a memória é um negócio curioso. eu vejo ela como uma pessoa. é. uma versão nossa-- bem pequenininha que passa o dia perambulando dentro da nossa cabeça. vestindo uma calça de moletom, um par de havaianas e uma camiseta branca daquelas puídas-- com a gola esgarçada. é. uma pessoazinha, com a sua cara que carrega uma caneta bic e um bloquinho de papel-- e que vai fazendo as anotações no decorrer do dia. e é claro-- quando você precisa de alguma informação, basta acionar a memória que ela vai vasculhar a informação que você precisa nos bloquinhos de anotações. ou-- pelo menos era para ser assim. o problema é que a minha memória é muito preguiçosa. a fila da puta não anota nada. acorda tarde. dorme cedo. e quando anota alguma coisa, anota errado. minha memória é foda. até hoje só anotou uns 6 endereços aqui em são paulo. graças a ela-- continuo me perdendo. nem nome de rua-- a fila da puta anota. nome de pessoa então, é de fuder. só para me sacanear, minha memória desenha o rosto das pessoas, mas não anota o nome. resultado: na hora que eu reencontro a pessoa, eu sei que eu conheço, mas passo por mal educado. não me lembro telefones. muito menos de compromissos marcados com mais de uma semana de antecedência, tipo dentista. é. se não ligar no dia anterior da consulta para dar mais uma chance da memória anotar-- fudeu! eu falto o dentista. minha memória é seletiva. seletiva até demais. ontem, por exemplo, fui dormir de lente de contato e sem colocar o alarme. erros dos mais básicos, que a minha memória já deveria saber de cor. mas não sabe. por isso mesmo resolvi escrever sobre a minha memória preguiçosa. essa mini versão da minha pessoa que passa o dia coçando o saco dentro da minha cabeça. é. resolvi escrever sobre ela por duas razões. a primeira, e mais óbvia, é que eu-- literalmente esqueci o que eu ia escrever aqui quando liguei o computador. e a segunda razão, bem, sinceramente, eu não lembro.
caráio! sem memória
15.9.03
Aconteceu comigo e com você?
- Colocar roupa clara, sair no portão e o cachorro pular com as patas sujas de barro.
- Estar na esquina de casa atrasado porque teve que trocar de roupa, olhar pra trás e o cachorrinho que não pode fugir ta atras de você no pique.
- Voltar pra casa com o cachorro no colo e perceber que ele sujou DE NOVO a sua roupa.
...
- Jogar o café fora, colocar água pra ferver e na hora de fazer ver que acabou o pó.
- Fazer café com a água fervente do arroz ou vice e versa
- Colocar farinha de mandioca pra engrossar molho achando que ninguém ia perceber o "arranjo"
- Entrar pro banho e esquecer a toalha
- Sair pelado pra pegar a toalha achando que ninguém ia ver e notar que estava redondamente enganado.
- Ir tomar banho no quintal achando que o vizinho está dormindo e notar que está redondamente enganado de novo, no meio do banho.
- Colocar absorvente do lado errado.
- Chegar em casa com o número do guarda volumes do supermercado no bolso.
- Ficar pro lado de fora de casa porque o cachorro não te deixa entrar.
- Fazer barulhinhos estranhos no telefone, simular interferencia só pra não atender pessoas indesejadas, depois do primeiro alô.
- Fingir que não ouve a outra pessoa: Alo..alo..alo..alooww
- Ser chamado de lanterninha depois de comprar o ultimo celular da Vivo e tentar usa-lo num onibus a noite
- Comer biscoitos que estavam na lata e perceber que era comida pra cachorro.
- Dar tchau pra alguém e que não te viu e pra não passar vergonha você continua dando tchau e simula uma conversa.
- Fazer careta pra alguém e a pessoa te pegar em flagrante.
casos e acasos virtuais
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Jan
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15.9.03
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14.9.03
Gosto de pessoas que sorriem quando andam na rua.
Tenho vontade de dizer "olá" e saber mais da vida, sorrir de volta e compartilhar um pouco do que me faz feliz.
Elas às vezes andam com olhos distraídos e não reparam em nós, os que sorriem de volta só de vê-las sorrindo.
Sorrisos contagiam.
joanina
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Jan
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14.9.03
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Não faço questão de trabalhar com gentlemen. Na verdade, tanto melhor se não forem assim.
Faço questão apenas de trabalhar com gente inteligente.
Prefiro um inteligente que arrote na mesa do que um aristocrata que rime amor com dor.
o polzonoff
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Jan
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14.9.03
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Estou fundando a partir de agora uma associação para os que não atingem o sucesso na vida amorosa. O nome vai ser Associação dos Não Amados, nome inspirado pela sugestão da Lívia. Tive esta idéia após ver que muita gente me procura e entra em contato comigo depois de ler meus textos e se identificar com essa incapacidade minha de amar outra pessoa E ser correspondido. Pois bem, eu sou bom nisso, já passei muito por isso e portanto sou o mais indicado para ser presidente e sócio-fundador desta associação.
Definirei aqui as condições a serem atendidas pelas pessoas que desejarem se tornar sócios:
- Estar amando alguém e não estar sendo correspondido(a).
- Ter amado alguém e não ter sido correspondido(a).
- Ao se apaixonar por alguém, tornar-se amigo desta pessoa e nunca passar disso.
- Ter muitos amigos do sexo oposto (ou do mesmo sexo, para homossexuais) que lhe dizem que você é o parceiro perfeito.
- Mesmo assim, nunca conseguir ficar com ninguém.
Não necessariamente todas as condições devem ser atendidas para que se torne sócio, mas ter uma das duas primeiras é essencial para que se seja aceito como sócio. Não, não é obrigatório ter um blog. Como sócio, você terá alguns privilégios como vigilância 24 horas pelo CVV e descontos na compra de lenços e comida de consolo (coisas como chocolate e sorvete e basicamente qualquer coisa com algum teor alcóolico) e nas sessões do analista. Teremos reuniões semanais para atividades gerais, como leitura dos poemas de Carlos Drummond e outros, audição de música de fossa, conversas sobre as besteiras que se fez pela pessoa amada e, para encerrar as reuniões, todos iremos chorar embaixo da pia.
Inscrições abertas com vagas limitadas com no one knows
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Jan
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14.9.03
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Fazendo alguma comida, derramei sardinha na minha bermuda. A bermuda foi um presente do meu pai. A sardinha também. Eu odeio como o abridor de lata escapa quando está abrindo a lata de sardinha. Escapa várias vezes. O molho espirra. O molho da sardinha escapa pelos furos e suja a minha mão de molho grudento e vermelho. É preciso passar detergente para tirar aquele molho. Para tirar aquele cheiro. Eu fiz a sardinha em uma frigideira suja de ovo. Os restos de ovo sujaram a sardinha. Ela não era mais cinzenta e gostosinha. Era uma massa carnuda babada de ovo e impurezas oleosas acumuladas durante dias na frigideira maldita. Eu joguei panelas na pia. Eu joguei água nas panelas. Eu joguei a frigideira na pia. Água espirrava. Água suja de molho. Água e óleo. Eu joguei a sardinha e o molho sobre um prato de miojo. Eu comi rapidamente. Na pia já tinha tanta vasilha. O prato ficou imundo de óleo. Óleo e molho de sardinha. Eu joguei o prato na pia. Todos estavam despreocupados com as vasilhas sujas. A mulher da limpeza viria no dia seguinte. No dia seguinte, a mulher da limpeza não veio.
Gotas de Sangue
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Ratapulgo
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14.9.03
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Marcha dos Alemães sobre Paris
Um de meus sonhos é ir a Paris, mas não para ficar uma semana sem tomar banho ou sobreviver à base de vinho e croissant.
Penso em alugar um carro, estacionar defronte a um café, abrir o porta-malas, pôr um retrato de minha namorada à mesa e escutar, a todo volume, "As 14 melhores gravações de La Vie en Rose".
Faixa bônus: uma roda de samba tocando La Marseillaise em português. Espero que minha deportação cause um grave incidente diplomático.
dies iræ
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Ratapulgo
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14.9.03
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mudança II
um dia ele vem pedindo pra dar uma olhada, esqueceu um envelope importante em alguma gaveta, eu deixo entrar.
e não durmo aquela noite.
pois não é que logologo eu acabo ligando: achei uma camiseta sua aqui, vem buscar.
ele vem, fica um pouco, fica muito, leva a camiseta que eu sabia que não podia ser dele, tem a Legião Urbana.
eu não durmo dessa vez também, não durmo mais, de repente ele aparece no portão pra ver se nasceu um pé de alguma coisa que plantou no quintal.
mentira, tudo é pretexto e nem precisa ser bem tramado, é só pra deixar claro que a casa ainda não está vazia.
só tem um jeito, ou dois: ou eu tranco tudo e faço a volta ao mundo em oitenta dias botando um cão de guarda feroz no quintal pra não deixar nem sombras se aproximarem até que tudo seque e esterilize ou eu transformo isto aqui em escola, clube, hotel, ginásio de esportes, espaço de multidões até que se descaracterize, se desfigure, se neutralize, perca o cheiro, perca a identidade.
mas sabe, ainda é uma casa de fantasmas, só dos meus fantasmas, e sabe, ainda me sinto melhor assim.
viagem
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Ratapulgo
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14.9.03
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Um sensação de perda veio bater na minha porta esta manhã. Não atendi, mamãe me ensinou a não abrir a porta para pressentimentos estranhos. Mas ela insistiu tanto que acabei deixando-a entrar. Em questão de segundos ela parecia confortavelmente instalada no apartamento quarto&sala de mulher solteira de 20 e poucos medos. Perguntei se queria beber ou quem sabe comer alguma coisa e ela recusou de uma forma muito distinta até. Disse para eu não me preocupar, queria apenas ficar ali, esperando. O quê? Perguntei em meio a uma onda crescente de preocupação que subia do peito para a boca e da boca para o mundo. O quê não, quem, respondeu. Nesse momento, ouvimos um barulho de chave penetrando a fechadura e vimos a luz do corredor invadir a pequena sala. A espera havia acabado.
Raquel Ri em Mulherzices
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Ratapulgo
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14.9.03
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Se uma mulher vai pra esquina com um megafone na mão e grita 'Eu gostaria de sair com algum cara!', em cinco segundos, a fila estará dobrando a esquina; se um homem faz a mesma coisa, será taxado de maluco e tarado e, certamente, nenhuma mulher entrará na fila. A mulher pode até ser carimbada como algo ruim, mas certamente não ficará sozinha"
Depois de escrever isso, lembrei daquela frase "Mulher, quando quer dar, ninguém segura". A idéia é a mesma. Essa facilidade que as mulheres têm de arrumar alguém não deve ser vista de forma simplista, como (apenas?) uma vantagem. É fato que, seja um beijo na noite, trepadas isoladas, a conquista de uma CSP (convivência sexual prolongada) sem compromisso, ou um carinha legal para namorar e até para casar, elas conseguem. Agora, não será também uma maldição ter tantas possibilidades E o poder de fazer acontecer - ou não - ao seu comando? O excesso de escolhas pode ser tão grande vantagem quanto desvantagem. Ou talvez eu precise acreditar nisso porque sou homem.
Pois, no nosso caso, quando não se trata de alguém ao mesmo tempo ajustado, interessante (vasto, isso aqui) e bem inserido em um grupo de amigos, está só. Pois não existe megafone que resolva a situação. Não mesmo. Elas simplesmente não correm atrás da gente porque não são "desesperadas" como nós. Nós somos lobos em qualquer idade.
(...)
continua em Fogo Ariano
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Ratapulgo
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14.9.03
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A saga do pimeiro beijo (Post IX)
Minha mãe só podia ter enlouquecido. Logo depois do almoço, todos saíram. Meu pai voltou para o escritório, meus irmãos foram para a escola e, mesmo assim, minha mãe deixou a molecada toda assistir TV em casa. Pra completar, ainda nos encheu de cobertores, almofadas, travesseiros, chocolate quente e saiu; simplesmente saiu. Eu não acreditei! Meu pai mal me deixava conversar com meninos e, de repente, minha mãe libera a casa e nos deixa sozinhos e de casal. Aquilo era inacreditável! A Marilu olhava pra mim incrédula. Já os meninos, achando tudo normal, não despregavam os olhos do bendito filme "As sete faces do doutor Lau".
Foi minha mãe bater o portão, pra Marilu e eu pularmos de alegria. Pulávamos, ríamos e dávamos aqueles gritinhos irritantes misturados com risos e mensagens cifradas que só as pirralhas insuportáveis entendem.
