vai ser muito legal na segunda-feira... muito mesmo. das 40 pessoas naquela sala 6 (incluindo o meu namorado) pessoas sabem q eu terminei com o ele q eu vivia falando aqui... e dessas 6, só 5 (ok é até bastante..) sabem q eu tô ficando com alguém... e dessas 5, só eu e ele sabemos q estamos namorando....
então vai ser super interessante a cara de todos ao me verem com meu namorado, a cara deles pensando merda e doidos pra falar merda por aí... vão achar q eu traía meu ex.... vão ficar super confusos, vou ouvir milhões de perguntas e constatações...
em algum lugar da LUA
9.3.03
8.3.03
Aos 12 anos, mais ou menos, eu pensei em me matar pela primeira vez. Era uma coisa de pré-adolescente que não suporta o peso dos hormônios. Pensei em me matar porque tinha orelhas de abano e porque caíra da bicicleta e porque a minha pela qual eu era apaixonado me negara um beijo. Coisa assim. Como o tempo passou e a condição de rejeitado amorosamente, desastrado no ciclismo e anatomicamente imperfeito permanecera até uma operação plástica aos 21 anos, continuei pensando em me matar.
Hoje em dia, acho que ter pensado nisso durante todo este tempo foi, na verdade, uma dádiva. Evitou que eu tivesse um espírito iluminado demais, tão iluminado que cegasse a mim mesmo. Evitou que eu achasse que sou peça fundamental no funcionamento do mundo, que um movimento meu é capaz de interferir na rotação da Terra e que, depois de morto, legiões vão citar meus nomes em rodapés de teses na USP. Este pensamento de morte precoce me colocou no meu devido lugar, que é na cama com a mulher amada, por vezes lendo um livro, amando o tempo todo, fazendo planos de viagens ou relembrando os trinta milhões de pontos no fliperama.
Eu tinha uns dezoito anos quando entrei em contato com uma psicóloga pela primeira vez. Eu namorava uma estudante de psicologia à época e, por influência dela, achava que era necessário ter alguém para falar dos meus problemas de adolescente. Neste tempo eu pensava em psicologia nestes termos: estar com alguém para desabafar. Mais: alguém que me desse sábios conselhos.
Era, contudo, um preguiçoso e, em assim sendo, procurei uma psicóloga perto de casa. Encontrei uma na esquina. Não me lembro do nome mas me lembro muito bem do primeiro erro da tal: fazer-me escolher. Ela tinha um consultório em conjunto com psicólogo japonês. E na primeira consulta explicou seu método de trabalho (e não o do japonês que estava na sala com ela) e simplesmente mandou que eu escolhesse entre os dois. Ora, eu estava ali justamente porque não sabia fazer escolhas e a imbecil me manda escolher! Além disso, como eu poderia conviver com o sentimento de rejeição que veria no outro psicólogo para todo o sempre?!
A duras penas escolhi. Ela era uma senhora dos seus 60 anos, recém-formada. Junguiana. Sua primeira lição de casa foi ter me mandado sonhar e anotar os sonhos, que seriam relatados a ela, para então serem analisados. Interrompi o tratamento, por assim dizer, quando comecei a inventar sonhos só para ver que tipo de interpretação ela faria e quando, em determinado momento, ela disse que minha anima era desenvolvida demais e que eu tinha um lado feminino assim e assado e...! Só falta me dizer que sou gay! Nunca mais voltei ao consultório da minha primeira psicóloga.
E veio uma gripe e outra e outra, depois uma esofagite, uma amigdalite, estas coisas cotidianas. Fui a um médico certo dia e ele tinha uma explicação para tudo: depressão. Eu tinha ouvido falar disso, claro, mas achava que era frescura. Até que o médico me deu um folheto de laboratório que continha algumas perguntas básicas que supostamente definiriam o depressivo. Como eu respondera a todas as perguntas afirmativamente, estava claro para mim e para o médico charlatão que eu era um caso terminal de depressão. Passei, a partir deste dia, a tomar antidepressivos.
Não tenho vergonha disso. Acho engraçado, até. Fui, penso, uma vítima, e por longos sete anos, do departamento de marketing de um laboratório farmacêutico qualquer. Não me lembro do nome do primeiro medicamento antidepressivo que tomei, mas sei que não era Prozac. Só sei que o negócio era poderoso mesmo e que me deixava meio zonzo o dia inteiro. A sensação vinha em ondas. Muito legal para um adolescente que nem maconha usava e que tomava um porre aqui e ali, se tanto.
Abandonei o médico um tempo depois. Eu tenho um histórico de abandonar médicos. É uma raça que me cansa, para dizer a verdade. Tenho amigos que são médicos, com os quais me dou muito bem, desde que não me venham prescrever alguma coisa. A inimizade começa com a receita.
E lá fui eu procurar um médico especializado, isto é, um psiquiatra. Como devem saber aqueles que não são idiotas o suficiente, um psiquiatra não trata de dementes. Na verdade, o psiquiatra estuda o comportamento a partir das substâncias químicas que norteiam as sinapses, coisa e tal. No caso de depressão, as substâncias químicas envolvidas são a seratonina e a dopamina. Neurotransmissores, diz-se. É nestas substâncias que atuam os antidepressivos. E os psiquiatras servem para dar receitas azuis para determinados antidepressivos e ansiolíticos, como se verá adiante.
Para minha sorte, fui cair numa psiquiatra que também era psicóloga e que cobrava os olhos da cara. Nesta época, porém, eu já estava gostando de tomar remédios. Os antidepressivos nem tanto; gostava mais dos ansiolíticos que roubava da minha mãe. Que ela não nos ouça, mas eu pegava dois Lexotans e tomava e ficava acordado e via bolinhas coloridas saírem do teto. Muito legal.
Eis que comecei a me consultar com esta senhora, freudianíssima. Não acho que foi de todo ruim. Apesar de eu ainda ter em mente que consultava um psicólogo que me desse conselhos, ali escutei coisas que, em determinado momento, me foram fundamentais. Não entro em detalhes, claro. Abandonei esta médica depois de, certo dia, ter entrado no seu consultório, com boa meia hora de atraso, e tê-la encontrado aos prantos porque o pai, em estado terminal de câncer, estava à beira da morte. Sinceramente, psicólogo que é psicólogo não chora. Muito menos histericamente.
E eis que fiquei um bom tempo se ir a médicos e sem tomar minhas boletas da felicidade. Até que aconteceu uma coisa e outra e outra (todas boas, hoje eu percebo) e acabei caindo nas mãos de uma psiquiatra que não era psicóloga e que era alopata até os dentes. Mandou-me tomar os remédios de sempre mas, vendo que não tinha solução, mudou o diagnóstico. De uma hora para outra eu não era depressivo, e sim bipolar. E lá fui eu, tomar quatro comprimidos diários, além de um para dormir. Outro dia conversava com um amigo sobre isso: eu era completamente controlado por remédios. Até que, depois de um ano, mais ou menos, isso tudo me cansou. Parei de tomar remédios, parei de ir à psiquiatra bonitinha, parei de ir à psicóloga e principalmente parei de ter crises de depressão e euforia. Não é incrível?!
Hoje eu percebo o que me aconteceu com muita lucidez. Eu era literariamente depressivo. Eu descobri muito cedo que ser melancólico era muito mais elegante. E não há mulher que resista, numa certa idade, a um choro convulso ou a uma ameaça de suicídio. Ser assim uma espécie de Werther me conferia status e me deixava mais inteligente. Pelo menos era isso que eu achava. Depois, perdeu a graça.
Durante estes anos todos que tomei remédios e que ia para a cama pensando em morrer, escrevi muita coisa sobre assunto. Coisas boas e coisas não tão boas assim. E coisas muito ruins. Muito ruins mesmo. Meu orgulho maior, contudo, coisa que nenhum uspiano imberbe de colete conseguirá entender, foi ter escrito um texto chamado Está Consumado, já publicado aqui e também no Digestivo Cultural, para o qual eu colaborava à época. Este texto eu o escrevi durante uma crise braba, numa Sexta-feira Santa. E nele expus os motivos pelos quais não me mataria de modo algum. Além de tudo, quis dourar com um pouquinho de intelectualidade o que se passa pela mente de um suicida. A maior recompensa que tive com este texto, um verdadeiro texto de auto-ajuda, foi o e-mail de um sem-número de leitores a me agradecerem (sempre há os espíritos de porco que me xingam, claro) pelas palavras simples mas eficazes. Ah! Eu realmente queria que os idiotas da objetividade que me cercavam (não cercam mais, graças a Deus!) tivessem a capacidade de fazer algo tão desapegadamente honesto. O que é muito, bem sei, para seus espíritos corrompidos.
O Polzonoff
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Ratapulgo
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8.3.03
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Eu já
- Fiz sexo no cemitério, no cinema, no elevador, no ônibus, na escola, em praças
- Traí meu namorado com meu primo de primeiro grau, muito mais novo do que eu, de quem cuidei como irmã
- Masturbei outros primos e primas
- Sofri mais de um acidente grave
- Sofri abuso sexual quando era pequena
- Tentei suicídio aos 10 anos
- Fiz aborto
- Ri no meio de uma trepada, porque o cara era estrangeiro e gritava "oh, yes" - e mesmo assim nós dois gozamos
- Tive 4 namorados ao mesmo tempo
- Traí muitas vezes a pessoa que eu amava (e que me maltratou bastante)
- Viajei sozinha por países estranhos, sem dinheiro, sem conhecer ninguém, sem falar a língua local e sem perspectivas
- Peguei carona com caminhoneiros só pra ver o que aconteceria (e foram todos uns gentlemen)
- Me apaixonei por uma mulher
- Fui adepta da auto-flagelação
- Fui católica fanática e depois me tornei agnóstica
- Odiei mortalmente a minha mãe
- Seduzi sem pensar nas conseqüências
- Gastei muito dinheiro com homens
- Dei o cu pra um cara de 17 anos que eu mal conhecia, dentro de um carro, logo depois do primeiro beijo. E ainda me masturbo pensando nisso
- Transei a 3 e a 4 com meu namorado junto
- Saí sozinha à noite, conheci vários caras, masturbei alguns deles sem sequer saber seus nomes
- Matei um cachorro que me adorava
- Me encolhi de dor enquanto garotos que pensavam que eu não era mais virgem enfiavam o dedo em mim
- Menti para pessoas que me amavam
- Amei uma vez só, e tudo que restou foi uma sensação de vazio e amargura
- Quis ser a Santa Tereza de Ávila
- Tentei invocar o demônio,e na época imaginei que ele não aparecera porque eu não era suficientemente interessante
- Escrevi bilhetes suicidas
- Menti para a minha mãe, dizendo que havia ficado com pessoas famosas
- Tive vontade de me esfregar em um cara que me assaltou
- Tentei, por um segundo, matar uma pessoa, em reação às agressões dela
- Tive crises de depressão severas, mas decidi parar de tomar antidepressivos e não me arrependo
- Entrei em coma duas vezes e não vi nenhuma dessas porcarias que falam por aí
- Percebi que não sei realmente o que quero
- Fui feliz em alguns dias com a pessoa que amava. Mas agora estou vivendo à deriva.
Anonima
Eu já...
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Ratapulgo
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8.3.03
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Quando eu consigo chegar em casa cedo (5h30, ainda estava escuro), o jornal já estava lá. Entregador filho da puta, vou ter que combinar com ele pra ele só entregar o jornal depois que eu chegar. Sim, porque minha mãe usa como critério pros meus horários o entregador de jornal. E a missa, claro, teve uns 2 finais de semana que eu cheguei domingo cedo e ela já tinha saído para a igreja.
No fundo, é bem melhor cedo de madugada quando está escuro. Domingo passado, por exemplo, foi deprimente, chegar em casa com sol a pino, quase 24 horas acordada e não sentia sono. Vontade de trocar de roupa e ir até o Villa Lobos (viu, tento ser da geração saúde também). Mas claro, fica só na vontade, ao chegar na esquina já teria me arrependido.
Hier ist kein warum
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Ratapulgo
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Homem de visão que sou, estou pretendendo me enveredar em um novo ramo: o da pornografia. Quero fazer um site pornô bem bacaninha, que não fica abrindo milhares de páginas e seja recheado. Os negócios andam bem, já possuo - em duas semanas de nova empreitada - quase trezentas fotos. Na sua maioria de ninfetas. Não que eu tenha preferência por este tipo de fetiche, mas é que estou assinando um lista de email, onde um bando de punheteiros só trocam fotos de ninfetas.
