16.8.03

O videotexto (Post XX)

Chegamos à festa. Festa de músicos eruditos. Poucas mulheres e discussões sobre Mozart e Wagner. Ainda bem que eu fui. Dez minutos depois daquele papo sem graça, a conversa mudou para bizarrices sexuais e a tara nossa de cada dia. Não há nada mais divertido do que falar de sexo. Pena que o repertório seja limitado.

Na roda estávamos eu, quatro rapazes, o "ex" e uma violinista muito simpática, que tropeçou na minha frente logo que eu cheguei. Ela só não se esborrachou no chão porque se apoiou em mim - um acidente que fez com que passássemos alguns minutos no hall de entrada. Foram minutos suficientes pra eu ir com a cara da menina e apresentá-la para o "ex" e seus amigos. Fui gentil. Ela estava sozinha, não parecia ser uma mala sem alça e era uma moça muito bonita. Os rapazes da mesa, certamente, me agradeceriam pela sociabilidade. Quanto ao "ex", não havia o que me preocupar. Ele era maravilhoso, mas era feio feito o cão chupando manga. Ela não se interessaria por ele, não aquela loira linda que poderia ter qualquer banana daquela festa.

Duas horas depois de muito vinho e conversa boa, apareceu no meio do jardim um bolo e um aniversariante. Todos se levantaram para os parabéns e, na hora do corte do bolo, perceberam que não havia como cortá-lo. Por mania de educação desnecessária, me ofereci para ir até cozinha buscar uma faca.

Revirei um armário inteiro atrás de uma bendita espátula e não encontrei. Tive que lavar uma faca de pão que estava melecada de manteiga dentro da pia. Lavei, sequei e corri para entregá-la ao aniversariante. Atravessei a cozinha, segui pelo corredor, passei pela sala, abri a porta que dava para a sala de estar e senti que a porta havia emperrado em alguém. Antes que eu pudesse me desculpar, me deparei com o "ex" e a loira se engolindo atrás da porta.

Nunca imaginei que isso fosse possível, mas eu surtei. Joguei a carteira e a chave dele num matagal de terreno baldio, arranquei a minha chave do bolso dele, disse um monte de absurdos com a faca a um milímetro do nariz dos dois e enfiei a mão na cara da loira no mesmo instante que ela abriu a boca para dizer alguma coisa que eu não me dei ao trabalho de ouvir.

Eu sei que estávamos separados, sei que eu disse que queria ser amiga, mas ficar com alguém na minha frente? Assim? Tão rápido? E logo com a bonitona? Meio bêbada e aos prantos, saí da festa com o cretino tentando me segurar pela bolsa. Não satisfeito, tentou segurar a porta do carro. Quase perdeu as unhas dos dedos para sempre. Parti cantando pneus. E chorei tanto e corri tanto, que acordei em um pronto-socorro.


O videotexto (Post XXI)

Abri os olhos e achei que estava sonhando ou que tinha morrido. O clone do "ex", estava ao meu lado meio choroso e com um buquê de flores nas mãos. Não tive dúvidas: "Morri e estou vendo meu próprio enterro". Meus pais entraram no quarto no momento seguinte e me acordaram do pesadelo. Fui obrigada a me defender das broncas, antes mesmo de comemorar a escapada que eu dei na morte. Passado o esporro, me dei conta do que aconteceu. De tanto chorar, dormi no volante. Quis morrer de ódio, no instante seguinte.

Que coisa estúpida, dormir ao volante. Eu não durmo nunca! Logo no volante? Mas não lembrava de ter batido o carro e me estropiado toda. Eu não, porque até dormindo eu dirijo bem. As poucas lembranças e os fatos indicavam que eu fui adormecendo, indo para o acostamento, o carro parando e parou. Eu teria acordado, levado um susto, mas estava protegida pela arte da "pilota" sonâmbula. E nenhum acidente teria acontecido se não fosse por causa de uma outra topeira sonolenta que cochilou e fez um strike de meia dúzia de carros na estrada. Eu não vi nada - me contaram - e ainda bem que não vi. Seria como acordar em um grande desastre físico e emocional. Porque, maior do que a dorzinha dos poucos hematomas da batida, eram as dores da cena do dia anterior.

O beijo que o crápula deu na loira foi o ponto final nas recaídas, na saudade e na história toda. Não havia mais o que extrair daquele relacionamento, mas como doía! Uma dor egoísta que me fazia crer que eu podia e ele não. O clone ao meu lado, sem saber de nada, achando que eu era namorada dele e eu acusando mentalmente o "ex" por não respeitar o prazo de validade da nossa separação.

Pra piorar, aquele escândalo. Que merda, que vergonha! Deixei o cara sem carteira, sem dinheiro, sem condução e com uma violinista linda, que certamente o levou para dormir na casa dela. Que estúpida, que desequilibrada e que vontade de continuar chorando. Mas não podia.

No meio de toda a minha dor de cotovelo, ainda fui obrigada a mentir. Não podia dizer o motivo daquela presepada toda. Nem para o clone e muito menos para os meus pais. Graças a deus meu orgulho sempre foi maior do que as minhas crises de insanidade. Eu não assumiria um chilique como aquele, nunca! Além do mais, tadinho do clone. Todo atencioso, preocupado, não desgrudou de mim um minuto sequer. Dormiu no sofá do hospital, passou frio de noite, me deu água na boca e quando eu acordei, ele não estava mais lá. Estranhei mas, pouco depois, ele chegou com o café da manhã, um presente e um cartão.

Mordi a maçã, abri a pequena caixinha com um anel lindo, agradeci achando que era um agrado qualquer e tirei o cartão do envelope:

"Não tente parecer forte para sempre. Eu sei o quanto você é frágil.
Casa comigo? Eu cuido de você."

----------------------->> Continua

na cumbuca de amarula com sucrilhos

5) Bebida

Que o álcool numa solução diluída em água, quando tomado pelo organismo humano, atua como depressor e não como estimulante, é hoje um clichê tão batido que até os fisiólogos mais avançados estão começando a tomar conhecimento dele. O leigo inteligente não recorre à garrafa quando tem compromissos importantes a resolver, sejam intelectuais ou manuais; ele deixa a primeira dose para depois do trabalho feito, quando deseja relaxar a tensão e reduzir a pressão de seu mau humor. O álcool, por assim dizer, nos desenreda. Ele levanta o toldo da sensação e nos torna menos sensíveis aos estímulos externos e, particularmente, àqueles que nos são desagradáveis. Ao pôr um freio em todas as qualidades que nos permitem tocar a vida e brilhar diante dos colegas - por exemplo, a combatividade, a agudeza, a diligência, a ambição -, o álcool liberta as qualidades que nos enternecem e fazem com que as pessoas gostem de nós: a afabilidade, a tolerância, a generosidade, o humor, a simpatia. Um homem com dois ou três drinques a bordo não será capaz de amputar a perna de alguém, pilotar um avião ou reger a missa em si menor de Bach, mas será imensamente mais competente para dar uma festa, admirar uma mulher bonita ou ouvir a missa em si menor de Bach. As coisas mais difíceis e úteis do mundo, como extrair dentes ou descascar batatas, ficam melhores quando feitas por pessoas tão sóbrias quanto os condenados às vésperas da execução. Mas as coisas mais gostosas, inúteis e divertidas deveriam ficar a cargo daqueles já devidamente lubrificados. O Pithecanthropus erectus era abstêmio, mas os anjos sempre souberam o que lhes convinha às cinco da tarde.

Tudo isto é tão óbvio que me espanto ao ver que nenhum utópico, até hoje, se propôs a abolir todas as lamentações do mundo pelo simples artifício de manter toda a humanidade ligeiramente alta. Note bem, eu não disse bêbada; disse ligeiramente alta - e peço desculpas por não saber como descrever este estado numa frase menos indecorosa. O homem ligeiramente calibrado pelo álcool é capaz de pôr suas melhores qualidades para fora. Ele não é apenas imensamente mais amável do que o indivíduo que vive a seco; é também imensamente mais decente. Reage a todas as situações de maneira expansiva, generosa e humana. Torna-se mais liberal tolerante e agradável. É melhor cidadão, marido, pai e amigo. As iniciativas que tornam a vida humana insegura e desconfortável nunca são tomadas por este homem: ele não declara guerras, não rouba nem oprime ninguém. Todas as grandes vilanias da História foram perpetradas por homens sóbrios e, principalmente, por abstêmios. Mas todas as coisas belas, do Cântico dos Cânticos à tartaruga à Maryland, das nove sinfonias de Beethoven ao martíni seco, foram concebidas por homens que, na hora certa, trocavam a água da bica por algo mais colorido e com outros ingredientes que não apenas hidrogênio e oxigênio.

no alambique dentro do confessionário do Padre Levedo

15.8.03

trim!
trim!
'alguem atende?'
trim!
trim!
'alguem? por favor?'
trim!
trim!
'po, sera q alguem pode atender o telefone?'
trim!
trim!
'caralho! ninguem vai atender essa merda?'
trim!
trim!
'voces sao pagos pra q, hein?'
trim!
trim!
'vamo lá, pode ser o chefe...'
trim!
trim!
po, sandra, nem tu?'
trim!
trim!
's eu tiver q atender esse telefone vai ter, hein! to avisando...'
trim!
trim!
'putapariu! alô, porra! ... desculpa, seu paiva netto... nao, nao ligou ninguem da cidade d pau grande pro senhor. nao, ninguem... desculpa d novo. o q o senhor quiser, seu paiva netto. ok, vou anotar... obrigado pela paciencia, ate mais, seu paiva netto.'
desliga.
'aí, ó. s alguem d pau grande ligar, confirmar a palestra do seu paiva netto, ouviram? vou pegar açucar pro cafe lá nas doações e ja volto. ve se nao vao esquecer d anotar o recado dessa vez. fui!'
e assim foi mais um começo d expediente na legiao da boa vontade.

bituca, o psicossodomita

e aí eu pergundo Como Assim Dois Uísque?

Não pratico esportes individuais porque sou preguiçoso. Não pratico esportes coletivos porque sou preguiçoso e acho péssimo ficar dando high fives e abracinhos de comemoração, ia deixar todo mundo no vácuo. E se reclamassem dos meus erros ia mandar tomar no cu e erraria de propósito dali em diante. E se alguém do meu time errasse, ia logo chamar de burro, mandar prestar atenção e falar que todo mundo estava perdendo por culpa dele. Me preocupando com o bem-estar do próximo é que fico deitado no sofá de controle remoto na mão.

sexo, doce e tecno

Esguicha-Granizo

Esta alcunha – que podia perfeitamente ser um apelido alentejano – granjeou-a um colega do meu avô. De seu nome Andrade, era um homem permanentemente atacado por lassidão intestinal. Uma diarreia tal, que fazia com que cada peido seu, por mais inocente e discreto, transformasse uma cueca numa embalagem postal.

Farto disso, e já sem dinheiro para roupa interior, o Andrade resolveu auto-medicar-se radicalmente e esvaziou uma caixa de Ultra-Levur em meia-hora. Ora, a auto-medicação é como o auto-broche: muito poucos conseguem levar a cabo em termos e, invariavelmente, acabam por se magoar.

No caso do Andrade, as consequências foram dramáticas. O químico não se limitou a actuar no sistema digestivo e transbordou para outras paragens. Afectou uma data de funções biológicas, mormente a do sistema caralhal.

Resumindo: em vez de se limitar a endurecer o cocó, o remédio foi longe de mais e, entre outras coisas, acabou por também tornar rija a langonha. O resultado está bom de ver, claro. Cada punheta do Andrade transformou-se numa saraivada de berlindes de nhanha. Aquilo era uma granizada tal, que o Andrade não se vinha, o Andrade chovia!

Parece que o gajo ainda tentou disfarçar, mas a quantidade de azulejos rachados na casa de banho dos homens começou a levantar desconfianças. A confirmação veio quando a Celeste – a muda da reprografia, que aviava o pessoal da repartição, em troca de um nata e uma meia de leite, na pastelaria lá da rua – apareceu com hematomas vários na cara, um olho vazado e dois dentes partidos. Normalmente, ninguém desconfiaria. Sucede que, no entanto, o Rocha – da contabilidade, que costumava bater em pegas – estava de férias. A suspeita recaiu sobre o Esguicha-Granizo e ele teve de confessar.

A vergonha fê-lo despedir-se e o meu avô nunca mais ouviu falar dele. Mas conta-se por aí que teve um desfecho triste: casou três vezes – o sonho dele era ter filhos – e às três mulheres furou os ovários. Acabou sozinho e foi encontrado morto na sua casa-de-banho, calças pelos tornozelos e um hematoma na fonte, causado por um cristal de meita. Acidente ou suicídio? Ninguém sabe.

vindo da uretra do meu pipi

14.8.03

O telefone toca e você corre para atender - corre, não, estica o braço - que esse barulho é Urgência e com Urgência não se brinca. Você fala o nome do departamento: Fyklaustrebouges? Mas do outro lado era engano. (Saia da internet! Saia da internet! - diz uma voz de igual Urgência. A internet é uma Droga e você bem sabe. Droga para escapar de Fyklaustrebouges.)