- Olha a frente aí, ô filha de vidraceiro!
- Silêncio, mulherada...
Os dois babacas nem se deram conta da situação - homem é realmente um bicho devagar! Eu notei que a Marilu olhou diferente para o Ivo assim que bateu o olho nele, mas não imaginei que a danada fosse agir tão rápido. Indignada com a falta de visão dos garotos, ela pegou um dos travesseiros e disparou contra a cabeça dos dois. Foi o suficiente para iniciarmos uma guerra de travesseiros que botou o doutor Lau no chinelo.
Viramos a casa do avesso. Poltronas serviram de escudo, o tapete saiu do lugar, quebramos uma lâmpada do lustre... Estouramos uns quatro travesseiros. Era espuma pra tudo que era lado. Uma festa, uma delícia de festa que fez com que perdêssemos a consciência da bagunça que estávamos aprontando.
De uma forma muito ingênua, aquela não passava de mais uma das nossas brincadeiras de criança. Uma brincadeira mais do que comum, mas que, acrescida dos nossos hormônios e da nossa empolgação de ter a casa só pra nós, causou um estrago quase irreparável.
O anta do Murilo, sem mais nem menos, se jogou em cima de mim. Caí estatelada no chão com o garoto sobre o meu corpo. Morta de vergonha, mas adorando a sensação de tê-lo tão próximo, danei a fazer charme e a me debater para que ele me soltasse. Não que eu quisesse, mas dizia.
- Murilo, me solta!
- Não.
- Solta ou eu...
- Eu o quê?
- Eu... eu não falo mais com você.
- Só solto se você me der um beijo.
- De jeito nenhum!
- Então diz que aceita namorar comigo...
- Não! Você prometeu esperar até amanhã.
- Por causa de um dia? Só um beijo! Custa?
- Você já terminou com as meninas que você estava enganando?
- Não exagera. Era uma menina só! E eu já terminei.
- Jura?
- Juro.
- Se você não terminou com ela e me fizer de boba eu...
- Você o quê?
- Eu... eu...
Por muito pouco não nos beijamos. A porta da sala foi aberta repentinamente e minha mãe...
- Vocês podem me explicar o que está acontecendo aqui?
----------> Continuará no Amarula Com Sucrilhos
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Ratapulgo
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14.9.03
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13.9.03
Estevão está na fase dos "por quês". Mas aos 8 anos, vc me pergunta? É, aos oito anos. Diz a Márcia desanimada, sacudindo a cabeça, que ele está nessa fase desde que começou a falar, espantosamente aos 11 meses, prova de que não apenas deus não existe, como além disso não tem misericórdia nenhuma, hohohoho.
- Tia Bi, por que as coisa funcionam?
- Quais coisas, meu amorzinho?
- Assim, todas. Por que o mundo funciona?
- Não sei, meu querido. Especialmente nessas tardes geladas, longe do seu tio Alexandre, com fome e dor nos pés, sem um puto, sem uma bebida, eu não sei porque porra nenhuma ainda funciona. Por mim, essa bosta podia ir toda pro espaço. Quer mais um caramelo?
¡Drops da Fal!
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Ratapulgo
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MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fazer você pensar que está sussurrando, quando,na verdade está gritando.
O consumo de álcool pode fager foxe valar coisas dexe zeito.
O consumo de álcool pode fazer você acreditar que ex-namoradas(os) estão realmente "a fim" de receber um telefonema seu às 4 horas da madrugada.
O consumo de álcool pode fazer você se virar ao acordar e ver algo realmente escabroso deitado ao seu lado (cujo nome e/ou espécie você nem consegue se lembrar).
O consumo de álcool é a principal causa de inexplicáveis hematomas e galos na testa.
O consumo de álcool pode criar a ilusão de que você é mais esperto, sedutor e forte do que um cara muito, muito grande, cujo apelido é Montanha.
O consumo de álcool pode levá-lo a achar que as pessoas estão rindo COM você, e não DE você.
O consumo de álcool pode causar um desvio espaço/tempo, onde um pequeno (ou às vezes muito grande) intervalo de tempo pode,literalmente, desaparecer.
O consumo de álcool pode realmente CAUSAR gravidez.
aqui tem coisa
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Ratapulgo
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13.9.03
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Como as coisas são
escrito em março, chega a ser hilário
Era tão baixo, como é que podia existir alguém tão baixo nesse mundo? Era do tipo que se jogava aos meus pés no meio da rua, e chorava, gritando para os meus amigos o quanto me amava, o quanto não conseguia viver sem mim, o quanto eu era indispensável, o quanto sua vida não tinha sentido antes de me conhecer. E fazia aquele drama, e se descabelava, e protagonizava as cenas mais escandalosas por ciúme.
E me deu a porra de livro chato, fazendo-me jurar que eu iria ler, e contou a história inteirinha. Me dedicou músicas, e tatuou meu nome no corpo. Me comprou cartões. Vasculhou meu passado. E me colocou num pedestal enorme. Disse que aquela porra de cidade nunca mais seria a mesma, depois que estive lá.
Aí eu virei as costas e...como era o meu nome mesmo?
A minha consciência que estava pesada, até flutuou, por ter ido num puteiro, por ter agarrado todos os teus conhecidos, por ter bebido horrores, e ter escrachado com o teu nome. Aliás, toda a culpa se foi. A culpa que eu tinha por ter amarrado teu nome na boca de um sapo. Por ter fingido dores, por ter escondido recalques, por sempre achar que tua mãe era uma vaca gorda e pobre, por ter apostado no nome de um cavalo igual ao teu, por te ligar todos os dias às quatro da manhã, e nunca ter dito uma palavra, por ter cuspido na tua foto, e desinfetado o teu cheiro das minhas roupas. E ter enganado você da forma mais cruel que existe: fingindo amor.
in your HEAD your REMEDY
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13.9.03
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Ouço frequentemente amigos dizerem (a propósito de um quadro de Van Gogh) que "nenhum quadro vale US$65 milhões." Mas olho pela janela e vejo quatro prédios feiosos que, juntos, devem valer US$65 milhões. Ué, um quadro de Van Gogh não vale quatro prédios feiosos? Vale a cidade inteira, e as pessoas que vão dentro.
Alexandre Soares Silva
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Ratapulgo
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12.9.03
Atentado poético fraudulento
fiquei atentada. saí às 7 de uma noite morna. subi a rua da bahia. toda lampeira. fui até a praça da liberdade deixar uns livros. antes conversei com um porteiro. prédio iluminado, verde. falei umas coisas e subi munida. encontrei ana c e uma prima. e andamos.
primeiro deixei um fantini. ali, num banco de praça, uma branquinha de graça. soltei assim. e quando voltei, minutos depois, já estava sumido. alguém de sorte consumiu fantini ontem à noite, alcóolico. e fiquei feliz de agradar mesmo sem querer.
em seguida soltei um meu, num banco do lado oposto da praça. mais perto do palácio do governo. o primeiro, 'poesinha', relíquia. soltei como se solta um canário belga. livrei do cárcere do meu escritório empoeirado. foi-se. e alguém o me raptou rápido, levou meu livro, me leu, me comeu. tomara.
o terceiro foi um valério de oliveira, 'eu mínimo', pequeno. fiquei com medo de que o confundissem com uma caixa de fósforos. e é mesmo de acender pavios. soltei num banco no caminho. e alguém teve a sorte.
sempre que como um prato gostoso, deixo o melhor por último. e então decidi soltar as 'lascas' do círio germano ricardo schmitt carvalho no final do atentado. deixei ali, mas ana c estava tão flertando com ele, que quis presentear minha amiga. tinha motivos: além de amá-la dum jeito bom, a moça está indo morar em madri, então deixei 'lascas' no jardim. e por que não num banco da praça? porque ximite escreveu um livro gostoso. e então deixei ali, como morangos maduros. e ana c veio logo atrás e colheu, como uma montanhesa florida.
saímos da praça felizes com o sucesso do atentado. derrubamos as torres que desunem leituras e leitores. e fomos pro bar, meu habitat, tomar uma pepsi com gelo. e conversávamos sobre poesia e filhos, quando chegou susan joyce, minha amiga mais diversa e de pressão alta. depois uns amigos de ana c aportaram. e conversamos sobre pedras. joão cabral de melo neto teria adorado. e acho até que estava ali conosco, tomando rum.
e a noite acabou fácil. às duas da manhã. eu cheia de compromissos. e um amigo da ana c, o fedoso, disse um poema: 'você parece um ícone: a gente clica e abre uma janela'.
Estante de livros on-line
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Ratapulgo
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12.9.03
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Coisas que adoraria fazer, se o crime compensasse:
Dizer por que não leio Calvino, Dahl, Fonseca, Naipaul, Rushdie, Cornwell, Poe, Eça, Voltaire. E ser pego lendo ou não, tanto faz.
Explicar a necessidade de alguém entubar uma brachola.
Escorraçar leitores de Derrida, Debord, Lacan, Foucault e laticínios.
Terminar toda frase com cacildis!
Iniciar cada fala com eh limonada!
Dar a Beatriz Segal o que ela merece.
Levantar a pipa do vovô.
Espalhar para os habitantes de Europa que Hene Maru foi um grande revolucionário brasileiro, que deixou pelo menos um filho em cada cidade do Império.
saudade do presidente Figueiredo
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Ratapulgo
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12.9.03
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Top 8 chavões de crises
Por Frase Feita
Dos otimistas:
1. Calma que pior que tá não pode ficar.
2. É nos momentos de crise que se cresce.
3. É preciso transformar a crise em oportunidade.
4. Você está sendo mais realista que o rei.
5. Veja pelo lado bom.
6. Amanhã é outro dia.
7. Pelo menos você tá aprendendo.
8. Encare isso como uma lição de vida.
Dos pessimistas:
1. Nada é tão ruim que não possa piorar.
2. Tudo que começa bem acaba mal, e tudo que começa mal acaba pior.
3. Tudo que é ruim sempre ocorre em série.
4. Onde há fumaça, há fogo.
5. O que é bom dura pouco.
6. De boas intenções o inferno está cheio.
7. Não há vida feliz, há momentos felizes.
8. É a Lei de Murphy.
Site do Homem-Chavão
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Ratapulgo
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12.9.03
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As pessoas normalmente têm essa imagem de mim, dizem que eu sou um sujeito frio, durão e antisocial que não apóia causas mais nobres. A verdade é que eu simplesmente sou contra se fazer alarde dessas coisas. Mas eu ajudo várias instituições de caridade.
Por exemplo, eu faço doações mensais a uma instituição que ajuda crianças que gostam de jujubas amarelas. Já fui também ativista. Participei de uma organização que defendia os azulejos de piscina no Nepal. Na época, éramos ativistas radicais.
Mas esse negócio de ativismo é engraçado.
Lá na rua havia um terreno baldio que tinha uma samambaia. Um dia, começou um projeto de derrubar a samambaia para que se construísse naquele terreno um grande hospital para atender de graça à população. Mas começou a polêmica.
Um grupo de ecologistas foi contra a derrubada da samambaia. Eles se amarraram à samambaia para que não a destruíssem. Mobilizaram toda a sociedade e as pessoas da rua jogavam pedras nos tratores. No final, o projeto do hospital foi abandonado e o terreno baldio virou um estacionamento onde carros conviviam em harmonia com a samambaia.
Até o dia em que, infelizmente, um carro atropelou a samambaia. Uma pena.
vida + ou -
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Ratapulgo
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12.9.03
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11.9.03
Uia! Hoje São Paulo está linda. Cinzenta e fria como convém. Então vamo que vamo ao que interessa nesses dias: o centrão da cidade. Comprar cd genérico. Encher o saco do Luiz na Baratos Afins. Dar a vez pra ele ouvindo histórias do Minhoka. Saber das últimas com os flanelinhas do Teatro Municipal. Atravessar o Viaduto do Chá e comprar tinta pra ovo na Casa Godinho [R$ 7,80. Vêm 5 saquinhos a saber: amarelo, azul, verde, lilás e rosa. Cada cor com seu significado místico]. Ou você pensava que nos butecos neguinho pintava à mão os ovos cozidos? Não, nada a ver com talismãs ucranianos. Na volta, parar na rodinha do cara que faz um som no viaduto, afinal desempregado eu também estou, tenho o meu direito. Comparecer à dona Maria da Praça Roosevelt com alguns caraminguás, que afinal não estou por cima da carne-seca. Me enfiar no muquifoso e imutável bar do Hotel Gran Corona – eternos espelhos e néons no porão, bebida honesta e barman discreto. Pra isso sim você tem dinheiro, seu filhadaputa. Ver mulher dançando com mulher no térreo do Copan. Tomar café no Floresta. Bater um sanduba do Amaral no Bar Estadão e criticar a reforma que ainda não digeri – o Amaral tá parecendo uma freirinha naquele uniforme impecável. Ganhar dele um osso ainda com carne pra botar no feijão. Se você não sabe, as melhores carnes ficam perto do osso. E é por isso que eu prefiro mulher magra.
