! Senta e toma seu café. Tomei o café todo, e o cheiro me dando náuseas. Fui pro colégio, com o cheiro me dando náuseas. Meu colégio, eu ainda lembro perfeitamente, tinha um enorme pátio cimentado, onde os moleques sempre destruiam seus joelhos em acidentes sem nenhuma importância. O cheiro que vinha do pátio era insuportável. E ninguém sentia.
Vomitei várias vezes esse dia. Vomitei muito por muito tempo, até me acostumar com o cheiro. E vomito até hoje, de vez em quando. Acho que vou vomitar hoje. O cheiro está muito forte mesmo. E os carros passando no asfalto e levantando mais fedor... odeio carros. Odeio essa cidade. Vou pra algum lugar sem isso tudo, algum dia.
Calçada. As pessoas na calçada parecem não ver os outros, passam esbarrando, empurrando. Eu empurro e esbarro também. Quase derrubo um guri, ele pede desculpas e continua seu caminho. Desculpas. Desculpa é o caralho, moleque, pensei em dizer, mas não disse. Quando eu era moleque pedia desculpas também.Desculpa é o caralho. Passa uma loira por mim, com grandes peitos e um belo decote. Não dá pra não dizer nada. Gostosa, e dou um sorriso safado. Vai te foder!, Já fodi com tua mãe, vagabunda!. Puta metida a difícil. Pior raça que tem. Se não quisesse levar pica não vestiria uma roupa daquelas, um cara comenta do meu lado, na faixa de pedestres. Um crioulo. É!, falo, seco, querendo matar a conversa. Não quero saber de papo com crioulo.
Passo por mais dois quarteirões e chego a uma pracinha. Os cachorros e as crianças se multiplicam pelo local, eu me sento num banco e começo a olhar em volta. Só tem velha nessa porra, não dá pra puxar conversa com ninguém. Nem quero conversar também. Apago o cigarro mas fico com ele na boca, tragando o filtro, pensando em nada. Até que sinto um calor na batata da perna. Uma porra de um desses cachorros de madame mijou em mim! Mijou em mim! A mulher vem chegando, gritando o nome do animal dela. Duque, ou alguma coisa assim, Não faz xixi no moço, Duque!. O cachorro fica me cheirando e eu ali, de pé, levantei e nem vi que tinha feito isso. Olho pra mulher, pro cachorro dela, pra ela de novo. Ela falando com o cachorro, brigando com ele, como se fosse uma criança, diz pra mim que ele é muito levado, assim mesmo, Ele é muito levado, moço!. A mulher deve ter uns sessenta anos. Velha escrota, deve morar sozinha com esse cachorro, colocá-lo pra fazer sexo oral nela. Escrota desgraçada. Mas a situação é ridícula. A mulher fala comigo, e fala com o cachorro. Não dá pra não rir, e eu começo a gargalhar. Uma gargalhada incontrolável, nervosa. Ela também ri, deve pensar que eu estou achando graça. Estou com ódio. Tanto ódio que não dá pra pensar em mais nada além do quanto somos patéticos. Quando o cachorro dela se aproxima eu aplico um chute certeiro, na cara do animal. Ele gira no ar e cai alguns metros adiante, imóvel, e eu espero que esteja morto, enquanto a velha grita o nome dele, histérica, e me olha, estupefacta. Páro de rir, acendo um cigarro e vou caminhando.
– Duque! Duque! Ei, você, seu filho da puta! Onde você vai?
– Vou embora.
– Onde você vai?
– Vá se foder!
– Volta aqui!
– Adeus.
Déja vu.
despedida no Utopia Dilucular
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Ratapulgo
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9.7.03
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8.7.03
Surtei. Surtei MESMO. Desci de manhã e fui à vendinha daqui do prédio para dar continuidade ao meu ritual de auto-destruição, comendo tudo quanto é tranqueira que eu sei que eu não deveria comer por que com o tempo só irá me fazer aumentar de peso e consequentemente ficar triste e desapontada comigo mesma... Desci e comprei, comi uma parte mas ai, sei lá o que rolou na minha cabeça e eu pensei: ao invés de comer, quando for pegar um, vou e jogo ele na privada. Fiz isso, mas não foi suficiente.
Ai durante o filme que eu estava vendo, eu senti vontade de comer mais e eu já tinha pensado em esmagar a comida com o martelo (na mesma hora que eu pensei em jogar na privada), peguei e fiz isso. Esmaguei 3 "Bises" na caixa.
Terminou o filme e a sensação não tinha passado, precisava esmagar mais coisas, precisava destruir isso que fica me destruindo. Fui até a cozinha peguie a OUTRA caixa de Bis que eu tinha comprado (sim, eu tinha comprado duas) e esmaguei na pia com o martelo. Não esmaguei com a vontade que gostaria por que fiquei com medo de quebrar a pia mas eu esmaguei aquela caixa.
Parei, liguei para uma amiga minha e contei o que tinha feito... o problema é que a vontade não tinha ido embora. Minha vontade era descer na vendinha aqui no prédio com o martelo e esmagar toda a seção de doces do cara.
Óbvio que eu não podia fazer isso... e a vontade não tinha ido embora... peguei e esmaguei um pacote de bisnaquinha também, esmaguei, esmaguei, esmaguei. Continuei caçando o que esmagar. Esmaguei um macarrão instantâneo, nem sei de que marca, de queijo, ultra engordativo. Por fim, esmaguei o pote de Nutela que eu tinha comprado. Coloquei dentro de um saco plástico para não voar caco e eu esmaguei aquele pote... como eu queria pensar um pouquinho menos e não ter medo de quebrar a pia. Bati com MUITO gosto mas não com todo o gosto que eu gostaria.
