a vida é tediosa sem inimigos...
e hoje eu cheguei à conclusão que eu acabo de perder um...
a sensação de perder um inimigo é estranha: começa quando pouco a pouco, o sentimento de ódio que você tem dele vai diminuindo, virando raiva, virando antipatia, virando indiferença, virando dó, virando misericórdia...
e o pior é quando a ruína pessoal do seu inimigo não tem um dedo de participação sua (bom... um ou dois dedinhos, mas enfim...) e ele vira motivo de riso e exemplo a não ser seguido de todo o colégio por culpa inteiramente dele...
bom... resumindo, perdi o tesão de não gostar dele... sabe a expressão "chutar cachorro morto"? é mais ou menos por aí...
mais um inimigo perdido...
...ospiordaliga®!
13.5.03
12.5.03
Última recordação...
Segunda-feira passada meu apto foi invadido por um estranho. Deixou marcas suas no tapete da cozinha, em minhas roupas, livros, no parepeito da janela. Levou embora alguns de meus pertences e mais um pouquinho de minha fé no mundo. Não deixou bilhete, recado, aviso, comunicado. Deixou apenas um sentimento de estranheza profunda. Hoje sentei em minha cama e fiquei alguns instantes olhando minhas paredes com os longos trechos transcritos a lápis, admirando as figuras em bricolage, velando à biblioteca - felizmente não carregou nenhum livro, não era dado às vaidades intelectuais, era um homem prático. Queria ser os seus olhos naqueles momentos de euforia atávica ou adestrada frieza quando o pobre diabo invadia com sua estranheza a minha, e usurpava de mim o que nunca foi meu e nem será de ninguém. Algo terá tirado sua atenção de seus objetivos por algum momento? Saberia ler? Alguma frase em minhas paredes ficou trancafiada no seu mundo particular? Queria que ele realmente pudesse ver com os meus olhos o que somente eu poderia ver nos seus. Queria, realmente eu queria, que ele tivesse deixado todos os pertences que levou em troca de um livro de minha biblioteca, em troca de uma fotografia de Drummond, ou um dos cds do Miles. Mas não foi o que ele viu de valor no apto. Levou consigo apenas a carcaça. Alegra-me mais a idéia de um larápio que abandona o furto para ler um par de contos de escolha sua na biblioteca da vítima, do que a realidade de caixeiros-viajantes como este. Mas o mundo é imperfeito e é tal como é, do tamanho de suas imperfeições. Tenho fé no homem. Acredito na fala do personagem de Kevin Spacey no filme K-PAX quando argumenta que qualquer um no universo sabe a diferença entre o "certo" e o "errado". Acredito que o sujeito que invadiu minha casa, como hábil matemático, teve tempo para ponderar os riscos que corria e as escolhas que tinha por opção. Acredito que escolheu mal e que a sua situação o coloca ainda mais distante de uma possível redenção diante de si próprio. Antes de tudo mais, diante de si próprio. Hoje tenho as janelas de minha casa indefinidamente trancadas. Tive que reforçar batentes, acercar barras de aço retorcidas à sua volta, outras travas foram adicionadas à porta e minha casa ficou mais escura e meu coração mais escuro. Ele conhece o meu rosto por meus retratos e eu possivelmente jamais saberei o seu. Talvez seja melhor assim. Um dia vai passar por mim, no mesmo lado da calçada em que eu estiver, vai me ver de longe, mas ao seu aproximar não vai me olhar nos olhos. Quem teria coragem de olhar nos olhos de um cego para o qual tenha feito uma grande maldade? Eu vou guardar de você apenas uma lembrança, as outras, consideravelmente mais tristes, vão expurgadas nesse texto, e a lembrança será a seguinte - um menino correndo descalço num terreno baldio o mais rápido que consegue para pegar antes dos demais a pipa que caiu do céu...
capítulo de recordação no Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo
Postado por
Ticcia
às
12.5.03
0
grudados
Mães não pensam
Eu estava muito a fim de escrever hoje. Muito mesmo. Mas percebi que tudo o que eu queria escrever esbarrava na minha indignação com a manipulação materna que nos acompanha e nos acompanhará para o resto das nossas vidas ou da delas.
Esbarrava na minha indignação de ser casada há quase uma década e perceber que as pessoas falam, falam, mas, em pleno século vinte e um, elas ainda acham que um casal só é uma família quando tem filhos. A regra é tão subliminar quanto as chantagens de uma mãe: família não pode ser dois, muito menos um, família é no mínimo três.
Minha indignação gritou o dia todo. Gritava pedindo que eu não esquecesse das mães que gastam fortunas para engravidar ignorando qualquer possibilidade de adoção, gritava implorando que eu mandasse pra puta-que-o-pariu esta nova geração de mulheres, hipócritas pra caralho, que bancam as revolucionárias a vida inteira e acabam engolindo suas pregações com o velho e mascarado discurso do "eu vou ter este filho com ou sem você". Era impossível não escrever sobre o desrespeito que essas mulheres têm com a figura paterna. Precisava escrever sobre o egoísmo feminino que nos faz acreditar e agir como se tudo estivesse sempre sob o nosso domínio.
Escreveria sobre a parte que me embrulha o estômago, as tripas, a alma, o corpo todo. Escreveria sobre as mulheres covardes que usam a maternidade para serem alguém na vida, na sociedade, no saldo bancário. E precisava desesperadamente escrever sobre aquelas que fazem dos filhos um escudo de proteção. Escudos que servem para resolver relações amorosas, para amarrar seus homens, para que elas possam ser chamadas de mãe sobre a sombra da sua perversidade. Pretendia escrever sobre manipulação feminina; a maior e mais discreta das formas de poder. Uma grande atuação, com muitas indiretas, poucas palavras e objetividade e com um silêncio repleto de sons.
Eu queria muito escrever. Mas no fim de um dia inteiro pensando sobre essas coisas e sentindo meu pensamento dividido entre as minhas objeções e os agradáveis momentos em família, percebi que não era possível me sentir livre para criticar o intransmutável comportamento materno.
Eu estou contaminada. Contaminada pelo amor que eu sinto pela minha mãe, pela graça de ver minha irmã criando meu sobrinho e de diversos bons exemplos que desfilam muito próximos de mim. Estou contaminada pelas lembranças boas de uma intensa história com pai, mãe, irmãos e mulheres admiráveis. Estou impregnada da força da minha mãe. E raramente isto me incomoda porque ela sempre esteve protegida pela minha certeza de que ela me deu - e ainda me dá - o que há de melhor em uma mãe. Não, não posso condená-la porque ela é como todas as outras mães com a diferença de que ela sou eu e eu sou egocentrada demais para não agradecê-la pela dádiva de estar viva e feliz.
Ser filha me impede de escrever à vontade sobre mães. Mesmo porque, de que adianta condená-las pelo que elas ignoram de maneira tão sublime, há séculos.
Desde criança aprendemos que só devemos julgar quem pode nos tirar a vida e não quem nos oferece, então, não tenho o direito de julgar as entrelinhas maternas. Mães são onipotentes, inquestionáveis... mães não pensam. Se pensassem não precisariam ser mães para se sentirem realizadas.
AMARULA COM SUCRILHOS
Postado por
Ratapulgo
às
12.5.03
0
grudados
Presentes
Lembro-me de uma ou duas ocasiões em que meu pai resolveu fazer uma extravagância quando eu e meus irmãos éramos crianças: Ele nos levava a uma loja de brinquedos e dizia "Vão lá, podem escolher o que quiserem". Claro que não era pra valer, se um de nós viesse com algo absurdo ele obviamente diria "O que quiserem, menos isto", mas valia a aventura de andar entre prateleiras de brinquedos para escolhermos o que bem entendêssemos.
Minutos depois, voltávamos com nossas escolhas. Ana Cristina com uma boneca maior que ela. O equivalente a, sei lá, 150 reais (a moeda da época, lembrem-se, era o cruzeiro. Estamos falando da primeira metade dos anos 80). Roberto com um carrinho todo cheio de firulas. 200 reais.
Marco Aurélio com uma lanterna. 2 reais.
– Marco, mas só isso? Eu falei que pode escolher o que quiser.
– Então. Eu quero uma lanterna.
– Hum... Tá, então você pode escolher outra coisa.
Então eu saía todo feliz, sob o olhar de piedade dos meus pais. E voltava com um Jogo da Memória. 8 reais. Então eles desistiam, e eu era a criança mais feliz do mundo porque tinha ganhado dois presentes.
Jesus, me chicoteia!
Postado por
Ratapulgo
às
12.5.03
0
grudados
Fecho os olhos e consigo sentir o cheiro dos papéis de carta que quando era pequena eram colecionados.
Estudei somente com meninas por anos e o recreio era a hora de exibí-los, fazer trocas. Sentávamos numa roda de 5, 6 meninas e o grande momento era achar um papel de carta perfumado. E' desse cheiro que eu me lembro e se passaram quase 20 anos, como pode ficar impresso na minha cabeça?
Tenho certeza que nunca pedi para meus pais comprarem os papéis de carta. Eu não fazia parte da turma que colecionava mas sabia que era única. Me acontentava em folear as pastas das outras e descobrir em que folha plástica estava o papel perfumado.
Depois de tantos anos eu me lembro disso e penso "por que eu não tinha?"
E acho várias respostas, entre as quais: me bastava ver as pastas das outras. Será que em algum momento eu desejei colecionar? Me pergunto e a resposta, talvez racional demais, mas é a única que eu encontro: que deveria pedir pra alguém me levar à uma papelaria, mas ninguém podia me levar, ninguém, quando podia, me levaria.
Meus objetos de desejo eram lapiseiras japonesas, papéis de carta...
Um dia minha mãe me presenteou um kit, mas a vontade já tinha passado, eu nunca usei, e para mim uma coleção é algo útil somente quando vem usada :)
Ainda sonho aquelas lapiseiras, algumas bobagens eu comprei, depois dos 18 anos e as adoro. Sempre compro uma caneta, uma porcariazinha pra satisfazer minha vontade, mas a verdade é que teria comprado 1000 delas, se pudesse.
Hoje em dia eu coleciono meias, não existem meias brancas, todas são coloridas, sempre com bichinhos, florzinhas, devo ter mais de 40 pares mas nunca conto. Eu sempre peço como presente meias naquele estilo e acabam achando que eu estou querendo baratear o presente, mas não :) é realmente uma coisa que amo.
Não adianta comprar 1000 lapiseiras/canetas, eu continuo me contentando com aquilo que tenho :)
chi:ko:rit:a weblog
Postado por
Ratapulgo
às
12.5.03
0
grudados
11.5.03
Segundo o grande dicionário Larousse da Lingua Portuguesa :
canela s.f.1 = parte anterior da perna , entre o joelho e o pé, 2 = nos equideos e nos ruminantes , osso que separa o joelho e o tarso ( jarrete ) dos dedos (boleto) , 3 = dispositivo para achar móveis no escuro
É incrivel essa 3ª definição de canela , parece que os nossos genes entraram em entropia só para criar uma merda que não faz nada alem de machucar a gente ..... vai tomar no cú , canela filha-da-puta ( eu tenho que culpar algo ou alguem né , pela minha desatenção )
Puta Que Pariu v.42Ø3r42Ø
Postado por
Ratapulgo
às
11.5.03
0
grudados
Ladrão tenta pular muro de presídio, morde PM e é pego pelas pernas
Um ladrão tentou de tudo para não ser preso no presídio do Carumbé, em Cuiabá. Ele tirou a roupa, fez outro preso refém, bateu com uma garrafa térmica na cabeça, escalou um muro de dois metros de altura e até mordeu um policial. Como dizia a música, ele estava descontrolado!
Marco Antônio da Silva foi preso por furto, domingo. Ele estava em uma cela na Delegacia Metropolitana, a chamada "suíte de luxo" (vide notícias anteriores). Ontem, Marco teve a notícia que seria transferido pro Carumbé. Na hora da transferência, deu a louca no preso. Ele se armou com um espeto de madeira, segurou outro companheiro de cela e armou o maior barraco na delegacia. Ele foi desarmado e jogado dentro do camburão. Marco Antônio ficou levemente ferido, segundo a polícia, na hora do desarme. Sei...
Gato e rato
No Carumbé, antes de entrar nas celas, Marco e os outros três presos transferidos deveriam ser revistados. Como não havia luvas e nenhum policial queria colocar as mãos em Marco, porque ele estava ferido e sangrando, o preso teve que ficar nu. Os outros presos, inclusive o que ficou refém, aproveitaram a situação para.. não não é isso que estão pensando.. aproveitaram para dar o troco: chutes e socos pra todo lado.