¢AtaRrO vE®De
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Ratapulgo
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11.9.03
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Quem procura as melhores palavras, ainda não está certo. Devemos procurar o melhor silêncio. O silêncio exato. Ninguém precisa provar o que o sangue entende. Não me esqueço o dia em que não fizemos nada, nada mesmo, parados, nos olhando como cúmplices, rindo a esmo, abraçados, olhando a janela como um vinho aberto. O futuro passeava pela janela. Talvez tenha me visto de mãos dadas com ela na velhice ou na infância. Não importa em que tempo estávamos. No nosso idioma, as pequenas gentilezas, como empurrar a cadeira para sentar ou amarrar os cadarços um do outro, já são suficientes para nunca esquecer os dias.
(...)
Eu vim morar em São Leopoldo por uma mulher. São Leopoldo é também uma mulher. Não apenas uma cidade em que fiquei, mas uma mulher que eu escolhi. Escolhi amar a cidade não para exibir suas qualidades, mas porque tenho consciência que faço parte dos seus defeitos. Os defeitos são virtudes que estão amadurecendo. Assim como a mentira é apenas uma verdade ganhando tempo para dizer a verdade. A cidade cresce comigo, habitando-me, dando o que comer para minhas distrações. Sou o que imagino além do que vejo.
(...)
Hoje não estou no trabalho, em casa ou em mim. Minha sogra, que não vejo como sogra. Mais do que tudo, a avó dos meus filhos, a avó amiga, com seus cabelos crespos que me agradam como moldura de olhos fortes, com suas mãos lentas de orvalho esbravejado, com sua pele funda de umidade contida, com seu vestido de evaporação de aves. Essa avó teve um derrame. De uma hora para outra, esqueceu tudo. Nenhuma lembrança subia nem pelas escadas muito menos pelos elevadores. O apagamento da escrita, da assinatura, do miolo da voz. Ela poderá se recuperar - precisará de dias para dobrar a maçaneta novamente e corresponder os nomes que vão dentro dos nomes. Passei a noite em claro no hospital. Vi um jovem menino esperando seu primeiro filho nascer, arfando um medo alegre de seu próprio medo. Vi um homem baleado, que viria a morrer, após reagir a um assalto. Vi sua mãe em prantos, não encontrando assento ao peso do seu rosto, e o filho chegando tarde demais. Vi uma indigente que filava cigarros de todos e estava ali para fugir do frio e assistir a novela na recepção. Vi um carroceiro estacionar no saguão sua máquina de papel com dois cds de faróis. Vi um funcionário me reconhecer como poeta e recitar seus versos sem me perguntar se havia gente dentro dos ouvidos para falar. Eu sei que o mundo me assistia também. Escrevo para me livrar da dor, mas a dor é que se livra lentamente de mim. Amanhã tentarei levantar, preciso que me puxes.
na caixa de sapatos de Fabricio Carpinejar
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Ratapulgo
às
11.9.03
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. Pigritia .
Pois toda vida que dou umas voltas no blog da Beta fico deprimida.
Nããão, não é nada que ela escreva, assim, de triste, nada disso. É que a criatura é uma máquina de fazer exercícios. Já chegou a ir pra academia de manhã cedinho depois de uma noite pouco católica.
E eu aqui querendo que o mundo se acabe em barrancos pra eu morrer escorada.
Preciso começar a me exercitar já, ontem, ano passado, desde pequenininha e a preguiça é maior que eu, que a vontade, que a conscientização, que tudo. A única diferença entre nós é que ela não gosta de musculação e eu gosto. Bom, gosto é um exagero, quase uma licensa poética, porque na verdade eu gosto é de uma rede e uma brisa, mas não é das suadeiras que me enchem mais o saco.
Há quem diga "vai caminhar, Anita". Vou não. Odeio caminhar. Já não gosto de andar, ainda mais sem ter um lugar pra chegar, ficar dando voltas e mais voltas no Campo Florestal, a pensar besteira. Sim, porque nessas horas aquele walkman amarelo-ovo fubeca comprado por incríveis vinte e cinco rurais come uma pilha desgraçada e me deixa na mão na metade do percurso-de-peru. FM limoeirense? Só se eu quiser ouvir forró do tipo "Amor de rapariga é bom demais" às 6 da madrugada. Não, dispenso.
Arroz-de-Leite
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Ratapulgo
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11.9.03
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Au revoir
Vou viajar hoje e só agora me toquei estarei num avião em pleno 11 de setembro. Meu destino é a Europa, primeiro Mr. Dã (Amsterdã para os íntimos) e depois Paris, se o piloto da KLM não for obrigado a desviar sua rota para a Estátua da Liberdade, por exemplo. Se isso acontecer, pelo menos virarei mártir de alguma coisa, ainda não sei do que.
Podem ficar com inveja, ainda mais que a passagem e a maior parte da estadia não me custarão nada. Mas não se preocupem, volto lá pelo dia 19, se nenhuma francesinha me raptar ou, mais provável, o contrário.
Estou ansioso para encontrar o lendário Philipe Ledoux, que me ajudou a aprender francês no ginásio. Pena que já tenha esquecido quase tudo. De qualquer maneira, ainda lembro bem das frases de sobrevivência básica como "Voulez-vous couché avec moi?".
Se der tempo e tiver acesso à grande rede, darei notícias minhas aqui e, quem sabe, publico alguma foto para que vocês não sintam muitas saudades de mim.
Bem, estou indo. Desculpe qualquer coisa. E, se tiverem alguma encomenda, peçam quando eu voltar.
Au revoir, enfants de la patrie! Le jour de gloire est arrivé!
Chez Nigro's - Movimento pela Insanidade Coletiva
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Ratapulgo
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11.9.03
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10.9.03
:: Fim ::
único & absoluto, escrito em Agosto de 2002
Acabou. Acabou a cerveja e o bom humor. A piada e o roquenrou. A banda já foi embora, e o garçom está vindo fechar a conta. Acabou o beijo de amor, e o malho no canto escuro. Acabou-se a paciência e o dinheiro. Apagaram a oitava lâmpada. E Hall’s que é bom, não sobrou nenhum. Vamos ter que ir embora com esse hálito embriagado mesmo. Acabou o fogo, e acabou a vontade. Acabou a amizade. Acabou a formalidade e há horas que foi embora também o batom. Cigarro? Que cigarro? Não adianta teimar. Acabou! Vá pra casa tirar esse cheiro de pecado, porque aqui as portas estão se fechando. Vá à pé ou vá de carro. Ou espera amanhecer pra poder pegar um ônibus. Mas espera lá fora, porque aqui, já acabou. Acabou o berro, e a alegria desenfreada, de uma noite fulminante. Volte refeito na semana que vem, sim?!
in your HEAD your REMEDY
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Ratapulgo
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10.9.03
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Éramos cinco. Um dia meu pai foi para Goiânia e não voltou. Depois meu irmão se formou e foi trabalhar com ele. Minha mãe foi fazer mestrado em Porto Alegre. E ontem à noite meu outro irmão foi estudar na Alemanha. Somos uma, agora, brincando de casinha numa casa de quatro quartos.
DESPROPÓSITOS
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Ratapulgo
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10.9.03
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- E aí, Vanderleisson? Como você vê esse novo desafio de jogar no São Cipriano Futebol Clube?
- Bem, vim aqui para ser titular. Nada de somar! Se o Zé Miranda tá no banco é porque ele é pior do que o Birungueta. Se o Birungueta é titular é porque é melhor que o Zé Miranda. E se me contrataram é porque eu sou melhor do que o Raimundinho, logo vim para ser titular. Somar é o caralho!
- Mas Vanderleisson... isso é uma equipe... o que o treinador vai dizer?
- No campo só entram onze. Quem não joga bem vai embora ou fica no banco. E esse negócio de técnico ficar ba beira do campo agitando os braços e gritando é pura balela. Lá no campo a gente olha para ele e pensa "vai tomar no cu, viado"!
- Olha o palavreado, Vanderleisson!
- Eu não sou é hipócrita. E vai tirando a merda desse microfone daqui, pois eu já tô cansado de responder sempre as mesmas perguntas. Você passou seis anos numa faculdade para ficar repetindo essa ladainha aí, é?
Watcher
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Ratapulgo
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10.9.03
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9.9.03
Pude vê-lo assim que ele apontou no fundo do salão. Acompanhei, com meu olhar curioso, todo seu trajeto. Quando passou por mim, fingi que não o havia percebido. Mentira, era impossível não notá-lo. Uma camisa de malha de manga comprida por baixo de outra de manga curta. Calça jeans surrada e tênis idem. Cabelo liso, em fase de crescimento, e um copo na mão. Circulava sozinho. Sua expressão séria não mudava nem ao cruzar com a mais linda das gatchenhas do lugar.
Só podia estar bêbado, pensava eu. Ou então sabia fazer o tipo "não tô nem aí" bem demais, a ponto de me fazer sair do meu transe habitual por diversas vezes durante aquela madrugada. Não investi, achei que não valia a pena. Tinha cara de quem "pegaria" a primeira loura bunduda e a imprensaria na parede. Mas isso, para a minha surpresa, não aconteceu. Sozinho estava, solitário permaneceu. Sem a chance de saber que a minha solidão poderia perfeitamente ter feito companhia à sua.
ói nóis aqui traveiz!
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Jan
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9.9.03
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DUAS COISAS
1 - O fato de não existir vida após a morte não significa que Deus não exista.
2 - O fato de existir a vida após a morte não significa que Deus exista.
leite de pato esclarecendo as coisas
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Jan
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Gente otimista demais e alegre Pollyana de manhã é muito forçado.
O cara chega todo dia rindo e diz um daqueles bons-dias de psicopata americano que me assusta.
Eu sempre estou com a cara amarrada porque acho que de manhã você têm o direito de ir ligando suas baterias,
esquentando os motores da usina bem devagar e falo pouco até umas 10:30.
karen carpenter
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Jan
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9.9.03
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Eu sou invisível.
Ando pela rua, pego um ou dois ônibus, esbarro e peço desculpas. Olham-me de cima a baixo, discretamente, furtiva e descaradamente, mas ninguém me vê.
O globo do olho não alcança o pensamento lúcido, e eu estou sozinha, sozinha, sozinha.
A minha historinha não é um conto de fadas, ninguém vai me salvar e eu não serei feliz pra sempre.
A impressão que tenho é que ninguém dá a mínima pra onde vai meu trem, ninguém quer sentar na minha janelinha, ninguém quer ir comigo pra um lugar melhor e livre.
Eu sou a segunda opção, eu sou o segundo plano, segunda de tudo e nunca a primeira. Preferia viver sendo o nada de todo o mundo do que sendo o nada de ninguém, e é o que eu sou.
Nada. Ninguém.
Nunca.
The real folk blues
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Ratapulgo
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9.9.03
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Meu nome é Afonso Soares de Melo, e resolvi contar algo que passou comigo:
Estava sentado no meu escritório quando lembrei de uma chamada telefônica que tinha que fazer.
Encontrei o número e disquei. Atendeu-me um cara mal humorado dizendo:
- Fale!!!
- Bom dia. Poderia falar com Andréa? O cara do outro lado resmungou algo que não entendi e desligou na minha cara. Não podia acreditar que existia alguém tão grosso. Depois disso, procurei na minha agenda o número correto da Andréa e liguei.
O problema era que eu tinha invertido os dois últimos dígitos do seu número.
Depois de falar com a Andréa, observei o número errado ainda anotado sobre a minha mesa. Decidi ligar de novo. Quando a mesma pessoa atendeu, falei:
- Você é um Filho da puta!!! Desliguei imediatamente e anotei ao lado do número a expressão "Filho da puta" e deixei o papel sobre a minha agenda.