Voltei pro telefone e liguei para a minha mãe... desabei a chorar... vai entender... foi libertador mas a vontade ainda não tinha passado... estava quase colocando a roupa e descendo para comprar mais doces só para esmagar. Fui falando com ela no telefone e me acalmei... me sinto estranha... por mim faria disso um ritual semanal...
Toda a raiva que eu sinto dos outros que eu desconto em mim foi parar na comida. Hehehe foi sim, mas de um jeito que só machucou ela, não a mim também.
siricutico do oooooooops!
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Ratapulgo
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8.7.03
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A mulher patológica
O telefone tocou, mas ele não atendeu. Tocou novamente. Sabia quem era, sabia o porquê daquela ligação. Na terceira vez, atendeu friamente. Ela queria vê-lo, queria conversar. Ele apenas respondia suas questões.
Ela estava carente. Carente e tarada — mais precisamente. E sua súplica quase o convencera.
Ceder uma visita à ela seria voltar-se contra seus princípios. Ceder seu corpo novamente para aquela mulher seria amargurar sua vida já amargurada.
Negou. Venceu-a com sua lábia descabida. Simulou um mal-estar, desconversou-a. Despediram-se.
Ela percebeu que ele não era mais tolo, usável e fútil. Ele percebeu que estava ficando forte. Estava ficando, não era ainda.
Se fosse forte não estaria lamentando, pensando e impaciente. Sua vontade de possuí-la ainda o carcomia por dentro. Mas por hoje a batalha havia se encerrado.
a sofrida desintoxicação do ópio
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Ratapulgo
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8.7.03
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1 E o nazareno, tendo subido ao Gólgota, deixou cair ali o pesado madeiro. 2 E em seguida deu um tapinha no ombro do centurião romano, assim dizendo: "Bom, encomenda entregue. Até mais, então". 3 E após estas palavras o Nazareno atravessou a multidão, ante seus discípulos atônitos, para os quais murmurou, em voz baixa: "Encontro vocês lá no Jerusalem Inn, às seis, pro ensaio".4 Ora, o centurião romano pegou o nazareno pelas vestes e o arrastou de volta ao madeiro. 5 E o nazareno bradava, enquanto era arrastado: "Não precisa assinar nota fiscal, é delivery free-of-charge!" 6 E enquanto era deitado no madeiro, o nazareno praguejou: "Putz, devo ter jogado pedra na cruz!" 7 E quando o verdugo foi perfurar seus pulsos, o nazareno manteve a mão fechada e murmurou: "Estou contigo e não abro!" 8 E, tendo erguido o madeiro, o centurião ofereceu ao nazareno um cálice com mirra, para mitigar a dor. 9 O nazareno provou, cuspiu e bradou: "Putz, devo ter bebido cachaça no cálice sagrado!" 10 E na hora sexta, o nazareno olhou aos céus e clamou: "Pai, por que me desamparaste?" 11 E nisso uma voz vinda dos céus falou como mil trovões: "Tu tens 33 anos e ainda moras com tua mãe - ainda querias que eu não te cortasse a mesada?" 12 E a voz dos céus, após uma breve pausa, prosseguiu: "Um momento - não és Yeshua, o carpinteiro?" 13 E o nazareno, exangue, respondeu: "Não, sou Yehuda, o coletor de impostos." 14 A voz nos céus assim disse, então: "Putz! Confundi ano sabático com ano fiscal. Foi mal, aí." 15 E a terra tremeu.
desenterrado na praia do Nelson (com a pá do JMC)
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Ratapulgo
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8.7.03
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7.7.03
Por que organizar um chá de bonecas.
. Para matar a sua vontade de fazer um evento com o nome tão lindo como "chá de bonecas".
. Para aliviar a culpa de deixar sua filha a tarde toda só com a babá e a empregada.
. Para se sentir uma lady inglesa do séc. XVIII.
. Para gastar seus dotes de publicitária, fazendo um convitinho lindo e personalizado (com a ajuda e a boa-vontade da sua dupla).
. Para as coleguinhas da sua filha conhecerem a sua casa.
. Para as meninas se sentirem muito importantes na escola, por terem um evento só para elas.
. Para a sua filha aprender a ser mais despreendida com os próprios brinquedos, e descobrir o prazer de compartilhar.
. Para a sua filha conhecer as bonecas favoritas das amiguinhas (como a adorável Isadora, da Julinha).
. Para observar mais de perto como é a relação da sua filha com as colegas, e como cada uma delas tem um gênio bem diferente da outra.
. Para dar à babá uma tarefa bem mais complexa do que passar as tardes brincando com uma única e dócil menininha.
. Para as garotas descobrirem que também é uma delícia brincar em grupo fora da escola.
. Para ter esse momento registrado em foto e vídeo.
. Para servir às crianças um lanche especial, cheio de coisas deliciosas.
. Para seu marido chegar mais cedo do trabalho, a tempo de inventar brincadeiras com as meninas e ouvir, na despedida de uma das amiguinhas: "Tchau, pai-da-Alice-engraçado!".
. Para chegar em casa à noite, frustrada por não poder ter estado presente.
