Já não tiro minha mãe para dançar Chuck Berry nem a vejo perguntar "que porra que é essa?" sobre qualquer pessoa, fato ou objeto, desconhecido ou não. Não jogo bola no fundo infinito do estúdio nem ouço meu pai explicar como funciona o filme de tungstênio. Mas houve a época.
Não fui uma criança fácil. Encharcava a toalha e dizia ter tomado banho, escondia o dever de casa embaixo da cama, fingia desmaiar a cada tombo, mentia pelo prazer da contravenção e ainda roubava chiclete na banca do seu Júlio. Ateei fogo na área de serviço, escondi um cesto de roupa em chamas no armário do quarto, rasguei na cara da diretora a nota de suspensão, fingi ser trombadinha e quase me acertaram com um berimbau na caixa do peito.
Não fui uma criança alienada. Em 89 votaria Ulisses porque parecia ser um bom avô.
Não fui uma criança tranqüila. Lá pelos sete, oito anos, aprendi novos significados para "lábios" lendo Rê Bordosa, ia à praia de Stella Maris de gravata e gel Bozzano, lutava caratê com os encostos do sofá e travava conversas telepáticas com minha mãe toda vez que surgia anunciando as Dicas do Massinha na Tv Bahia.
Não fui uma criança sem apelidos. Peulourinho, pinduco, bebê bundeco, pisqüila e tudo mais que ultrapassasse os limites do constrangedor.
Não fui uma criança saudável. Tirei um saco plástico do frio e do sereno porque não gostaria que me tratassem daquela maneira, escrevi uma carta de condolências a Adoniran Barbosa quando meu pai contou que Iracema atravessou mesmo a contramão, adotei durante meses um pedaço de algodão que, precisa ver, lembrava fielmente um weimaraner manco, passei papel carbono pelo corpo e tive um ataque quando meu pai disse que ficaria preto para sempre.
Faço 22 anos hoje e estou há meia hora procurando a moral dessa história.
sub-notas
31.3.03
Engraçado pensar nisso, mas ninguém aceita o fato de eu falar com Edgar. Vou explicar. Edgar é o meu amigo imaginário...tenho várias teorias sobre o surgimento dele...e de como ele se foi e como se manifesta as vezes...
Quando eu era pré adolescente eu me isolava muito...ficava dias inteiros sozinha no quarto e de certa forma sentia solidão nessas horas. Foi aí que surgiu o Edgar. Ele, obviamente, é perfeito em todos os sentidos. Um gentleman lindo e maravilhoso, o homem que todas as mulheres idiotas sonham (porque perfeição não tem a menor graça) e procuram arduamente durante suas vidas. Conversei com ele dos 10 aos 18, constantemente. Aos 18 perdi a virgindade e com isso deixei de conversar com ele.
1ª hipótese: Edgar era o meu hímen. Essa hipótese não faz sentido porque ele ainda se manifesta nos momentos engraçados. E não há resquício de himen por aqui.
2ª hipótese: Edgar é o meu anjo da guarda. Mas ele é muito descarado pra ser anjo!
3ª hipótese: Eu sou louca mesmo e falo com um amigo imaginário e não existe explicação lógica pra isso.
Pra quem convive comigo é absolutamente normal me ver olhando pra algum lugar no infinito e largar um comentario idiota. Estou falando com ele nessas horas...
apenas Palavras achadas por uma Garota Perdida
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Ratapulgo
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Esse blog nunca foi 100% livre. Sempre houveram algumas poucas amarras que me impediam de contar tudo que eu queria. E o mais engraçado (não num sentido exatamente divertido) é que todas as histórias que eu gostaria de ter contado envolviam alegrias. Mas elas não puderam ser contadas. E agora não há como contá-las aqui - na verdade não sei se quero contá-las agora. Quero histórias novas. Alegrias novas.
Mesmo sabendo que não posso contar aqui todas as novas alegrias que surgem. Mas é necessário que seja assim...
vida em Borovnia (a.k.a. neurose tupiniquim)
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Ratapulgo
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31.3.03
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Melhor foi ontem, na aula da noite, quando eu separei a galera in pairs e dei um papelzinho com um texto estilo conselho sentimental:
Dear fulana,
I'm in love with two people.
Aí eles tinham que continuar a história, dando argumentos para o problema proposto. No fim aparecia:
Can you give me some advice?
Can you help me?
E a partir daí eles trocavam os papéis e davam conselhos pros problemas dos outros, usando should e ought to, que era a matéria do dia.
Pois então - tinha um que era "dear fulana, eu briguei com meus pais por um motivo babaca". Continuaram a história assim (atenção à riqueza de detalhes): "eu transei com o porteiro do meu prédio no elevador sem camisinha e peguei AIDS". O melhor é que quem escreveu foi uma das alunas que é minha vizinha, aí eu não deixei passar:
- Com o Joaquim?? Caraca, você tem coisa com o Joaquim, hein?
- Nada, teacher, o Joaquim é feio. O João é bem melhor.
- Quem é João?
- Aquele todo bonitinho, tímido. Ta aí, teacher, ele até combina contigo!
- ...
Pronto, neguinho tá querendo me arrumar até com o porteiro agora. Ah, e o conselho dado foi tão baixo que nem convem postar aqui.
me Jane you Tarzan
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Ratapulgo
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31.3.03
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Eu estou desconexo. Eu sinto a ponta dos meus dedos... só porque eles estão frios. Eu estou doente, e o suco de maracujá azedou porque eu deixei fora da geladeira. Só porque não tem mais suco. Só porque eu nunca soube pontuar os porquês. E a febre vindo. E a febre indo. Eu não devia estar escrevendo. Um homem veio me buscar de táxi, ontem. Mas hoje ele não vem. Então, eu vou me deitar e esperar até amanhã.
Um dia tinha sangue na pia. E eu tomei remédio. E os cabelos nas minhas costas estavam arrepiados. E já era tarde e eu não ia dormir. A cada momento era uma coisa diferente. E irritante. E, então, começou outro discurso. Mas eu já estava muito cheio e resolvi mesmo ir dormir. Haja paciência!
Eu andei observando algumas coisas que eu escrevo e quase tudo começa com eu. Será que eu sou assim tão egoísta? Talvez para algumas coisas. Talvez para várias coisas. Algumas pessoas sempre me disseram que eu sou a minha única e maior preocupação. Eu já achei que sim. Hoje, não acho mais, acho. Mudando radicalmente de assunto, eu estou sentindo-me bastante confuso com as coisas que escrevo, como se nada fizesse sentido, exceto para mim. Ou como se nem eu mesmo conseguisse extrair algum sentido em meio à minha verborragia habitual. É. Chegou a hora de parar de escrever este trecho. Enfim, eu estou um pouco confuso com as coisas que escrevo. E isso é ao mesmo tempo bom e ruim.
apenas Gotas de Sangue
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Ratapulgo
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31.3.03
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30.3.03
Qual é o problema com quem dorme tarde?