Os policiais militares e agentes carcerários tiveram que separar a briga e, quando estavam colocando os presos nas celas, Marco pegou as roupas e deu no pé!. Ele correu e conseguiu escalar um muro de dois metros de altura que dá acesso à rua. Os policiais, que tinham perdido o nojo, seguraram Marco pelas pernas. O preso viu aquela como última (ou penúltima) tentativa de fugir do presídio. Deu uma mordida no braço do PM Ruldsomar, mas foi imobilizado.
Sem chance
De volta à revista, Marco aproveitou outro momento de distração dos policiais e correu. Ele se armou com um rodo e uma garrafa térmica! Marco começou a bater com a garrafa na cabeça dizendo que queria morrer. Nesse momento, um policial deu uma rasteira no preso e conseguiram "desarmá-lo". Foi aí que Marco percebeu que para sair de um presídio é preciso ter a força de Hércules, se é que vocês me entendem.
Ele foi preso na ala de triagem do Carumbé e deve aguardar no presídio lá até ser julgado.
Positivo e Operante copia?
Postado por
Ratapulgo
às
11.5.03
0
grudados
10.5.03
Humilhação
Começou a esquentar em Nova York. O que significa ar condicionados ligados, o que, por sua vez, significa frio glacial nos espaços fechados. O ar condicionado na América é a prova definitiva de que, mais do que ter o domínio sobre a natureza, os americanos querem humilhá-la por completo.
AMARAR EM NEW YORK
Postado por
Ratapulgo
às
10.5.03
0
grudados
Eu já acreditei em paixão eterna.
Eu já pensei em me matar.
Eu já pensei em matar.
Eu já planejei meu velório.
Eu já vi disco voador (ei... tinha mais gente comigo!)
Eu já ganhei um campeonato de chopp em metro (tomei três garrafas de cerveja direto, sem parar... hehehehe).
Eu já beijei namorado de amiga minha (hj não faço mais isso).
Eu já mordi até sair sangue.
Eu já dei e recebi muito tapa na cara.
Eu já ri de “tamanho”.
Eu já vomitei na minha cama (eka!!!) e botei a culpa na minha cadelinha.
Eu já ajudei a embebedar a minha avó.
Eu já tomei banho de piscina em um frio de zero graus.
Eu já tomei banho de mar em um frio de zero graus.
Eu já quebrei o dente de um namorado.
Eu já cai da janela do segundo andar (beuda).
Eu já me vesti de vaca.
Eu já me vesti de caixa.
Eu já me vesti de deusa grega.
Eu já fiz uma festa em uma casa abandonada (e os donos apareceram e participaram da festa).
Eu já fiz o Reitor da faculdade pagar um festão pros meus amigos.
Eu já participei de muita festa onde todos os meus professores estavam muito bêbados (e eu tbm!).
Eu já dirigi um carro à 180km/h.
Eu já pensei em bater o carro de propósito.
Eu já andei em um fusca com 9 pessoas dentro.
Eu já abri e liguei o carro errado com a chave do meu carro (só descobri que não era meu carro pq a rádio q estava sintonizada tava tocando música sertaneja).
Eu já andei em um carro conversível com a capota aberta em um temporal.
Eu já roubei placa de trânsito e cone de sinalização.
Eu já ajudei a derrubar uma freira em um poço de tartarugas.
Eu já coloquei bolinha de cinamomo no molho de cachorro quente da festa de São João pq queria ver se o pessoal ia ficar doidão.
Eu já batizei bebida de namorado (que não bebia por ser fraquinho, fraquinho) só pra ele ficar bobo.
Eu já bebi um lance pegando fogo.
Eu já bebi curaçau blue de uma seringa.
Eu já liguei pra uma boate dizendo absurdos sobre o lugar até que eles cederam, de graça, o melhor camarote do lugar e toda bebida que pudéssemos tomar.
Eu já tirei 10 em prova só embromando o professor com minha lábia.
Eu já fui milhares de vezes a secretaria, coordenação e afins.
Eu já tomei porre de absinto (e é o pior de todos).
Eu já cai do telhado brincando de esconder com meu namorado.
Eu já fiz campeonato de martelinho.
Eu já tranquei meu pai na rua (beuda).
Eu já convenci um professor da faculdade que eu estava passada (eu estava rodada de verdade) e que ele havia posto minha nota errado no caderno e ele me passou com nota 9!!!
Eu já ajudei (sem querer) a bater um carro em uma duna de areia.
Eu já andei muito em cemitério de noite.
Eu já participei de festa em cemitério.
Eu já fiz caipirinha em um reco-reco.
Eu já fiquei com uruguaio, americano, português e francês falsificado... mas nunca com um argentino.
Eu já fiquei com um cara que descobri ser casado.
Eu já fiquei com um cara em cima de uma carroça de faroeste.
Eu já tive quadro com a foto do Brizola na parede do meu quarto.
Eu já fiz boca de urna.
Eu já criei uma cobra venenosa.
Eu já criei uma aranha caranguejeira.
Eu já participei de campeonato de caça ao morcego.
Eu já botei sabão líquido (de lavar louça) na bebida de amigos que estavam muito bêbados (e eles nem notaram as bolhinhas estranhas no canto da boca).
Eu já bati feio (quase perda total) o carro (não tava beuda).
Eu já vi um cara apontar uma arma pra mim.
Eu já vi o mesmo filme, no mesmo dia, sete vezes só por causa da bunda de um cara.
Eu já deitei no asfalto de madrugada, na avenida mais movimentada do bairro.
Eu já vi minha mãe apontar uma arma pra uns caras que invadiram nossa casa.
Eu já vi minha mãe apontar uma arma pro dono de uma vaca (ela é boa nisso).
Eu já vi minha mãe tirar a arma de um aluno bandido dela.
Eu já atirei.
Eu já atirei água na cara de um namorado.
Eu já fui a praia (220km de distância), com um namorado só pra comer um “x” que tem lá e é um espetáculo, e voltei de lá uma hora depois.
Eu já queimei a mão de um namorado no fogão.
Eu já fiz um namorado meu cortar a palma da mão com estilete.
Eu já fugi de casa e ninguém deu por falta.
Eu já quebrei uma vassoura na cabeça do meu irmão.
Eu já beijei apaixonada.
Eu já beijei com ódio da pessoa.
Eu já beijei por beijar.
Eu fiz um post no estilo do Eu já e nem coloquei muita coisa sobre sexo (isso que os posts do Eu já são praticamente só sobre sexo!!!)...
Coloquei mais pequenas coisas que fazem parte da minha história, e que dariam um bom livro. E o sexo? Geralmente eu exponho muito mais de mim em meus contos do que em uma pequena coisa como um post. Acho o sexo muito melhor quando é assim: algo misterioso e subjetivo. Vocês não acham? Então experimentem uma venda para os olhos... hum....
Mel
Eu já...
Postado por
Ratapulgo
às
10.5.03
0
grudados
Descontrole
Pela primeira vez na minha vida pensei que ia morrer. Estava triste, a beira da depressão, me tranquei no quarto e comecei a chorar descontroladamente. Deitei na minha cama, e parecia que meu travesseiro ia me sufocar até eu morrer. Não conseguia parar de chorar, até que tb não conseguia respirar, meu nariz e glote simplesmente fecharam, e por pura ironia da natureza, eu que estou mergulhada num mar de ar não conseguia que nenhum chegasse até meus pulmões.
Desci da cama e olhei no meu espelho, estava realmente sufocando, não conseguia gritar por socorro, e mesmo se gritasse, e mesmo que alguém ouvissem, até que arrombassem minha porta poderia ser muito tempo. Peguei o telefone, queria falar com meu melhor amigo antes que algo me acontecesse, mas não conseguia lembrar do número que há tempos tinha decorado.
Não conseguia conter minhas lágrimas, elas se multiplicavam a cada segundo, e como nas tragédias causadas pelas chuvas de verão, tudo em mim havia inundado, não havia espaço pra vida. Me levantei de uma vez do chão que a tempos estava rastejando, desmaiei.
Não sei quanto tempo fiquei desacordada e sem respirar, quando recuperei a consciência, as lágrimas pararam, deitei na minha cama e dormi.
De manhã meus olhos não abriram, eles estavam fechados como se tivesse apanhado muito, e realmente era assim como eu me sentia, na verdade era isso mesmo o que acontecera, meu subconsciente me surrou, me fez rastejar, me fez implorar pela minha vida. Fui trabalhar e parecia que eu estava parada e o mundo todo passava diante de mim de forma acelerada, mesmo nublado usava meus óculos escuros e tentava me manter o mais invisível possível para que ninguém me perguntasse o pq de estar daquele jeito, sem me dar conta que é por querer que as pessoas não se incomodem comigo que eu quase morri.
Em caso de coma - Me coma!
Postado por
Ratapulgo
às
10.5.03
0
grudados
Histórias reais de homens compreensivos
Eu juuuuro que as duas histórias são reais. Se passaram em duas cidades bem pequenas do interior do Brasil e têm alguma semelhança. Me foram contadas por grandes amigos de grandes amigos meus...
1
Ele se casou com a mulher mais bonita da cidade. Mas até então não sabia que além de beleza, ela tinha fogo. O início do casamento foi maravilhoso. Ele nunca pensou que uma mulher pudesse gostar tanto da coisa. Eis que, meses depois, ele já não conseguia mais viver daquela maneira. De manhã, de tarde, de noite, rapidinhas e demoradas, na cama, em todos os lugares da casa, no carro, na rua...! Ele já não tinha energia para o trabalho e nem para o futebol com os amigos. Foi numa noite dessas de pelada (pelada de bola, não de mulher...) que os amigos comentaram que ele não era o mesmo, que tinha emagrecido, que não jogava mais, que nem conversava mais.
Naquela noite, em casa, ele abriu o jogo com a mulher. O ritmo tinha que reduzir ou ele morreria! Ela compreendeu em parte. Conversaram. Negociaram.
Hoje ele faz o que pode. E o que ele não pode fazer, outros homens da cidade fazem. Com o consentimento do marido. No "regulamento", que ela nunca dê pros amigos dele. De resto, ele aceita. Não precisa nem saber quem são. É possível que sejam felizes para sempre...
2
Ela era louca pra ser mãe. Se casou aos 21, com o homem que amava. Dois anos depois, nada de filhos. E olha que tentavam com afinco...
Foram se consultar num médico da capital. Ele era estéril. Pensaram em adotar crianças, mas ela queria os dela. A tristeza tomou conta da casa. Viviam um impasse dramático e existencial. Ela chorava dia e noite. Ele sofria com a depressão da mulher.
Numa noite qualquer, ele chegou do trabalho e disse a ela que tivesse os filhos tão desejados com outro. Com outro, não. Com outros. Que escolhesse homens saudáveis da cidade e pimba! No "regulamento", que, pra todos os efeitos, aqueles filhos eram dele e pronto.
Hoje eles estão velhos. E ainda casados. Tiveram cinco filhos.
Há quem entenda e há quem não entenda. Mas é fato que uma união feliz passa mesmo por belas negociações e regulamentos...
galhardias de elasporelas
Postado por
Ratapulgo
às
10.5.03
0
grudados
9.5.03
o gato púchkin tem estado com frio! hoje, muito bonitinho, ele entrou num edredom que estava dobrado no pé da minha cama. entrou lá, como se estivesse em seu saco de dormir poderoso para acampamentos na áfrica central! ele é demais. está com cerca de seis quilos, um verdadeiro boizinho. eu fico muito feliz de morar com o púchkin, porque ele grita quando o cocô dele vira uma mina de esterco e porque ele abre o pacote de ração quando percebe que eu esqueci de encher a sua vasilha e que vou demorar a voltar. o púchkin é independente, aprendeu comigo, orgulho da mamãe. :o) ele sai de casa pra namorar, mas sempre volta e me espera na portaria do prédio. ele tem três ou quatro namoradas na rua, é praticante do donjuanismo kierkegaardiano e de uma safadeza jecevaladiana, mas quando é filho a gente acha bonitinho, né? que vida, meu deus.
(...)
o gato da Nibeluga do Cabelo Duro
Postado por
Ticcia
às
9.5.03
0
grudados
Rio de Janeiro.
Estava lá no bar, vendo o Jornal Hoje e tomando minha média extra-forte com misto-quente quando chegou o sujeito e pediu um café carioquinha. O atendente foi lá na máquina e voltou com aquele café completamente aguado, mais para marrom do que para preto. O sujeito tomou aquilo com gosto. Na TV a Rosinha e o Garotinho e suas infinitas reuniões e forças-tarefas contra o crime organizado.
Foi então que percebi.