. Para esquecer essa e todas as outras frustrações ao ouvir da sua filha, após um suspiro, "Aaaai! Que felicidade!"
isso é que é Mothern
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Ticcia
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7.7.03
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Quem diria que eu estaria aqui de novo, bem na sua frente, cara a cara, mamãe, falando com você, finalmente com coragem de dizer tudo que me passa pela cabeça, dizendo coisas que eu jamais imaginei que pudesse dizer um dia para a minha própria mãe, sim, você, coisas que eu sempre tive medo que pudessem magoá-la pois sempre soube que você era muito sensível e chorava ou gritava à mera menção de meus problemas, fossem pessoais ou relacionados a você, e, sim, mamãe, eu me calava porque tinha medo, medo da sua reação, de você não me compreender, de interpretar tudo errado, como sempre costumava fazer quando eu era criança e tinha meus próprios desejos, bem diferentes dos seus, já que eu não fazia mais parte de você, minha carne tinha se libertado dos ganchos, você não percebeu, mamãe? Minha carne já não era sua, meu sangue já não era seu, meu corpo a abandonou com o alívio que só a dor e o prazer da separação podem trazer, meu corpo agora era meu e ele começou a gerar seus próprios pensamentos, essa coisa incomensurável e ao mesmo tempo diminuta que sou eu, por acaso sua filha. Mas você parecia que nunca percebia isso, ou não queria ver, mamãe, meus próprios pensamentos, e a mim, os meus desejos. Mas eu mudei, mãe, hoje tenho coragem de lhe falar tudo isso, não está vendo? Hoje, agora, eu estou aqui, na sua frente, sem você ter me chamado, e você vai saber de tudo. Não, não adianta fazer essa cara, não adianta fechar os olhos e fingir que não me ouve, eu sei que você pode me ouvir, você sempre tem ouvido para tudo, para todo mundo, para os meus irmãos, para os parentes, vizinhos e os poucos amigos que frequentavam a nossa casa. A nossa casa, aquele lugar arrumadinho e limpo onde eu mal podia colocar os pés onde quer que fosse, aquela cozinha, onde não me era permitido abrir as panelas para ver o que teríamos no almoço ou no jantar, aquela casa em que eu só podia deitar no meu quarto, na cama que não fazia, sobre lençóis que eu não escolhia, onde eu dormia no horário que você estabelecia, sempre antes dos melhores programas que passavam na tevê, antes que eu pudesse ouvir qualquer conversa interessante das visitas, eu ia dormir morrendo de curiosidade, mamãe, porque crianças são curiosas, eu ia dormir mas encostava o ouvido na parede e ouvia tudo, sabia? Eu ouvia o que você fazia com papai do outro lado da parede também, e nunca pude entender direito por que quando vocês se calavam e as luzes se apagavam eu continuava ouvindo e pegava no sono, hoje acho que tudo aquilo era um sonho, um sonho meu no qual vocês não me incluíam porque eu era o outro lado da parede, algo em que se pendura as fotos dos meus dois anos, dos meus cinco anos, de sua filhinha no colégio, na faculdade. Minha parede continua lá, mamãe? Está espantada com tudo isso que estou lhe dizendo? Não, não são ressentimentos, estou só me abrindo, pela primeira vez, com você, agora sou uma mulher adulta, eu envelheci, mamãe, e há momentos em que acho que você é mais jovem do que eu, estranho, não é? Você ficou tão bonita depois que envelheceu. Será que vou ficar assim também? Suas mãos são tão macias, você sempre cuidou muito bem delas, não é mesmo? Na verdade elas sempre foram muito bonitas, embora eu sempre as tivesse visto de longe, você nunca me tocava muito, não é, mamãe? Então eu as admirava de longe, quando você penteava os cabelos, arrumava os talheres sobre a mesa, adoçava o café, segurava o telefone, pintava os lábios, puxava as meias finas até as coxas e as alisava para esticar os fios, que mãos lindas, lindas se comparadas às minhas, não acha? Veja só, olhe bem para elas, está vendo? Magras, muito magras. Você emagreceu tanto, agora que estou reparando. Tem se alimentado mal? Ainda anda obcecada com suas dietas radicais? Você me parece em forma, como sempre quis ficar, eu, ao contrário, estou sempre como não quis ficar, fora de forma completamente. Se alguém nos visse juntas, diria que eu sou sua mãe e você, minha filha. Engraçado isso. Não acha? Está rindo de mim? É, você sempre riu de mim, a sua filha doidinha, a inconsequente da família, a caçula, a última a ter nascido porque você se descontrolou. É, é mesmo. Se arrependeu de eu ter nascido, não é? Eu sei que sim. Vamos, confesse, faça como eu, seja sincera pelo menos uma vez na vida, o que temos a perder? Somos mãe e filha afinal. Já não está na hora de jogarmos limpo? Eu vim aqui pra isso, pra colocar tudo em pratos limpos, tão limpos quanto os seus. Mamãe, somos duas velhas agora. Pense nisso. Sejamos como velhas camaradas, hein? Não é melhor? Velhas companheiras de luta, velhas colegas de escola, velhas amigas. Eu sou sua amiga, me reconheça. Passado é passado. Vim aqui pra lhe dizer isso. Pra lhe dizer muitas outras coisas mais, mas infelizmente estou sem tempo, tenho outros compromissos, e você também deve estar atrasada. Ah, mamãe, sempre tão pontual, sempre chegando na hora marcada, sem tempo pra mais nada. Não sou eu quem vai mais uma vez atrasá-la, não é? Quer que eu feche a gaveta pra você? Você está tão bonita, e vai ficar mais ainda com o vestido lindo que comprei para você receber seus convidados amanhã para um último beijo. Até manhã, mamãe.
prosa caótica
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Ratapulgo
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7.7.03
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Minha mãe comentando alguma monstruosidade da TV
- Filha, sabe o que eu vi no programa do Sapinho?