Talvez hoje você saia mais cedo e coma picanha. Ou vista calças limpas após o banho. Quinta feira não é dos dias mais sonhados (a maior incidência de pesadelos ocorre nas terças, segundo o Instituto Brasileiro de Everyone Else), talvez você se espante ainda com a vontade de ser mais do que um empregado de Fyklaus. Trebouges.

O vendedor de queijos disse que a crise era séria. Que a Empresa vai demorar dez anos para saldar as dívidas. Daí que você não vai ter aumento até 2013. Você resolve não comprar os queijos pelos próximos dez anos. Está decidido.

E na tevê todos Repercutem a morte do 'jornalista'. Cá em Fyklaustrebouges ele era conhecido como o dono dos Olhos & Ouvidos de Todo o Mundo.

Acalme-se e Tome uma Xícara de Chá

Naquela manhã, dona Gumercinda levantou-se da cama de um pulo. Olhou-se no espelho e não gostou do que viu. Olhou para o porta-retratos com a foto do seu casamento. Olhou para o homem com quem dormia há 40 anos e viu, pela ordem, a calva, a barba por fazer e o filete de baba pendendo do canto da boca dele. Acordou-o com um grito: "Almeidinha, você é um banana!". Se vivêssemos num mundo perfeito, Almeidinha responderia: 1) "É? Então vem aqui me descascar, meu chuchu". 2) "Sou, sim. Joga mel em cima de mim e me amassa todinho". 3) "Não, meu bem, eu sou um goiaba. Faz tempo que eu estava pra te dizer isso. Quer conhecer meu blog?" Mas sabemos que Almeidinha, que já ligou o foda-se há tempos, vai se virar do outro lado e continuar a dormir, desta vez babando na metade oriental do travesseiro. E dona Gugu, que por segundos desligara o seu "fuck off", vai ligá-lo novamente e sintonizar a TV no programa da Sônia Abrão. Felicidade é isso.

Salada de frutas do >PURAGOIABA


13.8.03

História real de um enquadramento

A amiga de uma amiga minha, recém-separada, trinta e tantos, começou a sair com um cara de vinte e poucos. O namoro ia muito bem, os dois tinham uma rara sintonia, em todos os sentidos. Mas logo ela foi cercada de pela mãe e alguns amigos, que lhe diziam os mais conservadores conselhos:

- Você não vai ficar tão bonita por muito tempo!
- Em breve ele te troca por duas de vinte!
- Que futuro esse rapaz pode lhe dar?...

Terminou tudo. Engatou com outro -- mais velho, bem empregado, dentro dos padrões. Ficou infeliz. Quis o antigo de volta. Mas agora ele tem medo. Ela insiste. Ele diz que é louco por ela, mas foge. Engatou namoro com uma moça de vinte e poucos, tranqüilinha, dentro dos padrões.

Ele sofre. Ela sofre. Tudo, claro, dentro dos padrões.

ficam elas por elas

O Assunto Gay - Uma Posição Dura, Mas Necessária

Queria comprar um monóculo. Quando me dissessem pelo telefone, “Vamos pra uma balada?”, eu iria lá, e colocaria o monóculo e diria: “Ah, isto é uma balada?” Ou quando me deixassem chocado, eu só abriria o olho um pouco e o monóculo cairia no meu peito, ficando sustentado por uma correntinha dourada.

Também queria cicatrizes no rosto – como os estudantes alemães do século dezenove. Sim, eu sei que há quem queira fazê-las de graça. Mas realmente não se pode duelar com pessoas de certas classes. Not done, don’t you know. Bad form. Quando um membro das classes baixas o ofender, o melhor é chamar cinco ou seis empregados e mandar espancá-lo. Mas esse hábito só poderá ser reintroduzido quando ensinarmos à sociedade que isso é normal e gostoso. Chega de ver o olhar de censura no rostinho lindo das minhas amigas cada vez que mando meus empregados espancar um mameluco insolente num shopping.

A volta do uso de espadas. Bom, se proibirem as armas de fogo (que são bregas), podemos ao menos sair à rua com rapiers. Mas sinceramente o que eu queria, mas queria mesmo, era uma bengala com espada embutida.

Também queria a volta dos soldadinhos de chumbo. Way cooler than bloody transformers.

Polêmico, hein? Um post defendendo a volta dos soldadinhos de chumbo? Fala a verdade! Ah, vou agora defender a volta das polainas.

- Quem liga? As Guerras Gays sendo travadas, e você aí falando de polainas!

(Meu monóculo cai diante de tanta rudeza) Sobre certos assuntos não falo. Não falo em Matrix, por exemplo. Sou conhecido do Aconcágua à Prússia por minha resistência em falar de Matrix. Homens mais rijos do que eu já fraquejaram...

Posso, no entanto, falar de Monica Bellucci. Querem que fale de Monica Belluci? Gosto até de falar o nome dela. Monica Bellucci. Ela...

- Fale sobre o espancamento de gays! Não seja omisso!

(Pondo o monóculo para examinar pessoa tão grosseira) Espancamento de gays - você diz com escovas de prata, bastões de cricket, essas coisas? Humm, kinky, very kinky. Se eles gostam, I say, jolly good, jolly good.

- Céus, você tem geléia no lugar de cérebro? Diga alguma coisa relevante sobre os gays! Posicione-se!

(Suspirando) Mas não posso simplesmente ficar repetindo o nome de Monica Bellucci? Ok, vou dizer o que acho dos gays. Acho que são uma raça superior. Acho que deviam matar todo mundo e depois ficar dançando Everybody Dance Now. Eu por mim seria gay, mas me ocorre que tenho nojo de homem. Sei intuitivamente que a boca de um homem é suja, por exemplo. Todos sabemos, porque víamos os nossos colegas de escola puxando catarro ou falando com pontes de saliva no canto da boca ou comendo comida que caiu no chão. Francamente não sei como os gays se esquecem disso, devem ser sujos também. Glauco Mattoso e todos aqueles sonetos sobre chupar pés de homem. Há comparação entre um pezinho de mulher e um pé de homem? Como os gays não percebem isso? Merecem ser espancados.

- Você se contradiz, seu direiteca festivo, homófobo metido a aristocrata!

Que bom. Mas me diga, quem é festivo entre a direiteca? Sempre procuro blogs de direita que sejam festivos, mas acabo me desapontando. E juro que acho vocês gays uma raça superior. Imagine uma sala cheia de Oscar Wildes, Noel Cowards, Cole Porters. Qualquer um teria que sentir seus joelhos se dobrarem de inferioridade. Só espero que não se dobrem demais, hahaha. (Batendo na própria coxa sem conseguir conter o riso) Mas eu dizia, são uma raça superior - menos os gays brasileiros, porque os gays brasileiros deram errado. (Percebe o trocadilho involuntário e bate na coxa de novo, desta vez rindo em silêncio) Deram muito errado. Gays brasileiros são burros.

- Como assim, seu direiteca homófobo metido a lorde?

Nada, nada.

na mansarda de Alexandre Soares Silva

12.8.03

óia, tudo junto atendendo a pedidos histéricos de fão confusos:

RESUMÃO DO NOVELÃO

Novela. Carioca, cerrrrrrto? leblon. Todo mundo na novela é rico. Ninguém tem treta de cheque especial, ninguém se pergunta como vai fazer o super, como aqui, nos Solar dos Azevedo Cardoso. A única com potencial de pobre é a Ex-Puta, mas ela tem um protetor, o Toni Piludo Ramos, de modos que nem ela é pobre. Mas e as empregadas? Olha, imagina-se que as empregadas da novela sejam pobres, mas a gente só vê as moças uniformizadas e sorridentes, servindo café e ouvindo desaforo de criança. Nada se sabe da vida delas.

Então tem dois irmãos. O Toni Piludo Ramos e a Rosinha, em homenagem à namorada do Zé Carioca (que é a Susana Vieira, ela tem aquela boquinha de periquita). O Piludo foi casado primeiro com a Mãe Conceito (a Elisa Lucinda). Com ela ele teve uma filha, a Carninha Pitanga (Camila Pitanga) que hoje é médica. Guarde todas essas informações. Depois, o Toni Piludo foi casado em segundas núpcias com Cristiane Torloni, a Mulher Apito. Com ela ele adotou um garotinho, a criança mais sem educação, estragada e insuportável que eu já vi: o Lucas. O Que a Mulher Apito não sabe é o seguinte: no começo de seu casório com ela, Piludo encaçapou a bola oito com a tal da Ex-Puta, que naquele tempo ainda era puta da ativa, certo? Ela teve um filho dele. Agora, percebam a genialidade do Piludo; ele resolveu adotar o próprio filho, e não contar nada pra esposa pra "salvar o casamento"!! Um gênio, uma mente brilhante. A Ex-Puta já tinha uma filhinha de pai (até agora) desconhecido. A menininha chama-se Salete. A Ex-Puta tem uma mãe cachaceira e malvada, que ameaça fazer chantagem com o Piludo de contar tudo pra Mulher Apito.

Até aqui tudo bem? Dúvidas?

Bão, mesmo sem saber dessa safadeza toda, a Mulher Apito quis separar-se do Piludo. Quis, pra correr atrás dum amor dela de juventude, o Dr. Cara-de-Anão César. Ele é um neurologista famoso, e, percebam a mente poluída do autor da novela: namora a filha de Piludo, a Carninha Pitanga, que é médica (lembra?) e trabalha com ele na clínica. Sim, além de Cara de Anão ele tb é safado, e está tendo caso com duas moçoilas.

Bão, lembra que o Piludo tinha uma irmã, a Rosinha? A Rosinha foi casada com o Cláudio Marzo, vulgo Renato Aragão. Ele é gerente dum puta hotel. Agora ela é casada com um moço, o Elo Perdido, que é modelo. Ela tem dois filhos. A Mocinha, que é filha do autor da novela e é uma inútil, e o Pantero, que é o Rodrigo Santoro, que tb é um inútil, mas é o Rodrigo Santoro. Ah, já te contei que o Rodrigo Santoro tá na novela? Então. O Rodrigo Santoro foi casado com a Marina - a mulher esqueleto, mas já separou. A Marina tb não faz nada, se bem que agora tá brincando de fotógrafa. O pai dela tem uma agência de viagens e um caso com a funcionária da joalheria que funciona ao lado da agência dele, veja vc. Detalhe, tanto a joalheria, qt a agência, funcionam dentro do Hotel do Renato Aragão, o Trapahotel, que é pra economizar cenário. É lá tb que funciona o único bar do Rio de Janeiro. Nesse bar tem música ao vivo, e lá o Piludo toca saxofone e a Mãe Conceito assassina todos os standarts da MPB com seus "as" abertos e sua insuportabilidade geral. (A Mãe Conceito casou com o pianista e tem um filhinho). Ainda falando da família da Mulher Esqueleto, a mãe dela, a Natália do Vale da Morte, tem um caso com o taxista, que é namorado de sua empregada e tb é casado com uma funcionária da escola da Rosinha (funcionária essa que tb se chama Rosinha, na novela. Na vida real a moça é Guinle e é casada com o Zé Wilker... (ela tá por cima da carne seca).

Calma, respire. Sim, leia de novo, até entender. A vida real é muito complexa, não?

Bão, no prédio que mora a rosinha e a ex-mulher do Piludo com o filho deles (sim, eles moram no mesmo prédio, nas duas coberturas), mora a família do Carlão Boca de Alma. Há-há, vc vai me dizer, olha a realidade social aí, a família do carlão é pobre. Ah, me economiza, pobre? O condomínio daquele prédio deve ser duns 1000 reais. Me esquece. O Carlão Boca de Alma trabalha em casa, faz uns trampos tipo de contabilidade. A mulher dele usa camisola da marisa (a loja) e não trabalha fora ( e nem dentro, caba de me lembrar o meu belíssimo Alexandre). Ele tem um filho, um Ruivinho (Lembra do ruivinho viciado do Cidade de Deus? É ele) que é um amor, um doce e estuda na escola da Rosinha (sabia não? ela tem uma escola). O Carlão tb tem uma filha, malvada e gostosa, chamada Dóris, falaremos dela mais tarde. Com o Carlão tb moram a empregada, uma graça de atriz, falei o nome dela hoje de manhã pro Alexandre e agora ele me fugiu (o nome me fugiu, o Alexandre tá passando aspirador no quarto), e os pais do Carlão, dois atores fofos da velha guarda, o (QUALÉ O NOME DO ATOR GENTEM??????) e a Carmem Silva. Uns fofos. Claro que a Dóris, a mázinha, odeia os avós. E a gente odeia ela por isso.

