Esta é, provavelmente, a última crônica que escrevo neste blog. Acabo de saber que ganhei o prêmio acumulado da mega-sena. E administrar cerca de US$ 4 milhões é tarefa que vai consumir muito tempo, fora as viagens necessárias para levar todo esse dinheiro para a Suíça e Cayman e a mim próprio para outros paraísos.
Não estou muito nervoso nem ansioso, porque há algum tempo vinha me preparando para este momento. Inúmeras vezes, ao abrir o saite da Caixa para ver os resultados, interpretava o fato de não ter ganho à Providência Divina: é que ainda não estava pronto, nem tudo estava planejado. Mas agora foi tranqüilo.
Minha agente de viagem, eficiente e gentil, acaba de me avisar que conseguiu fechar as reservas para essa primeira viagem, necessária mais para fugir dos bordejos, dos pedidos de empréstimo e de entrevistas. Nesta época a primeira classe dos aviões não anda mesmo tão lotada.
Logo depois de pegar o dinheiro e fazer as devidas transferências, organizando tudo para permitir as movimentações imediatas e as de médio prazo, vou trocar meu Lada por um carro novo, espaçoso, com ar condicionado, para poder chegar ao aeroporto em alto estilo. E vou ao shopping comprar um conjunto de malas bordô que vi numa vitrina.
No final da tarde vou para Guarulhos, onde a primeira classe da United me espera. E amanhã, depois de tomar banho no aeroporto de Miami, na sala vip, pego o carro (pedi um com quatro portas e direção hidráulica) e dirijo até Orlando, cidade com a qual tenho grande identidade. Meu pai se chamava Orlando também.
Minha agente de viagens conseguiu uma suíte naquele hotel fantástico da Disney, que tem aquelas esculturas enormes de golfinhos e cisnes. Serão uns três ou quatro dias de descanso e diversão antes do principal trajeto: um cruzeiro temático pelo Caribe. No maior navio do mundo, com sete refeições diárias e parada na ilha exclusiva das Bahamas. Vou comprar um smoking para o jantar com o comandante.
Providencialmente, uma das escalas do cruzeiro é na simpática ilha de Grand Cayman. Com cinco bancos por metro quadrado, precisa ser explorada com cuidado. Vou conversar com os gerentes e ver que tipo de vantagens oferecem para receber meu rico dinheirinho. Acho que preferirei aqueles que aceitarem doc, pra não precisar levar dinheiro na mala.
De Orlando sigo direto para Austin, no Texas. Só para pedir autógrafo para meu ídolo, Willie Nelson e conhecer a torre, na Universidade do Texas, de onde um maluco ficou atirando em todo mundo que estava lá embaixo. Para não me estressar, dou uma chegada a San Antonio, a Veneza das Américas, para passear de barco nos canais da cidade, ir naquele restaurante fantástico que fica numa torre altíssima e conhecer o Alamo.
Volto ao Brasil antes de maio, para comprar um apartamento na Praia Brava, perto dos do Jorge Bornhausen e do Guga, um outro no Costão do Santinho, do lado do do Arthur Moreira Lima (também vou colocar um piano de cauda). E colocar um portão elétrico e circuito de câmeras de vigilância na minha casa. Só aí já foi um monte de dinheiro.
Ah, e terei que formalizar minha saída do governo. O Luiz Henrique não vai gostar, paciência, não terei mais tempo de ajudá-lo.
Em maio faço 50 anos e o mês todo será de comemorações. Para começar, na passagem por São Paulo, a caminho da Europa, jantarei no Terraço Itália e visitarei as gravações do programa do Jô no estúdio da Globo na Marginal Pinheiros.
Sempre na primeira classe, vou a Paris, onde me espera um carro último tipo, daqueles com quilometragem livre. Pego um trem para Zurique (o carro vai num vagão especial para automóveis, agora que sou rico não preciso ficar dirigindo pelas estradas). Lá, visito alguns banqueiros e se der tempo dou uma chegada a Berna, para visitar o fantástico clube Mocambo (uma vez conheci uma carioca que tinha uma prima que trabalhava lá). Dizem que rola de tudo.
Resolvida a questão das aplicações e do futuro dos filhos que terei a partir de agora, dou uma chegadinha à Alemanha, ali pertinho, para visitar a Floresta Negra. Bem no meio da Floresta tem uma confeitaria que serve uma torta mundialmente famosa. E depois, a festa continua numa das cervejarias em que se toma chope em canecos de cinco litros cantando, dançando e comendo comida típica de Blumenau. Saudades da Oktoberfest brasileira...
No final do mês quero estar na Suécia, para conhecer as monumentais loiras desinibidas que encantaram a seleção canarinho de 1958. Sem querer me comparar a Garrincha, ou mesmo a Pelé, também gosto de um bom drible, se é que vocês me entendem.
Antes de voltar, um jantar no Tour d´Argent, em Paris, com vinho de U$ 2 mil a garrafa, trufas brancas, caviar do verdadeiro, pretinho e ostras de Santa Catarina. Seguido de uma noitada no Folies Bergère, que dizem estar melhor que o Moulin Rouge. Amanheço nos lençóis macios e limpos do Hollyday Inn do aeroporto Charles De Gaulle, para pegar, de tarde, o vôo da Varig (se a empresa ainda estiver operando até lá), porque brasileiro tem que prestigiar o que é seu.
Viram? Está tudo planejado. Agora com licença que já são dez horas e tenho que ir à Caixa. Obrigado pela leitura nestes seis meses de blog, pelos comentários sempre tão gentis e generosos, pelos links, desculpem qualquer coisa. Quando o dinheiro acabar eu volto.
Até.
despedida veiculada por Carta Aberta
11.4.03
Porque gostávamos de mãos, escrevi sobre teus dedos a deslizar na superfície úmida da areia. Traços indefinidos que eu tratava de decodificar porque aos meus olhos eram as letras de teu amor. Porque gostávamos das palavras ditas, pronunciadas, sussurradas ou escritas em nossos papéis ou em nossos olhos, um dentro do outro - sou tua/sou teu - deixei que as palavras nos alimentassem e nos devorassem em uma noite de inverno: viajantes. Porque acreditávamos que havia sempre mais depois da linha em curva, foi que permiti teus dedos, ainda úmidos da saliva minha, experimentar a direção dos ventos. E como soubesse da partida meditada, concedi que meus dedos, ainda quentes de tua carne, desenhassem sobre a tela, em tintas mornas, os traços de nossos dedos juntos, o calor das palmas, dois pares esparramando-se entre linhas e sulcos. Esta é a da vida, teu dedo me disse. Esta é a do coração, revelou-te o meu. A terceira: esta nos definiu os passos.
dedos da Walkwoman
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Ticcia
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11.4.03
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Beethoven, Mozart, Chopin, Liszt, Brahms, Panties... (opa, desculpa), Schumann, Schubert, Mendelssohn e Bach. Nomes que vão viver para sempre. Mas há um compositor cujo nome nunca é incluído entre os grandes. Por que o mundo nunca se lembra do nome de Karl Gambolputty De Von Ausfern Schplenden Schlitter Crasscrenbon Fried Digger Dangle Dungle Burstein Von Knacker Thrasher Apple Banger Horowitz Ticolensic Grander Knotty Spelltinkle Grandlich Grumblemeyer Spelterwasser Kürstlich Himbleeisen Bahnwagen Gutenabend Bitte Eine Nürnburger Bratwustle Gerspurten Mit Zweimache Luber Hundsfut Gumberaber Shönendanker Kalbsfleisch Mittler Raucher Hautkopft Of Ulm Von Pumpkin?
DOUGLASDICKEL
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Ratapulgo
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11.4.03
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Misto Eleazar era o tipo do cara que bebe groselha com leite pra comemorar a virada de ano. Em outubro de 89 eu entrei numas de corte e costura no SENAC, e ele me perguntou se não tinha jeito de eu arrumar uma roupa transada pra ele. Peguei um saco de pão que ia até o joelho. Usou o mês inteiro. Eu suponho que ele vestia algo por baixo, mas nunca me atrevi a perguntar.
Caminhava quinhentos metros da casa dele até a calçada da minha casa, chegava em mim e dizia:
— E essa tal felicidade?
Eu coçava a orelha, dava um sorriso, ocasionalmente fingia que não tinha ouvido, entrava na garagem e ficava olhando ele de dentro de casa.
— Essa adolescência transgênica. Quem entende o hino nacional? Descarga elétrica esplêndida? E o povo, ó.
Um dia eu fiquei sabendo que ele participaria de um festival de RPG em Jacarepaguá e viajei numa kombi fretada pra prestigiar meu vizinho. Foi a mesma coisa que jogar um perfex com álcool dentro de um balde, atear fogo e pôr dinheiro dentro. O jogo era um grande tabuleiro de ludo. Quatro moleques encapuçados ficavam jogando dados e o Misto e outros doentes mentais eram os peões.
Via-se nos olhos dele o empenho em atuar, em desempenhar o papel do peão vermelho.
Peão Vermelho
Intempestivo e ambicioso, fará de tudo para conseguir seus objetivos.
OBS.: cada peão deve apenas movimentar-se quando os dados pararem de rolar. O número de casas a ser percorrido será resultante da soma dos números dos dois dados.
Cheguei em casa, liguei a TV e pus no canal 2. Um vesguinho era entrevistado no Sem Censura.
— A idéia surgiu quando a gente foi na casa do Fabrício e viu que o tapete tabacow que a mãe dele tinha comprado parecia um tabuleiro de ludo real!
Me descontrolei, puxei meu revólver, abri fogo contra o aparelho. A explosão me deixou hospitalizado por três meses. Meu rosto foi reconstituído, mas por dois anos de fisioterapia eu guardei uma expressão fixa de nojo no semblante, o que foi particularmente ruim para a minha carreira de representante da Polenghi em quiosques de degustação de supermercados.
Clube da Comédia
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Ratapulgo
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11.4.03
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:: Coisas de ontem à noite, solitária, no bar ::
Tem um homem me espiando [bobagem], ontem eu o vi, estava me seguindo [besteira]. Ele está me vigiando [parece louca!]. Já não bastam as vozes dentro da minha cabeça!?!
* * *
No quartinho de motel, antes do suspiro final, e do hímem rompido, a última cena que visualizou foi a do bombril na antena da TV.
* * *
Enquanto as bolhas correm desenfreadas até a espuma, na superfície do copo de cerveja, ela batuca na mesa que todos nós somos feitos de estrelas, já dizia aquele cantor carequinha e magrelo, parecido com um alienígena.
* * *
Tudo culpa tua! TUA! TUA! TUA!
A culpa é sempre de alguém.
E eu digo que ela é tua, só TUA!
* * *
E ao final de tanto sangue, suor e lágrimas, eu espero que você tenha alma, dinheiro, rumo e desculpas, coragem e limites PORQUE TUDO ISSO EU NÃO TENHO!
Eu só sei beijar o céu.
* * *
Tem mais, tem mais, sempre tem. Espreme que sai, ferve que pula, vomita que passa. Trepa que acaba.
* * *
Sem esquecer de ir devidamente, tomar no cu!
* * *
...O final é quando sobem as letrinhas, e os humanos começam a pedir o dinheiro e tempo de volta, ao invés de curtirem o orgasmo cármico de ver as luzes lentamente se acendendo...
Cata Vento & Montanha
Russa
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Ratapulgo
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11.4.03
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10.4.03
Sempre que passo o tempo contando os grãos do meu relógio de areia eu lembro de que poderia estar fazendo algo mais interessante do que pensar que uma bananeira pode alimentar cem pessoas, que o mundo é redondo mas meu olhar viaja em linha reta, que biri quer dizer cigarro na Bahia, que a mente é um loop infinito, que quase todos os terapeutas confundem identificação projetiva com transferência, que os vietnamitas usavam enxames de abelhas para combater os pelotões americanos, que preciso ler Slavoj Zizek, que querem me convencer de que tenho "desafios" e não "problemas", que eu também não tenho coragem nem para matar uma muriçoca, que me apavoram os giganotossauros, que nas minhas vidas passadas não havia escada rolante nem ar-condicionado, que eu não gostaria de trabalhar na Barra, que como eu disse antes eu nunca me repito, que o amor ah o amor, que tenho saudades do cinema Caruso, que eu detesto que me chamem de tia só porque não tenho 15 anos, que eu não saberia nunca provar que os números primos são infinitos, que eu precisaria de uma bunda célebre para sentar-me numa banheira de ônix, que os abetos do Himalaia não são como os daqui, que eu gostaria de ouvir o som de uma harpa eólica, que eu devia aprender a fazer um café mais forte, que eu nunca vou poder comprar um piano Biedermeier, que eu deveria saber apreciar outros pintores além de Munch, que eu desconfio da gramática e detesto teleprofessores, que a medicina só cura enfermidades curáveis, que você poderia pôr mais azeitona na minha empada, que preciso esquecer desta história de criar uma língua só de vogais, que adoro cheiro de gasolina, que gosto sim de intimidade doméstica mas meu cobertor primeiro, que perdi orgasmos fantásticos por não saber que era masoca, que o mundo é mais do que a totalidade dos fatos, que Deus é uma questão de lógica pessoal, que tem um mosquito me encarando do outro lado da janela, que nunca passei pela rua dos Retroseiros mas meu sonho de consumo é uma Tabacaria, que os genes são imortais e que no fim das contas a verdade não importa porque os grãos pararam por aqui e estou cansada demais para virar a ampulheta.
página da Prosa Caotica
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Ratapulgo
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10.4.03
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Paradoxo
Hoje eu tenho minha penúltima aula de direção. Só que os motoristas de ônibus de São Paulo resolveram entrar em greve e não tenho como chegar à autoescola.
