Coisas que voce pode ver na Nova Zelandia:
Carros com volantes do lado direito.
No minimo dois caixas eletronico por quadra.
Muitos chineses.
Carros estranhos ao extremo.
Lixos com cinzeiros.
Ruas com "farol" para pedestres (acompanhado de um aviso sonoro), e as ruas que nao contam com "farol para pedetres" contam com a faixa de pedestres igual a Brasileira, mas aqui vc poe o peh na rua e o transito para.
Comidas ultra apimentadas e acompanhadas de abobora.
Muitas comidas enlatadas (macarrao,feijao,verduras...)
O frio, intenso, acompanhado de um vento muito forte.
Cemiterio, totalmente sinistro.
Muitas velas.
Ah muitos chineses (sao tantos que tenho que colocar de novo).
Muita propaganda de rugbi (o futebol deles)
Cigarros a 12 dolares o box. =/
Ponto de onibus com aviso eletronico de horario.
Muitas casas de massagem, cassinos, e cabares.
Sucos com 50 frutas misturadas, que formam cores e sabores horriveis.
Algumas ruas com tres maos para os carros.
Um dolar uma maca.
Pessoas educadas(nem todas).
Lindas paisagens.
Um pais de primeiro mundo, isso vc vera.
Por hora acho que soh.
Coisas que vc nao vera na Nova Zelandia:
Cachorro nas ruas(nao vi nenhum ainda)
Sujeira dos cachorros muito menos, nem sinal.
Namorados se beijando.
Acidentes de transito.
Policia.
Muita gente correndo no frio. com roupas que praticamente escondem o sexo e nada mais.
Preconceito.
Pessoas brigando.
Pessoas consumindo bebidas alcoolicas na rua (e proibido).
Comercio paralelo.
ah que me lembre soh...
Mas ainda assim vc vera muitos chineses.
Desculpe se tiver alguns erros de portugues e falta de acentuacao, aqui eh diferente o teclado.
Marcus in New Zealand
27.7.04
26.7.04
Cursos e palestras
Estava organizando uns cursos para empregadas domésticas.
Comecei aqui em casa com uma turma de 5 prendas . No final do curso elas ganharão um certificado de doméstica GOLD. Se você encontrar alguma que precise dos seguintes cursos, é só mandar pra cá.
Cursos & Palestras:
- Como ir à padaria e trazer o troco corretamente.
- A diferença entre Toalha de Mesa e Lençol (módulo avançado)
- Como arrumar a casa sem mudar os móveis do lugar.
- Aprenda lavar roupa sem quebrar a máquina de lavar ( Módulo Basic, Plus e advanced)
- Pano de prato não é uma toalha descartável.
* Curso seguido da palestra:
- O mito do eterno retorno do pano de prato para sua gaveta.
- Água sanitária na roupa colorida dos outros, não é refresco.
- Aprenda lavar copo de liquidificador sem quebrá-lo.
- Aprendendo economizar na conta telefônica.
* Curso seguido da palestra:
- Maranhão não fica no Estado de São Paulo!
- Palestra: Meias Gêmeas ou Toda meia tem seu par!
- Como evitar a fuga da lata de óleo, do arroz e do feijão.
- Como diferenciar cueca de calcinha.
- Palestra: Nem só de pó vive um móvel.
Bom. esses são os cursos e palestras ministrados por mim de segunda a sexta. Por ter módulos avançados, tem a duração de 6 meses com prova final para o recebimento do certificado. Se você estiver passando por um desses problemas com sua empregada, invista nesse curso, porque empregada é tudo igual, só muda de vassoura.
contactar Casos & Acasos no horário comercial
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Ratapulgo
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26.7.04
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25.7.04
A Estória do Mundo Segundo Brooke Shields: Parte 1
(publicado originalmente na Spam Zine, milhões de anos atrás)Não é raro nos perguntarmos sobre a origem de determinadas coisas. Queremos sempre saber de onde veio ou para onde vai, o que está fazendo aqui e cadê os seus "adecumentos". Assim, nada mais certo que mantermos um registro sobre os fatos e eventos que ocorreram em um período, geralmente puxando a sardinha para o nosso lado. Shakespeare já disse que a vida é algo cheio de som e fúria, significando nada, e um engraçadinho já completou que, além disso, "... é também dirigida pelo Sylvester Stallone". Seja como for, a história tem grande importância para a humanidade, pois conhecendo a história, os erros não se repetem. Claro que a popularidade do Maluf e a releição do FHC estão aí para nos contradizer, mas teoricamente a coisa funciona. Sendo assim, nada mais importante que um registro sério e correto de nosso passado.O Spam Zine, consciente de sua função social, publica a partir de agora sua breve história do mundo, de forma que, com uma simples consulta, o jovem de possa deixar de estudar para a prova de amanhã e repetir a série por ter sido vagabundo e acreditado na gente. Se quiser encardenar os capítulos, venderemos uma pasta com tres versões ao final da coleção: a) com a cara do Ricardo Sabbag fazendo beicinho atrás de um vidro, b) com a do Inagaki todo vestido de branco em uma tempestade de neve e enfrentando um urso polar, ou c) uma minha usando cuecas de bolinha e chinelos do Garfield, por apenas 20 'real', Quem não pagar receberá as três, impiedosamente.Capítulo 1: A Pré-Estória (é ESTÓRIA e não HISTÓRIA, mesmo, viu?)Cientistas de rigor e seriedade fazem estudos, medem a idade por carbono e examinam múmias na neve (junto com a múmia de um urso polar) para avaliar como foram os primeiros passos da humanidade. Como a gente não é sério e embolsou a verba, vamos fazer umas pequenas aproximações para justificar os investimentos que o Guilherme Fontes andou fazendo.Pois bem, alguns dizem que o homem descende de primatas, o que segundo "Planet of Apes Magazine" é um absurdo ofensivo. Na realidade, somos golfinhos que não deram certo e que nunca aprenderam a curtir a vida de verdade, o que explicaria por que nós paulistas somos farofeiros e por que aqueles seriados péssimos, FLIPPER e Homem do Fundo do Mar faziam sucesso até o início da década de oitenta, numa espécie de arquétipo marinho.De qualquer forma, saímos do mar, sem entender muito bem o que raios tínhamos ido fazer lá em primeiro lugar, e subimos nas árvores. Como não havia gilete descartável naquela época e depilação à cera quente dependia do fogo (ainda não descoberto), ficava fácil parecermos macacos.Uma outra teoria diz que a humanidade começou em Portugal, o que explicaria não só os pêlos, como também as canetas encontradas proximas de onde eram orelhas em algumas escavações.A vida era muito difícil, cheia de perigos como leões ameaçando roubar todo o fruto de sua caça, como uma espécie de imposto de renda natureba, mamutes atravancando o trânsito e dinossauros perseguindo todo mundo.Os dinossauros, como todos sabem, eram um perigo tremendo para os homens das cavernas. Eles eram tão perigosos que, apesar de extintos (ou "instintos" segundo a especialista em pensamento primitivo Luciana Chimenez, Gimenez, algo assim), continuavam perigosos. Outro perigo da época eram os vulcões em atividade, que sempre explodiam com os vales, como todos os filmes de hollywood nos ensinam tão bem. Segundo os mesmos filmes, os dinossauros eram de massinha ou lagartos atuais fantasiados.O Tacape era a moeda corrente. Em um restaurante, por exemplo, uma coxa de tiranossauro valia um tacape; asas de pterodátilos na manteiga, dois tacapes; sopa de tromba de mamute, 3 tacapes; acertar a garçonete com o tacape 4 vezes e levá-la semi-nua e desmaiadinha para sua aconchegante caverna... não tinha preço.O Rock começou nesta época, mas como faltavam bons letristas e as gravadoras estavam com um prazo de uns milhõesinhos de anos para entrega dos cd's, a coisa desandou. O barulho do rock era causado por alguns desabamentos de rocha e pedra, mas as pessoas saíam menos machucadas do que quando vão em shows com a polícia comparecendo.Era comum as pessoas sentarem-se à volta de fogueiras para contar e ouvir estórias. Era uma espécie de ancestral das novelas e muito pouca coisa mudou, com a diferença de que, pelo menos na época, os argumentos eram um pouco mais elaborados e originais.A descoberta da roda revolucionou a sociedade de então, pois permitia idas aos shopping centers, esmerilhar com as gatinhas e claro, quando sobrava um tempinho, carregar mais alimentos, madeira, etc. O fogo também foi uma invenção quente da época. Fazia o maior sucesso e agitava os embalos. Gerou a primeira piada (a piadinha do Tchu, que não sera contada aqui), mas em compensação, iluminava as cavernas à noite, mostrando a cara dos nossos tatara-tatara-tatara-avôs para as nossas tatara-tatara-tatara-avós, o que quase nos levou à extinção (ou "instinção", para vocês sabem quem), porque, convenhamos, eles eram feios de doer.Os primeiros animais foram domesticados e foram colocados para nos governar. A agricultura surgiu quando um ancestral cuspiu um caroço de laranja na terra úmida e percebeu que ali nascia, tempos depois, uma planta. Isso prova que além de espertos, nossos ancestrais, que os meus hábitos de etiqueta em reuniões e festas de 15 anos não podem ser tão errados assim.O homem fixou-se na terra e progrediu bastante. Aprendeu a usar seu cérebro para imaginar armadilhas e estratégias; suas mãos hábeis para construir lanças e armas; e, claro, pernas para sair correndo quando tudo aquilo desse errado. Além disso, ia usando de seus eficazes instintos (ou "extintos" para a mãe de filho de roqueiro do ano) para não se meter em roubadas muito grandes, como saraus de poesias neolíticas.É verdade que o homem primitivo era um pouco marginal, sempre pintando aquelas pichações em cavernas, um horror (espero que as apaguem um dia), mas acabou desenvolvendo, com o tempo a escrita. É aí que saímos da pré-estória para a estória, propriamente dita!Aguardem o Capítulo 2: As Primeiras Civilizações.
Curso de História nO Chinês Feliz
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Ticcia
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25.7.04
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24.7.04
O Gordão
Queria filmar Moby Dick com um gordão no lugar da baleia. Ia ser o filme a sério, só que com um gordão nadando pelado todo contente. E nem ia ser um gordão do tamanho do navio, ia ser um gordão de tamanho normal, nadando de costas.
O roteiro ia ser exatamente o mesmo, só que na hora que Stubb dissesse, “Você não pode escapar! Assopre e divida seu esguicho, ó baleia!”, ia dar pra ouvir o gordão dizendo baixinho, “Ah, pára com isso. Não estou tão gordo assim”. Depois ele apoiava os pés no casco para dar impulso e saía nadando de novo, todo contente, esguichando água pela boca como se fosse um chafariz enquanto Ahab estremece de ódio sublime.
Depois Ahab, com o arpão na mão, diz: “Olá, olá! De vossos extremos limites, precipitai-vos para cá, ó vós, audazes vagas de toda a minha vida passada, e passai por cima deste avolumado escarcéu da minha morte! Em direção a ti eu rolo, a ti, baleia, que tudo destróis mas que nada conquistas!” Talvez nesse ponto se pudesse ouvir o gordão resmungando, “Não é possível, só podem estar de zoação comigo”.
É ferido pelo arpão, mas a corda prende Ahab, puxa Ahab para o mar e o deixa amarrado ao gordo, que é ouvido dizendo “Putz!...” antes de afundar abraçado pelo algoz.
Queria também dizer que o melhor nome de banda do mundo é I Want to Fuck that Girl from No Doubt. Ah, já disse.
Alexandre Soares Silva
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DaniCast
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24.7.04
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Ao pé da Bíblia
Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: " Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação." A Bíblia refere-se assim à questão. Ponto final, afirmou ela.
Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia: "Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas. Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como escrava, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço? O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição de que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadenses. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadenses? Tenho um vizinho que trabalha aos sábados. O Livro do Êxodo, capítulo 25, versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora tranqüilizar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora? Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite? Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e poliéster. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até o fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14? Confio plenamente na sua ajuda."