Assim, quando estava nervoso com alguém, ou em um mau momento do dia, ligava pra ele, e quando atendia, lhe dizia "Você é um Filho da puta" e desligava sem esperar resposta. Isto me fazia sentir realmente muito melhor. Ocorre que a Telepar introduziu o novo serviço "bina" de identificação de chamadas, que me deixou preocupado e triste porque teria que deixar de ligar para o "Filho da puta". Então, tive uma idéia: disquei o seu número de telefone, ouvi a sua voz dizendo "Alô " e mudei de identidade:
- Boa tarde, estou ligando da área de vendas da Telepar, para saber se o senhor conhece o nosso serviço de identificador de chamadas "bina".
- Não estou interessado! - disse ele, e desligou na minha cara. O cara era mesmo mal-educado. Rapidamente, disquei novamente:
- Alô?
- É por isso que você é um Filho da puta!!! e desliguei. Aqui vale até uma sugestão: se existe algo que realmente está lhe incomodando, você sempre pode fazer alguma coisa para se sentir melhor: simplesmente disque 0xx41-7643-XXXX ou o número de algum outro Filho da puta que você conheça, e diga para ele o que ele realmente é. Acontece que eu fui até o shopping, no centro da cidade, comprar umas camisas.
Uma senhora estava demorando muito tempo para tirar o carro de uma vaga no estacionamento. Cheguei a pensar que nunca fosse sair. Finalmente seu carro começou a mover-se e a sair lentamente do seu espaço. Dadas às circunstâncias, decidi retroceder meu carro um pouco para dar à senhora todo o espaço que fosse necessário: "Grande!" pensei, "finalmente vai embora".
Imediatamente, apareceu um Vectra preto vindo do outro lado do estacionamento e entrou de frente na vaga da senhora que eu estava esperando. Comecei a tocar a buzina e a gritar:
- Hei, amigo. Não pode fazer isso! Eu estava aqui primeiro!
O fulano do Vectra simplesmente desceu do carro, fechou a porta, ativou o alarme e caminhou no sentido do shopping, ignorando a minha presença, como se não estivesse ouvindo. Diante da sua atitude, pensei: "Esse cara é um grande Filho da puta! Com toda certeza tem uma grande quantidade de Filhos da puta neste mundo!". Foi aí que percebi que o cara tinha um aviso de "VENDE-SE" no vidro do Vectra.
Então, anotei o seu número telefônico e procurei outra vaga para estacionar.
Depois de alguns dias, estava sentado no meu escritório e acabara de desligar o telefone - após ter discado o 0xx41-7643-XXXX do meu velho amigo e dizer "Você é um Filho da puta" (agora já é muito fácil discar pois tenho o seu número na memória do telefone), quando vi o número que havia anotado do cara do Vectra preto e pensei: "Deveria ligar para esse cara também". E foi o que fiz. Depois de um par de toques alguém atendeu:
- Alô.
- Falo com o senhor que está vendendo um Vectra preto?
- Sim, é ele.
- Poderia me dizer onde posso ver o carro?
- Sim, eu moro na Rua XV, n° 527. É uma casa amarela e o Vectra está estacionado na frente.
- Qual e o seu nome?
- Meu nome e Eduardo Cerqueira Marques - diz o cara.
- Qual a hora é mais apropriada para encontrar com você, Eduardo?
- Pode me encontrar em casa à noite e nos finais de semana.
- É o seguinte Eduardo, posso te dizer uma coisa?
- Sim.
- Eduardo, você é um grande Filho da puta!!! - e desliguei o telefone.
Depois de desligar, coloquei o número do telefone do Eduardo (que parecia não ter "bina", pois não fui importunado depois que falei com ele) na memória do meu telefone. Agora eu tinha um problema: eram dois "Filhos da puta" para ligar. Após algumas ligações ao par de "Filhos da puta" e desligar-lhes, a coisa não era tão divertida como antes. Este problema me parecia muito sério e pensei em uma solução: em primeiro lugar, liguei parao "Filho da puta 1".
O cara, mal-educado como sempre, atendeu:
- Alô - e então falei:
- Você é um Filho da puta - mas desta vez não desliguei.
O "Filho da puta 1" diz:
- Ainda está aí, desgraçado?
- Siiimmmmmmmm, amorrrrrr!!! - respondi rindo.
- Pare de me ligar, seu filho da mãe - disse ele, irritadíssimo.
- Não paro nããão, Filho da putinha querido!!!
- Qual é o teu nome, lazarento? - berrou ele, descontrolado!
Eu, com voz séria de quem também está bravo, respondi:
- Meu nome é Eduardo Cerqueira Marques, seu Filho da Puta. Porquê???
- Onde você mora, que eu vou aí te pegar, desgraçado? - gritou ele.
- Você acha que eu tenho medo de um Filho da puta? Eu moro na Rua XV, n° 527, em uma casa amarela, e o meu Vectra preto está estacionado na frente, seu palhaço filho da puta. E agora, vai fazer o quê???? - gritei eu.
- Eu vou até aí agora mesmo, cara. É bom que comece a rezar, porque você já era. - rosnou ele.
- Uuiii! É mesmo? Que medo me dá, Filho da puta. Você é um bosta! E eu estou na porta da minha casa te esperando!!! - e desliguei o telefone na cara
dele. Imediatamente liguei para o "Filho da puta 2".
- Alô - diz ele.
- Olá, grande Filho da puta!!! - falei.
- Cara, se eu te encontrar vou...
- Vai o quê? O que você vai fazer??? Seu Filho da puta!
- Vou chutar a sua boca até não ficar nenhum dente, cara!!!
- Acha que eu tenho medo de você, Filho da puta? Vou te dar uma grande oportunidade de tentar chutar minha boca, pois estou indo para tua casa, seu Filho da puta!!! E depois de arrebentar sua cara, vou quebrar todos os vidros desta porcaria de Vectra que você tem. E reze pra eu não botar fogo nessa casa amarelinha de bicha. Se for homem, me espera na porta em 5 minutos, seu Filho da puta!!! - e bati o telefone no gancho. Logo, fiz outra ligação, desta vez para a polícia.
Usando uma voz afetada e chorosa, falei que estava na Rua XV, n° 527, e que ia matar o meu namorado homossexual assim que ele chegasse em casa.
Finalmente peguei o telefone e liguei o programa da CNT "Cadeia" do Alborguetti, para reportar que ia começar uma briga de um marido que ia voltando mais cedo para casa para pegar o amante da mulher que morava na Rua XV, n° 527.
Depois de fazer isto, peguei o meu carro e fui para Rua XV, n° 527, para ver o espetáculo. Foi demais, observar um par de "Filhos da puta" chutando-se na frente de duas equipes de reportagem, até a chegada de 3 viaturas e um helicóptero da polícia, levando os dois algemados e arrebentados para a delegacia. Moral da história? - Não tem moral nenhuma!
Foi de sacanagem mesmo...
E vê se atende o telefone educadamente, pois posso ser eu ligando para você por engano...
(por email)
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Ratapulgo
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8.9.03
Fragmentos sobre a paixão e a felicidade
Não, eu não sou taoísta, como o Gabriel me perguntou essa semana num email. Já fiz cinco anos de meditação budista, período em que estudei filosofia budista. Já fiz dois anos de yoga. Atualmente estudo filosofia, é verdade, mas a ocidental mesmo, com os autores clássicos. E de vez em quando participo de uma meditação hindu sen-sa-cio-nal, cheia de mantras belíssimos.
Tudo porque desde que me entendo por gente, já bem criancinha, olho para o mundo e me espanto. Carrego uma perplexidade com a vida, a existência, a humanidade, a mundanidade. E faço disso a minha maior paixão.
Mas a paixão que me move é pela vida. Não é pela felicidade - porque não acredito nessa idéia simples de que é possível ser feliz. Almejo algo bem mais básico - estar bem. Bem comigo mesma, com meu vizinho, com o cara da esquina, com os amigos, com a família, com o homem ao meu lado.
Trocar o ser pelo estar e trocar o bem pelo feliz são duas mudanças radicais.
Primeiro, porque apostar no estar significa renunciar a metas, objetivos, ideais, aspirações. Significa que o caminho é o próprio fim em si, é o tal do "caminhar que não leva a lugar nenhum" (não tem nada mais oriental do que isso...). E trocar o bem pelo feliz também faz uma enorme diferença.
Por que? Porque abre mão dessa idéia de êxtase. De algo acima da média. De algo arrebatadoramente bom, alcançável segundo determinadas condições. Estar bem é mais modesto, mais humano.
Para mim, o único êxtase possível é ser capaz de sair de mim. E por que porta? (antes que alguém dê a sugestão, esclareço que há muito abandonei a das drogras). Pela incosnciência, pela arte, pelo delírio que você puder alcançar com suas próprias mãos.
Basta estendê-las na direção do seu desejo.
elasporelas
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Ratapulgo
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Era uma casa muito engraçada...
(Da série "Coisas que penso depois do almoço")
Esse negócio todo de amor e coisa e tal é feito uma casa. Uma casa enorme, cheia de quartos, salas, saletas, corredores, escadas, rampas, passarelas, nichos, reentrâncias, portas e muitas, muitas passagens secretas. Pode ser uma casa confortável se você e fulana(o) resolverem morar nela. Vocês podem se aventurar por corredores desconhecidos, se assustar com uma estante que gira revelando uma nova sala de estar, ou passar um tempo chorando juntos no porão.
O problema é quando fulana(o) entra na casa por engano. Ia passando, a porta estava aberta. E você também é bem besta, convidou fulana(o) pra entrar mesmo sabendo dos riscos. E então você descobre que fulana(o) se sente desconfortável ali dentro, e que o desconforto é contagioso. Só que você já a(o) deixou andar demais pela casa. Gostaria de, como pessoa bem educada que é, levá-la(o) até a porta de entrada (e saída, obviamente), mas onde diabos está a porta mesmo...? Fez-se o caos: ficam você e fulana(o) andando constrangidos pelos corredores que parecem não ter fim, você diz "Acho que é por aqui", e em vez do hall de entrada dão de cara com o banheiro, "Não, não, é ali, tenho certeza", mas é a biblioteca, "Peraí, vamos tentar por aqui", e saem numa sacada. Você tem vontade de atirar fulana(o) ali de cima – seria uma saída de qualquer forma – mas lá no fundo você quer sua permanência, mesmo que insuportavelmente constrangedora para ambos depois de algum tempo.
Mas chega o dia em que vocês finalmente encontram a saída. Despedem-se sem jeito e com indisfarçável alívio. Fulana(o) vai embora; você a(o) observa afastar-se, e reprime uma vontade imbecil de gritar seu nome, pedir que fique, que fique assim mesmo, que se foda o constrangimento. Porque com um habitante só essa casa volta a ser o mausoléu de sempre.
outro Jesus, me chicoteia
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Ratapulgo
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8.9.03
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Então..
Uma vez um vizinho soltou o cachorro imenso dele pra brigar com um cachorrinho pequeno daqui.
Brigaram até o cachorro dele matar o meu.
Eu não ví, mas fiquei sabendo que foi assim, sempre tem um "olheiro" de plantão , que te conta o que acontece.
Não fizemos nada.
O mesmo vizinho há séculos queria comprar uma S10 preta, conseguiu.
Agora que comprou, uma das primeiras coisas que ele fez foi passar em cima do Micke,o dogue alemão do meu pai.
Passou por cima e não se contentou ainda deu ré e passou por cima de novo.
O micke ta todo machucado, perdeu metade do rabo tb, por milagre não morreu , já está andando pelo quintal e enchendo o saco de novo.
A S10 hj amanheceu toda quebrada, juro que eu não tenho culpa de nada.
casos e acasos virtuais
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Ratapulgo
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8.9.03
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O retorno
Tomado por ondas de tristeza, corri para o fumódromo e fiquei olhando pela janela e tomando café, já que não fumo. Em poucos minutos ele apareceu, vindo lá dos lados da Hípica.
– Aê, mané. Me arruma um cigarro.
– Parei de fumar.
– Hum. Tá explicado o sumiço então.
– Sentiu saudades?
– Claro que não. Senti falta de filar um cigarrinho vez em quando. E de dar nó na sua cabeça, que é o mais legal. Aliás, tá fazendo o que aqui hoje?
– Nada. Vim só olhar a paisagem.
– Que paisagem, mané? Esse concreto todo aí? Fala a verdade, você veio me esperar. Desembucha, vai. Que se passa agora?
– Ué, você não é o sabe tudo?
– É, acho que sou. Mas é que gosto de ver você se rebaixando.
– Espere sentado.
– Eu não sento. Não tenho bunda, esqueceu?
– Nem bunda nem capacidade de entender figuras de linguagem.