Se eu tivesse um carro, nada disso seria problema. Mas aí também, que porra eu ia querer fazer na autoescola?
Ó vida...
carona do Jesus, me chicoteia!
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Ratapulgo
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10.4.03
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Santíssimo e Venerandíssimo Padre Levedo:
Pode me chamar de Marlene. Não digo meu nome verdadeiro porque tenho muita vergonha do anda acontecendo na minha vida. Tenho 50 anos, e meu marido, 55. Adalberto é o taxidermista [mané que empalha animais] mais famoso aqui de Osasco, porém nossa vida sexual anda, perdoe-me o termo, uma bosta. É que Bebeto anda sempre às voltas com formol, micos secos, palha e arame. Seu interesse pelo meu corpo tem se reduzido muito. Eu até que entendo, não sou mais aquele violão que eu era aos 20 anos. Agora estou mais para um contrabaixo. Mas isso não explica porque ele anda tão envolvido no trabalho. Eu disse a ele: "Bebeto, nada de trazer castores para empalhar no fim-de-semana!". Mas não adianta. Ele sempre traz seus bichinhos.
Foi por essa época que tudo começou. Era uma noite quente de verão. Eu havia passado o dia inteiro com minha grutinha latejando, suplicando por recheio. Pensei em seduzir Adalberto. Vesti meu baby-doll mais provocante, preto, que deixava uma boa porção dos meus seios fartos à mostra. Me deitei languidamente sobre os lençóis de cetim, e me servi de champanhe. Fiquei de bruços e arrebitei bem minhas generosas nádegas. Foi quando eu estava nessa posição que Adalberto entrou no quarto. Ele vestia seu pijama amarelo imundo, e vinha mastigando a dentadura. Eu rosnei sensualmente para ele, passando a língua nos meus lábios grossos. Sabe o que aquele idiota fez? Nem me olhou, deitou e virou a bunda para mim, resmungando. Eu decidi provocá-lo com um excitante beijo na orelha. Me aproximei, respirei sensualmente na borda da sua orelha, e deslizei minha língua por ela. Por incrível que pareça, ele já estava dormindo, e apenas murmurou: "passa, lulu!"
Me senti ultrajada. Meus pentelhos eram uma mata atlântica pegando fogo, à essa altura. Não consegui dormir. Pensei em beber um uísque para acalmar minha canoinha úmida, e me dirigi para a sala. Foi então que eu o vi. Padre, alguma vez já viu um hamster empalhado? O bichinho parece vivo, seus globos oculares substituídos por delicadas contas vermelhas, seu pêlo brilhante permanentemente conservado por produtos químicos, seu bigode ereto farejando os odores do infinito. Me aproximei, fascinada, e acariciei o pêlo branco do seu lombo. Um arrepio de desejo percorreu minha espinha, e não consegui me controlar. Apanhei o delicado animalzinho e o enfiei com violência na minha caverna de prazer. Imediatamente meus joelhos afrouxaram e comecei a cambalear pela sala. Ondas de orgasmo varriam qualquer vestígio de racionalidade da minha mente. A sensação de abrigar um inocente roedor empalhado nas entranhas do meu ser me deixava doida. Quebrei mesas, cadeiras, mordi um guia telefônico, passei um trote interurbano, escrevi uma carta anônima, assisti a todo o programa da Hebe Camargo. Fiz tudo o que uma educação repressora sempre me impediu de realizar, e sabe do que mais? EU GOSTEI!
O tempo passou. A orgia com o hamster me deixou quieta por uma semana, mais ou menos. Mas uma bela tarde, precisei entrar na oficina que Adalberto mantinha nos fundos da casa para seus projetos mais importantes, em busca de um saca-rolhas. Quando abri a porta, me deparei com o maior, o mais sensual, o mais suculento calango quimbundo. Sua cabeça escamosa se erguia majestosamente, o olhar sapeca me fixava com uma expressão zombeteira. Eu tremi. Santo Padre, eu sou humana. A carne é fraca. Não agüentei. Não me fiz de rogada: besuntei o lagarto todo com Amendocrem e enfiei-o todinho no cu. Depois, escondi o seu rabo numa dobra do vestido e fui ao shopping center. A sensação de andar rebolando pelos corredores do shopping com um sáurio entalado no cano de descarga era a mesma de estar sendo currada no Jurassic Park! Os homens me devoravam com o olhar, sem nem desconfiar que eu estava todinha, completamente, absolutamente preenchida com meu amado lagarto, que decidi chamar de Osório.
Temos vivido muito bem, desde então. Adalberto me perguntou se eu havia visto um calango no qual ele estava trabalhando. Olhei para ele cinicamente, e disse: "Não, meu bem. O que eu faria com um lagarto empalhado?" Tenho certeza que ele jamais vai descobrir. Só se ele procurar na minha bunda. Mas como não olha para minha bunda há mais de um ano, isso não me preocupa. O que me preocupa, Santo Padre, é o seguinte: Eu sou normal?
confessionário do Padre Levedo
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Ratapulgo
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10.4.03
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o crime do jardim botânico
sábado, dez da noite, eu estou em casa esquentando um arrozinho quando ouço, bem perto, uma ambulância. uns dois minutos depois mais uma ambulância que - vou correndo pra janela - vejo que entra na minha rua na contra mão. as duas viaturas param longe da minha casa uma quadra. da janela vejo as duas com os sinalizadores luminosos no teto. gente na rua. os taxistas daqui de baixo comentando sobre GRITOS. pensei que, de repente, pra terem duas ambulâncias assim, deve ter sido coisa feia.
domingo, no fantástico, uma notícia meio estranha sobre um crime absurdo em PORTO ALEGRE. um infeliz surtado que esfaqueou a mãe, a cunhada (ou namorada?) e o irmão. a moça, de 24 anos, morreu. a mão do infeliz queria fugir, mas o portão estava fechado. ela, agarrada ao portão, foi esfaqueada enquanto os vizinhos tentavam ajudá-la. o infeliz, que tinha nome bíblico (Jonatan), como o irmão - Lázaro, o que voltou da morte -, esfaqueava a mãe enquanto os vizinhos pediam que ele não fizesse aquilo, que estava matando a mãe, etc e etc. segundo conta, o assassino, de 26 anos, tinha problemas psiquiátricos e tinha passado 20 dias trancado no quarto. a família quer tirar Jonatan do presídio central e colocar o cara numa instituição psiquiátrica. o bilhete/carta que Jonatan escreveu antes de tentar matar o irmão e a mãe (a cunhada/namorada, sei lá, tentava impedir a violência quando foi fatalmente esfaqueada no peito) falava de temas bíblicos e dizia que a mãe era o demônio.
o apocalipse
ao sair de casa demanhã pra procurar emprego minha vizinha me interpela. sobre o crime ela diz que é coisa do demônio, que isso aí é a liberação sexual, que homem só pensa em sexo, que tem é que matar os homens, que esses guri aí que estão na guerra tem é que morrer, que eles só pensam em sexo, porque, afinal, as mulheres não querem, ELES É QUE QUEREM. e aí o guri esfaqueou a mãe por isso, andava no quarto com a namorada, de putaria. porque a gente vive no pecado, todo mundo vive em pecado. mesmo as pessoas casadas. filho vem é do pecado, e só serve pra atrapalhar a vida. ela, que tirou tudo quando era jovem, e agora vai ter que fazer uma cirurgia por causa de um seio que tá duro, nunca cedeu pra homem nenhum, senão já tinha morrido de tanto sofrer. porque a humanidade vai ser dizimada por esta guerra e só vai sobrar a natureza. ela me disse que me daria um panfleto falando sobre isso.
oCinematographo
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Ratapulgo
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10.4.03
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Odeio mulher
Mulher que fala miando.
Mulher que tem orgulho de ser alienada.
Mulher que faz chantagem emocional.
Mulher que ainda acredita no golpe da barriga.
Mulher cujo único objetivo é conseguir fazer a escova perfeita
Mulher que só pensa em casar. Só casar, mais nada. De preferência com alguém rico.
Mulher que se faz de frágil pra não brigarem com ela.
Mulher que finge que é burra pra não ter mais responsabilidades.
Mulher que mal conhece outra mulher e já se acha a melhor amiga
Mulher cujo único assunto é o namorado. E as brigas com o namorado (Tem umas que parece que brigam só pra ter assunto..)
Mulher que acha que ser bonita é garantia de ter tudo na vida.
Mulher que lê Zíbia. E só.
Mulher que fala que nem criança.
Mulher que fuma só por que a amiga fuma.
Mulher sem personalidade que faz qualquer coisa só porque a amiga está fazendo. (Conheço uma que só faz faculdade de biologia porque a amiga faz...)
Mulher que quando sai na balada se orgulha em dizer "Beijei 18 caras... E não lembro o nome de nenhum"
Mulher que não consegue ficar quieta.
Mulher que corre atrás do ex como uma psicopata.
Mulher que fica horas no telefone falando de assuntos sem a menor importância.
Mulher que fala gritando e cacarejando quando encontra uma amiga.
Mulher que repara primeiro no carro e depois no dono.
Mulher que se desespera como se tivesse perdido um filho mas na verdade só quebrou a unha.
Mulher que acha bonito beber várias e depois ficar rindo que nem retardada.
Mulher que acha que se o namorado não ligar de 15 em 15 minutos é porque não a ama mais.
ódios explícitos na Wannabee
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Ticcia
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10.4.03
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lembro de um dia que eu abri o jornal e me deparei com a foto de um ex colega meu. um coleguinha envergonhado e triste que fazia xixi nas calças e era muito esculachado. ele tinha uns 10 anos quando fomos colegas. ele tinha acabado de ser internado: tinha matado sua mãe e colocado o corpo, esquartejado, na geladeira. de repente eu entendi porque ele fazia xixi nas calças em sala de aula.
cenas estarrecedoras nO Cinematógrapho
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Ticcia
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10.4.03
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pela nona vez tornou a ser tudo como já era
será o eterno retorno de tudo?
o ano não está bom. mas sem longos motivos pros momentos se precipitarem em lágrimas.
então permaneço. como sempre estive, adiando. mas tinha ainda uma única coisa que me dava uma luz de ser eu um dos iluminados, poder eu amar e ser até amado. mas alguém desavisado, turned off the light, pôs um seco, apagado, sem querer, fim.
Agora é o fim do amor que por ela eu me abastecia. Mas ainda é cedo e sempre será.
Amanhã tudo renova e o eterno retorno pode vir a acontecer mais uma vez. Já foi Agora outras vezes e o eterno retorno veio, dum lado e de outro.
Por isso que não importo mesmo nem faço falta, e nao faço disso questao pra se pensar. Nem penso em coisa nenhuma. Pensar é dor de cabeça. Pensar é estar doente dos olhos. A vida vista basta.
Logo no dia em que a reencontro é o dia que nao soube comunicar. mas eu a vi, e se eu estivesse certo, olha-la bastaria eu teria morrido ali mesmo, com sorriso farto de quem morre farto, feliz e sem volta.
Nao morro, volto pra casa pelo caminho de sempre com pessoas sempre quase iguais pela metade. todas alheias o que é para mim uma coisa boa enfim.
Senti vontade de sentir mais. e único recurso disponivel, abri um livro de poesia pra ver no que dava. o livro velho, relido, pouco me disse. fiquei na vontade. e foi toda minha ânsia a poesia. um querer sem saber, sem ter, sem
me trocou por um semelhante que de tao igual podia ser eu. se ao menos me sentisse sendo ele quando ela estivesse por perto, talvez bastasse. mas nunca vi mais gordo.
tentei escrever e deixei num papel que iria pro lixo o melhor que pude escrever no papel que ia pro lixo.
mas nada é uma pena a lastimar.
pitombeiras lar mazela
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Ratapulgo
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10.4.03
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9.4.03
Bichos
De manhã, os amigos se encontram no escritório.
- Então, como foi?
- Nem queira saber....
- Por quê?
- Deu blé!
- Blé?
- É, danou tudo. Estava eu lá na frente dela e, olha, o Walter tinha mesmo razão, a mulher é um estouro.
- Bonita?
- Bonita é pouco. Dei três pulinhos, “Salonguinho, salonguinho”, ajoelhei, agradeci a santo expedito a graça alcançada, repetindo “obrigado Deus, obrigado”. Tudo em pensamento lógico.
- Mas e o encontro.
- Encontro? Não teve. Já te disse, deu blé!
- Oras, mas você não a viu?
- Então. Cheguei, vi, nos cumprimentamos e blé.
- Ai ai, lá vem você de novo com o blé! Mas que catso significa isso?
- O que vocêouviu, sem tirar nem por, blé. Nós nos cumprimentamos, eu travei. Ela perguntou qualquer coisa e eu só disse “Blé”.
- Assim, com língua pra fora e tudo?
- Não, foi até baixinho. Quase rouco, suave “Blé”. Daí ela perguntou de novo, eu respirei profundo e...
- Blé?
- Isso mesmo, “Blé”. Ainda mais fraco que o primeiro. Mas o pior vem agora.