- É Ratinho, mãe, Ratinho!!
- Ah, sei lá, um desses bichos nojentos.
penúltimo drops da Fal
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Ratapulgo
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6.7.03
Tia Magaly
Irmã do meu avô. Às vezes vinha passar as férias aqui em casa.
Sempre chegava bem, até tomar a primeira cerveja e meia , depois disso era um caos.
Vaso sanitário que quebrava, cama que saía correndo ,ela não tomava banho, tínhamos que pegá-la a força pelo menos de 3 em 3 dias pra colocá-la embaixo do chuveiro e mais os tombos pelo meio do caminho:
- Deeeeebyyyyyyyyyyyyyyyy.
Pronto, caiu.
Se cu de bêbado tem dono eu não sei, só sei que ali nem cu tinha mais, de tanto tombo,virou um vale só.
Ela sempre foi engraçadíssima . Saía de pijama e pantufas pra ir até a esquina comprar cerveja, logo de manhã, eu levantava e ela já dava bom dia com copinho de cerveja na mão.
- Bom dia!
- Bom dia! Ai céus é hoje, eu pensava.
Um dia eu cheguei na cozinha e estava ela lá com cara de assombração versus aprontação.
- Deby, senta aqui.
- Oi, tia.
Ela apontou com os dedinhos pra casa do vizinho:
- Eu dei pro vizinho.
- Que???
- É isso mesmo que você ouviu, eu DEI PRO VIZINHO.
- Que horas foi isso?? Achando que era mentira.
- Quase agora, mas não conta pra sua avó senão ela me bate.
- Como assim, deu pro vizinho?? E ele quis? Quer dizer, não que eu esteja chamando a senhora de velha, mas ele devia ter respeitado e..
- Eu paguei.
- Que??
- E isso aí, eu paguei pra ele me comer, mas coitado, ficou tão assustado que o pau dele nem levantou direito.
- Tia?????
- Xiuuuuuuu, ele tava precisando coitado..
- Precisando do que?? De te comer?
- Nãoooo, de dinheiro. Foi uma troca.Só isso. A tia tava cheia de teia de aranha, sabe como é.
- E agora?
- Agora já foi e não foi, mas não conta pra ninguém, promete?
- Prometo.
Levantei e ela chamou minha tia e lá do fim do corredor ouvi ela dizendo pra outra:
- Senta aqui
- Diz
- Eu dei pro vizinho.
muitos casos e acasos virtuais
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Ratapulgo
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6.7.03
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5.7.03
Ressuscitei meu pentiunzinho. Na verdade, ele não estava morto, apenas levemente bichado. Conectei o gravador de CD do meu pai e liguei o bichinho, quando a tela apareceu, meu deus, eu tive uma crise de choro. Sabe o que é a tela inteira coberta de ícones, inteira, inteira mesmo? Fotos, mp3s, textos, tudo. Ah, o passado remoto e o recente, tudo ali, trocentas memórias.
Ainda bem que ninguém viu a cena. Como eu ia explicar isso para alguém? Chorando ao ver o computador ligado hahahhaha. Mas ele é o amor da minha vida, sempre foi. Ele esteve comigo nas melhores e piores horas da minha vida, nos últimos 7 anos ou mais, nem sei ao certo. Eu conheço cada barulhinho dele, só de ouvir eu sabia se estava chegando um e-mail. Ele até levou porrada por minha causa hahahahhah. Tadinho. Ele levou um soco e o drive nunca mais funcionou direito. Eu mesma abri e desamassei, consertei o pobrezinho. Aquela foi a primeira vez que eu abri um computador. Agora eu abro e fecho os bichinhos toda hora. Não tenho mais medo. E nunca perdoei o cretino que deu um soco nele.
E continuo achando que se ele morrer eu vou gritar "me leva junto" hahhahahha. Ah, quantas declarações de amor a um computador. Que posso fazer, acho que é o mesmo tipo de amor que algumas pessoas tem por um cão. Não tenho cachorro, sei lá, meu melhor amigo é meu PC. Pelo menos ele não late, não faz sujeira e não pede nada.
E dá mais pau do que qualquer marido hahahhahaha.
Recauchutado por Silvia, Deusa da Ilha de Whatever
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Criss Ferrari
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5.7.03
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O Tiago Soares lançou o Nadazine, uma revista digital, que é uma espécie de Copy & Paste com figurinhas (!) animadas (!!!). Tudo em CopyLeft também.
Tem um texto meu lá, e também de vários outros autores que já passaram pelo garimpo do C&P.
Vão lá dar uma conferida. Eu curti bastante.
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Ratapulgo
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5.7.03
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4.7.03
Como foder um Posti em dez lições
1-) Contato visual é importantíssimo. Esteja bem arrumado, dente escovado e cheiroso.
2-) Converse com o Posti de forma amigável, conte piadas leves, ouça suas histórias com atenção, diga como ele está bonito hoje, etc.
3-) Depois do terceiro uísque, comece a agradar o Posti, colocar uma piadinha na segunda linha, dizer que seu terceiro parágrafo foi uma maravilha, que a crase foi bem usada. Se precisar, adicione uma figura.