-- (por e-mail)
Assim está (re)escrito em Prosa Caotica
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Ratapulgo
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24.7.04
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Estou tentando me vender para o sistema, mas ele se recusa a me comprar.
escondido na A Caverna da Ogra
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Ratapulgo
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24.7.04
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Drops da Fal
Ela acordou de novo, respirou fundo de novo, e de novo trocou a areia do gato, tomou banho, passou maquiagem, botou roupa bonita. Levou a menina na escola outra vez, tomou café na máquina do primeiro andar de novo, e foi produtiva e positiva o dia todinho, como sempre. Hum, e feliz. Ela foi feliz também, claro, cada hora do dia. Disciplina é tudo nessa vida.
*
Tenho lembrado de cada coisa esquisita, das suas evasivas, do seu sorriso de menino, do meu desencanto, de tudo o que não fomos e das veias da sua mão.
*
Não tenho medalhas no peito, não recebo pensão especial do governo, meu olho de vidro e minha perna de pau são imperceptíveis e ninguém faz continência quando eu passo. Minha identidade secreta de sobrevivente da batalha permanece desconhecida do grande público.
*
Ela suspira na frente do espelho enquanto passa creme para a área dos olhos e constata que está mesmo muito velha para amigos "sinceros".
*
Ele tinha cabelos compridos, olhos cor-de-mel, mãos bem magrinhas, um certo quê de hippie, o que, nos anos 80, era de mal gosto, uma família complicada e amigos divertidos, com quem desfilava pelos corredores. Eu quase morria, e adorava quase morrer, adorava aquele sofrimento, adorava ser invisível, adora ter surtos de choro no meio da aula de geografia. Ah, ter 15 anos e ser babaca sem hesitação ou escrúpulos.
*
Faz tanto tempo assim que eu não amo você? Parece que foi ontem que eu me obrigava a esquecer sua voz, sua gargalhada, seu cheiro e seus encantos. Putz. Foi ontem.
¡Drops da Fal!, um clássico
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Ratapulgo
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24.7.04
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23.7.04
Boa tarde... oi genten...
Eu não tenho mesmo palavra. Na segunda, fiz um acordo com a minha nutricionista de que não comeria doce por 1 semana. Se eu conseguisse essa façanha, ela liberaria 2 vezes por semana. Eu até estava indo bem, mas devido a coisinhas que aconteceram hoje cedo, acabei de fazer e comer 1 lata de brigadeiro... Estou um pouco triste, mas me digam se exixte algo melhor??? Ai ai.
Pretensiosa
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Henrique
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23.7.04
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22.7.04
Eu desmarquei a opção messages sent to my communities e all other messages do Orkut, ou seja, eu não recebo mensagens das comunidades e nem de gente chata das comunidades. Era uma verdadeira merda ter mais de 50 mensagens por dia, 99,9% de inutilidades, pessoas que entram nas comunidades e mandam mensagens assim:'Oiiii sou nova aqui, espero fazer amigos'
¬¬
E eu recebia mais mensagens da comunidade Caverna do Dragão. Todos os dias, mais de três pessoas enviavam mensagem perguntando/contando o final do desenho.O mundo inteiro sabe o/os final/finais do desenho e toda hora aparecia um querendo dizer "eu-sei-você-não-sabe" e entupia minha caixa. Como messages sent to friends of friends ainda continua firme e forte, às vezes eu recebo mensagens de amigos idiotas e babacas dos meus amigos, enviar mensagem sobre uma comunidade bacana, tudo bem, eu até entrei em várias por esse meio, mas mandar mensagem procurando pessoas não dá né meu benhê. Saiba que sua procura desesperada por seu amor, seu amigo, seu tio, seu pai, seu primo, morre em mim. Se você nunca achá-lo, metade da culpa é minha e eu fico imensamente feliz por isso.
Abscesso
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DaniCast
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22.7.04
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Acidentes
A Sara está a recuperar, disse-me o N. Fiquei tão feliz por sabê-lo, por ela e pelos dois filhos dela - a todos já bem basta a perda do marido e pai no malfadado acidente de automóvel.
O acidente da Sara e família não me saía da cabeça, até sábado passado. Cada vez que me sentava ao volante, lembrava-me dela. Deles. E conduzia com cuidado redobrado.
Até que, no sábado passado, por volta das cinco da tarde, ia eu na auto-estrada Cascais-Lisboa, quase a chegar à saída para Oeiras, na faixa do meio, a cerca de 120 km/hora, quando o pneu de trás (lado direito) explodiu. Literalmente. Andei aos encontrões ao separador central durante (o que me pareceu ser) uma eternidade, para voltar a parar na mesma faixa, quase na mesma posição.
Não bati em mais ninguém, nem ninguém bateu em mim. O carro ficou sem frente, o radiador no meio da estrada. Vale-me o seguro contra todos. Não há ferimentos a registar - a não ser uns quantos altos e nódoas negras, e muitas, muitas dores musculares. A alma também se queixa um pouco dos estragos infligidos pelo medo (sentido a posteriori), mas isso são contas doutro rosário.
Desde sábado, o meu acidente não me sai da cabeça. E, como é costume entre os mortais, depois de situações de perigo efectivo, revejo alucinantemente todas as minhas prioridades. Há males que vêm por bem.
Viver todos os dias cansa
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Henrique
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22.7.04
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21.7.04
Confissões do Serjones pirralho
Não sei se esta merda vai dar uma série, mas vamulá. Quando eu era muito pequeno, primeira série, meus pais me entregaram aos cuidados de uma professora pra me levar todos os dias à aula. Eles não podiam me levar, e essa mulher morava perto de casa. Não sabiam, mas a vaca me fazia carregar os cadernos de toda a turma, que ela trazia pra corrigir. Uns 40 cadernos. Até pegar o ônibus para a escola, tinha uma ladeira fudida, e ela me repetia "respira pelo nariz e solta pela boca!" Te juro por Deus, pra carregar o peso daqueles cadernos eu respirava até pelo cu. Mais: aquela professora tinha me recebido na primeira aula com uma saudação inesquecível: dois tapas na cara, depois de me encurralar na parede por uma safadeza que eu não tinha cometido. Mas o pior era ouvir a filha dela cantando, enquanto eu esperava o momento de seguir carregando os cadernos com a velha: "Eu amo a letra S/por ela tenho paixão/com ela escrevo Sergio/Serginho do meu coração".
***
Quando eu era molequinho, gostava de espiar a empregada tomando banho. Ficava de tocaia.
Quando ouvia o barulho do chuveiro, colava o olho no buraco da fechadura. Ver aquela buceta peluda fazia meu coração disparar feito um cavalo árabe. Era um banheiro de empregada, pequeno como todos eles, e a moça apoiava o pé na privada para ensaboar a coxa e a xana. Eu ficava paralisado. Até que um dia, com meu olho grudado ali, sabe o que eu vejo? Outro olho grudado ali. Só que do lado de dentro. Eu não soube e nunca vou saber como ela descobriu. Nunca fiz nenhum barulhinho! Só me lembro do olho me olhando e da pergunta que veio: "o que cê tá fazendo aí?" Naquela idade, não tive resposta. Nem era o caso de responder. Saí correndo e me escondi, adivinhando o esporro da minha mãe e do meu pai. O da minha mãe veio mesmo. Pesado. Meu pai só fez uma pergunta básica, pra cumprir tabela. Deve ter pensado "o moleque é macho". A empregada tinha um namorado japa lutador de karatê, e eu passei semanas com medo dele saber. Vou te contar. O susto foi tão grande que até hoje eu sonho com aquele olho me olhando. Com a buceta peluda, nunca sonhei. Tudo bem. Eu só não quero é sonhar com o japa do karatê.
catarro verde
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Jan
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21.7.04
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Por que não posso falar mal dos cegos?
"Mas ele é cego!"
Sim, eu sei; por isso que não gosto dele. Não gosto de cegos, são um estorvo. Dizem que é maldade de minha parte, mas sigo com minhas piadas e insinuações maléficas -- não consigo respeitar um ser guiado por um cachorro, menos funcional que um cão bichento qualquer. Ojeriza; e proporcional tanto à sofisticação da alva bengala, quando à estupidez do motivo por que perderam a visão, ou à raça do animal.
"Mas ele é cego!"
Deficiente visual. Você não fala mal da amiga que engordou três quilos? Do vizinho que não faz a barba? Da conhecida que abortou? De qualquer outra mesquinharia? Prescindo de seus conselhos e admiração; deixe-me amolar meus cegos em paz; aproveite e fofoque a meu respeito pelo telefone...
Admito que falo mal dos cegos por capricho, que poderia falar mal de outras categorias, talvez mais perniciosas ou meritórias, e que nunca perdi um emprego devido a cotas para cegos -- quem me dera --, porém nada posso fazer, também é questão de costume.
Minha infância inteira foi defronte a uma associação de cegos. Havia também as senhoras em cadeiras de roda, mas elas me ofertavam doces. Os cegos só me davam trabalho. E um deles era alemão.
A cegueira é o mal típico da raça ariana. Não que haja mais cegos em nossa piscina genética que em qualquer outra, porém não há povo obstinado, cabeça-dura e pertinaz como o nosso. Não é uma boa combinação.
O alemão foi atropelado pelo menos duas vezes, uma à minha frente. Não aceitava ajuda, considerava-se uma mago da contagem e da audição. Era a piada do bairro. Fingia que não sabia, desprezava-nos. Deve ter morrido na terceira.
Mas se falo deste alemão, não é só por capricho ou costume, mas porque foi o desprezando que me converti num igual. Tudo que tenho devo a este cego, e portanto nada mais natural que continuar a agredi-lo anos após a sua passagem.
E se por isso me disserem mau caráter, com um rascunho de riso no canto da boca, dir-lhes-ei o que penso da bondade hodierna: nunca tantos amaram outros tantos por tão pouco. Churchill, traga meus charutos!
sinfonia em dies iræ
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Ratapulgo
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21.7.04
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20.7.04
Mulheres
Madrugada, muito longe do meu mundo, assisti numa fita velha e de péssima definição "Esse estranho que nós amamos". Lembram desse filme? O Clint é um soldado, que, durante a Guerra Civil Americana é acolhido num colégio feminino, e escondido pelas mulheres do colégio. Quando ele ameaça a harmonia do grupo, ou melhor, não a harmonia, a dinâmica meio doente do grupo, elas o matam. A psicóloga e antropóloga que assistiu comigo me disse que funciona assim: se um elemento que exerce atração, mas traz algum tipo de discórdia entra num grupo só de homens, hipotética, figurativa ou literalmente, os homens vão se anulando, seja lá como for, até sobrar só um, que fica com o elemento pra ele. Se isso acontece num grupo só de mulheres, elas se unem, mesmo que se odeiem, e anulam, seja lá como for, o invasor. Passei boa parte da noite de olhos abertos na cama, pensando nisso.
Drops da Fal
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Henrique
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20.7.04
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19.7.04
Intimidade
2001:
Ele abre a porta do carro para ela:
- Milady.
Ela, toda lisonjeada, pisca pra ele, delicadamente entra no carro, e sussurra com doçura:
- Milord...
2004:
Eles descem a escada, ela na frente. Ele carinhosamente flerta:
- E esse bundão, heim!!!
Ela, toda lisonjeada, olha pra trás de canto de olho, pisca para ele, e afirma com doçura:
- É. Meu namorado...
acontece contigo e comigo
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Henrique
às
19.7.04
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Meu editor imaginário sugeriu que eu escrevesse um livro sobre dieta. Tá na moda, ele disse, todo mundo quer saber de dietas, tem essa tal Dieta de South Beach, dieta da Idade Verdadeira, Dieta Disso, Dieta Daquilo, ele disse, e se você conseguir colocar algum detalhezinho esotérico, melhor ainda, ele disse, as pessoas gostam desses negócios esotéricos.
Eu até tenho um histórico com esses livros de saúde, desde que lancei "A Cura Através da Cabeçada na Parede". Na ocasião, as chamadas "entidades médicas" tentaram me prender. Felizmente, esses que se denominam "médicos" não conseguiram provar que a minha técnica não funcionava.
Mas, enfim, eu estava falando do meu livro de dieta. Seguindo a orientação do meu editor, decidi escrever "A Dieta da Porcelana". São sete dias se alimentando apenas de porcelana. Recomenda-se lavar a louça antes de comer.