Uma cidade onde se inventou tomar café fraco só pode mesmo viver no caos.
epifania do Desgarrado
Postado por
Ticcia
às
9.5.03
0
grudados
Nos últimos dias deslizei-me em caneta sobre papéis. Evidentemente não poderia escrever todas as cartas que prometo e que afirmo com veemência querer. Faço escolhas entre cidades e códigos postais. Escorrego-me então entre linhas que revelam-me muito mais do que o teclado. A caneta é um objeto que despe seu dono. Não há tecla “delete”. A carta sela um texto que não poderei reler, refazer. Depois de enviada, não posso mais rasgá-la. Não posso tirá-la das mãos do destinatário. Por isso, quando exercito-me em caneta sobre o papel, raramente releio. Procuro enfiar o papel dobrado rapidamente no envelope e, sem mais pensar, depositar em uma caixa dos correios. Está feito. Não conto que me arrependo porque nem lembro mais o que foram as linhas que revelei. Sei apenas que abri uma cortina, deixei um raio de luz adentrar um recinto pessoal. Tenho medo de meus deslizamentos porque me sinto muito mais atingível, menos protegida. Adquiro meu tamanho real, minúscula poeira sobre o mundo. E quando sei que o destinatário me descobre assim, estremeço dentro de mim. Mas só quando estou despida posso ter o afeto ou o desafeto sincero. Então arrisco os deslizamentos porque não viveria sem saber como é tocar e ser tocada. Correr riscos é caminhar a vida. Estar vulnerável é estar em um momento de coragem. Absoluta poeira minúscula que provoca a caminhada dos homens vestindo camisa amarela.
palavras empoiradas da Walkwoman
Postado por
Ticcia
às
9.5.03
0
grudados
UM VINHO CHAPINHA COM RROSE SÉLAVY
Oi, pessoal. Sumi porque estava muito ocupado ciceroneando o fantasma de Marcel Duchamp. No começo, ele não queria conversar sobre arte; lamentava-se de sua condição de ectoplasma, que não lhe permitia beliscar os exemplares mais interessantes de bundas femininas. Ponderei: "Bem, pense nas vantagens. Você também não é obrigado a compartilhar este abominável vinho Chapinha que estou tomando". "Ah, c'est vrai. À quelque chose malheur est bon", concordou. Em seguida, meio a contragosto, Rrose Sélavy me acompanhou num passeio pelas galerias brasileiras. As instalações e certos exemplos de "arte conceitual" fizeram-no gargalhar: "Rapaz, não acredito que levaram aquelas minhas piadas a sério. Quanta gente fez fama e ganhou dinheiro a partir delas! C'est incroyable".
No final do passeio, perguntei se ele tinha algum conselho a me dar. Duchamp respondeu: "Promova já uma noite de autógrafos". "Mas eu não tenho uma obra! Escrevo umas bobagens num blog, que é inautografável." "Ótimo, ótimo! Sem essa de obra! Isso é uma bobagem, não interessa -o fundamental é a noite de autógrafos. Faça uma performance e autografe sua não-obra, que é você mesmo. Ponha sua assinatura em folhas de bloco, guardanapos, pedaços de papel higiênico, cheques em branco, paredes, toalhas de mesa, braços engessados. Não se engane, mon ami - muitos grandes 'artistas' vêem a obra como mero pretexto para obter, no fim, a noite de autógrafos. Suprima a obra e seja mais sincero que todos eles." Disse isso e desapareceu no éter.
espumante de puragoiaba
Postado por
Ratapulgo
às
9.5.03
0
grudados
Talvez eu precise de uma máquina de escrever
3.mai.03 - funhouse
Meus cadernos, aqueles de carregar na bolsa, costumavam durar quase nada, todas as páginas maravilhosamente cheias de besteiras, algumas totalmente ilegíveis por causa do álcool ou das bolinhas ou de qualquer outra coisa, todas as linhas cheias, todas as folhas rabiscadas.
Este aqui dura. Dura. Dura. Só tem listas de compras, nomes de bebê e umas anotações dos outros e umas traduções. Um que outro texto perdido, parado pela metade, umas idéiassoltas, todas mortas, secas e tristes porque eu não quis nada com elas, coitadinhas, atoladas nas linhas inúteis.
5 meses e o caderno branco como a minha bunda.
"maybe you lost it?"
"lost what?"
"you know"
Não, não perdi nada. Eu escolhi chocar, no momento. Jogo as idéias no ralo quando a inspiração vem, porque não é o meu computador. Porque eu tenho o sono do mal. Porque agora tem umas coisas estranhas, a vida normal de quem come e dorme e bebe só uns golinhos e nada de drogas, e uma coisinha linda mexendo na minha barriga e dizendo que nada vai ser como eu achava.
Ainda bem.
Eu via o buraco, sabia que estava em algum lugar e andava sempre em frente, no escuro ou no claro, sempre em frente, eu sabia o que iria acontecer, todo mundo sabia, e eu queria, e ia, ia, ia, achando que sabia tudo, mas eu não sabia nada. Meu suposto destino era só mais uma invenção romântica de menina besta, achando que morreria em um quarto mofado, com um cinzeiro cheio e uma garrafa vazia, a vida pela metade, um livro pronto na gaveta, umas folhas largadas na mesa e cartas de amor perdido espalhadas pelo chão. Mas quem é que vai morrer agora? Quem é que tem amor perdido? Quem sofre? Eu não. E ainda por cima, nunca mais vou poder ser suicida nem morrer de overdose pelos cantos. Mães não podem fazer essas coisas.
Era muito fácil viver com a possibilidade da morte na esquina.
Agora eu preciso olhar para frente e ver uma vida enooorme, dez, vinte anos. Agora, alguém me diz como se vive com a possibilidade de vida longa e responsabilidades? Porque eu não sei. Simplesmente não sei o que fazer com a minha vida, agora que vou viver.
back to before you accuse me take a look at yourself
Postado por
Ratapulgo
às
9.5.03
0
grudados
Da série: Só acontece comigo...
Estava eu lendo minha Marie Claire e aguardando meu pai do lado de fora da estação de Metrô São Joaquim ontem por volta das 19:00 quando um indíviduo chega e entrega um papelzinho na minha mão...
Indíviduo: Você não gostaria de contribuir para a minha formatura? Estou fazendo direito.
Eu: Não
I: Você não tem dinheiro?
E: Não, bem-vindo ao mundo!
I: Mas você não quer comprar um nem para o seu namorado?
E: Não tenho namorado.
Pensamento: Putz, esse cara não vai embora não?
I: Não é possível, uma menina linda como você não tem namorado?!?! Só se for por opção...
E: Pois é, não tenho namorado
P: Xô, xô, xô!!!
I: Não... você está realmente fechada para essas emoções, ninguém em seu coração, nenhum interesse, nada.
E: Qual é o seu ponto?
I: Qual o seu nome?
E: Por que eu te daria o meu nome?
P: Pronto, depois dessa ele vai embora.
I: Meu nome é Leonardo.
E: Eu não perguntei seu nome.
P: Não, agora ele TEM que ir embora
I: Calma, calma, calma, calma. Eu sou só um estudante. Não precisa andar para trás.
E: A cidade é São Paulo e o ano é 2003. Até que se prove o contrário você é um ladrão, sequestrador ou assassino.
I: Você tem cara de quem gosta de desafio
E: ahã
P: Puta que o pario... eu mereço... cadê meu pai?
I: Vamos fazer o seguinte. Eu te faço uma pergunta, se você acertar a resposta eu te pago um tributo mas, se você errar você me paga um tributo
E: Não aposto o que eu não sei que estou apostando.
I: Não, mas eu te conto!
E: ahã
P: Eu DEFINITIVAMENTE mereço
I: Eu quero um beijo, de língua, bem molhado...
P: Ill.... socorro... cadê meu pai? Quem esse cara pensa que é?
E: hahahahaha ahã, não.
I: certeza?
E: Absoluta.
I: m... (abrupto corte)
E: Não.
Só ai meu pai chega... sim, eu mereço...
Juro, nem que eu quisesse eu conseguiria inventar essas coisas...
oooooooops!
Postado por
Ratapulgo
às
9.5.03
0
grudados
Por um instante ela pensa que seus lábios haviam se tornado de vidro, gelados que estão, úmidos e expostos ao vento gelado do início de manhã. Além de gelados, imóveis. Não diz nada. Não conseguiria mesmo que quisesse. Seu corpo parece coberto por olhos, que piscam nervosos, cada um em intervalos próprios, pequenos espelhos que o multiplicam por mil. Ele chega e respira próximo. O ar que sai das narinas toca os cílios dos olhos que não existem e ela sente a mão pássaro aninhar-se entre seu cabelo e a nuca. Um pequeno repuxo traz a flor de vidro para perto do fogo e ela desabrocha em carmim.
A-ham, Não Discuto
Postado por
Ratapulgo
às
9.5.03
0
grudados
8.5.03
Esse negócio de ser gangsta rapper auto-didata estava ficando meio complicado, então resolvi procurar ajuda. Me inscrevi no incrível curso por correspondência de gangsta rapper do Instituto Universal Brasileiro, que também oferece cursos excelentes de silk screen, conserto de TVs em cores, violão, detetive particular e o inigualável curso de Dercy Gonçalvez. Acho até que vou fazer o pacote completo de cursos do Instituto Universal Brasileiro, que eles também dão de brinde o curso de tecnocalendarismologia, que, entre outras coisas, explica o que diabos é tecnocalendarismologia.
(...)
Houve um pequeno engano e, no lugar do curso de gangsta rapper por correspondência, o Instituto Universal Brasileiro me enviou o curso de filosofia. Liguei para reclamar, mas eles não aceitam devolução. Então, estou fazendo o curso de filosofia mesmo. Vem escrito na caixa: "Curso de Filosofia Por Correspondência. Cerveja não incluída".
A princípio, achei o curso confuso e sem nenhuma utilidade. Depois, descobri que há ali algumas técnicas muito boas para comer em bons restaurantes sem pagar a conta.
- Obrigado, garçom. Tchau, hein.
- Como assim? Vai sair sem pagar a conta?
- Ora, ora... Primeiro precisamos entender um negócio: o que é a conta?
- A conta? Pô! A conta é o preço da comida!
- Mas o que é a comida?
- Como assim?! Comida é isso aí que você comeu!
- Muito bem... se eu comi, há um preço a se pagar, certo?
- É isso que eu tava dizendo.
- E eu devo pagar como?
- Com dinheiro, porra!!! Paga logo!
- Mas o que é dinheiro? Dinheiro não seria uma percepção de valor imposta pela sociedade? Se eu dissesse que esse folheto de empreendimento imobiliário é dinheiro e a sociedade aceitasse isso como verdade, isso passaria a ser verdade. Mas e se eu aceitar isso como verdade? Então, essa será a minha verdade. E, na minha verdade, isso aqui vale dinheiro, eu posso te pagar com esse folheto de empreendimento imobiliário e você ainda fica me devendo 15 Reais de troco. Toma aí o folheto.
- Errr... Quanto mesmo que eu tô devendo de troco?
- 15 Reais. E rápido, que eu tô com pressa!
Platão é que sabia das coisas.
é uma vida + ou -
Postado por
Ratapulgo
às
8.5.03
0
grudados
Acordar com este gosto de capota de Jipe na boca e com essa sensação de que, caso eu me abaixe para amarrar o sapato eu vou tontear e cair no chão, me lembrou algumas das grandes ressacas da minha vida... Uma que me marcou foi quando estourei-me completamente do fígado. Uma festa de aniversário de uma amiga, japonesa. Festa de oriental. Receita doida: Muitos doces malucos, cerveja, uísque, vodka, maconha, confusões, piscina. Eu era muito moleque mesmo... Galera toda se entorpecendo. Uns caindo na piscina, outros fumando um baseado na rua. Lá pelas 3 da manhã, sei lá porque raios de motivos encosta uma kombi com um pessoal dentro. Diziam que ia rolar a pauleira. Só lembro de um amigo dizendo: - "Pauleira? Então tá!" e blam! enfiando o pé na porta da kombi, afundando a lataria e mostrando que, se os caras descessem, a coisa ia ser feia. Sei que no final não teve briga. Voltamos pra festa e continuamos a bebedeira, jogando uns aos outros na piscina... um espetáculo... Mas no dia seguinte, ao abrir os olhos, sentí-me num daqueles brinquedos de parque de diversões. Tudo girando, girando, girando... Até para ir ao banheiro vomitar era complicado. Pois o quarto girava. O corredor girava. O apartamente girava. O prédio inteiro girava. E a privada. Bom, essa tava parada no lugar... mas o banheiro... esse girava pra caralho!
culpa da Cerveja
Postado por
Ratapulgo
às
8.5.03
0
grudados
É bom poder escrever de casa novamente, embora o Mundo das Caixas de Papelão não seja exatamente acolhedor e perfeito como um gato o percebe, sim, porque só os gatos penetram as Poderosas Caixas e nadam no plasma de sua onipresença esquisita, da sala ao quarto, pelo corredor e até no banheiro, Caixas, oh, Caixas. Eu ignoro a baderna, como sempre fiz - questão de sobrevivência - e tento circular, respirar e pensar aqui dentro. Fica fácil se lembro que todo prédio é uma Caixa de Papelão gigante. Eu olho pelas frestas da minha caixa pros buracos nas caixas de papelão vizinhas e vejo os ratinhos lá dentro brincando de circular nas mesmas idéias uns dos outros na frente do tubo de imagens e é satisfatório imaginar que eu não sou a única incapaz de ter um pensamento original.
deixado (entre parênteses)
Postado por
Ratapulgo
às
8.5.03
0
grudados
Atendendo a pedidos.