4-) Convença o Posti a ir ouvir a sua coleção de Jazz, o último disco do U2 , a nova decoração art-noveau da sua sala ou a infalível: o seu no PC Pentium 4 2400Mhz, HD 80giga e monitor de 17". Não adianta mentir e dizer que Monitor é de 21", por que 17" já esta de bom tamanho. E vai que na verdade ele é Cássio mini 5", você vai ficar com a cara no chão quando o Posti rir sozinho ao ver seu equipamento.
5-) Sente pertinho do Posti no sofá, vá teclando aos poucos, mantendo o contato visual, um Caps Lock aqui, outro backspace ali....
6-) Quando você sentir que o Posti está andando, você está no sexto parágrafo e tudo está indo bem, tente uma aproximação mais agressiva. É a hora de você chamá-lo para o quarto.
7-) No quarto, sem mais conversas. Agarre o Posti, beije o Posti, chupe o Posti, lamba o Posti; só cuidado para não estragar o teclado.
8-) É a hora de ver o Posti nu, analisar suas vírgulas, seus acentos graves e agudo. É o ápice da comédia ou da tragédia. Parta para o ataque!
9-) Foda com o Posti. Com gosto. Cheio de prazer. Sem dó. (como nós fazemos aqui...)
10-) Use camisinha. Nunca se sabe se o Posti era virgem mesmo...
dicas dO Pior Blog do Mundo
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Ticcia
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4.7.03
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Comentário de bolso:
"Mais fiel do que cachorro embalsamado".
Uma Dama não Comenta
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Ticcia
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4.7.03
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Dicionário do Diabo - Letra C
Calamidade -- lembrete inequívoco de que não podemos controlar os fatos da vida. Há duas espécies de calamidade: o nosso fracasso e o sucesso dos outros.
Caminho -- extenso pedaço de terra que permite que sigamos de onde estamos cansados para onde é inútil ir
Campanha eleitoral -- publicidade oculta de pasta de dente
Candidato -- indivíduo que obtém dinheiro dos ricos e votos dos pobres para protegê-los uns dos outros
Canhão -- instrumento usado para a retificação de fronteiras nacionais
Canibal -- gastrônomo da velha escola que conserva o gosto simples pela dieta natural da época pré-porcina
Carne -- a Segunda Pessoa da Trindade secular
Carnívoro -- indivíduo viciado na crueldade de devorar assustadiços vegetarianos e toda a sua prole
Casa -- estrutura vazia construída para a moradia do homem, da barata, do rato, da mosca, do mosquito, da pulga, do piolho e do micróbio
Casamento -- cerimônia em que duas pessoas prometem ser uma, uma promete ser nada e nada promete ser suportável
Centauro -- espécie de indivíduos que existiam antes da divisão do trabalho e que seguiam a máxima da economia primitiva: "A cada homem o seu próprio cavalo".
Cérebro -- órgão que serve para pensar que pensamos
Circo -- lugar onde é permitido que cavalos, pôneis e elefantes vejam homens, mulheres e crianças fazendo papel de palhaço
Cleptomaníaco -- ladrão rico
Comércio -- espécie de transação onde o sujeito A rouba de B os bens pertencentes a C e, para compensar, B mete a mão no dinheiro de E que pertence a um tal de D
Comestível -- diz-se de tudo aquilo que se pode comer e é de digestão saudável, como o verme para o sapo, o sapo para a cobra, a cobra para o porco, o porco para o homem e o homem para o verme
Confidente -- alguém a quem A confiou os segredos de B, confidenciados a ele por C
Confissão -- método pelo qual se limpa a alma para começar a pecar de novo
Conforto -- estado de espírito evocado pela contemplação do desconforto do próximo
Congratulação -- inveja civilizada
Conhecimento -- coisas em que se acredita
Connoisseur -- especialista que sabe tudo sobre alguma coisa e nada sobre o resto
Consciência -- voz interior que nos adverte que alguém está nos olhando
Conservador -- político aferrado aos males existentes; diferente dos liberais, que querem substituí-los por outros
Consolo -- saber que alguém melhor do que nós é mais infeliz do que somos
Contador -- indivíduo que sabe o preço de tudo e o valor de nada
Contos infantis -- histórias de terror que preparam as crianças para no futuro lerem diários
Convento -- lugar para onde se retiram os ociosos a fim de meditar no vício do ócio
Corporação -- invento engenhoso para se obter lucro individual sem responsabilidade individual
Covarde -- aquele que nas situações de perigo pensa com as pernas
Cristão -- aquele que acredita que o Novo Testamento é um livro de inspiração divina perfeitamente recomendado para as necessidades espirituais dos outros
Crítico -- indivíduo que finge ser tão difícil de agradar que ninguém chega a tentar
Cura -- homem a quem todos chamam de padre, exceto seus filhos, que o chamam de tio
-- Ambrose Bierce, 1911.
prosa caótica
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Ratapulgo
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4.7.03
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3.7.03
Brincando com o pc
Ahhh, o meu pc adora brincar comigo, já não bastasse ele brincar de esconde-esconde com meus arquivos, agora ele inventou de aderir a uma nova bricadeira infantil, agora meu pc brinca de ISTAUTA!!! Isso mesmo, ele agora brinca de Istauta, só falta aparecer na tela bem grande ISTAUTA porque o resto ele faz, fica lá paradão, parece que tudo travou e depois de 5 segundos tudo volta a ser como antes no castelo de Abrantes. Putz....qual vai ser o próximo? Gato mia????