O que falta agora é testar. Preciso de algum voluntário. De preferência, alguém que pareça um gnomo, que é pra dar esse ar esotérico que o meu editor pediu.
Ê Vida mais ou menos
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Henrique
às
19.7.04
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15.7.04
se você é uma daquelas pessoas que quando vão ao cinema fazem "shhhhh" assim que acabam os trailers, logo na primeira letra do primeiro crédito que aparece na tela, saiba que eu odeio você. e se você é um daqueles que ficam falando o tempo inteiro, saiba que eu também odeio você.
Escárnio e Maldizer
Postado por
Henrique
às
15.7.04
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14.7.04
Quero o seu amigo.
Quero o seu amigo
aquele que não peida
não arrota sem querer
nem está muito perto quando
você resolve tirar ranho do nariz
No país dos amigos pixelizados
as garotas todas lêem Dostoiévski
e dão o cu porque é moderno
porém sempre ao som da melhor trilha
curtindo um hobby interessante
tipo pular de bungee jump
ou saber frases gozadinhas
do Mussum
Quero o seu amigo e/ou
a sua amiga ou quem quer que você finja conhecer
pra adicionar seu nome à minha comunidade de autistas
e depois quem sabe jogar suas características
na bolsa de valores ou num puteiro de figurinhas
quem sabe deletar seus dados chatos
e desligar sua face estúpida antes do último
pão amanhecido vendo um western na tv e ir
dormir
sozinho
e sonhar
com todos os meus amigos
com todos os meus amigos de verdade
acessando os meus gases terminais
no meu funeral.
em Fakerfakir
Postado por
Ratapulgo
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14.7.04
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11.7.04
Intervalo comercial
Existencialismo Copie&Cole
Onde diabos foi parar o chefe? Ele não ia só sair de férias? Ele fugiu? Deserdou? Ele foi MESMO para o exílio? O poder foi tomado aqui no Copy&Paste e não era apenas teorema da conspiração meu? Eu me transformei em ASPONE? Tem alguma eminência parda aí?
Fim do Intervalo Comercial
Postado por
DaniCast
às
11.7.04
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Wôndful!!!
Só percebi hoje: Nunca mais escreva entre parênteses o abominável "(é assim que se escreve?)"!!! O google implementou uma função que te sugere os nomes corretos. Estava tentando lembrar o nome do filme "Koyaniqqatsi" e o google me avisou: "Você quis dizer: Koyaanisqatsi". Isso mesmo, Sr google, eu quis dizer Koyaanisqatsi! Perfeito. Wôndful.
Onipresente ausente
Postado por
DaniCast
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11.7.04
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Não havia nada que pudéssemos fazer, ele ainda está lá caído no chão os braços abertos, olhando para o céu. Nada ao redor faz sentido, só ele e o sol. Um grito angustiado, um pedido de energia para a longa caminhada, para longe desses muros.
Aconteceu tudo muito rápido, não deu tempo. Um fim de semana, um par de segundos. Eu queria ficar mais na práia, mas não pude: as obrigações não deixam. Eu não teria como sustentar.
Agora venho envelhecer de segunda a sexta-feira, carregando pedras para construir a minha lápide, voltando para buscar mais. Caio no chão com os braços abertos e peço ao sol um pouco mais de sua generosidade.
Não há nada que vocês possam fazer.
Reticências de um Poeta Morto
Postado por
DaniCast
às
11.7.04
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O que a gente não diz
Oi, tudo bem?
Tudo.
(muito melhor agora, meu deus, como tu tá lindo homidedeus!)
Demorei?
Nah.
(se eu tivesse que esperar num pau de arara apanhando na sola do pé pra ter essa visão, ainda assim estaria feliz)
Vamos almoçar onde?
Onde achares melhor.
(lá em casa, no meio dos lençóis, ouvindo Coltrane, por favoooooor)
Pode ser no italiano?
Pode.
(desisti de almoçar, vou te raptar agora e te levar pra República Tcheca)
Não está com fome?
Não.
(Como é que alguém pode pensar em comer com tudo isso pra olhar? Eu quero é ficar decorando cada detalhezinho dessa imagem, deusdocéu)
Não queres sobremesa?
Não.
(a única sobremesa que me interessa não está no buffet, meu querido, se bem que com chantilly deve ficar ótemo)
Então vamos?
Vamos.
(tu não vais me agarrar, me pegar no colo, me deitar no solo e me fazer mulher? Não? Como assim?)
Tu estás tão quieta, algum problema?
Não, tudo bem.
(Tá tudo bem, só não tô sentindo o lado esquerdo, meus pés congelaram, tô com taquicardia e faz uma hora e meia que não tenho notícia alguma do meu estômago).
Então, tá. Te cuida. Bom te ver.
Tchau.
(agora dá licença que eu vou ali me atirar debaixo da primeira jamanta carregada de concreto que aparecer)
Megeras Magérrimas
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DaniCast
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11.7.04
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O que você quer?
O que você sabe?
Não é fácil pra mim
Meu fogo também me arde
Às vezes me vejo tão triste
Onde você vai?
Não é tão simples assim
Porque às vezes meu coração não responde,só se esconde e dói
Por favor não vá ainda, espera anoitecer
A noite é linda, me espera adormecer
Não vá ainda, não, não vá ainda
Me diga como você pode viver indo embora, sem se despedaçar
Por favor me diga agora, ou será
Que você nem quer perceber?
Talvez você seja feliz sem saber.
Pérolas do Dia
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DaniCast
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8.7.04
terceira tequila
- Nossa, que show de sapato!
- Ô querida, obrigada, é tão velhinho.
- Ah, não parece velho!
- Ah, tudo em mim é velho, meu carro é velho, minhas roupas são velhas, meus gatos são velhos, eu sou velha...
- Ih, tava assim também, aí arrumei um amante.
- E melhorou?
- Olha, melhorar não melhorou, mas ficou mais divertido.
Ao fundo, Caetano Veloso canta Love me tender, acompanhado dumas cordas e duns sininhos.
Drops da Fal
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DaniCast
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8.7.04
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Da minha cara de biscoito Maria
Foi no dia em que encontrei esse moço pela primeira vez, ele olhou para mim e disse que me conhecia de algum lugar.
Oh, céus, de novo não.
Porque a vida inteira assim, tão cansativo. E quando me pararam na rua para perguntar se sou filha de Beth? Tem certeza que não? Irmã de Maurício? Mas puxa vida, tu és a cara da namorada do vizinho da minha tia. Até a recepcionista do curso de inglês me disse um dia que minha irmã mais velha secreta trabalhava lá. Então eu sei que quando acham que me conhecem de algum lugar ou é cantada barata ou é engano mesmo. Sempre.
(Quer dizer, menos naquele carnaval que um moço louro veio com essa história e depois de uns minutos de conversa ele disse que realmente me conhecia de algum lugar. E era verdade, tempos depois lembrei de um São João.)
Oh, céus, de novo não. E foi quando o moço entendeu que eu tinha cara de biscoito Maria. Eu que não entendi foi nada na hora, nem tenho o rosto assim redondo, afinal. Mas é porque o biscoito Maria é único, não é feito biscoito recheado, ou wafer, com marcas e sabores. Ao mesmo tempo tem vários iguais. Entende? Acho que é isso. Uma boa explicação, vá. Só não vale dizer que a mesma coisa acontece com biscoito de maizena porque perde a graça.
clarices
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DaniCast
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8.7.04
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Momento
Cristais Baccarat, não. Baixelas de prata, não. O último grito da moda, não. Iates, não. Ações da bolsa, não. Rolex de ouro, não. Pedras preciosas, não. Hotel 5 estrelas, não. Relógios Rolex, não. Roupas da Daslu, não. Porcelana Legle, não. Fracalanza, não. Cartier, não. Caviar Beluga, não. Investimentos, não. Grifes, não. Primeira classe, não.
Só me interessam as coisas que são tão caras que o dinheiro não pode comprar.
Marina W
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DaniCast
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1.7.04
obesa sabedoria
conseguira sobreviver a uma infância e a uma adolescência gordas. é difícil, acreditem. deixou de comer e engravidar muita menininha com cocô na cabeça, deixou de pegar muita praia - só ia de camisa, mesmo dentro da água, deixou de fazer skibunda quando esteve em natal, deixou de brincar de esconder atrás de muita árvore, deixou de fazer muitas coisas.
tinha subido numa árvore, certa vez. claro que o galho quebrou, derrubando-o e dando-lhe duas fraturas expostas, o que ajudou a deixá-lo de molho por alguns meses - fato que o engordou mais ainda. mas agora que a idade chegava para si e para todos que conhecia, agora que seus ídolos e familiares de mais idade pagavam o derradeiro preço pelos anos sobre a terra, agora que ainda tentava entender como funcionava o aparelho de dvd recém-comprado e que sua filha de nove anos dominava como a um dócil cão treinado, agora sentia-se bem. é sério, via seus amigos todos ficando gordos, ofegando qualquer fato por mais ameno que fosse, as mulheres de sua idade engordando e perdendo formas que nunca tivera prazer de acarinhar quando mais jovem - sem pagar, claro - agora que tudo a sua volta engordava, sentia-se bem. conhecia muito bem todos os problemas que sua gordura lhe causava, sabia todas as piadas possíveis a respeito do tema, limitações, prós - tem isso?, contras, curiosidades e outros a respeito da vida gorda, sentia-se bem.
muito bem, aliás. e aproveitava tudo o que a obesa sabedoria proporcionava, todos os livros que lera no horário da prática esportiva serviam para citações, poemetos instantâneos, sussurros a ouvidos femininos e respostas simultaneamente inargüíveis e divertidas aos ignaros - o que evitava a briga, na maior parte das vezes, mas para isso mesmo que mantinha amizade com muita gente. comia todo mundo, corria mais que todos os outros desacostumados, e tudo isso bebendo quantidade estupendas de álcool, que demorava para fazer efeito em seu organismo. no inverno, um casaco bastava, sempre elegante, claro. aprendera a elegância, o respeito, a convencer as mulheres para o sexo anal, e sentia-se muito feliz.
era tanta felicidade que mal podia contê-la dentro de si, e sentiu seu coração querendo explodir de felicidade, uma falta de ar, pontos brancos dançando em sua visão, um formigamento no braço, a vista escura e
morreu de infarto.
mas com um sorrisão.
como assim dois uísque?
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Jan
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1.7.04
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Ele estava certo, não leiam bulas. Neurótico de boa qualidade, só assimila o efeito colateral.
sem saída
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Jan
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1.7.04
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Tá ligado?
A diferença entre a escola e a prisão?
Uma delas bloqueia sinal de celular.
Bricabraque
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Jan
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1.7.04
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Entre o mito e o biquíni
Ah, a juventude. Há alguns anos, inscrevi-me numa lista de discussão sobre Legião Urbana, na esperança ingênua de trocar idéias consistentes a respeito da discografia da banda. Como era de se esperar, a lista estava apinhada de adolescentes ingênuos (expressão redundantemente redundante) que discutiam, dentre outras coisas, maneiras de mudar o mundo (por momentos pensei estar por engano em um fórum de militantes do PSTU). O mais irônico foi o lugar sugerido pelo grupo para discutir formas de "revolucionar o sistema": a praça de alimentação do Shopping Paulista.
E hoje, cá estamos. O muro de Berlim caiu, a China bebe Coca-Cola, a utopia comunista é só um retrato na parede e Fidel Castro de quando em quando manda opositores para o "paredón". Numa época em que a figura mítica de Che Guevara tornou-se estampa no biquíni da Gisele Bündchen, torna-se difícil não assistir a um filme como "Diários de Motocicleta" sem um quê de melancolia.
Enquanto nos anos 80 Cazuza questionava por uma ideologia pela qual viver, a tal Geração 00 não parece mais se importar com isso. Ao contrário, aparenta ter assimilado bem até demais essa era pós-utopias, focando seus ideais e objetivos na mera sobrevivência individualista. Aquele garoto que ia mudar o mundo já não senta em cima do muro: agora prefere escorar-se nele, enquanto faz uma pose blasé para um retrato a ser postado em seu fotolog.
Pensar enlouquece. Pense nisto.