Eu sou um vagabundo honesto pagador dos seus impostos e que tem direito de ir dormir e acordar a hora que quiser, mas o mundo parece não concordar muito com isso não.
Ao lado do meu prédio tem uma casa. Uma casa das grandes. E não sei porque diabos o distinto morador de tal casa teve a brilhante idéia de ter um galo em seu quintal. Com um quintal tão grande como o dele ele podia ter pensado em fazer uma piscina pras crianças, uma quadra de tênis pra exercitar sua bunda gorda ou doar pro MST, mas não, ele acorda de manhã um dia e enquanto veste suas pantufas pensa “Comprarei um galo que reinará absoluto em meu grande quintal”.
Acontece que a porra do galo é neurótico, insone e provavelmente importado da Noruega, porque anda com o fuso trocado que nem o meu. Todas as madrugadas, por volta das 4 da manhã, quando tudo está silencioso e tranqüilo, eu invariavelmente sou acordado – salvo quando ainda estou acordado, daí eu só sou importunado – pelo som do animal demoníaco batendo suas asinhas com força contra o peito e berrando com todos seus pulmões mais ou menos assim ó:
COCORICÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ.
Isso se repete mais algumas vezes enquanto o maldito galináceo norueguês dá voltas pelo gigantesco quintal berrando e se ocupando de verificar todo seu imenso reinado e se assegurar de que nenhuma pessoa num raio de 3 quilômetros ainda dorme.
Eu acordo puto mas logo lembro das belas imagens do Discovery Chanel de animaizinhos correndo soltos pela mata e medito um pouco sobre a beleza da natureza e dos animais e acabo desistindo de atirar móveis no quintal do vizinho.
Conformado com o comportamento do Woody Allen (foi assim que eu apelidei o galo neurótico Norueguês) eu volto a dormir.
A culpa toda não é do galo, na verdade. Mesmo que ele não existisse ou que fosse morto por um coquitel molotov anônimo (uhnnn...) eu ainda teria outros problemas.
Eu pareço não ter sorte com vizinhos de cima. O do meu apartamento antigo tinha o péssimo habito – ao menos ao meu ver – de copular de forma animalesca com sua esposa o que produzia barulhos impossíveis de se ignorar a não ser que você seja surdo. Eu até pensava em dar umas vassouradas no teto, mas ficava com dó pensando que o cara podia broxar e ficar traumatizado e ser enxotado de casa pela esposa ninfomaníaca que não agüentava mais tanto tempo sem sexo e atacava qualquer objeto fálico que atravessava sua frente. Seria um casamento arruinado pro minha culpa.
O vizinho de cima atual resolveu economizar e comprar o ar condicionado mais barato da loja, que fica instalado bem encima da sacada do meu quarto e faz um barulho semelhante ao de um Panzer em movimento.
Quando chega 7 horas da manhã e eu milagrosamente ainda estou dormindo o maldito caminhão de gás dos inferno estaciona em frente ao meu prédio e libera o caos. Os moços do gás saem correndo felizes – eu já observei uma vez – e tocam os interfones de todos os apartamentos de todos os prédios da rua oferecendo gás TODO dia. Por mais que eu diga pro moço que bate aqui que eu não compro gás NUNCA e que meu fogão é à lenha, ele continua a tocar aqui todo dia e a dizer “Gáaiiss” quando eu atendo “Uhnnn ?”.
Hoje, depois de toda essa maratona, ainda acordei com alguém tocando insistentemente no interfone. Assustado com a urgência do toque eu pensei ter acontecido alguma coisa. Fui atender correndo, todo preocupado e uma voz meio fanha saiu do interfone:
“Ôii... ê dã cãza do Leopoldo????”
.......
[C A C O F O N I A]
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Anita
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30.3.03
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Lembram-se de quando eu vim de bermuda ao trabalho e me repreenderam? Pois é. Neste mês - mesmo com dinheiro em caixa, parece-me - não me pagaram um terço do salário, não me explicam a razão e nem me dão previsão. Hoje vim de chinelo havaianas. E estou andando para lá e para cá, arrastando os chinelos para que todos percebam. Vamos ver no que dá.
tolos devaneios tolos
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Anita
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30.3.03
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Yes, nos temos baratas
Eu nunca tinha visto barata aqui, nem formiga (formiga, soh aquelas de campo mermo, nao aquelas pentelhas de casa que invadem o açucareiro). Mosca, no verao, tem aos montes, me sinto na Etiopia. Mas barata, nao. Tanto que nem tem palavra especifica pra barata: usam "scarafaggio", que como se ve, significa escaravelho - resumindo: besouro.
Ontem estou eu me preparando pra me recolher aos aposentos depois do trauma de Solaris, meu livrinho Red Dragon (melhor que o filme, que é uma merda, Edward Norton à parte) na mao, quando olho pro chao e vejo uma coisa assim baratal rastejando pra baixo da cama. Fui à sala chamar o Mirco, que curava seu trauma de Solaris com um Nesquick geladinho.
- Um bicho!
- Quale bicho?
- Uno scarafaggio...
Lah foi ele cumprir seu papel de Macho Detonador de Insetos Asquerosos, chinelo numa mao, lanterna na outra. Nada da barata.
- Deixa pra lah, vamos dormir...
eu: Tah doido? Jah vi baratas maiores e mais cascudas (essa era meio preta e mais arredondada, mais besouruda mesmo, mas pra mim, tem mais de quatro patas eu automaticamente odeio e desejo fervorosamente o seu exterminio), mas NAO dormirei jamé num lugar onde tem um inseto de paradeiro desconhecido! Vai que o bicho invade um orificio facial qualquer e eu tenho que ir ao hospital operar? Um amigo meu de Valença teve que ir ao hospital tirar um besouro do ouvido. Tudo bem que nao é fatal, mas eu acho que morreria assim mesmo, de nojo.
- Dai, "chatona", andiamo a dormire! (jah falei aqui do eruditissimo vocabulario do Mirco, nao?)
Dormi no sofah.