Isso claro sem contar com minha brincadeira de ver quem prende o fôlego por mais tempo com a minha sessão do blogger, mas já tá sem graça, ela sempre perde, sempre expira primeiro que eu.
O Pior Blog do Mundo
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Henrique
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3.7.03
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E por falar em vizinhos...
Em 3 anos morando no mesmo predio nao temos amizade com ninguem que mora la, nada alem do buongiorno e buona sera e algumas conversinhas assim de corredor.
No nosso andar tem mais 2 apartamentos, no primeiro mora uma familia com pai, mae e um filho que deve ter uns 20 e poucos anos, qdo chegamos no predio o moleque era meio gordinho e agora acho que tomou umas bombas e ta todo musculoso, inchado...muito estranho. O pai viaja sempre, segundo vizinha que mora no outro apartamento ele è um coronel nao sei do que!
Alias a vizinha em questao è uma figura! No apartamento enooorme (todos os apartamentos do predio sao diferentes) coberto de tapetes ate nas paredes moram so ela e o marido, eles nao tem filhos. As portas de entrada deles sao bem em frente a nossa e por isso è a nossa vizinha "mais intima". Ja no dia da mudança ela veio dar as boas vindas e perguntou para o moço que estava carregando o sofa cama onde estava "o doutor" hehe Ai o moço nem pensou duas vezes e chamou o Marco nao sabendo que ele nao è doutor de nada. Depois ela se desculpou dizendo que achava que fosse o proprietario da casa indo morar la! Ela è a unica moradora do predio que usa a lavanderia comum (que virou a lavanderia dela), colocou a maquina de lavar la em baixo, tabua de passar e tal, ai fica o dia inteiro no maior sobe e desce, no subsolo pra lavar, na cobertura pra estender e de novo no suboslo pra passar, oh vontade!! Quando eu disse que era brasileira ela abriu o maior sorrisao dizendo que assistia Terra Nostra hahaha e como nao poderia deixar de ser deixou escapar que era muito estranho que eu fosse brasileira assim tao branca! Eh que ela nao me viu agora pq ta de ferias!! Ah e a coisa mais engraçada è que ela me chama de senhora!!! Buon giorno signora, buona sera signora! hahaha
No segundo andar tem dois apartamentos, em um a recem-nascida com pai, mae, um cachorro e acho a avo...Eu nunca entendi nada daquela gente, a tipa que è a mae da nenem nos primeiros tempos parecia uma solteirona e ia pra todo canto cheia de trancinhas no cabelo ate quando apareceu um carro novo na garagem e nao sabiamos de quem era, tempos depois descobrimos que era de um moço e nao sabiamos em qual apartamento ele morava, ate que vimos a moça de barrigao e braço dado com o moço, aih a gente entendeu! hehe Alias o barrigao apareceu de um dia para outro, tudo bem que ela era bem gordinha, mas foi assim vimos barrigao + moço e depois de 2/3 semanas o nenem nasceu! hehe
Ta ficando longo demais este post e eu ainda nao comecei a trabalhar...depois eu continuo ;)
Assim Assado
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Criss Ferrari
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3.7.03
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História real: no ponto
Ela era casada e tinha um filho pequeno. Uma briga daquelas com o marido já tinha estragado o dia - quiçá a semana.
Seguiu para o trabalho. Parada no ponto de ônibus, viu o ex-namorado passar de carro.
Justo o ex-namorado que tinha sido preterido por ela, que ficara com o atual marido.
Parecia um milagre. Mais ainda quando ele deu a volta no quarteirão e passou de novo. E de novo. E quatro, cinco voltas. Seu ônibus já havia aparecido umas três vezes, mas ela não saía dali.
Finalmente ele parou:
- Está indo para onde?
- Para onde você quiser me levar.
e ficou elas por elas
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Ratapulgo
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3.7.03
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Respiro goles de palavras em sílabas, dígrafos arranham um pouco a garganta e hiatos são tragados numa só inspiração. Ficar sem palavras é ficar sem ar. Escrever é minha necessidade fisiológica mais premente. As palavras são absorvidas e expiradas. Transformar o mundo internamente e codificar as impressões que ele deixa é meu metabolismo primário. Comer, defecar, urinar, copular, tudo isso pode ser adiado, mas o absorver, esvair, deglutir, expelir palavras não me dá descanso e não admite postergação. As palavras amotinam-se e me enlouquecem se não as expurgo. Escrevo porque a mim não dão outra escolha. Intransigentes, tiranas, despóticas, apropriam-se da minha vida, dos meus dias, dos meus olhos e só através delas consigo enxergar meu rosto. Minhas palavras são os cacos do grande espelho que me reflete e são a grande rede em que me enredo.
Ninguém chega a mim senão por elas.
Tomai e comei todos vós: isto é o meu corpo.
então não discuto
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Ratapulgo
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3.7.03
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Roedor
- Amor, você não imagina o que eu encontrei lá na garagem.
- Calma, meu bem. Eu tenho uma ótima explicação sobre aqueles filmes...
- Não estou falando disso, seu pervertido. Eu achei um rato na garagem.
- Ah, ainda bem... peraí: um rato?
- É, um rato.
- Mas você conseguiu matá-lo?
- Bem, não. Não era bem um rato...
- Ué... era rato ou não era?
- Bem, era. Mas é que era um camundonguinho assim, bem pequenininho...
- Ah, mas que lindinho! Daqueles pequetitinhos, bem cor-de-rosa?