- O quê?
- Depois do segundo “blé” ela começou a falar alto “Eu não mereço, mais um blé eu não mereço. Por que essas coisas só acontecem comigo? A Roberta bem que me avisou. Só comigo mesmo, de novo eu não aguento. Tchau, hein!”. Pegou as coisas dela, virou as costas e saiu!
- E você não disse nada?!?
- Só “Blé”.
“Em resumo, homem é bicho bobo, mulher é bicho esquisito”*
* Marisa Orth
blé do zazoeira
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Ratapulgo
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9.4.03
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Eu estou profundamente enjoada... muita vontade de tentar provocar vômito. Entretanto eu sei que não posso ficar fazendo isso por que corro o risco de sair de um problema e cair em outro pior.
A comida amortece todos os sentimentos. Eu como, me sinto melhor e, derepente percebo o tamanho da merda que eu fiz. É como se eu só caisse em mim depois que eu tivesse comido e, consequentemente o problema estivesse digerido. É de fato impressionante até mesmo para mim a forma como, de um segundo para o outro, meus sentimentos e idéias podem mudar drasticamente. Num instante estou tomada por um desespero, por uma necessidade de apaziguamento, de luz no fim do túnel e, no instante seguinte eu percebo que o método que eu usei para alcançar isso foi o menos efetivo possível pois ele me mantém presa numa condição de sofrimento muito maior. Acredito eu, que o mais desesperador da situação toda é a consciência. Saber de tudo isso é mais aflitivo do que se eu não soubesse. Tendo consciência eu me sinto automaticamente obrigada a tomar uma atitude racional e razoável à respeito do problema e, quando percebo que eu não consegui o sentimento de fracasso que me invade é enorme. Eu realmente gostaria de vomitar nesse momento. Eu gostaria muito, mas ao pensar nisso eu só sinto que estou, mais uma vez, saindo de um lugar estúpido para outro. Eu queria ver saídas claras que eu pudesse perseguir... eu queria ser capaz de fazer o que eu sei e quero fazer, mas é tão insuportavelmente difícil... É um ato que muda tudo. Eu desejo nesse momento não ter saído da minha cama, eu desejo ser uma pessoa diferente e melhor do que a pessoa que eu sou já que, pelo menos para mim, eu evidentemente sou uma imbecil não digna de sequer reclamar ou lamentar a própria questão já que, fazer isso soa mais fraqueza e falta de vergonha na cara ainda... Eu queira saber fazer as coisas diferentes... eu não queria emagrecer por passe de mágica mas eu queria poder confiar em mim, e ter orgulho e ver mérito real no esforço que eu despendo com a questão. Eu queria ser outra pessoa... eu queria ser uma pessoa melhor... mais forte... eu queria ser uma pessoa que eu pudesse me orgulhar, que eu pudesse seguir como exemplo... eu estou tão cansada...
oooooooops!
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Ratapulgo
às
9.4.03
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Herdei do meu pai uma mania de fechar o que abri e arrumar o que baguncei que demorei anos e anos pra perceber que tinha, de tão bem deixada a herança. Achava que era só um bom hábito adquirido entre incontáveis cafés da manhã e horas de dormir, mas hoje entendi que foi tesouro deixado de herança, coisa rica, cara e muito rara. Coisa de pai, e não um mero hábito de terminar o que tinha começado e deixar tudo sempre em seu devido lugar.
Porque o que o pai me ensinou foi a me dar segundas chances. Me ensinou a fechar tudo e arrumar bagunça e guardar coisas e fechar gavetas pra que depois eu tivesse o prazer imenso de abrir tudo de novo e encontrar novidades dentro de gavetas e bagunçá-las mais uma vez e me surpreender de verdade sempre e ser criança de verdade sempre e, enfim, começar tudo de novo. Sempre.
Heranças
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Ratapulgo
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9.4.03
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É difícil escrever ou ler quando nada mais surpreende.
Ausência de perplexidade vendo o mundo com o tédio dos intelectuais envelhecidos, onde tudo é plural, e a verossimilhança é apenas, obvia .
Não há tristeza nem alegria, é viver por viver. Os jovens desesperançados são assim. As crianças velhas, são assim.
Vivo entre os quinze anos da minha filha e os sessenta da minha mãe. Nunca terei a idade que não seja o intervalo dessas duas. Isso é lógica.
Não sei mais o que pensar e de tanto pensar, desisti.
Os livros, os filmes, não são melhores ou piores que antes.
Recebo um livro autografado e não me encanta como me encantou um dia. Não há mais palavra nova, nem traço que surpreenda.
E envelhecer não dói. O que mais dói é ver que só é livre depois de velho.
Livre das grandes surpresas, me tornei covarde itinerante, com o medo de plantão anunciado na TV, na salas, na Feiras, nos táxis.
Meus Deus, sempre chamo por Meu Deus quando estou feliz, quando estou triste e quando não sou nem uma coisa nem outra. Acho mesmo que Deus é o interlocutor mais freqüente de quem escreve para viver.
Quero ser pragmática. Escrever como macho. Mas sou ambivalente; sou anjo, ou borboleta.
Não tenho desejos insanos nem de filho, nem de pai, nem de homem, nem de mulher e nem de bicho.
Eu quero decorar a Bíblia, as falas de Hamlet, e aprender o que Freud possibilitou como Luz.
Mas a bíblia não me explica a Teologia da libertação, Hamlet não passa de um adolescente pirado, e Freud me traiu com o Prozac.
Nada novo.
Mas uma voz teimosa fala do canto da sala onde os meus mortos moram: Novo, novinho mesmo, não tem, nem nunca teve, descobrir o novo no velho é que são elas. Vai lá e remexe na letras velhas, mexa no tom, pronuncie a palavra Dogma com a voz de hoje. Vai lá tira aquele livro fininho da estante e vai ver que o D. Quixote ainda tem um sentido que não descobriu, vai lá converse com seu analista de plantão e veja como ele continua balançando a cabeça com ar de inteligência absoluta e falso interesse e resolveu não falar nada, nunca mais. Quem sabe dessa vez, a Julieta e o Romeu não morrem, ou Leonardo Boff traduziu a Bíblia para a sua linguagem e que o Prozac só ajuda mas não substitui.
É, quem sabe.
E Tertulianicamente repito - acredito porque é absurdo.
Sem saída
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Ratapulgo
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9.4.03
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Sobre a vidente ontem:
Basicamente foi o mesmo de sempre, e isso inclui o q o meu quiromante, meu astrólogo e o q a outra vidente (q é cigana mesmo) me disseram qdo eu fui no ano passado (eu costumo ir uma vez por ano em cada um)... bom novo emprego, final de carma afetivo, problemas com amizades femininas, muita inveja no antigo ambiente de trabalho, no segundo semestre eu encontro "o" cara, q é estrangeiro (se alguém conhecer um estrangeiro, ou um homem c/ forte ligação c/ o exterior, de cerca de 30 anos, favor apresentar!), dois filhos, sendo q a primeira, é uma menina, vai vir qdo eu tiver uns 27/28 anos, com a família vai tudo bem, só a minha mãe precisa se dedicar mais à alguma atividade criativa... eu devo renovar o plano de saúde, pq talvez eu tenha um probleminha (incluindo uma internação), mas nada grave, anyway, vou marcar o check-up... tenho q tomar cuidado p/ não ser assaltada na rua, andando mesmo q é algo q eu tenho feito bastante p/ não ter q ficar pagando estacionamento por aí, enquanto estou desempregada... sucesso em um empreendimento próprio, e mudança de casa... Finalmente q esse é uma ano de muitas mudanças, e todas felizes!
O mais legal, é q a guia dessa vidente é uma cigana, e ela me deu um baralho cigano novinho e me ensinou os significados das cartas para q eu comece a baixar e treinar meu lado intuitivo, e tb p/ eu melhorar as minhas "energias dissonantes", pq não é só o computador q está travando, nós tentamos dois rádios e três fitas, e não conseguimos gravar a consulta, eu tive q ficar anotando tudo á mão!!
(...)
E sobre meu novo sonho recorrente:
Faz uma semana e meia q eu durmo mal... o culpado: Phil Collins, é isso mesmo, faz uma semana e meia q eu acordo assustada, pq eu sonho c/ ele, e não é q eu estou em um show dele não... eu estou no back-stage batendo papo c/ ele! Péssimo! A única vez q eu não acordei assustada foi a vez q ele se transformou em Gorbatchev (é assim q se escreve?!?)... Nem a psicóloga quis começar a tentar explicar...
Believe it or not this is my life
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Ratapulgo
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9.4.03
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Não Fale com o Motorista
Em veículos coletivos do mundo, vê-se a tradicional placa: "Não fale com o motorista". Já que cada país tem seus próprios hábitos, aqui vão algumas plaquetas no gênero que poderiam ser encontradas pelo mundo afora.
Não converse com o motorista na hora do chá. (Inglaterra)
É probido falar com qualquer motorista, mesmo em casa. (Alemanha)
Não linche o motorista hoje. (Irã)
Silêncio e cuidado. (União Soviética)
Cala a boca. (Estados Unidos)
Se o motorista responder, com que mãos ele vai guiar? (Itália)
É pecado falar com o motorista. (Vaticano)
O que é que você ganha falando com o motorista? (Israel)
Não deixe o motorista falar com você. (Brasil)
(De uma revista Veja de cem anos atrás.)
Vita Brevis
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Ratapulgo
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9.4.03
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8.4.03
Hoje teve uma passeata pela paz lá perto do café. Se a guerra acabar, vocês já sabem o motivo.
Céu azul lindo demais na ilha de Rinos - parte II
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Ratapulgo
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Pezinhos quentes encostados nos meu pezões frios, chuva, cobertor azul-marinho, enlatados americanos, banho pelando de quente, ler revista enroscadinho, chuva, musiquinha de filme, toddy quente, Columbo e Monk na TV a cabo, sanduíche de requeijão, chuva, o dia escuro de tão cinza, abracinhos de urso, risoto de queijo, chuva, frio, travesseiro fofinho, chuva, cheiro de xampu, pijama de lãzinha, beijinhos de esquimó, brigadeiro de colher, chuva, chuva, chuva.
¡Drops da Fal!
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Ratapulgo
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8.4.03
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Talvez a experiência mais radical que alguém possa vir a ter é a de caminhar em um campo minado. Cada passo; cada pequeno movimento exige precisão absoluta, além da assustadora capacidade de tomar decisões definitivas. Em um campo minado não há espaço para arrependimentos. E o mais engraçado é que quando se atinge o outro lado, em segurança, tudo o que você mais deseja é sentir tudo aquilo novamente...
E é mais ou menos assim que estou me sentindo hoje: em um campo minado!! Hoje sou o blade runner de mim mesmo...
Distraídos Venceremos
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Ratapulgo
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8.4.03
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aaaaaaaaiiiiii!!!!!!1 para zuzooooo!!!!!
to lokaaaaaa!!!!
luxo , glamour, aquendacao!!!!!!!
ai mona, parou!!!
como assim como assim???
estamos todas aqui, zebadas, na mansion de la patty bjô dancando, fechando e bebendo horrores!!!!!
um ruido veio do alem!!!!acho q uma bicha se espatifou no vaso de plantas!!!!
"i got may pride " bicha!!!!!!
give tonigh !!! aaaaaiiiii!!!!
robbie rivera e tudooooooooo!!!!!
alcool acoolllll acooooooolll!!!!!!!!!!!!
loka loka loka!!!!!
britney
(...)
gente eu como rainha tenho que passar a noticia pra frente ne?
vamos lá...
estávamos ontem na mansão de Paty Beijo... daçando loucas... bebendo... eu toquei violão pras bixas in love... e por ai foi ne? coisas básicas...
mas os detalhes hihihi
AAAAAAI os detalhes são tao calientes ne?!
primeiro... estava EU, marylin monroe - nascida martina beaverhousen - no ultimo andar da mansao quando olho pra dentro do banheiro de onde saia uma luz muito rosa que me ofuscava... eu pensei que nao tinha nemgay la e que tinham esquecido a luz acessa! mas quando olho vejo MADDONA SENDO MANUSEADA PELO SEU MACHO!!! nuotha!
vi mesmo e nao nego... tao guloso ele hihhihi
patty beijo que tb tava com seu macho lá nao quis ficar pra tras... trancou-ne na sua suite e mandou ver!
abriu a portinha HORROREZZZZZZ que eu sei!!!
alias a portinha da Patty Beijo é tipo drogaria araújo sabe?
aberta 24 horas por dia e entra quem quiser hihihiih
a minha é mais estilo cofre assim sabe?
tem que descobrir a senha hihiih
mas enfim gente...
vodka vai vodka vem...
e de repenteim a genteim olha pro banheiro e ta BRITNEY: A DEVASSA!!! estirada no chao!!!
britney tava depre tadinha
a genteim teve que levantar britney que dizia
NAO POR FAVOR ME DEIXA AQUI!!!
auhauhua foi engraçadissimo zúditas!