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Jan
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1.7.04
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Mais uma história real cheia de coisas absurdas
Então ontem a noite minha mãe me avisou que hoje pela manhã eu deveria ir até o posto de saúde de meu bairro e fazer uma consulta com o médico (uns examizinhos para saber se eu estou totalmente curado da doença fulminate que me atacou há alguns dias). É claro que eu bati o pé, mostrei respeito, disse "Não!" e nem sequer esperei ela mais falar algo que me fizesse mudar de idéia.
Oras, estou de férias e ela quer me mandar pro médico? Onde já se viu.
Médico, Dentista, Urologista é lugar para se ir enquanto se está em período de trabalho. É uma forma remunerada e inteligente de faltar trampo e não levar puxão de orelha do chefe.
Então eu disse que não iria a médico nenhum e queria ver quem iria me fazer dizer o contrário. Vamos ver quem é que manda.
E, de fato, eu vi quem é que manda.
Hoje, 7 horas da matina eu estava num banco gelado de um posto de saúde esperando o médico chegar. Na parede tinha um cartaz desses do governo federal que enfatizava o uso da camisinha: "Jovem, use a camisinha!" ou algo assim, ao lado deste havia o celebre cartaz das forças armadas e o alismatento militar: "Jovem, aliste-se!" ou algo assim.
A atendente? (como se chama uma mulher que fica lixando as unhas e chama seu nome para ser atendido pelo médico?). Bom, a atendente quis ser simpática (ou talvez só estivesse cumprindo seu trabalho chato de orientar as pessoas mais jovens) e começou a falar comigo (tenho que parar de abrir parênteses neste paragrafo).
-- Olá jovem! Você já se alistou?
-- Já sim, escapei do serviço militar por causa de um "probleminha".
O Probleminha
Isso é verdade. Eu escapei do serviço militar por causa da lordose na minha coluna. Era uma manhã gelada e chuvosa aquela da inspeção, mas eu estava lá, meio a outros jovens, só de cueca e fazendo exercícios físicos sem sentido. O cara de farda olhou pra mim e disse: "Vai pra casa, garoto! Você tem lordose". Eu fiquei feliz por ter lordose e não precisar ir morar longe de casa por alguns meses ou quem sabe me meter numa guerra. "Mas antes de ir embora, passa ali na frente e paga a taxa" disse o senhor de farda num último resmungo.
É isso aí, não fui para o exercíto mas precisei pagar uma taxa idiota e fazer o juramento a bandeira, no qual prometi estar a disposição de meu país caso ele fizesse uma burrada e se metesse numa guerra para defender os Estados Unidos.
Voltando ao papo com a atendente
-- Oi? Você tá me ouvindo?
-- Ah, desculpa! É que eu estava recordando como foi a minha inspeção militar. Deu um flashback na minha mente. Mas sobre oque nós estavamos falando mesmo?
-- Eu perguntei se você já iniciou a sua vida sexual.
-- Hein?
-- Sua vida sexual.
-- Ah, sim... masturbação conta como vida sexual?
-- Conta, mas neste caso estou falando de sexo com alguma menina.
-- Ah! Não. Eu sou gay.
-- Gay? (disse ela espantada)
-- Sim, por isso não me aceitaram no serviço militar.
Pronto, já tinha feito minha parte e sabia que a atendente não iria mais me amolar com estes papos de "Jovem, se cuida ou a casa cai!". Por fim esperei por meia hora e o médico não chegou. Disse para a atendente que ia dar uma voltinha e respirar um "ar puro e colorido desta manhã cativante" e já voltava. Fui embora. Cheguei em casa, disse para minha mãe que deu tudo certo e eu não vou morrer ainda.
Moral da história
Minha mãe ficou feliz por eu não estar doente.
Eu fiquei feliz por não ser examinado por um médico.
A atendente ficou feliz porque eu não voltei lá.
O médico ficou feliz porque não vai precisar examinar ninguém.
As forças armadas ficaram felizes porque eu paguei a taxa.
Então, não quero influenciar ninguém mas preciso dizer, mintam sempre e todos serão felizes. Mintam na escola, no trabalho, no posto de saúde. Mintam para seus pais e para seus amigos. Mintam para seus leitores. Todos ficarão felizes.
de que jeito?
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Jan
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1.7.04
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30.6.04
Ontem me aproximei de uma barraca de ervas e garrafadas, no centro de São Paulo. Curioso, fiquei mexendo nas ervas e lendo os rótulos das garrafas. O dono, só me olhando. Até concluir que eu não estava achando o remédio que procurava:
- O senhor queria pra quê?
- Saudade. Tem?
catarro verde
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Jan
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30.6.04
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Os relógios gritam "Você está atrasado!" porque é para isso que foram feitos. Tal qual papagaios monossilábicos, não sabem dizer outra coisa. Quando estamos adiantados, os relógios calam. Mas ficam bufando de raiva, e esperando (um relógio esperando algo é uma imagem insólita) que voltemos a estar atrasados para que possam soltar o grito que lhes sufoca a garganta, que eu não sei onde fica, já que a única certeza que eu tenho sobre a fisionomia dos relógios é a de que eles usam bigodes - os ponteiros. Menos os digitais é claro, mas isso é porque eles são orientais.
vale o que está escrito
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Jan
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30.6.04
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19.6.04
À VISTA
Assim que ele a olhou bem dentro dos olhos, ela sentiu que ele examinava seu peito como uma prateleira de supermercado: alguns medos em conserva, angústias em lata, frustrações defumadas. Amizades de consistência firme, algumas com prazo de validade vencido, alegrias a granel, tristezas embaladas à vácuo. Uma saudade torrada e moída, um saco de felicidade empoeirado. E, ora, ora, desejo suculento e fresco, aroma maduro. Isso.
Ela exigiu que fosse à vista, cash. Não, nada de cartões de crédito. Isso de esperar trinta dias, e quem sabe receber só o pagamento mínimo, ainda que o saldo esteja posteriormente sujeito à cobrança de juros e correção monetária, não lhe agradava. Cheque, nem pensar. Entrega-se o produto, esvazia-se o estoque e depois não há compensação. Consignação? Não, também não. O produto é perecível e para consumo imediato. Se acondicionado fora das condições recomendadas pelo fabricante se deteriora rapidamente. Tem garantia, claro, mas só contra defeitos de fábrica. Não aceitamos devolução.
Vou levar.
Assim que ele a tomou nas mãos e sentiu o peso, achou que o pacote poderia estourar.
E quem discute?
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Henrique
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19.6.04
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16.6.04
O pior desse negócio de quebrar a cara com freqüência é que você vai adotando certos cuidados, tirando aos poucos toda a graça da aventura amorosa. Eu, que sempre fui maluco e arrojado quando se tratava do sentimento com nome de paçoquinha, me vejo agora olhando para os lados com desconfiança, avaliando o terreno, como uma barata de laboratório cansada de levar choques a cada passo em falso.
Dizem que é bom ter cuidado, ir com calma, essas coisas. Sei não, sei não... Sinto-me como o velho trapezista que, balançando-se preso por um cabo de segurança e vendo a rede lá embaixo, dá um sorriso triste e sente saudades do tempo em que se lançava no vazio de olhos vendados.
Jesus, me chicoteia!
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Jan
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16.6.04
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15.6.04
MORRE MAIS UMA PARTE DA MINHA INFÂNCIA
Um dia desses, há mais ou menos três semanas eu estava na cantina da universidade especulando com uns amigos sobre quem seria a pessoa famosa mais idosa ainda viva. Sem contar o Papa, claro, devido às especulações sobre o fato de ele ter sido substituído por um robô que do original só tem a pele. Dercy Gonçalves, Tonia Carrero e Paulo Autran, dinossauros do teatro brasileiro foram rapidamente lembrados. Hebe, que atuou na primeira transmissão nacional de televisão, em 1950, também. Walter Mathau e aquela velhinha simpática que fez Conduzindo Miss Daisy já bateram as botas, senão certamente seriam lembrados. Mas ninguém lembrou de Ronald Reagan, um ícone dos anos 80 que voltou a estar em evidência nos últimos dias por ter batido as botas, o que no caso de um ex-ator e ex-cowboy-na-casa-branca (cargo atualmente ocupado por Bush) é muito mais do que figura de linguagem.
No tempo em que Reagan estava caçando comunistas no Afeganistão ou vendendo armas ilegalmente ao Irã para depois repassar o dinheiro, também ilegalmente aos guerrilheiros da América Central, minhas aulas de Educação Artística na escola eram quase sempre dedicadas a desenhar mapas e esquemas para a detonação da Terceira Guerra Mundial, coisa que eu e todos os outros alunos da escola achávamos que ia acontecer antes que completássemos doze anos. Na época não sabíamos que desde o fim da crise dos mísseis em Cuba, quando o mundo esteve realmente pela bola 8, os riscos de algum maluco realmente apertar o tal botão vermelho eram muito remotos. Mas vá dizer isso para uma criança de 8 anos...
Com a morte de Reagan morre mais uma parte da minha infância, que começou a ir embora no rastro da frustração deixada por aquela porcaria de cometa Halley. Não que eu nutrisse alguma simpatia por ele, ainda mais que o único filme em que o vi atuar é ¿Em cada coração um pecado¿, de 1942, mas é que ele estava lá por bastante tempo, e ao contrário de alguns de meus bonecos playmobill, ele demorou uns vinte anos para quebrar. Um bom filme aquele aliás, dirigido pelo mesmo Sam Wood que foi o responsável pelos melhores filmes dos Irmãos Marx, além de ter sido um dos diretores de ¿...E o vento levou.¿. Tanto o filme quanto o diretor foram indicados ao Oscar, mas ambos perderam para ¿A rosa da esperança¿, de William Wyler, diretor que ainda levaria a estatueta outras duas vezes, uma delas com Bem-Hur. Dizem que esta é a melhor atuação filmada de Reagan, se bem que aquela cena em que ele, já presidente, foi alvejado por um maluco em 81 era muito mais impactante do que qualquer coisa que ele já havia feito até então. Principalmente porque se aquele sujeito (John W. Hinckley Jr.) tivesse melhor pontaria, os anos oitenta, a minha infância e o mundo poderiam ter sido completamente diferentes. Mesmo porque se Reagan tivesse morrido naquele atentado quem teria assumido a presidência seria Bush (o pai), e ele provavelmente teria metido os Estados Unidos em alguma guerra antes de 84 e não teria sido reeleito naquele ano, porque a economia iria estar em recessão. Como o Bush atual só parou de beber em 86, eu me arrisco a dizer que é possível que se o pai dele tivesse perdido a eleição de 84, ele não tivesse conseguido e hoje em dia, ao invés de estar no número 1600 da Av. Pensilvânia brincando de Dr. Fantástico ele estivesse em uma confortável cela acolchoada tentando afugentar elefantes cor-de-rosa. Maldito atirador vesgo!
Falando em Bush Jr, a máquina da reeleição já está trabalhando a todo vapor para associar a imagem de Reagan à dele através de panfletos, cartazes e programas de TV. Eu pergunto: Por que não mandam empalhar o corpo dele de uma vez e saem em turnê com ele pelos Estados Unidos? Assim pelo menos alguém naquela gangue teria um pouco de personalidade. Aproveitem e empalhem o cometa de Halley também para eu finalmente poder vê-lo.
vale o que está escrito
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Jan
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15.6.04
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14.6.04
por mais que eu esteja na pqp, sozinho, sem drogas e com muito pouco pra me divertir de verdade, eu fico feliz pra caralho quando encontro meus amigos online...
ta, eu sei q é óbvio, e talvez inapropriado para diabéticos (exceto para o grillo, é claro), mas porra, é a pura verdade.
eu fico aqui, perdido no lobby do hotel, rindo sozinho, as vezes alto...recebendo e mandando arquivos, links, e trocando várias idéias...as melhores possíveis...por que será que as vezes a gente precisa estar longe pra apreciar tudo aquilo de melhor que se tem por perto?
denovo, óbvio, insatisfação talvez seja a característica humana mais perene. seguida de medo e preguiça. mas mesmo assim, verdade.