– Cê tá se achando esperto, né? Pois bem, não quer falar nada? Então eu falo. Você parece uma garça, sabia?
– Teu rabo.
– Deixa eu falar, porra. Você já reparou nessas garças que sobrevoam o rio às vezes? Branquinhas, elegantes, vôo suave, uma beleza.
– É, são bonitas mesmo.
– Bah, bonitas o quê! Mera superfície! Que que um bicho desse vem fazer no Rio Pinheiros? Vem fuçar na merda! Todo mundo tem asco de nós porque somos feios e agourentos. Mas jamais nos humilhamos a ponto de ficarmos revirando merda à cata de migalhas. Nosso negócio é com a morte. Ser urubu é um sacerdócio, ser garça não é nada.
– Tá. E eu com isso?
– Já disse, você é uma garça. Fica aí querendo parecer limpinho e correto, mas vive chafurdando na merda alheia, esperando encontrar como recompensa de seu trabalho sujo um resto de carinho aqui, um pouco de atenção ali, até amor talvez, embora não acredite que sua sorte chegue a tanto. Oras, seu mané! Você é feio, desengonçado e pardacento. Seja um urubu, voe alto, saia da merda.
– Você acha que ser urubu é mesmo grande coisa, não é?
– Melhor do que ser um mané sem vida feito você.
Ia responder, mas nesse momento uma garça passou voando na direção do rio. Ele fez um muxoxo de desprezo e voou para o lado oposto.
Jesus, me chicoteia
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Ratapulgo
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8.9.03
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7.9.03
- Aí eu perguntei a ela, à enfermeira, "tu é enfermeira faz muito tempo?", aí ela me disse "eu comecei a trabalhar na semana passada", aí eu disse "oxe! pois vá pra lá com essa injeção! onde já se viu?", já pensou, dotôra? A mulher ia me aplicar uma injeção assim, sem nem saber direito! Aí eu num quis não. Fui pra casa.
- Mas homem, por quê? Era pra ter tomado, criatura.
- Eu não! Confio não!
- Devia confiar. Elas estudam, elas aplicam injeções antes de conseguirem os empregos. Elas treinam isso bastante.
- Oxe, pois eu mermo num confio! E a senhora? Se formou quando?
Rááá!
- Eu?
- É, a senhora.
- Rapaz, faz uns meses.
- MESES?
- É. Na verdade foi um dia desses.
- Um dia desses quando?
- Em julho.
- Valha-me deus!
Indescritível, a cara que ele fez.
autonauta da cosmopista
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Jan
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7.9.03
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Os 10 Motivos de eu Não ver Minhas Fotos dos Anos 80
1. Franja Pastinha - quem não cortou o cabelo assim, que atire a primeira pedra. Eu tinha e morria de orgulho, e ainda andava com pente na bolsa para pentear a danada em público (aimeudeuso como eu era brega)
2. Sutiã com ombreira - lógico que não aparece o sutiã nas fotos, mas que meus ombros estão quase engolindo a minha cabeça....ah isso estão. Nos anos 80 a expressão "dar de ombros" tinha um significado completamente diferente, afinal, se você fizesse isso provavelmente mataria a pessoa que estivesse ao seu lado.
3. Saia Balonê- eu tinha um vestido e uma saia, eram meus orgulhos, e na época o grande lance era quem tinha a saia com mais balonês.. Aff, precia que estávamos vestindo uma colcha de babados....
4. Calça santropeito da mackeen- na verdade, se brincar, muita gente deve ter se enforcado com aquelas calças, afinal a cintura chegava quase no pescoço, as gordinhas abalavam naquelas calças, e a bunda ficava completamente achatada...coisa linda de se ver, detalhe, essas calças ou não passavam pelas coxas, ou se passassem ficavam frouxas na cintura, um inferno.
5. Acessórios - muitos, dos mais variados e mais bregas, cores berrantes, brincos imensos de "prástico", argolas listradas...tudo com estampa...e pior, tudo usado com roupas de estampas variadas, Carmem Miranda, minha amiga, do céu deve ter tido enfartes.
6. Vestido trapézio - como eu era muito magra na época (47 kg em 1,63 de altura) eu parecia que tinha me vestido com a lona de um circo; só que em vez de listras, estampado com bolas, ficava um charme com minhas pernas finas aparecendo....ai ai
7. E os cabelos....ahhhh...que mania era aquela de pentear o cabelo ao contrário para fazer volume???!!! Ai meu deus, depois de pronto parecia que o cabelo havia sido mastigado e cuspido na sua cabeça, um horror!(lembram do fuá do Bon Jovi no clipe You Give Love a Bad Name?)
8. Maquiagem era um ítem à parte, olhos à lá Viúva Porcina, batom vermelho com tanto gloss que parecia que ia escorrer da boca a qualquer minuto, quem não se lembrados batons Boca Loca?
9. Suspensório combinando com o jacaré. Primeiro, jacaré era um mini prendedor que usávamos para prender as mangas das camisas multicor que usávamos, agente dobrava a manga, aí para não desenrolar, prendia com um jacaré, e este sempre estava combinando com um suspensório que prendia as calças santropeito, aí tinha criatura que combinava uma boina e tcharám, você tinha a visão do inferno.
10. Luvas, de renda comprida....um luxo só...na época claro.
Lembranças da Dona Baratinha
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Jan
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A pior sensação do mundo é respirar a espuma do sabonete durante o banho.
Ando preocupado ao relembrar minha conversas com as pessoas. Nunca tenho a certeza se foi em sonho ou se estava bêbado.
Tenho que arrumar urgentemente: uma fonte de renda a qual não tenha que dar satisfação, alguém pra me levar a Porto amanhã, coragem para trabalhar em pleno sábado e companhia para a festa da semana que vem
Eu adoro os meus amigos e quando eu digo que estou com saudade é porque estou com saudade. E quando não digo, que fique sub-entendido.
perigoso se misturado com álcool
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Jan
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CENAS DE UMA DESPEDIDA DE SOLTEIRO
- A turminha chega tímida ao puteiro. Depois de umas biritas, todos começam a ficar malandros. Na minha rua, dizemos que o camarada "tomou malandrol" ou "chupou malandrops";
- Os quatro amigos que foram às vias-de-fato com as garotas do recinto simplesmente escolheram as mais feias. Não que houvesse alguma maravilhosa, mas também não precisava chutar o balde. Tanto menos pagando...;
- Há muitas garotinhas novas no puteiro. O mais chocante é que elas já fazem disso uma profissão. Descaradamente. Mesmo que antes ficassem trinta anos "na lida", sempre cultivavam o sonho de sair do ramo;
- Se as putas antigas tinham a idéia romântica de sair da vidinha, mas nunca saíam, e as putinhas de agora são garotas-de-programa vocacionadas e seguras da carreira, mas talvez saiam rapidamente da vidinha, pergunto: qual dos dois casos é mais inquietante?;
- Sim, existe um profissional mais chato do que vendedor de loja de sapatos (aquele que te laça no corredor do shopping): gerente de puteiro. O camarada simplesmente NÃO ENTENDE que algumas pessoas não vão lá para pagar uma nota preta a fim de um cais-cais-cais com as tranqueirinhas;
- Incrível o funcionamento do metabolismo humano. Todos estavam bêbados e trôpegos. Foi só chegar a conta da farra, e arregalaram aqueles olhos "mr-maggo-levando-susto". Todos estavam acordados, sóbrios, e ainda por cima fazendo equações com duas variáveis;
- Despedida de solteiro em um puteiro é brega. Mas seria pior, convenhamos, numa casa de café colonial.
gravataí merengue
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Jan
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Caminhou Paulo por dias por trilhas verde-escuras por nada. No diário mental rascunhado ao longo do espaço percorrido por cada pé ante pé ante pé (a secreta corrida disputada sem que percebamos), Paulo anotou a lápis a mudança dos tons da areia a descansar nos acostamentos, ora inexistentes ora não. Por não carregar consigo mantimentos ou utensílios cortantes para sangrar as árvores e beber sua seiva, refugiou sua fome no campo das possibilidades. É possível, claro.
Mas, via os grãos de areia e pensava sobre o gosto da namorada e no dia em que engoliu um pêlo dela por descuido. No meio do caminho (longo, como manda a Tradição), Paulo agachou-se e pôs-se a admirar a qualidade das partículas de silício que forravam seus pés e, por conseguinte, carcaça e vida, numa projeção otimista. Escolheu o grão que lhe pareceu mais belo, dentre os bilhões possíveis
(o amor)
e o pinçou com as unhas longas. Levantou a língua e descansou sob ela a areia.
Enquanto prosseguia sua viagem
(a trilha alcança a guilhotina do horizonte e além)
Paulo foi confrontado por demônios e diabretes e achou isso tudo muito maçante. Satisfazia-se mesmo com a impressão de que as cores da paisagem desprendiam-se de sua retina e flutuavam como vapores à sua frente e deixavam-se aspirar, o gosto de morangos, pêras, mangas e uvas.
Não raro tropeçou em si mesmo e engoliu um pouco solidão, por susto, por descuido. Expulsando lágrimas, concentrava-se na linha imaginária traçada à sua frente e no breve doce recém-surgido em sua boca. Era o grão dissolvendo-se lentamente, imiscuindo-se no coração & mente do peregrino.
Ao longe, casebres e contruções rústicas nasciam no aproximar-se. Paulo supôs que ninguém ali habitara nos últimos séculos, e considerou isso um bom augúrio. Talvez fosse o fim, pensou.
À frente da primeira construção, sua namorada esperava fincada no chão como uma estaca ancestral. Trazia um sorriso no rosto, o qual trouxe a paulo um sopro de horror. A areia desaparecera sob sua língua e nenhum gosto sobrara. Estavam sozinhos, como antes, e sempre.
genérico incolor
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Jan
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6.9.03
Por que a coisa que meu cachorro mais gosta no mundo é alface?
Por que ninguém acredita quando eu digo que vi uma lagartixa vomitando?
Por que ta' todo mundo falando da bunda seca do Gerald Thomas, quando a do Gianecchini merece uma reverencia?
Por que o mundo gira e a Lusitana roda?
Por que nao existe na natureza nada de comer de cor azul?
Por que meu marido escondeu o fio do computador e eu fiquei 3 dias sem postar?
Por que? Por que? Por que?
Ladrao no povoado:
Assaltaram a agencia do Banco Europeu aqui do bairro com a faquinha de cortar papel (de novo). A agencia de Varese foi assaltada também uns 15 dias atras, so' que dessa vez o ladrao entrou e disse: "Estou armado! Passem a grana aqui pra' esse saco!". A arma ninguém viu, mas a mulher que esbarrou nele na saida falou pra policia que ele tava rindo e tinha uns dentes lindos.
Vantagens de morar no brejo.
Dificil de engolir:
Eu sempre gostei muito de ler e, muitas vezes, fui taxada de CDF por causa dessa minha mania. Sabe aquela garotinha magricela com oculos fundo de garrafa que nao pode ver nada escrito? Eu, eu, eu. Aprendi a ler antes de ir para o jardim de infancia e devorava tudo que me passava pelas maos: da receita de purgante às revistas velhas do dentista e, quando tava na rua e nao tinha nada pra' ler, lia os out-doors a voz alta, no onibus, até levar um tapa pela encheçao de saco. Aos 7 anos, minha mae comprou, à prestaçao, uma coleçao de livros que continham fabulas chinesas e até hoje eu lembro que ficava cheirando as paginas novinhas antes de passar a noite acordada lendo aquela maravilha (hoje eu prefiro cheirar dinheiro, novinho em folha. Quem nao gosta?). Pensando bem, eram contos assustadores com dragoes que engoliam criancinhas vivas e assassinios de massa muito bem ilustrados com desenhos explicitos, bem como chines gosta, coisa que minha mae certamente nao prestou atençao ou fez de proposito pra' me desestimular e parar de gastar dinheiro com oculos (a miopia avançava galopante).
Um dia, resolvi que tinha que ler a Biblia toda. Uma crise mistica me possuiu por inteiro e acreditava que ao chegar no Apocalipse, todos poderiam ver a luz que emanava do meu ser e ninguém iria mais rir de mim na escola, aqueles desgraçados, que nao sabiam nem quem era o autor da Metamorfose.