Louzada, completa com competência, novamente, o belíssimo Alexandre. O nome do ator que faz o pai do Carlão Boca de Alma (que é interpretado pelo competentíssimo Marcos Caruso, eu-amo-esse-homem) é Louzada. Já contei que o Alexandre tem ciúmes do Carlão. Pois tem. Não posso fazer nada. Sou doida pelo cara.

Nos próximos capítulos: a escola de Rosinha, a turma ixxxxpérrrta da thiatru, os filhos do cara-de-anão, Tom Ránques de Itapevi: o homem dos olhos ao contrário.


(Se eu Não tenho nada pra fazer? não, não tenho não. Mas fale a verdade. Vc já tinha lido um resumo de novela tão bão?)
***
A Rosinha do Zé Carioca (Suzana Vieira) tem uma escola. Era do pai dela e tale e coisa. Lá tem uma professora chamada Santana. No começo da novela, a Santana era professora de religião, mas aí mudaram e agora ela dá aulas de geografia tb. Quem faz é a perfeita Vera Holtz (nem sei se escreve assim). A mulher não bebe. Ela come com farinha, é gambazeira fina. É o pé de cana master da novela. Bebe mais que a mãe da Ex-Puta. De vez em quando ela dá uns vexames, entorna no banheiro da escola e tale e coisa. Mas ela é gente boa. A diretora da escola é a Mulher Apito. Sim, sim, sim, além de dar pro safado do Cara de Anão, ela cuida da escola da ex-cunhada (se bem que já dizia nosso saudoso Collor, cunhado não é parente).
Nessa escola estuda o Ruivinho, filho do Carlão Boca de Alma. Ele é amigo do Frééééééédhi. O Fréééééééédhi, é um menininho esquisitinho, durinho e com cara de bicho de goiaba. O Frééééédhi é filho da Mulher-Camarão. O Frééééééééédhi é apaixonado pela professora de Educação Física, a Totosinha. Além disso, o Frééééééédhi é chato pra cacete. A Totosinha é meio dura pra interpretar, mas é mulher do diretor da novela, é bonita pra burro (ela atende, na vida real, por Helena Ranaldi). Na novela a Totosinha é casada com o nosso querido Tom Ranques da Vila Sônia, o homem que tem os zóio ao contrário. Além de ser parecido com o Tom Hanks, o cara é doido. Doido, doido, doido. Doido, doido, doido, doido. Deu pra entender que o cara é doido? Ele espanca a Totosinha ao som de música clássica. Dá na bicha de raquete. Um pavor. E dá umas gargalhadas de psicopata que são ótemas.
Bão, além disso, estudam com o Ruivinho Fofinho as louras entendidas. Elas são lindas, louras e se namoram entre si(hohohoho) para escândalo da minha tia avó, a dona Enelsina, que me liga aqui falando um monte e dizendo que o mundo vai se acabar. Vai, mas não por isso. As Duas Louras tem que driblar a mãe da loura número dois, a Megera, que é contra. Na turma do Ruivinho tb estuda a Filha da... Essa menina é filha do Cara de Anão. Ela é chata, bestinha, boazinha e babaquinha. Ela torra o meu saquinho. Ela é irmão do menino feijãozinho. O Menino Feijãozinho é formado em teatro em São Paulo (eles não tem coragem de dizer que o guri fez ECA, então eles só mandam essa vago "em São Paulo", hahahaah). Agora, além de assassinar o já falecido Xeiquêspere, ele tb é dono duma loja de motos. Eu já falo da loja. Ah, e a melhor amiga da Filha Da... é a paulinha. A Paulinha é uma aprendiz de Odete Roitman. Ela é má. Muito má. Nós a chamamos de Odetinha. A Odetinha é filha do faxineiro da escola. Ela é revortada. Ela trata mal o pai, os amigos, as professoras, ela é má. Muito má. Ai, acho que eu já disse isso.

O Faxineiro mora na escola. na escola tb moram a cantineira (A FENOMENALLLLLLL_LINDA_PODEROSA_VITAMINADA Regina Braga... e se vc sacudir os ombros e achar que eu tou exagerando, vá assití-la no teatro. Ela é casada em segundas nupcias com o Drazio Varela, sabiam?? E é mãe do Gabriel Braga Nunes, que tb é ator. Ele é filho dela com o diretor Celso Nunes (olha como sei das fofocas). O marido dela que eu não lembro o nome e a filha dela, a Planeta dos Macacos.

Bão, a Planeta dos Macacos (pelas caretas que faz) era namorada do Kid Chapinha. E quem é o Kid Chapinha? Bão, lembra que eu disse que o Cara de Anão é neurologista (neo-urologista) e trabalha numa clínica? O Pai do Kid Chapinha, Dr. Moretti, é dono da tal clínica. O Kid Chapinha não é médico. Ele é sócio do Menino Feijãozinho na loja de motos. Aliás, o Rodrigo Santoro, filho da Rosinha do Zé carioca, filho do Renato Aragão (gerente do Trapahotel, lembra???) tb é sócio da loja. Ng trabalha, mas eles são os donos. Fácil ter negócio próprio, né?
Calma. Ë muita informação, eu sei. Calma. Releia. Deu pra entender?
Bão, o namoro da Planeta com o Kid Chapinha acabou, pq o Kid engravidou a filha da empregada, a Garcinha.

O que me lembra: a mãe do Kid Chapinha é a Mamãe-Beiçuda, irmã da Natália do vale da Morte, aquela que dá pro taxista. Tá me acompanhando??

Bão, voltando à Mulher Apito, eu tenho que dizer: ela tem duas irmãs. Uma dela é a Mulher de Nariz do Máicou Jéquison (a Maria Padilha). Ela é casada, tem uma loja de doces que funciona onde? Certo, no trapahotel. Ela tem uma filha, da qual já falamos aqui.
(oia, foi isso que eu falei, lembra:)
A mãe quer dar um apartamento de presente pra filha de 18 anos, que não estuda e trabalha como balconista na doceria da família. "E como ela vai pagar as contas?" - pergunta você, com essa mentalidade pequeno-burguesa, que não leva ninguém a lugar nenhum. Cara, eu não estou nem aí. Aliás, a mãe também não, a única preocupação da mãe é que "seja num prédio com camareira e telefonista, essas coisas (sic) que facilitam a vida da gente". Se eu me choco com a classe média deste paraíso tropical, deste porto moreno, criando os filhos como se fossem sinhozinhos do café do século XIX? Eu não, estou é morta de inveja.

E a outra irmã da mulher Apito é a Fofão. Fofão tb é douda. É casada com o filhote de bicheiro (vide os penduricalhos no pescoço e nos punhos), aquele lindo do Marcelo Anthony, morre de ciúmes dele e dá uns shows. Tá certo que ele é gostosão e tal, mas a Fofão exagera. Ah, e sabe quem dá em cima dele??? A Mocinha, filha do autor. Tá dando o maior mole pro cara. A melhor amiga dela é a Buchinho. A Buchinho é namorada do Renato Aragão, e é telefonista no Trapahotel (é a ótima Xuxa Lopes que não tem nada de buchinho, a gente só tá implicando com a coitada).
***
Ai gentem, vcs me perdoem, esqueci do Padre!! Se num é a Lu me lembrar, o padre passa batido.
Seguinte, lembram que eu falei da mulher Apito? Além das duas irmãs, a Mulher Apito, certo? Bão, além da duas irmãs-mala, a Fofão e a Maicon Jéquison, ela tem uma prima. A Mula sem Cabeça. A Mula sem Cabeça, como o nome já diz, é apaixonada pelo padre. O padre é o Rixardi Guére. Ele é um padre bom e devoto, mas sabe como é, a carne é fraca e ele tem muita carne. Vai daí que a vagabunda tá se encostando no padre e ele começa a sucumbir. O Rixárdi Guére tem uma tia carolinha, mas boa, interpretada pela TUDO da Valderez de Barros, aquela puta atriz, aquele monumento, aquela tudo di bão. Bão a Mula sem Cabeça é tão rica que mora num Hotel. Qual hotel? Lógico, o Trapahotel!!! hahahahaha!!!! E ela tem dois secretários. A Dóris, lembram, filha do Carlão Boca de Alma, a nossa Chacrete. E um gordinho gay que é bonzinho e chama Eugênio. A Mula sem Cabeça tb é conhecida aqui em casa como Mulher Bochecha. Ela é tão rica que comprou o terreno onde o Rixardi Guére tem uma chácara, onde ele faz horta pros pobres. Olha que vagaba! Agora que ela descobriu que ele é tatuado então, ela tá atacadíssima. Eu tinha esquecido do Padre.

Ah, lembram da Pé de Cana Master, a Santana? Bão, ela mora com uma amiga, a Santa. Sim, pq quem aguenta bêbado tem um lugar garantido no céu. A Santa esconde as garrafas de pinga da bêubeda, segura a testa dela qd ela vai vomitar, pede desculpas pra dona da casa pelo vexame e faz preleções sobre os malefícios do álcool nos poucos instantes que a Pé de Cana Master tá sóbria. A Santa tb é professora na escola da rosinha do Zé Carioca, mas não tem vida pessoal. A vida dela é pagear a Santana.

Sinopse da novela Mulheres Destemperadas no Drops da Fal

São poucas as situações na vida nas quais eu concordaria em usar um terno. A entrega de um grande prêmio em dinheiro com algum apresentador barrigudo me passando um daqueles cheques simbólicos grandões seria uma delas. Uma festa com cerveja, vinho, whisky, vodka, conhaque e coquetéis liberados até as 8 da manhã, é outra. Notem que casamento foi um evento propositadamente omitido, exceção essa que eu só abriria caso o casamento não fosse meu e os noivos oferecessem uma festança da boa após a cerimônia.

Então que Deus resolveu ser bonzinho e fazer com que o Sapo e mais umas gentes conhecidas (Fernanda, Jão, Auad, Popó) formassem na faculdade. E essa foi uma das situações que eu me vi obrigado a usar terno.

Logo que me sentei à mesa, já no baile de formatura, um garçom baixinho e gordinho veio correndo me servir. A cada gole que eu dava no copo ele vinha rapidamente e preenchia com mais cerveja. Ele parecia se sentir numa espécie de dever silencioso, um desafio moral, que o imbuía a manter meu copo cheio na mesma intensidade que eu me sentia impulsionado a mantê-lo vazio. Aquele duelo muito me aprouve, ao que eu chamei-o e perguntei:

- Qual seu nome?
- Almir senhor - disse ele apontando para uma plaquinha em seu peito onde estava escrito A L M I R.
- Almir, quantos anos você tem?
- (Insira aqui uma idade da qual eu não me lembro, mas que com certeza era superior a 20)
- Então pare com isso de me chamar de senhor, eu tenho idade pra ser seu filho.
- Ok ok ok - disse ele rindo.
- Almir nomeio-te meu garçom oficial da noite. Serei servido apenas e exclusivamente por você.
- Oh!
- Você está incumbido de me fazer cair no chão.
- Ha! Ótimo!
- Você acha que pode?
- Claro! Mas quando você for ao chão eu te dou um cafezinho forte pra você se recuperar e beber mais pra ir na chôn de novo.
- FORMIDAVEL!
- Ha! - o Almir era muito dado a esse tipo de exclamação.
- Então toca aqui.

Então nos cumprimentamos e começamos a cumprir nossas partes no tratado. Ele prontamente preenchia meu copo de 2 em 2 minutos e eu respondia "Não, obrigado, somente o Almir" a qualquer outro garçom que tentasse me servir.

Lá pelas tantas fiz uma descoberta e tanto. Havia uma rampa na entrada do recinto e perto dela forma-se uma fila em frente a um balcão. Como eu não tinha nada pra fazer, a não ser beber, e isso eu podia fazer em qualquer lugar, decidi entrar na fila. Na minha frente havia uma loira deveras ébria que gritava assim para o moço que estava atrás do balcão:

- Eu quero o guardachuvinnhhaaaaaaaaaaa!!!!!

Eu comecei a rir, é claro. Ela notou que eu estava rindo e veio conversar comigo:

- Olá!
- Oi.
- Você também quer o guarda-chuva?
- Ahn?
- O GUARDA CHUVA!
- Que guarda-chuva?
- Aqueles de por nos copinhos pra enfeitar ué!
- Ah, não, aquilo ocupa espaço e fica entrando no meu olho.

Ela riu.

- Ah, meu nome é fulana (porra, claro que eu esqueci) e o seu?
- Gugu delícia!
- Ahn?
- G U G U D E L Í C I A
Então ela me olhou de cima embaixo.

- Ahn, e qual o gosto que tem?
- Não sei, nunca me provei.
- Uhnnn... e é delicia mesmo?
- Claro!
- Posso provar?