Quando o negócio estiver mais consolidado, a idéia é que o site não só roube fotos de outros, mas também as faça. Quero montar um estúdio e contratar rapazes fortes e belas garotas desinibidas. Uma coisa profiça.
Ps.: Aceito ajuda de colaboradores. Aqueles que mantém um coleção de fotografias, digamos, "artística", podem me mandam. Também quem quiser participar das "seções de fotos" são bem vindos.
Chimpanzés
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Ratapulgo
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8.3.03
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LES BLEUS ME BOTEUX NU CUS
Pode haver coisa mais fascinante para um brasileiro emigrante, fanático por futebol e louco por zoadas do que a possibilidade de assistir à final de uma Copa do Mundo com a presença do Brasil? Não. Parecia um sonho e realizá-lo seria tarefa dificílima, uma vez que praticamente não havia ingressos e os poucos que ainda restavam se encontravam na mão de cambistas, que pediam alto pra cacete pra liberá-los. Quando já estava por desistir, surge a Charlotte.
Em Freiburg, costumava ir a um bar chamado El Bolero quase todas as noites. Era a minha segunda casa lá. Era também o ponto de encontro do meu pessoal. Naquele sábado, véspera da grande final da Copa de 98, dei uma passadinha no bar pra tomar uma cerveja e assistir ao jogo que decidiria quem iria ficar em terceiro lugar, Holanda ou Croácia. Minha desilusão era enorme, afinal Freiburg fica a uma distância pequena de Paris, é como do Rio a São Paulo. No meio do jogo chega o Sérgio, parceiro daqui de Copacabana e que está na Europa há uns dez anos. Logo depois dele vem o Jorge, argentino de Buenos Aires, fanático torcedor do River Plate e gordo feito uma leitoa. Mais até que o Fred. Todos estávamos morrendo de vontade de ir a Paris, mas sem carro, sem grana e, principalmente, sem ingresso, era impossível. É quando chega a Charlotte, uma húngara que trabalhava como garçonete no El Bolero e também uma grande amiga de zoadas pelas noites de Freiburg. Sabendo que ela tinha carro, o Sérgio, completamente despretensioso, perguntou: "Então, Charlotte, vamos pra Paris curtir a final?". Qual não foi a nossa surpresa quando ela, de prima, sem sequer tirar os olhos das bebidas que nos servia, mandou: "Vamos sim. É só vocês me esperarem até o fim do meu expediente. Alvoroço na mesa. E ela estava mesmo falando sério? Estava sim. Fomos todos em casa buscar umas coisinhas e pouco depois já estávamos de volta ao Bolero, cada um com sua respectiva mochilinha. Na minha, além de itens básicos como escova de dentes, fio dental, cuecas e desodorante, iam também uma bandeira do Brasil, camisa, as minhas calça e cueca da sorte, o boné e, como não poderia deixar de ser, uma imagem de São Judas Tadeu, o padroeiro das causas impossíveis e, mais importante do que isso, do Flamengo também.
Charlotte pediu que a esperássemos em frente ao bar enquanto ia buscar o carro. O êxtase era total. Passa um carrinho todo fodido e pára um pouco a nossa frente. Continuamos esperando. Segundos após, uma frenética Charlotte desce daquilo que mais se convém chamar apenas de meio de transporte e começa a gesticular nos chamando pra entrar.
Não tinha a menor condição de a gente ir pra Paris naquilo. O carro era um FIAT menor do que o minúsculo e desprezível FIAT 147. O motor, como no Fusca, ficava na traseira e na mala mal cabia a mochila do Jorge. Aliás, no carro mal cabia o Jorge, que devia pesar uns 140 kg. Mas aquela era a nossa única chance. Entramos eu e Sérgio atrás e deixamos o momo do Jorge ir na frente. Combinei com o Sérgio que a cada parada iríamos trocar de posição, pois quem se senteva atrás do argentino ficava todo espremido. E assim fomos.
O carro era horrível. Barulhento, apertado, velho pra caralho, o motor esquentava tanto as nossas costas que parecia que iria cozinhar os rins da gente. Pior ainda era que o desgraçado não passava de 80, o que aliado a nossa pouca intimidade com o percurso e ao fato de o tanque só pegar 20 litros de combustível, o que nos obrigava a parar a cada 100 metros, fez com que uma viagen de no máximo cinco horas durasse nove. Isso sem falar no Sérgio, que com 42 anos na altura, pedia o tempo todo pra garota dar uma encostadinha e ficava fazendo alongamentos na beira da pista. Logo que cruzamos a fronteira tivemos o primeiro indício de que aquela viagem ficaria marcada na vida de todos nós. O motor esquentava muito e a solução que encontramos pro problema foi levantar a tampa traseira e, assim, permitir que o pobre diabo "respirasse". Quando faltavam ainda umas três ou quatro horas para que chegássemos, a Charlotte pediu pra alguém dirigir, pois ela estava exausta. Como dos três eu era o único que podia, já que tanto o Sérgio quanto o Jorge eram emigrantes clandestinos, passei para o volante. Percebendo que a Charlotte havia apagado no banco de trás, resolvi pisar um pouco mais forte no acelerador. Consegui botar 110 km/h na descida e com o bichinho gritando. O ponteirinho batia no pininho do velocímetro. O Jorge falava pra mim: "Cuidate, hombre. El cochesito no resiste. Es mucho gas, Fabiano. Mucho gas.". Mandei ele ficar quieto e continuei tocando o pau. Chegamos, enfim, à Cidade Luz e tão logo pegamos o viaduto que nos levava ao centro, o motor estourou. Era fumaça pra tudo quanto era lado. Principalmente no lado de dentro do carro. Não via nada. O Jorge gritava, o Sérgio evocava umas entidades de Umbanda e a Charlotte dizia um monte de coisas que eu não entendia, pois falva em húngaro. Com muito custo e após inúmeras buzinadas consegui levar o carro até um posto. De lá fui com o Sérgio até a Gare de Lyon, que é a Central do Brasil deles, enquanto o Jorge e a Charlotte cuidavam do carro. Minha intenção era ligar pra um casal de portugueses amigos meus que moram nos subúrbios da cidade. Quando retornarmos ao posto, nos deparamos com uma cena ímpar. Um bando de frentistas, todos com cara de árabes, rodeavam o carro e ficavam admirando a Charlotte deitada no chão, consertando o motor. Enquanto isso, o obeso do Jorge se limitava a passar as ferramentas que ela pedia. Uma vergonha para a raça masculina.
Quando o Manel chegou não podia acreditar que tínhamos ido de Freiburg a Paris numa merda daquela. Fomos pra casa dele, tomamos um banho, comemos, bebemos umas cervejas e partimos pra Champs Elysées, onde se concentrava mó galerão pra acompanhar os jogos. No metrô, conhecemos três gerações de uma família de sergipanos que há muito está fora. Eram a avó, a mãe e uma filha que era um espetáculo. Moreninha, olhos verdes, um rosto de miss e um corpo de dançarina de axé. Vestia-se com um shortinho todo enfiadinho verde e um top amarelo que deixava à mostra as marquinhas do biquini. A cereja do bolo era o sotaque franco-paraibinha que ela tinha adquirido por viver há mais de 15 anos na França, sendo que, na época, ela devia ter uns 18 ou 19 aninhos. Ela contou que saiu do Brasil ainda antes de completar um ano de idade e viveu em uma série de outros países até ir pra lá. O pai da gostosa era diplomata e por isso viajavam tanto. Ela só não estava morando em Ruanda com a família porque tinha acabado de entrar pra faculdade. Sendo assim, ficamos coleguinhas rapidamente e decidimos assistir ao jogo juntos.
Bom, não preciso dizer que o jogo foi uma merda pra nós e que a francesada sacaneou a gente pra caralho, né? E ainda tive que ficar aturando o Carlos, primo do Manel, e um bando de africanos loucos fumando haxixe na nossa frente. Nem o terceiro gol eu vi. Já estava longe, curtindo com a minha franco-paraíba. Azar no jogo...
A volta pra casa foi ainda mais problemática. A Charlotte não me deixou pegar no carro de novo e se perdeu na saída de Paris, levando a gente quase que pra dentro da EuroDisney. Percebi logo que vi o Mickey que estávamos na direção errada. Resultado: a volta durou longas 11 horas. Au revoir.
Tatu
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Ratapulgo
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8.3.03
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Boo telefonista
Trim trim trim..
- Alô.
- Gostaria de falar com o Sr. Fulano, por favor ?
- Quem deseja ?
- É o FMmMmMberto.
- Humberto ?
- Não, FranMmMmMmberto.
- Francisberto ?
- ...
- ... (pensamento : qualé a desse cara ?!)
- Ele está ou não ?
- Saiu agora há pouco.
- ...
- ...?(pensamento : porra to perdendo DragonBall GT !)
- No momento em que o telefone tocou ele ainda estava ?
- Sei lá.
- Depois eu ligo.(provável pensamento : %$#@@¨@%!!!!!)
- Tá certo.
- tutu..tu..tu..tu.. (desligou)
Aí chega minha mãe.
- Quem era,boneca ?
- Um cara de nome estranho.
- Qual nome ?
- Ih mãe eu não entendi não.
- Como assim não entendeu ?
- Sei lá ele enrolava a língua quando ia falar.
- Deu pra entender pelo menos uma parte ?
- Era Fran não sei o que lá Humberto.
- Franksberto ?
- E existe isso ?
- Minha filha, agora você deu pra fazer hora até com os amigos do seu pai ?
- Mas mãe..
- Deixe só ele chegar. Quero só ver. Se prepare.
- ... (pensamento : %$#@#% !!!!!)
Por isso mesmo estou fugindo de casa pela segunda vez nessa semana. Não esperem que eu apareça aqui tão cedo.
BooBlog
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Ratapulgo
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8.3.03
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as portas, amigo, não são todas iguais. as de filme e as de casas novas, em geral, se fecham com um leve empurrão. já as portas normais, estas precisar ser fechadas com o auxílio da boa e velha chave. na hora da raiva, ou da falta de uma chave, é possível batê-la, para que se feche.
em meu prédio as portas são assim.
hoje não acordei muito bem. na verdade, não dormi muito bem. quase anoitecendo e eu, deitada vendo o jornal regional, quando adormeço, pesado, com a Pandora no braço, também adormecida. não lembro de mais nada, a não ser da última coisa que ouvi pouco antes de um ataque cardíaco fulminante, visto que sou jovem e minhas coronárias são moles. estou aqui, num lugar indeterminado, já que não tive nem tempo de definir pra onde iria assim que desencarnasse. só posso dizer que tanto eu quando Pandora estamos aqui, na ante-sala do inferno, como diria o outro, fulminadas por um ataque causado por um vizinho estúpido e filho da puta que costuma, antes de meter a chave na porta pra trancá-la, bater a tal porta com toda a força. o barulho foi o equivalente a um tiro bem ao lado da cabeça, um tiro forte, grave. e lembro, ainda, da sensação de sufocamento que a taquicardia absurda me causou. e lembro de ver os olhos estalados da Pandora, que também tinha o coração fraco.
oCinematographo
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Ratapulgo
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8.3.03
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7.3.03
Como Nascem os Blocos de Carnaval
Então eu e Jorge decidimos realizar uma experiência para ver como se dá o carnaval de blocos carioca... Por que é, na verdade, uma coisa estranha, inexplicável, que às vezes cresce e surge do nada. A maioria dos blocos daqui é assim... Tem um nome ridículo e ninguém sabe como começou... Pra entendermos isso, eu e Jorge descemos e fomos pra uma esquina de Copacabana, sábado à tarde, munidos do mínimo possível pra uma empreitada dessas: um cavaquinho, um pandeiro e dois caixotes de madeira.
Paramos na esquina, eu no cavaquinho, Jorge no pandeiro, sentamos nos caixotes, acionamos o cronômetro e começamos a tocar o nosso vastíssimo repertório de sambinhas...
00:00:39 : Ganhamos R$0,75 e um vale transporte de outubro do ano passado dos transeuntes que passavam;
00:01:27 : A primeira mulata bêbada e baranga se acercou da nossa roda de samba e começou a se exibir;
00:01:29 : Cerca de 15 marmanjos, entre bêbados, mendigos e turistas europeus se aproximaram pra ver a mulata sambar;
00:02:05 : Duas mulatas gostosas, mordidas de ciúme pelo sucesso da baranga, começaram a sambar e sentar no colo do Jorge;
00:02:06 : Cerca de 40 pessoas, entre homens e mulheres, já estavam nos acompanhando;
00:03:12 : Chegou o primeiro vendedor de Skol com seu isopor remendado;
00:03:56 : O primeiro catador de lata de alumínio baixou na área;
00:04:22 : Apareceu um maluco com uma cuíca e virou o melhor amigo do Jorge;
00:05:13 : Os catadores de latinha começam a lutar pelas latas no chão;
00:06:01 : Já temos uma barraca de churrasquinho, doze vendedores de Skol e 15 catadores de latinha;
00:08:11 : O dono do boteco em frente começou a nos patrocinar: Eu, Jorge e Mané Cuíca estamos bebendo a rodo...