Chegaram aqui procurando 10+dicas+para+não+irritar+a+mãe+no+dia+das+mães. Como somos mães generosas e altamente interessadas em não ser irritadas, vamos dar um bônus e dobrar este número.
Aí vão as nossas 20 dicas para não irritar a mãe no dia das mães:
1. Se você é o filho, não se esqueça do dia das mães.
2. Se você é o pai/marido, não viaje neste fim-de-semana para um evento reggae. Se viajar, não perca o vôo da manhã e chegue em casa à noite, sem presente.
3. Mesmo que sua mãe seja alternativa, porra-louca, outsider, comunista, anarquista, anti-consumo, não ignore a data.
4. Se você for bebê, não tenha febre, nem cólica, nem faça muito cocô. Se possível, durma a noite inteira.
5. Se você for criança, não faça birra, não chore muito.
6. Se for adolescente, tente não se trancar no quarto o dia inteiro e balbucie pelo menos um “parabéns” em tom de voz audível.
7. Se for adulto, apareça, nem que seja para uma visita rápida.
8. Se já tem filhos, não aproveite a visita do dia das mães para deixá-los com ela e cair na balada.
9. Se você tiver irmãos, não brigue com eles no domingo.
10. Não entre cedinho no quarto da sua mãe sem bater na porta, por melhores que sejam as suas intenções.
11. Não dê um presente tipo liqüidificador.
12. Não dê de presente um skate, um disco do 5ive, um beyblade ou algo que você gostaria de ganhar.
13. Não dê uma roupa muito grande.
14. Não dê uma roupa muito pequena.
15. Não dê nada que engorde. Mas principalmente, nunca, jamais dê nada que insinue que ela está gorda.
16. Não dê um presente parecido com o que ela vai dar para a sua avó. Principalmente se for a avó paterna.
17. Se você é pai/marido e pediu para ela comprar o presente da sua própria mãe, não critique o mimo escolhido. Se você tinha uma idéia melhor por que não comprou você mesmo?
18. Não pergunte o que vocês vão comer. Não espere que ela providencie a comida da família neste dia.
19. Não coloque faixa na rua, não mande um telegrama animado e muito menos aqueles carros de som com mensagem.
20. E lembre-se: A rose is a rose. Mas um modelito da Zara is um modelito da Zara.
:: Mothern ::
Postado por
Ratapulgo
às
8.5.03
0
grudados
7.5.03
Espero que ninguém tenha percebido...
Todo mundo tem um dia filho da puta na vida... e no meio desses dias sempre aparece uma corda, um vidro de cicuta ou uma página de fim.
Não acontecerá de novo.
AMARULA COM SUCRILHOS
Postado por
Ratapulgo
às
7.5.03
0
grudados
É assim oh, eu tô com muita vontade de fazer umas coisas mas outras coisas me impedem.
Eu odeio essa história de manter a linha. FODA-SE viu. Cansei. Enchi, Caguei e andei. Dei tiau e virei as costas.
Vou esperar até Agosto. Juro que vou esperar. Sou paciente. Já disse que sou paciente? Pois é, eu sou paciente.
E é essa porra de paciência que acaba comigo. A paciência me corrói e o conformismo me carrega.
(...)
Eu já larguei esse negócio de se preocupar com o que você come, se preocupar com o que você veste, se preocupar em como o seu cabelo está.
No final todo mundo vira pó e fim. Ficar me preocupando com futilidade é burrice, vai que eu morro amanhã. E depois eu não quero me enfeitar como uma árvore Natal pra ninguém não. Nasci pra ficar sozinha e nem vem dizer que é um drama desmedido.
Ninguém iria me suportar, meu humor é uma constante variável. Eu só não vou ficar sozinha se aparecer um cara na minha vida que leia meus pensamentos, saiba o que eu quero, saiba a hora de sair de perto e saiba a hora de ficar perto. Não vejo graça nenhuma nessas descobertas de como é o seu parceiro.
Eu sou difícil de lidar porra e não sou cobaia de teste e muito menos vim com manual de instrução. Ou a pessoa sabe lidar comigo ou não sabe, como ninguém sabe eu já me conformei com a solidão.
ei Lívia e se você encontrar alguém como você?
Saidereto! Alguém igual a mim? Credo, é aí que eu saio fora mesmo. Odeio gente cheia de nhé nhé que nem eu, odeio gente cheia de fazer drama que nem eu.
O meu futuro eu já prevejo.. eu, velhinha, rodeada de gatos, cachorros e um peixe que se chamará Alfredo em um apartamento apertado, surda, quase cega e com todas as doenças respiratórias imagináveis na cadeira de balanço ouvindo Groove is in the Heart do DeeLite.
Abscesso... e agora?
Postado por
Ratapulgo
às
7.5.03
0
grudados
Resposta padrão
Para ser usada na refutação de qualquer comentário ou insulto no futuro, com pequenas variações, claro
Antes de qualquer coisa, eu queria agradecer ao articulista, que gastou seu precioso e privilegiado cérebro me fazendo ver algo tão profundo e de efeito tão devastador sobre minha pessoa. Realmente eles estão certos e eu não tenho critérios, sou burro, feio, cara de mamão, não sei debater, sou falso polemista, incoerente, tenho frieira, não sei diferenciar jiló de batata, sou arrogante, arroto na mesa e me jogo no chão do supermercado quando quero um doce.
Graças aos argumentos irrefutáveis do articulista, vou mudar completamente o meu modo de ler livros, meu modo de escrever, meu modo de encarar a vida. A partir de hoje, serei outro homem e andarei pela sombra e não mais beberei; vou ser mais científico, minha busca será por parâmetros e só ousarei escrever o que quer que seja depois de ter ao menos 50 notas de rodapé; chamarei os poetas que considerarei medíocres de gênios e os prosadores sem articulação alguma de mestres; e, sobretudo, não terei mais o menor senso de humor e ostentarei uma placa na testa onde se lerá: INTELECTUAL.
Mais: pedirei a benção do papai e da mamãe, escovarei os dentes antes de dormir, não colocarei os cotovelos na mesa e jamais direi palavrão. Graças às argutas palavras dos dois articulistas, ascenderei ao Céu, atingirei o Nirvana, mobilizarei as massas em direção á utopia marxista.
Escrevo esta resposta ajoelhado no milho e com lágrimas nos olhos.
O Polzonoff
Postado por
Ratapulgo
às
7.5.03
0
grudados
Lembrei agora que na Europa é comum nos restaurantes vc dividir a mesa com várias pessoas desconhecidas coisa que aqui no Brasil, nem entre os mais pobres se sonha. Pois. E lembrei tb que isso rendeu um episódio desagrabilíssimo numa das nossas saídas lá quando dividimos a mesa com um casal de idosos cuja mulher, por estarmos falando em português achou que não sabíamos o idioma (sentaram-se após termos pedido) e resolveu que ia comentar tudo o que fazíamos e comíamos.
O marido coitado, vivia pedindo que ela se calasse, mas a velha era daquelas mexeriqueiras e grossas, daquele tipo que acha que estrangeiro é ignorante e está roubando no seu país, coisa comum na europa, diga-se de passagem. Nós até nos olhamos mudamente e decidimos comer e sair dali rapido, mas não deu não. A velha era tão inconveninete que meu irmão acabou armando o maior banzé com ela que teve direito a todos os palavrões mais ofencivos em francês (vous me fait chiê!), muro na mesa e saída intempestiva do restaurante afirmando em altos brados que no país de pobre do qual vinhamos isso jamais aconteceria, porque cordiais nós somos e sabemos minimamente reservar uma mesa para cada freguês. E minha mãe saindo ofendida atrás porque ele desrespeitou os velhinhos!
só Depois Eu Penso Nisso
Postado por
Ratapulgo
às
7.5.03
0
grudados
6.5.03
Se tudo der certo, dentro de nove meses lunares, ou 252 dias, nascerei, gregorianamente no dia 4 de Janeiro de 2004, Guerreiro Auto-Existente Amarelo, kin 56.
(...)
Hoje é o dia segundo do meu pequeno embriãozinho, dia do Enlaçador de Mundos Magnético Branco, kin 66.
Passada a missão de recém-formar-se, sigo meu caminho:
"Eu unifico com o fim de igualar
Atraindo a oportunidade
Selo o armazém da morte
Com o tom magnético do propósito.
Eu sou guiado pelo poder da morte."
Hum, difícil para um embriãozinho, mas de se pensar que de um dia para o outro viveu-se o dobro do já vivido, pode-se pensar se vale a pena continuar. Hummm... vale.
(...)
Fui dormir ontem, cedo por sinal, mas isso não importa e vamos ao que interessa. Deitado de olhos fechados comecei a observar espectros luminosos, como uma energia que fluia de forma circular de fora pra dentro, do lado direito, como pulsos de luz. Comecei a prestar atenção e a luz começou a se ampliar, logo fazia um esforço para que tudo fosse dominado por uma luz azul, estava quase conseguindo quando a censura veio atrapalhar, dentro da minha cabeça, e logo os espectros luminosos foram para o lado esquerdo, como se fossem embora. Fiz mais um esforço e consegui voltar, consegui com que a luz, azulada, conseguisse dominar todo o campo de visão. Entrei em um mundo visual à parte, todo azulado e com estruturas desconhecidas, sentia-me adentrando meu inconsciente. Resolvi brincar mais e criei uma música, notas graves a agudas de piano, música clássica psicodélica. Na sequência, abstraí cheiros, primeiro de rosas, depois de uma floresta de eucaliptos, mas definitavente de incenso, algum incenso. Pra finalizar, a sensação de mãos massageando as costas. Não pensei em nenhum gosto, esqueci disso. A sensação era a de que dormiria consciente. Depois de algum tempo é que as coisas ficaram estranhas, primeiro a sensação de que alguém havia entrado no quarto e esbarrado no meu pé, a impossibilidade de me mexer, normal até quando se está parcialmente dormindo. Pensei em espíritos, depois pensei em alucinações pré-morte, a idéia da morte me assustou um pouco, depois ponderei. Pensei então em deixar seguir, mas em seguida não me senti preparado e resolvi acordar, ou voltar do estado em que eu estava. Tive o receio, que até mesmo na hora eu achei tolo, de que poderia não voltar mais. Mesmo achando tolo segui-o. Mas parece que a minha decisão não foi unânime e meu inconsciente ainda queria brincar comigo. De novo relaxado e "dormindo", mesmo tipo de sensações, só que agora ouvia músicas de verdade, não sei se existentes, mas eram músicas com todos os elementos, inclusive vocais. Não consegui identificar nada nelas. Desliguei o despertador, não queria que isso fosse interrompido, caso continuasse, por aquele som irritante, ou mesmo os sonhos de um possível sono. De alguma maneira o som de chuveiro de alguém tomando banho influenciou bastante a "viagem", era incômodo e quando acabou tudo ficou mais tranquilo. Acho que ouvi mais músicas, mas creio que dormi e tive um sonho também estranho. Meu celular avisava do aniversário de pessoas que não vejo faz tempo e não avisava no dia certo, nem sei o que pensar disso.
Descobri que hoje, oitavo dia da minha gestação, é dia portal, Humano Ressonante Amarelo, influência, sabedoria, liver-arbítrio e harmonização. O guia é a Semente, o florescimento, de alguma maneira o renascimento depois das sensações de morte, morte como transformação. O análogo, o reforço, o selo da Mão, sela o conhecimento. O selo oculto é a Lua, a purificação, eis a ajuda secreta. O desafio é o Vento, a comunicação. Tá, esse é sempre o meu desafio, hehehe, mas acho que a comunicação hoje tá meio truncada demais mesmo.