Hoje de manha, enquanto Baldo estah trabalhando com sua meia duzia de marroquinos, dois equatorianos e um iugoslavo, sem falar no Legolas que jah ficou cinza de tanta poeira de chao de oficina que entranhou no pelo, eu fui dar uma limpada basica na casa. Levanto o tapetinho do quarto e quem vejo? Seu Scarafaggio. Soh que ele nao contava com uma coisa: eu estava armada. Mirei o aspirador de poh, e lah foi ele, se afogar na poeira do saco do meu aspirador Philips roxo leeeeendo.
arma secreta da Pacamanca
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Ticcia
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30.3.03
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Seis e meia da manhã quando saio para caminhar. Você detestaria, eu sei. Ficaria dormindo até eu voltar e quando eu chegasse meu dedinho ligaria a cafeteira, meu corpo gelado se enfiaria debaixo dos lençóis e se enroscaria em você como cobra. Você detestaria. Sim, eu sei. Mas não diria. Faria uns "ãh... hum... ai", viraria para o outro lado. E eu ficaria ali te cheirando o pescoço. Faz frio às seis da manhã. Ventinho gelado na rua, do sol apenas um tom rosado, atrás da colina. Atravesso a avenida, nenhum automóvel. João de barro quer assunto. Digo bom dia. Você não daria bola. Mas se um dia você viesse comigo, eu te mostraria a casa dele. Fica depois da curva, numa velha árvore. Eu te mostraria um jardim que descobri. Depois daquela cerca, há hortências que devem ficar azuladas na primavera. Mas o mais inquietante, são os cactos. Eles se intercalam entre as hortências na maior intimidade, como se fossem primos, amigos, irmãos. Você não acreditaria. E eu te contaria sobre aquela névoa que se formava sobre o lago durante esta manhã, enquanto minhas pernas estivessem enroscadas nas tuas, debaixo do edredom, e você fingindo que prestava atenção, dizendo arrã, eu sei, tá. E o cheiro do café entraria manso e morno pelo quarto. E eu te beijaria atrás da orelha. Te diria que está na hora, e na ponta do lóbulo esquerdo, uma mordidinha de leve. Você detestaria. Mas abriria os olhos, finalmente, e os colocaria sobre meu rosto em risos... e então você se lembraria de mim, do amor que eu tinha, do beijo meu. E me abraçaria bem forte. E doeria. E eu detestaria te dizer, mas diria: amor, acorda... a gente não existe e eu estou caminhando só.
its dedicated to the one... Walkwoman
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Ratapulgo
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30.3.03
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Numa discussão que tive ontem com um chato que vive na frente do supermercado pregando Jesus e o caralho a quatro, que foi mais ou menos assim :
Ele:Pode explicar isso?
Eu: vai tomar no cú
Ele:Está com medo da verdade?
Eu: vai tomar no cú
Ele:Jesus te ama
Eu: vão vc e ele tomar no cú
...
Ele:Não tem argumentos
Eu: vai tomar no cú
Ele:Não pode provar que estou errado
Eu: vai tomar no cú
Ele desistiu..
O legal tb, é zombar com a crença deles, tipo, Maria é a maior puta da história, José o maior corno, e Jesus por hereditariedade o maior filho da puta de todos...Maria traiu José com o exercito romano, e disse que foi o Espírito Santo que engavidou ela, e José ingênuo caiu...Logo, se tornaram o que são...
Isso é perfeito pra deixar eles sem graça...
beavis and butthead's Cornholio
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Ratapulgo
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30.3.03
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Santinhos
Na fila, o homem chegou e me abraçou forte, não querendo me largar. Eu dava tapinhas nas suas costas, evitando parecer selvagem com um cara que só podia ser louco, a me perguntar: “Tem dinheiro aí?”. “Tenho uns trocados, sim”, falei sacando minha carteira com uma foto que ele, me soltando, passou a admirar: “Sou eu este daqui”, ele disse a sorrir e a babar como quando um bebê reconhece a atenção franca de um desconhecido. A foto era minha, confesso, na Primeira Comunhão. Sempre achei esclarecedora do meu jeito vida afora aquela expressão beatífica que o seu Karol, o fotógrafo judeu, me ensinara a compor. E o louco de cabeça raspada e cheiro de mijo se achava ali. Quando lhe ofereci os trocados ele não quis. Viu o sinal aberto e partiu.
Albergue
Quantas vezes corri esbaforido ao cinema para pegar em tempo uma sessão. Nem sempre por uma premência artística. Apenas para me saciar no escuro onde ninguém sabe de mim. Longe de cadeiras ocupadas, adormeço em muitos filmes para só no fim despertar. Não bem um sono, de fato, como na cama onde me atiro com avidez de apagar. Fico olhando as imagens, isso sim, para pensar no que elas não podem me dar. Assim vejo outro filme, um sempre ausente da tela mas sempre vivo no quase cochilo do tato, aqui, no suor da minha mão. Ao voltar ao espetáculo percebo que um novo personagem apareceu e que a música de Bernard Herrmann está custando a chegar com o apogeu – mas, quando ela vem, vejo estar sequioso por mais uma sessão.
Leite & fel
Não havia destino anterior àquela rocha à beira do Guaíba. Foi nela que sentei. As águas cintilavam. Não havia nada que pudesse lembrar. Me fiz de profeta, alguma coisa assim: pernas dobradas, joelhos nas pontas laterais, sobre eles os dedos fazendo o tal círculo (em outras ocasiões obsceno), sei lá para quê. Assim fiquei, nessa pachorra um tanto encenada. Para quem?, pra ninguém, não se via viva alma por perto. De algo eu lembrava: fugira um dia antes. Só não sabia de onde. Recordava que na escapada uns galhos me feriram a testa e que num ponto da caminhada abriu-se o rio, essa rocha. Desabotoei a camisa, vi ser eu uma mulher. Na bolsa presa ao ventre, lembrando um canguru, um bebê sofria espasmos. Botei sua boca no bico do meu seio. E assim pude morrer.
João Gilberto Noll na Revista Eletrônica FRAUDE F for Fake
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Ratapulgo
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30.3.03
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Curtas
Eu preciso fazer um check-up do coração todo ano, e então fui pegar o endereço do lugar para os testes. Naturalmente é um lugar mais freqüentado por cardíacos, hipertensos, obesos, coisas do tipo. Achei engraçado ver que a clínica ficava no vigésimo sexto andar do prédio. O elevador sobe num impulso só, dá aquela pressãozinha no ouvido, e o pessoal mais velho sai para o corredor meio que em ziguezague, risos. Depois dessa quem não tinha problema pode passar a ter na hora.