00:12:15 : As primeiras camisas oficias do bloco “Deus É Dez e + Dois” já estão sendo vendidas;
00:15:34 : A baranga caiu bêbada na calçada e foi eleita a “Musa do Bloco”;
00:17:23 : Uma bandinha de metais, composta por motoristas de ônibus, começou a nos acompanhar;
00:19:30 : Pediram que a gente parasse de tocar pois estávamos atrapalhando a bandinha;
00:24:00 : A Bandinha começou a descer a Nossa Senhora de Copacabana, acompanhada por cerca de 500 foliões;
00:25:00 : Compramos um Epocler pra baranga e arrastamos ela pra outra esquina pra começarmos um novo bloco...
E assim repetimos o processo durante todo o final de semana, dando origem à cerca de 25 novos blocos de carnaval, todo com nomes esdrúxulos...
E todos tendo como Musa a tal da mulata baranga...
fale com deus
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Ratapulgo
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7.3.03
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Infidelidade x traição
Afinal, existe diferença entre infelidade e traição? Se você for consultar o Aurélio, não vai encontrar, as duas palavras parecem ser sinônimos. Mas defendemos no Manifesto Pós-feminista que existe diferença, sim. Confesso que para mim também não é fácil explicar, mas vou tentar usar dois exemplos:
História real de uma infidelidade: ela é publicitária. A vida de casada está morna, ainda não sabe bem como ou por que, mas já intui que a relação vai acabar. Um belo dia, rola um clima com o criativo redator da sala ao lado para quem, na verdade, ela nunca tinha dado nenhuma importância. O clima vai crescendo, e os dois acabam indo pra cama. Sexo casual algumas vezes e pronto, acabou-se ali. Ninguém estava apaixonado, encantado, namorando. Era sexo, carne, tesão e não se falou mais nisso. Os dois seguiram trabalhando juntos, e o casamento dela terminou dois anos depois sem que nunca o marido jamais soubesse o que houve.
História real de uma traição: ele é publicitário e, depois de alguns anos de namoro, se casa com a publicitária da agência concorrente. A vida de casado está morna. A única coisa que anima o casal é o filho que acabou de nascer. Nada mais nela o atrai. Mas ele não diz nada, e vai levando a vida achando que um dia tudo vai melhorar. Ela nem desconfia, mas ele vai planejando tudo. Um dia, mas não um dia qualquer, o dia seguinte ao aniversário do filho, ele faz as malas e informa: vou sair de casa. O casamento acabou, e ela levou quase dois anos para entender o que tinha acontecido.
História real de uma infidelidade: eles eram casados há quase 10 anos. Ela se apaixonou por um homem. Os dois tiveram um caso durante quase um ano, mas havia tantos obstáculos que o romance acabou. Insatisfeita, decidiu colocar um ponto final no casamento. Separou-se do marido, que até hoje não sabe do caso dela.
História real de uma traição: ela era casada, e lá pelas tantas se apaixonou pelo amigo do marido. Não sem alguma resistência de parte a parte, acabaram na cama. Foram poucos meses de sexo. Aos poucos, os dois começaram a ficar constrangidos quando acontecia de se encontrarem todos. Num dado momento, ele descobriu. A secretária dela contou...
História real de uma infidelidade: ela viajou a trabalho. Conheceu um italiano lindo, maravilhoso. Entre vinhos, músicas, e muitos climas, foi para cama com ele. Era casada há pouco tempo, voltou para o Brasil, para casa, para o marido, e nunca mais ouviu falar do italiano. Guarda apenas uma boa lembrança de uma noite de romance e bom sexo .
História real de uma traição: eles tinham a mesma profissão, freqüentavam o mesmo grupo de amigos. Ela teve um caso com um cara do grupo. O marido não chegou a saber, mesmo agora que já estão separados, mas todos os amigos comuns souberam e até hoje comentam.
A idéia é que tudo depende não apenas do que você faz (sexo), mas de como você faz (respeitando as pessoas envolvidas), o quanto você expõe o outro e para quem (família, ambiente de trabalho). Tem a ver com ter cuidado, com respeito. Tenho um amigo (também publicitário) que diz:
- Sempre fui leal aos meus amigos, mas nunca fui fiel às minhas mulheres.
E eu respondo:
- Por isso prefiro ser sua amiga.
debaixo da cama de elasporelas
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Ratapulgo
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7.3.03
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'tá, eu sei que já perguntei isso antes: mas se eu sou um sonho, quem diabos tá me sonhando?'
'ahn, tu tem peitão?'
'não.'
'tá, então é mulher que te sonha. e bundão, tem?'
'não...'
'tá, então definitivamente é mulher que te sonha. já que estamos nadando num mar de silicone, deve ser uma mulher de peito pequeno, o que reflete nessa imagem uma vontade louca de ter peitão. olha aí, cabou de passar um par de peitão voando por nós. só pode ser uma mulher que quer ter peitão.'
'ok. mas se eu não tenho peitão nem bundão e sou mulher, o que que eu tô fazendo no sonho de alguém?'
'ih, fudeu! é tu que tá sonhando...'
'é mesmo?'
'arran. só pode.'
'...'
'...'
'ahn, tu acha que preciso botar silicone?'
'nãããã... tá bem, assim.'
como assim dois uísque?
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Ratapulgo
às
7.3.03
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Nada mais perigoso e digno de cuidados do que essas novas "mulheres independentes" que não querem ter filhos. "Não vou trazer um filho ao mundo", dizem elas, invocando uma "responsabilidade social" ou algo parecido e levantando o nariz.
Alguns países da Europa, como a Suécia, praticaram com tal obstinação a repressão do instinto de procriação - anexos o horror tipicamente puritano ao sexo, a fobia ao masculino e à família - que legaram a si mesmos um país infestado de velhos amargurados e solitários, tão orgulhosos como o Estado que toma conta deles.
Países "desenvolvidos" onde falta o essencial: a dinâmica, a energia, o instinto vital, centro de uma civilização. Pode-se-lhe aplicar o mesmo epíteto portado por essas lesbianas reprimidas que não querem ter filhos: são estéreis.
Países estéreis como suas mulheres e homens. Eis a conseqüência do mito malthusiano.
Mas não é apenas na velha-nova Europa que encontramos esse tipo de ideologia desumana. As mulheres modernas de países provincianos como o Brasil, habitantes principalmente das grandes cidades, costumam assumir a mesma atitude. São agnósticas (ou "católicas", qual a diferença?), cheias de espírito crítico e sarcasmo - às vezes falam mal de feministas ou abortistas apenas para se sentirem superiores. Ou estão lá, sinceras, num orgulho invisível a si próprias: mulheres irrepreensíveis, muito virtuosas, etc. Basta-lhes apenas o que não têem dentro de si.
Mas é para o bem - como diziam os antigos, em virtude dos desígnios da divina Providência - que pessoas com semelhantes idéias e atitudes sejam estéreis por opção. Tomando em conta a relação entre pais e filhos, muito influente, seria catastrófico se essas pessoas se reproduzissem, gerando crianças orgulhosas e tão bem educadas quanto nossos publicitários. Imaginem se esses socialistas estéreis assumissem, de uma hora para outra, a vontade de se procriar, ou se nossas lesbianas não reprimissem o seu instinto materno.
Oh, la sagesse naturelle...
É um alívio, assim, constatar que as famílias normais tenham vontade de ter filhos, propagando uma maioria sem horror ao ato sexual e sem medo de "colocar filhos no mundo".
Logo logo, ver-nos-emos livre dessa "raça" estéril e aberrante. Para ficar otimista, basta conferir o crescimento demográfico da Suécia, aquele antro de ateus e livres pensadores.
(Nota pessimista: só não toco assunto do aborto para não arruinar demais minha argumentação. Perceba-se apenas que o instinto maternal das nossas mulheres modernas foi transformado no seu exato oposto: o instinto de matar a própria prole)
comentário ultramontano
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Ratapulgo
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UM URUGUAIO JUDEU NA HOLANDA #1
Cheguei ao Recife anteontem. Dormi.
Acordei ontem e depois de alguma benigna refeição, fomos para Olinda. Uma van batida, com a traseira esmagada. Toca ficha.
Chegando ao sopé do morro que abriga a cidade histórica, confusão: pilhas de pedestres fantasiados das coisas mais absurdas, ambulantes vendendo álcool, pilhas, arminhas d´água do tamanho de bazucas e tapioca. Cerveja a R$ 1,50: bom valor para um europeu falso como eu.
No topo, pessoas. Música. Cessam os pocotós e mortos muito loucos e ouve-se, basicamente, a percussão dos blocos. Maracatu. 90% do tempo sem vocal. Pessoal se atira, mas nem tanto: o trago é violento, a chaura fumega solta, mas a putaria é menos intensa do que eu imaginava. Perde feio em HUMAN DEBAUCHERY pro Carnaval de Laguna, esse sim o supra-sumo da decadência.
Ao contrário de outras paragens, a festa aqui não parece ter somente o aspecto TRIBUFU da coisa: é gente de tudo que é lugar, idade, credo e cor misturada no meio do festerê que só aqui parece fazer algum sentido de verdade. Prédios antiquíssimos e bonecos coloridos. Aliás, tudo é colorido. E lá vai mais um bloco descendo a ladeira, só com percussão, instrumentos de sopro e eventuais puxadas de cantos tradicionais em algumas paradas. Ah: tudo isso acontecendo de tarde, diga-se de passagem.
Voltamos no início da noite, e eu estou quebrado e consideravelmente ébrio. Pausa pra algum descanso e nos tocamos pro centro velho, onde rola o Rec Beat. No caminho (feito à pé), noto a sujeira assombrosa que se empilha pelas ruas. Somado a isso, grossas camadas de MUCO e um nauseabundo fedor de mijo com vômito, atestando que alguma massa grande de gente passou por aquele lugar poucas horas antes. "No final da noite eles limpam tudo". E qual não é minha surpresa ao retornar para casa com pilhas e pilhas de lixo, mas dessa vez totalmente organizadas e esperando o caminhão recolher o sub-produto da alegria exagerada.
Chegamos ao que parece ser o CENTRO DO CENTRO. Ali, dois palcos dividem a atenção dos presentes: um toca um drum ´n bass furioso com uma carga de graves que faz coçar os pré-molares de qualquer um. Junto disso acontece um desfile de moda, mas não sei se tem muita gente atenta às modelos esquálidas que ficam fazendo pose debaixo do gelo seco.
Ainda pelo centro, passamos pelo que chamam de RUA DOS JUDEUS. Milhares de barzinhos encravados na arquitetura do século retrasado, milhares de pessoas, bandinhas. Não dá pra parar porque não tem onde parar. Mas a visão é das mais regozijantes: muita coisa acontecendo, como diria meu amigo Firpo. Ele não mentiu.
Mas eis que, por alguma artimanha de meus cicerones, adentramos uma festa no PÓLO DAS FANTASIAS. Um lugar fechado, onde STALLONE fazia, resoluto, a segurança da entrada. Demos o carteiraço from hell e nos metemos adiante.
O lugar tocava DRUMBA QUERIDO, CHICO SCIENCE e GALA, mais ou menos por assim dizer. Novamente, som ensurdecedor. Acho que ninguém aqui preza muito por tímpanos. Além disso, uma ESTROBO DO MAL de fazer qualquer monge virar IAN CURTIS.
Começo a ensaiar meus primeiros passos da Dança de New York em solo pernambucano, quando sou informado pelos anfitriões: "a copa é liberada, se tu não notou".
BOM: aí se seguiu um festival de ME DÁ ESSE TROÇO ICE E UM COPO DE GELO AE, PARCÊ. Tomou-se uns três. Pra quem estava bebendo desde a uma da tarde, o efeito foi no mínimo ESTRIQUINANTE. Fora isso, submeti-me a uma overdose de SALGADINHOS POCCO´S sabor BACON e BATATA, que podiam ser violentados a vontade em GÔNDOLAS que ornavam as paredes do estabelecimento. Talvez essa seja a explicação pra eu ter encontrado com TIM MAIA no terraço, o que me provocou uma pesada taquicardia DA PORRA.