EU NAO POSSO CHEGAR EM CASA ASSIM NAO SE NAO MAMAE ME MATA!
auhauhuhahuaa
de repente ela se jogou na sala ao lado do tapete e PASMEM: vomitou DEITADA E DESMAIADA NA CHOM! (by dona armenia óvini)
o cheiro de xoxota tomou conta do lugar
tivemos que jogar 2 vidros de perfumes importados meus pro cheiro passar... tudo eau de parfum claro
mas continuando...
abrimos a porta pra levarmos britney embora junto conosco ja que madonna ia ficar com o namorado brincando de entrar na portinha um pouquinho
carregada britney foi ate a mercedez de patty beijo.. chegando na rua ela senta no meio fio e começa a vomitar!
tava loka a zúdita xenteim... vomitava e vomitava...
ai colocamos a puta no carro e ela vomita mais e mais e mais inclusive na porta da mercedez de patty beijo..
que vexame miga!
chegamos na mansao de Kylie Minogue e ela me deu a mangueira dela (VOCES ACREDITAM? hiihih SIM pegay na magueira da KYLIE hihihi TAAAAAAO grande a mangueira dela hihihi)... pra limpar a porta do carro de patty beijo...
passei uma aguinha bááááásica e o xeiro de queijo parmesao passou...
depois disso patty me deixou em casa e eu dormi...
agora xente?!
que vexame em britney? por fafor ne? nao vou nem me estender mais pq o post deve tar grande...
só deixo besos pra todas! e um tapinha na bunda da britney
marylin
Irmandade Absolutely Friends Forever
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Ratapulgo
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8.4.03
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democracia
E em um domingo de frio e chuva:
- Você escolhe um filme, eu escolho o outro e vemos os dois juntos em casa, ok?
- Legal. Combinado. Meu voto vai pra PORKY´S.
- Neeeeeeem fodendo!
- É legal, vai por mim!
- Então você vai ter que assistir DR. JIVAGO!
- Aaaaargh nãããããão!
- E não vale dormir no meio...
surra de toalha molhada
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Ratapulgo
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8.4.03
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Sabe, q agora eu entendo aquela história de "não corra atrás das borboletas, cuide do seu jardim e elas virão até ele." Não que eu tenha cuidado do meu jardim, mas com certeza parei de correr atrás das borboletas. E elas vieram. E lá fui eu espantar as borboletas. "Esse jardim não serve pra vcs". Borboleta teimosa, sô! Quero só ver, do jeito q eu tô ficando mal acostumada... nhai...
elevador para o Milésimo Andar
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Ratapulgo
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8.4.03
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Hoje tem A senhora festa, e as gurias já ligaram aqui atrás de mim, mas não dá. Meu corpo chegou no limite. Estou esgotada tanto fisica quanto psicologicamente. Meu organismo não aguenta mais nenhum tipo de substância ilícita. Aqueles antidepressivos e todas as outras "coisitas" que usamos durante essa semana parecem que nunca mais vão sair de dentro do meu organismo. Ainda tenho tremedeiras, e a minha vista ainda embaralha. Ontem eu vi um rato, formigas e baratas andando pelo meu quarto, e quando estava pronta pra gritar para a família, descobri que aquilo era efeito de todas as substâncias que eu misturei durante essa semana. Cheguei a conclusão que só a aranha que eu peguei em cima do meu cobertor era de verdade. O verme do travesseiro não passava de efeito colateral. Chega! Esse sábado está com o céu purpura, e a temperatura ideal pra sair e cometer os velhos pecados de novas maneiras. Mas eu reconheço quando chego no meu limite. A senhora festa vai ficar para um outro dia, quando eu estiver com o organismo pronto para novas aventuras.
Blig: Neutro Azul
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Ratapulgo
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8.4.03
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Fui levar meu pai ao médico hoje.
(Não, não se preocupem. Isso aqui não vai virar diarinho de adolescente.)
Meu pai é hipertenso (teve um derrame ano retrasado), e uma crise de diabetes anos passado. Da hipertensão, remédios. Da diabetes, remédios. Apenas dois erros a serem considerados: o cardiologista disse que não faria mal que ele tomasse uma "cervejinha" de vez em quando. Ele bebe todos os dias. Do pico de glicose, depois que voltou ao normal ele, que sempre foi formiga, agora não pode ver um doce que sai roendo.
Conclusão lógica? Ora, desde a semana passada ele está todo fudido, passando mal. Dor de cabeça, dor nas pernas, náuseas e sem enxergar direito. "Vá ao médico!" - diz o filho. "Está bem". Porra nenhuma de médico. E doce. E cachaça. Ah! E fuma igual a uma chaminé.
Hoje consegui leva-lo pelo braço, como criança. Ele estava realmente mal hoje, me assustei. Mas isso foi só o prelúdio.
Chego na clínica, depois dele reclamar bastante da espera, fomos atendidos. Por uma homeopata(!!) com especialização em pediatria(!!!). Puta que o pariu, homeopatia numa hora dessas??? Deu vontade de falar: "Doutora, passa um alopático daqueles de deixar arriado e dar diarréia logo, não tenho tempo para tratar a causa, quero o fim do efeito, porra!"
Mas fiquei lá, a seu lado. E ela ainda era meio doidinha (acostumada a lidar com crianças, fazer o quê...), ficava fazendo sonoplastia de tudo e rindo de forma imbecil. Até acho bonitinho esse neohippismo todo, mas o cara tá com uma puta dor de cabeça, e a doidinha rindo e passando aquelas gotinhas idiotas. O pior é que nem o melhor da homeopatia foi concedido ao meu pai, que são aquelas bolinhas, que não curam chongas, mas são gostosinhas, pelo menos.
Que merda. Homeopatia é o caralho, meu nome é Neosaldina!
Pipusquack Fujão
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Ratapulgo
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8.4.03
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7.4.03
Ontem eu recebi uma visita especial.
Só limpo meu quarto quando entra homem aqui..lembram??
Limpei , arrumei a cama , varri , escondi as roupas sujas dentro do guarda roupa,levei os 20 copos pra cozinha,tirei o pó.
19:00hs ele ligou dizendo que estava perdido, expliquei direitinho como fazia pra me encontrar , estava ansiosa, não via a hora dele chegar.
Chegou já viemos direto pro quarto.
Com aquele jeito experiente de ser , eu sabia que não ia ficar insatisfeita!!
Dito e feito, o homem era bom mesmo.
Dei até um sorrisinho vendo meu quarto limpinho e ainda com a sensação de satisfação...
Em menos de 20 minutos eu já estava muitoooo melhor,
meu speedy voltou a funcionar e o técnico da telefonica foi embora.
(...)
Diálogos....
A vizinha chama a empregada daqui em uma média de 1 em 1 hora.
Meu pai:
- Teu macho ta te chamando aí na frente
aí ela GRITA da janela com aquele sotaque que só o maranhense consegue ter:
- Perai que eu to indo pra gente colar um velcro!!!
(...)
Faz tempo que não falo dela né?
A doméstica!!
Hoje morri de rir
Olha o diálogo dela e do meu pai.
- Lucas, o banheiro ta entupido
- Claro né, voce é bucetófela , sai dando pra tudo quanto é pedreiro...que ficam com o pau cheio de cimento..aí vc chega em casa , vai lavar a brechóla , deixa o ralo cimentado! Agora como é que eu desentupir essa porra? Pode chamar um dos seus casos...pq eu nao coloco a mao nisso aí..só tem pentelho com cal! Aproveita e coloca de volta a minha cerveja que voce tomou.
- Credo Lucas , mas foi uma só.
- Foda-se, mas me faz falta , não admito que pegue minhas coisas..ah e me respeita!
Casos e Acasos Virtuais
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Ratapulgo
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7.4.03
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eu não peço desculpa e nem peço perdão
Pessoas em geral me deixam brava, pessoas são o problema da minha vida, o fardo que eu vou carregar a vida toda.
não não é minha culpa essa minha obsessão
Eu não sei lidar com pessoas, por mim seria eu, desenhos animados, cachorros e gatos nesse mundo. Não sei manipular, não sei dizer não, não sei dizer o que é preciso dizer na hora certa.
já não agüento mais ver meu coração como um vermelho balão
Todo mundo me aborrece demais, me magoa demais, me irrita demais. O centro instável do mundo sou eu.
Isso tudo e mais um pouco fez com que a menina aqui ficasse fria, fechada e insensível.
rolando e sangrando chutado pelo chão
Tudo se tornou indiferente, tudo o que eu ouço bem ou mal de mim ou sobre mim entra pelo um ouvido e sai pelo outro, nada mais é real, virei uma menininha que não acredita em ninguém, que não confia em ninguém. Sofre, chore e esperneia sozinha. s-o-z-i-n-h-a.
psicótico, neurótico, todo errado
Não é crise de adolescente, as coisas pra mim sempre foram diferentes, em toda e qualquer forma, sempre foram diferentes e não tem nenhum "meu amor confia em mim" ou "eu entendo você, acredita em mim" que vai mudar.
só porque eu quero alguém que fique vinte e quatro horas do meu lado
Isso assusta, acho que nem mesmo que eu encontre O homem da minha vida alguma coisa vai mudar. Problemas psicológicos intensos. Agora, se O homem da minha vida for um terapeuta/psicólogo/psiquiatra aí eu até encaro.
no meu coração, eternamente colado
Abscesso e os tijolos amarelos
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Ratapulgo
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7.4.03
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TOP 10 MÚSICAS COM NOMES, HUM, INTERESSANTES (NACIONAL):
- "Uma Empregada Vai Ser Mãe dos Filhos Meus" - Waldik Soriano
- "Família, Base de uma Grande Nação" - Claudio Fontana
- "Ajudar Crianças com Câncer Faz Bem ao Coração" - Capital Inicial
- "Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo" - Wander Wildner
- "Mulher Igual à Minha Só em Outra Geração" - Carlos Alexandre
- "Amor Filho da Puta" - Wando
- "Minha Sogra Parece Sapatão" - Bezerra da Silva
- "O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu" - Chico Science & Nação Zumbi
- "Formato Mp3 a Serviço do Desrespeito" - lusbel is a jazz project
- "Prometo Não Ejacular na Sua Boca" - Falcão
TOP 10 MÚSICAS COM NOMES, HUM, INTERESSANTES (INTERNACIONAL):
- "I Sold Your Dog to a Chinese Restaurant" - Anal Cunt
- "Are You Drinkin' With Me Jesus?" - Mojo Nixon
- "Theory of Sex as an Art Form" - Camera Obscura
- "Lessons Learned from Rocky I to III" - Cornershop
- "MTV Makes Me Wanna Smoke Crack" - Beck
- "Some People Try (to Fuck With You)" - Teenage Fanclub
- "Did I Shave My Legs for This?" - Deana Carter
- "Cows Are Ugly and Stupid, So Shut Up and Eat Them" - Oddlager
- "My Baby's in Love With Eddie Vedder" - Weird Al Yankovic
- "You're the Reason Our Kids Are So Ugly" - Lola Jean Dillon & L.E. White
TOP 10 MELHORES TÍTULOS DE MÚSICAS COUNTRY:
- "I Want a Beer as Cold as My Ex-Wife's Heart"
- "She's So Ugly She Makes My Cat Bark"
- "I Caught Her Drinking Johnny Walker with Tom, Dick and Harry"
- "If God Sees Everything, I'm in a Lot of Trouble When I Die"
- "Kleenex is My Best Friend"
- "Get Your Tongue Outta My Mouth, Cause I'm Kissing You Goodbye"
- "If The Phone Don't Ring, You'll Know It's Me"
- "I Haven't Gone to Bed With Any Ugly Women, But I've Sure Woke Up with a Few"
- "My Wife Ran Off With My Best Friend, And I Sure Do Miss Him"
- "I'll Marry You Tomorrow But Let's Honeymoon Tonight"
Pensar Enlouquece. Pense Nisto.
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Ratapulgo
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7.4.03
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Quanto mais eu preciso emagrecer, mais minha mãe se comporta como a bruxa da casa de doces de Joãozinho e Maria. Aqui em casa hoje está rolando uma verdadeira orgia gastronômica: bolo, mousse de maracujá, pão-de-metro e o inigualável pastelzinho com goiabada. Não aguento mais comer, estou sentindo a gordura e os carboidratos saltarem através de meus poros, massa adiposa crescendo em meu corpo a cada segundo, praticamente uma ogra me tomando de dentro pra fora. Ah, malditas guloseimas!
patrulha dos CocHiLos RodoViárioS
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Ratapulgo
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7.4.03
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6.4.03
Nossa, esse computador tá me deixando louca.... histérica... insana... descontrolada... puta tesão, hahahaha...
Milésimo Andar
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Ratapulgo
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6.4.03
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- Mas me conta como ela é, ela é zen?
- Zen? Ficou zen quando casou comigo. Zen rumo.
jogo rápido do BloWg
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Ticcia
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6.4.03
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Mulheres Apaixonadas
Meu pai nunca ouviu falar de sua avó. Nem o nome dela aparece nos documentos do meu avô, que morreu quando meu pai tinha doze anos. Minha avó, mãe do meu pai, era filha de índio, se casou e nunca mais voltou à tribo.
Eu ainda tenho uma bisavó, Agda, que fugiu da família pra se casar e renegou seu sobrenome por um homem que foi comprar cigarros e voltou vinte anos depois. Ela nunca explicou bem essa história, não fala de passado. Mas não perde uma novela com Edson Celulari.