* Eu cheguei um pouco antes da hora no curso daí fiquei um pouco deitada na biblioteca. Lá tem um cantinho com almofadas pra quem quiser ver HQ's, mas como não tinha ninguém lá então me apossei, risos. As pessoas passavam e ficavam olhando, querendo entender porque uma garota daquele tamanho estava ali espalhada. Eu tirei o sapato pra ficar à vontade, até porque era carpete. Achei engraçado que as crianças passavam por mim pra pegar gibis e quando me viam descalça, acharam que era pra tirar também. Ninguém exige isso, mas minutos depois tinha uma porção de chinelos, sandálias e afins, em volta do tapete, risos.
notas Tendenciosas
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Ratapulgo
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30.3.03
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Na minha tpm...
sinto uma absurda necessidade de sexo, preciso de doces muito doces, não ligo para chocolate, não ligo para faculdade, não ligo para homens, não ligo para mulheres, não ligo para família. Surto a cada 3 segundos pelos mais diversos motivos. Destruo o dia de minha mãe. Aliás, deságuo toda a mágoa recém-criada em minha mãe. Sempre nela. Também choro assistindo às novelas, ao mais recente comercial da BomBril e a escrotidões do gênero. Se contam, porém, que alguém muito próximo está fodido, morto ou mal-pago, rio e gargalho tal qual uma louca. Realizo as mais absurdas compras, e corto os cabelos dos mais absurdos modos, e profiro as mais absurdas frases. Os olhos ficam esbugalhados, as roupas justas, o andar pesado e firme de quem sabe o que quer. E nunca sei. E nunca quero. Nada. Já briguei com todos os meus namorados em épocas assim. Já tentei, em vão, enforcar minha mãe em frente ao médico. Já protagonizei barracos em feiras, shoppings, restaurantes, ruas, avenidas, casas, quartos, salas, banheiros. Já disse coisas que ninguém diria. Já soquei uma menina que sofria de glaucoma. Já chutei minha cama, minha parede, minhas cadelas.
Antroposofia, óleo de peixe, óleo de prímula, acupuntura, pílulas anticoncepcionais, pílulas que vetam a menstruação, antidepressivos, ansiolíticos, medicina chinesa, fórmulas ginecológicas. Tudo uma grande bobagem diante desta bomba relógio do caralho. Portanto, meus queridos, não torrem meus preciosos colhões nessa época. Ela passa, mas talvez suas cicatrizes não possuam a mesma sorte.
hormônios em ebulição da Juliana não tem epidímio
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Ratapulgo
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30.3.03
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:::tédio desanimo liga muisca billie holiday desliga a muisca pq ta encomodando a irmã dormi tedio raiva não aguento mais isso um cigarro dores pelo corpo infecção alimentar eu acho dor de estomago vontade de sumir falta de perspectiva falta de grana preciso de um trabalho preciso de atenção o fim do blog da proximo? acho que sim to cansado disso aqui to cansado de min mesmo um dia um amigo falou que queria outra vida pq tava cansada da dele e eu tambem estou cansado da minha e quero uma novinha em folha um vida legal e chique demais sem acentos nem pontos sem numero e sem inimigos sem pessoas chatas e sem musica ruin quero so musica legal para meus ouvidos cansados de tudo que nao passa emoção por isso que eu vou sentar na privada cagar fumar um cigarro e tudo isso regrado ao velho e bom cartola e e antes q eu me esqueça va tomar no cu por favor.
(...)
:::em um papo de icq com o amigo cabeça:
VEGETARIAN/mande msg(02:15 AM) :
novidades.....nada cara...sempre mesma coisa e tu?
"fael"(02:17 AM) :
po, minha banda acabou,
essa semana arrumei duas entrevistas mas não fui pq nao tinha grana pra pegar onibus,
minha garganta inflamou,
tenho fumado meio cigarro por dia pq nao tenho grana pra comprar mais
e acho q não vou beber no fim de semana.
...e o pior e q não para por ai.
dias e dias onde nada acontece
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Ratapulgo
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30.3.03
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29.3.03
ânimoânimoânimoânimoânimoânimoânimoânimo
(...)
Metástase no cérebro, fígado e coluna vertebral. Quimio urgente. Decisão difícil.
(...)
De molho em casa pra não passar gripe pro meu pai, tô aqui tentando colocar o sono e a vida em dia. Mais de uma semana vendo o mundo desabar lá fora e aqui dentro também.
(...)
Dormir no hospital é modo de dizer. Impossível dormir num hospital, com o entra-e-sai de enfermeiros, inaladores, médicos, copeiras, seringas, tubos e caixinhas de pílulas. Mas o que importa é que onde há vida, há esperança.
(...)
Pelo menos estou colocando a TV em dia. E como o mundo parece fútil.
Annix - 20th Century Girl
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Ratapulgo
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29.3.03
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Sim, qual o espanto em saber que Deus é negro?
A existência de um Deus negro pode parecer muito estranha numa cultura onde o branco é a imagem da pureza, do divino. Mas se analisarmos friamente, tanto do ponto de vista religioso, quanto científico ou histórico, chegaremos à conclusão que um Deus negro não só é possível, como também é muito mais lógico do que um Deus branco.
Teologia não é a minha área, mas eu sei que a Bíblia diz, e todos repetimos sem pensar no assunto, que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Ora, todas as pesquisas que conhecemos apontam a origem humana em território africano, e comprovam que os primeiros homens estavam mais para um aborígene australiano do que para as representações loirinhas de Adão e Eva que a arte retratou. Então, qual homem foi feito à imagem de Deus?
(...)
HERESIA!
Sim, chamem como quiserem... Mas eu não acredito na Bíblia. Motivo? Como confiar em um livro dividido em duas partes, uma parte escrita há mais de 3 mil anos, e a outra parte contando uma história mais de 100 anos depois de acontecida? E considerando que este livro foi escrito em uma sociedade de mais de 2 mil anos, passou por inúmeras traduções (inclusive por uma, por exemplo, em que a palavra Jovem foi substituída pela palavra Virgem, fato que posteriormente formou um dos grandes dogmas do Cristianismo) e que, inclusive, sobreviveu ao poder supremo da Igreja Católica da idade média... Dá pra acreditar? Claro que sim, e em coelho da páscoa também.
Deus é Negro!
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Ratapulgo
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29.3.03
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Primeira-Dama dos EUA critica o regime de Saddam.
Depois de tantos anos sob o mesmo regime, é um absurdo que o ditador ainda esteja tão gordinho. Diz, indignada, Mrs. Bush.
Mural Plural
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Ratapulgo
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29.3.03
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Eu queria saber quantas meninas mentirosas dizem que tamanho não é documento.
Pra mim é documento sim
Quanto maior a conta corrente dele
Mais prazer ela me dá!!!
(...)
Entro num chat e o cara já vem me perguntando..
- Voce é gostosa?
- Sou, e vc, tem pau grande?
Aí o sujeito se sentiu ofendido. Claro. Só as mulheres precisam responder essas perguntas ridículas de chat.
Acho impressionante também o cara que vem e fala "tá afim de aguentar um 19X5?"
Poxa falem-me a verdade , nem precisa deixar o nick verdadeiro , como é que voces medem isso?
Fita métrica? Régua? Compasso? Polegadas?
Sou obrigada a rir imaginando a cena do cara com o Pau duro certamente, medindo o comprimento e o diametro da coisa.
Deve ter até um caderninho de anotação.Mede mês a mês..
Po esse mês meu pau aumentou 2 milimetros!