-- "TIM! Tu por aqui"?
-- "Tim é o caralho, viadinho. Tá me achando com cara de ITALIANO"?
-- "Desculpa aí, Síndico. Mas é que eu achei que tu tivesse vestido o paletó de madeira. E tu me aparece assim, de canto, tomando uma ceva como quem não quer nada".
-- "Morto? Tu tá louco, pivetinho de merda"?
-- "É o que dizem por aí, véio. Todo mundo te dá como morto".
-- "Malditos maconheiros. É por isso que nunca meti essa erva na boca. É tudo louco".
-- "Ah, não me vem com essa história, gordão. Eu sei que toma 3 garrafas de whisky por dia e ainda cheira uma QUAKER por tabela nas festinha".
Sei que o papo não se estendeu muito. Quando eu perguntei se ele tinha umas amilas pra eu tentar resolver o problema com o meu coração, entraram quatro DA LEI e levaram o gordo lá pra baixo. Não pude nem pedir um autógrafo pro desgraçado.
BIG MUFF
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Ratapulgo
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7.3.03
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Eu tinha uns seis anos...
- Tia, o que é carnaval?
- É um feriado bem longo e bom de viajar.
- Duvido que seja isso. Você não sabe nada!
- Então vai perguntar pra outro!
- Tio, o que é o Carnaval?
- É uma festa de rua onde as mulé ficam doidinhas pra beijar na boca.
- Isso é jeito de explicar o funcionamento do mundo pra menina, moleque? Chispa daqui antes que eu te dê uma surra.
- Mas vô, eu só quero saber o que é Carnaval.
- O vô te explica: É uma festa popular onde as mulheres tiram a roupa e os homens tocam pandeiro. Mas só acontece no Rio de Janeiro, que é a terra da pouca vergonha. Aqui em São Paulo ninguém fica pelado não.
- Olha só o que o seu pai está dizendo pra menina! Filha, leva a Alessandra pra brincar.
Na rua com a molecada...
- Ale quer brincar de carnaval com a gente?
- Quero... mas eu vou ter que beijar na boca e tirar a roupa?
- Que???? Hahahahahahahahahahahahahaaha.
- Isso é só gente grande que faz, sua burra!
- E a gente faz o quê?
- Ué, a gente sobe no muro e taca bexiguinha de água em quem passa na rua!
AMARULA COM SUCRILHOS
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Ratapulgo
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E seu encontrasse no hall do grande teatro a mulher da minha vida? Passeando às três da tarde de quinta-feira. Ou o homem da cabeça de papelão? E se eu dissesse que quero o homem da cabeça de papelão e sorrisse para ele? E se eu, que sempre me atraso, me atrasasse um pouco mais, pra ver se encontro a mulher da minha vida ou o homem da cabeça de papelão. Ou vou sempre me torturar porque, em cinco minutos, talvez um dos dois passasse por ali. Lendo um panfleto, olhando distraídos mensões honrosas nos painéis. Mas não. Porque no meio de tanto mármore fresco e luz natural, todos se conhecem e se comprimentam. Só eu me sento sozinha, insegura e ignóbil no banco de madeira ao centro do salão. E nem assim me noto. Não me vejo dentro da cena. E quando passarem, de mãos dadas, a mulher da minha vida e o homem da cabeça de papelão, estarei presa, petrificada de mármores no centro da sala, dizendo que gosto do estilo e que o casal combina.
(...)
Esta noite dormi nua e casta pra pensar em você.
No quarto escuro, um pouco quente do verão, a janela aberta, imaginei não as cenas de sexo de livros para moças, mas algumas conversas insones e os faróis marcando a sombra da janela no teto.
A Teus Pés...
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Ratapulgo
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7.3.03
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Neurótica, eu???
Em janeiro eu já sabia que ia ficar este tempo em SP e desde então, acompanho as notícias sobre a cidade. É enchente, assassinato, rebelião – sei de tudo! Virei cidadã paulistana.
Tenho medo de São Paulo. Só estive lá um único dia de 98 entrevistando uma militante da direção do MST para minha monografia da graduação. Não passei mais de oito horas na cidade e já queria voltar logo pro meu Rio de Janeiro abençoado pelo Cristo.
Tudo lá é grande e distante. Andei de metrô na hora do rush da manhã. Pânico! Se o metrô daqui já mete medo quando está cheio, o de lá é apavorante porque é muito maior e muito mais cheio.
E como tem gente nas ruas! E como as pessoas passam por você sem nem notar sua presença!
Sei que estou fazendo um bicho de sete cabeças dessa viagem. Não vai ser tão ruim assim, afinal são só cinco dias, mas não consigo evitar este sentimento de solidão que já sinto por ter que ir pra São Paulo. Ah, e também tem essa minha mania de sofrer por antecipação... Claro que em uma situação como essa não poderia ser diferente. Mas acho que o pior de tudo vai ser sair de um carnaval em Ipanema, com muito sol, sal, céu azul, samba no pé, pra uma semana de curso pau-no-cu em SP.
3x4 Colorido
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Ratapulgo
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7.3.03
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Hoje descobri que estava com câncer.
Meu médico me chamou lá, para conferirmos alguns exames, e deu a notícia. Como não tenho parentes que possam contar daquela maneirazinha ridícula tentando amenizar a situação, recebi na cara o diagnóstico. Câncer. De pulmão. Metástase. Essas palavras ainda flutuam em frente aos meus olhos. Seis meses, talvez um ano de vida.
Saí do consultório perplexo. Pensei em mil besteiras, mas não fiz nenhuma. Quis tomar um porre, mas não bebi. Vim para a casa, fiz tudo como antes. Comida para o gato, recados na secretária, contas em cima da mesa. Então decidi fazer um blog.
Sempre achei palhaçada aqueles diários idiotas com "hoje fiz isso, hoje fiz aquilo". Mas esses são os últimos dias de minha vida, ora bolas. Quero compartilhar com alguém isso, e vocês são os escolhidos. Fiquem aqui, nào fujam. E não ousem morrer antes de mim.
(...)
Uma coisa: esse não é um blog anti-tabagista. Não pretendo levantar nenhuma bandeira, ser mártir de nada. Mesmo porque o maço de Marlboro está ali, me seduzindo (droga, eu quero fumar... Estou louco para fumar um cigarro, estou chorando de vontade de fumar um cigarro. Não sei se resisto mais.). E nem pretendo processar nenhuma fábrica de cigarros, por estar morrendo de câncer. Ninguém nunca me obrigou a nada, fumo porque gosto, sempre gostei. Desde aqueles que roubava de meu pai, até a asséptica caixinha de Marlboro que me acompanha há muitos anos, sempre gostei de fumar.
Este é apenas um blog de um cara que está com câncer, e que tem um ano de vida, ou menos. Quero aqui contar um pouco do que fui, e como a proximidade da morte nos abre os olhos. Ou não. Não sei mais o que quero contar. Só quero alguém para quem eu possa dizer o que penso, o que sinto. Nunca pude dizer a ninguém... Ah, sem dramalhões. É só isso. Nao quero ser estandarte de nada politicamente correto. Só falar... E morrer em paz.
Canceroso
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Vocês já perceberam que tudo que é nocivo a gente põe no diminutivo. E a gente vai se enganando. Um cigarrinho. Um uisquinho. Um baseadinho. Uma cheiradinha. Nas antigas, uma bolinha. Um tapinha. Apostar nos cavalinhos. Vai ver é por isso que aquele filhadaputa daquele jogador se chama Marcelinho.
A pipa do vovô não sobe mais ...
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Ratapulgo
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7.3.03
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Faculdade vazia e eu achando que mais uma vez devia ter me calado. Aliás, eu devia calar a boca a cada impulso de dar a minha opinião na vida dos outros. O problema de se envolver com as pessoas é o envolvimento. Droga, ow. Quando eu começo a achar que estou segura o povo viaja errado em mim. Ou eu viajo errado no povo. O problema de sorrir é que as pessoas sorriem de volta. Então eu volto para a meu lugar seguro, onde ninguém me conhece e ninguém me pede conselhos, onde ninguém me procura e eu não tenho que procurar mais ninguém. Então eu volto para dentro de mim e paro de sorrir por um tempo. Pessoas sempre me deixam nervosa, sempre. Então o conforto mora no molhado que escorre dos olhos. Então eu sou covarde mesmo. Eu sempre escolho o caminho mais fácil...
cadê a petulância?
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Ratapulgo
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7.3.03
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Ontem eu estive no Rio Grande do Sul participando de uma convenção da liga internacional de joken-pô para leprosos. Na hora do almoço, saí pra conhecer o centro, entrei num fliperama e encontrei uma máquina vermelha com um mapa do Brasil. Tinha uma cinqüentona loira de minissaia sentada em cima do joystick, no maior estilo coroa enxuta cheia de amor pra dar.
— Este lugar é para homens que gostam de jogar. Você é um jogador?
Eu trazia no bolso uma plaqueta de churrascaria para parar ou deixar continuar a oferta de carnes na mesa. Mostrei-lhe o lado verde, dei passagem, deixei ela morder a isca. Ela soprou a fumaça do cigarro de chimarrão no meu rosto e piscou um olho que não abriu mais, tipo o Camões.
Empunhei o joystick e ela me abraçou por trás, colocando a mão dela sobre a minha. Olhávamos fixamente para a tela. A máquina se chamava Landless Misadventures. No jogo, eu comandava o José Rainha em combates contra fazendeiros e coronéis. Entre invasões de fazendas, sítios e galinheiros, combatia delinqüentes juvenis do campo com correntes nas mãos, mas nada aumentava tanto a pontuação quanto apedrejar mcdonald's.
Depois de uma hora, cheguei na última fase. Era Antonio Carlos Magalhães dentro de um tanque de guerra.
— You shall never defeat me! I'm son of the almighty Oxumaré!
— We'll see, baby boy!
O suor banhava meu corpo e formava grandes circunferências nas axilas. Eu me sentia em foz do iguaçu. José Rainha, munido de uma enxada, estrelas laminadas e um escudo mágico, sofria, mas era pertinaz em sua batalha. Usei um golpe especial e do céu surgiram Lula e Zumbi dos Palmares. Terminei o jogo.
Congratulations! You are a Landless Misadventures champion! Try hard mode next time!
A velha me apertou. Dei uma cotovelada educada no fígado da senhora.
— Garoto! Quem foi o único bebê que respirou antes de sair da barriga da mãe?
— Sei lá.
— Edson Arantes do Nascimento.
Clube da Comédia
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Ratapulgo
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7.3.03
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nota para a posteridade:
eu estou caindo.
complemento:
seguindo a orientação de muito prezada amiga, continuarei caindo.
•introverted •obnoxious •pseudo-bohemian •loser
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Ratapulgo
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6.3.03
Liguei para a Márcia agora para saber do nenê (ele tem quase 3 anos, mas é um nenê) e ela já foi falando "ai, o nenê tá bem, tô aqui na outra linha com não sei quem, o Paulo ligou, convidou a gente para sair, se a gente for eu ligo pro Júnior, vamos pra SP nós quatro e tal". Eu admiro essa mulher, não se abala com nada. Tem uma disposição inacreditável. Já nem sei mais se esse Paulo é o Paulo que eu conheço, porque são tantos os nomes, sei lá. Deve ser aquele, mesmo. Enfim, ela é a água e eu sou o vinho. Totalmente opostas, incrível. Não temos nada a ver uma com a outra. Por enquanto, a única coisa em comum que descobrimos que gostamos é pipoca. (é, piroca também, seus mentes podres hahahaa)
Ela é loira (falsa), eu sou morena. Ela é baixinha, eu não. Ela é comunicativa, eu sou uma ostra. Ela gosta de lugares lotados, eu tenho horror a multidões. Ela nem sabe exatamente o que é um e-mail. Ela não bebe nem fuma. Ela vive no(s) telefone(s), eu odeio telefone. Ela acorda cedo, eu só acordo se me chamarem, senão durmo até o fim dos meus dias. Até que a gente se dá bem ahhahhahah.
Calor demais na ilha de Rinocerontes - parte II
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Ratapulgo
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6.3.03
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O avô pro neto:
- Tome dez pratas mas não conte para sua mãe que lhe dei, viu?!
O garoto responde:
- Isto vai lhe custar mais dez pratas...