Nisso o irmão de 13 anos do Sapo que se encontrava na fila pegando bebida escondido começou a dar uns gritinhos do tipo de gritinhos que as crianças dão no colégio pra atiçar brigas ou discussões.

Eu só sorri e não disse nada.

- Você está com alguém? - ela perguntou.
- Tô sim - e estava
- Oh!
- É!

Então ela continuou a conversar comigo e me informou que aquela fila era pra coquetéis e afins e me indicou as garrafinhas coloridas no bar.

Quando chegou minha vez de pedir eu tratei de me informar com o garçom acerca dos meus direitos.

- Ei, eu posso montar a bebida que eu quiser?
- Vai em frente!
- Uhnn - examinei o monte de garrafas que tinha no bar até que conclui que estava bêbado demais pra lembrar de alguma mistura que ficasse bebivel - faz assim, você prepara pra mim.
- Certo, o que você quer?
- A bebida mais forte que você puder fazer.
- Ah, claro!

Então ele me entregou um copo com um liquido marrom dentro. Eu provei, estava realmente forte.

- E então? - ele perguntou.
- Ta muito fraco!
- Então espera.

Ele pegou uma garrafa de conhaque e despejou um punhado dentro do copo. Provei de novo.

- Agora sim, ta bom!

E então eu comecei minhas incursões etílicas pelo baile. Meu pai disse que a cada 10 minutos eu passava pela mesa com uma bebida de cor diferente inclusive uma que era azul e tinha gosto de chiclete.

Então tudo subiu e eu finalmente fui na chôn, lá no jardim. No caminho de casa meu pai ainda parou o carro umas duas vezes pra eu vomitar.

Coisas que descobri no dia seguinte:

- Eu tirei uma foto com o Almir. Ela ta na maquina do primo da Fernanda e assim que eu obtivê-la eu publico.
- Uma amiga da Laura chegou pra ela e disse "Ei, tem um tarado aqui no baile" , a Laura perguntou "Quem? Quem? Quem? " ao que a guria respondeu, "Aquele cabeludo ali ó!" apontando pra mim.
- Eu fui pego tentando levar uma garrafa de Whisky pra casa.
- EU QUERO É MAIS

relatos de uma formatura no Cacofonia

FILLING THE FACE

O Jeff era da Nova Zelândia e dava aulas particulares de inglês em São Paulo. Um dos seus alunos, por acaso, foi meu colega em uma consultoria, e recebia as aulas lá mesmo, antes do início do expediente, que era às dez da manhã. Um dia, cheguei mais cedo e o Jeff estava lá, esperando o meu colega.

Comecei a conversar com o cara e percebi que era bem mais fácil desistir de entender aquela mistura de espanhol e português que ele falava e partir direto para o inglês. Aí ele me contou da Nova Zelândia e dos vários lugares do mundo que conhecia. Acabamos ficando amigos.

Numa noite, no meu apartamento da rua Augusta (palco para muitas atividades que beiravam a ficção científica), eu estava calmamente bebendo o meu uísque quando tocam a campainha. Era o Jeff. Ofereci o uísque, um honesto Johnny Walker Black Label, e ele torceu o nariz:

- Don't you have cat-tchaça? For cay-pirina? Cinquentsa e uno?

Vejam só: além de gringo, cachaceiro. Bem, para ele isso deveria ser uma bebida exótica. Falei que não tinha pinga em casa, mas certamente haveria no boteco em frente ao prédio. Descemos os dois. O dono do boteco era um turco que mal falava português, mas que conhecia algumas palavras-chave, como "pinga 51". Compramos também uns três limões e estávamos para sair quando surgiu um outro amigo meu, o Sabiá - igualmente cachaceiro e notório mentiroso. Ele já estava bem bêbado. Quando eu o informei que o Jeff era Neozelandês, me perguntou que religião era aquela. Aí expliquei que não era religião, era uma ilha mais ou menos perto da Austrália e o pessoal falava inglês lá.

Então o Sabiá principiou a conversar com o Jeff em algo que, na concepção dele, era inglês. Atenção para o papo:

- Mister Jeff, excuse me but I am tall! (querendo se desculpar porque estava bêbado, alto)

- What do you mean? Non compreendo! (claro que não compreendeu, pois meu amigo era um nanico)

- Não esquenta, mister! Let's fill the face! Understand? En-cher a ca-ra!

- Fill the face?, perguntou Jeff, olhando para mim como quem pede ajuda.

- It means 'get drunk', expliquei.

- Ahh... but he's already drunk!

Neste momento, tarde da noite, uma das putas de calçada se aproximou. A Daiane, uma mestiça de dezessete anos que era, de longe, a mais apetitosa da rua. Tinha um corpo que era só tetas, bunda e coxas, e ainda assim um corpo esguio - tudo no lugar certo, do tamanho certo. O diálogo em pseudo-inglês tinha chamado a sua atenção.

(...)

a baixaria continua no confessinário do Padre Levedo

11.8.03

amigo do amigo do amigo
EU SÓ QUIS DIZER...

Todas as reuniões da minha família chegam, em determinado momento, a uma sessão nostalgia. Somos cinco filhos e sete sobrinhos, o que resulta em muita história pra lembrar.

Geralmente são as mesmas histórias mas, como somos todos meios descompensados, a gente ri do mesmo jeito.

Uma das minhas histórias de infância - eu sou o caçula e todos os meus irmãos já contaram esta pelo menos umas quinze vezes - diz respeito a uma visita de uns colegas da minha irmã Lúcia, nos idos de 1984.

Na trupe havia uma menina esteticamente deficiente (ou seja, feia) e eu, do alto de meus seis/sete anos de idade, já era franco como hoje.

E aí a pobre da menina estava com um top (ou topperzinho, se preferirem) bem justinho e pequeno. E tinha uns peitos inversamente proporcionais ao tamanhos da roupa.

Contam meus irmãos que eu parei... analisei bem a coitada de cima a baixo e diagnostiquei:

"Mas tu é feinha, hein? Parece uma estátua!"

(pausa dramática)

"Ó, teus peitos vão pular pra fora, hein?"

E fui ver a sessão desenho.

relatos de infância na Central de Manicures

Onde Isso Vai Parar?

o cara mais gente boa que conheço casou no sábado.
merece os parabéns.
e um relato do que antecedeu o fato.

sexta para sábado:

1:30 da matina: eu na editora.
1:40: eu entrando na trip.
6:00: saindo da trip.
7:00 parada estrategica no mcdonalds.
8:00 novo ape do noivo. (detalhe, o menino tava tao mamado que eu e porcao, que o seguiamos, ficamos impressionados com a quantidade de contra-mao que ele pegou).
8:01: eu dormindo na cama de casal dele. junto com kilove. leandra dormindo no chao. porco, no sofa. o noivo dormiu sentado na poltrona.
8:59: ele acorda com o telefone.
9:00: a noiva liga pra avisar que o noivo tem que ir casar.
9:02: recado na caixa portal do noivo, de sua mãe: "mas é brincadeira, hein! não vai aparecer não?"
10:00: de noivo, o rapaz volta ao apê casado.
10:01: kilove vomita no banheiro.
10:02: porcao caga no banheiro do jef.
10:03: eu escarro no banheiro.
11:00: seguimos rumo à feijoada da familia dele casamento. coisa de familia. somente parentes próximo dele e dela. eu, leandra, porco e kilo na esteira.´

diários dos Veríssimos

Mew.. faX teMpo kE eU nuM bLoGo.. tO seM teMpo!! =~~ MeW aCoNtEcErAm uMaX paRadA mTo LoKa... ateH bRiGa dI FaKa nU meU coLeGio!! DoiS aMiGoX mEuS, da mInHa tuRma FoRaM eXpULsOs =//~ Um leVo FakA i u otRo uSo!! iSSu.. eM pLenO dOmInGo deManHa nA iNtErSeRiEs!! =~~ BrIgaRaM Nu JoGo.. dAi Foi uNs 20 pA ciMa dOs meUs 2 amIgOs! daiH pA si deFeNdE uM PeGo a fAkA.. i deU uMa FaKaDa iM uM deLeS!! =~~ pEnA kI nAuM mAtO.. Os oTrOs 20 eRaM a MaIoRiA dO gReMiO (3º anO) 3 LevArAm SuSpEnSÃo.. iSSu ki nUs 20 tInHa GaRRafA, Sk8... =~~ BaItA iNjUsTiçA!! MaX eH u tAL nEgOcIo.. U gRemiO eH xEiU dI aRReGo nU cOLeGiO.. FoDa!!! =~~~~
=@@@@@@@@@@@@@@~ pa ToDaXx!!

bLoG dU DaDuH

Diálogo sem fim...

Aquele sujeitinho que diz que só faz sexo sem beijar na boca , porque beijo é muito íntimo, me ligou ontem a noite para sairmos hoje.
- Vou passar na sua casa, gravar uns cds, depois podemos dar uma voltinha, o que você acha? Você ainda está de "resguardo"?
- E você, já dá beijo na boca?
- Vamos sair ou não?
- Quanto você tá cobrando a hora ?
- Vai-te a merda!
- Prostituto!
- Nunca mais me liga!!!
- Foi você quem ligou.
- Que horas posso passar ai?
- As 10, mas antes escova os dentes porque hoje eu quero beijar na boca!
- Vou desligar e nunca mais te ligo.
- Fio dental também.
- Você vai se arrepender.
- Arremata com Listerine.
Desligou.

casos e acasos virtuais

. Pai .

Pois é, meu pai tá doente.
Acordei com essa notícia na quinta-feira, Erismar, a moça que trabalha aqui em casa me disse:
- Anita, seu pai tá doente.
- De quê?
- Uma dor no ovo.
- ?
- Dor no ovo, chega tá andando de perna aberta.
- !
- Disse que ia lá na Casa Grande avisar que não ia vacinar o gado, que não tinha condições.
- Pois assim que ele chegar me ligue que venho pra levar ao médico.
- Tá.
E fui trabalhar. E trabalhei. E atendi todo mundo e nada de Erismar ligar.
- Alô, Erismar? Cadê papai?
- Voltou ainda não.
- Tá. Vou lá na Casa Grande.
Chegando lá vejo papai com uma pá na mão, juntando o milho recém-processado na forrageira (pra dar pro gado? e gado come milho? não é galinha que come milho? sei não, coisas de meu pai.).
- Pai, o senhor é doido, é? Solte essa pá, homem, vamos no médico.
- Não, isso não é nada não. Vá na frente pra casa, depois a gente conversa.
Cheguei em casa, ele chegou logo em seguida e se deitou.
- Pai, vamos no médico?
- Precisa não.
Bla-bla-bla-bla-bla (tudo conversa inútil, ele não foi.)
Vim pro quarto, ele me chama:
- Anita?
- Senhor?
- Olhe ali no calendário que dia cai a lua cheia esse mês.
- Tá. ... Dia 12.
- Hmm. Será que foi do ácido muriático que usei pra lavar não-sei-o-quê?
- Foi não, pai. Isso é uma infecção, precisa ir no médico.
- Precisa não.
Vim pro quarto, ele me chama de novo:
- Anita?
- Senhor?
- Cê num tem nenhum amigo seu que conheça feitiçaria não?
- Aaaaargh!
Hoje, me aparece com o aspecto ligeiramente melhorado:
- Fui na farmácia e a mocinha me passou um remédio lá.
- Pai, pulamordedeus... O senhor chegou no balcão da farmácia e disse que tava com dor no ovo, pai? E a abestada ainda lhe empurrou remédio, pai? Antibiótico, pai? E só seis comprimidos, meudeus! Que farmácia foi, diga aí.
- Eu vou ficar bom, cê vai ver.

* * * * * *

Isso era pra ser uma homenagem ao meu pai.
Dia dos pais, sabe?
Ficou parecido?

arroz de leite

À algum cientista de plantão:

venho informar que estou disponível para ser cobaia do seu teletransportador, desde que me mande - como teste, óbvio - para uma praia da Bahia que ainda tenha sol e cerva gelada...

Grata pela compreensão.

Brasília, 08 de agosto de 2003.