Porra grande coisa..GRANDE COISA mesmo!
Aí vem um sujeitinho desses ainda falar comigo...
" Duvido que voce aguente um 28X9"
Ah , puta propaganda enganosa.
Agora passou de 16 cm eu só acredito se tiver o selinho do Imetro
Testado e Aprovado!!
SABELADEUSPORQUEM!
Casos e Acasos Virtuais
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Ratapulgo
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29.3.03
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Sem rodeios, eu vou contar um sonho aqui
Eu sonhava que ela (até em sonhos...:/) tinha se mudado pra casa vizinha da minha vizinha...
E que apesar dela ta la, ja tinha um tempo que eu nao tinha nem falado com ela
Entao,uma bela noite, eu resolvi ir até lá
Entrei ( a porta estava entre-aberta) e perguntei se ela estava por lá. Responderam que não. No exato momento que escutei tal resposta, se escutou a buzina de um carro na garagem pedindo pra abrir a porta. A mulher que me atendeu disse que era ela.
Nesse exato momento, eu sai correndo pelo outro lado em direção a minha casa.
--x--
Pra mim, eu nao sei pra vocês,mas esse sonho reflete o que se passa na minha cabeça:
- Eu sei que ela sempre ta por perto de mim. Eu tenho uma enorme vontade de ir falar com ela, como se fosse uma coisa normal. Mas eu tenho medo. E sempre corro dessa possibilidade. Fujo mesmo. Sem dizer nada
Saudade é bixo foda viu?
Só não é mais que aquele tal de Sentimento
no Bangulhus
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Ratapulgo
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29.3.03
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Ele não tem uma vida para me dar, não a vida que eu acho que mereço. Se bem que eu sempre acho que mereço muito e isso pode ser bem mais do que realmente é, enfim, ele não tem. Ele não convive, ele coabita, o que para mim não serve. Não quero nenhum dependente, mas quero quem de mim não prescinda ou seja, se ele pudesse me dar, aliás, quisesse me dar a vida que mereço, ele não conseguiria. Ele vive, eu interajo. Não está claro para mim onde nos encontramos no meio dessa sandice toda. Nossas vidas são paralelas mas alguma força gravitacional poderosa distorce o espaço-tempo e, por algums momentos, nossos universos se interpenetram. Então é como de fôssemos o avesso um do outro, partes do mesmo enigma, rotas gêmeas. Então nascem super-novas, planetas são engolidos. De tão intensa, a força se instabiliza, entropia muito alta, a deformação dos planos cessa e nossos mundos se desprendem. Não sem terem deixado um no outro, sinais de encontro, órbitas sutilmente modificadas. Seguimos o movimento de expansão, cada vez mais distantes, rumo às incertezas, sem saber quando, ou se, isso acontecerá novamente.
Não Discuto e dai?
Postado por
Ratapulgo
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29.3.03
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Caminhava pela avenida a passos desconexos. Havia deixado sua bolsa no restaurante junto com toda sua história. Seu olhar atravessava os demais transeuntes que não tinham consciência de sua vida. Cada pisada no chão esmagava um pouco mais a vida que levava até então. Não poderia suportar mais ser usada como o capacho de uma lanchonete de quinta categoria freqüentada por trabalhadores braçais e suas botas cheias de lama. Estava cansada. Estava imersa num filme transtornante em que pedia suplicante pelo "Corta" do diretor. Mas não havia o comandante que pudesse interromper aquela cadência carregada de brutalidades e excrescências. Dependia de si mesma.
Fez sinal para um táxi sem ter a idéia clara de para onde iria.
- Boa noite. Para onde vamos?
- Não sei.
- Minha senhora, eu preciso ter um destino.
- Não sei. Sai andando.
E sua cabeça naquele momento estava tomada por uma delicada sensação de que aquele seria o último dia. Lembrava-se dele. Do modo nocivo com que a beijava todas as vezes que lhe arrancava a roupa. Das suas mãos entrando por baixo de sua saia nos elevadores lotados. Do gosto de sua pele. Do cheiro animal que exalava de seus poros machos. Chorava e masturbava-se. Não poderia mais permitir que lhe roubassem a juventude. Chorava e masturbava-se convulsa no banco de trás do táxi. Mas queria que lhe fosse tolhida a possibilidade da escolha. Chorava e masturbava-se convulsa no banco de trás do táxi de olhos fechados. Pensava em todas as vezes que abriu mão de seus desejos e da sua dignidade. Chorava e masturbava-se convulsa no banco de trás do táxi de olhos fechados pensando simplesmente que nunca mais.
O motorista do táxi já havia percebido o que estava acontecendo. Ficou envergonhado em dizer qualquer coisa. Era um senhor de uns cinqüenta anos, cabelos grisalhos, barba por fazer, óculos de aros grossos, fumante inveterado. Casado, sem filhos. Ex-professor de Geografia. O que fazer com aquela mulher ali que chorava sem parar e que dentro de pouco tempo estaria com a vagina em sangue tamanha a violência com que se tocava? Aquilo nunca havia lhe acontecido. Não sabia nem ao menos para onde ir. O taxímetro rodava por ruas mais escuras para que não vissem o que acontecia dentro de seu carro contando vinte centavos por gemido. De repente ouviu a mulher explodir num grito de dor. Achou que ela havia se machucado.
- Está tudo bem?
- Não. Pode parar o carro.
- Minha senhora, esse bairro é perigoso. Está escuro. Posso levá-la aonde quiser.
- Me deixa aqui. Quanto é?
- Foi por conta da casa.
Ele ficou olhando a mulher descer do carro cambaleante sem entender o que acabara de se passar ali dentro. Seguiu seu caminho. Decidira ir para casa. Encontrar a esposa, dormir juntinho. Não lhe contaria do ocorrido. Ela poderia pensar coisas estranhas. Ela nunca confiou nele mesmo. Aquela história só poderia trazer-lhe à tona aquele velho ciúme que já houvera sido razão de grandes tormentos conjugais.
- Velho, passa a carteira.
- Que é isso?
- O Mickey Mouse, vovô. Um assalto, porra!
- Calma, calma. O que você quer? Dinheiro? Toma.
- Rápido, rápido.
Pegou o dinheiro do taxista e se mandou antes que alguém nos carros ali próximo avisasse alguma viatura de polícia. Conseguira apenas sessenta reais. Mixaria. Deveria fazer mais um assalto ainda naquela noite para poder pagar a dívida que tinha com o Minhocão. Sabia que se até duas da manhã não pagasse o traficante seria encontrado na manhã seguinte degolado no Beco da Norma. Ainda faltavam uns cem. De cano guardado na cintura seguiu adiante na avenida. Por que cargas d'água se envolvera com aquela gente? Parou num boteco para tomar um café. Pagaria o filho da puta naquela noite e nunca mais.