Pro Tensao
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Ratapulgo
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6.3.03
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Vi hoje na TV. As pessoas estão guardando na geladeira sêmem e óvulos congelados para gerar filhos mais tarde, antes de possíveis doenças. Coloquei a idéia em prática. Botei na geladeira cinco potinhos com o meu esperma. Um potinho em cada prateleira. Não é para fins de reprodução, mas de dieta. Eu abro a geladeira, vejo aquilo e bato a porta sem comer nada.
¢AtaRrO vE®De
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Ratapulgo
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6.3.03
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Estou feliz. aquela felicidade entediada: estar seguro.
InsanidadePublica
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Ratapulgo
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6.3.03
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Falta pouco agora...
Daqui pouco menos de 5 horas entro na faca. Estava aqui pensando que é uma pena que não tenho um notebook com conexão "wireless", senão poderia blogar direto da mesa de operação... e com imagens via webcam!
Hmmm. Se bem que pensando melhor, talvez seja bom mesmo que eu não tenho notebook. Podia assustar os meus leitores, e tem gente da minha família que lê isto também...
De qualquer forma, se eu não estiver muito dopado, quando chegar em casa eu coloco uma mensagem aqui para contar como foi a cirurgia. Mas me conhecendo bem, é bem capaz de eu capotar na cama quando chegar e só acordar amanhã mesmo.
(...)
Vasectomizado
(existe essa palavra?)
Voltei agora do médico. A operação foi rápida e indolor, com um mínimo de desconforto. Uma visita ao dentista é muito pior em termos de dor e desconforto.
Estou meio tonto por causa do Valium que tomei 2 horas atrás. E também não sei como vai ser quando a anestesia perder o efeito, mas tudo bem. Tenho uns remédios que o médico receitou para dor, e também tenho que aplicar gelo no local. Levei um ponto só, é um corte pequeno.
Agora é esperar 2 meses para um exame final para comprovar que a operação foi um sucesso, e dali para a frente é só alegria.
Entre Quatro Estações
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Ratapulgo
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6.3.03
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acho que hoje escrevi uma das mais belas e tristes cartas de amor. mais um amor estrangeiro que chega ao fim. ele vai embora. eu tambem. mais um fim. e meu coracao se entristece. pela falta de coragem. por que para nossa geracao eh mais facil terminar e seguir adiante do que ter coragem e lutar e batalhar para superar as dificuldades, os problemas e as distancias. talvez seja por que agora eu tenha 30 anos. talvez seja por que na verdade eu aprendi muito com esta minha viagem mais interior do que exterior. mas para mim hoje o que eh importante eh amar e ser feliz. mas amor nao eh uma opcao. amar e ser amado. nature boy: "the best thing you ever learn is just to love and be loved in return". e eu chorei tudo o que tinha de chorar. nao quero voltar para o brasil como vim parar aqui. acho que talvez assim seja melhor. mas como eu queria que as coisas pudessem ser diferentes.
(...)
it's carnival in brasil. but i'm london. voce eh seresteiro. eu sou colombina. and we don't need to wear carnival masks. shabbat is over. wednesday is going to be cinzas day. but my heart is already like that. waiting for the three stars is never going to be the same. and i'll probably do this even if i don't need to do it. and i'll miss the hallah bread and the ruggalah. and the candles and the wine and the kidush. and my eyes are going to look for eruv in sao paulo's streets when i come back. and your sad eyes. and your beautiful face... i'll keep it all in my memory. and someone just called me now. and i'm going to work tomorrow. and i wish i couldn't work here anymore. but at least i won't think too much about you. isn't it strange?
[boop it]
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Ratapulgo
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6.3.03
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Curiosamente, eu tou numa posição até que confortavel. As ideias confusas na minha cabeça sao fruto disso. Porque eu tou podendo escolher o que vou fazer na minha vida com relação a alguem na minha vida "amorosa"
Meus amigos sempre dizem que ta na hora de eu arrumar uma namorada,ou pelo menos alguem prat er algo que seja + qe uma putaria,um fica,algo do tipo. So que agora quem diz isso sou eu. Cansei dessa molecagem que eu tava..voltei ao normal.
E pra meu espanto..eu tenho alternativas, que vou enumerar:
1) Fulana. Uma pessoa que me parece ser legal,chega a ser bonita. Infelizmente tenho a impressão de que ela se liga muito nas aparencias. mas mesmo assim me sinto atraido por ela. Apesar dela ser da mesma sala daquela outra la que eu gostava e que vcs se acostumaram a me ver chorando por ela. Pode vir a ser uma situação estranha,nao acham?. Ah,esqueci de dizer. Tentei beija-la no carnaval. El nao quis. No outro dia, ela veio me dizer que nao quis pq no carnaval ninguem leva nada a serio e que outras vezes ela ja quebrou a cara por isso. Logicamente ela quis dizer que "ficou,namorou..." ... o que tambem nao esta nos meus planos.
2) Beltrana. A que é mais certeza de conseguir alguma coisa, fato estranho, já que dentre as opções, é a que menos conheço, sei o nome e só. Me parece ser gente fina,agradavel..mas nao a conheco bastante pra iniciar algo com ela, apesar dela querer. Penso eu que ela será a primeira a pelo menos ficar. E levar, enrolar, curtir. Sem compromisso. Pelo menos penso isso neste momento. Depõe contra ela tambem o fato das amigas delas que conheço me pressionarem preu 'chegar junto' nela .. o que nao influi muito.
3) E tem a Ciclana. Conheco a algum tempo. Gosto pacas dela. Gente boa pra caramba, bom humor sempre, gosta de ta rindo comigo. Talvez por isso,pela gente sempre ta apenas nos divertindo,fazendo graça, ela nunca levou muito a serio quando falava que queria ficar com ela. Onttem eu tentei, passamos a noite juntos. Tentei 1, 2 ,3 ,4 ,5 vezes ... Nao quis força-la a nada, nao seria legal,como ela mesmo falou ("Se tu me beijar a força,vou ficar puta contigo e vo logo embora...). Sei lá, nao fiquei chateado nem nada. Apenas me deu + vontade. Vontade de ir onde ela e conversar a respeito,dessa vez sem musicas chatas,pessoas empurrand e nem ninguem pressionando ela. Talvez isso tenha ajudado a nao acontecer. Odiaria me senir pressionado a fazer algo,mesmo querendo (vide exemplo B). Fui deixa-la na casa da tia, que era perto de onde a gente tava. Demonstrei ontem cuidado,atenção,humor,sei la,coisas que se fazem quando queremos realmente ta com alguem. Eu sei que ela percebeu. O fato de meus amigos terem gostado dela, deles tambem terem se divertido com ela. sso me ajudou bastante a querer ela. Conheco parte da familia,ate. Que coisa,nao?
Escrevi pra caramba sobre a terceira pessoa. Ela é quem eu + conheço, + me divirto, + me animo com qualquer pensamento futuro. Talvez seja a explicação que eu preciso mesmo. Vou tentar algo com ela..acho..
Amanhã dou uma ligada so pra saber como ela ta,da umas risadas e só. Sem tocar no assunto. So se ela falar,logicamente..
E no fds eu tento ir ate onde ela..e ai quem sabe conversar sem atrapalho nenhum.
É isso..
Bangulhus - Comentários Inúteis de 1 Pessoa Quase Inútil !
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Ratapulgo
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6.3.03
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Ontem quase que começa uma história daquelas "era uma vez Anita".
Simone e eu num barzinho comendo sanduíche, esperando o tempo passar pra cair na formidável e animadíssima folia na praça da rodoviária (?) quando aconteceu: um carro tacou-se na lateral/traseira de outro que estava estacionado.
- Aham, e daí, Anita?
Daí que se não fosse o tal carro estacionado, o bêbado teria adentrado o barzinho em ritmo de frevo, matado três pessoas que estavam na mesa ao lado da nossa, não sem antes bater em uma coluna e fazer com que o teto desabasse em nossas cândidas cabecinhas.
Tem alguma coisa muito, muito errada.
Há dois meses teve a festa do tiroteio. Ontem, esse louco. Meus gatos estão paridos, loucos por mim, pulam espontaneamente pro meu colo e ficam me lambendo.
Muito errada.
Arroz-de-leite
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Ratapulgo
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6.3.03
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Juanito Camiñador
Certa vez, fui a um petit comité na casa de uma amiga e levei uma garrafa de Johnny Walker prá ser abatida. Bate-papo animado, charutos e tira-gosto, tudo muito bom, tudo muito bem. Debruçados na janela, eu e meu amigo Lon batiamos papo:
- Márcio?
- Diga, Lon?
- Esse whisky é muito bom. Você acertou em cheio: é o verdadeiro sabor da Escócia.
Nesse momento, ouvimos – espantadíssimos – uma gaita de fole soar (era o vizinho de cima, que toca 3426960 instrumentos de sopro) .
- Márcio?
- Diga, Lon?
- Você ouviu isso?
- Ouvi, Lon. E estou com medo de olhar prá baixo e descobrir que estou usando um kilt.
Alea Jacta Est
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Ratapulgo
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6.3.03
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Eu queria escrever alguma coisa profunda, sobre a vida, sobre as escolhas que a gente faz, sobre a felicidade, sobre realização. Mas não vou.
Vou falar sobre a vez em que eu pedi uma pizza de calabresa sem cebola e veio uma pizza de cebola sem calabresa.
A vez em que eu pedi uma pizza de calabresa sem cebola e veio uma pizza de cebola sem calabresa foi uma merda.
E é isso.
vida ou-
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Ratapulgo
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6.3.03
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Minha mãe tem mais três irmãs e um irmão. Nos fim dos anos 60, quando toda a prole do meu avô já estava constituída, sua mãe - minha bisavó – já não mais conseguia dinheiro para sustentar sua casa, e meu avô e seus irmãos decidiram revezar a Dona Adelaide. Isso significava que, de tempos em tempos, minha bisa ia morar na casa de meu avô. Eram o casal, cinco filhos e uma idosa numa casa de dois quartos, sala cozinha e banheiro na cidade de Rio Claro, interior do estado de São Paulo.
Como toda boa velhinha, minha bisavô cozinhava bem, usava vestidos floridos, ficava sentada quieta uma boa parte da tarde com as mão nos bolsos, andava devagar e não ouvia direito. Ela não era turrona ou amargurada não, estava sempre de bom humor, mas também não admitia o suficiente – ou não se importava, quem sabe - que não ouvia bem. E quando se falava com ela e ela não entendia, normalmente dava respostas vagas, ou sorria e passava a mão no rosto do interlocutor, com uns tapinhas carinhosos.
De noite, na hora de dormir, eram as quatro filhas dormindo no quarto, duas em camas separadas, outra numa cama de montar, a última no andar de cima de um beliche e e D. Adelaide na parte de baixo deste. Meu tio dormia num sofá na sala, que por vezes revezava com alguma das irmãs.
Minha família é católica apostólica romana, assim como a bisa, nascida em Portugal e vinda adolescente para o Brasil. Portanto, pedir a benção antes de dormir era coisa comum, e muito benção meu avô pediu à minha bisavó; consequentemente minha mãe e tias aos meus avós. Numa noite, na hora de dormir, minha tia mais nova, a que dormia na parte de cima do beliche, foi subir e bateu a cabeça. Como que para aliviar a dor, gritou:
- Puta que pariu!
- Deus te abençõe filha - foi o que minha bisavó respondeu, com toda graça e espiritualidade de uma idosa grata por lhe pedirem a benção. Todos no quarto, lógico, riram muito. E não foram poucas as vezes que, depois daquele dia, as meninas de noite no quarto diziam:
- Vó, puta que pariu!
- Deus te abençõe filha, Deus te abençõe.
zazoeira
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Ratapulgo
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5.3.03
Gosto do Carnaval. Gosto dele longe de mim. Gosto de ver as cores, o samba, gente coberta de brilhos, a loucura, o desvario. É uma beleza isso. Desde que fique longe de mim. O excesso de alegria me sufoca, assim como me enterra o excesso de tristeza. Gosto de ambientes calmos, de gente que fala baixinho. Gosto da ironia fina, do humor sutil, da sensualidade forte, porém discreta. E gosto de segredos, me fascinam os mistérios e seus fantasmas. Gosto dos loucos impunes e das frutas ácidas. E de pimenta abundante. E dos suicidas. E me encontro nas sombras. Por isso, passo os dias da folia no Bar de Baco. Onde todos amam o Carnaval. À distância.
na avenida vazia do Angel 7000
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Ratapulgo
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5.3.03
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Ainda estamos no ritmo de Carnaval...