No Good Golfers
Postado por
Ratapulgo
às
6.5.03
0
grudados
Venho por meio desta, apresentar meu pedido de demissão da categoria dos adultos. Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas. Quero acreditar que tudo é possível. Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim e quero ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo. Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Cansei dos dias cheio de computadores que falham, montanhas de papeladas, noticias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo que existe. Não quero mais ter que inventar jeito de fazer o dinheiro chegar até o próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigado a dizer adeus a pessoas queridas, e com elas uma parte da minha vida. Quero ter a certeza de que Deus está no céu, e de que por isso, tudo está direitinho neste mundo.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam. Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada. Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga, ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas.
Quero passar as tardes de verão a sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos. Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida. Quero que as maiores competições que eu tenha sejam entrar num jogo de bola-de-gude ou uma pelada.
Quero voltar ao tempo em que tudo que eu sabia era o nome das cores, tabuada, cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria" e que isso não incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.
Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar ou aborrecer.
Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade da justiça, da Paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia. Quero estar convencido de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro!
A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto. Agora, se você quiser discutir a questão, vai ter que me pegar...
PORQUE O PEGADOR ESTÁ COM VOCÊ!!!!!!!!
Automático, manual ou remoto
Postado por
Ratapulgo
às
6.5.03
0
grudados
As Quatro Salas
Todos os assuntos do mundo são discutidos em quatro salas: a dos chatos burros, a dos chatos inteligentes, a dos divertidos burros e a dos divertidos inteligentes.
Sempre foi assim. Quatro salas, ao longo de milhares de anos.
Por vaidade, acho que estou na dos divertidos inteligentes. Todo mundo acha que está na dos divertidos inteligentes. Menos os chatos burros, que se orgulham da própria chatice; mas esses também se enganam ao achar que estão na sala dos chatos inteligentes.
Uma coisa sobre a hierarquia das salas: a mais respeitada é a dos chatos inteligentes. Porque os chatos fundamentam tudo o que dizem, e fundam sistemas e são coerentes.
Freqüentemente, nesta que eu acho que é a sala dos divertidos inteligentes, digo casualmente alguma coisa sobre, digamos, a lei. Não fundamento nada, porque não quero ser chato. Uma regra para não ser chato: chute. Nenhum chato chuta o que diz. E ninguém que chuta é chato.
Mas daí aparece alguém e diz: lá na sala dos chatos inteligentes já refutaram isso que você disse faz tempo, ó.
Entro na sala dos chatos inteligentes para perguntar se é verdade. Um grupinho de homens (homens são mais chatos que mulheres. São mesmo) estão conversando, digo, monologando em turnos, com vozes lentas e pastosas. Espero por uma pausa para poder fazer a minha pergunta, mas não há pausa. Alguém me faz um gesto para que eu sente; eu sento.
Por acaso, o sujeito gordo que está falando (canetas no bolso. Chatos têm canetas no bolso) está falando exatamente sobre lei. Está se aproximando do exato tópico em que supostamente fui refutado. Mas ele fala pau-sa-da-men-te, entre uma palavra e outra engole e dá para ouvir o som do ventilador e de um carro passando na rua, e eu tiro um cochilo, e acordo, e ele ainda está no mesmo período começado lá atrás com um outrossim.
Todo debate sério é feito nessa sala. São inteligentes, mas me fazem dormir. Pessoas caídas nos cantos acordam de vez em quando e prestam atenção no que está sendo dito, e comentam: “Ah, você ouviu o que o gordinho disse?” E você só é respeitado intelectualmente se passar por esse ritual, e ficar anos e anos estirado ali no chão, lutando contra a narcolepsia como Dostoiévski lutando contra um ataque epiléptico.
Voltei para a minha sala, seja ela qual for, porque não quero ficar ali estirado no chão dormindo. Quer saber? Ninguém está certo por ser chato. Ninguém está errado por ser divertido. E acima de tudo, ninguém está certo porque é tão chato que ninguém ficou acordado tempo suficiente para refutá-lo.
Alexandre Soares Silva
Postado por
Ratapulgo
às
6.5.03
0
grudados
5.5.03
- Help !! Help meeeee !!! -uma mulher na escadaria ao lado estava gritando, metida num hobby amarelo limão e rosa, lenço na cabeça. Olhei escadaria abaixo, um homem deitado de bruços numa poça de sangue, um pedaço de metal preto na mão. O motorista do taxi ficou sem saber o que fazer, desceu, eu desci também, cheguei mais perto, depois fiquei como uma besta olhando a mulher nos degraus chorando, sem saber o que fazer.
- My daughter, he shot my daughter !!!! - eu não vi a filha, não entendi, vi logo um carro de polícia do outro lado da rua, eu e o motorista de taxi gritamos para eles, acenamos, eles pareciam não ver, nem ouvir, como não ?
Frio, frio do cacete, o sangue não é vermelho, é quase roxo. Paguei o motorista, vi os policiais correndo, arma em punho, um deixou um molho de chaves cair na calçada, o outro foi prédio adentro, a mulher seguiu, mas ainda gritava ou chorava, não sei direito.
Ninguém afastou a mão do homem caído da arma, como fazem nos filmes. Nem checaram para ver se ele estava mesmo morto. Estavam pasmos como eu. Que me arrepiei, achei que o cara ali ia levantar e usar a arma na gente. Caminhei até a esquina de costas, e desta vez não fiz questão de esperar pela ambulância, que chegou assim que eu meti os pés dentro de casa, luz vermelha e branca que inundou as ruas.
Tudo isso aconteceu agora, aqui na esquina de casa, quarta-feira, 1h14am.
•
Perdi a vontade de escrever sobre qualquer outra coisa
•
update: sim, foi crime passional. eu sabia
s t r i p p e d
Postado por
Ratapulgo
às
5.5.03
0
grudados
Decidi viajar pra Angra dos Reis no inverno. Iria aproveitar aquela beleza toda, tomar litros de taff man e tocar minha gaita até altas horas da madrugada. Se aparecesse algum turista, já tinha tudo preparado: uma colcha remendada e três quilos de estopa pra me encapotar e ir mendigar na areia da praia, babando clara em neve.
Ia pela estrada dirigindo ao embalo de "Chuva fina no meu pára-brisas", do Rei roberto, mas lá fora a realidade era outra. Tempestade magnética, granizo e destruição. Me sentia na última fase do enduro. Minha mente foi dominada por aqueles ruídos do jogo, quando, súbito, um objeto bateu no vidro do carro. Encostei e desci pra ver o que era — pra mim era um cascalho, uma andorinha. Mas não, era um cachorro. Chutei pra ver se ele acordava. O bicho estava magro, era o pau da rabiola, nem mexia. Tentei a famosa técnica heimlich, tentei pressionar o peito com o pé. E nada. Ao longe, vi um par de sirenes verdes. Era a polícia florestal.
— O senhor é ciente de que esse é um crime inafiançável? — perguntou-me um policial que apareceu do nada ao meu lado.
— Perdão?
— É um lobo-guará!
Olhei para a câmera 1 e levantei a sobrancelha direita pensando na zica que aquilo ia dar.
— Mas como assim, meu senhor! Eu vinha trazendo este frasco de groselha na carroceria, percebi que o bichano estava meio raquítico e resolvi encostar para alimentá-lo! Veja como está vivo! — dancei, então, uma catira abraçado com o lobo.
O guarda alisou o bigode, com um olhar de desconfiança.
— Não sei. Está muito quieto. O legítimo lobo-guará é bastante alvoroçado nesta época do ano.
Não era possível. Aquele guardinha-mirim sacana estava a um passo de me enquadrar. A idéia de ventriloqüismo me ocorreu. Pus o lobo no colo e comecei a puxar uns nervos da coluna vertebral dele. Ele mexia a boca e eu latia. O guarda se aquietou. Mas eu, que já tinha bebido umas três garrafinhas de taff man e, me distraí e comecei a imitar uma galinha d'angola. O policial percebeu na hora a armação e eu fugi numa charrete que passava. E isso já tem cinqüenta anos. O policial que me parou era, na verdade, o vigilante rodoviário. E até hoje corre a lenda que os motoristas desavisados que passam por lá vêem um lobo-guará cadavérico todo ensangüentado.
— TÔ FRACO! TÔ FRACO!
Clube da Comédia
Postado por
Ratapulgo
às
5.5.03
0
grudados
Retratos
Não me encaixo em alguns dos meus retratos passados. Lembro das datas, dos dias, das pessoas, lembro do cheiro e da cor. Lembro do estalo do clique. Mas, às vezes, esqueço quem eu fui. Lembro das emoções, mas não lembro daquele meu olhar e nem do horizonte que ele vislumbrava.
polaroid do AMARULA COM SUCRILHOS
Postado por
Ratapulgo
às
5.5.03
0
grudados
Enquanto almoçava, pensava que o problema da "espiritualidade" nos dias de hoje, fora o vocábulo verdadeiramente denunciador, não é a falta de relacionamento do homem com o que se chama Espírito, mas precisamente a presunção de que esse relacionamento ainda se faz presente de alguma forma válida.
Seria erro dizer que não há relacionamento algum. Há, mas de uma maneira loucamente equívoca e gnóstica, para não dizer criminosa. O problema, em suma, não são os pacatos e efeminados niilistas, mas os molengas e efeminados "religiosos", os nossos supersticiosos de hoje.
A religião, sem entrar muito no mérito da questão (vale lembrar o axioma patrístico: extra ecclesiam nulla sallus), reduziu-se a uma pletora de alternativas bizarras e equivocadas. De um lado, maçons e demais gnósticos querendo "dar-se bem no mundo" e postulando "espiritualidade" simultaneamente, o que constitui contra-senso; de outro, confissões antigas tornadas modernas com completa desfiguração da tradição.
Os substitutos para a velha religiosidade transcentente são todos gnósticos: new age, socialismo, budismo ocidentalizado, yoga, auto-ajuda, protestantismo em suas mil e uma seitas, para citar alguns. Todos trazem o selo do desprezo completo ou do amor incondicionado ao mundo, o que dá no mesmo. O selo do coisa-ruim, por assim dizer.
Em uma palavra, o problema não está na falta de religiosidade, mas no erro quanto ao que significa "religião". Julgando que acharam um substituto à altura, porque não passam de plebeus do Espírito que nada fizeram senão adaptar o bem e a verdade a seus desejos desordenados, entregam-se confortáveis a uma vida esvaziada de transcendência e ainda orgulham-se de estar protegidos de todo o mal. Querem duas coisas mutuamente excludentes: concupiscência, apego impenitente aos bens terrenos, e salvação, consolação espiritual.
Religião é dever, submissão à Vontade de Deus e verticalidade, tudo isso por meio da erudição, da contemplação e da ação (studium, theoría, actio). Temor, reverência, nobreza. Coisas que põem medo em qualquer homem moderno que se preze.
homilia do comentário ultramontano
Postado por
Ratapulgo
às
5.5.03
0
grudados
Não existe folha mal preenchida nos meus diários, escritos ou imaginários. Ou encontro meu início e me esparramo em folha inteira ou continuo sendo uma sensação inconclusa.
Não há decisão a tomar, situação a ser p(r)ensada e pesada antes de agir. Ou procuro meu começo justificando todo o fim ou continuo tendo os fins e os meios sem o princípio do ato.
Assim, de viés, posso parecer indefinida mas, a verdade - a mais pura -, é que sou concluída por decisões que já me tomaram e por experiências que já me decidiram. Assim, de revés, pode causar a impressão de que me falta planejamento e determinação - mas não, esses são parceiros amigáveis.
O que se ausenta de mim é a primeira palavra, - ignorada - e de onde nascerá o final pré-concebido. O que me falta não é a última cena, essa já decorei sem ensaio. Eu careço das estréias para ser inaugurada.
um oferecimento Afrodite Sem Olimpo
Postado por
Ticcia
às
5.5.03
0
grudados
Crianças e disparates
"- Mãe, quero um irmãozinho!"
"- Espere seu pai chegar e peça pra ele!"
"- Mas ele nunca põe a tal sementinha na sua barriga... Tô cansado de esperar! Deixa que eu ponho!"
"- Não, meu filho, só quando você crescer, aí você vai ter um filho com a mulher que você amar."
"- Mãe, pede pro meu pai colocar uma semetinha cor-de-rosa porque eu quero uma irmã!!!"
Respondendo perguntas, Doa a Quem Doer
Postado por
Ticcia
às
5.5.03
0
grudados
Café da Manhã. Com Seu Ará e Dona The.
- nasi, ja te falamos que vamos para campos do jordão com seu avô na semana que vem, né?
- já, mãe.
- nós vamos ficar uma semana. vou levar ele naquele convento que você tirou AQUELA foto.
- AQUELA?
- é, AQUELA de quando voce tinha dois anos e tá sentado numa pedra. tao bonitinho!
- a que eu to inteiro de rosa e com um bambi bordado na calça?
- é
...
- pai, como você deixava ela me vestir dAQUELE jeito? você nao tinha voz ativa nessa casa?