"No principio criou Deus os céus e a terra" (Genesis 1-1). Como conseguiu? Porque ele fez isso? Ja comecei mal. Daih vieram as outras criaçoes inexplicaveis, a costela de Adao (?), a serpente e o fruto proibido. Ah, isso sim, foi a primeira grande interrogaçao. Comè que pode, comer um fruto e ficar logo com vergonha de estar nu' ? Porque depois de comer, o homem foi condenado a trabalhar pela eternidade e as mulheres a sentir dor ao parir? Mas o Senhor, depois de esbanjar fantasia criando o Universo, tinha que dar esses castigos tao sem pé nem cabeça a esses pobres desgraçados e aos seus descendentes? Mas a coisa mais sem nexo foi a invençao da maça como fruto proibido (a Biblia nao diz o nome da fruta). So' pode ter saido da cabeça de um europeu, um daqueles brancazedo e sexualmente xoxo, que via a maça como o apogeu do erotismo desenfreado. A fruta-simbolo dos hospitais em todo mundo nao PODE ser responsavel de todas as degraças da humanidade!
Depois de eliminar a jaca (muito incomoda e viscosa), o caju' (nodoa e cica) e o abacate (nao tinha açucar no Paraiso), decidi que o fruto proibido so' podia ser a manga. Nao tem nada mais sexy que chupar uma manga a dois. Eu propus pro meu marido outro dia; mas ele estragou tudo correndo na cozinha pra' pegar pratinho, garfo e faca. So' podia ser da familia do brancazedo...
Passei por cima das interrogaçoes e fui ler o que vinha depois. Quando começaram a contar dos descendentes de Caim, me adormeci e no dia seguinte ja' tinha desistido de ser uma 'iluminada'.
Pensando bem, hoje entendo onde é que a Baby Consuelo se inspirou pros nomes dos filhos dela!
Lido no Farona na neve
PS: voltei à ativa!
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Criss Ferrari
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6.9.03
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5.9.03
e se
se eu saísse na playboy, pediria pra vir me ver um fotógrafo desses bem ruivos. sempre achei que os ruivos chamam a atenção. eles, sim, me lembram velas. e esse meu fotógrafo ruivo poderia me dirigir como um cineasta, pra fazer do comum alguma cena antológica. pediria a ele que me deixasse de pé, pra parecer mais agressiva. os ombros adiantados, a anca evoluída, as pernas tesas, o olhar proponente. mas se ele me pedisse pra ficar de quatro, obedeceria sem timidez. imagine que ele veria coisas que eu mesma nunca vi direito. mas seria ele um ruivo, e mereceria. pediria a ele uma foto de perfil, à moda dos presidiários. que ficasse à beira de mim pra que eu lhe mostrasse meu bico de modelo sexy. fotografia de menina ladeada por almofadas. pufes embaixo da anca de metro e um centímetro. as pernas abertas pra mostrar os abismos. os cabelos soltos, pretos, sem tintas, escorrendo pelas espáduas, à maneira daquelas três ou quatro índias que se aproximaram das naus portuguesas. talvez o fotógrafo ruivo exclame 'das vergonhas saradinhas', e nem tão aparadinhas assim. ontem eu lia sobre hirsutismo num livro de ginecologia ambulatorial. e acho que sou 1 ou 2 na escala de Ferriman & Galleway.
estante de livros on-line
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Ratapulgo
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5.9.03
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4.9.03
uma súbita onda de vazio mental corrompeu a minha vontade de postar. mas as multidões que me reconhecem nas ruas, as cartas dos meus fãs e os comentários que a Bravo! fez do meu blog me incentivaram a continuar.
eu sempre ando pelo centro de curitiba, a cidade sorriso, e posso ser encontrado comendo coxinha e tomando café-com-leite num copo de isopor. esbanjo decadência glamourosa, usando um vestido de seda longo, com meus logos cabelos dourados voando ao vento e deixando marcas de batom em tudo.
decadance avec elegance. esse é meu lema.
glamour e adoçante
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Jan
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4.9.03
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Quando cheguei à cidade ganhei um mapa. Não era um reles mapa, era bonito, colorido, bem desenhado, convidativo ao passeio de meus dedos. Conheci a cidade através daquele desenho, fiz inúmeros passeios com meus olhos por ruas que meus pés jamais alcançaram. Não sei como descrever o prazer de caminhar com os dedos e com os olhos. É como o amor que se faz sobre a pele de uma pessoa. Carícias dos dedos sobre os pêlos e poros. Assim conheci a cidade como uma amante que aos poucos desvenda o objeto de sua paixão. Quando me desfiz do mapa, não foi por falta de amor ou zelo à pele da cidade. Foi porque compreendi que amores que só podem ser percorridos com dedos sobre o papel causam dores maiores. Prometi àquelas ruas que as amaria para sempre. E amo. Não preciso do papel para o caminho de meus dedos, tenho o sol daquelas manhãs dentro de meus olhos. Não, nunca jogo fora meus amores. No entanto, é preciso que me sejam leves como deve ser a bagagem de quem caminha. Tenho um mapa ainda, um que me cabe no espaço da memória. Não pesa nem dói. Faz-me sorrisos.
O mapa da walkwoman
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Jan
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4.9.03
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E lá no Morro, tinha uma vizinha velhinha, que era viúva e tinha um cachorro vira-latas, para guardar a casa e espantar os ladrões que por acaso quisessem roubar a dentadura da velha.
Esse cachorro se chamava Tobi e o quintal dele ficava na direção da janela do meu quarto. Então quando ele latia, eu escutava primeiro. E pode acreditar, ele latia bastante. Mas o que eu queria? Que ele miasse?
Tinha também um velhinho que era apaixonado pela velhinha (ou pela aposentadoria dela, não sei). O fato é que ele até a pediu em casamento, mas ela não aceitou. Pois é, a moçada se matando para arrumar alguém e a velha consegue assim um pretendente, sem fazer força. Mesmo tomando um fora, um pé na bunda, o velhinho ficou amigo e andava fazendo pequenos serviços pra ela, compras, limpar o quintal e lavar o cachorro, que as pernas dela já não ajudavam - ela estava meio estragadinha.
Pois é, todo domingo, lá pelas 8 da manhã, ele ia lavar o Tobi. A velha ficava na janela da cozinha, inspecionando e dando as ordens, em voz alta:
"- Cuidado para não molhar as orelhas dele! Senão dá dor de ouvido... Esfrega as costas dele! Agora a barriga e as patas!" E por aí vai.
Até que um dia, eu acordo com as instruções:
" - ESFREGA A BUNDA DELE! PASSA SABÃO NO RABO DELE!!"
Afe! E assim foi inventado o primeiro cachorro que peidava bolhas de sabão.
Uia!
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Jan
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4.9.03
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- Ih, ó lá, a teacher também não tem anel!
Foi o que eu ouvi de uma aluna frustrada terça-feira, enquanto copiava matéria no quadro. Ela, como eu, não tinha anel de compromisso - ao contrário das experientes amigas delas de 15 anos, que exibiam orgulhosamente a coleira de dedo. Como eu sou uma pessoa palhaça e desencanada com essas coisas (tanto que estou postando no blog), imediatamente dei uma de mocinha de novela mexicana e desandei a chorar: "Por que?? Qual o problema d'eu não ter um namorado?? É crime agora??".
As meninas ficaram assustadas com a mudança de personalidade, mas aposto que não vão mais meter o bedelho na minha vida amorosa. Mesmo porque esse negócio de anel de compromisso é tão brega... Sem despeito, falando sério. O efeito oposto ocorre com muito mais freqüência do que o esperado. Um ímã de chifre, por assim dizer. Os Stones deviam mudar a canção prá "you can always get what you want".
E tenho dito.
me Jane you Tarzan sem anel
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Jan
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4.9.03
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oficina de carro é um lugar curioso. eu por exemplo não entendo picas sobre carro. sei como ligar, dirijo mais ou menos, e sei também como destravar a tampinha da gasolina. e só. é por isso que sempre que eu vou a uma oficina-- sinto como se estivesse em outro país. não-- em outra galáxia. não entendo uma caralha que os caras falam. é como se existisse uma língua oficial das oficinas: o oficinês. dia desses o farol direito do meu carro faleceu. apagou. então lá fui eu até a oficina numa bela manhã de sábado. o sujeito olhou meu carro, abriu o capô. fechou o capô. abriu o capô e fechou. ligou o carro e desligou. diagnóstico: "regulador de voltagem moderada da rotatória do motor de partida". caráio. se ele falasse a mesma coisa de trás para frente faria o mesmo sentido. é por isso que eu me cago de ir em oficina. o fila da puta pode falar qualquer coisa. qualquer. "hmmmm...teremos que trocar o carro inteiro por um novo. vamos manter somente o banco do carona e o retrovisor." o que é que eu vou falar? vou argumentar que o cabo da embreagem na verdade está em ótimas condições? não dá. oficina é foda. as vezes tenho vontade de passar uma mão de graxa na cara--e dois dedos de óleo 4 tempos no cabelo antes de ir. sei lá. só pra chegar lá com uma cara de que entende. com uma cara de quem vive fuçando o motor. ou melhor. tenho vontade de responder na mesma língua que os caras. no oficinês. ex.: o mecânico me diz o problema do carro: "bem, o problema do seu carro está no capacitador de frenagem da 3º marcha! 793 reais mais a mão de obra!" aí eu responderia no meu oficinês improvisado:: "tudo bem então! eu vou efetuar esse pagamento com base na aceleração do regulador de injeção financeira que regula a minha conta bancária. belê?"
post poliglota do caráio!
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Jan
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4.9.03
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Penso em tudo que me deste, olho para o que te tornaste e duvido da tua identidade. A cidade se estende diante de meus pés como se por ela tu nunca tivesses passado. Ela não te sabe. E quanto a mim? Eu ainda te sei? Também as ruas que nos viram passar estranham tua presença constrangida. Teus sapatos não bastam para que teus passos sejam os mesmos. Os ipês negam chuva lilás sobre a tua cabeça e os pássaros no fio de luz te ignoram solenemente. Desaprendeste a língua que inventamos, um idioma de ésses e arabescos. O fio da nossa vida enroscou-se numa impossibilidade e a urdidura vai se desfazendo ponto por ponto, por ponto, por ponto até que reste um emaranhado de lembranças desconexas, disléxicas, flácidas, que no fim não é nada, até que perca-se o começo da meada e não reste resto de quem queira resgatá-la. A cidade também a mim, no fim, não reconhece e vejo que talvez nos tenhamos perdido de mãos dadas.
não discuto
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Ratapulgo
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4.9.03
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Lei de Murphy no. 168: Sua empregada é a Virgem Maria
Minha empregada é gaga, gorda e velha. Ela fez uma revelação bombástica pra minha mãe, que não perdeu tempo em me contar:
- Rafael, a empregada disse que tá grávida.
- Como assim grávida? Ela não tem 50 anos?
- Aparentemente não...
- De quantos meses?
- Sete.
- Sete?! Mas por que ela só disse isso agora?
- Porque ela só descobriu agora.
- Como assim ela "descobriu" que está no 7o. mês de gravidez? Tem certeza que não é uma tênia?
- Não, ela diz que sente mexer...
- Então! É o verme se acomodando! Ela não pode estar grávida!
- Ela jura que não deitou com ninguém...
- Ok. Nós temos então uma empregada na 3a. idade que está gerando uma tênia filha do Espírito Santo...
É por isso que quando eu digo que sou pára-raio de malucos ninguém acredita...
leis de murphy
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Ratapulgo
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4.9.03
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Desculpem, pessoal, confessei tudo. Entreguei. Todos. Não sobrou um nome que eu não tenha dito. Entreguei até gente que nem fazia parte da organização. Eles virão atrás de vocês, é só uma questão de tempo. Me perdoem, não pude evitar, foi mais forte do que eu. Eu só queria que aquilo parasse. Apenas fujam. Fujam e tentem entender, vocês não sabem o que é aquilo.
É. Dentista ontem.
a caverna da ogra
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Ratapulgo
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4.9.03
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3.9.03
Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil.
Depois, passou a ser tolerado; hoje é aceito como coisa normal.
Eu vou me embora, antes que se torne obrigatório!
a banda do zé pretinho
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Jan
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3.9.03
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Desesperem-se os banguelas, os barrigudos, os de orelhas enormes.
As louras, os mancos, os de dicção atrapalhada.
Os que dobram o polegar pra trás, os que não usam meias, os míopes.
A verdade é que estão, todos, predestinados.
A quê exatamente, não sei. Mas estão.
Penso, por exemplo, que todas as pessoas cujos umbigos se projetam pra fora, como verrugas famintas, devam gostar de torta alemã.