- E aí? Já tem o dinheiro?
- O quê?
- O dinheiro, malandro.
- Olha, ainda faltam cem. Mas até o horário combinado vai estar tudo quitado.
- É bom mesmo. Senão você já sabe.
Recebeu do outro uma piscadela marota com gosto de morte. E saiu. Precisava ou de um carrão de janela aberta ou então de algum casal saindo dos restaurantes da redondeza. O sinal fechara. Era agora. O sangue subia-lhe à face e as mãos suavam. Sacou a arma da cintura e chegou ao motorista.
- Passa a grana, grã-fino.
- O quê?
- Dinheiro, cara!
- Calma, olha eu não tenho um tostão aqui comigo.
- Como não, rapaz? Está querendo me enrolar?
- Olha, não tenho mesmo.
- Então chega para lá.
O assaltante deu a volta no carro e deu um tiro na janela. Vidro estilhaçado, apatia das pessoas em volta, puxou a trava do carro e entrou. Apontou a arma para a cabeça do homem.
- Olha, cara, pode fazer o que quiser, mas não me mate.
- Não quero te matar. Vire à direita.
Ele estava com a arma apontada para sua cabeça. Levava o carro para um destino que desconhecia. Nunca houvera sido assaltado. Nunca sentira a vida de um modo tão tênue. Qualquer movimento em falso poderia custar-lhe muito caro. Não desobedeceria a seu seqüestrador.
- Pare aqui.
- Está bem.
O assaltante saiu do carro e deixou-o lá. Poderia fugir. Mas fugir para onde? De certo achariam-no e então seria o fim. Calma. Muita calma. Isso seria um pesadelo que em poucos minutos estaria terminado. Ouviu alguns gritos. Havia alguém que não gostara de saber que ele estava lá. Tiros. Um homem alto e magro saiu de dentro da casinha simples em que o outro assaltante havia entrado.
- Boa noite. Meu nome é Minhocão. Eu sinto muito pelo senhor estar passando por isso.
- Eu sabia que devia ser um mal entendido.
- E foi. Mas não posso deixar o senhor sair assim, sem nenhum pedido de desculpas.
- Não se incomode. É só me dizer como...
Levou três tiros à queima roupa. Dois na cabeça e um no braço. O Minhocão saiu de perto e voltou para o casebre de onde tinha saído.
Pessoas começaram a se juntar ao redor do carro. Inúmeros comentários carregados de dó rompiam o silêncio da noite.
- O que aconteceu?
- Um homem foi baleado. Acho que está morto.
- Ele está dentro do carro?
Ela conhecia aquele carro. Não, seria muita coincidência. Começou a abrir caminho na multidão para chegar mais perto.
- Não!
Era ele mesmo. Aquele que a maltratara, que a usara, que lhe destruiu a crença em si mesma. Que fora tudo. No banco do passageiro havia caída uma foto dela. A que ele sempre levava no porta-luvas.
A polícia já estava lá. E ela de joelhos no chão ao lado de uma poça de sangue.
- A senhora conhecia a vítima?
- Sim.
- É parente?
- Ele era meu pai.
Allons, enfants! Chocados?
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Ticcia
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29.3.03
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28.3.03
Frase do dia:
Eu gostava mais de você quando não te conhecia.
oooooooops!
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Ratapulgo
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28.3.03
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Caralho, estava eu aki agora lembrando da minha primeira transa.
Eu tava super preucupado... séra que vai ficar duro?? será que eu vou gozar rapido?? será que a menina vai gostar do meu desempenho??
Como eu éra um jovem padawan de apenas 16 anos, fui me aconselhar com um amigo mais velho, que tinha uma namorada fixa.
O cara falou assim:
"Relaxa... vou te dar uma dica.. na hora H.. desencana.. fica pensando em outras coisas..."
Bem! fiquei bem mais tranquilo com o conselho do meu amigo, só que na hora H, me deu uma tremedeira da porra!
A garota éra mais velha (21 anos), e mais experiente. ela ligou o som... e rolou um cd de reagge... Inner Circle "Black Roses" .. me lembro como se fosse hoje (a primeira vez agente nunca esquece).
Então eu lembrei das sábias palavras do meu amigo: "Relaxa... vou te dar uma dica.. na hora H.. desencana.. fica pensando em outras coisas..."
Então eu me concentrei na musica, como maconheiro profissional, eu sabia a letra na ponta da lingua, o foda é que eu comecei a cantar a musica e não conseguia parar:
"What have happened to my garden of black roses? Oh nurturing years of so long"
Foda.. a menina me olhou com uma cara do tipo "vc veio aqui pra cantar ou pra fuder?" ... mas tudo acabou bem.. quer dizer.. teve um pequeno incidente na colocação da camisinha devido a pouca experiencia.. mas tb não vou ficar revelando as minhas intimidades... aheuaheuhe
Cavera de Jegue
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Anita
às
28.3.03
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Receber spam em inglês de um fazendeiro do Zimbawe, perseguido politicamente e exilado na Holanda, procurando ajuda financeira e sócios para transferência de um fundo bloqueado e outras trapalhadas mais, é o uó do forrobodó. Mr. Bulawa Mulete Jr: vai ver se eu não estou em Bagda!
.:Piores Blogs:.
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Anita
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28.3.03
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O encontro foi casual. Encontram-se na rua. Ele pediu desculpas por não ter ido ao enterro do marido dela. Eram amigos, mas na ocasião ele estava viajando a trabalho. "Uma pena, uma pena .. ele era tão moço", repetia.
Conversaram amenidades. Ele queria se desculpar, se redimir pelo sumiço numa hora tão dura para ela. Convidou-a para almoçar, quem sabe um jantar. "Não se incomode. Qualquer dia desses passe lá em casa para tomar um café. Sei o quanto você gostava dele", disse a moça querendo ser gentil. Foi um convite pró-forma. Aquela coisa tipicamente carioca de convidar sabendo que a pessoa nunca vai aparecer na sua casa.
Mas ele apareceu. Dias depois, lá estava o bruto diante da porta. Levou bombons. Ao entrar, mais uma vez desculpou-se por não ter podido ir ao enterro do amigo. Já acomodado no sofá, perguntou como ela estava, se precisava de alguma coisa. Ela falou da solidão, da dor da perda e disse que entendia os motivos dele. Afinal, a morte foi repentina, a doença muito rápida.
Conversaram por uma hora.
- Seu filho vai demorar? - ele perguntou depois de alguns segundos daquele silêncio constrangedor. De fato, ela não sabia. Respondeu que o menino, na verdade já um homem, não parava em casa.
- Esses cachinhos do seu cabelo são naturais?, nova pergunta inusitada, dessa vez acompanhada por uma aproximação física e uma passada de mão no cabelo dela.