100 dias numa caixa de areia
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Criss Ferrari
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14.6.04
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Perdi uma excelente oportunidade de me matar hoje com a salsicha vencida que tirei do freezer. Cheguei a ferver a bonita e a separar cebola e massa de tomate pra fazer o molho, mas as pintas laranjas, amarelas e cor de cocô que nela se alastravam eram por demais repulsivas. Parti, cheirei e joguei no lixo. Tsc. Eu não sou mais de nada mesmo. Se bem que comi presuntada logo em seguida. Prevalece, portanto, o pendor para o suicídio lento e gradual. Aguardemos.
Nervocalm Gotas
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Henrique
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14.6.04
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12.6.04
Tem um telejornal local aqui em Trento , que è em alemao .
A propaganda do gàs tambem : em alemao .
Preciso dizer mais alguma coisa ????
Preciso sim : Puta que pariu !!!!! Onde foi que eu vim parar , meu rei ?!!!
Quattrostagionado por Dani
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Criss Ferrari
às
12.6.04
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11.6.04
Cristina me conheceu de barba. Mas eu já estava com saudade do meu rostinho lindo e resolvi tirar. Correr o risco de ser rejeitado, chutado, espezinhado, repelido, desprezado por ela. Ou não. Procurei meu barbeador elétrico e cadê?, sumiu no mocó. Soquei a bota na lâmina mesmo, arrancando aqueles puta chumaços de pêlos lambuzados com espuma de barbear. Encerrado o escalpo que me entupiu a pia, verifiquei se não tinha sobrado nada no meu rostinho lindo. Nada. Beleza. Tomei meu banho quinzenal, passei rolão no suvaco e me mandei para o Centro da cidade. Caralho. Só no caminho fiz a descoberta no espelho retrovisor. Puta que pariu, um pêlo! Tinha sobrado um pêlo de barba um pouco acima da minha bochecha direita. E não era um pelinho, era um pêlo considerável! Nem que eu quisesse conseguiria aquela façanha, mas ele estava ali, ali, ali. Parei o carro e puxei o pêlo com os dedos. Nada. Catei aquela tesoura vagabunda que vem no kit de primeiros socorros e ela não cortou. Puxei o pêlo com as unhas. Puxei tanto, que ele acabou enrolando. Agora eu tinha um pentelho no rosto! Nem por uma xana eu ia deixar a Cristina ver aquilo. Lobisomem de um pêlo só? Foi quando eu lembrei das ferramentas do carro. Não, nada de usar macaco ou chave de roda, mas alguma coisa útil haveria de ter. E achei meu alicate! Grandão, revestido de plástico laranja. Com ele consegui finalmente arrancar o pêlo pentelho. Alguns passantes me estranharam olhando para o retrovisor e tentando acertar, com o alicate no rosto, alguma coisa invisível para eles, mas em São Paulo o que mais tem é louco então tudo bem. Cristina? Gostou do meu rostinho lindo. Ela é do tipo que curte beleza interior, sabe? Pâncreas, fígado, baço, essas coisas.
catarro verde
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Jan
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11.6.04
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10.6.04
Christiano, pálido como farinha de mandioca, suava frio. O cano da pistola, a pelo menos um metro e meio de distância, mantinha-o em silêncio apavorado. Os olhos - sim, Chris estava sem chapéu - tinham a resignação de quem está pronto para ir de encontro a São Pedro nos próximos instantes. Enquanto isso, Samuel encarava-o, praticamente deixando Rodrigo fora de percepção. O jovem misterioso tentou falar. Samuel esforçou-se em ouvir, mas o processador de fala estava com suas pilhas descarregadas.
- Fala mais alto - disse Samuel.
- Eu... eu... só pedi fogo, uai! Não precisa apontar este trabuco nimim!
- Você pediu fogo, agora vai ter.
- Sam, calma...
- Calma o quê?! Pelamordedeus, vocês estão malucos.
O dedo indicador de Samuel empurra a alavanca. Christiano vê sua vida, seus amores perdidos, seus filhos que nunca irão nascer em toda essa fração de segundo. O coração empurra o diafragma para a baixo, e quase ao mesmo tempo, sobe até as amígdalas, juunto com um pavoroso berro que também durou uma fração de segundo.
Rodrigo, de olhos arregalados, não moveu uma célula de seu corpo; nessa fração de segundo, sabia que não podia e não devia fazer nada para ele também não levar uma bala entre os olhos. Samuel estava louco, era preciso interná-lo imediatamente.
Ônibus dos Pensadores
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DaniCast
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10.6.04
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7.6.04
O caso dos dois papeizinhos
Mais uma história para minha autobiografia não-autorizada:
— Alô?
— Lúcia? — o nome não era esse.
— Sim.
— Oi, é o Márcio. Tudo bem?
— Oi, Márcio. Tudo e você?
— Tranqüilo. O que está fazendo de bom?
— Tô aqui no lançamento do livro de minha tia e vou fazer uma performance daqui a pouco — ela era atriz.
— Que bacana. E, escuta, o que você vai fazer depois?
— Eu? Por que?
Como assim? Afinal, já havíamos pré-combinado de fazer algo.
— Ué, queria saber se você não estava a fim de fazer alguma coisa mais tarde.
— Não posso. Depois que sair daqui vou encontrar meu marido e pegar umas coisas na casa de minha mãe.
Marido? Ela não tinha marido. Puta desculpa esfarrapada, pensei.
— Então tá. Depois a gente se fala. Tchau.
— Tchau.
Desliguei o telefone com aquela sensação "que coisa estranha". Mas, afinal, as mulheres nunca dizem claramente "cara, não estou a fim de sair com você, não se enxerga não?". Mais delicadas, elas dizem algo do tipo: "Putz, hoje não dá porque é o Dia da Árvore" ou "Sabe o que é, meu cachorro está muito doente, quem sabe na semana que vem". E, se você for esperto, não liga mais para não ouvir alguma outra frase-bomba de efeito moral.
Por isso, encolhi os ombros e disse para mim mesmo "então falô, não quer, não quer". Já ia dando o assunto como encerrado quando, súbito, me caiu uma ficha. E, olhando para os dois papeizinhos em cima da mesa ao lado do telefone, comecei a entrar em pânico.
Coincidências misturada com estupidez é receita certa para destruir sua dignidade. Uns dias antes desse telefonema, precisava gravar uma locução feminina para um trabalho que estava fazendo em meu estúdio. Só que a voz precisava ser bem jovem, quase adolescente. Como não tinha ninguém com essa característica em meus contatos, sai a caça de locutoras novas para testar e mandar a prova para o cliente.
Pedi uma indicação o Tomas, que é ator e racha o aluguel comigo. Ele me falou:
— Chama a Lúcia. Ela é atriz e faz locuções também. A voz dela é bem isso que você quer.
E foi o que fiz. No entanto, também havia chamado para o teste outra pessoa, uma atriz com quem já havia flertado. O nome dela? Advinha. Isso, Lúcia (que vou chamar de Lúcia II). Então, fiz o teste com as duas, em momentos diferentes. Tudo no maior profissionalismo, claro. Anotei os telefones das duas em dois desse papéis de bloquinhos que servem para a gente anotar as coisas e depois fazer uma puta confusão. Enfim, dois pedaços de papel de mesma aparência, escritos da mesma forma a lápis. Só mudava o sobrenome de cada uma, o resto era igual. E deixei ao lado do telefone.
No mesmo dia, o cliente me informou que havia aprovado a voz de Lúcia. Liguei para ela e dei a boa notícia. Depois ligue para Lúcia II, dizendo que o trabalho não ia rolar. Conversamos um pouco e disse que ligaria depois para marcar algum programa.
Antes de terminar a história, vamos recapitular: duas mulheres de mesmo nome, mesma idade, vozes parecidas, dois papéis quase idênticos posicionados bem próximos um do outro e um idiota fazendo a ligação.
Voltando à história, olhei para os dois papeizinhos e lembrei que Lúcia havia me dito que era casada, com cara que inclusive eu sabia quem era. Já em pânico chequei o número que eu havia discado e... Nãããããããoooooooooooooo... Puta que o pariu idiota de merda não acredito que você fez isso!
Imediatamente, telefonei para o mesmo número para tentar desfazer o mal entendido, se que isso era possível. Caiu na caixa postal, claro. Maldito olho mágico de celular. Mas se eu fosse ela também não atenderia. Afinal, só um cara muito mala iria ligar logo em seguida depois de levar um fora. Deixei uma mensagem meio desesperada na caixa postal, sabendo que nem ela nem ninguém acreditaria nessa história. Eu mesmo não estava acreditando.
Tentei mais uma vez de outra linha. Caixa postal de novo. Caracas...
O Tomas estava em casa, felizmente, e falei:
— Fiz uma puta cagada, me ajuda — e contei a história.
Ele riu muito enquanto dizia "não acredito que você fez isso". Acho que ele só acreditou porque me conhece bem e sabe de minhas "capacidades". Assim, telefonou para Lúcia e explicou minha cagada. Depois me passou o telefone e pedi desculpas a ela, que acabou achando graça de tudo. Ufa! Escapei com apenas alguns arranhões morais.
Acabei não conseguindo falar com Lúcia II naquele dia, o que foi até bom porque o episódio já tinha tirado minha vontade de ter um encontro. Acabei ligando alguns dias depois. Quando perguntei se queria fazer algo na sexta ou sábado ela me contou que andava meio ansiosa porque estava procurando apartamento para ir morar sozinha e que preferia deixar para a outra semana.
Não sei se era verdade ou não. Pode até ser. Mas, na dúvida, não liguei novamente.
Chez Nigro's - Movimento pela Insanidade Coletiva
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Ratapulgo
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7.6.04
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6.6.04
Três coisas que odeio no Unibanco Arteplex:
1. O comercial da Regina Duarte
É tão irritante, mas tão irritante que sinto uma vontade quase incontrolável de atirar objetos na tela. Ou pelo menos de gritar um ?ãããããããããããã?.
2. Os comerciais com o Falabella e a Débora Bloch
Em especial aqueles em que eles fazem a "segurança do patrimônio"
3. Os comerciais com a hiena Hardy
Ela é tão desgraçada que quase faz parecer os três citados acima legais.
no escurinho do cinema com a Central de Manicures
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Ticcia
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6.6.04
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Cuba, Ilha de Magia e Chatice...
Naquela época do ano a casa ficava infestada de romancistas-que-falam-de-cuba. Giravam em torno da lâmpada ouvindo Elis.
-Foram pra debaixo do sofá.
-Tem um atrás do quadro.
Eu tentava não matar: recolhia num copo de requeijão e a ajuda de um jornal, e os soltava do outro lado da estrada, com mão trêmula.
-A resistência heróica...
Quando eu ouvia isso de resistência heróica às vezes voltava e matava mesmo, pisando de chinelo e depois esfregando o chinelo na quina da calçada.
-Ai, tá mexendo a perninha ainda.
-Tá fazendo discurso.
-Fidel é conhecido por sua grande coragem pessoal, seu grande carisma...
Eu pisava de novo.
Às vezes um deles caía no meu cabelo quando eu estava escrevendo e me dizia que o romance é uma grande ferramenta para aferir a saúde política de um povo, essas coisas. Ou me pedia para entrar no pen club de Osasco, presidido pelo grande Dr. Mirandinha, dermatologista e poeta, autor do grande e injustamente esquecido "Veredas da Resistência" (ed. COGITEC, 1976). Eu levantava em pânico dizendo que nem morava em Osasco e dando tapas no pescoço, sentindo o romancistinha de boina correndo pelas minhas costas.
História verdadeira:
Na palestra do romancista A, o romancista B cutuca o romancista C e diz baixinho:
-Se eu algum dia virar tamanha besta solene, me mata.
Muita gente gostou da palestra do romancista A - mostrou grande indignação moral temperada pelo seu conhecido humanismo. Na saída, foram todos comer feijoada e terminaram cantando London London.
Nesse ponto chega o dedetizador.
-Essa época do ano... - diz, coçando a nordestina cabeça.
Os verdadeiros fregueses do restaurante ficam consternados:
-Quem são? Parecem humanos...
-Estavam usando talherzinhos e tudo!
O romancista A grita "Por Fidel!" e cai morto da lâmpada. Nobremente bóia na salada de frutas. À guisa de epitáfio ouve-se Dona Salete, que dá aula de matemática para alunos da sexta e sétima série no Colégio Arquidiocesano e secretamente acha Cuba superduper, dizer alcoolizada a grande frase, "ai gente, também não precisava matar."