Ou que, numa lógica oposta, todas as pessoas que ganham na loteria devam ter a cabeça chata, as pernas finas e caspa, muita caspa, como o João Alves.
No alto da ladeira da rua Congonhas tem um prédio cuja zeladora é a dona afortunada da maior bunda do mundo. Estou certo de que algo muito significativo há de acontecê-la, cedo ou tarde.
A propósito, lendo o livro de memórias do Nelson Rodrigues - A menina sem estrela - achei o seguinte trecho:
“(...) A cara do marido pode influir no adultério. A cara, ou a obesidade, ou as pernas curtas, ou a papada, ou a salivação muito intensa. Lembro-me de uma senhora que traía o marido. Quando lhe perguntaram por que, ela alçou fronte e respondeu, crispada de ressentimento: - ‘Porque ele sua nas mãos’. Uma outra era infiel porque descobriu apenas o seguinte: - o marido tinha saliva ácida.”
Não sou, pois, o único a notar que a cada característica corporal, conforma-se uma parcela ínfima de destino.
A moça da maior bunda do mundo, veja você, lava a calçada às dez pras nove da manhã, todo santo dia.
Passe lá e poderá vê-la, esplendorosa, com um par marrom de havaianas a calçar-lhe os pés pintados.
Garanto, ainda, que estará metida numa calça de listras verticais azuis.
Até que ponto as dimensões pantagruélicas do seu traseiro influíram na escolha da calça, eu realmente não sei, mas que influíram, influíram.
Influíram e vão continuar a influir em várias outras coisas, inclusive na morte da zeladora.
A dona afortunada da maior bunda do mundo não morrerá de câncer ou num acidente de carro na 262.
Engasgará com a castanha de caju de um sorvete de fim-de-semana.
Ou será atropelada por um avestruz no cio.
Outras mortes seriam muito, muito indignas de suas formas.
Ontem à noite, matei uma formiga.
De tão amarela, resolvi afogá-la.
Morreu fosca, derretida sob o chuveiro quente.
Assassinato no escrotório
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Jan
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3.9.03
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Muito, tanto, demais, sobre, over, mega, hiper, além, excessivo, tudo. Tão, mas tão melhor se fosse mínimo, sub, pequeno, pouco, menos, lacuna, low profile... Por que esta sobre-medida? O que há de errado com os espaços, com os vazios, com as faltas, com os silêncios? Pra que encher tudo quando se sabe que o tudo é oco?
A música também é feita de pausas. Donde, conclua você, dançar conforme a música pode significar permanecer parado. Observando, assistindo. Dos bastidores ou da última fila. Poder circular anônimo, incógnito e, por que não, incólume. Que mal há em vestir a capa da invisibilidade? Aprender a ser voyeur, ter o controle remoto nas mãos. Escolher a programação e não se contentar apenas com os relatos ou reprises.
Não há de ser tarefa impossível. A caverna é segura, quente e escura. E faz eco, sem dúvida a melhor companhia para momentos hibernais.
ói nóis aqui traveiz
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Jan
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3.9.03
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Os gatos e as orquídeas
Se você ama de verdade, não precisa. Não depende. Não necessita. Se você ama de verdade, é como os gatos ou as orquídeas - existe, e na sua existência você tem o poder de amar e ser amado. Se você ama de verdade, não há distância física, tempo, momento, circusntância que apague ou manche o seu sentimento.
É claro que não me refiro ao amor romântico. Esse depende do contato físico, do tesão, do estar junto. Estou tentando me referir a um tipo de sentimento muito especial e profundo que une pessoas, independente do sexo. Um tipo de identidade de almas, de profundidade de espírito, que faz com que você saiba, de longe, o que alguém está pensando ou sentindo.
Assim são os gatos - que mesmo quando estão presentes, não clamam por atenção ou amor. E assim são as orquídeas, que simplesmente florescem, sem pedir nada em troca. Nem água.
ficam elasporelas
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Ratapulgo
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3.9.03
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Reincidente
Bem... Estou novamente entrando em crise depressiva.. Não precisa se assustar não.. Minha fase autodestrutiva já passo... Já quis suicidar 3 vezes mas não levei a cabo nenhuma vez.. E por aí vai..
Acontece que anualmente, entre os meses de julho e agosto tenho uma crise depressiva... Desta vez ela chegou um pouco tarde...
Passou julho e agosto todo querendo tomar meu ser mas só agora estou sentido-a por completo.
Antigamente eu pensava que era por mulher. Coisa de adolecente sabe? Daqueles que tem amores platonicos e ficam se lamuriando e ouvindo Creep (Radio Head, muito boa, mas foda total)...
Acontece que por exemplo no ano passado, eu estava muito bem quando neste período comecei a ficar mal... E passei o mês todo assim... Tudo bem que eu estar me despedindo de uma amiga que viajou pra Europa por um ano e eu senti muito a falta dela (que aliás ela já chegou, ainda bem! ;) )..Mas mesmo assim.. Sei não...
Alias, antes que as pessoas fiquem dizendo "ah seu boboca, isso é pq você não tem preocupações na vida e fica inventando merda" (acreditem um amigão meu já chegou dizendo isso)... Não que seja crise depressiva ao pé da letra... Apenas sofro de tristeza excessiva em determinados períodos... Não sei se é algo clínico pois nunca consultei psicologo nem psiquiatra (sempre achei estranho esta relação)... Sei não... É algo que eu sinto que é muitíssimo ruim... Vontades de chorar sem motivo aparente... Costumo chamar de crise depressiva... Apelido carinhoso que dei a isso que eu sinto... ;P
E agora, novamente, estou me sentindo mal... Uma solidão interna... Sozinho rodeado de pessoas que me amam.... Chego a me sentir mal por me sentir mal com isso... Pois estão todos ao meu redor, querendo o melhor pra mim mas mesmo assim me sinto só.
sozinho na multidão
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Ratapulgo
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3.9.03
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2.9.03
O dia vai ao meio. Esqueci-me das palavras que acordaram comigo e não anotei. Era algo sobre uma xícara de chá, vazia, debruçada sobre um pires. Sem a poesia armada na mente descansada na calma madrugada, salvei imagens: uma xícara no pires, um zero e uma divisa, marco entre dois pontos. Era como me sentia. Aspirei a piscina, desinfetei-a, aparei algumas plantas ornamentais e o dia madurou. Enterrei a moleza na sesta de há pouco, os cães estão calmos, talvez pelo frio que sentimos. Na varanda, agasalhado, resta-me a visão de pálida natureza, o ruído do vento leve abanando as folhas dos coqueiros e os zumbidos de algumas vespas nas flores das tumbérgias. Mais além, a serra quase desaparecida, mergulhada na neblina. Tentei ler. O pensamento é dispersivo. Quando me dei conta, os dedos marcavam as páginas no livro fechado. Não tenho obrigações, nem fome, sede alguma, amigo nenhum, espero a noite chegar e talvez continuar me sentindo leve e solto como uma xícara largada sobre seu píres.
serviço de chá em Longos Dias Belas Noites
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Ticcia
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2.9.03
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A cidade
Parece que posso ouvir aquele antigo samba Trem das onze. É frio em São Paulo, na velha São Paulo da Garoa , só não acho q ela é Terra Boa . Pelas calçadas da Paulista caminho lentamente, ao contrário da multidão que corre, de um lado pro outro em vários sentidos, totalmente sem sentido.
As pessoas disputam lugar com os camelôs vendendo quinquilharias do Paraguai, ou CDs piratas. Mais na frente chineses preparam um Yakissoba para judeus com trancinhas em suas barbas. Uma garota de cabelo cor de rosa espera em frente a algum banco seu namorado vestido com terno e gravata.
Atravesso a rua e vejo uma exposição com quadros do Dali que apenas as moscas observam, um homem chora, uma mulher grita ao telefone, um casal se beija sem perceber q o mundo não está em câmera lenta como eles pensam estar. Um homem ameaça se jogar de cima do Conjunto Nacional, os bombeiros esperam embaixo, e ele só joga uma meia suja, como se estivesse fazendo strip-tease.
A garoa continua e a música Trem das onze parece estar querendo me ensurdecer, minha roupa já está molhada, atravesso a rua correndo por que o sinal de pedestres vai fechar, fico presa no canteiro central. A chuva me encharca, a música me ensurdece, a única coisa que me restou foi a visão, que queria não ter para não ser a única a perceber que na esquina da Augusta um louco, arranca com ferocidade seus cabelos. Metade da cabeça está em carne viva, não tem sangue, apenas uma carne crua, recém descoberta, pulsando na freqüência da loucura da cidade.
Tenho vontade de vomitar por ver tantas pessoas indiferentes ao que acontece ao seu lado, bitoladas em seu umbigo, reclamando que suas vidas estão cheias demais por serem vazias demais.
esquinas Traquinas!
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Ratapulgo
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2.9.03
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Vingança...
Recebi um SPAM de venda de perfumes importados "genéricos". Entrei no site e preenchi um formulário de contato. No campo "Mensagem", coloquei o seguinte: Odeio perfumes genéricos!. Dei um Ctrl+C nessa mensagem. No mesmo campo, segurei CTRL+V e fui comer minhas pipocas doces que estavam ao lado do monitor. Após a mensagem ser colada umas 20 mil vezes, totalizando cerca de 4,2 megas de texto, cliquei em enviar. Voltei. Cliquei em enviar de novo. Voltei de novo. Cliquei mais uma vez em enviar. Reproduzi essa operação até o final do expediente. Esse vai ficar algumas horas baixando os e-mails em casa...
entupido de cerveja
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Ratapulgo
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2.9.03
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Manifesto do Googlismo
Você sempre quis fazer poemas geniais, com sofisticadas, engraçadas e imprevisíveis associações de imagens... mas tem menos imaginação do que um blogueiro em dia de chuva?
Seus problemas acabaram! Chegou Googlism.
É fácil! É rápido! É limpo! Você só precisa de uma única palavra! Veja só o poema brilhante que um idiota como eu pôde criar usando essa milagrosa ferramenta:
JUST SAY CU.
Cu is not a church as such,
cu is family friendly,
cu is meant to be fun,
cu is mostly laughter.
But cu is wrong,
cu is changing in,
cu is in black
: cu is icon.
And cu is not affiliated with any particular religious group too
cu is also a technologically relevant combination of materials
Is cu be
-coming
more ne
-gative?
IS CU A MICROPROCESSOR?
´Cause cu is that small device that adjusts the speed of your fan.
Cu is pretty
plain but I like that
it
has a lot of
information on
it
about what
it
can handle and
how loud
it
is:
- cu is essential for a wide variety of enzymatic activities
and biological processes, including
respiration.
.
.
Não sacou nada? O Google traduz para você...
APENAS DIGA CU.
O cu não é igreja como parece,
o cu é familiarmente amigável,
o cu significa divertimento,
o cu geralmente é riso.
Mas o cu é errado,
o cu está mudando por dentro,
o cu está preto:
o cu é ícone.
E o cu também não é filiado a nenhum grupo religioso em particular
é ainda uma combinação tecnologicamente relevante de materiais
o cu está-se
tornando
mais neg
-ativo?
O CU É UM MICROPROCESSADOR?
Porque o cu é um dispositivo pequeno que ajusta a velocidade de seu ventilador.
O cu
é bem liso
mas eu gosto que
o cu
tenha muita informação no
cu
sobre o que pode
o cu
manipular e
o quão
barulhento
o cu é:
- o cu é essencial para uma variedade larga de atividades enzimáticas
e processos biológicos, incluindo
a respiração.
.
.
Já prevejo para breve um espectro a rondar as revistas literárias: o espectro do Googlismo. Uni-vos.
onde o sol não brilha do faker fakir
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Ratapulgo
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2.9.03
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Confissões de um brontossauro
O destino parece que me adestrou para esse passo extravagante, de tartaruga ou brontossauro, imobilizando-me por sete anos numa cama, doente, desde o nascimento. Eu passava semanas, meses com febre, delirando. Era tanto tempo prostrado, arfando, que quando emergia das sombras e me sentava na beirada da cama, tinha de reaprender a andar. Achava duvidoso que minhas pernas obedecessem ao comando do cérebro e ficava ali, ensaiando mentalmente, incrédulo, até que elas começassem a se mover por si mesmas, restaurando minha confiança na realidade do mundo físico.
Como nunca tinha tido saúde para poder comparar com a doença, tudo me parecia inteiramente normal e eu nunca me impacientava com o estado de coisas. Ah, quanto vale a inocência! Um garoto saudável, que de repente se visse naquela situação, acrescentaria às dores e incomodidades o padecimento intolerável da revolta. Eu, que não imaginava de maneira alguma que o mundo pudesse ser melhor, me adaptava ao pior com a naturalidade de uma lagartixa plantada no teto, inconsciente de que desafia a gravidade.