A mãe de minha avó materna adorava andar de motoca, feito a velhinha de Taubaté. Me fazia rir com conselhos para "borboletear". Seus olhos brilhavam quando falavam do Agnelo, meu bisavô que sabia tocar violão, mas só se fosse escondido.
uma novela do Bula-bula
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Ticcia
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6.4.03
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Eu já
tomei ecstasy e acido juntos
chupei um namorado dentro do carro, ao meio dia, no meio da rua
dormi bebada sentada no vaso no banheiro de uma boate
pedi pro taxista parar o carro pra eu vomitar
fumei haxixe
fiquei com um bissexual só porque ele tinha um piercing na lingua
fiz um piercing na lingua
fiz outros 14 piercings
não dei pra um cara porque tava usando OB
lambi meus próprios seios (sou peituda)
me masturbei na poltrona do avião
dei o cu pra um namorado e gostei
gastei 1250 reais em um dia
quis me matar
fui apaixonada 3 anos por um cara que nem me olhava
me achei uma merda
me achei tudo de bom
tomei 7 tequilas e não passei mal
apanhei de um namorado
quis denunciar meus pais por agressão
cheirei clorofórmio e benzina
tive um furúnculo na bunda
tive tesão por mulher
fiquei com gente de quem não sabia o nome
tomei Gardenal
dei pra um cara 20 minutos depois de beijá-lo
fui presa em outro país
fingi que era gringa pra me livrar de um cara
fui abertamente cortejada por uma lésbica
recebi cartas anônimas de amor
mandei cartas anônimas de amor
achei que tudo vale a experiência..e ainda acho.
Eu já...
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Ratapulgo
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6.4.03
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Daniella veio aqui me trazer de presente a foto dos padrinhos do seu casamento (eu, inclusive). Ela nunca me deu nada sem fazer um bilhetinho, sem um recado. Meu presente de aniversário pode ser um prosaico (leia-se: barato) brinco, mas ela escreve uma carta emocionada (e engraçada) me desejando felicidades. Com a tal foto não foi diferente. Ela escreveu a seguinte dedicatória:
À amiga Ana Paula
Que, mesmo sem saber, deu o primeiro passo (na prancha do navio) para que tudo se realizasse.
Beijos,
Danny
(Espero que você não afunde mais nenhum submarino, afinal a Marinha não dispõe de tantos.)
Agora, explico. Ela e o marido começaram a namorar na semana antes do Natal (acho que em 2001). Na véspera do Natal, ela pediu que eu lhe fizesse companhia até o Arsenal de Marinha para que ela lhe desejasse feliz Natal. Fui, né?
Quando passamos por um submarino em reparo, eu comentei:
– Imagina se isso afunda?
À noite, o JN anunciava:
– Submarino em reparo no Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro, afundou.
Ela me ligou, agitada:
– Caralho! Você viu? O submarino afundou!!!
E pediu:
– Diz que eu vou casar com o Fulano! Diz que eu vou ganhar na loteria!...
Eu disse. Ela não ganhou na loteria, mas o casamento saiu.
3x4 Colorido
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Ratapulgo
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6.4.03
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Hoje, fui fazer a primeira prova do meu Vestido de Noiva.
Gente, dá um nervosooooo...
Modéstia a parte, está ficando lindo!
Enquanto a costureira acertava alguns detalhes, eu olhava para o espelho...
Deu uma sensação esquisita, sei lá... não sei explicar! Comecei a imaginar o GRANDE DIA...
Eu passando por um enorme tapete vermelho, as tochas iluminando todo o caminho, ao som da famosa marcha nupcial, aquele monte de gente me olhando e sorrindo e eu tremendo como uma vara verde, querendo chorar de emoção e nervosismo, pensando mil e uma coisas, enfim...
Heart to Heart
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Ratapulgo
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6.4.03
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5.4.03
Querida Oba Fofia,
um amigo meu está escrevendo um livro e pediu que eu lesse um capítulo, pois ele gostaria muito de ouvir a minha opinião a respeito. O problema é que ele é um desempregado solitário e sem-vida, e este livro é praticamente a única coisa entre ele e o fundo do poço. Como eu faço para dizer que o livro é uma porcaria e que ele tem mais futuro como jardineiro?
Ass: Amigo em apuros
Bom, caro Amigo em apuros, segundo o Grande Livro de Regras de Etiqueta da Oba Fofia, você tem duas opções. A primeira é sentar com o seu amigo (sempre faça essas coisas pessoalmente. E sempre deixe aberta uma rota de fuga rápida para o caso de dar tudo errado) e explicar educadamente a sua opinião, ponto por ponto. Seja sincero, porém eufemístico. Por exemplo, ao invés de dizer "este livro é uma merda", diga "encontrei alguns problemas". Ao invés de "eu dormi no meio da segunda página", diga "esse pedaço ficou meio cansativo". Ao invés de "esse negócio não tem história e os personagens têm a profundidade de um pires", diga "a história é um pouco confusa e os personagens não são bem resolvidos". Ao invés de "não tem uma idéia original nesse livro todo", diga "puxa, você fez muita pesquisa". E ao invés de "se você está pensando em viver disso vai morrer de fome em um mês", diga "estou com fome. Vamos almoçar?" Tudo isso fazendo expressões sérias e compenetradas de quem realmente entende do assunto e só quer ajudar. O truque é fazer as críticas parecerem construtivas, quando na verdade você está destruindo tudo o que sobrou da vida dele. Se ele não cometer suicídio, vai te agradecer no futuro.
A outra opção é mentir descaradamente. Sorria muito e diga "adorei, ficou ótimo, acho que você realmente tem jeito para coisa". Tome cuidado para não se entregar: não desvie o olhar, não coce o nariz e não pisque demais, mas também não fique sem piscar. Se ele acreditar em você e for em frente com a publicação, provavelmente vai te odiar quando ele fracassar miseravelmente. Mas para que se preocupar com isso agora, não é mesmo? Não hesite em escrever quando isso acontecer, mas não diga que não avisei.
Oba Fofia - um alienigena, um camelo e uma colher de pau magica
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Ratapulgo
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5.4.03
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landing
tantas coisas a fazer. tantas preocupacoes. e a guerra que enfim comecou. retomando a vida lentamente. arrumando a casa. ha tanto o que arrumar nas minhas varias casas. mas vamos indo. uma coisa de cada vez.
eu nao quero prever o futuro. nao sou futurologa. nao sou mais. mas as vezes pinta ansiedade. pinta medo. as vezes apatia. mas nao posso deixar que nada disso me domine como me dominou há seis meses. agora tenho que fazer com que as coisas sejam diferentes. mas é bom estar de volta. é estranho. mas é gostoso. e minha casa parece tão grande...
quando cheguei, sábado à noite, senti que eu não me encaixo mais nesta vida. que não me encaixo mais nestes padrões que criei para mim mesma por aqui. e tudo o que queria era poder voltar um pouco no tempo. olhava pela varanda do meu apartamento e pensava na janela do quarto de gon. posso dizer que em seis meses naquela cidade fria e cool demais eu vivi dois meses de muita felicidade. pobre, mas feliz. foram os últimos dois meses. e este tempo me mostrou o quanto é bom e importante amar. e já não tenho vergonha de usar as palavras certas. talvez também por que saiba que meu lindo dino não irá ler.
(...)
um dia eu pedi ao Papai do Céu um amor. alguém que eu ame e que me ame. assim incondicionalmente. um bom rapaz. doce, amável, de boa índole. honesto, esforcado, trabalhador. apaixonado, divertido. eu pedi um amor. não precisa ser lindo. mas tem que me amar. e tem que ter uma qualidade que é raríssima de encontrar em um homem: atitude.
eu encontrei alguns amores pela vida. mas acho que sempre faltou atitude e coragem por parte deles. e um homem que não tenha atitude não serve para mim.
[boop it]
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Ratapulgo
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5.4.03
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Será que eu vou me tornar muito intratável quando for velhinha? Já cheguei à conclusão de que vou ser daquelas que batem nos outros de guarda-chuva.
Annix - 20th Century Girl
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Ratapulgo
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5.4.03
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Cultivo do gosto
É preciso aprender a abominar a crueldade como se abomina a ruindade de um quadro kitsch. Ter a mesma sensação que se tem quando se ouve música muito ruim numa sala e se é obrigado a sair dela. E se me objetarem com o clichê do nazista culto, que toca piano e cita Goethe, digo que a solução para o nazista culto não é desenvolver nele um súbito mau-gosto, uma paixão repentina pela trilha sonora de Titanic. Se falhou em relação ao bom gosto, é porque deveria ter mais, não menos.
Ouço já vozes melífluas me perguntando o que é, afinal, o bem. Sei lá eu o que é o bem; mas é algo que reconhecemos em quadros bons, poemas bons, músicas boas, pessoas boas. Algo está simplesmente certo nessas coisas.
(...)
Vamos, negue. I double dare you.
Todo mundo é esnobe. Você não se apaixonaria por uma mulher chamada Vandicleusa.
ética e estética com Alexandre Soares Silva
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Ratapulgo
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5.4.03
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Manda a Regra Universal para Divulgação de Notícias em Dupla que as notícias ruins sejam dadas antes das boas, mas eu, que sou muito ética, preciso me sentir outsider de vez em quando, então vou subverter esta lei.
...
A parte boa - não vou mais gastar uma fortuna todos os meses no aeroporto; vou morar numa cidade maravilhosa, cheia de encantos mil; vou conseguir manter razoavelmente o regime mesmo nos fins de semana; vou rever alguns amigos e ver alguns que ainda não conheço pessoalmente; vou ter mais chances de trabalho nas áreas que eu gosto; meu humor vai melhorar consideravelmente, vocês sabem, certas atividades físicas que propiciam a troca de fluidos costumam ter esse efeito nas pessoas em idade reprodutiva; e, finalmente, vou ficar mais perto do meu namorado sem ter que abdicar da minha família, meus amigos, da Liberdade e da minha papagaia.
A parte ruim? Não vou mais para Recife.
...
Agora que eu me acostumei com a idéia, estou achando ótimo! Vou sentir saudades de Recife, a cidade que morreu anjinho para mim, dos bolinhos de goma e do sotaque mais bonito do Nordeste. Não tive tempo de conhecer quase nada, pois sempre viajava com aquele ar de "depois eu vejo, logo vou morar aqui". Agora tenho outra cidade para conhecer e outra cidade para sentir falta.
mudança de vida de redatora
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Ratapulgo
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5.4.03
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4.4.03
arruma, sái de casa, pega ônibus, conhece amigo, senta na baiana, bebe cerveja, liga pra amiga, bebe cerveja, amigo liga, bebe cerveja, bebe cerveja, amigo chega, bebe cerveja, amiga chega, bebe cerveja, vai no banheiro banheiro, ri, desce escada, bebe cerveja, conversa, conversa, bebe cerveja, conversa muito, bebe cerveja, bebe cerveja, fecha baiana, vai prA Obra, obra fechada, fica no postinho, bebe cerveja, conversa, bebe cerveja, beija amiga, bebe cerveja, amigo beija pescoço, bebe cerveja, bebe cerveja, conversa com o pinguço no postinho, bebe cerveja, beija o amigo, vai pra praça, bebe cerveja, vê piercings diferentes, ri, amiga linda chora, volta pro posto, pára no meio do quarteirão, olha pra cima, olha pra baixo, e não vê ninguém, chega no posto, vontade de chorar, bebe cerveja, liga pra irmã, bebe cerveja, irmã liga, fala com a mãe, bebe cerveja,amanhece, que saco, tá bêbada, anda, anda, pega ônibus, ônibus, ônibus, amiga masca cabeludinho no ônibus, desce na puc, cansaço, vai embora com o amigo, anda, atravessa passarela, pega metrô, metrô, metrô, metrô, senta, metrô, metrô, desce, muda de plataforma, espera, espera, espera, pega metrô, metrô, desce metrô, anda, anda, fome, anda, anda, sol queimando a nuca, queimando as coistas, pés doendo, "quem precisa de homem quando se pode tirar os sapatos", casa do amigo, sem fome, oi irmã, deita, abraça, abraça, dorme, amigo no sofá, dorme, tan-tantantantantan-tan, acorda com celular, mente pro pai, dorme, acorda outra vez com o celular, mente, desliga o celular, dorme, liga o celular, mãe liga, vai buscar, nervosismo, dorme, sonha, pesadelo, acorda, acorda amigo, medo, medo, os dois com medo, espera lá fora, espera lá dentro, mãe chega, pai dentro do carro, discute, sem brigas, ???, culpa, culpa, culpa, vontade de morrer, chora, pede por favor, vontade de morrer, digita, digita, digita.....
i hate myself and i want to die...
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Ratapulgo
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PM apaixonado seqüestra ex-mulher para reatar casamento
Loucura, loucura, loucura de amor! Um policial militar apaixonado não resistiu ao fim do casamento e seqüestrou a ex-esposa para tentar uma reconciliação. O caso aconteceu em Cuiabá e não terminou bem para o policial, que foi preso em flagrante e vai, obrigatoriamente, ficar longe da mulher por um bom tempo.
Terminal de ônibus do CPA, 21h. Ione da Silva Rocha (25), ex-esposa do policial militar Valdecir Antônio da Silva (28), estava aguardando um ônibus para ir até a casa da mãe dela. A jovem olha para o lado e vê o ex-marido de quem separara há três meses, no reveillon. Os dois trocam olhares e Valdecir vê, naquele momento, a oportunidade de reatar o romance.