Comemorando esta festiva data, vamos entortar as regras e postar um link que não é de um blog e não é em português. É a transcrição completa de um chat que culmina em overdose. O faro do ratapulgo não detectou um Hoax. Mas tanto faz. Anglófonos com estômago para metadona, klonopin e restoril por favor dirijam-se para Brandon Vedas aka Ripper Chat room Log
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Ratapulgo
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Dedos
Quando eu estou sofrendo muito, uma dor psicológica lancinante, meus dedos das mãos doem. Senti poucas vezes isso. Eles formigam e doem, parecem ocos.
Eu esperei por dias e dias há tanto tempo e inventei desculpas para justificar com nobreza a ausência a contra-gosto, mas meus esforços não lograram êxito. Daí aconteceu. Não bem isso, mas quase isso.
Nos encontramos na rua. Eu numa calçada, ele na outra. Eu, coração na boca, sentia a pulsação no rosto, nas pernas, nas mãos, o coração não batia, pinoteava, cavalo selvagem a dar coices no peito de dentro para fora.
Antecipei mentalmente a cena antes que ele me visse: nossos olhares se encontrariam no meio do caminho, ele hesitaria meio segundo até acreditar que era eu mesma, sorriria, aquele sorriso doce e ao mesmo tempo indecente que não se abre, insinua e caminharia lentamente até mim, como alguém que avista uma flor e decide roubá-la, num ímpeto de romantismo demodê. Esperei.
Ele levantou a cabeça e virou depressa. Atravessou a rua, entrou no carro e partiu. Partiu. Partiu-se. Se partiu. Se partiram. Partiram-se. Em mil pedaços.
Meus dedos doeram.
Have a Sit
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Ratapulgo
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Acabei de comer Fandangos com suco de maracujá. Lá vai o meu câncer aumentar de tamanho.
me Jane you Tarzan
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Ratapulgo
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Cena cômica do carnaval:
Estou eu sentado na frente de casa (uma pousada), hoje de manhã, as 9:00. Comendo umas bolachas, tomando um refri e fumando um cigarro. Matando a fome para depois tomar um banho (tinha acabado de vir do mar). Quando a dona da pousada me vê e comenta:
- Ahn... já acordou então? Vai fazer um lindo dia hoje...
Olhei pra ela. Ergui as sombrancelhas e concordei, balançando a cabeça. Depois tomei um banho e fui dormir. Eu, hein. Até parece que eu acordaria as 9:00 da manhã em plena terça feira de carnaval...
Cerveja Blog
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Ratapulgo
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4.3.03
Normas de segurança
* Ao ler os textos apresentados aqui, evite racionar ou chegar a qualquer tipo de conclusão, ainda que apressada. O dono não gosta de quem fica analisando as coisas.
* Ao entrar aqui, Desligue celulares, pagers e marcapassos.
* Você pode permancer no site durante apenas 15 minutos, porque tem uma fila muito grande para entrar. Caso esse tempo seja ultrapassado, uma multa de 100 abdominais e 200 polichinelos será aplicada ao usuário infrator.
* Tudo aqui é grátis. Você não paga para entrar – a caixinha vai da boa vontade do freguês – e pode fazer o que bem entender, menos alimentar o canguru.
* O estabelecimento não se responsabiliza por qualquer acidente ou danos morais causados ao usuário, mesmo que tenham sido intecionais e deliberados por parte da gerência.
* É proibido fumar no estabelecimento. Na última vez que alguém acendeu um cigarro aqui, George W. Bush ameaçou invadir a Islândia (o que só não aconteceu por que ninguém nos EUA sabe onde esla fica).
* Qualquer reclamação deve ser protocolada em quatro vias autenticadas pelo Papa e entregues à Dona Dirce, no sétimo andar. Ela anda meio estressada e, por isso, em hipótese nenhuma, dirija-lhe a palavra.
* Ajude a manter o site limpo, evitando espirrar ou tossir em direção da tela do computador.
* Em caso de emergência este site é equipado com links anti-pânico e portas anti-firewall.
* Para evitar acidentes, em hipótese nehuma mova o mouse para a direita!
Chez Nigro's: Movimento pela Insanidade Coletiva
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Poucas coisas no mundo me irritam como velha em ônibus lotado.
Greyscale v. 12
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Ratapulgo
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Não sei se eu cheguei a contar de quando virei um náufrago.
Eu tinha participado de um programa na extinta Rede Manchete chamado "Responde ou Lambe". Prefiro não entrar em detalhes sobre como era o programa e como foi a minha participação. Só importa dizer que, como sempre, fiquei com o prêmio de consoloção. Era um cruzeiro Rio-Paquetá.
Fui fazer o cruzeiro. O comandante da embarcação errou um pouco o caminho e acabou batendo em um iceberg. Pulei na água e quando me dei conta, estava em uma ilha deserta no meio do nada.
A príncipio, eu lembrei daquele negócio de "que CD, livro e mulher você levaria para uma ilha deserta". Só que depois lembrei que não tinha levado CD, livro, nem mulher praquela ilha deserta.
Não havia ninguém naquela ilha. Só tinha coqueiros, coqueiros e coqueiros pra todos os lados. Estava sentindo falta de uma lojinha de conveniência. Então, pensei que seria um bom negócio abrir uma, já que não haveria concorrência. E foi o que fiz. Abri uma lojinha de conveniência na ilha deserta.
No começo, achei que fosse dar errado, por falta de cliente. Depois, cheguei à conclusão de que, se eu mesmo comprasse as coisas que eu estava vendendo, seria ótimo porque o meu dinheiro nunca iria acabar. Acho que nem Adam Smith tinha pensado nisso.
Criei o dinheiro da ilha, usando pedaços de papel, e imediatamente já coloquei em circulação, comprando na minha loja. O dinheiro todo da ilha contava, no total, dez dinheiros.
Era a economia perfeita. O PIB baixo, de dez dinheiros, era compensado pela distribuição de renda ideal, de dez dinheiros per capita. Afinal, eu era o único habitante da ilha.
O problema é que, com esse negócio de dinheiro, começaram a aparecer na ilha os problemas sociais: assaltantes, mendigos, desemprego e os bancos.
Quando a situação naquela ilha deserta já estava insuportável, abandonei o lugar, munido de uma bóia de patinho. Hoje, fico imaginando se, com população zero, a ilha consegue novamente prosperar.
vida ou-
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Ratapulgo
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4.3.03
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Agora o significado desse dia tão especial.
Na madrugada sangrenta do dia 21 de Fevereiro de 1654, a Ordem de Wohlocks lutou contra os Celtas Do Mal pela independência açucareira da Polônia na batalha que ficou conhecida como Virilhada. Como estavam em desvantagem numérica, com os arcos impossíveis de se retesar e lanças que se deslocavam no sentido contrário ao do arremesso - devido ao uso desleal do Encantamento de Projéteis #3, de Merlin -, o distinto general Julli Dher Wohlock ordenou que seus homens retirassem as calças e untassem suas virilhas com uma poção especial do Mago da Ordem, de uma intensa e fosforescente cor amarela.
Com a escuridão sombria que ocultava o horizonte do campo de batalha entrecortada pelas virilhas luminosas dos combatentes da Ordem, os Celtas foram ludibriados pela magia, confundindo os pontos amarelos com estrelas, tomando o chão por céu e a direita por esquerda. Sem qualquer referencial confiável, milhares de Celtas foram facilmente borhimiados por soldados desarmados e sem calças. E é por isso que até hoje se diz, na Polônia: "Se queres açúcar, arria tuas calças".
Assim, o dia 21 de Fevereiro ficou conhecido como o "Dia da Virilha Amarela" e é comemorado anualmente na Polônia em busca regozijo e afã de novos tempos. Neste dia, todos os homens maduros pintam suas virilhas de amarelo e saem na rua bolinando mulheres idosas. É uma homenagem àqueles que se foram na primeira madrugada, com suas virilhas amarelas - os pioneiros da Virilhada.
Alguns antepassados meus foram voluntários na Virilhada. Participo anualmente das festividades, lá na Polônia, e é por isso que não pude postar a tempo. Agora meus ancestrais são homenageados pelos novos virilheiros, e é uma grande honra ser parte dessa tradição.
Quem também participa é o Marcos, que esse ano teve a felicidade de introduzir seu primo mais novo nos rituais de iniciação. Lá, o jovem só é considerado viril após a sua primeira virilhada.
Como é um costume bárbaro, as virilhas dos iniciados são pintadas ao som de Dire Straits, e as de homossexuais e descendentes de desertores são pintadas de púrpura. Estes são açoitados na Praça Púbica - uma praça cuja grama é mantida sempre alta e amarela, com gemas de ovo borrifadas várias vezes ao dia por virgens que servem de prêmio aos iniciados. Placas dizem "Não pise na grama", afinal, é uma praça comum.
O ponto máximo da celebraçao é de madrugada, quando todos os homens da cidade, nus e com suas virilhas plenamente pintadas de amarelo, correm em disparada pela avenida principal, esfregando as virilhas amarelas nas senhoras de idade. O amarelo simboliza a prosperidade do ouro das medalhas dos soldados mortos e os dentes das senhoras idosas a serem molestadas.
images and words | negro ativo
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Ratapulgo
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3.3.03
devo a vcs leitores algumas explicações...
não tenho postado por falta de tempo, e por falta de como lhes falar isso...
eu começei esse blog para colocar pra fora a minha dor por não ter ele por perto... e bem, eu terminei com ele há algum tempo. não importa quanto tempo faz, qual foi o dia. as coisas estavam um lixo muito antes de eu terminar com ele. terminei pq não ia dar certo, pq finalmente as dificuldades venceram minha paixão, e só sobrou o carinho enorme q eu sinto por ele. pq ele é muito especial, e merece tudo de bom. mas como nós havíamos combinado, quando um ou o outro começasse a sofrer demais, terminaríamos. e foi isso q eu fiz, terminei com ele.
foi triste? sim pq todo rompimento é.
eu amo ele, aquele ele q eu conheci aqui. aquele ele q era perfeito, aquele q mantinha contato comigo. aquele q superava tudo e se esforçava ao máximo pra falar comigo, pra me mandar notícias, pra me fazer feliz.
e querendo ele ou não, ele passou a me deixar infeliz. eu falava com ele, e pronto, tava revoltada, pq sempre antes de desligar ele dizia algo q me fazia querer desligar o telefone na cara dele de ódio. e não importa o q vcs me digam, se vc ama, vc nunca vai sentir ódio real dessa pessoa. não importa o q ela faça. (comprovando isso, estão as meninas grudentas, q quanto mais vcs cortam, e supostamente magoam, mais elas não percebem, mais elas se apaixonam e tentam mudar sua cabeça.) a situação passou a me deixar infeliz. pq tudo q relacionava a mim, era briga na casa dele. pq a distância estava enorme dentro de mim, mesmo ele estando mais perto. pq as nossas vidas não eram mais tão ligadas. pq, apesar de ama-lo demais (aquele ele), o relacionamento virou amizade. e para não exterminar a confiança total q tenho nele, era melhor terminar.
então o q era inevitável aconteceu. nós terminamos. e queria deixar bem claro, terminamos, mas nunca quis magoa-lo, ele é bom demais pra ser magoado. eu nunca imaginei q isso fosse acontecer, mas graças a Deus aconteceu pq eu estava ficando mal, ficando com meu coração pesado de tristeza por não ter falado com ele por mais de 2 semanas, o q se passava na minha cabeça. e quando eu falei, e terminei, eu senti um alívio enorme por ter falado com ele, e por ter feito o q meu coração dizia q era o certo.
já faz algum tempo, pouco tempo, mas se eu ainda o amasse como antes, estaria sofrendo. não estou. estou mais light, mais feliz, mais calma. e por mais q eu não quissesse magoa-lo, minha estabilidade emocional e psicológica, vale o mundo pra mim.
(...)
e é inacreditável como ele ainda move meu blog...
e quando ele sumir de minha vida? o q q vai mover meu blog? meus alunos? meus casos? meus novos namorados?
bah..... vai saber...
quem sabe só meu mau humor seja suficiente.
está em algum lugar da LUA
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Ratapulgo
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Da maior das crueldades
Há algumas semanas entrei numa discussão sobre qual seria a melhor tradução para os clássicos versos de Yeats que coloquei aqui. No original: "I have spread my dreams under your feet / tread softly, because you tread on my dreams". Como traduzir "spread"?
Desdobrar? Espalhar? Esticar? Estender?
- Deitar. - ela me disse. - "deitei meus sonhos aos seus pés".
- Não. - eu disse. - Gosto mais de derramar: "derramei meus sonhos aos seus pés".
- Ué, quem disse que os sonhos são líquidos? - me perguntou sorrindo.