Renata

PS.: junto do seu teletransportador preciso de um holograma para me substituir aqui no serviço.


devaneios insones

9.8.03

As vezes paro e fico pensando sobre o que esse trabalho realmente significa. Ha varios fatores envolvidos e chego a conclusao que o peso que cada um deles tem vai depender de cada menina que o faz. Tem haver com beleza, dinheiro, poder, sexo, juventude, charme, arte. No meu caso eh uma forma de expressao artistica e pessoal que traz uma boa recompensa financeira.
Nao o farei por muito tempo mais e acho que terei saudades dos anos que aqui passei nessa vida.

naked emotions

Quero ler um livro em voz alta enquanto você se aninha com a cabeça na minha barriga e as pernas enroladas, bem petitica. Ver um filme no sofá debaixo de um cobertor, entrelaçados, compartilhando um sorvete. Dar doces na sua boca com a minha. Ouvir uma bela música dançando e abraçando-a bem apertado. Carregar você nos meus braços. Cozinhar para nós. Fazer retratos e lembrancinhas. Agarrar você de surpresa. Escrever mails e posts derramados todo dia. Beijar sua boca com calma, com fúria, com tesão, com amor, com entrega, de leve, profundamente. Dormir abraçado, aquecendo você, aninhando e aconchegando, fazendo cafuné e massagem, sentindo o seu perfume, e sua suavidade e maciez de toque. Repetir palavras de amor... palavras de amor... palavras de amor... palavras de amor... Passar manhãs luminosas curtindo você. Passar noites em claro curtindo você. Cobrir seu rosto com chuvas de beijinhos, cada um deles significando dez milhões de "eu te amo" elevados ao cubo. E ainda assim, me comover inapelavelmente pelo excesso de ternura que nem tem mais por onde se expressar.

Com você, quero compartilhar memórias, boas e ruins. Falar sem qualquer reserva sobre qualquer coisa e sempre ser interessante. Ouvir tudo o que você precisa dizer, ou não. Rir e chorar. Mostrar todos os meus segredos e desejos. Repartir todos os gostos e gozos. Viajar, passear, curtir, descobrir o mundo juntos. Um nascer do sol deslumbrante, uma música tocante, uma ventania curiosa, um sabor picante. Chocolate quente numa tarde fria. Suco de fruta numa manhã quente. Chocolates a qualquer hora. Caminhar sob qualquer clima. Nadar em águas cristalinas. Ouvir passarinhos. Ver peixinhos. Acariciar gatos. Cor. Sol. Branco. Vermelho, verde, violeta. Laranja, amarelo, Azul. Profundo azul marinho. Sentir o mar, o borrifo das ondas, a brisa perfumada, o misterioso som da floresta e a história remota que as pedras e a areia contam. Apreciar cada planta, perfeita como ela é em si. Cheiro de terra e grama molhadas pela chuva. O calor mole de um pão acabado de sair do forno.

Crescer juntos e viver plenamente.

Quero tudo com você, só com você, e mais nada importa tanto. Porque você já é tudo. Quero você. Bem perto de mim. Sempre. Para sempre. Amo você e sonho. Só com você.

o amor é lindo, Mario AV

"Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas"


Só uma vez na vida estive nos EUA, visitando meu noivo, que mora em LA (Não, não o conheci na internet. Já namorávamos há dois anos quando ele foi para lá, a trabalho, há dois anos e meio. Ano que vem voltaremos a habitar a mesma cidade, e melhor, a mesma casa, e estaremos casados. Fecha parêntese). Eu dizia que quase nada conheço dos EUA. Passado um tempo da ida de meu noivo para lá, eu vim para Bruxelas, também por motivos profissionais. E aqui estou. Mas, se não conheço os EUA, minha amiga Luciana, que lá morou durante anos, conhece bem. Mês passado ela esteve rapidamente aqui na Bélgica, pela primeira vez. Conversamos.

«A Bélgica lembra o Brasil, né ?», ela comentou.

«Ah, bom? Em quê, exatamente ?»


«Estive observando as pessoas que conheci aqui e tive essa sensação. Nos EUA, a única fonte de sucesso e realização é a profissão. Se você não progride no trabalho, você é um looser. E para se progredir, não se hesita muito em se sacrificar a família ou, até, nem tê-la. Aqui, a família pode cumprir esse papel do preenchimento do ego, de forma que não será tão traumatizante se você for apenas razoável profissionalmente».

Fiquei pensando naquilo. Pensando em mim, correndo feito louca atrás de uma boa formação profissional, e em meu noivo,correndo para o outro lado, atrás da formação dele. Mesmo que tenha havido a promessa de voltarmos a nos instalar no mesmo local, e que essa promessa vá se cumprir ano que vem. Ainda assim. Arriscamos. Promessas não são karma. E esses foram anos em que poderíamos ter estado juntos, e não estivemos. E mesmo quando estivermos, seremos eu e ele, longe de nossas famílias, e por quê ? Mais uma vez, a tal corrida profissional e o medo de ser um looser. Dessa vez correremos juntos eu e ele, mas os outros estarão ainda longe. Eu lembrava de Luciana, de suas palavras, perguntava se eu estava fazendo a coisa certa, e se essa distância valia a pena. E vejam que nunca fui o tipo apegado à família, desde os 18 anos moro só, o que não é o mais usual na tal classe média brasileira. Mais uma vez, ainda assim.

Para piorar, nesse dia conversei muito com Marjorie, uma amiga belga. Marjorie tem um grande potencial. Faz um trabalho admirável em fonologia da língua dos sinais. Ela é só dois anos mais velha que eu, e tem um filho de alguns meses, Lounis. Eu a olho e tenho quase inveja em perceber que ela não sacrificou nada da vida pessoal ao trabalho, e é claro para ela que se algo tiver que ser sacrificado, será o segundo. Invejo essa certeza dela, essa felicidade da certeza da boa escolha.

Na ocasião, ela tinha tido um problema na renovação da sua bolsa (agora já resolvido) e estava já procurando emprego nos classificados. Vocês estão entendendo? Ela estava na iminência de ter que suspender sua pesquisa por um ano ou mais, pois na condição de mãe precisava de um salário certo, não podia se dar ao luxo de passar um aperto grande demais. Iria trabalhar como secretária, garçonete, ou sei lá o quê ela tinha em mente. Mas não estava revoltada, aflita, irritada. Contava isso sorrindo como quem acha quase divertido um imprevisto desses na vida, como quem não se importasse e como quem dissesse mudamente: «Quem se importa de passar um ano atendendo telefonemas ou servindo cerveja, de esperar um pouco para continuar a pesquisa que tanto me interessa, se estou fazendo em benefício de minha família ?». Claro, eu faria igual. A diferença é que não sei se faria sorrindo.

Naquela noite não dormi quase nada, pensando no filho que eu queria ter, mas não tinha, porque meu noivo morava em outra cidade. Que não terei mesmo quando ele se mudar para cá, porque tenho uma tese para escrever e tenho medo de ser doutoranda e mãe ao mesmo tempo, medo de não conseguir. E pensando no meu noivo, sobre o quanto sei que o amo e, mesmo assim, ao invés de ir me juntar a ele, de seguí-lo, vim para cá, por conta da boa oportunidade profissional. A tal oportunidade era mais válida que o amor? Foi o que eu pensei, quando me decidi? (Na verdade sei o que eu pensei: que se me sacrificasse por ele e o relacionamento acabasse, não perdoaria nem a ele nem a mim. E achava que poderíamos esperar. Tendemos a pensar que o amor é paciente. No meu caso, foi, mas por sorte. Não sei se paciência é inerente ao amor. Eu me arrisquei. Falando como Einstein, joguei dados com minha vida afetiva).

Sim, esse é só mais um «draminha da mulher moderna». Tadinha de mim, não? Talvez encontre a resposta na reportagem de capa do próximo número de Marie Claire.

nos alfarrábios do scriptorium

8.8.03

Já aconteceu com você, confesse: você já ficou com cara de paspalho sorrindo para o monitor do computador, não foi? Já pulou sobre o aparelho telefônico dizendo: deixe que eu atendo, é pra mim! Já ficou na janela esperando um homem de camisa amarela com um uma bolsa azul que deveria conter um envelope (ou pacote) com seu nome. Já aconteceu com você essas coisas de passar a venerar certo cantor, ou escritor, ou ator de cinema, que antes você nem sabia que existia? Diga que você também já caminhou sobre as linhas como quem se equilibra sobre uma corda bamba, que você também já teve essas fases de mentir que não se importa tanto com ausências e silêncios. Diga que você já se sentiu imbecil por sentir uma coisa estranha que você não pode chamar de saudade porque não faz o menor sentido. Diga, confesse... eu me sentiria muito mais humana, muito mais normal se soubesse que não sou a única que caminha entre espaços estranhos de vontades, desejos e incertezas que apertam o coração.

Pegadas da walkwoman

Muito Prazer. Sou a mais nova e feliz co-editora do Copy & Paste e espero...
Bem, eu espero muitas coisas, mas vamos deixar de conversa e ao trabalho.

Era uma vez, há muitos e muitos anos, não era eu
.
.
Caralho, como faz frio nesta terra.
.
.
Fragmentos do meu antigo quarto de adolescente, porque nunca morei nesta casa e este nunca foi meu. Alguns brinquedos, umas bonecas e uns bichos de pelúcia. Umas caixas que estavam na minha ex-casa, que não era dos meus pais, mas também não era exatamente minha. Nem um pouco minha, para ser sincera. Era assim que eu sentia. Estava tudo pronto quando mudei para lá, os móveis, os espaços. Eu só me acomodei. E como me acomodei. Em todos os sentidos possíveis e imagináveis, eu me acomodei. A vida era calminha, a casa era limpinha, a cama era quentinha. Vivia tentando estragar tudo, até que finalmente consegui, ao mesmo tempo em que resolvi me mandar para São Paulo. Tomei a decisão quase sem pensar, porque era a única saída, a única coisa que eu poderia fazer naquele momento. São Paulo era o único caminho. Não sabia direito por que tinha decidido ir para lá, mas agora as coisas parecem bem mais claras. Eu precisava sair desta cidade, precisava sair de perto de tudo. Não tanto por causa da cidade quanto por minha causa. Eu precisava sair daqui, quebrar a cara, ser despejada, rejeitada, tomar no rabo, viver na sujeira, fazer sexo com pessoas que eu esquecia o nome no dia seguinte, beber, ficar doente, ficar sozinha, sozinha, sozinha, morrer de solidão, ficar pobre e não ter com quem contar. Pobre, eu precisava ficar pobre e sozinha. Eu precisava de tudo que me aconteceu, porque agora eu vejo a vida que levava aqui e meu deus, não tem nada a ver comigo, eu estava perdida, não sabia quem eu era, estava perdida no conforto e no comodismo. Tudo era tão fácil, e eu sofria por ser tudo tão fácil, não era o que eu queria.

Tudo faz sentido quando vejo esse guarda-roupas aberto na minha frente, com um bilhão de roupas que não quero nem saber e que devem ter custado uma fortuna, muitos aluguéis, muitas refeições, muitos maços de cigarro e contas de luz, porque eu não me preocupava com essas coisas e não fazia idéia do valor do dinheiro. Vejo minhas fotos, o cabelo cortado em cabelereiro, as unhas tão bem-feitinhas, meu deus, o que eu pensava da vida? Como eu vivia assim, com tantas coisas que não eram importantes? Não era eu, já disse. Eu não sabia quem era. Precisei me mandar para me encontrar. Precisei chegar em um limite, magoar uma pessoa que não merecia, fazer uma tonelada de merda para descobrir que precisava me descobrir.

Cara, ainda bem que eu me mandei.

Já que fucei nas minhas roupas e nas minhas fotos antigas, resolvi mexer em uns textos velhos e mofados de 3, 4 anos atrás, da época do CardosOnline, o e-zine onde tudo começou. Leia-se eu, a Livros do Mal, a descoberta que escrever era o que eu tinha que fazer. Tudo. Minha amizade com os mocinhos que faziam o COL, a redescoberta da minha vida, que tinha sido drenada de mim por um cuzão qualquer que era medíocre demais para entender. E tudo faz sentido. Eu estava ficando bem louca porque estava perdida, perdida.

Hoje eu entendi tudo.

Ainda bem que eu me mandei. Todo mundo devia se mandar, mudar de cidade, sair de casa, cortar o umbigo e declinar qualquer tipo de ajuda. Não há nada como a sensação de tocar a própria vida, de saber para onde ir, descobrir que o essencial na verdade era um monte de tranqueiras atravancando o seu caminho. O meu caminho. Um monte de coisas que me prendiam e que agora não fazem mais parte da minha vida. Agora eu sei, eu sinto que estou no caminho certo. Esse texto que encontrei foi a confirmação do que eu já sabia: minha vida tinha quer ser exatamente como é.

Senhoras e senhores, com vocês, o meu passado.

I can't see until I see your eyes

Eu queria ser maldita. Mas eu sou uma filha da puta sortuda.

Queria ter que escrever três páginas por dia para a dona da pensão não me expulsar, que nem o Leonard Cohen. Queria ter que comer migalhas e contar que uma puta me deixou ficar na casa dela uma vez. My name is Jane and I'm an addict. Queria ter que escrever em folhas de papel de pão de meio quilo. Queria ser junkie, junkie de verdade, queria ter os braços cheios de abcessos. Mas não. Eu trabalho e tenho a pele lisinha e dinheiro e pessoas a quem recorrer e tento ser sã e equilibrada.