Romântico
A jovem diz que Valdecir a segurou pelo braço e a chamou para que eles fossem conversar em uma praça do bairro. Romântico, mas nem tanto. Ela disse que não queria ir e ele a arrastou do terminal. Ione conta que gritou por socorro mas ninguém a ajudou com receio porque Valdecir estava armado. (sobe som!)
Uma pessoa que viu o PM forçar a jovem a acompanhá-lo chamou mais PMs, não para ajudá-lo, mas para prendê-lo. Valdecir estava levando Ione até a casa dele no Condomínio Vila da Serra II, no bairro Nova Conquista. Em frente ao condomínio, uma equipe da polícia militar viu o casal e pediu que ele parasse. Valdecir, com o revólver em punho, disse que aquilo era um problema familiar e mandou os outros policiais embora. Ele entrou na casa e trancou a porta.
Meteu a colher
O tenente Fábio Luiz Bastos, do 3º Batalhão, foi até a janela da casa e, depois de 45 minutos de negociação, conseguiu convencer Valdecir a entregar a arma e libertar a jovem que era mantida em cárcere privado.
Levado até a Delegacia Metropolitana, Valdecir disse que trabalha na Companhia de Polícia de Chapada dos Guimarães e estava de folga. Ele foi até a casa da mãe dele e depois encontrou 'coincidentemente' a ex-esposa no terminal de ônibus. Ele confirma que tentou fazer com que ela reatasse o relacionamento, mas nega que tenha usado a arma para obrigá-la a isso. Ele foi preso em flagrante e deverá ser transferido para a Cadeia Pública de Santo Antônio de LEverger, onde funciona o presídio militar.
Positivo e Operante, copia?
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Ratapulgo
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4.4.03
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queria que caissem 100.000 dolares na minha conta
q o meu carro sofresse uma mutação e se transformasse num AUDI
que a gasolina do meu tanque sofresse mitoses sucessivas
q a distancia da minha casa até a Costa do Sauipe fosse em torno de 47 km
que o Ben Affleck resolvesse me amar profundamte
e q logo em seguida, jujuba-man aceitasse esse "menage a trois"
isso é pedir muito????
só mais uma coisinha
queria mto mto mto q colocassem meu irmão numa caixa lacrada com os dizeres "lixo atomico" e enviasse para o Lesoto...
pelo menos isso, por favooooor!!
NEURAS, DELIRIOS E ALGUMAS VERDADES!!
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Ratapulgo
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4.4.03
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Eu tenho um subconsciente sabia?
E ele é realmente assustador, é o Tyler Durden da minha vida, é todo porra-louca. Todo dia a cada minuto eu faço, falo e escrevo coisas que realmente não são minhas.
São sim, mas a repressão que eu sinto é tão grande que não permite que eu seja EU o tempo todo então eu tenho meu subconsciente trabalhando sempre.
Ele é bravo, desgrenhado ou talvez é só uma menininha mal-amada. Ele é muito magoado com todo mundo ou talvez é só uma mulher frustrada com um marido vagabundo. Ele é o FODA-SE da minha vida ou talvez sou só eu gritando por alguma ajuda.
da fada má do leste em Abscesso e os tijolos amarelos
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Ratapulgo
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Detalhes
» Quando eu passou rímel nos meus cílios eles ficam tão longos que tenho que usar meus óculos dentro de uma distância mínima dos meus olhos pois caso contrário os cílios ficam esbarrando nas lentes
» Gosto de começar a ler revistas pelo fim.
» Não gosto de àgua na temperatura ambiente ou gelada. Gosto dela meio a meio.
» Amo esmaltes escuros mas inexplicavelmente nenhum esmalte pára mais de três dias em cima da minha unha.
» Raramente consigo acordar depois das 11:00 da manhã mesmo quando vou dormir às 6:00 da manhã.
» Não consigo ir dormir sem tomar banho e escovar os dentes.
» Por mais magra que eu esteja minha bunda não permite que eu entre num jeans inferior ao tamanho 40.
» Se eu vejo um gatinho ou um cachorrinho filhote minha reação automatica e quase incontrolável é tocá-lo.
» Vivo cutucando minhas cuticulas inclusive mordendo as pontinhas do dedo.
» À noite, quando chego em casa, desejo ser completamente esquecida.
» Adoro que façam carinho no meu cabelo.
» Nunca lembro de tomar àgua.
» Gosto de dormir com o meu edredon mesmo no verão (embora tenha dias tão quentes que eu sou obrigada a deixá-lo de lado).
» Falo absurdamente rápido. Muitas vezes tendo que repetir o que disse por que ninguém me entendeu :S
» Odeio que conversem comigo enquanto vejo algo (algo=filme, seriado, qualquer coisa).
» Odeio que cheguem no meio de algo que eu estou vendo e me perguntem o que está acontecendo.
» Odeio que me perguntem coisas enquanto eu estou escovando os dentes já que, é óbvio que eu não vou poder responder.
» Não gosto de café forte.
» Odeio grandes aglomerações de pessoas e filas. Possuo exceções mas são raras.
detalhes de oooooooops! são coisas muito grandes pra esquecer
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Ratapulgo
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Ontem disse que voltaria com a rotina normal. Não dá para se ter uma rotina normal, vivendo no limite. Irei morrer em breve, e surpreendentemente, isso não me assusta. Deprime, alegra... É um lugar comum falar que há uma alternância de emoções, mas é o que está acontecendo comigo.
Estou fazendo o tratamento. Sempre há um otimista para me dizer que com ele viverei mais um tempinho, como se eu estivesse em um jogo empatado, e fosse para a prorrogação. Ora, o grande problema é o gol de ouro, que acontece quando menos se espera... E, além do mais, meu jogo não está empatado, porra. Prorrogação que nada. Eu sei que morro, sei que é breve, portanto deixem-me em paz.
E uma lucidez. É impressionante a lucidez que se instaura com a proximidade da morte. Mas hoje estou cheio de chavões, e, apesar de gostar deles (ora, nenhuma frase feita o é à toa), não quero cansar vocês.
De volta, pessoal. Eu, meu gato, meu Marlboro, e esse maldito caroço. E dói. Muito. Muito mais na minha cabeça, é claro. Mas já antegozo a morfina.
(...)
Assisto com olhos impassíveis toda essa movimentação de guerra, e daqueles que são contra ela. Para mim, isso não importa mais. Com guerra, ou sem ela, com Bush ou sem Saddam, a minha vida está acabando, e isso é mais certo do que qualquer guerra.
Em minha juventude, eu costumava me indignar com esse tipo de coisa. Até a Guerra do Golfo, onde mandei cartas exaltadas para jornais e representantes do governo. Mas a proximidade da morte me leva a pensar: de que adiantou? As guerras continuaram sendo travadas, e pelos motivos mais bestas possíveis. Todos morrem, todos os dias. Hoje há mais de quarenta guerras sendo travadas em todo o globo, guerras por religião, por comida, por terra. O forte matando o fraco, sempre. E o fraco morrendo, todos os dias, em esquinas, praças, apartamentos duplex ou mansões nos Jardins. Sempre a mesma merda, a gente luta, se revolta, dá cestinha de natal, e não muda nada. E agora sou eu que estou morrendo, portanto, que se danem Iraque, EUA, e toda a merda envolvida nisso.
Só o hoje me interessa, e as pequenas coisas do dia a dia mais do que nunca, agora. Quero vomitar menos, quero que o gato não me encha o saco, e o telefone pare de tocar com gente do outro lado que nào me vê há tempos perguntando: "você está bem?" Estou ótimo, morrendo de câncer, careca e com uma dor constante, imbecis. Quero que me deixem em paz, só isso. Aliás, essas ligações de piedade me fazem vomitar. De novo.
Outra coisa que me irrita é essa falsa religiosidade que envolve os que estão para morrer (ora, todos nós estamos. Vocês também estão para morrer. Só que eu tenho data prevista. E sem período de carência). Parece que Deus é algum nome de remédio, as pessoas passam a vida inteira sendo más, e, perto da morte, se arrogam o direito de serem religiosos. Ora, nunca fui santo, e muito menos religioso. Não gosto de igreja, de templo, de centro, de nada disso. Não vai ser agora que eu vou me dar a essas folclorices e esperancices. Não, obrigado. Não achem que é um bom momento para me venderem o Deus de vocês, não o quero. O único deus a quem prestei homenagens a vida inteira foi esse que está aceso entre meus dedos. E ele me fudeu.
No mais, obrigado pela visita, e pelos comentários. É de certa forma confortante saber que vocês ainda estão aí.
dito pelo Canceroso
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Ratapulgo
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Cheguei hoje do Centro de Reabilitação e corri pra destampar e cheirar as panelas, nhamnham, pensando no almoço. Mal me dou conta que minha mãe estava com visita na cozinha, uma prima distante, devidamente aboletada na mesa, comendo pão, queijo, tapioca, café.
- Oh, Anita! Como vai? Está tão bonita!
- Oi, D. Bernadete! Tudo bem com a senhora? (o arroz tá quase ficando pronto, a carne já tá no jeito).
- Tudo bem, minha filha.
- ... (aqui entra aquele sorriso educado, social, polido).
- Não esqueço nunca de Anita dizendo que ia se formar e voltar pra trabalhar em Limoeiro pra poder visitar a família sempre...!
Deixei cair a tampa do feijão, me virei de repente pra encarar a mulher e ainda esbarrei numa faca que foi parar no chão. Respiração suspensa, me arrisco a olhar pros zoião verdão da minha mãe que estão menores nessa hora, apertadinhos, a boca franzida, uma sobrancelha levantada - já ficou tête-a-tête com o sarcasmo?
- Hein? Ãh? É. É mesmo.
Fui embora pensando se isso aconteceu mesmo. Se aconteceu, eu estava bêbada.
Ou estava D. Bernadete.
nepotismo do Arroz-de-leite
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Ratapulgo
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4.4.03
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Tem sempre aquelas pessoas que você ama, mas não pode sair simplesmente dizendo "eu te amo". Poder até pode, mas não diz. Porque diabos "eu te amo" é livre apenas aos namorados? O que impede alguém de dizer "eu te amo" toda hora a pai, mãe, irmão, amigo, amiga, cachorro, peixe, aparelho de som... Declarar-se sem parecer brega, sentimental, louco, gay... Ou parecendo...
A consequência disso é que só um tipo de amor preenche a nossa vida; sem ele, estamos sozinhos, como se todos os nossos outros amores não existissem. Mas eles existem, believe me...
sie liebe dich, god only knows..., yeah, yeah, yeah
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Ratapulgo
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3.4.03
Estou sorrindo de orelha a orelha.. a noite é bela, tudo é maravilhoso e ela mora alí do lado.
(...)
Sou louco por vinho tinto, um bom blues e mulher de personalidade forte. Não necessariamente nesta ordem. Pode ser também: um blues de personalidade forte, um bom vinho e uma mulher ruiva (tinto). Tenho uma puta tara com ruivas..
(...)
Descobrí que tenho pavor de apaixonar-me. Gosto de ter controle sobre os meus sentimentos. Gosto dos riscos controláveis, das catástrofes* planejadas, da devoção condicionada em pequenas doses homeopáticas (de várias enfermeiras).
Reconhecer este pavor, sim é um feito. Admitir a deficiência, o se esconder atrás de mentiras (de várias enfermeiras) para respaldar, assim, uma mentira maior, digna de Puck** - a da felicidade de papelão.
Amar é entregar as armas, o orgulho e a devoção. Dá-me medo o gozo do pavor não retribuido.Isto é apaixonar-te.
* Catástrofe - Palavra de origem grega, significa "inverter", "virar de cabeça para baixo". Originalmente usada para descrever o desfecho ou clímax final de uma representação dramática, podendo este ser tanto feliz como triste.
** Puck - Elfo travesso da corte de Oberon. Usou o sumo da flor do amor-perfeito para enfeitiçar os jovens atenienses Lisandro e Titânia, criando uma falsa paixão nos olhos destes.
NaTurALbOrnEDgeOGraPheR
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Ratapulgo
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3.4.03
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Então tá, eu vou amanhã no cartório decidir o dia do casamento e também assinar a papelada definitiva pro casamento, as "proclamas". Por 8 dias, no cartório e em alguns pontos da cidade, colocam os nomes, profissões, etc, igual no Brasil.
Frio na barriga por amanhã pessoal!
Não é medo, não é ansiedade, é somente o dia que eu estive esperando nos últimos 4 anos e alguns meses.
Tem o dia do casamento pra eu tremer que nem bambú, eu vivo toda confiante, cheia de positividade e segurança, mas aposto (e eu conto aqui!) que no dia D eu vou é ficar neurótica. Estou até com o olho no calendário pra não marcar em época de TPM, aliás, eu tô na TPM mas ainda não sinto os sintomas. Quer dizer, quando eu tô na TPM eu nem sei que estou na TPM, eu nem sei quem sou, logo, poderia estar já bichada :)
Daqui menos de 24 horas vou estár lá no departamento proclamas, cruzes, eu nunca fui no cartório daqui o namô sempre me poupou, eu sempre enchi o saco pra ir, mas ele achava que eu iria ficar entediada. Que cara gentil :)
Da última vez eu fiquei no carro, por 50 minutos, esperando ele sair dali, até mandei uma mensagem pra saber se ele tava vivo ainda.
(...)