- cabelereiro com cinco letras? (ele tava fazendo cruzadas)
- pai, se eu tivesse crescido e virado um psicopata o senhor teria participação nisso. por que o senhor deixava ela me vestir daquele jeito?
- cabelereiro com cinco letras?
- pai?
- pelo menos eu não deixei ela te batizar como sergay. não reclama!
- é? e o lance de botar lucius como sobrenome?
- isso foi o escrivão que não deixou.
na casa dos Veríssimos
Postado por
Ticcia
às
5.5.03
0
grudados
4.5.03
SÉRIE: Coisas que são difíceis de dizer...
EU TE AMO
É difícil falar eu te amo, vocês tem que concordar...
Mas pior do que isso é a pessoa responder...
-"Idem".
-Foda-se
-"A recíproca é verdadeira".
-"Sério?".
-"Eu também... Me amo!"
E no próximo capítulo da série Coisas que são difíceis de dizer... a palavra Inconstitucionalísticamente.
jot!com.br
Postado por
Ratapulgo
às
4.5.03
0
grudados
Tinha me esquecido de lhes contar esta :
Engordei quatro quilos. Certo. Aliás, errado : já emagreci dois. Enquanto não me livro dos outros dois, nego-me a vestir roupinhas apertadas. Mas aí surgiu o grande problema: todas as roupas que tenho seguem essa descrição.
Oh ceus, o que fazer ?
Acertou quem pensou "rouba dos outros". E foi isso mesmo que eu fiz. Primeiro, "lalei" umas blusas de malha do meu irmão. Ele descobriu e quase me bate. Daí tive que apelar para as de mamãe.
Hoje, silenciosamente, fui em seu armário surrupiar vestimentas. No momento em que escolhia as roupas A DEDO, ela me surpreendeu.
mãe- Boo, que diabos você está fazendo com minhas roupas na mão ?
Tive que pensar numa mentira, e rápido.
eu - Eu..Eu..Estava procurando um cinto que você pegou emprestado.
mãe - Que cinto? A última coisa sua que peguei foi um sapato.
eu - Ah é verdade, eu estava procurando um sapato. (shit cheguei perto)
Daí aparece meu irmão.
viado - Mentira dela, mãe ! Ela tá roubando suas roupas! (incrível como a bruxa má sempre aparece no pior momento)
mãe- Minha filha, pra quê isso ? Se você estava precisando de roupa é só me pedir! (opa!)
Lá veio meu irmão cheira-bunda de novo :
viado - Ela só quer blusa folgada porque tá se achando gorda, mãe. (mentira, eu não estou gorda!)
mãe - Meu filho, você está me chamando de gorda? (só um pouquinho, mãe)
eu - Mãe, eu acho que ele tá sim. (vingança enfim)
mãe - Não fuja do assunto dona Boo, você quer essas roupas pra quê? (para adornar o meu semblante!)
eu - Mãe, eu já disse que estou procurando meu cinto.
mãe - Sapato. (ih)
eu - É, sapato. (droga! de novo!) Mas não fuja do assunto, você ia me dar roupas.
mãe que não é besta - Sua sem-vergonha, pensa que eu sou besta?!
eu sem palavras- ... (merda eu pensando que ia me dar bem)
viado mais viado do mundo - Po mãe, dá pra ela uma escrivaninha nova então. (NÃO! NÃO!)
mulher má - E o que aconteceu com a velha? (FUDI-ME)
Nesse momento meu irmão começa a rir descontroladamente. Eu lanço o olhar "Morra no inferno, pederasta".
Estou até agora tentando esquecer da cagada que levei quando mamãe viu o que eu fiz com o móvel do mofo...
Resumindo, não ganhei blusas novas e nem consegui roubar mais as de ninguém daqui de casa.
A boa notícia, ao menos, é que ela vai me dar uma escrivaninha nova. (a outra já está destruída, de qualquer forma..)
BooBlog
Postado por
Ratapulgo
às
4.5.03
0
grudados
3.5.03
6:14 Por que não fechei as janelas ontem? Devo ter desmaiado de sono. O frio desceu as paredes, umedecendo o relógio digital sobre o criado-mudo. Metade do lençol escorregou para o chão, a outra parte cobre o meu corpo empapado de um líquido viscoso gelado. Não consigo me mexer, minha cabeça dói e este cheiro adocicado invadindo o quarto.
10:58 Acordo com dificuldade e me apresso para o chuveiro. Imagino um dia cheio à minha espera. O celular sobre a pia também espera que eu o atenda se tocar.
11:30 Não tocou. Eu é que o confundi com o bipe do microondas. Se fossem parecidos.
12:15 Teclo o controle remoto da TV sem parar. Dentro da geladeira os tomates mofaram. Uma folha de alface murcha. Duas latas abertas de cerveja, sete ovos e um queijo ressecado. Água. Água. Água.
13:30 Agora o celular toca. Não, não conheço nenhuma Dona Concheta.
14:00 Recarrego a bateria do celular e bato duas carreiras meladas.
14:45 O porteiro eletrônico soa na cozinha. Estou esperando alguém?
15:11 Avisto na estante "O futuro dura muito tempo". Vejamos o que me diz a página 110.
15:37 Corto as unhas dos pés. O ponteiro dos segundos bate dentro do relógio de pulso.
17:02 Assisto a "Limite" pela terceira vez nesta semana. A garrafa de Black&White que achei na despensa acaba 12 minutos antes do filme.
20:13 Tiro a poeira dos livros. Primeiro os dicionários. Por último biografias. Dou um polimento numa edição rara de "O retrato de Dorian Gray". No fundo de uma gaveta fotos da época da faculdade. Meus amigos cheiram a sachê. Éramos tão magrinhos. Comprimidos de Lexotan misturam-se com bolinhas de naftalina. Há quanto tempo não ouço os canhões de Copacabana?
21:15 Uma calculadora arriada. Postais. Uma página de Scott Fitzgerald. Mapas da cidade. Agendas velhas. Facas Olfa enferrujadas. O que isso está fazendo aqui?
21:29 Coloco a automática sobre o criado-mudo. Esqueci que era tão pesada. Por que começo a tremer logo agora? Tiro-a lentamente de dentro do saco de pano e a manuseio com cuidado. Esqueci que era tão bonita.
21:45 Destravo o pino de segurança e levo o cano à cabeça. Posição de disparo. O dedo fora do gatilho. A boca do cano tem o diâmetro de minhas órbitas. Faz calor aqui. Deslizo o cano pelo meu rosto, pescoço, peito, barriga, coxas. Meu pulso lateja com a pressão da arma. O celular toca. Um mosquito pousa em minha perna. Coloco a S&W sobre a cama e o mosquito se assusta. Sinto sono e me deito ao lado da arma. Antes de adormecer puxo o gatilho.
Prosa Caotica
Postado por
Ratapulgo
às
3.5.03
0
grudados
Quando eu disse que foi por você, acho que você não ouviu. Repeti. Foi por você. Quando devolvi as chaves, você não pegou e eu deixei sobre a mesa, você não olhou, mas no chaveiro era um pedaço meu. Foi por você. Mas você não escuta. Minha voz não sai, tal qual nos sonhos em que precisamos desesperadamente gritar e o som fica preso na garganta, a boca articulando palavras mudas. E você não saberá porque está de costas enquanto eu me dirijo à porta. Vou andando, passo a passo, fazendo a prece "me chame". E meus passos resolutos e firmes (fingidos) me levam para o longo corredor. O botão do elevador me escuta. Você não. Suas costas na minha mente, e minha memória recoloca sobre elas minhas mãos antes de dormirmos. Ouço a pergunta "vamos" e nossos sorrisos suspeitos. Vamos. Mas agora são costas que não me escutam. E não vamos. Não mais. Porque o elevador chega. E você não. Não volto eu falei lá dentro. Você ouviu, sim. Mas esta sua repugnante mania de não me magoar provoca-me náuseas. A você também dou minhas costas. Pé direito. Depois o esquerdo. A porta fechando. Quando eu fui, não foi por outro motivo a não ser por você, e se ficasse nem sei se seria por mim. Foi por você, mas teria que ser de frente, de olhos por dentro dos meus, e com a pele das costas entre meus dedos. Não por seu olhar no nada, não por seu silêncio assassino. Aperto o botão. Agora é descer. Poço de elevador: lugar estranho para se chegar à certas conclusões. Descendo. Quando a porta abre, ainda é dia lá fora.
Walkwoman
Postado por
Ratapulgo
às
3.5.03
0
grudados
O seu cabelo na minha boca. E eu nunca fui tão feliz.
***
Eu não faço ameaças e você sabe disso muito bem. Eu vou lá e as cumpro antes.
***
Posso aprender a viver assim. Com medo da hora, na ponta dos pés, com sangue nos olhos, com ódio no coração, com círculos fogo em volta. Não me provoque.
***
Perdemos o hábito, o medo, o rumo, o trem, a noção, as chaves do caro e a vergonha, claro. Perdemos tanta coisa pelo caminho. Eu te perdi e nem me lembro onde. Ou por que. E você?
¡Drops da Fal!
Postado por
Ratapulgo
às
3.5.03
0
grudados
2.5.03
Influências
Ontem, voltando pra casa da faculdade, indo para o metrô, encontro um carinha meio suspeito vindo em minha direção. Pensei: Caralho, agora fudeu. Vamo vê no que dá
Carinha: -- Aê boy, tem hora?
Eu: -- Sem chance, véio. Tô sem relógio.
Carinha: -- Então descola um real aê pra eu pegá o buso...
Eu: -- Nem, cara. Tô no zero.
Carinha: -- Aê sangue, se eu achá é meu então?
Eu: -- Ê mano, falei que o tô no zero, véio. Tô à pampa... sem nada...
Carinha: -- Sem nada? Vc todo pã aê, de gravatinha, roupinha social... vai falá que tá sem nada? tá pagando de boyzinho e não tem grana?
Eu: -- E quem falô que eu sô boy? Tá foda, mano... Cê tá ligado que tá embaçado... porra, dô mó trampo, saio de lá no mó veneno, pá, venho na casa dum camarada recebê o lance dum pano aê que ele me devia, e ele na mó trairagem ficou na minisqüência pra soltá o baguio, miguelô a parada e me deixô com sangue no zóio, véio... bem a grana que era pra eu pegá o buso...
Carinha: -- Ê... cê tá me tirando, mano? então manda esse sapatinho aê... e não dá goela porque eu tô com o berro aqui e o bicho vai pegá pro seu lado se você ficá acelerado...
Eu: -- Então se coça com o cano aê, véio... to indo pro ponto agora vê se o cobra libera passá por baixo da catraca... senão to fudido pra ir a pé que é mó rolê...
Carinha: -- Oncemora, mano?
Eu: -- Perto da galera do **********, conhece?
Carinha: -- Cê mora lá?
Eu: -- Só é... manja o Caximbinho? Primo do Larica?
Carinha: -- Tô ligado quem é o Larica...
Eu: -- Então. O cara é meu truta aê...
Carinha: -- Ô, vai na boa então sangue... tipo fica baratinando na do cobra que ele libera a passagem pro cê.
Eu: -- Ô. Firmeza, véio. Falô aê.
nas quebradas do Jesus, me chicoteia!
Postado por
Ratapulgo
às
2.5.03
0
grudados
Entrevistada da vez: Lola.* Idade25:, moradora do Rio de Janeiro - RJ
Fry: Olá Lola, bem vinda a minha cama! Tudo bom com você?
Lola: Ah, adorei seu Lençol. Muito macio. To joia! e você?
Fry: Eu tô ótimo, como sempre! Obrigado, o Lençol é importado, seda indiana. Mas e aí, namora?
Lola: ah não! Minha religião não permite... hahahaha
Fry: HAHAH e tem ficado muito ultimamente?
Lola: Isso sim. Bem, não sou de ficadas, assim, dessas que você beija o cara e nunca mais vê. Sou mais "ficar de rolo", entende? Nada bobo como uma ficada, mas nada chato como namoro.
Fry: E como anda sua vida sexual? Ativa?
Lola: Aham! acho que tenho me divertido bastante!
Fry: Você se considera animada na cama? Ou faz mais o tipo passiva?
Lola: Animada. Animadíssima. Eu gosto de brincar, mostrar o que eu quero. Imagina ficar parada esperando que acertem... isso não tem nada a ver comigo.
Fry: Você não para quando goza e deixa o cara na mão não né?
Lola: AHAHAHA! não, não. Até porque eu tenho muita facilidade pra isso. Eu não gozo uma só. Tem que ser uma transa muito ruinzinha... O que rola é gozar uma, continuar, ir mais outra, continuar, ir mais outra...
Fry: Uau, você é insaciavel então!