Ora bolas. Os cachinhos sempre estiveram lá. Ele já estava careca de saber que o cabelo dela era daquele jeito. Afinal, o malandro era amigo do marido dela há anos! "Que diabos de pergunta é essa?", ela pensou já procurando um novo lugar no sofá, bem longe do bruto.
- Já que seu filho vai demorar, bem que a gente podia dar uma deitadinha ... - sugeriu o palhaço.
Proposta inusitada, certo? Mais inusitado ainda foi o que ela entendeu. Surdez, velhice ou nervosismo, ela não sabe. Apenas entendeu que o homem queria comer uma empadinha.
- Aaahhh ... se você tivesse me dito antes, eu tinha me preparado melhor - disse em tom de culpa, desculpa, já pensando onde poderia ter encomendado as empadinhas.
- Não precisa ser tão formal. É só uma deitadinha ... - respondeu o bruto, ainda sem perceber a confusão.
- Poxa .. é que eu não sabia que horas você ia passar, por isso nem pensei em alguma coisa assim mais pro salgado ... eu podia ter passado na Casa da Empada, encomendado algumas ... - ela ainda justificou.
- Casa da empada?!?! - perguntou ele assustado.
- É. Você não quer uma empadinha? - ela rebateu agora sem entender a reação dele.
- Não, não - disse ele rindo - Quero dar uma dei-ta-di-nha com você, coisa rápida.
Quando ela se deu conta, estava enchendo o homem de bolsadas. "Ponha-se daqui pra fora seu tarado filho da puta!", gritava ela já abrindo a porta. Tentando se defender, ele ainda levou a caixa de bombom na cabeça.
Dias depois, ela recebe em casa um enorme buquê de rosas do bruto. Com uma tesoura, cortou o cartão em picadinhos e devolveu as rosas, também picadinhas.
Homem É Tudo Palhaço
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Anita
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28.3.03
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Sinto-me como se saisse de um belo sonho e entrasse direto num pesadelo. Eh uma anomalia fetal que acontesse em 1 gravidez entre 1000 e aconteceu na minha. Chama anencephaly e mesmo que nasca vivo, o bebe nao sobrevive mais que minutos. Foi um choque imenso.
A indicacao agora eh o aborto terapeutico.
Quando tudo estiver terminado, sera tempo de repensar total essa minha vida. Temo o vazio que hei se sentir, afinal fazia muito tempo que nao me sentia tao forte, feliz e decidida do que durante essa minha curta expectativa de ser mae. Talvez essa experiencia tenha servido para me acordar para esse desejo.
Naked Emotions
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Ratapulgo
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28.3.03
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Um dia num bar, um pai e uma mãe
"Os mitos dessa geração não duram mesmo..."
Largou essa pensativo,o olhar perdido do outro lado da mesa, esperando a cerveja chegar.
"Ahn?"
Eu estava com o olhar perdido no lado oposto, tentando ver quem tinha passado o bilhetinho com Leminskis.
"Os mitos da sua geração. O André Sant'anna parou de beber, você casou e tá grávida..."
Pronto, de novo. Agora todo mundo acha que eu passo o dia perambulando pela casa de avental sujo de molho de tomate, colher de pau na mão e panela no fogo. Nada disso. Eu passo o dia perambulando pela casa sem roupa, olhando as caixas, sentando no computador alheio às vezes e desolando-me com a eterna bagunça. É bem pior. Eu nem sei cozinhar.
"Rá. Espera o Beanie nascer pra você ver. Vou fazer tudo que fazia e não fiz nesses últimos meses, tá?"
Olhares entre o casal. Eles têm um filho. Olhares risonhos entre o casal que tem um filho. Eles desistiram da boemia. Eles sabem tudo. Tudo sobre as fraldas e os choros noturnos. Tudo sobre tudo. Eles riram de mim. Ai, meu deus. Aiaiai, meu deus.
Enchi um copo de cerveja, só um, e acendi um cigarro, só um, pra não me sentir a última da minha raça.
Pensei: é temporário.
Pensei: é só até parar de amamentar.
Amamentar, ainda tem que amamentar, ainda vai demorar. Eu vou ter um ataque, vou ter que inventar alguma coisa, café, sei lá, alguma coisa.
Alguma coisa.
Se bem que os hormônios andam dando conta.
Lady Averbuck ars longa, vita brevis
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Ratapulgo
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28.3.03
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Ela
Vinha eu dentro do fretado, percorrendo o longo caminho que separa minha casa do trabalho. E pensava sobre a necessidade de perder uns quilinhos. Uns vinte, pelo menos. E então me assustei com uma voz claramente vindo de dentro da minha cabeça:
– Eu faria qualquer esforço para ver você emagrecer pelo menos um pouco.
– Epa! Quem falou isso?
– Eu!
– Quem disse "eu"?
– Eu disse "eu".
– Quem disse "eu disse eu"?
– Ok, sem Pica-Pau aqui. Sou eu, oras.
– Eu quem???
– A mulher dentro de você.
– Mulher dentro de mim? Tá doida??? A mulherada sempre vem com aquele papo de dedinho e tal e eu nunca deixei! Como é que ia ter uma mulher inteira dentro de miim?
– Você se acha engraçado, não?
– Hehehe.
– Pois não é.
– Hum.
– Posso continuar o que estava dizendo?
– Claro, vá em frente. Meu deus, estou falando com as vozes na minha cabeça! Sou um personagem de Stephen King!
– Não se preocupe. Relaxe, converse comigo. Bom, eu ia dizendo. Ia ser muito bom você perder uns quilos. E arrumar os dentes.
– Você é a Daniela, por acaso?
– Um pouco. Sou uma mistura de várias mulheres que você conhece ou gostaria de conhecer. Mas vê se pára de tentar racionalizar tudo! Você está conversando com uma voz dentro da sua cabeça!
– Taí, me pegou. Mas como é que eu nunca tinha notado você antes?
– Porque você é homem, portanto burro. Eu estou sempre por aqui. E você me deixa escapar às vezes...
– Ôpa! Tá doida???
– É verdade! Sabe quando você vai tomar café, se distrai e de repente o mindinho salta, ficando esticadinho pra fora? Sou eu! E quando você vê um rapaz e pensa "Pô, cara bonito"? Então! Sou eu...
– PERAÍ! Isso é apenas meu jeito másculo de admitir as qualidades físicas de outros homens.
– Sei, sei... Que nada! Sou eu, sempre eu!
– Hum... Você é gostosinha pelo menos?
– Que importa? Nunca vai poder rolar nada entre nós mesmo. Se bem que quando você se...
– SHHHHH!
– Ok, ok, boca de siri.
– Eu ainda não acredito que estou conversando com você.