Quero ser homeless. Quero morrer junkie aos 23 anos. Quero ser podre. Quero apodrecer viva. Podridão é inerente. Inevitável. Todo mundo tenta esconder a podridão com banhos e sabonetes e perfumes e clareamento de dentes. Dentes. Dentes podres, todo mundo sorri com dentes branquinhos mas são podres por dentro. Quanto mais brancos, mais podres. Quanto mais artificiais, mas ocas. Pessoas sem dentes são legais.

Quero ser puta e vender minhas carnes. Corpos são montes de carne, sacos de pele e ossos cheios de bichinhos que a gente nem vê e que passam o dia caminhando e nos comendo. Corpos só pesam. Almas são livres e hippies. Leves e de vestidos esvoaçantes. Não quero mais meu corpo. Não quero mais ter carnes. Não quero mais ter corpo.

Queria que não gostassem de mim. Queria que me jogassem tomates e repolhos e que eu fosse enforcada em praça pública. Queria ser maldita e suja e poder ser insana em paz. Poder deixar meus cabelos desgrenharem e ficarem iguais aos da Josefina, minha primeira boneca que tinha um black power.

Queria ter virado uma esquina diferente e não saber o que é isso que você me deu, essa pedrinha que brilha muito. Voltar no tempo, queria voltar no tempo. Pra que começar se não vai terminar? Queria voltar no tempo.

Jesus não salva. Jesus não vai voltar. Jesus tem um programa na tv. Jesus era negro. Jesus escreveu um cheque em branco. Jesus está invisível no icq. Jesus é um gênio surdo, mudo e analfabeto.

Não tem sol. É frio. É duro, é amargo. Olha e não quer ver. Não quer ver mesmo. Nem ouvir, nem explicar, nem nada. Não quer. Não pode. Não vai.

Queria não saber. Queria não conhecer. Burra, queria ser burra. Queria ser burra e sã. Sã. Queria ser sã. Queria ser sã e burra e não chorar. Chorar é coisa de mariquinhas. Eu sou mariquinhas. Chorona.

Queria acordar e te contar meu sonho e ouvir o teu. Queria chorar muito no teu ombro. Queria poder te contar tudo que caminha dentro da minha cabeça.

Não quer ouvir, não quer ver, não quer explicar. Não vai, não pode, não quer.

Eu não vou continuar tentando. Não vou. Desisti.

Queria ser ontem. Semana passada. Mês passado. Hoje não. Hoje nunca. Mas ontem passou. E amanhã ainda não chegou.

Um dia chega. Agora chega.
.
.

She is back! - brazileira!preta

O que é amor? Sério, o que essa merda dessa palavra significa?
Se preocupar, cuidar, querer ajudar, querer estar junto, "sua felicidade é minha felicidade"? Nunca abandonar, nunca esquecer, ohana?
Não sei. Esse é meu conceito. A idéia que eu faço dessa coisa.
Se é assim, acho que eu não posso me sentir mal-amada. Quer dizer, eu posso, sim, mas não sou.
E se é assim, eu amo muitas pessoas. Porque eu não quero que ela repita de ano, não quero que ele fique triste, não quero que ele se culpe, não quero que ela se sinta infeliz com a faculdade, não quero que ele suma de mim e penso o tempo todo se ele tá bem, não quero que ela fique sozinha.
Não quero. Minha felicidade depende disso. Minha paz depende disso.
Eu amo essas pessoas...
Pois bem, eu não quero. Não quero mais sentir isso por ninguém. Claro que eu não posso simplesmente esquecer que eles existem, mas eu bem que gostaria.
Sabe o que tornaria tudo mais fácil?
Se todo mundo me esquecesse. Ah, que droga, eu não quero vocês, pessoas. Desejo tudo de bom, mas fiquem longe de mim.
Porque eu não aguento mais ser bode espiatório, não aguento mais ser a garota problemática, não aguento mais sorrir e perguntar o que houve.
Então, vão para o diabo, meus amores.
Já tá claro que a gente tem que mandar o próximo à merda. Façam isso, sim? Cuidem de seus próprios rabinhos. Eu vou ficar triste. Não vai mudar.
Não venham me dizer que é uma fase, fase é o caralho. Eu cresci com isso, eu vivo com isso, vocês me dão medo, pânico, eu não consigo ficar perto de vocês sabendo disso.
Eu quero que o Alyosha se foda. Bom coração, bom coração, ora, pra que serve?

the real folk blues

Eu seriamente acredito que hoje é o dia que eu assassinarei meu computador.

Eu quero que ele tenha uma morte lenta e dolorosa. Eu quero que ele sofra, do mesmo jeito que ele me fez sofrer. Eu quero que ele me implore pela sua vida, do mesmo jeito que eu implorei pra que ele NÃO TRAVASSE a cada minuto.

E vc pode apostar que quando ele estiver morrendo, Satã o estará esperando na porta de entrada do inferno dos computadores.

Hmm..

Talvez eu devesse chutá-lo várias vezes por dia, só pra que ele se lembre quem é que manda.

(...)

Eu estou me arrumando pra sair hoje, e ainda não decidi qual dos meus 30 vidros de perfume combina melhor com o meu odor natural de desespero.

my own pretty hate machine

7.8.03

Vicassé 


- Moço, a gente vai ali pra Avenida Chile. O senhor pega por favor a Praia, Passeio e Lavradio. Chegando na Chile o senhor deixa a gente ali na altura da Senador Dantas, ok?
- Pode deixar.
Ato contínuo, vira para o namorado e pergunta, mexendo na bolsa:
- Pegou o celular?
- Peguei.
Nesse ponto, o motorista dispara:
- A sinhora num imagina. As pessoa isquece esse bichinho aí, esse tar de celular, mais é todo dia aqui no meu carro.
A sinhora imagina que otro dia mêmo uma isqueceu um aqui que custa pra mais de mil cruzeiros. Um anssim, piquinininho e branquinho. Aí intrô uma moça aqui i mi ensinô - qui eu num sei mexê nesses negócio de tecnológio não, num sabe? Ela mi insinô:
"O sinhor aperta essa pinta verde qui tem aí, qui a pessoa aparece lá du otro lado".
Aí eu disse pra ela que eu num sei falá nesse negócio não e ela mi disse:
"Mais aí é só o sinhô fala como si fosse um telefone di verdade".
Aí eu pertei a pinta verde. A sinhora arcredita que u subrinhu da dona do celular apareceu lá do outro lado!? É cada coisa qui esse povo inventa...
- É, mas... moço, o senhor tem que virar a esquerda agora!
- Mas a sinhora num vai pro Centro?
- Vou moço, mas eu quero ir pela Praia e não pelo Aterro - Então ela achou melhor confirmar: O senhor sabe aonde é a Lavradio?
E ele, virando a curva sem nem ver o ônibus que quase pega o táxi:
- É claro qui eu sei. Eu moro ali perto da Cruz Vremeia faiz mais de deiz ano! Cunheço tudinho ali. Pur qui eu vim pru Rio em 22 de feverero de 1951. A sinhora sabe quantus ano tem? Eu sei quantos ano tem! Tem 52 ano. A sinhora e o rapaiz aí nem sonhavam em nascer.
E já fiz é muita coisa dês que cheguei aqui. Já fui cunzinhero, pedrero, copero. Aí o Antônio agora mi ajudô e comprô esse tasqui. A sinhora conhece o Antônio?
- Conheço não moço.
- Conhece não? Mais o Antônio é dono daquele restoranti, de comida minera sabe? Tein treis. E eu como lá de graça, todo dia.
- Que bom, né moço...
- Mais a sinhora num cunhece o Antônio? A gente trabaiemo junto quando cheguemo no Rio. Hoje ele me ajuda mais eu tinha muito mais dinhero qui ele, a sinhora vê. Qui até ganhá na loteria eu já ganhei, num sabe? Foi em 1976.
- É? E o dinheiro?
- Ah, o dinhero cabô, qui dinhero num dura. Num sei nem no qué qui foi. E hoji, cum tasqui, o dinhero num dá pra nada depois que agente paga a diária. Diversão é só televisão memo. Nem nu cinema pudemo i.
- O senhor tem televisão?
- Tenho sim. Comprei em 15 de março de 1986. Tá novinha que eu cuido muito bem dela. E num casei, num tive filho intão num tem ninguém pra quebrá.
- ...
- Agora bom memo era di te um vicassé. Se desse dinheiro pra te um vicassé, aí era bom.
- Um o que moço?
- Vicassé.
- Vicassé?
- É, vi-ca-ssé - e virando o corpo todo para atrás, pra olhar nos olhos da Sinhora: a sinhora num conhece vicassé não?
- Não... é o que?
- É aquele aparelio de pongá fita pra vê o filme em casa.
Foi difícil controlar o riso, mas a Sinhora e o Rapaiz conseguiram. E o namorado pergunta jocoso:
- O senhor está falando do aparelho para assistir filmes com fita? O vídeo cassete?
- É pra assisti filme sim, mas num tem esse nome aí que o rapaiz pongô não. É vicassé.
O rapaiz num cunhece vicassé? Quem diria hem... rapaiz apessoado, dinhero pra tasqui... e num sabe o que é um vicassé!

(...)

- Porque filho de ventre judeu, minha filha, é judeu.
- Quer dizer então que se eu casar com um negão maravilhoso do morro da Mangueira os nossos mulatinhos vão ser todos judeus?

Foi o tempo de armar o sorriso e sair correndo.


dedo de moça

6.8.03

Conversa jogada fora, com amigans, num cházinho básico das 5.

Uma delas comenta, que pelo fato de ser muliér, bonita e gossstosa, sentia que o mundo ajudava, os brutamontes ficavam dóceis, a corja de canalhas, desmoralizadores do serviço público, trabalhava ao invés de só coçar, o mais mal-educado ficava "ride-ridente-derride-derridente, rimente-risonhai, risandai..." Enfim, ser bonita gostosa e, sobretuda, muliér, era uma boa sim pois abria as portas do mundo. E as feínhas? Tadinhas, essas amargavam um mundo cão.

Eu olhei para aquela piranha e pensei: "ah Roma, frivolidade tem limite, minha filha!"

- Escuta queridinham, eu disse, quer dizer que o mundo trata com benevolência as bonitas, mas é uma benevolência que ou quer te comer ou tem muito dó de você?

Evidentemente a anta não entendeu. E eu continuei:

- É uma bondade de segunda ordem, uma gentileza fajuta, porquê espera sempre a oportunidade de retorno, o recibo. Bondade, compaixão, generosidade, bravura, honestidade, clareza, enfim, esses valores mais preciosos e raros do mundo, são dificílimos de encontrar.

A perua sorveu um gole de chá de rosas do Nilo com o dedo mindinho afetado, olhou para as demais galinhas ao redor, mal-entendendo. Eu continuei:

- Sabe o que deve ser? O meio no qual você tem andado. Pessoas sovinas, centradas, egoístas, vidas para as quais todas as qualidades humanas são de segunda categoria. Isso leva uma muliér a crer que ser bonitinha e comível vai fazer o mundo melhor... Sobrevivência. Sai dessa vida, queridinhan!

Evidentemente criou-se um clima plúmbeo e a bosta do chá acabou.

Chá das 5 no chiquéééééééérrimo Blog Hotel Roma

Recebi um spam oferecendo remédios americanos. O Phentermine está em oferta por 69 dólares, veja você que oportunidade. Nunca ouvi falar. Para que servirá? E tem o Soma, o Fioricet, o Celebrex. Será que esse último é para o célebro? Curaria meu retaldo mental? Não. Deve ser concorrente do Celebra, o antiinflamatório/analgésico inimigo do Viox. Não que eu seja hipocondríaco, mas confesso uma certa atração por remédios. Às vezes me fixo nos naturais. Neste momento estou de olho na soja. É um feijãozinho milagroso. Parece que resolve desde problemas da menopausa até os de próstata, gripe, memória, osteoporose, cu, o escambau. As mulheres são as maiores consumidoras. Só que o consumo adoidado de soja coincide com a safra transgênica liberada pelo Lula. Então não estranhe quando começarem as mutações na sua vizinhança. Aqui no prédio, o bigode da síndica já está chegando nas orelhas. A ministra das Minas e Energia, você já observou na TV? Aquela cara é normal? Mutação! E as narinas da Galisteu, na capa da Caras? Mutação! A Calcanhoto já virou um joelho que canta. Mutação também! Soja transgênica? Tô fora. Melhor encomendar o Phentermine. Nunca ouvi falar, mas o preço está ótimo.

Catarro Verde agora em cápsulas

Rituais

Coloca seu vestido preferido, para jogos de roda, para fogos de artifício, e fique pronta na varanda, que eu chego no solstício, amuletos entre os dedos, para nossos rituais.