Levei tanta injeção de benzetacil que, passado meio século, minha bunda ainda dói. Mas na época as picadas ardisíssimas eram rotina banal. Eu presumia que todo mundo tomava toneladas de benzetacil, e me curvava, dócil, ao que pensava ser o destino comum da espécie humana. Minha mãe conta que eu era de um bom-humor surpreendente. Quando não estava tossindo ou delirando, estava rindo.
Depois, quando repentinamente tudo passou e saí para o mundo, ele era tão feio, tedioso e miserável que aí sim comecei a me sentir doente. A reserva de sonhos e imagens acumulada ao longo de anos de torpor físico revelou, então, sua utilidade. Com grande facilidade eu me isolava interiormente do cenário em torno, fugindo para um universo mais interessante, de minha própria invenção. Mas não era do tipo avoado. Desenvolvi uma habilidade incrível de fazer uma coisa pensando em outra, de manter uma ligação mínima com o ambiente para que ninguém percebesse que eu não estava ali. Na escola, simulava atenção com um centésimo do cérebro, enquanto os noventa e nove por cento restantes ficavam pensando em coisas lindas. A coisa mais linda da galáxia era o rosto de minha prima Maria Luísa, para o qual fugia quando a chatice em torno se tornava insuportável. Não era bem uma paixão (Maria Luísa já era moça quando eu usava fraldas): era uma contemplação extática sem desejo, uma delícia sem fim que se bastava a si mesma e poderia prosseguir pela eternidade. Mas Maria Luíza não era o meu único refúgio. Cheguei a ter longas conversas com as pessoas mais chatas do universo, fingindo eficazmente um interesse que as lisonjeava, enquanto por dentro fantasiava as criações mais extraordinárias, enredos inteiros repletos de aventuras, cavaleiros, princesas, castelos e dragões.
olavo de carvalho é muito gente, gente
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Ratapulgo
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2.9.03
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1.9.03
O curso de farmácia dos meus sonhos teria tantos meninos quanto meninas. Existiriam cotas de vagas reservadas para meninos. Todos os professores sempre compreenderiam os alunos.
E quando algum estudante de Farmácia vestido de branco estivesse na cantina, os professores de Odontologia não o cumprimentaria por achar que cursa Odonto só por estar de branco.
A universidade contrataria um sistema de transporte de Táxis para os acadêmicos. Nunca mais, aluno algum precisaria correr afobadamente pelas calçadas atrás do ônibus. Nenhum aluno perderia aula por perder o ônibus por dois minutos de atraso. Ninguém mais precisaria em um ato de desespero recorrer ao Paraíso, percorrer grandes distâncias andando até o Bloco M para assistir aula. E nunca mais, nunca mais aconteceria de avistar o ônibus saindo do ponto quando você coloca os pés na porta de saída do bloco (justamente nos horários que eles mais demoram pra chegar...).
Nos churrascos tocariam outros estilos de música além de pagode e axé. E nem todos saberiam as coreografias das últimas músicas do carnaval. E nenhuma pessoa bêbada choraria sem motivo no fim do churrasco.
Os horários de aula teriam menos janelas. Os professores avisariam com um dia de antecedência quando não fossem dar aulas. E as cantinas seriam em locais cobertos para ninguém precisar ficar na fila em dias de chuva. Os almoços no RU seriam servidos em pratos e talheres seriam fornecidos. Assim evitaria de alguém ser barrado no detector de metais do banco por portar talheres dentro da bolsa do curso.
O farmacêutico seria visto como um profissional da saúde e não apenas um vendedor, algo que qualquer pessoa pode ser. E todos respeitariam e valorizariam a profissão.
Ninguém nos chamaria de médicos ou dentistas frustrados. E o mais importante: entenderiam que não somos médicos, nem curandeiros! E não haveria mais comentários do tipo:
“- Você estuda farmácia? Ah!! Ultimamente eu estou sentindo muitas dores no peito e apareceram umas manchas estranhas no braço.. veja!! E então, qual remédio você aconselha?”.
(principalmente quando somos calouros).
E por fim, farmacêuticos teriam empregos garantidos com bons salários ao se formar. R$ 1.200,00 seria realmente o piso salarial, não o teto.
Encantos e desencantos de uma bolha de sabão
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Jan
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COMO VENCER PELA BELEZA
A beleza ganha importância cada vez maior em nossa sociedade. Um corpo perfeito tem muito mais chances de acumular fortunas que um cérebro bem treinado. Se você é bonito ou bonita, já é um ótimo passo. Mas isso só não basta: vai precisar de certas atitudes para chegar lá.
Em primeiro lugar, não tente ser inteligente. Você já é belo, mais uma qualidade vai confundir a cabeça das pessoas. Como elas vão te encarar: linda ou inteligente, gato ou CDF? Portanto, esqueça os livros, o cinema e as exposiçõies de arte. Lembre-se que todo produto tem seu nicho de mercado. Ou é saudável ou é gorduroso. Ou é descanso ou é trabalho. Ou é axé ou é música.
Seu patrimônio é seu corpo. Invista nele. Passe horas do seu dia na academia. Além de manter a forma, vai te manter afastado dos livros, do cinema e das exposições de arte. Além disso, treine sua postura. Um corpo magnífico como o seu andar desengonçado por aí é tão desastroso quanto uma Ferrari nas mãos do Rubinho.
Custe o que custar, mantenha a boca fechada. Sua boca só serve para duas coisas: comer e falar. Uma engorda, a outra dá vexame. Considere a possibilidade de costurar seu lábio superior ao inferior. Caso não possa, evite a tentação de soltar seus pensamentos em forma de palavras. Falar é para os feios, que não têm outra forma de chamar a atenção. Espelhe-se no Chaplin: ele fez fortunas e ganhou o mundo sem pronunciar uma palavra. Nos poucos filmes em que falou, não fez o mesmo sucesso.
Nas poucas vezes em que tiver que falar, procure ser agradável com seu interlocutor. Uma pessoa feia ser grosseira, a gente entende. A coitada deve ser revoltada com sua condição física. Mas uma pessoa linda como você sendo grosseira, na hora vira insuportável, metida e vaca. Se der para elogiar, elogie.
Mas cuidado, evite dizer que alguém é bonito. Vindo de você, soaria falso. Use adjetivos mais abstratos como charmoso, simpático ou seguro de si. Se não tiver nada para elogiar, diga que a pessoa deve ter sido um grande imperador em uma outra vida. Sempre funciona, ainda mais se você fizer uma cara compenetrada enquanto diz.
Nuncas desanime. Enquanto você não chegar ao sucesso, mentalize coisas boas. Tenha força de vontade e pensamento positivo. Não porque isso funciona. Mas é um bom exercício para evitar que seu cérebro morra por inanição. E nunca desista, corra atrás de seus objetivos. Se seu objetivo é um carro importado, tanto melhor: vai ajudar você a manter a forma.
Acostume-se com palavras de baixo calão. Elas são seus elogios. Não se zangue em ouvir gritos obcenos, como gostosa ou tesão. Um pianista não se ofende com aplausos. Um médico não recusa a recomendação de seus clientes.Você escolheu o seu caminho, seu reconhecimento maior é o palavrão. Quanto mais chulo, mais gratificante.
E não se esqueça: ande sempre com pessoas feias. Não é só pelo contraste que vai exaltar sua beleza. Isso também. Mas é que alguém precisa ajudar você a ler as placas nas ruas, conferir o troco do taxista e evitar que os empresários enganem você por aí.
Dicas certeiras do auto-ajuda cinica
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Fatos
Fato 1: O parto aconteceu, e após meses de economia e investigações, comprei minha câmera digital. Como bom engenheiro, investi numa que achei o melhor custo-beneficio.
Fato 2: Essa alegria que o capitalismo selvagem dá ao pequeno burguês quando este trabalha muito, economiza e investe seu rico dinheiro numa bobagem qualquer é uma sensação ainda deveras estranha. Me vejo aos cinquenta anos, pai de família, reclamando do preço do combustível, mas votando no Marco Marciel que, não tenho dúvidas, estará vivo, forte e magro. (favor avisar se ainda tenho cura...)
Fato 3: Sim, sim, Viva la revolucion!!! Agora, onde está a minha câmera pra eu tirar uma foto desse momento histórico? Almoço depois no Mc Donald’s para comemorar? Sem dúvida...
Dito e contradito pelo zazoeira
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Era um quarto realmente agradável. Daqueles em que se contam muitas histórias. Arejado, limpo, espaçoso – como parte do mundo que era, escolhi-o entre tantos outros que havia no hospital. ( Tive muita sorte em poder escolher.) Pensei que, ao se aposentar, bastariam a qualquer um este quarto e um piano, a felicidade poderia ficar para depois. Para mim a felicidade morava sempre na sala, eu poderia dar nela a qualquer momento. Mas ali, eu só contava com um quarto, a cordialidade de uns poucos amigos e umas idéias que me faziam lembrar de mamãe. Ao pensar nela, associei a papai, como dois pratinhos sujos aguardando na pia enquanto me ocupo em lavar os copos. Emagreço um pouco a cada dia, mas sinto-me forte ainda, o que significa um belo final de manhã. Ouço dizer que estou doente, embora não exatamente. E assim a doença permanece ininteligível. Pouco converso com as enfermeiras, sinto-me aliviada quando esquecem do meu nome ao trocarem os lençóis de tempos em tempos. De qualquer maneira, o esquecimento é uma virtude em ambientes de hospital. O fim da vida sempre chega para o paciente do 201, não para você. O que nos dá outra oportunidade. O relógio passa a assinalar as horas provisoriamente, compondo seus dias provisórios em que eu ia morrendo com facilidade. E assim morrer me pareceu mais fácil do que mudar de opinião. Morrer é fácil, ainda que imperfeito. Viver é interessante, ainda que limitado. A diferença está na espessura da linha que une uma coisa à outra. E um pouco de imaginação e menos aritmética. Gostaria de parecer espirituosa agora, vou precisar disso, sem ironia. Sei que já não consigo mover os olhos, só o olhar. Sinto-me calma e auto-sugestiva. Não penso no passado ou no presente. Meu corpo me aborrece às vezes porque existe, mas não sinto cansaço físico. É uma obra-prima saber esperar quando o espírito passa a ter pressa. E uma pressa que desconheço pois tampouco conheço o espírito. Ouço passos no 202, mas o ruído se decompõe gradualmente. Minhas sensações se espreguiçam e começo a amolecer. Dentro de poucas horas meu organismo fará uma pausa, não tenho por que me preocupar. Estou tão bem quanto antes. As luzes parecem estar se apagando ou foi a manhã que deu por encerrado o seu ofício? Estou cada vez mais certa de que aguardo um futuro e coloco nele toda a minha impetuosidade. Não retornarei a nada que não pertença a este momento. E é sem me despedir dele que atravesso o silêncio que finalmente toma conta de tudo.
Parula em surto de prosa caótica
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Ratapulgo
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Wild Horses
Numa das costumeiras madrugadas geladas da cidade, das quais nem as puteens da vida resistem nas esquinas, eu retornava ao lar em meio à rotina minha de sempre. Tudo absurda e absolutamente normal/igual. Até que eles surgiram: cinco cavalos e seus respectivos donos, saídos de uma maloca qualquer, rasgando a neblina e invadindo a pista bem à minha frente.
Não eram alazões fogosos; apenas pangarés movidos à berne. Tampouco grandes jóqueis; só pobres e pequenos adultos cuja fome de sobra presente no dia-a-dia devia ser saciada pela fome de vida mostrada à noite. Verdadeiras crianças do apocalipse, que sabedeus se terão a chance de um dia se tornarem caval(h)eiros. Sei lá. Só sei que foi quase uma cena de ficção. Uma tela surreal, que só se revelou verdade porque um deles deu com a mão pra mim, antes de se embrenhar novamente pra onde eu não poderia mais acompanhar.
Isso é tudo, mas isso tudo não é nada. Tudo mesmo é o que os meus cúmplices Mick Jagger, Keith Richards, Mick Taylor, Bill Wyman e Charlie Watts, naquele exato instante, deixavam escapar pelo dial da 96 FM:
"Wild horses couldn't drag me away/ Wild, wild horses, we'll ride them some day..."
Juro por Deus.
MegaZona
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Ratapulgo
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