- Isso! Você não os acha tão lindos?
- Eu acho é que você está ficando mongolóide, isso sim. Amor, presta atenção: é um rato!!!
- Ah, mas eu não tive coragem de matar o coitadinho. Ele era tão desengonçado, com aquelas orelhas. Ah, meu bem... ele era tão fofinho, barrigudinho. Tão cheínho...
- Cheínho de leptospirose, isso sim. Amor, um rato é um bicho cheio de doenças! Você não mataria uma barata?
- Ah, é diferente: camundongos não têm antenas.
- Até porque Deus é pai e não ia me deixar viver com uma esposa mongolóide e um rato metido a Chapolim. Meu benzinho, escuta bem: toda vez que você encontrar um rato, você tem que matá-lo. Não importa se é camundongo, ratazana ou se é o Super Mouse: tem que exterminar! E dá licença que eu vou à garagem acabar com essa peste.
- Não vai adiantar. Eu já o tirei da garagem, seu grosso! Eu o coloquei em um pote velho e o levei até o bueiro, na calçada. E fique sabendo que lá no bueiro ele não vai mais nos incomodar.
- ...
- Que foi? Por que você está me olhando com essa cara?
- É porque agora eu tenho certeza que você é mongolóide. Você sabe que no bueiro é onde moram os ratos?
- Sei sim, seu ignorante. Por quê?
- Porque lá o seu camundonguinho vai crescer e virar uma ratazana, vai cruzar um monte de vezes e ter um monte de camundonguinhos, que vão invadir a nossa casa e transformar a nossa garagem na Disney World.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhh... que lindo! Todos aqueles camundonguinhos, lindos, fofinhos brincando... ah, que fofo!
- ...
- Que foi? Vai dizer outra vez que eu sou mongolóide, seu estúpido?
- Eu não. Eu vou é beber raticida, que é o melhor que eu faço...
na ratoeira do alea jacta est
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Ratapulgo
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1.7.03
Revisa-se possiveis sucessos, alegrias... tristeza, incoerência, fracassos, paradoxos, depressão. As coisas perdem o sentido de seus esforços, nem sempre compensados como merecido. O que se houve por aí: "a vida é assim mesmo...", então concluiu que não nasceu pra viver, se assim é pra ser. Nasceu por engano. Por acidente.
...
Aquele vidrinho estava em suas mãos, quase aberto. Estava ajoelhada. Olhava fixamente para chão e pernas brancas, com um olhar sem sentido, sem rumo, e totalmente perdido. Vestia um shorts pequeno, e uma camiseta grande, pretos. O rosto vermelho em lágrimase uma decisão tomada. A realização dessa decisão: mais lágrimas, e batidas cardíacas a cada segundo mais acelerada, despedia-se dessa situação não com muito arrependimento. Estava pronta a utilizar o conteúdo do vidrinho quando...
Sentiu uma mão pesada estapeando a dela, o vidrinho fora arremessado contra a parede, quebrando e desperdiçando a possível solução dos problemas que ali continha. Algumas ofensas. Algumas liçoes do moral. Sacudidas. Umas verdades. E ainda não se levantou do chão.
...
Mas agora ela está sozinha, dessa vez ajoelhada em um piso escuro, e o mesmo olhar perdido... E não aparecerá uma mão pesada que possa impedi-la.
Revisões num Sanatório Sanitário
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Henrique
às
1.7.03
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Norman
desde pequeno, normam achava que era um extraterrestre. um dia resolveu ter uma conversa séria com sua mãe.
- mae, por acaso eu sou deste planeta?
- huaaaaarc hhhhumm groooosp
- tem certeza, mae?
- grreeeeestr siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiioooooo
- tá bom entao.
- fruuuuuuuuu uarghhhhh
- só mais uma coisa
- ???
- sua antena esquerda tá caindo na sopa.
- hauuuuu
*****
agora, para quem não estudou venusiano direito, a tecla sap do blogo:
- mae, por acaso eu sou deste planeta?
- claro, anjinho
- tem certeza, mae?
- sim
- tá bom entao.
- agora vai assistir à lassie, vai queridinho da mamae, bilu bilu
- só mais uma coisa
- o que, pirralho chato?
- sua antena esquerda tá caindo na sopa.