Lola: Beeeeeem... já que tô numa entrevista... Olha, eu já tive uma época bem insaciável mesmo. Muito descontrolada. Eu não coseguia parar. Era dar uma, duas, três, até um dos dois se esfolar. Depois de 4 anos de análise, tenho aprendido a controlar meus impulsos.
Fry: Você se considera tarada?
Lola: Ih! Não sei. Pode ser um pouco pretensão minha me ver assim, sendo que existem garotas como a Heleninha (que já se deitou nessa cama). Numa escala menor, ou de uma outra forma,eu sou.
Fry: ummm e quando começou a despertar essa necessidade por sexo? Quando começou a perceber seu tesão?
Lola: Caaaaara! que foda isso... lembrar QUANDO é difícil... Eu acho que foi até meio tarde. Lá pelos 14 anos, quando eu ficava imaginando fazer coisas mais adultas com os meninos. Mas eu ainda nem tinha beijado!!!
Fry: Ahhh então começou mais tarde? Que interessante, e quando foi o primeiro beijo?
Lola: Pode rir. Acho que ninguém até hoje que já se deitou nesses lençois deu o primeiro beijo tão tarde.. 15 anos!!!
Foi com um amigo meu, aliás, irmão da minha melhor amiguinha na época. Ele foi também meu primeiro namorado!
Fry: E foi bom esse "romance"?
Lola: E como! É claro que eu era bem imatura. Era apaixonada pelo moleque e achava que ia namorar, casar com ele - VIRGEM - ter filhos... Mas apesar disso, não foi um namorico só de dar beijinho. Aprendi muuuuuita coisa que se tem pra fazer a dois com ele. Era uma coisa de louco. Só faltou a gente transar mesmo.
Fry: Nossa, e o que chegou a acontecer? Tudo?
Lola: É! Ele tinha 14 anos... aquela vontade de ver como era, de passar a mão em garota. Aí cada dia ele fazia uma sacanagenzinha maior, e eu cedia. Tava no maior tesão, putz, e apaixonada!
Eu não sei se conto agora ou em outro momento da entrevista, mas houve um reencontro. Uns dias atrás...
Fry: Humm vamos com calma, só ele pegava?
Lola: Huuumm.. eu não tinha notado como essa cuequinha sua é sexy,Fry!
Continuando... Pegação era o que mais rolava. Ele pegava mais que eu, que era tímida, mas com o tempo, eu já tava um tanto sem-vergonha.
Na verdade, olha que sacanagem: Eu podia dormir na casa dele à vontade. Eu ia com a desculpa de 'vou dormir na casa da minha amiga' e a mãe deixava. Perdi a conta de quantas vezes deixei a amiga 'vendo navios' pra ir agarrar o maninho dela. E o tanto que fugi do quarto dela pro dele no meio da noite. Tudo combinado! AHAHA.
Fry: Opa, e o que rolava nesses encontros secretos da noite?
Lola: Ih.. Mão no peitinho era o que mais tinha. A gente nunca tirava a roupa toda, mas ficava passando a mão por baixo mesmo. Dentro da calça, da blusa... Posso contar uma coisa muito engraçada? AHAHA eu levei um susto quando ele foi chupar meus peitos, cara. Imagina, eu muito inocente e bobinha, e vem o garoto e mete a boca nos meus peitos. Eu não sabia que isso "tava valendo", saca? Tipo, não sabia que existia isso. Boca em peito, pra mim, era nenê mamando. Santa ingenuidade hein! AHAHAHAHA! Mas po, eu gostei né...
Fry: HAHAHA essa foi boa! Hum, e como foi quando ele tocou lá?
E quando você tocou lá, nele.
Lola: Lá??? Onde, onde? No Pipi?! ( adoro esse nome!!)
Ahahaha. Foi assim: Eu morriiiiia de vergonha! Mas achava bom.. Ele que sempre tomava a iniciativa nessas investidas mais ousadas. Sempre era ele enfiando a mão dentro da minha calça. Aï, eu tava com vontade de ver como era.. você sabe.. ahahah. EU fui devagarinho.. ele ajudou dando um empurrãozinho. Virou uma espécie de um código. Toda vez era assim.. eu ia lah por a mão no pipi do menino, muito tímida. E ele me dava uma ajudinha pra eu não perder a coragem.
E olha, acho que nunca senti tanto tesão com ninguém. Juro. Não que ele seja o cara mais gostoso do mundo que não é. É a inocência mesmo que faz ser tão bom. Você tem tanto medo, e ao mesmo tempo tanta vontade, que o gostinho é sempre melhor. Nunca vou esquecer a tremedeira que dava na gente.
Fry: Ahhh que lindo isso! Legal mesmo esse lance da inocencia.
Você fez oral pra ele?
Lola: Fiz!!! Mas isso, foi no finzinho do namoro! Olha que "feladaputa" o garoto... Ele já tava louco pra transar, mas eu tinha que me casar virgem né?! AHAHA. Ele ficava pondo pressão, dizendo que os amigos dele já transavam. E eu dizia que seu eu fizesse isso, ele não ia me querer mais! (Oh, mundo cruel! hehe) Aí comecei a topar namorar pelada, chupar o Jr. dele, essas coisas.
Não é que eu não tinha vontade, mas eu achava que essas coisas deveriam esperar, por que depois ele ia me achar uma piranha.. ahahaha.
Fry: Ai ai, esse lance de achar é fogo, as mulheres tem que parar com isso. Mas você chegou a ver ele gozar?
Lola: Não! Nem vi. Nem sabia como que era isso! Ele também não gozava. Tadinho, sofria comigo. Eu sempre parava quando ficava muito 'quente'. Acho que ele terminava quando eu saía pra brincar com minha amiguinha! ahahaha
Fry: Poxa, maldade com o menino!
Como terminou o lance de vocês?
E o que mais chegaram a fazer?
Lola: Bem, a gente namorou um ano! Só nessa pegação. Quando ele viu que eu não soltava, começou a me chifrar, e tirar onda com minha cara. E eu tinha um treco por causa dele, mas não podia dar.. Aí acabou mesmo. Sabe,ele gostava de mim e eu dele. Mesmo!mas os hormônios.. ah! os hormônios dele não iam deixar ele ficar na 'geladeira'.
Fry: É, essa é uma época onde fica dificil segurar.
E como foi depois dele?
Lola: Depois dele, eu só ficava mesmo de beijinho com uns garotos. Eu achava que a gente ia voltar a namorar, e queria (ria muito da minha cara)ME GUARDAR PRA ELE!
uahauhauaha! Ele também atrapalhava, por que quando ele me via com outro garoto, me chamava pra conversar, ficava olhando pra mim com cara de cachorro sem dono. Aí eu me empolgava e mandava os ficantes pro espaço.
Fry: Olha só! Mas voltaram alguma vez?
Lola: Voltamos, mas eu ainda não tinha a manha de ir pra cama ... aí não deu em nada. Eu acabei conhecendo um baterista de uma banda, que uma amiga minha era afinz, maseu curti o garoto e ele também, e aí acabamos namorando. By the way... Esse tem uma estória interessantíssima!
Fry: Eita, que história?
Lola: Minha amiga era afim dele, mas não admitia. Aí ele ficou com minha irmã que também era afim.Eu não tava nem aí pra esse menino, mas ele me xavecou tanto que não resisti. Minha irmã quase me matou por que ela tava até gostando dele. Eu sei que fui sacana, mas isso faz parte da adolescência... Bem, aí eu já estava decidida a 'dar' pra ele. Eu não me importava mais com essa coisa de casar virgem. Mas o maldito, onde ia, carregava com ele um primo imbecil junto. Eu ODIAVA o primo dele.Todo mundo odiava. E eu tinha que fazer sala pro maldito! Eu não conseguia ficar a sós com meu próprio namorado!
Até que o namoro acabou, sem eu conseguir transar com ele. Aí ele resolveu namorar minha irmã!
Foi uma briga ferrada aqui em casa. A gente saiu no tapa. Ela nem gostava assim dele,mas quis se vingar de mim.
Aí eu também achava que eu é que estava certa. Que afinal, com ela ele só tinha ficado. A namorada era eu. E o cara era um safado. Eu comecei a ficar com ele escondido. O pior é que ele que tomou a iniciativa! Ele sacou que eu ia topar! Aí ele ficava com minha irmã, trazia ela de volta pra casa, e me encontrava na república de uma amiga minha! Teve vez que cheguei a ficar com ele na mesma noite em que ele tinha ficado com ela!
Bem, nessa época o primo nem grudava mais. Um dia, fomos eu, meus amigos, ele e minha irmã dormir na república dessa amiga, só de farra. Minha irmão dormiu. Todo mundo dormiu e ele veio pro meu beliche. A gente começou a pegação, e eu decidida: "vou dar pra ele hoje!" Até que....
Fry: E ae, e ae???
Lola: Hehe! Até que quando a gente tava completamente sem roupa, eu vi o tamanho do Jr.dele. Era DESSE TAMANHOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!
Só aí que eu (ainda um tanto ingênua) fui entender por que os amigos dele o chamavam de 'Jegue'...
Eu fiquei apavorada. Era muito grande mesmo. Até hoje, o maior que já vi. Eu pensava que não ia caber, que ia me rasgar... Amarelei mesmo. Ele, coitado, no maior tesão, tentando me convencer de que cabia! Mas eu não tive coragem.
No meio disso tudo, uma amiga da minha irmã acordou pra beber água e viu que ele não estava na cama dele, viu o nosso vulto pelo lençol (que a gente estendeu na frente do beliche pra tampar) e contou pra minha irmã no dia seguinte.
No fim, a gente brigou muito, mas acabamos vendo que somos irmãs e muito amigas, e que não podíamos estragar a amizade por causa dele. Aí ele ficou sem nenhuma. Ele se mudou,mas até hoje manda cartas, acredita?
Fry: Caramba, Jegue...Ok, ok..
HAHAH então não foi desta vez! Mas afinal, quando você começou a ver como era na real? Aliás, antes de transar mesmo você chegou a experimentar mais coisas?
Lola: Mais que passa-mão, não. Antes era só isso.
Só comecei a transar mesmo com 17. Com um namoradinho metido a anarquista - que só depois de mais experiente tive condições pra entender como ele era ruim de cama. Aliás, esse moleque que é o pai da minha filha. Os tropeços que damos na vida...
Fry: Você tem filha?
Como foi a história com esse cara?
Lola: Tenho! Ela é uma graça.
A história foi assim.. é meio pesada: Eu tava numa fase muito adolescente-porra-louca-revoltada-com-o-pai. Comecei a fumar maconha horrores, beber até cair e conheci esse garoto no meio dessa loucura. Por causa dele, ainda comecei a cheirar cocaína. Morria de curiosidade, e ele queria companhia no vício. Aí eu já tava doida pra fazer esse monte de coisa maluca e dar umas. Pior que cheirei pó antes mesmo de começar a transar. Acho que foi minha educação repressora. Transar me parecia algo bem mais forte.
Apesar da loucura toda, a gente usava camisinha! Eu não sabia onde,diabos, esse garoto enfiava o 'pipi' dele né!( Bem, a minha filha é coisa de camisinha furada.Pior que é!)
Mas foi uma época muito ruim que não gosto de lembrar. O namoro foi uma droga também, ele era absurdamente machista! Na minha primeira vez, eu não sei por que, não sangrou na hora, e ele ficou brigando que eu não era virgem porra nenhuma. Que cara idiota. Não sei como continuei namorando depois dessa. Teve muita coisa foda, mas eu acho que tava tão deprê, que não fazia nada pra mudar a situação.