Direto da lâmpida de Alexandre Soares Silva
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Ticcia
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Sala de Espera
Quando a gente pensa que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.
Requintes de Crueldade
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DaniCast
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6.6.04
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No seu lugar, eu não fecharia meus olhos ainda.
Não apagaria a luz nem trancaria as janelas.
Porque existem coisas que você precisa entender.
Coisas que você precisa ouvir de mim.
Eu não diria uma única palavra agora.
Não tiraria conclusões, não pararia para pensar.
Porque existem coisas que eu preciso te dizer.
Coisas que você quer ouvir de mim.
meu paredro
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DaniCast
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5.6.04
Hoje tente me amar. Venha, levante o queixo. Deixa que eu te dê uma rosa, um escravo, um torrão de açúcar. Hoje, tente fazer com que eu seja indispensável, com que eu seja matéria-prima dos seus dias, esse que, quando se ausenta, torna a respiração dificultosa e inútil, porque viver, sem mim, se torna inútil. Hoje. Me dispa em ternuras tão ingênuas pra que quando estivermos inteiramente nus, um vele com inconsciência e febre a existência do outro e então, finalmente, não existiremos. Não seremos senão vultos morenos e plásticos, nódoa no lençol alvo. E a rosa, o escravo, o torrão de açúcar descansarão em esquecimento enquanto o fogo emprestar sua dança furiosa, enquanto o pavio arder submisso e intranqüilo. Hoje me faça sua essência, sua causa e efeito. Faça com que esse gesto de adoçar com colônia tuas veias e vestes seja um jeito de dizer que me ama. Hoje borde detalhes em teus vestidos compridos, costure flores de vôos longínquos. Espere eu voltar de uma guerra infinda, mesmo que receba carta que me acuse morto, cotovelos envelhecidos no parapeito, me espere com resignação de viúva e fervor de amante.
Componha uma sonata, traduza um soneto. Hoje tente me amar. Venha, levante o queixo.
Tabacaria
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DaniCast
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5.6.04
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Insônia
Acordou no meio da madrugada, qual este que vos escreve, e não consegue dormir? Sem problema, vasta é minha experiência no assunto, basta fazer o seguinte:
0) Não abra o livro mais próximo na página 23;
1) abra a latinha de cerveja mais próxima;
2) redija uma nota suicida ou uma redação sobre suas meias;
3) abra outra latinha de cerveja;
4) engula 20 a 40 drágeas de diazepam ou equivalente;
5) amarre um saco plástico na cabeça;
6) aperte "Publish";
7) bons sonhos.
dies iræ
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DaniCast
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5.6.04
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4.6.04
Amigos,
De novo, sem consultar niguém, resolvi mudar. Uma das vantagens da democracia é que você tem o direito de ser ditador, se ninguém reclamar.
Mas se alguém não gostar, sou o primeiro a dizer "desculpe". Guardei o template antigo, então, para tudo há solução.
Ainda é preciso arrumar uma coisa ou outra, (deve haver algum deslise). Portanto, se alguém encontrar erro, por favor avise.
Colegas de trabalho, entrem em "edit my profile" para que o linque no nome de vocês, à direita, leve a algo diferente do que um aviso de "nem rolou".
Favor confirmar o recebimento deste memorando, em três vias carbono, e com a assinatura da D. Lindaura, a secretária.
Chefinho Rata, espero que seja do seu gosto.
Grato,
Henrique
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Henrique
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4.6.04
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Parabéns, miúda
... e que não continues a destruir-me os teclados do computador deitando-lhe cola por entre as teclas e as membranas.
(a tua mãe, quando te vir aqui, dá-me um tiro)
No arame
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Jan
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4.6.04
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Se voce está desesperada porque dia 12 está chegando e você está na fissura de encontrar alguém e não consegue, eis aqui minha mais famosa simpatia para o seu desencalhe total:
Simpatia para conquistar seu amor :
Amarre o pescoço do Santo Antonio com o seu mouse , dê 3 voltas com o fio e pendure atrás do monitor.
Baixe pelo Kazaa as seguintes músicas:
- Eguinha pocotó
- Você é meu amor (de qualquer grupo de pagode)
- Segura o Tcham
- Pense em mim ,chore por mim.
- Funk das cachorras (ou algo semelhante a isso)
- Ave Maria com Jorge Aragão.
Coloque as caixinhas de som perto do ouvido do Santo, ligue o som em modo repetitivo e faça a seguinte oração:
"Adorado Santo Antonio essa sequencia vai repetir até meu homem surgir."
Saia do quarto, tranque a porta e vá pra rua.
É tiro e queda.Só não esqueça de pedir perdão pro Santo depois.
...
Nina, minha irmã, resolveu convidar mamãe para ir a um show de Punk Rock em algum lugar lá da Zona Sul em São Paulo, mas antes fez algumas recomendações:
- Mãe, por favor, nada de falar Supimpa, ok?
- Ok, vamos lá mina, vai ser do balacobaco!
- Não mãe, peloamordeDeus, balacobaco é pior que supimpa!
- Balacobaco é Supimpa!
- Ah mãe, assim não dá! O Carlinhos vai lá e você falando Balacobaco?
- Ta, ok, lets go now, o que devo falar então?
- Ah sei la, fala Fodasso!
- Fodasso?
- É, fodasso pra tudo. Não precisa falar mais nada, ok?E também não fica parada, tenta se sacudir um pouco.
- Ok mina, lets go now!
Foram as duas pro show.
- Mãe, não precisa ficar balançando os braços no ar, o show não começou ainda.
- Ué, você pediu pra eu não ficar parada.
- Ih mãe, olha o Carlinho chegando..olha la hein..
- ok.
- E aí Tia Sô, bele?
- Fodasso!
- Tá gostando do ambiente?
- Tá Fodasso!
- Não sabia que a senhora gostava de punk rock.
- Pois é, Fodasso!
- Mas a sra curte essa banda também, porque é nova e tal.
- É fodasso, né?
- É tia, é sim, super. Será que vai demorar pra começar?
- É, já tá fodasso.
- Manêro esse jeito da senhora balançar os braços pra cima mesmo sem musica, é bem style.
- É fodasso!
- Nossa queria que minha mãe fosse manêra assim também.
- Mas é fodasso!
- Nina, sua mãe é D+
- Ahh..ela é bem fodassa né?
- Fodassa nada, fodassa é meio ultrapassado, eu diria que ela é supimpa mesmo!
- Supimpa?
- É, ela é supimpa!
- É isso aí mãe, você é supimpa, viu?
- E você é fodassa Nina, supimpamente fodassa!
Fata
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Jan
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4.6.04
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Chego na academia. Depois de correr 30 minutos da esteira (e colocar os bofes pra fora), encaro aquela bicicleta em que a gente fica confortavelmente assentado e pode ler coisas legais que lembrou de levar para a ginástica. Duro é quando você descobre que esqueceu de levar coisas legais para se divertir enquanto pedala aquele negócio chato... Aí você olha pro lado e tem uma moça bonita como as modelos de capa de revista, com jeito de simpática e um jornal inteirinho, do tipo este aí me interessa muito. Aí você espera ela ler uns dois cadernos e arrisca:
- Desculpa incomodar, mas você poderia me emprestar a parte do jornal que já leu?
E ela, com a cara mais impassível do mundo, responde, monossilábica:
- Não.
Além de bonita, inteligente e egoísta. Quando crescer quero ser assim.
Linda e Loura
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Jan
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2.6.04
Vida Besta
'Titiôôôô..., o que é dadaísmo?'
'Senta aqui no colinho do titio que ele explica. Pronto. Dadaísmo, minha querida, é o que tua tia Janete fazia.Ela saía e dava, dava, dava, dava, dava, dava.Por isso o titio descarregou um trezoitão na cara dela.'
'Que looouco, tio! Quando eu vou poder fazer isso também?'
Adianta dizer que a menina cresceu e prestou vestibular pra letras?
Adianta chamar a vida de besta?
Uns choram. Outros vendem lenços.
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DaniCast
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2.6.04
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1.6.04
Hoje, num restaurante perto do escritório:
- Por favor, uma Coca-Cola, sem gelo e limão.
- Light, Light Lemon? - perguntou o garçom.
- Gelada e normal mesmo.
Sempre achei que quem pede a versão Light da bebida é que deveria especificar o seu pedido. Pois é, birra minha, mas penso que o sabor que existe há um século é que deve ser o pedido default, não a inovação recente. Enfim, chega a Coca-Cola correta, mas acompanhada de um copo com gelo e limão.
- Desculpe, mas eu pedi sem gelo e limão (preciso parar com essa mania de pedir desculpas mesmo sem ter feito nada de errado).
- Ah, tudo bem, vou trocar o copo - e vem um só com gelo. E depois um só com limão.
- Tudo bem, é só tirar o limão, eu quero só o copo mesmo - disse eu, enquanto o garçom me olhava como se estivesse pensando "ele vai beber essa Coca-Cola assim, pura?".
Veja só que coisa esquisita: o sujeito fala "uma Coca-Cola" e recebe a bebida com todos os acessórios e opcionais, Light ou Light Lemon gelada com gelo e limão; eu preciso especificar "uma Coca-Cola normal gelada, sem pedras de gelo e sem limão" para receber a versão simples. O meu idoso interior (que quando contrariado parece com o Zagallo) levanta seu dedo indicador torto em riste e resmunga "isso não faz sentido!". Da mesma forma que os apreciadores de whisky têm a expressão "cowboy" para o drink puro, deveria haver um termo similar para a Coca-Cola.
Qualquer dia desses fico ranzinza novamente e publico aqui minhas observações sobre esse costume insensato de tirar os picles dos sanduíches do McDonald's, outro absurdo.
Concatenum
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DaniCast
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Em mim habita eternamente o que de mim fizeste, este algo subjascente às incredibilidades da vida, aos reveses do mundo que tem o sarcasmo do teu sorriso. Em mim, um entardecer desperto há pouco tinge-se de cores insuspeitas que me acompanharão até o fim dos dias, como me acompanhará a outra de mim que se inaugurou pelos teus olhos e que comigo já se confunde irreversivelmente. Em mim o tanto de ti que se confundiu comigo e tornou-se a minha parte mais eu mesma.
Não Discuto
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DaniCast
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They call me The Howlin' Guava
Estou tentando virar bluesman. Todo dia eu encho a cara de bourbon e tento tocar dois acordes no meu violão - até agora, não saí do primeiro, que só acerto quando estou sóbrio. Já compus, mesmo sem acompanhamento, 115 músicas que começam com os versos "I woke up this morning/ My baby was gone". Cada uma delas tem sutilíssimas variações no tipo de interjeição utilizado ("boom, boom", "hey, hey", "yeah, yeah", "iac, iac" e assim por diante). Ainda assim, já estou bem perto do coma alcoólico e não consegui ser reconhecido como um legítimo homem-azul do delta do Tamanduateí. Penso que estejam faltando só o chapéu com estampa de oncinha e pena e a aprovação do pessoal da UnB, certificando que sou black e sou proud. Vou a Brasília bater o mojo na mesa e impressionar esses branquelos. I spell M-A-N...
Pura Goiaba
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DaniCast
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31.5.04
Marquei com o John Atoshman para ele me buscar na faculdade as 21:00. Ali pelas 22:40 ele apareceu junto com o Portela, e de lá partimos para a sua casa, onde rolaria uma bebedeira seguida de violões.
Ao se dirigir para a casa do John, em seu carro, com o som lacrado numa música de metal fodido (porque o John e o Portela são metaleiros) um estranho barulho começou a ocorrer.
-- Cara, que bateria zoada!
-- Não é bateria não.
-- Acho que furou um pneu.
Diminuímos o volume do som e constatamos que o barulho vinha do lado de fora do carro. Paramos e descemos para checar os pneus. Tudo certo. Nada errado. Voltamos para o interior do carro e seguimos viagem, mas o barulho voltou a aparecer.
Paramos o carro denovo. Desta vez descemos e fomos olhar embaixo do carro. Confesso que nessa hora eu achei que o John tivesse atropelado um veado campestre e ele estava enrroscado nos pneus, ou algo assim.
-- Cara, o escapamento tá no chão.
-- Como?