E fiquei pensando. São os sonhos sólidos ou líquidos? Podem aparecer nas duas formas, penso. E isso pode ser fundamental na diferença entre as pessoas.
Alguns sonhos têm volume e forma definida, são os sólidos. E isso é triste. Tudo o que é sólido pode se quebrar, estilhaçar. Pode ser jogado fora ou deixado para trás. Outros sonhos, os líquidos, escorrem por dentro de nós, nos lavam, se misturam com outros sonhos, gotejam por onde passamos, encharcam tudo daquela matéria especial de que são feitos os sonhos. Nós podemos escolher: sonharemos sólido ou líquido?
A realidade, como muitos bons já disseram, é apenas um sonho. Mas um sonho sólido, ela é, apesar de tudo, definível, denominável. Tem sua forma e seu volume mais ou menos bem resolvidos. Em contato com o líquido, a realidade se abala. Perde sua rigidez, sua auto-confiança. Esse é o papel da poesia, encharcar o mundo. O mundo que é, como já disse, um deserto... Ela fertiliza a árida realidade.
Mas não nos enganemos: são sempre os recipientes sólidos que retêm os líquidos - eis a maior das crueldades.
por Descaminhos
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Ratapulgo
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Nada pior do que fundamentalistas católicos. Eu posso agüentar fundamentalistas evangélicos e Testemunhas de Jeová batendo na minha porta às sete da manhã para provar que os escolhidos, que são 144 mil, já estão nomeados e que eu não sou um deles, devido à minha vida pregressa de devassidão. Eu posso agüentar ateus fundamentalistas, que olham para o morro da Rocinha e me perguntam como posso acreditar num Deus que permite isso. Eu posso agüentar fundamentalistas judeus argumentando que os palestinos tem de morrer de qualquer jeito. Eu posso agüentar até fundamentalistas de umbanda e fundamentalistas do PT. O que eu não posso agüentar, contudo, são estes fundamentalistas católicos que têm orgulho do brasão da família, que se acham representantes de uma aristocracia que nem burguesa é porque é nobre, que, com menos de 30 anos, sabem de cor a Suma Teológica, em latim, logicamente, e que vêm me dizer que o certo, ao se referir ao Sumo Pontífice, é dizer Sua Santidade o Papa. Quer saber? Para mim é só um polonês para lá de gagá, que escreve meia dúzia de poeminhas risíveis e que é comandado por cardeais pedófilos. E antes que eu retome a compostura (não estou afim): foda-se.
O Polzonoff
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Ratapulgo
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3.3.03
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[constatação um] Andando durante horas, apática, sem prestar atenção nas pessoas e no caminho. Não pensa, suas pernas apenas se movem. De repente, como se acordasse de um sono, surpreende-se numa loja de departamentos na seção de copos e bugigangas para a casa. Seu insconsciente berrando por independência.
[constatação dois] Surpresa, e um tanto repugnada com sua ida inconsciente até a seção de copos, faz meia volta e vai para um lugar mais apropriado à sua consciência: prateleira de brinquedos.
[constatação três] Liga o piloto automático de novo. O cérebro pausado. Não pensa, mal respira. Olha pra baixo e só vê uma fileira de tampas coloridas, dos mais variados shampoos. Momento Homer Simpson: t-a-m-p-a-s--c-o-l-o-r-i-d-a-s!
[constatação quatro] No meio da escada rolante, se perde no limbo da mente, olhar estático, amarelado, pequenos vasos sanguíneos estourados. Não sabe mais se está subindo ou descendo.
[constatação cinco] Ou chuta a pomba, ou ela caga bem em sua cabeça. Um dia ela ou a pomba irá se vingar!
[constatação seis] Malditos piás de rua que emporcalham o já tão emporcalhado chafariz da Praça Osório. Morram de dengue, apodreçam no inferno. Saiam do caminho do curitibano emergente, da elite provinciana, façam verdade e dêem fé ao clichê.
[constatação sete] E se aquele velho podre que me encara na Praça Zacarias for mesmo o Dalton Trevisan? Miro na boca o chute?
[constatação oito] Em Curitiba, os punks, hippies e revolucionários, vendem poesias nas ruas e, quando chega perto das seis vão embora, tomar café e banho antes de assistirem a novela.
[constatação nove] A negrinha sentada atrás da banca na Carlos Gomes, afana a nota de um real do bolso da mulher, que injuriada, puxa-lhe pelo cabelo e grita: GIGÔLOA!!!
[constatação dez] O tarado do ônibus roça a ponta do dedão no braço gordo da morena. A morena tosse, pigarreia e olha feio. "Moço tá afim de...?" Olha com a gula do pecado, antes que ela termine a frase... "comer meleca"?
Ohh Baby, Don't Forget the Alcohol
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Ratapulgo
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O mundo pode dar as voltas que queira, bilhetes premiados podem cair sobre minha mesa, posso me tornar chefe dos chefes. Mas vou continuar sempre firme no propósito de me manter um pequeno burguês fiel e fascinado por sua condição e pelas coisas belas da pequena burguesia. Se eu for para cima ou para baixo nessa pirâmide, vou continuar ou aficionado ou saudoso desse belo mundo. Posso gastar rios de tintas (tem um advogado famoso no Rio que sempre usa essa cafonice – então eu também posso) para explicar os meandros de meu fascínio. Vou fazer isso sistematicamente até ter vasculhado os quatro cantos desse encanto. Mas hoje vou falar de uma simplicidade gastronômica que virou uma referência do meu establishment culinário. Esse ente é o misto quente.
Pois é. Elegi o misto quente como o ente pequeno burguês dos sanduíches nacionais. Não vou aqui partir para suas variações e irmãos estrangeiros, onde se muda o pão, os queijos se sofisticam e se boloram, os presuntos mudam de coloração e teor de gordura. Vou ficar só no misto quente tupiniquim, na iguaria que se encontra em qualquer boa padaria ou casa de lanches de Boa Vista a Santana do Livramento. E ele é uma referência de simplicidade por conta disso: vive ali no meio: não é encontrado nas sanduicherias sofisticadíssimas – essas que você só encontra no grand monde paulistano, onde variações sobre esse tema acabam distorcendo a imagem tradicional do misto quente – e também não é encontrado nos botecos descamisados – onde é substituído pela mortadela ou por embutidos de coloração duvidosa e qualidade sofrível.
E eu me tornei adepto da iguaria na minha idade mais tenra. Fez parte, ao lado do Nescau gelado, da minha infância, adolescência e idade adulta. Aos 29 suprimi o Nescau dessa dieta sem imaginação, substituindo o acompanhamento líquido ou por sucos variados ou pela fantástica fanta laranja. Mas o misto ficou ao meu lado e daqui só sai quando o tal criador me der o bilhete azul (Taurinos do terceiro decanato são assim: podem comer a mesma coisa anos a fio, de manhã de tarde e de noite, sem qualquer sensação de fastio ou repulsa.)
O verdadeiro misto quente vem em pão de forma branco ou pão francês. Trás queijo prato de boa qualidade e presunto cozido (daquele da propaganda do “tá querendo me enganá...”). Variações de material não são admitidas na minha literatura (hah: taurinos do terceiro decanato são inflexíveis). Nada de pão integral ou árabe (parta para um sanduba natural ou um beirute e não venha tirar onda de comedor de misto quente). Nada de queijo minas, palmira, camembert ou muzzarela. Passe longe com peito de peru ou fiambres sem cor e personalidade.
Misto quente de verdade é assim. Muito queijo derretido na chapa, envolto em grossas fatias rosas de presunto, tudo acomodado dentro do pão de escolha (atente para as limitações dessa escolha e não inove – forma ou francês) e prensado até o momento certo de partir para a glote.
A Coluna do Chefe - epinion
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Ratapulgo
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Vamos falar francamente. Eu sou uma mulher bonita, inteligente e charmosa. Gosto de música, meu gosto musical é dos melhores e é eclético - com algumas excentricidades, mas isso dá até um certo charme. Tenho bons amigos, gosto muito deles, uma família muito legal sem tentáculos, um ex-marido gente finíssima. Não fumo, não me drogo, não tenho nenhuma crise existencial em processo que possa me levar ao suícídio nem à psicopatia ou ao assassinato em série. Tenho uma profissão definida e adoro o que faço, sei que vou me realizar com ela, mas não sou uma workaholic. Leio um pouco, que é bastante para alguns, escrevo muito, poesias também, algumas bem passáveis. Gosto de cinema, teatro, ópera, mas não obrigo ninguém a ir comigo, encaro os programas sozinha numa boa. Tenho o meu espaço definido, físca e psicologicamente. Não sou grudenta, nem pegajosa, gosto de dar e receber carinho. Adoro sexo, quando me apaixono, assumo o quarto estado da matéria - a euforia - e me transfiguro, viro a pessoa mais bonita e feliz do mundo. Tenho uma gata muito querida que nunca atacou ninguém. Minha orientação política é de esquerda, mas não tenho problema algum de ouvir bons e fundados argumento contra as minhas posições. Sei cozinhar muito bem, escolher vinhos, faço sobremesas deliciosas.
Agora a pergunta: Por que diabos é a 505ª noite seguida que eu acordo sozinha?!
Have a Sit
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Ratapulgo
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2.3.03
Eu quis muito ter um diário na adolescência. Muitas amigas tinham, era moda nos anos oitenta, mas eu sabia que eu não podia tê-lo.
Sou a mais velha de três irmãos bisbilhoteiros, filha de uma mãe especializada em investigações familiares e engenharia social e de um pai que fazia careta quando me via conversando com meninos na rua. Um diário honesto seria a minha ruína. Eles seriam capazes de explodir o cadeado, passar o serrote na capa ou fazer cópias da chave para que pudessem lê-lo sempre que desejassem.
Eu olhava para aqueles caderninhos rosados com fecho e cadeado e sabia que não daria certo. Afinal, coisas com cadeado foram feitas pra quê? Para as pessoas enlouquecerem tentando abrir, oras bolas!
Não tinha jeito. Na minha cabeça era claro que, em uma família, todos os segredos existiam para serem descobertos. E olha que a minha vida de adolescente nem era tão atribulada assim! Mas como eu explicaria um beijo na boca aos doze anos de idade, conversas sobre sexo aos dez, rala e rola aos quinze, paixões avassaladoras aos quatorze? Não, ninguém merecia saber sobre a minha vidinha, não os meus parentes. E se viessem a saber, não seria em uma versão assinada por mim.
Até que chegou uma época em que as coisas ficaram muito complicadas para o meu lado. Eu estava de namoradinho novo e o único lugar que tínhamos para namorar era no ponto de ônibus, depois da escola. Passava um ônibus, dois, três e, quando eu chegava em casa, já tinham acionado todos os hospitais, delegacias e todos os S.O.S. dos desaparecidos da face da terra. Era um sufoco me explicar todo santo dia e era lógico que o meu repertório de desculpas se esgotaria antes que eu pudesse completar um ano de namoro. Mas eu tive uma idéia brilhante e tratei de colocá-la em prática: Fui à papelaria no dia seguinte: comprei um diário cheio de frufrus e Ursinhos Gummy, com um cadeadão de guardar intimidades cabeludas e comecei a escrever no mesmo dia.
Horas e horas escrevendo deitada na minha cama, sentindo os pescoços se contorcendo por cima de mim, os olhares de rabo de olho à procura de um trechinho, que fosse. Logo eu não teria mais problemas; assim que a curiosidade lhes consumisse, eles dariam um jeito de ler os relatos do meu querido diário.
Nunca soube ao certo se eles leram. Uma família que se preze não bota na banca os segredos da casa - os usa em beneficio próprio.
O que eles nunca souberam é que tudo o que foi escrito foi maquiavelicamente tramado pela minha mente adolescente do mal. Não que eu fosse uma menina má, não que eu não gostasse deles, muito pelo contrário, mas dividir o mesmo teto é a melhor forma de ver o que há de pior em alguém e dar uma banana para o que realmente importa. Era só escrever diferente!
As verdadeiras histórias com o namorado eram escritas em supostas horas dedicadas à leitura na biblioteca do colégio. Minha implicância com meus irmãos xeretas magicamente era descrita no meu diário como o mais puro sentimento de culpa de uma irmã que não conseguia manifestar o carinho que tinha por eles. Meu desespero sobre como driblar a vigilância dos meus pais se transformava em textos de tristeza, onde eu, muito magoada, relatava minha indignação pela falta de confiança que eles tinham em mim - um verdadeiro exemplo de bom comportamento e amor à família. E ninguém me encheu a paciência por muito tempo... Até me levavam a toalha, quando eu a esquecia na hora do banho!