Eu sonhei essa noite:
Que tinha voltada ao Brasil, na casa dos meus pais e que fui direto pro jardim ver minhas 2 cadelas. Em vez de 2 cadelas eu encontrei 20, 30 cachorrinhos, bem filhotinhos, muito fofos, todos vira-latas, com aquela carinha redondinha, que coisa linda.
Normalmente eu só tenho pesadelos, foi o sonho mais lindo da minha vida!!!
Me deu uma vontade louca de abraçar uns 10 cachorrinhos de cada vez!
cachorrada da chi:ko:rit:a
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Ratapulgo
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3.4.03
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Primeiro de abril do mal (parte II)
- Cadu? Oi, é a Shirley...
- Shirley? O que foi que aconteceu?
- Calma Cadu! Eu nem falei nada... você está bem?
- Aconteceu alguma coisa com a Alessandra? Ela foi atrás do flash, não foi?
Minha irmã prendia o nariz com os dedos pra não rir. Ele devia estar tão preocupado com o que tinha acontecido na noite anterior, que ela não resistiu.
- Olha, eu acho que está tudo bem. É que eu estou sozinha em casa, minha mãe ligou e está com ela no hospital.
- Hospital?
- É... ela foi pegar o dinheiro de volta, teve um tiroteio na favela e levaram ela de ambulância para o hospi... Cadu? Cadu? Você está aí? Cacete, não tem ninguém no telefone!
Peguei o telefone da mão dela. O telefone estava mudo, ninguém respondia. Desliguei.
- Como assim? O que ele disse? O que você falou?
- O que eu falei? Tá louca? Você ouviu o que eu falei! Será que ele desmaiou? É um tonto esse seu namorado, hein? Que cabeça de jerico!
- Ele é um amor, não fala mal dele! Mas... puta-que-o-pariu, Shirley! E agora?
Por um momento, ficamos as duas rindo desesperadas, sem saber o que fazer. Ligávamos para a casa dele e só dava ocupado. O telefone estaria fora do gancho? Sem saber que atitude tomar, tivemos a brilhante idéia de ligar pra uma vizinha que pudesse nos ajudar. Graças ao serviço de auxílio à lista, encontramos um nome conhecido. Minha irmã ligou.
- Alô. Por favor a dona Eulália?
- Ela mesma.
- Oi, é a Shirley que está falando, irmã da Alessandra.
- Ah! Shirley do céu! O que aconteceu com a sua irmã?
- Até a senhora já sabe?
A Shirley jogou a mão sobre a testa. Como ela não entendia meus sinais, comecei a sussurrar: - Pede pra ela avisar que o telefone está fora do gancho. - Levei um pontapé.
- Então dona Eulália, eu estava falando com o Cadu e ele esqueceu o telefone fora do gancho...
- Ah, mas ele ficou tão aflito que saiu cego à procura de um táxi.
- Saiu? Táxi?
- O quê? O quê? - Grudei o ouvido no aparelho. Precisava ouvir o que a vizinha dizia.
- O carro dele está com o Papo (o pai). Ele saiu correndo atrás de um táxi e está indo pra sua casa.
- Ahnnnnn! Mas...e agora? Ele é louco?
- Não fala que é mentira. - Ajoelhei e implorei, grudada nas pernas da minha irmã. Ela deu um croque na minha cabeça e me empurrou com a perna.
- Dona Eulália, faz tempo que ele saiu?
- Nem cinco minutos. Foi todo mundo com ele! A Marisa (a mãe), a Daniela (a irmã), o Bênio (o irmão) e a Fifi (a poodle preta).
- Até a Fifi?
- Eles saíram com tanta pressa que levaram a cachorra junto. Olha, me dá noticias da Alessandra assim que ela voltar do hospital, viu?
- Claro... ligo sim. Um beijo pra senhora.
Ela desligou o telefone e ficou olhando pra minha cara.
- Lascou! E agora?
- Como é que aquele louco do seu namorado faz um negócio desses?
- Ai, chega! A gente precisa pensar em uma solução. Daqui no máximo a uma hora eles estarão aqui.
- A gente uma ova! Problema seu. Vou dizer que você me obrigou e não quero nem saber. Vire-se, cada um com seus problemas.
- Eu faço tudo que você quiser se você me ajudar a sair dessa.
- Meu! A hora que a mamãe chegar e souber essa história ela vai matar a gente!
- Puta-que-o-pariu! Esqueci da mamãe!
- O que é que tem a mamãe?
Parada na porta da sala com pose de açucareiro, o tom de voz da minha mãe prometia várias chineladas. Explicar o ocorrido não seria nada fácil.
Primeiro de abril do mal ( parte III )
- Mãe, pelamordedeus! Você precisa ajudar a gente!
- Foi idéia da Alessandra!
- O que vocês aprontaram?
- Não olha pra mim, não! Pergunta pra Alessandra.
- Você sabe que hoje é primeiro de abril, né?
- Fala de uma vez antes que eu dê uma surra nas duas!
- Pára, mãe! Sem essa, eu não tenho mais idade pra apanhar. Foi só um acidente. Na verdade, só você pode nos salvar...
- Que acidente?
- Não, nenhum acidente. É que a Shirley ligou para o Cadu e...
- Liguei porque ela mandou, mãe!
- Quieta! Deixa a sua irmã explicar.
- Então... ela ligou de brincadeira. Disse que eu voltei na favela para recuperar meu flash, que houve um tiroteio, que uma ambulância me levou pra um hospital e que você estava lá comigo. Só que o Cadu não esperou ela dizer que era primeiro de abril e largou a Shirley falando sozinha no telefone. Aí a gente ligou pra vizinha dele e ela disse que eles estão vindo pra cá de táxi. Ele e toda a família.
- Eu não posso acreditar que vocês fizeram uma palhaçada dessas com a família do Cadu!
- Mãe, por favor! Se a gente disser que foi só um susto, que eu desmaiei no meio do tiroteio e que você foi me buscar no hospital, nada de mais vai acontecer. Eles não precisam saber que foi tudo mentira. Eu vou morrer de vergonha...
- Que morra! Quem sabe assim você aprende. Não me peça para mentir e compactuar com esta situação ridícula que vocês duas tramaram. E esperem só o pai de vocês chegar em casa!
- Mãe, eu não tive culpa. A Alessandra que inventou tudo!
- Você ajudou, a culpa é sua também. Não quero saber de discussão...
Durante meia hora, imploramos e choramos aos pés da minha mãe. Eu, pedindo que ela não me entregasse aos parentes do Cadu e minha irmã, pedindo que ela não a entregasse ao meu pai. Até que a campainha tocou.
- São eles! Mãe, tenha dó de mim! Eu vou pra cama, você diz que eu tô descansando e a Shirley confirma tudo.
- Eu vou é cair na gargalhada.
- Shirley, se você der um risinho, um único risinho, eu juro que te soco quando eles forem embora.
Corri para debaixo das cobertas e esperei pelo pior. Se uma das duas desse pra trás eu estaria arruinada. Eu e o namoro...
Continua---->>>
AMARULA COM SUCRILHOS
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Ratapulgo
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3.4.03
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Pra dizer a verdade
Eu sinceramente, se fosse homem, jamais casaria comigo
Motivos:
- Arrumo meu quarto só quando entra homem aqui, ou seja , NUNCA!
- Eu não suporto limpar a casa
- Não sei pregar botão de camisa e quando prego uso linha vermelha em camisa branca e assim vai
- Se eu ver toalha molhada jogada em cima da cama eu não vou fazer escandalo e trocar o lençol. Eu Jogo no chão e durmo assim mesmo e ele na parte molhada, é claro.
- Não me peça pra levantar cedo e fazer café da manhã. Talvez eu resista a primeira semana, na segunda eu nem abro o olho.
- Eu chupo o dedo pra dormir.
- Gosto de ficar sozinha as vezes, portanto vou querer um quarto alternativo só meu.
- Não adianta querer me convencer que trabalhar de recepcionista é melhor que internet.
- Se pedir uma coisa com urgência é a última coisa que eu vou fazer.
- Pode o mundo desabar que eu sempre estarei calma e dizendo..Pera ai.
Ah isso foi só pra começar!
cem anos de perdão para o Copie Et Après que encontrou Casos e Acasos Virtuais heheheh
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Ratapulgo
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3.4.03
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2.4.03
Um dia a Alessandra pediu que eu deixasse uma última mensagem no blog, caso acontecesse algo com ela - um pedido que tratei de ignorar. A última coisa que pensamos quando vivemos com alguém é que um dia ela pode não estar por perto.
Não quero estender esta mensagem. Nada que eu possa escrever amenizará a dor e a perda da Alê. Também não vou detalhar o que aconteceu; Não tenho forças para isto, no momento.
Sábado de manhã, no hospital, ela pediu novamente para que eu não esquecesse de escrever e enviar os e-mails que ela tinha respondido. Em um momento de total desespero, disse que eu não iria escrever, que nada de ruim aconteceria e que não havia nada para ser escrito. Ela respondeu que só queria dar tchau, obrigada e dizer que amou, com todo o seu coração, viver o que ela viveu. Fica seu último pedido, sua última mensagem, para todos nós.
Rubens
o último adeus a Alê Felix do AMARULA COM SUCRILHOS
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Ratapulgo
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2.4.03
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Obrigada, Murphy
Mais uma da série: essas coisas só acontecem comigo. Eis que depois de comer a famosa feijoada do Pasquale, no Passeio Público, resolvi ir ao Shopping Müeller para comprar um tênis. Entrei na loja e fui prontamente assediada por uma daquelas vendedoras que grudam e não desgrudam mais. Daquele tipo que fica oferecendo TUDO o que tem dentro da loja, dizendo que TUDO fica lindo em você, etcétera e tal.
Eu só queria um tênis, mas era uma loja de artigos "fitness" e eu tive que explicar que, apesar de ser do Rio de Janeiro não, eu não queria um biquini (será que tem gente que pensa que carioca vai trabalhar de biquini?) e não, eu não queria uma blusinha azul combinando com o tênis e não, eu não queria pochetes (uia!) e não eu não queria nada além do maldito tênis.
O foda é que, como eu não sabia que ia encontrar - ou sequer procurar - o tal tênis hoje, eu tinha saído de casa com uma meia emprestada, de homem, daquelas velhas, enormes e com microfuros querendo aparecer. Então, na hora de experimentar o tênis, eu fiz um malabarismo tremendo pra vendedora não ver a meia. O malabarismo consistiu, basicamente, em tirar a meia JUNTO com o tênis (saca?).
Bem, experimentei o tênis, andando pra lá e pra cá pela loja com a vendedora no meu encalço. Ai, tá lindo em você! E eu era só u-huns e a-hans pra ela, já chegando ao auge do meu mau humor. Olhei mais uma vez no espelho e decidi que eu não ia querer o tênis. Voltei pro pufe onde tinha deixado os meus tênis vermelhos (e as mega-meias dentro), enquanto a vendedora estava no fundo da loja enchendo o saco de outra pobre vítima.
Quando ela finalmente começou a se aproximar, eu não sabia o que fazer. Tinha dois problemas à minha frente. A curto prazo, teria que explicar a ela que eu não ia querer o tênis. A médio prazo, teria que voltar a calçar os meus tênis e, para isso, calçar AS MEIAS. Com a vendedora na minha cola, vendo tudo.
E lá estava eu, pensando em como resolver esses meus enormes problemas quando de repente TÁ. Tá tá tá tá. E pessoas correndo pelo shopping e entrando na loja fitness pra se esconder. Um tiroteio, pensei e, escolada, me escondi atrás de uma arara de roupas. O Senhor Jornalista, que estava comigo, foi até a porta da loja ver o que era, sob meus gritos de protesto. Eu já estava prestes a entrar num dos provadores e me trancar lá dentro quando o Senhor Jornalista voltou e disse, calmamente: "Paula, CALMA, não é um tiroteio. CALMA, mas nós vamos ter que sair do shopping rápido." Eu perguntei então o que estava acontecendo, e ele respondeu: "CALMA, mas é que o teto do shopping está desabando". O TETO DO SHOPPING ESTÁ DESABANDO??? E ele: "isso, mas CALMA, Paula, nós já vamos sair daqui.
Calcei o tênis de um golpe só e saímos correndo pela garagem (estávamos no terceiro andar do shopping) enquanto as pessoas se degladiavam nas escadas rolantes e os carros tentavam dar marcha ré na rampa de acesso. O pavor dominou as pessoas. Inclusive eu. Fala sério, eu só pensava no World Trade Center e na hora em que tudo ia desabar em cima da minha cabeça.
Mas tudo deu certo, nós conseguimos escapar correndo pela rampa da garagem. E, bem ou mal, eu consegui me livrar da vendedora mais chata do mundo sem muito esforço. E nem precisei calçar as meias.
[Cá entre nós, ia ou não ia ser bonito o shopping desabando e eu trancadinha dentro do provador da loja, me achando A ESPERTA?]
epinion
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Ratapulgo
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Microcontos – capítulo 2
A mãe conversava com a filha, que contava entusiasmada sobre seu último romance. Um encontro casual, um encontro marcado, um encontro selado. Três vezes, três emoções diferentes. A genitora, sorriso nervoso nos lábios, perguntou:
- Mas foi só um beijo, né?
A menina não respondeu. Saiu da cozinha com um brilho maroto nos olhos e as mãos dançando ao som de alguma canção imaginária. É claro que tinha sido só um beijo, mas por que tranquilizar a velha e acabar com o mistério?