Agora vamos parar de falar dele que só to afim de coisas alegres ehehe.
coitus interruptus Na cama com Fry
Postado por
Ratapulgo
às
2.5.03
0
grudados
Acordo cedo, fico enrolando na cama (leia-se sofah), vendo TV, até tarde. Roupa de ginastica, proteçao solar 50 (um colega de trabalho outro dia disse que eu jah to ficando morena por conta do passeio diario de bicicleta. Fiquei apavorada, um dos grandes medos da minha vida é ficar moreninha), mp3 player, lah fui eu encarar o percurso de mais ou menos 7 km até Torgiano, pra visitar meu cachorro na oficina. O dia lindo, meio abafado por conta do vento Scirocco que vem da Africa, um sol danado. Como é bom sentir calorzinho de leve depois de MESES de inverno! Quando saio de casa to ouvindo Ring My Bell, mas logo chegando à estrada a Aretha Franklin jah tah cantando nos meus zovidos (R-E-S-P-E-C-T. Muito adequado.). Continua cantando, depois vem a CeCe Penniston. Carros passam voando, eu nem ligo. Observo que a temporada de reproduçao das Minhocas Umbras jah deve ter acabado, nao vejo mais nenhuma morta na estrada. Agora é a temporada Porco-Espinho e Camaleao, duzias desses bichos atravessando a estrada, ou mortos claramente na tentativa de faze-lo. Faço uma curvona, jah tah rolando Gloria Gaynor. O vento começa a soprar contra, eu, teimosa e em processo de auto-flagelaçao declarada, nao mudo a marcha, nem reduzo a velocidade; penso nos meus quadriceps femorais dando duro, coitados, contraindo, contraindo feito doidos, as pedaladas sempre iguais, no ritmo da musica, o acido lactico chegando, a ardencia crescendo, vai, mula, quem mandou ser burra, vai, pedala, sente dor, muita dor, vai, vai! Passo em frente à casa do prefeito (em italiano se chama "sindaco", acho super Didi Mocoh), logo depois tem uma ladeirona, o vento ainda contra, nao tem jeito, tem que mudar a marcha. Por sorte Bangles começa a cantar, walk like an egyptian, dah vontade de fazer pose de hieroglifo e sair dançando feito uma retardada. Quando a ladeira termina jah estou com os Pretenders in the middle of the road, jah vejo a torre que dah nome à cidade, jah vejo os janeloes altos da oficina. Chego lah ouvindo Tom Jones, nao vejo meu cachorro. O lanterneiro sai da oficina pra esclarecer: o Legolas tah com o pai dele, que fica com pena e o leva pra casa toda noite agora, e hoje ainda nao chegou pra trabalhar. Vou passar aspirador no escritorio e no "quarto" do Legolas, totalmente cobertos de pelo. Solto a dalmata do estacionamento de onibus em frente, ela me adora, virei sua idola desde a Pascoa, quando a soltei da corrente pra brincar com o Leguinho, e dei comida e troquei a agua. Brincamos um pouco, mas ela é uma mala, muito agitada, e sujéééérrima (domingo vou dar banho no Legolas e ela vai entrar no lote também, nao quero nem saber). Manobro o caminhao (aquele) pra perto de uma tomada, aspiro mais uns quilos de pelo do Legolas. Ettore chega com "o clero", como diz a Arianna, todos os 4 cachorros; brinco com o Leguinho um pouco, tah tarde, to com fome, tenho roupa pra passar, faxina pra fazer e coisas pra remoer. Vao todos almoçar fora, almoço do dia do trabalho pago pelo patrao, ano passado foi otimo. Deixamos os cachorros todos na oficina, pego a bicicleta, volto pra casa. Quando os Commitments terminam Too Many Fish in the Sea (também muito apropriado) desligo o bichinho, fico curtindo o silencio da roça, o vento morno na cara. Uma cobrinha verde bonitinha atravessa na minha frente. Chego em casa coberta de insetinhos. Dizem que joaninha dah sorte, eu tomei uma chuva de joaninha hoje, vamos ver se dah certo. Tomo um litro de agua mineral, depois iogurte de pessego com maracujah, depois sacrifico uma lata de guaranah Antarctica. Almoço a salada de macarrao que sobrou de ontem, com iogurte natural em vez de maionese ou creme de leite. Boto uns pedaços de lombo que o pai do Chefe Meio Idiota me deu de presente outro dia, porque to com preguiça de fazer carne. Sento no sofah e penso na vida, catatonica (eu, e nao a vida). Levanto horas depois, televisao ainda ligada. Faço faxina rapida. Passo quilos de roupa. As janelas estao todas abertas, que entre o Scirocco, e as moscas (jah falei que a Italia no verao parece a Etiopia? LOTADA de moscas?), termino com as roupas, vou tomar banho, sento de roupao no sofah, vendo porcarias na TV. Toca o telefone, é o engano de sempre: nao, aqui nao é o veterinario... Faço as unhas dos pés. E reparo que pela primeira vez desde, sei lah, outubro, NAO ESTOU USANDO MEIAS! Estou de havaianas dentro de casa, sem meia! E estou de short e manga curta! Puta que pariu, como é bom olhar pra baixo e ver seus dedinhos em vez de uma meia colorida (as minhas meias sao TODAS coloridas). Boto feijao preto pra cozinhar, cozinho batatas com alho e alecrim. Venho pro computador pela primeira vez hoje (ainda estou com os punhos doendo por conta daquela traduçao enorme e chata que andei fazendo). Acho a Lia, estamos falando de feijao pelo icq. Janto feijao com farinha. O lanterneiro manda SMS, nao vem pra jantar. Otimo, penso, assim as batatas ficam pro meu almoço-relampago de amanha. O peito de peru tah lah fora, dentro do seu Tupperware, descongelando com o vento africano, amanha é soh grelhar, botar as batatas e pronto. O feijao é pra congelar. Marta manda SMS, nao rola night hoje, o avoh tah doente. A tv lah da sala diz que a Marianella saiu do Grande Fratello (sim, eles traduziram Big Brother), eu nem sei quem é Marianella, mas sei que ficaram uma americana, uma macho-man romana com nariz de tomada, um porra-louca e um cara lindo.
E a dor no peito, que jah tinha passado, voltou, e vou dormir antes que eu morra.
diarinho da pacamanca
Postado por
Ratapulgo
às
2.5.03
0
grudados
A criança acha que sabe tudo e o adolescente tem certeza de que sabe. Adolescência é uma doença que surge aproximadamente aos treze anos e vai até os setente, oitenta anos de idade. Há, claro, indivíduos que se curam rapidamente, mas são exceções. Sinais de que o mal está sendo vencido: indivíduo vai abandonando a olhos vistos a vida gregária, os sinais de exclamação vão se enferrujando até vergarem, transformando-se em interrogações (o pozinho que cai forma algumas reticências), o som das micaretas vai ficando distante, as ações nem sempre têm como objetivo uma reação imediata, etc. Quando a cura vem rápida (o que é raro), o indivíduo terá aumentadas suas chances de conhecer a felicidade, que ao contrário do que muitos imaginam, nada mais é do que uma vasta e silenciosa campina onde de vez em quando a Natassia Kinsky descalça passa em um vestidinho branco.
Watcher
Postado por
Ratapulgo
às
2.5.03
0
grudados
1.5.03
Não consigo fazer sozinho:
Declaração de Imposto de Renda
Discar, atender, calcular em, agendar em, desligar e ligar celular
Pagamento em caixa eletrônico
Ver filme de terror
Bater o escanteio, desviar a bola no primeiro pau e cabecear no segundo
Chegar em alguns lugares
Freqüentar alguns lugares
Cover de dupla sertaneja
Pose imitando O Beijo
no Tatá Records
Postado por
Ticcia
às
1.5.03
0
grudados
Reciclagem cega
O mineiro Sebastião Francisco Pires, 51 anos, vagueia revirando lixos e fuçando containers pelas ruas de São Paulo. Procura latas ou pedaços de ferro para vender: serviço autônomo, porém tático em sobejo para a cidade. Bastião induz a reciclagem em um município que pena para desenvolver um sistema viável de reaproveitamento dos dejetos produzidos pela população. O curioso é que este andarilho não tem a mínima dimensão cognitiva do trabalho que desenvolve. "Utilidade pública? Eu quero é comer", me disse enquanto separava com a unha negra - e devolvia para o saco - uma tira de borracha de um rodo velho. "Só junto metal e alumínio. O resto é dos lixeiros". Bastião veste este boné com os dizeres "Lavagem do Bonfim" e usa uma calça rasgada, preta. Tudo low profile. O look é complementado com sapatos de couro bege, uma mochila vermelha e uma pulseirinha amarela de causar frisson no mundo descolê. Tudo isso é fruto de uma renda diária "que não chega a um real". Nossa conversa foi inicialmente confusa. O excluído não sabia o que era Internet e teve dificuldade para lembrar o que seria um computador. Para resolver a questão, disse que nosso bate-papo seria publicado em uma espécie de jornal. Numa boa, acho que ele não entendeu nada. Recusou uma coca-cola e mostrou espanto quando ofereci uma bolacha. Estava desconfiado. Bastião nasceu em São João Evangelista, em Minas Gerais, e veio para São Paulo em 1974. Não sabe ler e articula muito mal a fala. Abandonou a escola logo na 2ª série. Diz que deixou a família e os amigos para achar oportunidades na metrópole. "E o começo foi fácil, amigo", lembra. Trabalhou como pedreiro em empresas de renome, como Mendes Júnior, e juntou um bom dinheiro. "Comprei tudo em equipamentos eletrônicos e fui vender na rua. Esticava um saco plástico na calçada e oferecia. E dava grana, viu?". Há quatro anos, um fiscal da prefeitura levou todos os rádios e afins que Bastião comercializava em frente ao prédio da Câmara Municipal. "Foram mais de 4 mil reais". Foi aí que ele começou a morar na rua. "Sempre variando de lugar". Ontem, a cama foi o concreto de uma marquise na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. "Albergue me tira a privacidade", disse o mineiro, fazendo humor sem saber. Bastião disse que sempre escolhe "becos novos" para fugir dos assaltantes. "Não posso ter nada: me roubam". Mesmo assim - indo contra uma certa regra entre moradores de rua - não anda armado com estiletes ou pequenas facas. "As minhas orações me protegem: afastam os maus elementos e as doenças. Acredita que nunca precisei de médicos nem de remédios?", me perguntou. Pensei: "Porra, e todo mundo morrendo de medo da Sars".
||| Agência de Notícias do Circo do Absurdo |||
Postado por
Ratapulgo
às
1.5.03
0
grudados
A última do meu cunhado!
Maria Cristina e Fernando estão montando um simpático apartamento em Vila da Penha, subúrbio do Rio. Dia desses, ele estava esperando entregarem a geladeira quando resolveu, para ganhar tempo, lixar a parede da sala. Muniu-se de lixa, ficou só de bermuda e chinelos e entregou-se ao trabalho.
Quando ele já estava todo sujo de poeira branca da parede e suado, toca o interfone. A geladeira chegara. Os entregadores tiraram aquele trambolho do caminhão, levaram até o sexto andar e colocaram na cozinha. Feito isso, viraram praquele sujeito sujo feito um carvoeiro em negativo e perguntaram:
- Sangue bom, o patrão não deixou contigo nem uma gorgetinha pra gente, não?
- Ih, companheiro, não deixou não. O patrão é pão-duro à beça – respondeu.
É assim que se fica rico...
Espírito de porco
Postado por
Ratapulgo
às
1.5.03
0
grudados
Neurolinguística
- Caceta, mas o que você tem de gostosa tem de... obtusa.
- Puxa... obrigada!
Tudo é maneira de dizer.
mau humor
Postado por
Ratapulgo
às
1.5.03
0
grudados
Três amigos e eu - Amigo 1
Era dia de festa junina na faculdade, foi o ano mais frio de todos, estava sozinha em casa, não queria ir pra festa sozinha.
-DING DONG
Era meu amigo André, quase irreconhecível de tanto agasalho, tremia muito, mas não tinha as mãos frias, ao contrário, estavam suadas. Entrou, sentou no sofá como tantas vezes, assistiu desenho animado comigo como tantas vezes, e insistiu para que eu fosse com ele pra festa. Não queria ir, mas depois de tanta insistência, coloquei minha camisa xadrez de flanela e fui. Recebi vários correios elegantes dos meus amigos que ficavam me atormentando, até que recebi um escrito "Eu te amo - E vc sabe que isso não é brincadeira".Tive a mesma reação de quando recebi os outros, ri e guardei.
Na hora de ir embora, meu amigo André se ofereceu pra me acompanhar até em casa, como tantas vezes meus amigos já fizeram, pq eu morava num bairro afastado. No caminho nenhuma palavra, entramos na minha casa e ele perguntou a respeito dos correios elegantes. Eu lhe disse que tinha recebido vários dos moleques, e ele insistiu
- Nenhum especial?
- Acho que não!
Tirei o bolinho de cartões, e ele me apontou
- É deste q eu to falando
Olhei assustada pra ele, como quem diz "isso é sério mesmo?"
- Vc não acreditou né?
Não conseguia responder, o silêncio era ensurdecedor
- Desculpa André, mas não tem nada a ver.
- Claro que não, né? Pelo menos posso te dar um beijo?
- Melhor não, não quero fazer parte de uma ilusão.
Foi embora sem dizer nenhuma palavra, nos encontrávamos todos os dias nas aulas e nas baladas. Via sempre seu olhar me condenando por ter negado um beijo, que às vezes dava em quem nem conhecia. Nas férias, recebi a mais linda carta de amor que não queria ter lido, e sempre quando o via, percebia o brilho de seu olhar que eu não queria ver.
Em caso de coma - Me coma!
Postado por
Ratapulgo
às
1.5.03
0
grudados