-- O escapamento. Quebrou.
Pois é, o escapamento estava solto, no chão, arrastando.
Não conheço muito essa parte mecânica dos automóveis. Pra falar a verdade não conheço nenhuma parte de um automóvel. Mas não foi preciso ser um grande conhecedor de mecânica para constatar que aquela peça ali não devia estar no chão.
-- Essa coisa aí não deveria estar presa no carro?
-- Claro que sim, moskito.
-- Pô, então porque ela tá arrastando no chão?
Percebi que o John e o Portela não gostaram da minha pergunta e se negaram a responde-la. O Portela se encarregou de dar chutes no escapamento afim dele cair por completo, pois ainda estava semi pendurado na parte debaixo do carro. Enquanto isso o John ficava falando: "Meu pai vai me matar! Meu pai vai me matar!" repetidamente.
Eu, estava um pouco mais calmo e observando tudo atento, só conseguia pensar numa coisa:
Prá que serve um escapamento de carro?
Pô, o carro até ficou mais bonito sem aquele cano ali atrás. Se não fosse um amassado no parachoque traseiro causado por um chute sem pontaria do Portela, o carro teria ficado perfeito. Aquele cano tirava todo o carisma do carro.
Colocamos o escapamento dentro do porta-malas e seguimos viagem. O ronco do carro até tinha ficado mais legal. Os mano na rua ficavam todos olhando pra aquele Escort roncando forte na avenida. E nós três, John, Portela e eu, ali dentro, curtindo um hardmetal afudê.
Até que enfim tinhamos estilo e todos olhavam para nós. Abaixamos os vidros e lacramos o volume do som. O John fazia o carro roncar bonito cada vez que passava por alguém na rua. E a playboyzada toda ia ao delírio. Estiloso, fera.
Então pensei ainda mais: "Pra que serve a porra do escapamento?" Tudo parece tão legal sem aquele cano feioso. Porque então o carro tinha aquilo pendurado?
No meio de um bairro barra pesada e deserto da cidade o carro resolve apagar e não mais ligar. Não tinhamos telefone algum para tentar contato com o mundo exterior. Apenas alguns meninos com cachimbos na boca circulavam por aquela rua, por isso resolvemos não pedir ajuda e ficar por ali mesmo.
Frio, escuridão e fome. Decidimos empurrar o carro até um beco e dormirmos por ali mesmo. Os três metaleiros dormindo dentro de um Escort.
Claro que não conseguiamos dormir e mantinhamos os olhos bem abertos com preocupação. Ali pelas duas da matina uma coisa apavorante aconteceu: Um morcego louco que ficava perambulando em volta do carro, achou bonito nos assustar, e pra isso batia-se contra o para-brisa. Era assustador.
Hoje pela manhã quando acordamos, caminhamos alguns kilometros até acharmos um telefone público. Chamamos um guincho e fomos para a casa do John explicar tudo para o pai dele que, por sua vez, não acreditou em nada que dissemos, lógico.
"Que história idiota!" disse o pai do John.
Eu também achei uma história deveras idiota. Mas o que eu posso fazer? Foi verdade e, além do mais, ainda nem aprendi pra que serve o maldito escapamento de um automóvel.
alguém aí pode esclarecer para o moskito, do ¿de que jeito?
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Jan
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31.5.04
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Vi na farmácia. Cápsulas de berinjela. É que para muita gente, berinjela é uma coisa difícil de engolir. Podiam então fazer cápsulas de:
Saudade
Tristeza
Choro
Sapo
Desaforo
catarro verde
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Jan
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31.5.04
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25.5.04
Solidão? Baixa auto-estima? Aquele sentimento indigesto com um gostinho amargo de abandono? Sensação de que você não faz diferença para o mundo?
A solução para o seu problema é muito simples. Siga a receita.
INGREDIENTES:
- Uma assinatura do Jornal do Brasil.
- Um pouco de bom senso pra perceber que o jornal está muito fraco e não é mais o que era antes.
- Pouco dinheiro na carteira pra gastar com assinatura de jornal que está muito fraco e não é mais o que era antes.
MODO DE PREPARO:
Leia o jornal por muito tempo. Encha o saco da falta de informação. Critique sempre, fazendo do seu café da manhã uma espécie de mesa redonda sobre a cultura no novo milênio. Misture o bom senso com a falta de dinheiro e mexa bem. Ao receber o novo carnê de pagamento, ignore como se sua vida dependesse disso. Finja que o carnê é um daqueles vizinhos chatos que faz com que você desvie o caminho. Rasgue, esconda, jogue fora, faça o que quiser, mas não pague em hipótese nenhuma. Não pague!
Essa receita rende três semanas de ligações telefônicas de simpáticos atendentes de telemarketing muito interessados em saber o motivo que te levou a não renovar a sua preciosa assinatura.
Mesmo dando sempre a mesma resposta, eles te ligam de novo. E de novo.
É melhor que CVV.
uma dama não comenta
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Jan
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25.5.04
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As três formas didáticas ou caminhos humanos para o entendimento: você explicar, você ilustrar, você bater até a pessoa entender.
Uma deformação no terceiro caminho, caminho chamado hodiernamente de zen, é quando o aluno em vez de aprender gosta da surra ou quando o professor abandona a didática pelo vale-tudo.
Aí, em vez de zen, recebe o nome de civilização ocidental, e estamos diante do terceiro e meio caminho.
...
Fulano morava quase sozinho, dividia a habitação com uma gatinha malhada e quatro Prousts. Um parecia mesmo o escritor, outro até dava ré, o terceiro escrevia de forma incompreensível e enrolada os menores recados de geladeira e o último passava o dia e a noite na cama.
saudade do presidente figueiredo
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Jan
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25.5.04
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Uma questão séria.
Qual é o tão terrível problema em usar a seta do carro para sinalizar que você vai entrar numa rua e/ou garagem?
Será que ninguém percebe que este é um facilitador da vida ou a minha paciência que está atingindo limites do intolerável?
hmpf.
acredite ou não
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Jan
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25.5.04
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Por que não acredito nos médiuns
Trecho de um texto escrito por Raul Seixas aos 13 anos de idade:
"Cirilo conta coisas engraçadas: hoje entrou contando que seu colega de sala morreu com massa de modelar no nariz. Falta de ar (sabe como são essas coisas...).
Dei-lhe uns trocados e ele me cuspiu. Mamãe rosnou na cozinha. Fingi que chorei para ela morder Cirilo.
Ninguém ligou.
...
Tomei o ônibus na esquina. Estava cheio de gente, gente com cara de viajar de ônibus. Caras sérias, porque em ônibus só se viaja sério; é o normal, é o certo."
Agora um trecho supostamente ditado pelo mesmo Raul Seixas a um tal Nelson Moraes, médium, em março de 2002:
"Muitas vezes, embalados pelo sonho e pelo lirismo dos poetas e pelo modismo estimulado pela sociedade de consumo, deixamos de enxergar a realidade à nossa volta e buscamos distrair a nossa consciência das responsabilidades inerentes a verdadeira finalidade da vida, conseqüentemente, alteramos o valor das coisas e os conceitos sobre juventude, lar, família e objetivos, deixando cair vertiginosamente o nosso amor próprio e o amor por aqueles que nos são caros. Nesse conceito equivocado, tudo se torna lícito, até mesmo o que não convém. Os que viveram esse tipo de liberdade na Terra, hoje superlotam os vales das sombras à semelhança de larvas, arrastando-se entre o limo e as escarpas dos abismos espirituais, situação em que, alguns casos, podem se prolongar durante séculos.
Antes de questionar a vida, questione a si mesmo, analise seus conceitos, seus sentimentos, sua gratidão por aqueles que o ajudaram a renascer na Terra e, com certeza, você encontrará uma grande razão para viver e lutar contra o único inimigo que pode derrotá-lo: você mesmo!"
Eu quero ver quem é que me convence que alguém que aos treze anos escrevia tão bem, com idéias originais e uma percepção irônica do mundo, tornou-se um cuspidor de clichês semianalfabeto depois de morto. E o caso do Raul Seixas é só um exemplo. Pelo que percebo dessas tão populares obras psicografadas, ou das tais pinturas feitas por espíritos, a morte é mesmo um treco horrível: além de nos tirar a vida, arranca-nos totalmente o talento. Coisa triste.
Jesus, me chicoteia!
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Jan
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25.5.04
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24.5.04
Uma das piores coisas que acontecem quando crescemos é ver a palavra "aventura" degradada por toda parte. “A aventura de aprender”, “a aventura da matemática”, “a aventura de comer jiló”. “A aventura de ir no dentista e ser um bom menino.” “A aventura da vida!”
Aventura uma ova. A única aventura que conheço é ser perseguido por sepóis numa selva malaia e levar um tiro na bunda. Todo o resto é no máximo Esforço.
Alexandre Soares Silva
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Jan
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24.5.04
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Estou postando direto de um engarrafamento. Não chega a ser um prazer escrever em telefone, mas a verdade é que, com o tempo, pelo menos fica mais rápido. Quem sabe um dia eu não fico boa nisso? Tem uma garotada aí que tecla à velocidade da luz...
internETC
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Jan
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24.5.04
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A solidão dói milhares de ratos a roer o avesso da pele e cheira um mofo de cantos há anos sem sol. Brotam verdes e estranhos azuis no corpo que vai se tatuando de abandono e se entrevando cada vez mais e mais encolhido buscando o próprio colo e um ventre de nascer pra dentro. A solidão vigia com olhos escancarados minhas noites em claro, bebe meus medos na taça da minha boca deserta, suga meus lábios tristes da mesma saliva e dói nos meus braços vazios a dor de um abraço oco.
não discuto
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Jan
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Se você está perdido numa dessas megalojas, cansou de comprar eletrodomésticos e achou que seria bacana levar um livrinho para casa, mas não sabia qual, siga as recomendações listadas abaixo.
1) Dê uma boa fuçada nas estantes de auto-ajuda. Não, você não leu errado. É só contar com o analfabetismo funcional do pessoal que as organiza. Como já escrevi aqui, podem-se encontrar os sete volumes de "Em Busca do Tempo Perdido" entre os Japachiques e o último livro da Lya Luftal (copyright de Alexandra, a Nibelunga). Há também "A Montanha Mágica", história do sucesso de um rapaz alemão na luta contra a tuberculose, e "Lolita", lindo livro que mostra que as diferenças de idade não são obstáculo para o amor.
2) Evite comprar livros da Conrad. Se saiu por essa editora, não pode ser bom -é como água e azeite, Ingmar Bergman e Paulo César Pereio, livros da Brasiliense nos anos 80 e boa literatura, essas substâncias que nunca se misturam. Vá por mim. O mesmo vale para qualquer coisa publicada pela Fundação Perseu Abramo.
3) Fuja, correndo e gritando, de livros-escritos-por-gente-que-tem-blogue. Pelo amor de Deus. As pessoas só têm blogues porque são analfabetas, disléxicas ou as duas coisas juntas (como é meu caso). Blogueiros que publicam livros somam a chatice a essas duas qualidades -e dá-lhe spam, banner, autopromoção desenfreada e o cazzo-a-quatro para que você compre o maldito livro. Na cabecinha dos "escritores de internet", "escrever livros" confere um status social superior a "escrever em blogue" e ainda ajuda a disfarçar a caspa e o mau hálito. Ora, francamente. (Eu ia dizer que há exceções. Não vou. Assim é mais divertido.)