O namoro durou seis meses, o diário também. Os bons tratos acabaram um pouco antes... Era previsível. Em família, até as declarações de amor precisam de limites. Aquilo era um exagero! Mas foram quase seis meses de paz e sossego no meu lar, doce lar.
AMARULA COM SUCRILHOS
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I Lingii di i
Filindi im sigridis, ilgiím limbri di língii di i? Ipisti qii nii...
Him... intirissinti. Isti significi qii ii pissi iscrivir im bibidi bim cibilidii qii ningiím vii intindir nidi. Pirici bim, mis í ii nii vii sir bisti di irriscir.
IMIRILI CIM SICRILHIS
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Andando pelo calçadão da Avenida Atlântica, em contagem regressiva para o carnaval do Rio, sinto uma pontinha de saudade de outra avenida - a Paulista. Andarilha contumaz, só ou acompanhada, conheço cada centímetro dela, minha velha amiga, de quem conheço segredos que só os muito íntimos sabem. Um deles é delicado e quase invisível, disponível aos muito atentos ou aos muito tristes, que costumam baixar os olhos para o chão.
Quando andar pela Paulista, não vá tão rápido. Olhe por entre as pedras pretas e brancas da calçada e você encontrará pequenos ladrilhos de todas as formas e cores. Alguns têm palavras e nomes escritos, outros retratam imagens que pedem atenção para serem compreendidas. Miniaturas de um mundo mais bonito delicadamente colocadas sob os pés dos passantes.
Descobri que a idéia de semear delicadezas no calçamento da avenida foi da artista plástica Anabela Santos, que colocou bloquinhos de vidro no chão entre o prédio do SESC e a rua Leôncio de Carvalho - e outras pessoas continuaram a espalhar flashes de cores e sentimentos no tapete às vezes sujo, às vezes maltratado da Paulista. Procurar por essas peças é interromper um pouco o barulho que os pensamentos fazem e parar para ouvir vozes mais simples, que não pretendem fazer discurso. Elas dizem: sol, lar, cena de amor. Coisas das quais nos desocupamos para pensar na guerra, no saldo bancário, na liquidação de verão - não podemos, afinal, nos desvencilhar do dia-a-dia.
Mas você que anda pela minha avenida, não esqueça de olhar para o chão - principalmente se estiver triste.
Mermaid Online
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Ratapulgo
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Traduzir é sempre trair?
Sabe-se que por uma tradução malfeita dos Diálogos de Platão, o francês Étienne Dolet foi condenado à fogueira no séc. 16. O mesmo destino tiveram vários tradutores da Bíblia. No entanto, hoje em dia os tradutores que cometem erros crassos nada têm a temer. Obrigados a traduzir uma média de 50/70 laudas por dia para garantir a sobrevivência, é de se esperar que cometam barbaridades. Na outra ponta do barbante está o pobre leitor que não tem nada com isso e que, sem saber, pode estar levando gato por lebre. Antônio Houaiss costumava dizer que o fundamental num tradutor é que ele tenha o domínio da língua de destino, mais do que da língua de origem. Sendo assim, médicos deveriam traduzir livros de medicina, advogados, livros de direito, psicanalistas, livros de psicanálise e assim por diante. O que quase nunca acontece. As editoras têm pressa e hoje qualquer um que saiba falar um idioma estrangeiro já é considerado habilitado para fazer uma tradução. Talvez por preguiça, insegurança ou por achar mais divertido, eu abri mão de traduzir e me dediquei a revisar traduções como forma de ganhar a vida. É um trabalho espinhoso, muitas vezes não reconhecido por aquele tipo de tradutor arrogante que deseja sempre ser tratado como co-autor das obras que traduz. Como minha linha de trabalho é respeitar ao máximo o texto do autor, evitando erros e firulas de tradução, sou considerada a indispensável pedra no sapato. Eu e meus colegas de profissão. Mas não me queixo, pois até pode ser divertido ganhar a vida com as "traições" dos outros, vejam só:
. my job sucks - "meu trabalho chupa"
. life sucks - "chupadores da vida"
. half-nelson - "meio-nelson" (em vez de chave de nuca)
. misunderstand - "descompreender"
. mother tongue - "a língua da sua mãe"
. try hard - "tentar duro"
. Piss on me! - "Urinaram em mim!"
. patrician nose - "nariz patrício" (em vez de perfil aristocrático)
. political people - "o pessoal político"
. to turn a blind eye - "virar um olho cego" (em vez de fazer vista grossa)
. démon semi-chevalin - "demônio semicavalar" (em vez de demônio em forma de centauro)
. employee suits for sexual harassment - "funcionários organizam suítes p/ assédio sexual"
. to let the cat out of the bag - "deixar o gato fora do saco" (em vez de dar c/ a língua nos dentes)
. the least observant of mothers - "o menor observador de mães" (em vez de a menos observadora das mães)
. Grandma Moses (a pintora) - " a avó de Moisés"
e por aí vai...
Prosa Caotica
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Ratapulgo
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Resolvi brincar de digitar alguma coisa. Uma história.
Sem saber como iria começar e sem idéias para o final do que quer que saísse.
Abri o Word e comecei. É raro eu me dispor a fazer algo assim, então aproveitei a oportunidade e mandei brasa.
Saiu um conto. Erótico. Que eu não vou publicar, devido aos meus pudores cretinos de garoto criado por vó.
Sem nenhuma razão aparente para começo ou final.
Porque o sexo, tal e qual a violência, não tem justificativas válidas.
Utopia Dilucular
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Ratapulgo
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MANUAL DE AUTO-AJUDA PARA SUPER-VILÕES
Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.
Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo super-vilões precisam ter mães.
Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.
Não tenha pai. Um super-vilão nunca tem pai.
Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não, não se preocupe. Patos abundam por aí.
Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo. Ou Malcolm.
Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.
Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.
Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.
Aprenda a cantar samba, rap e jogar damas. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de damas.
Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.
Tome drogas pra caralho. É sempre aconselhável ver o panorama pelo alto.
Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.
Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.
Nunca ame ninguém. Estupre.
Execre o amável. Zele pelo abominável.
Seja um pouco efeminado.
Isso sempre funciona com estilistas.
quarto 117 HOTEL HELL Joca Reiners Terron
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Ratapulgo
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Muitos anos antes do surgimento de Márcio Silva, o mundo já era aterrorizado por um grande mal: Getúlio Silva, meu pai. Reza a lenda que nos idos de mil-novecentos-e-guaraná-de-rolha, Getúlio saiu de casa trajando sua fantasia de pirata e foi pro baile de carnaval. Vida de solteiro, cerveja, mulheres, cerveja, farra, cerveja, zoeira, cerveja, música, cerveja e (prá não ficar na mesmice) um pouco mais de cerveja. Eis que no meio do baile, o crooner passou mal e não pode cantar. Os organizadores correram de lá, correram de cá e não acharam ninguém que pudesse substituir o crooner. Eis que alguém pensou: Getúlio! E lá foram atrás de Getúlio, que já estava prá lá de todos os sete mares. Com muito custo conevencaram-no de subir ao palco e animar a festa. E lá foi ele.
- Boa noite, senhoras e cenouras. É uma prazer inenarrável e quase sexual estar com todos vocês. Gostaria de desejar a todos um ótimo carnaval e de abrir o espetáculo com uma música de minha autoria. Maestro: dá um mi menor. Não... é lá maior. Ou seria um ré médio? Ah, toca qualquer porra aí.
E a banda entrou com uma marchinha. E lá vem a obra prima de Getúlio Silva:
Carlos Gardel
Inventou o aviãozinho de papel
Subéééééééééééu, subééééééu
Deu uma volta lá na Torre de Babel
Depois descéééééeu, descéééééu
Bateu no poste e se fudéééééééu.
E não é que agitou?
Alea Jacta Est
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Ratapulgo
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1.3.03
Dia dos namorados fora da data, lençóis de cetim, celular desligado, uma vida de certezas, margueritas com as bordas de sal, espelhos para todos os lados, rímel preto borrado, correntinha com pingente de coração dentro da taça, gravata atirada no canto, macarrão à carbonara meio molenga, batom manchando colarinho, frases inacabadas, beijo com gosto de lágrima, mergulho olímpico na banheira, camisinha sabor chocolate, pescoço com cheiro de Polo, remédio pra sinusite, relógio jogado longe, telefonista avisando que é hora, vontade de chorar que passa debaixo d'água, suspiro, silêncio depois do "eu te amo".
(...)
Em um ano impérios surgem e são derrubados, língua vivas morrem, vc pode engravidar, ter o bebê e engravidar de novo, vc casa, descasa, recasa, faz misérias, lê (na minha média) 36 livros, conhece o homem da sua vida, esquece o homem da sua vida, emagrece, engorda, emagrece de novo, deixa as unhas crescerem, corta o cabelo, vira madrinha de alguém, muda de plano de saúde, para de fumar, volta a fumar, para de fumar e começa a fumar charutos, muda a vida de ponta cabeça, toma porradas homéricas da vida e dos seus "entes queridos", faz cirurgia na boca, faz planos, aborta planos, adota cachorro, reintera umas certezas, manda outras pro espaço, faz os melhores amigos da face da Terra, perde amigos, ganha amigos. Em um ano, vc pode enterrar seu pai de todas as formas possíveis, diariamente. Foi o pior ano da minha vida. Foi o melhor ano da minha vida. E eu tive vcs, cada um de vcs, graças a Deus. E a Lola, que junta as minhocas da cabeça dela com as da minha...e o Aleh, que me ama com esse amor inexplicável, cotidiano, seguro. O primeiro ano passou. Eu tou aqui. De pé. Mais ou menos. Que venham os próximos. Tou pronta.
¡Drops da Fal!
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Ratapulgo
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lua minha de meus ais
guerreiros de aco da lua de meus sonhos. viajantes interplanetarios em roupas de prata cintilante. flutuam. lunaticos. cores palidas. brumas intensas. ceu de azul neon. nao. nao eh o azul do ceu que eh neon. e o azul das grades e o verde dos muros que viram fluor. tudo se reflete sparkling, mas as pessoas vao tristes. vao encalacradas. quase sem esperancas. seus rostos estampam nao so a frieza da geleira terrestre. seus rostos sao frios, porque ser cool os deixa assim. sao mentirosos vagando. nao. nao sao contadores de historia. sou contadora de historia. assim como clarice. sao mentirosos. e falsos. entao vejo que sou lua. "i'm so tired. and i wish i was the moon tonight" [neko case]. e eu vejo que sou nova. nova lua. mas sou cheia. de vida. serena e latejante. sou minguante. minguo de minhas veias a impaciencia. a intolerancia. minguo a falsidade. a falta de amor. minguo a raiva e a falta de perdao. minguo seres diminutos que ainda nao sabem o que eh ser lua contadora de historias. e cresco. cresco em amor. cresco em esperanca. cresco em desejo e vontade. em ideologia. em romance. cresco ao contar historias. de amor e de despedidas. de encontros e desencontros. de perdas e de ganhos. historias que poderiam ate ser reais se eu nao fosse lua.
posso me perder em ilusoes de mar e amor sem fim. castelos de areia em desertos de terra seca. mas nao me importa. o que importa eh viver. e se alguem for assim lua e tiver coragem: venha comigo!
[boop it]
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Ohhh, ela sucumbiu...
Antes que eu desmaie em frente ao computador, informo: fiz uma lipoaspiração enorme. Dos joelhos até a barriga. Dói. Mutilação pouca é bobagem. Mantive sigilo para não ser obrigada a confrontar críticas ridículas de pessoas que não sabem o que pensam. Ok, talvez algumas horinhas de musculação fizessem o mesmo sem grandes traumas, mas... não sou dada a aparatos salutares e dignos de aplausos da nossa tão bonita vida moderna. Prefiro, a isso, tomar anestesia e dormonid. Mal resta tempo para dizer "sim, retire de mim tudo que for desnecessário", pois, quando se acorda, tudo já está devidamente feito. E irreversível. Agora estou aqui, saboreando o inchaço roxo de meu corpo, observando a fragilidade de minha carne, sentindo-me ora muito bem, ora muito escrota-e-burra-e-imbecil por ter cedido tanto de mim ao conto do padrão estétito.
Se fui capaz de decepcioná-los, meus queridos, desculpem. É melhor decepcionar meia-dúzia do que não gostar de si mesmo. Meu espelho e minha cabecinha, passado o debilitante estágio pós-cirúrgico, agradecerão.
a deitar com homem tão nobre...
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Ratapulgo
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