Abra seu sorriso de dentifrício, pedras coloridas em um colar, contas de contos nos cabelos, que eu chego com ares de princípio, para que seja sempre um beijo de eterno recomeçar.

Pisque seus olhos de precipício, sombras claras nas molduras, cílios longos escurecidos, que eu chego sem sacrifício, faço pontes nos abismos, com equilibrismos desafiadores de nossa altura.

Molhe seus lábios de suplício, armas úmidas de desejo, cores mordidas de incisivos, que eu chego sem auspícios, somente avisos de meu peito, percussão de banzo em dança de terreiro.

Coloque seu perfume favorito, chá de ervas e água de cheiro, porque essa noite conhece início, mas só termina em nossos termos, não descansa mais.

Pois as estrelas podem até piscar em ciclos ancestrais, mas não dormirão tranquilas até terminarmos nossos rituais.

Cardiotopia numa inspiração de dar inveja

Diálogos

- Com quantas garotas você já transou?
- Não vou falar.
- Ahh.. fala, vai!
- Bom... sabe Don Juan de Marco?
- Sei.
- Então... digamos que seja um filme que me inspira...
- Ah tá.... :-/
- ...
- ...
- ...
- ...
- E você, com quantos homens já transou?
- Então... sabe Uma Linda Mulher?
- O.o

Papo de namoro no Surumbamba

o último romântico

A amiga de uma amiga minha se apaixonou por um cara bacana. Um dia soube que ele escrevia. Poesia. Pediu a ele que lhe dedicasse uns versos. Ele relutou. Ela insistiu. E insistiu e insistiu. Então ele mandou essa:

Muié nas minhas mão
passa mal que se agoneia
de dia ganha armolço
pau, merenda e peia
de noite chute, tapona
e murro no pé da oreia

elas por elas

Capacidades das cavidades cranianas: zero. Quase tudo congestionado, dificultando as propriedades acústicas. Não canto com rinite. Estou tristonha. Quero um abraço. Não quero nem beijo. Quero dormir. Não quero mais brincar de namorar. Não gosto de doces, não gosto de calor abrasador. Hoje estou amargamente birrenta, com menção de pousar meu rosto no vão dos meus braços cruzados sobre a mesa, vontade de chorar até acabar o frêmito, vontade de bater num saco de areia até ele me bater. Vontade de obviedades violentas, da destruição de louças e cristais, do arremesso de objetos pessoais, do estraçalhamento de tecidos.

Mas tudo é apatia. O que estou é como um tigre à beira de um rio indiano, ignorando as moscas e inerte dentro do calor, esperando a fúria se escapar dos poros como suor.

a moveable feast

5.8.03

Eu sei, eu vejo.

Vejo que perco a paciência, vejo que passo meia hora calado sem comentar nenhuma das coisas que você me conta, vejo que depois de no máximo duas horas fico inquieto e morrendo de vontade de ir embora. Vejo que você também vê mas prefere fazer que não e então continua falando, continua insistindo, continua me pedindo pra ficar mais um pouco. Vejo que você procura e inventa assuntos e nomes e datas pra tentar me entreter. Eu sei, eu vejo.

Se não me dói? Dói. Dói e me faz sentir culpa, muita culpa. E, pior, ainda me faz sentir pena, pena de você, dó, lástima. Pena de te ver falando sem parar e sem que eu te conceda uma mísera interjeição daquelas que todo mundo solta só pra que quem fala não se sinta só. Pena de te ouvir inventando assuntos desconexos sem conseguir prender minha atenção nem evitar que eu não te olhe muito enquanto você fala. Pena de te ver fechando a porta nas minhas costas e restando sozinha naquela casa grande e vazia. Pena, é horrível, eu sei, mas me faz mesmo sentir muita pena.

E só me faz sentir pena porque já fechei a mesma porta quando eram as suas costas que se distanciavam daquela casa grande e vazia e porque até hoje, sinceramente, até hoje eu não aceito o argumento não dito mas defendido por deus e todo mundo de que aquilo não foi exatamente assim, não foi simplesmente um dar as costas, não foi isso, ela foi viver a vida dela, foi tentar ser feliz de outro jeito. Eu não aceito isso. Eu não acredito nisso. Eu não concordo com isso. Eu só finjo que concordo.

É, eu finjo. Eu forjo. Eu minto. É horrível isso também, dói isso também, me faz sentir pena de você isso também. Mas me faz sentir mais pena de mim. Pena e culpa, muita culpa, mais culpa.

Mas passa, eu sei, eu vejo. Ontem percebi que já sei que passa, que vejo que passa. De vez em quando, ainda que correndo no ritmo da minha impaciência e sem nenhuma interjeição que dê um instante para um suspiro e terminando mesmo com você fechando a porta e eu te dando as costas, ainda que assim, ainda que só de vez em quando, tudo isso passa e por vezes me sinto em paz. É a minha redenção e ontem eu soube, ontem eu vi: de vez em quando vivo a minha redenção.

O bolo de fubá feito ali, na minha frente, sem receita, sem dificuldade, sem muito tempo, sem palavras, sem me pedir pra dizer nada, sem intervalos, sem mais ninguém, só o bolo, só pra mim; não pra que eu comesse ali, não pra que eu ficasse mais um pouquinho, só pra que levasse comigo na hora em que te desse as costas e você restasse sozinha naquela casa. Só ele, só pra mim, em silêncio: aquilo foi a minha redenção e eu soube, eu vi. Eu vi e quis que o tempo que ele levou pra assar na nossa frente se estendesse e se alongasse até que eu me esquecesse de tudo, até que não doesse, até que eu realmente te ouvisse, até que não nos culpasse.

Eu vi e quis que o tempo se derretesse até que eu não soubesse nem visse nada disso mas percebi que agora é impossível porque infelizmente eu já sei. Eu sei, eu vejo, e isso não passa.


coisas da estrangeiridade (sem plincs)

As 100 coisas a fazer quando me tornar um senhor do mal
(Mandado por minDless)

1 - Minhas Legiões do Terror terão capacetes com visores de acrílico, e não placas tampando o campo de visão.

2 - Meus dutos de ventilação serão pequenos demais para alguém rastejar por eles.

3 - Meu nobre meio-irmão, do qual usurpei o trono, será morto, não mantido anônimo em uma cela esquecida em minha masmorra.

4 - Fuzilamento não é bom demais para meus inimigos.

5 - O Artefato que é a fonte de meu poder não será mantido na Montanha do Desespero, além do Rio de Fogo guardado pelos Dragões da Eternidade. Será mantido em uma caixa-forte convencional. Isso também se aplica ao objeto que é minha única fraqueza.

6 - Não irei me gabar da situação de meus inimigos antes de matá-los.

7 - Quando tiver capturado meu adversário e ele disser "Olhe, antes de me matar, pelo menos me conte sobre o que você planeja fazer." Eu direi "não" e atirarei nele. Pensando bem, vou atirar nele e depois dizer "não".

8 - Depois de raptar a linda princesa, iremos nos casar imediatamente em uma discreta cerimônia civil, não um espetáculo de três semanas de duração durante as quais a fase final de meu plano será implementado.

9 - Não incluirei um mecanismo de autodestruição a não ser que seja absolutamente necessário. Se o for, não será um grande botão vermelho escrito "Perigo, não aperte". O grande botão vermelho "Não Aperte" irá disparar uma saraivada de balas em qualquer um estúpido o bastante para apertá-lo. Ao mesmo tempo, botões "LIGA/DESLIGA" não serão claramente indicados em meus painéis.

10 - Não levarei meus inimigos para interrogatório no centro de meu castelo. Um pequeno hotel, na periferia de meu Reino servirá perfeitamente.

http://www.homemchavao.kit.net/#top100

é chavão mas é bão

Nem mesmo o santo milk-shake de Ovomaltine do Bob´s está fazendo efeito.

Todos os neurônios estão funcionando em "modo de segurança". Capacidade de
processamento alocada apenas para a visitação de fotologs alheios e para
fazer testes imbecis na net.

Destruição sim, mas não estou reclamando, estou só constatando. Não existe nada mais gostoso que uma auto-destruição consciente, coroando um final de semana maravilhoso como este.

Fui.

Quer dizer, to aqui. Ou não.

depois de levar uma surra de pao mole

4.8.03

Histórias de família I

Iniciozinho dos anos 50, na Vila Paraíso, em Vaz Lobo – bairro classificado pela minha adorada e saudosa avó como “cu de Madureira”. Dona Iva, a avó supracitada, havia proibido os filhos de brincarem na casa de determinada vizinha, pois a dita cuja bajulava as crianças com doces e refresco para saber todas as fofocas da vida alheia. Por conta disso, ficou furiosa ao ver o filho mais velho, então com uns sete anos, entrando na “casa proibida”.

Como o causo se passou antes de inventarem a psicologia infantil, Dona Iva armou-se de um chinelo, berrou um “Joãozinho!!!!” e ficou atrás da porta da casa esperando o filho chegar. Instantes depois, abre-se a porta, e ela, na tocaia, só vê o cabelo louro do guri entrando na sala.

Partindo do princípio que ele sabia porque estava apanhando, minha avó foi logo descendo o chinelo. Só que, na primeira pausa pra respirar, notou que a cara do filho não era exatamente a cara do filho. Era Miguel, caçula de uma família de judeus europeus que morava na Vila – da mesma altura que meu tio e com o mesmo cabelo louro. Para piorar o choque, o menino, aos prantos, disse:

“Ai, Tona Ifa, a minha mãe xá me pate tanto. Agorra a senhorra fai me pater tampém?”

Sendo mãe, ela sabia que poucas coisas revoltam mais que ver um adulto batendo no seu filho. Desesperada, pegou o menino, correu para a casa dele, contou a história para a família e preparou-se para ser fulminada. Para sua surpresa, a mãe do Miguel abriu um sorriso e disse:

“Nom fique assim, Tona Ifa. Ele tampém me desopeteceu e ia apanhar quando chegasse em cassa. A sernhorra só me poupou trrapalho.”


baixou o espírito de porco

FALA DOUTOR APOCALIPSE:

tudo é uma ficção meu irmão// depois que tiro minha roupa branca e entro na noite sem instrumentos um amigo uma vez me deu de presente uma bússola/// troquei-a por uma carreira de pó naquela noite que choveu tanto e ficamos presos dentro de uma casa vermelha// eu tentava de todos esconder meu sotaque mas meu irmão eis que quando falava eu mais me aclarava as origens e só me restava ocultar a noite com minha risada//// como quando eu tinha levado aquela miss vaquejada para o cadafalso de bois na beirada da arena e ela me disse um pouco antes do mergulho olha eu tenho uma característica meio diferente// como assim eu perguntei espantado// você não vai me dizer que é homem// não é isso ela gemeu// pois mesmo na dúvida continuava dedando seu cu// eu sou um pouquinho assim mais gorduchinha// e já meus outros dedos anteviram as almofadas almiscaradas em que me prenunciaria ausente de tudo/// pois ausente de mim eu estava quando dentro de uma buceta// talvez desapegado de alguma saudade//// que só ousaria sentir pela minha avó que me criara em minha cidadezinha porém agora edulcorada no camafeu que trago em meu peito// ou quem sabe a oração que certo orixá me havia escrito/// na nota de dólar/// em que costumava enfiar o nariz// quando não em vermelhas almofadas de vinil como em que me pressentia// e a miss gemia ainda de dentro de seu chapéu de boiadeira/// eu fico assim molinha// meu irmão eu sempre te digo//// só se pode ir para a vida de forma absolutamente de pau duro// e sem saudade// pois na última vez em que levara uma deusa passear no meio de todas as minhas pobres primas de minha cidade// e me vi diante daquelas celulites na bunda// que na revista ao contrário reluziam/// pensei ::::::::::: na noite é tudo ficção// vemos tudo pelo filtros dos copos pelas beiradas das mesas pelas frases entreouvidas pela janela do banheiro/// a primeira lição é nunca deixe de fazer um carinho em qualquer mulher// você acaricia a ânima feminina e ela lhe agradecerá/// a outra é mantenha uma atitude mental defensiva// como a baba na chupeta lambida da criança seca no choro de um vento quando o ouvido materno traduz que a melhor babá ainda é ela/// eu lembrava de minha filha no berço e sentia dores em minhas hemorróidas mas à minha frente estava aquele verdadeiro pufe de dalí que eram seus grandes lábios mesmo os pequenos lábios eram grandes e seu grelo era quase um pau/// mas já que estamos aqui vamos comer a garota que era filha do prefeito da cidade//// eu não podia fazer feio com uma boa e taluda garota matuta// meu irmão juro que quando ela engolia minha bilola sentia o beijo de sua xota em meu umbigo/// ela me disse que estava pensando em fazer uma operação na sua menina/// mas eu pedi que não fizesse isso senão jamais voltaria às vaquejadas outro dia fiquei sabendo por uma prima em comum que a vaquinha tinha circuncidado suas dobras barrocas e que agora estava entrando na carreira política//// quando a única carreira que eu conheço é a da bráite oráite magnésia meu irmão me deu até pena do rénifrau da garota tosqueado// é por isso que eu não faço saudade/// imagine se tivesse me casado com a xoxota pneumática hoje seria dono de posto de gasolina no interior de pernambuco/// e não o doutor apocalipse//// vamos tomar uma?

na cama de pregos com o faker fakir

pervertendo

defronte o pelotao d fuzilamento, o coronel aureliano buendia da silva lembrou-se d algo q nao pôde elaborar, pois foi fuzilado antes d concluir o raciocinio.

como assim dois uísque?