4) Por último, mas importantíssimo: jamais compre livros de escritores que se deixem fotografar descalços. Está cientificamente provado: em 100% desses casos, não há hipótese de o livro não ser uma caca. Você já viu alguma foto de James Joyce descalço? William Butler Yeats na banheira, com os pés para cima? Jorge Luis Borges exibindo seus joanetes? Claro que não. Então, amigo escritor, trate de calçar os sapatos se quiser que eu compre algum livro seu. Não, nada de sandálias Havaianas: sapatos, s'il vous plaît. Poupe-nos da visão grotesca das suas extremidades inferiores.
pura goiaba
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Jan
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24.5.04
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déco é gordo. déco nunca teve nada de importante a dizer, nunca elaborou raciocínio algum ao qual alguém já não tivesse chegado, lendo ou pensando, nuncas colaborou nas discussões em aula sobre o assunto que fosse, nunca gravou um vídeo amador e vendeu para alguma tevê, nunca fotografou nenhuma celebridade em trajes íntimos ou em pêlo, nunca foi célebre, nunca jogou na megasena, nunca torceu pelo mocinho, sequer pelo bandido, nada.
déco levava sua vidinha, tirava a nota média, sentava no banco que estivesse vazio, respeitava as filas e nelas entrava onde indicado, pagava as contas em dia, não era nada especial. déco não poderia sequer aspirar ao reconhecimento, dado que este, em tempos remotos, era dado apenas aos que o mereciam, de alguma forma, e não por apenas terem seus rostinhos aparecendo em algum meio. déco tinha azia de vez em quando, uma diarréia ocasional por ter misturado comidas propícias a tal, tinha dores de cabeça esporadicamente e agradecia à existência da farmacêutica, da qual não tinha o menor conhecimento, e vivia sua vida ali sentado no banco, na fila, no banheiro, arrotando amargo, fazendo a barba.
mas déco tinha um segredo. assistira certa vez a um filme, numa das vezes em que esperava o momento ideal em que sentiria sono e dormiria para recomçear a vida que nunca tinha começado de verdade. não gostava muito de filmes, normalmente não levava deles aprendizado algum, quando muito o tempo de entretenimento que o suporte oferecia. o filme era estranho, mais estranho do que déco podia conceber, mas ainda assim não conseguia largar dele, seus dedos não conseguiam fugir do canal que exibia a obra, e ele entendia. conseguia elaborar toda a história em torno do filme, toda a relação de significados ali contida, todo o universo narrativo e implicações imbricadas na película telecinada. e déco entendia tudo.
no dia seguinte, já no ônibus, ao lado do colega de trablho de que sempre pegava a mesma linha três paradas adiante, déco comentou o explicou todo o filme nos pormenores que lhe tinham relevância. o colega, depois de muito ouvir e acusando o momento da descida deles do coletivo, respondeu.
"que nada, nem vem que ninguém entende david lynch".
como assim 2 uísque?
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Jan
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24.5.04
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EM PORTUGAL
Anda meio país, auto-intitulado culturalizado, indignadíssimo com o erro ortográfico que escreve benvindos ao invés de bem-vindos. É claro que o restante da frase “ao Rock in Rio” lhes passa ao lado.
No Arame
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Jan
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24.5.04
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Moro há 8 anos aqui no prédio e conheço poucas pessoas pelo nome, acho que só o síndico e duas vizinhas daqui do andar, portanto temos uma forma peculiar de chamar alguns moradores daqui:
1. Coelhinho - um garoto que quando era mais novo, eu estava no elevador com ele e mais uma moça e essa moça disse que ele estava muito bonito fantasiado de coelhinho e o garoto muito bravo disse que a fantasia era de índio. Coitado. Ficou sendo o coelhinho.
2. Soldadinho de Chumbo - um cara que é da PM, chato e arrogante. Guarda uma vaga para o carro dele com uma moto que atrapalha a garagem.
3. Beatle - uma cara certa vez viu um CD dos Beatles na minha mão, disse que adorava e iria mandar convites para assistirmos um show de uma banda cover. Estamos esperando até hoje.
4. Louca - uma mulher insegura que certa vez estava saindo para ir buscar lanche do Mac Donalds para o "filhinho" de 19 anos.
5. Doido - Filho único da Louca, cara é um safado, fuma todas e vive metido em encrenca. Tem um carro com neon azul por baixo, horrível.
Como diz meu pai: bom mesmo só nós :o)
Post It
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Jan
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24.5.04
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Há prazer com a nebulosidade, as dezenas de hipóteses, a falsa confirmação das coisas. A verdade nos frusta, quase sempre.
Bricabraque
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Jan
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24.5.04
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18.5.04
EU SOU DONO DA VERDADE
E tenho a nota fiscal para provar. Paguei por ela durante quase 34 anos, em nada suaves prestações. Troco-a, de ótimo grado, por mentiras simpáticas ou por um Monza 86 com menos de 70 mil quilômetros. Alguém chame a Granero e leve essa verdade para bem longe daqui.
Pura Goiaba
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Jan
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18.5.04
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Que o amor não mais me pese, que não me acorrente, nem me traga amarras mesmo que de cetim. Que não me amiúde, não me escravize, não me ponha cabresto ou arreio e que também não venha por pena de mim. Que o amor me chegue manso como um cachorro ferido e se aconchegue aos meus pés numa réstia de sol e me lamba as mãos como se reconhecesse seu dono. Que venha decidido a ficar para sempre, mesmo que logo ali mude de idéia, que me deixe na boca sempre um gosto de véspera de estréia, um inaugurar de outono. Que o amor de mim se aperceba e me escolha, que me veja entre as multidões e aos seus olhos eu seja diferente e depois me queira e me proponha: me ama simplesmente.
Não Discuto, indiscutível.
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Jan
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18.5.04
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15.5.04
Vocês quase me perderam. Além do servidor onde o meu blog está hospedado ter ido pro espaço por 17 dias, o sistema aqui do blogger cismou que eu não existia. Foi por um triz que vocês não ficaram sem chá. Essa passou perto...
Dani, de volta à ativa
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DaniCast
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15.5.04
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A partir de hoje serei a alma da escória humana, enquanto houver maldade eu viverei, pois eu serei a pedra no teu sapato, a paçoca grudada no céu da boca, a tia chata do fim de semana, a hipocrisia, o ódio, a sede de vingança, a podridão que habita a mente humana, eu serei seus piores pesadelos, e não terei piedade em lhe castigar, farei você sofrer até implorar e quando isso acontecer, irei te torturar até a morte! Simplesmente por que eu sou uma MALVADA anoniMÁ.
A.M.A. - Amigos dos Malvados Anônimos
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DaniCast
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15.5.04
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13.5.04
Tem umas coisas que só acontecem comigo.
Em cima da loja tem dois flats, o vizinho de cima está reformando a cozinha, hoje cheguei na loja, abri e fiquei alguns minutos paralisado até entender o que estava acontecendo: metade do teto caiu, teve um vazamento enorme de água, a prateleira do meio da loja virou uma piscina, só vi a testa do Baden Powell fora da agua, ou então o Humberto Gessinger dentro da piscina sentado no sofá na capa do Tchau Radar, eu acho. Deve ter uns mil e quinhentos CD's imersos ali.
Vim para casa buscar minha câmera fotográfica e enviar um e-mail para meu chefe que está no México.
Vou lá salvar os músicos, que nem todos devem saber nadar...
Phoda.
The Nowhere Man
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Jan
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13.5.04
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10.5.04
A solidão não me é prazerosa. Não me basto como companhia, preciso dos meus silêncios tanto quanto preciso dos silêncios dos outros a fazer eco dos meus. Eu não basto a mim mesma porque minha matéria não cabe em mim. Vivo de transbordamentos e avalanches e preciso em quem transbordar. Vivo de entregas, vivo enquanto me dou de presente, me ofereço. Vivo para extrapolar minhas fronteiras e me imiscuir em terra estrangeira. Vivo enquanto exploro e fecundo, vivo enquanto tomo outros territórios, enquanto me aproprio, possuo e sou possuída. Minha fome não se aplaca em autofagia, preciso da carne de outros, do sangue de outros, dos olhos de outros.
Não Discuto
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Jan
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10.5.04
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A garotinha está sentada no colo do avô, no sofá da sala com capa cinza clara – o mesmo que está lá até hoje – e o avô olha no fundo dos olhos dela e diz que são olhos de jabuticaba. Só mesmo amor de avô para ver qualquer graça em olhos castanhos como a maioria. A garotinha ri e eles cantam juntos: “Cabooooocla, seu olhar está me dizendo/que você está me quereeeeendo/que você gosta de miiiiiiiiim”. Ele é o seu Nelson Gonçalves e ela é a sua cabocla. A avó entra na sala e acena para a garotinha com a encomenda pronta: um copinho de plástico cor-de-rosa, com uma família de coelhinhos desenhados. A coelha mãe veste um vestidinho azul. A garotinha pula do colo do avô e agarra o copinho. Aquela é quase uma rotina dos dias de férias na casa dos avós. A rotina que ela adora. Dentro do copinho, ela sabe, água e detergente esperam para, com a ajuda de um canudinho pequeno, ser transformados, magicamente, em bolinhas de sabão que vão voar pela vila e se espatifar num dos paralelepípedos enormes, enquanto a garotinha observa tudo, curiosa, sentada no degrauzinho de mármore branco da casa.
A garotinha, é claro, sou eu. E, de repente, a saudade dos meus avós me deu vontade de encolher na cama e ser ela de novo.
Epinion
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Jan
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10.5.04
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– Pai, o que é Orkut?
– Você não devia estar fazendo sua tarefa?
– Por que quando eu pergunto alguma coisa que você não sabe responder é sempre assim: “Você não devia estar fazendo sua tarefa?” Igual quando eu perguntei sobre camisinha.
– Tá, tá certo. Então. Você não devia estar me perguntando sobre camisinha?
– Eu não quero saber sobre camisinha. Eu quero saber o que é Orkut.
– Mm. Sei. Orkut. Bom. É, hã, uma espécie de associação. Onde as pessoas se reúnem e conversam, e encontram pontos em comum.
– Ah, sei. Igual àquela associação que a mamãe freqüenta, pra parar de beber? E que ela finge que vai – mas vira o carro na última esquina pra ir jogar pôquer na casa da tia Selma?
– O quê?!? Ela faz isso?? Vai pra casa da Selma???
– Só que ela pediu pra eu não te contar. Mas e aí? Vai responder ou não?
– Mmmmm. Tá, filho, tá. O Orkut é um modo de reunir na rede, várias pessoas interessantes, e...
– Ah, igual ao tio Flávio, lá na chácara, quando disse que a empregada e a cunhada dela eram muito interessantes e foram os três pelados pra rede, na varanda dos fundos?
– Quêêêêê?!? Quando foi isso?!?
– Sábado. Mas ele pediu pra não te contar.
– Hã. Hum. Bem. Hã. Bom, Orkut, meu filho, é um mecanismo que permite que você deixe sua ficha, sua foto, seus dados, e...
– Ah. Igual o Júnior fez na delegacia, semana passada, quando foi preso fumando maconha?
– O quêê?!? Seu irmão foi... preso? C... com maconha?
– Foi. Só que tem uma coisa...
– Tá, tá. Ele disse pra não me contar nada.
– Arrã.
– Hã. Mmm. Pfff. Ahhhh. Hm. Olha, meu filho. Orkut é uma invenção de dois carinhas, um russo e um americano, que encheram o rabo de dinheiro com o tal do Google e agora criaram essa coisa aí pra todo mundo se viciar, esquecer o trabalho e ficar horas e horas gastando pulso na internet! Faz o seguinte: vai lá na farmácia agora e compra uma camisinha que eu te explico direitinho como colocar ela!
– Colocar? Mas eu só tenho oito anos, pai!
– Não tem problema. A gente usa uma banana. Pelo menos conversar sobre camisinha vai ser muito menos desgastante pra mim do que falar sobre o Orkut!
Ao Mirante, Nelson!
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Jan
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10.5.04
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Ouço Tim Maia, o que me alivia a dor nas costas conquistada em duas horas de treino. Não há nada de esotérico em Tim Maia. É só a distração da dor. Dores são facilmente distraídas com banalidades pop. Ou então com eventos da natureza. Mesmo as dores mais fortes são ludibriadas com artifícios ao acaso. Ao menos por alguns instantes. Hoje à tarde, por exemplo, meu coração rasgava sufocante. Foi então que caiu uma chuva fora de hora sobre a camada sem forma de São Paulo. E não sei se foi a temperatura, a súbita mudança estética ou o cheiro que subiu do Parque molhado lá embaixo. Não sei bem da onde, mas uma súbita paz tomou conta de tudo. Durou adoráveis poucos minutos. Mas garantiu todo o início da noite.
AMARAR
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Jan
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10.5.04
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3.5.04
respeitável público,
estou de férias.
volto em breve, tá?
abraços e beijos pra vocês
(conforme o gosto de cada um)
Ratapulgo Cansado
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Ratapulgo
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3.5.04
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