Microcontos - Capítulo 3
- Quando eu estava dentro do ônibus elétrico hoje, um dos cabos se soltou da fiação e o motor parou.
- E...?
- E nada. A história acaba aqui.
- Como assim? Então por que você me disse uma coisa tão desinteressante?
- Só estou narrando um acontecimento do meu dia, ué. Mas se você quer a continuação, aí vai: o cobrador desceu do ônibus, colocou o cabo de volta à fiação e tudo voltou ao normal.
- Rogério, qualé? Você quer terminar com o nosso relacionamento e não sabe como começar a história, é isso? Fala logo! Eu exijo a sua sinceridade!
- Claro que não, Sarah! Eu só quis te dizer isso porque achei que seria mais original do que comentar sobre a chuva que vem aí...
- Eu sei que você não me ama mais.
- Mas...
- Não diga nada. Adeus.
E Sarah saiu, bateu a porta e nunca mais voltou.
Morfina
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Ratapulgo
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2.4.03
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Aí, é domingo, e você e sua mãe decidem colocar a conversa de um mês em dia, já que durante a semana, você passou noites fora, sabe-se-lá fazendo o quê, e você que não fuma, estava com o quarto fedendo à cigarro e outras substâncias que nem Deus sabe, e contando com aquela implicância mala da sua mãe não querer te deixar sair nem no sábado, porque você tem que ser obediente, e uma vaquinha de presépio inanimada, as coisas estão bem nesse domingo ensolarado, principalmente porque vocês estão assistindo um episódio do Smalville, e hoje, definitivamente, está muito massa, porque o Clark e a Lana finalmente se beijaram.
E seu pai, cansado de tanto trampo está dormindo, enquanto você e sua mãe dão gritinhos histéricos em frente à TV a cada aparição do Lex Luthor. E sua mãe te conta sobre todos os clipes legais que estrearam na MTV nessas duas últimas semanas, e que você não assistiu, e isso inclui aquele clipe novo do Audioslave, que você nem sabia que havia estreado. As previsões são de um domingo familiar muito bacana, se não fosse por...
um estranho cheiro de peixe podre na geladeira.
E toda vez que você abre a geladeira, isso pra pegar o cagagésimo Danoninho, sente aquele cheiro esquisito de peixe podre. E sua mãe, já desesperada com aquele fedor infecto, que contamina a casa inteira, abre dúzias de ovos, pacotes, e gavetas pra ver que raios é aquilo que fede tanto. Até que seu pai acorda, e sim, ele está de muito bom humor, e você, filha prestativa o ajuda a dar comida para o seu cachorro, que pobrezinho, e velhinho, já não anda mais. E tudo vai bem, como uma família feliz, idêntica às famílias felizes dos comerciais de margarina, até que...
seu pai abre a geladeira e se enfeza com o cheiro de peixe podre!
E seu pai está passando por uma crise dos cinquenta anos, que nenhum ser mortal consegue entender. É aquela fase da rabugisse extrema, conservada em barris de carvalho, que ninguém merece. E ele faz perguntas do tipo: "porque tem 5 pés de alface na geladeira?", e tá, tudo bem que ele é o provedor de pão da casa, mas o que ele tem que saber porque há 5 pés de alface na geladeira, se todo mundo sabe, óbvio, tá na cara, é evidente que aquele maldito cheiro de peixe podre, nada tem a ver com as inocentes alfaces! GRRRRR!!!! Aí, você se toca que seu pai vai ter uma crise, daquelas que ninguém, ninguém merece, e ele chama sua mãe, e ambos começam a falar alto, e fazer acusações, e se degladiar em frente a geladeira, e você sente, muito forte dentro de si, aquele instinto machista de que sim, lugar de mulher é na cozinha, e seu pai que se arranque logo dali, antes que sofra uma violenta retaliação. E vendo que você não está nem um pouco com tesão de lutar pela causa da geladeira, e nem tomar partido de nenhum dos lados, você se retira em sinal de protesto. Se protege dos ataques ofensivos verbais, e dos tomatais, de baixo do seu edredom, e se recolhe para o seu campo de concentração, o caos generalizado do seu quarto, com restos mortais de Danoninhos, bolacha recheada, e pizza, recordando daqueles sublimes momentos de paz, que ocorreram na manhã do Smalville. Viva Clark Kent!
Neutro Azul
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Ratapulgo
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2.4.03
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criança pequena, quando quer alguma coisa, quer porque quer.
com um certo esforço, os pais ou qualquer pessoa, até conseguem tirar aquela bala ou carrinho que ela tanto quer da cabeça, e a vida segue assim, com algumas frustrações que ajudam a gente a crescer e deixar de ser tão criança.
o legal, no entanto, é quando a criança consegue o que quer. quando a criança consegue o que quer; aquela bala toda colorida ou o cachorrinho vira-lata que tava andando na rua; você pode ter certeza que aqueles cinco minutinhos de alegria vão ser especiais. cinco minutinhos podem parecer pouco, mas alegria de criança dura pouco por ser alegria de criança. criança é feliz porque é. porque não se sente obrigada a se sentir feliz. ela sente aquilo, e aproveita, sem querer saber se alguém está vendo ou se vai ficar na memória guardado pra sempre... criança é feliz pelo simples motivo de estar.
ultimamente, das várias coisas que eu andava querendo, eu consegui uma boa parte... mas os cinco minutinhos já não são mais cinco e a alegria já não é a mesma. pode ser porque agora, eu prefira tar do lado de uma pessoa que eu ame, merecer boas notas, uma boa aparência e ter amigos que me acrescentem algo à doces, brinquedos e vira-latas.
esse é um dos motivos pelos quais eu nunca vou deixar de ser um pouco criança. por essa alegria instantânea e inexplicável que vem, dura cinco minutinhos e vai embora. porque talvez eu acorde amanhã e perceba que eu não amo a pessoa ao meu lado, que minhas notas estão péssimas, que minha aparência já foi melhor e meus amigos não são meus amigos.
aí eu vou poder sentar com o meu carrinho novo e ficar viajando cinco minutinhos no meu mundinho de criança, sem ninguém me obrigando a ser feliz, a amar alguém, a tirar boas notas, a parecer apresentável e a ter bons amigos.
...ospiordaliga®!
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Ratapulgo
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2.4.03
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A day in the Life (balada do primeiro de abril)
Os dias.Essas entidades perdidas que eu cismo de colocar em capsulas, pra guardar num armário qualquer, pra juntar poeira. Ao invés de colocar meus dias em armários, deveria colocar na geladeira. Ou no formol. Na verdade, nada adianta. Os dias passam mudando a paisagem, mudando o cenário do meu filme boboca.
Gasto os dias como se fossem inesgotáveis, como se não acabassem nunca. Afinal, amanhã não vou acordar de novo? Então? Gasto sem medo.Mas isso últimamente tem mudado um pouco. Quase nem percebo, mas tem mudado. Porque? Ora, porque quanto mais old fico, mais a impressão tenho de que Deus está com pressa pra acabar com o mundo. Ou comigo pelo menos...
Eles estão encurtando: quando a noite chega, ainda não fiz a digestão do dia. E quando acho que tá na hora de naninha, quero me derreter boêmio. Quando vejo, estou madrugada a dentro me achando uma anta irresponsável. Como otimizar uma coisa dessas?
Alan Parsons canta que "days are numbers, watch the stars". David Gilmour cantou também (e todo mundo achou lindo) que "the sun is the same, in a relative way but you're older". Caetano chamou o tempo de "um senhor tão bonito quanto a cara de meu filho" (nunca entendi muito bem o que ele quis dizer com isso). Só sei que os dias passam, a noite vem e eu continuo além.
Não gosto de aniversário. Do meu, eu digo.Me dá a impressão de que sou uma velha charrete, onde o simpático burro do tempo olha pra trás e me diz: parabéns. E continua a me arrastar até que minhas rodas quebrem por falta de óleo. Prefiro um não-parabéns.Troco ele por um poder acordar feliz, inspirado, com fome de coisa nova e um sentimento de que ele dure muito, muito mais do que esse miserê de 24 horas.
Então, me permitam tomar o lugar do burro e me desejar um parabéns ao contrário. E me deixar, pelo menos nesse dia atômico/atônito carregar minha carroça até debaixo de uma árvore colorida e pensar que num dia bacana desses da vida, um filho meu vai ser mais feliz que eu fui um dia nessa vida.
Patos e Fotos - Radio Blah
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Ratapulgo
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quando solteira, minha mãe se chamava léia victória aires e tinha 18 gatos. ela queria ser escritora e chorava ouvindo petula clark. quando solteiro, meu pai - renato caringi de freitas - morou em portugal. ele tinha uma lambreta e brevê de piloto. sobrevoava a casa da léia para impressioná-la. eles se casaram em 1972. eu fui concebida no rio de janeiro, diz a léia, que estava lá no momento. nasci em abril de 1973.
quando léia ficou grávida pela primeira vez, renato sugeriu o nome do filho: "clemente". porque estava certo que seria um varãozinho o primogênito. "nem clemente nem piedoso", disse léia, leitora voraz de romances de capa e espada. "vai ser mulher e se chamará angélica." angélica, a marquesa dos anjos. a indomável. mulher de joffrey de peyrac, coxo e alquimista. feo pero encantador. maldito, ele foge ou é fugido e ela o procura por todos os mares possíveis. "quem sabe durval?", arriscou renato, o renitente.
depois disso, Tome uma Xícara de Chá
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Ticcia
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2.4.03
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Eram quatro: o bêbado, o galã, o louco e o esquizofrênico.
O esquizofrênico começa a contar a sua versão da história, mas de súbito vê ao longe três homens de preto. Perseguição, ele tinha certeza. Preciso fugir, agora agora. Já de pé na tábua, o galã puxa-lhe pela gravata, dá lhe uns três safanões, pede que se acalme e faz pose para as fãs.
Agraciado por palmas, começa a contar a sua versão da história, repleta de crimes, lutas e atos heróicos. No ápice, momento de matar o vilão e dar o beijo na mocinha, o bêbado explode numa gargalhada sem fim e, falando torto, contesta toda a história do seu amigo.
O bêbado já vai corrigindo, e avisa que não eram quatro, mas sim três: ele a a garrafa. Logo após de declarar seu “Ode ao Alambique Desconhecido”, principia em conjecturas sobre a sua esposa, o fim do mundo e o técnico do curinthians. Todas corretas e incontestáveis.
Tudo ao mesmo tempo agora, o louco fica de canto, quieto, de caneta em punho e fazendo algumas notas, palavras rabiscadas que agora você acabou de ler.
versão Zazoeira
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Ticcia
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2.4.03
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Coisas inúteis sobre mim que eu poderia não contar para ninguém mas que eu vou contar mesmo assim XXXIX
Eu tenho 7 redemoinhos na cabeça.
Eu não penteio o cabelo desde que eu resolvi que eles seriam curtos assim.
Se eu não passo gel, fica parecendo que eu acabei de levantar e que saí andando por aí assim mesmo. Bom, é isso mesmo que eu geralmente faço.
o cabelo da Menina do Didentro
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Ticcia
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2.4.03
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1.4.03
Precisamente às 13 horas, 13 minutos e 13 segundos
Do dia 3 do mês 3 do ano 3
Dei-me conta de que os números não significam nada.
Melhor que o Silêncio?
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Ratapulgo
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1.4.03
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Vou meter a cara
Percebi que não tenho sonhos de verdade. Criei alguns só pra ter o que responder quando me perguntassem sobre eles.
Tenho quase certeza que vou ser um jornalista de merda. Mas em que eu não seria um merda também? Tanto faz! Sou seguro quanto a isso. Vou arranjar uma profissãozinha, ganhar meio quilo de sal por mês para trocar por carne de ovelha e vinho vagabundo, viver em algum caixão para vivos e fazer greve quando o negócio apertar.
Vou meter a cara. É isso aí, vou meter a cara. Vou comer garotas sem nome, comer comida sem pai, comer cultura gordurosa. Vou fazer algumas amizades por interesse, outras por resignação, fazer um churrasco por ano com as sobras guardadas, encher a mão do lixeiro com moedas para a caixinha de natal.
Vou meter a cara na lama e respirar pela pele.
um Yeah! meio desatualizado
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Ratapulgo
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1.4.03
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Acabou. Passei momentos dificeis no hospital, melhor poupar os detalhes, mas acabou. Mexida fisicamente,abalada emocionalmente mas no geral estou bem. Preciso agora de repouso, tranquilidade e boa alimentacao. Leva mais ou menos 2 semanas para se recuperar fisicamente , tempo em que nao trabalharei . Devo aproveitar para viajar por alguns dias para desanuviar e pensar na vida.
Sinto um vazio misturado com tristeza mas preciso ser forte para aceitar o que aconteceu. Estava com uma vida pulsando dentro de mim, o que durante 4 meses me encheu de amor e alegria , nao sentia falta de nada nem de ninguem. Mas era uma vida nao destinada a vingar , circunstancia tragica sem culpados.
Obrigada a todos pelo apoio
Agora eh bola para frente, que a vida continua.
Como esse blog ficou meio tragico, penso em mudar para sacudir a poeira. Ou terminar e comecar outro ou modificar tudo ou entao parar total de escrever. Nao sei ainda.
Naked Emotions
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Ratapulgo
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1.4.03
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