- é meu novo penteado
o E.T. dos Verissimos
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Ticcia
às
1.7.03
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Domingo, Rio de Janeiro, Ipanema, coitados dos que se enfiam em claustrofóbicos aviões a procura de...de que? se aqui Deus sorriu e soprou um beijo e fez o céu mais azul, o mar de topázio, o sol mais carinhoso e com certeza as mulheres as mais belas de todo o universo, e eu o grande mentecapto a morar a cinqüenta passos da orla, sete das matinas saio com meu cão e vou á areia, o mar a me beijar os pés a caminho do Arpoador onde rendo homenagem a Iemanjá com um mergulho afoito e um carinho orgástico nos seus seios, sou devolvido às areias douradas remoçado e potente, prova cabal de que a idade nada tem a ver com nada pois lá fui eu me içar na barra fixa dez vezes em seguida, flexionar meu peitoral nas paralelas, voltar numa corrida suave ao meu apê, no sentido contrário ao dos atletas da Maratona do Rio de Janeiro, fazem mais de vinte e cinco anos que participei da primeira maratona, 42 quilômetros em 4 horas, puxa, como eu fui um cara e tanto, 80 quilos de osso, pele e músculos, estou sorrindo, hoje 84 quilinhos, pele um pouquito franzida, ligeiro pneu na cintura, ainda bastante músculos, bem, mas não vem ao caso, encasquetei que em janeiro do ano que vem acompanho minha filha numa odisséia final , a minha, num ciclo tour no Vietnã , de Saigon a Hanói, dez dias, so help me God, e por isso me preparo, bem entendido se eu não tiver algum colapso antes e me meter num ciclo tour no inferno, mas como diz um filosofo sabido, que se foda! de volta em casa, café reforçado, remédios as dúzias, vitaminas, procaína, aminoácidos, de morfina não preciso, a endorfina ainda ativa, e pra não ir à perfeição, dois cigarros, e depois o computador, cato no Kazaa musica do Pedro Vargas, menestrel de boleros, Frenesi, Bessa me Mucho, Perfídia, Solamente uma Vez, completar minha 700 musicas de todo gênero no Media Player, saudade de 1941, não riam nem façam o sinal da cruz, foi naquele ano que ouvi o Pedrão no Cassino da Urca, sou velho pacas, não sabiam? a caminho dos meus 80 invernos, voltando a vaca fria, no encarte do JB escolhi a mountain bike, caracolis! 480 paus, 3 X no cartão, vou precisar treinar, voltar as minhas 60 primaveras, tremendo ciclista, 180 quilômetros semanais...mentiroso é a puta que pariu! hehehe, mas pra me enfiar no Mekong é preciso reverter do meu locuum tuum, podes crer, amizade! bom, vesti bermuda, havaianas e encaminhei ao Felice prum almoço frugal, salada verde e salmão, café carioca e um smoke again, e curtir o som legal da Guta e seu conjunto, sonhar com meu amor secreto, tão secreto que nem eu o (a) conheço, paguei, peguei o caminho do calçadão, gente pacas, de todas as raças, tamanho, idade, uma festa, ai minha Ipanema, my life, my love, demonstração de capoeira, desfile hare krishna, estatuas vivas, um cara meio doido fazendo embaixada com um limão, um outro com pinta de boliviano a tocar flauta, uma dúzia de hippies démodé com colares, brincos, anéis e outra miudezas, a gringalhada adora ser enganada, tudo acontece por aqui no domingo, mais adiante, em frente a Aníbal reencontro em plena forma o conjunto No Olho da Rua, saxe, contrabaixo, piano, bateria, fazia três anos que não os via, meia hora de delicia e uma água de coco e 10 paus pro novo CD deles, vale a pena, embiquei na Aníbal, bordejo na Livraria da Travessa, vou meter o pau numa grana, com cartão VISA todos somos ricos, nada de livros , tenho quinze enfileirados pra ler, talvez o faça de volta do Vietnã, por ora quero CD, DVD, tô a cata de coisa fina, subo pro segundo piso, revejo meu conhecido, ex vendedor de Modern Sound, vou direto ao assunto, DVD show ao vivo de Tony Bennett, Frank Sinatra, fácil, o malandro me aparece com o Unplugged de Tony, e com um de Frankie com o Fly Me to The Moon, não dá pra discutir, e agora a piece de resistance, um cantor novo nas paradas, um misto de Johnny Hartman e Jimmy Scott, como mágica ei-lo na mão, é esse! gritei feito imbecil, Kevin Mahogany, liquidei a loucura com o CD, Lembranças Cariocas da cantora Nilze Carvalho, enfiei tudo na sacola, 180 pilas em 3 prestações, viva o VISA! um táxi, dez minutos mais tarde ouvindo Stairway to the Stars, relaxado, descansado, pacificado, let´s build a stairway to the stars and thank the Almighty for such a Sunday in Ipanema! sorry, periferia!
sunday by Yehuda
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Ticcia
às
1.7.03
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Supermercado
O que você pode fazer no supermercado enquanto a sua mulher/ seu marido está gastando tempo fazendo compras:
1. Vá buscar muitas caixas de preservativos e deixe uma em cada carrinho por onde passar, enquanto o respectivo dono estiver distraído.
2. Vá junto de um empregado e diga-lhe numa voz oficial "Temos um código 3 no armazém" Depois veja o que acontece.
3. Desafie os outros clientes a fazerem um duelo com rolos de papel higiênico.
4. Abra uma tenda no departamento de campismo e diga aos outros que os convida se eles trouxerem almofadas
5. Olhe bem de frente para a câmara de vigilância utilize-a como espelho enquanto limpa o nariz.
6. Pegue em todos os bonecos do setor de brinquedos e disponha-os no chão de modo a formar um campo de batalha gigante.
7. Vá ao setor das armas, pegue numa espingarda e, com um ar de louco, pergunte no balcão de informações se sabe onde estão os anti-depressivos.
8. Vagueie com um ar suspeito enquanto murmura o tema da "Missão Impossível"
9. Esconda-se entre os ternos quando alguém chegar perto, diga "Leve-me! Leve-me!"
10. Quando ouvir uma chamada ou um anúncio nos alto-falantes do supermercado, encolha-se numa posição fetal e grite "NÃO!!! Outra vez aquela voz!!!"
11. Vá até os sanitários e grite bem alto "Hei! Não tem papel higiênico aqui!"
12. Quando sair dos sanitários individuais, tranque a porta por dentro e saia por baixo da porta (repita esta operação em todos os sanitários). Se alguém o apanhar, diga que "a porta ficou trancada!!!"
baixou o espírito de porco
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Ratapulgo
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1.7.03
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