[conversa]
alguém - tudo bem?
eu - não muito
alguém - porque? aconteceu alguma coisa?
eu - não. esse é o problema: nada acontece!

cafeteira

3.8.03

Algumas primeiras vezes..

*A primeira vez que eu saí na rua sozinha foi aos 4 anos, quando eu consegui destrancar a porta e sair de pijama na rua pra ir brincar com minha melhor amiga.Quando toquei a campainha a mãe dela atendeu e me mandou a merda.Eram 6 horas da manhã.

*Na pré escolinha Chapéu de Sol no Butantã a cena mais bizarra que eu vi foi uma vez que fui até o banheiro e ví um menino deitado de bruço no banco e uns meninos em volta colocando bolinha de gude na bunda dele.Demorei pra voltar pra classe,ver aquilo estava mais interessante.

*A primeira balada solo foi na primeira série quando todos foram pra festinha de aniversário de um amigo, como eu sabia que minha avó não ia deixar eu nem avisei,fui direto! Só fui embora porque as freiras do colégio mais a professsora foram me buscar na casa do moleque e minha avó com o chinelão na mão.

*Primeiro incidente foi quando um menino enfiou um lapis no meu ouvido e a primeira mordida foi quando fiz a mesma coisa no ouvido do cachorro.

*Primeiro namorado chamava Stevie Wonder , um baianinho que morava na rua de trás, eu tinha uns 4 anos.

*Primeira coisa assustadora foi quando minha amiguinha me mostrou que ela tinha pinto.

*Primeiro constrangimento foi quando minha mãe tentou me explicar como eu nasci.

*Primeira vergonha foi quando fiquei de "chico" e meu pai disse que eu estava vazando e minha avó no telefone chorando falando pra minha mãe que eu tinha ficado "mocinha".

*Primeiro beijo foi aos 15 anos e o cara dizia..Abre a boca senão num dá.

*A primeira tentativa de alguma coisa mais "profunda" foi com 19 anos no muro em frente ao cemitério,era carnaval e parou bem na nossa frente um caminhão com uma bateria de escola de samba que começou o enredo:
" vai derrubar o muro...vai derrubar o muro..."

*A primeira batida de carro foi um dia antes do exame da auto escola, foi num poste na curva ao lado dum campinho de futebol que puxou o coro:" Vai pilotar fogão...vai pilotar fogão..."

*A primeira ida ao ginecologista mandaram uma tia junto pra ver se eu era virgem:
- Você é virgem?
- Mais ou menos.
- Mas voce num tem namorado?
- Tenho
- Nao é o mesmo?
- É.
- E vocês não mantém relação?
- Sim mas foi uma vez só doutora,de leve, eu juro

a última do casos e acasos virtuais

O Cão

Um vira-lata não olha para os lados quando anda, exceto se for atravessar uma rua. Caminha obstinado, como se estivesse atrasado para uma reunião importante que determinará o destino de toda a raça canina. Às vezes, morre atropelado.

Quando sentado, o cão vira-latas encara as pessoas com a benevolência dos sábios. Com os grandes olhos típicos de vira-latas, parece saber de cada dúvida que levamos no íntimo. Compreende nossas angústias com resignação própria da espécie. Abana o rabo e sai rindo atrás de uma cadela.

Uma matilha de vira-latas que persegue uma fêmea no cio se respeita. Há lá uma misteriosa hierarquia, à qual os cães vira-latas se submetem com pequenos ganidos de subversão. Saber-se pequeno diante do outro é o segredo para manter-se vivo nas esquinas desertas. Assim como saber se impor por aquilo que viveu e pelos ossos que roeu ao longo da existência.

A fêmea escolhe o macho pela ausência de sarna e pulgas. Às vezes, ambos são atingidos por baldes de água fria no meio do coito. Ainda assim, nada há de mais garboso do que um vira-lata que acabou de perpetuar a espécie. Não há vira-latas apaixonados.

Ao morrer, o vira-latas encosta seu corpo num lugar quentinho. Lá, silencia diante dos passos dos humanos, que não lhe dão atenção. Se uma criança cruel lhe atira uma pedra, ele não olha para ela, porque está concentrado em tarefa mais difícil: esperar a morte. Começa a chover, as crianças cruéis vão para casa, as pulgas fazem ninho no corpo do animal: nada importa porque ele espera a morte — que é certa, marcou horário e não se atrasa.

Assim é que morre e vive o vira-lata: digno.


apanhado pela carrocinha do polzonoff

Alguém deveria lançar um guia sentimental das cidades: nesta rua, a desconhecida tal e o desconhecido tal se encontraram pela primeira vez (fotos de fulano e fulana); nesta esquina beltrana de tal esperou duas horas por pacheco júnior que nunca veio (fotos de beltrana e pacheco júnior); nesta calçada se separaram para sempre fulana e fulano (fotos); e, neste cruzamento, morreu beltraninha (foto de beltraninha, da mãe da beltraninha, do namorado da beltraninha, e do assaltante de beltraninha). Em alguns pontos da cidade não daríamos um passo sem saber que estávamos pisando onde um casal tinha se encontrado pela primeira ou última vez. Andaríamos pensando nessas coisas o tempo todo.

A namorada se encontrando com o namorado na rua, e ele diz: “Sabe que poste é esse? Foi aqui que um tal de Cláudio Bonnaforte Filho esperou duas horas pela namorada, Valentina Tavares dos Anjos, numa tarde de abril de 1977. Ele tinha vinte e dois anos e trabalhava na loja de ferramentas do pai. Ficou lendo Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas durante duas horas, encostado aqui neste poste. Olha a cara dele aqui no guia.”

Não seria necessariamente só sentimental, esse guia. Todo tipo de informação sobre as ruas e esquinas da cidade. Nesta rua, por exemplo, Mário de Andrade queria que o seu pinto fosse enterrado (não estou brincando: ele disse que queria que o seu pinto fosse enterrado na Rua Lopes Chaves). Nada melhor para impressionar uma mulher do que ir andando com ela pela calçada, e de repente apontar para um ponto do chão e dizer: “Aqui! Bem aqui! Bem aqui, ó! Mário de Andrade queria que o pinto dele fosse enterrado bem aqui!”

Eu queria que o pinto de Mário de Andrade estivesse enterrado na lua, para impressionar ainda mais a mulher que estivesse comigo. Estaríamos num banco de jardim, de mãos dadas, etc. De repente eu tiraria o cachimbo da boca, daria um riso filosófico (uma única e quase inaudível expelida de ar pelo nariz), e apontaria para a lua com o cachimbo, dizendo: “Sabe, querida? O pinto de Mário de Andrade está enterrado bem ali, no Lacus Somniorum.” E ela espremeria os olhinhos, como se tentasse enxergá-lo dali.

no city-tour de alexandre soares silva

2.8.03

quando eu morri

eu morri há alguns anos. eu morri e não sabia. soube mais tarde, bem mais tarde, quando encontrei meu corpo já em estado bem avançado de decomposição. quando eu me desenterrei só havia meus cabelos compridos de início de juventude e minha estrutura óssea. apenas um pouco de pele endurecida e enegrecida junto dos ossos. eu havia sido embalssamada como as múmias, portanto o tecido foi preservado. mas haviam buracos no lugar dos olhos. não havia sobrado mais nenhum órgão. eu me desenterrei. mas não sabia que era eu que tinha me desenterrado. sabia que era eu que estava ali morta, sendo acariciada por aquela mulher que havia me desenterrado.

aquela mulher não teve nojo de meu corpo morto e putrefado. ela acariciava meus cabelos que ainda eram da cor natural quando havia morrido. ela acarinhava meus cabelos, me abraçava, ali morta, e chorava. e eu via aquela eu balzaca acalentando saudosamente a minha eu defunta. contemplava a cena nem de muito longe, nem de muito perto. também não tinha nojo. não tinha nojo nem da morta, nem da saudosa com seus gostos necrófilos.

continua em boop it

eu - não - sei

Se eu não fosse tão apegada ao nome do meu blog eu o mudaria agora, para "Eu não sei". Porque ultimamente essa é a frase que eu mais falo sem comparação. Pra falar da minha vida, pra conversar sobre os outros, pra responder a cobranças... Mas tudo bem, isto está implícito no título de qualquer maneira. Porque geralmente, quando eu não sei, ninguém mais sabe ( convencida!!!). E se ninguém sabe, então, darling, God Only Knows...

1.8.03

HÁ TEXTOS QUE SÓ SE PODE ESCREVER DE RESSACA
Ou tudo com a mão esquerda (vide Drummond),
ou momentos niilistas e uma luz no fim da consciência

E se as coisas são como são e não há saída? Junta tudo, embala e joga no lixo?

(lembro de meu pai, na minha infância, falando que a solução pra cidade era um terremoto, pra depois reconstruí-la)

Não, não é verdade. Aquele papo das duas formas de entender o inferno (considerando que ele não é algo pra depois da morte, mas algo terreno, palpável como a ressaca): achando que tudo é inferno, se acostumando e deixando de perceber os limites dele; ou separando o joio do trigo, interpretando o que, dentro do inferno, não é inferno, e abrindo espaço, ainda que, muitas vezes, isso pareça muito pouco (Calvino). Não esmorecer. A primeira forma é a mais fácil; a segunda dá muito trabalho, mas, pra mim é a única opção que considero. Pois eu não sou inferno - não sempre. Há textos que só se pode escrever com gosto de cabo de guarda-chuva na boca...

esquerda festiva

LIDERANÇA E HIERARQUIA O CARALHO!

Os delírios fascistóides de quem já nasceu "over the dry meat" têm essa sobrevida patética na forma da retórica mocoronga de um estranho "liberalismo conservador", ou seja, um bando de punheteiros "retroprogressistas" que adorariam a instauração de um estado prussiano. É o que se ouve nesses discursos que tanto agradam aos que querem ascender no admirável mundo dos negócios, do capitalismo livre como uma gazela no cio, de filhos de porcas cagadas que querem mais é os fétidos postos de chefia, as cadeiras reclináveis onde poderão descansar sua hemorróidas abençoadas por deus, ops, "D"eus. Eles amam o tal "espírito de liderança", a que chamo "espírito de porca puxa saco", para eles a disciplina militar faz sentido e é natural que exista milionários (logo, "honestos") e a turba miserável (a massa ignara e preguiçosa). Eu até gostaria de servir ao exército, só para arrebentar os dentes do primeiro oficial que chegasse a menos de 2 km de mim, ou entrar numa palestra para futuros administradores e matar a todos. Mas aí eu seria caçado, preso, talvez eliminado, e me tornaria um maldito mártir. Odeio mártires. Imaginem, "aqui jaz Theo, o cristo de ódio". Tristes trópicos.

(...)

BANDAS RESGATANDO RAÍZES SÃO UMA MERDA

Odeio essas misturebas de rock (?!) com "elementos regionais", acho tudo uma bosta. Aí ficam aqueles idiotinhas com cara de universitário mongo (praticamente um pleonasmo) tocando um róquinho bem inofensivo, só que com chapéu de palha. Merecem ser atropelados por uma colheitadeira, os filhosdaputa. Aí vêm aqueles nordestinos com aquela "criatividade" galopante e aquelas porcarias coloridas, vão se foder. Parece um monte de chupa rôla querendo ficar de bem com esse lixo de MPB do caralho, que vão tudo pro céu, senão vão estragar o inferno.

(...)

ESTOU CAGANDO PARA O TRÁFICO NO RIO DE JANEIRO

Que se foda essa merda toda que só serve pra encher linguiça em telejornais. Transformam esses vagabundos em astros, "olha, morreu o Tatuzinho Boiola do Morro da Casa do Caralho". Que se foda, devia morrer TODO o Rio de Janeiro, afundar no próprio estrume e parar de encher o saco. Parece que não acontece mais nada no país, parece que quem manda DE VERDADE no tráfico não são políticos e empresários "de respeito". Matem todos, queimem suas casas e joguem sal em cima.

puta ódio do caralho - é com você, mesmo, porra!

PINTO IGUAL PICASSO


eraOdito