– Você me ofende! Conversa naturalmente com um urubu, numa boa. Aí comigo é esse estranhamento.
– Mas é diferente. O urubu não está na minha cabeça.
– Tem certeza, mané?
– Hein?
– ...
– Ô! Ô! Ô mulé! Ô Marcaurélia! Cadê você, porra???
Sumiu. Malditas mulheres.
Jesus, me chicoteia!
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Ratapulgo
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28.3.03
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Cláudio Caetano
O Cláudio Caetano morreu. Encontraram seu corpo no centro, encostado na parede de uma grande loja de departamentos. Jazia sobre uma cama de papelão, numa piscina de sangue.
Ele tinha 39 anos, era negro, dois dentes na boca e nenhuma ilusão. Vítima da vida, Cláudio também fazia suas vítimas na profissão, que cultivava cuidadosamente nas noites de Porto Alegre. Ele furtava rádio de carros e, às vezes, arrombava residências. Mas, quando o conheci, chegou como vítima. Apanhara da polícia. O saldo era o pulso quebrado, umas costelas fraturadas, um olho vazado. E o cheiro, meu Deus!... Cheiro que penetrava no ambiente, violava nosso olfato. Mas a figura me comovia. Não sei se era o rosto, o desespero dos olhos, a vocalização singular das palavras. Falava aos arrancos, como um animal acuado. Ele tinha medo, medo que vinha da culpa, da desesperança. Era um ser que inspirava horror. Tinha cara de mau. Os olhos sempre injetados, mas como brilhavam... Era a miséria em toda a sua glória. A miséria sem inocência, miséria que não inspirava compaixão. Acolhia a repulsa. A miséria e todos os seus vícios, presentes e futuros. Que belo quadro daria aquele rosto...
Só que a vida de Cláudio Caetano era um belo filme de terror. O mais aterrador. O terror cotidiano, o terror comum de uma história sem originalidade, aquela que acontece o tempo todo nas cercanias da cidade, nos cinturões da fome, o terror sem inspiração.
Aos nove anos, cansado de apanhar da mãe e do padrasto, Cláudio Caetano tentou se matar. Entrou no Guaíba na certeza de morrer afogado, já que não sabia nadar. Mas, ao sabor da fome, juntou-se o gosto do medo e seu corpo começou a nadar sozinho. Então matou sua infância, o padrasto e foi para a Febem.
Cláudio Caetano não tinha nem sombra de ternura. Só que algo suavizava naquele rosto embrutecido quando falava da Janete, a mulata esquálida que costumava espancar nas tardes de domingo e que já lhe dera quatro filhos, um morto. Ela tinha treze anos quando deixou de passar fome em casa para dividir a fome com o Cláudio Caetano. Naquele tempo, ele estava quase bem de vida, proprietário de um barraco na Vila Cachorro Sentado.
Os filhos... ele não sabia dizer a idade. Confundia seus nomes, suas realidades. Na verdade, os filhos o aborreciam. Eram corpos que necessitavam coisas que jamais poderia suprir. Coisas materiais, como alimento, roupas, escola, brinquedos... Coisas espirituais, como amor, amizade, afeto, compaixão... Coisas que nunca tivera e, sabia,... nunca teria. Mas ser humano que era conhecia sua existência, por puro instinto, pela própria necessidade. Melhor não soubesse de nada, melhor seria... E tinha consciência do fato.
A última vez em que vi o Cláudio Caetano com vida foi quando ele foi levado a fazer o reconhecimento dos policiais que o agrediram. Na ocasião, ele demonstrou coragem. Tinha um medo insano da polícia. Mas desta vez não era o medo do homem culpado e sim o medoda vítima. A perda do olho foi tão sentida que venceu a si mesmo e foi. Só que mostraram fotografias antigas. Impossível reconhecer os policiais bandidos. O último resquício de esperança no sistema se esvaía. Foi a partir daí que o Cláudio Caetano tomou novos rumos na profissão. Passou dos pequenos furtos para os roubos e os latrocínios.
Aquela sova - não que fosse a primeira - deu sede de sangue. Sangue em que se banhou inteiro antes de partir.
na morgue do Angel 7000
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Ratapulgo
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28.3.03
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27.3.03
Há muito descobri uma tática para sempre ter papo com pessoas que tinham filhos. Quando eu estava muuuito a fim de ser simpática, lascava um “e o Fulaninho, como está?”. Nunca ouvi “tá bem, obrigado.”, sempre havia um complemento, uma corujice, um caso, uma reclamação. É por isso que esse blog dura até hoje.
Há alguns anos descobri uma coisa sobre a qual é fácil achar assunto, quando você fala com uma pessoa que também tem (fora blogs, porque essa comparação já foi feita). Experimente perguntar a uma pessoa tatuada alguma coisa sobre a tatuagem. Desde que ela não seja superanti-social e que a sua pergunta não seja completamente imbecil, você terá bons minutos de conversa. É mais ou menos como falar de filhos:
. Quando você fez? Quantos aninhos ela tem?
. Pois é… é pra vida toda.
. Você tava sóbria quando fez?
. E o que os seus pais falaram quando você contou que ia ter/fazer?
. Você quer ter mais?
. Ai, quanto mais eu tenho, mais dá vontade de fazer.
. As pessoas acham meio estranho quem tem muitas.
. Tem foto? Dá pra mostrar?
. Você passa filtro solar nela quando toma sol?
. Não, eu nunca pensei em tirar.
. É mais difícil arranjar um emprego assim, né?
. Doeu muito?
É como disse a Mi outro dia: tatoo é igual filho, se doesse tanto não teria tantas por ai. E antes que me apredrejem por comparar um modismo a uma pessoinha amada, aviso que há uma grande diferença: tatuagem não dá trabalho. Taí. Acho que vou fazer outra.
Coisa da Laura, do Mothern
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Anita
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27.3.03
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Porra, a cada dia vai ficando tudo mais difícil. Não preciso nem dizer que o problema ainda é a merda da falta de grana. Minha conta virou hoje e a da minha mulher virou já faz quase duas semanas. Hoje tive que pagar a primeira das cinco parcelas de uma grana que peguei emprestada com meu tio, que apesar de ser meu tio, me cobrou juros de 5% ao mês. E ai de mim atrasar um dia que seja. Como não tinha o dinheiro todo pra pagar o que devo a ele, entrei no cheque especial. E não posso nem falar nada com meu pai, pois não agüento mais dar tanta despesa ao coroa. Sei que é ridículo o que vou fazer aqui. E, acreditem, pensei muito se deveria ou não fazer isso. Espero que compreendam a minha situação de total desespero. Não fosse o fato de estar desempregado, com uma filha por nascer e devendo uma boa grana na praça, não me sujeitaria a isso de forma alguma. Mas acontece que estou mal e já não sei mais a quem recorrer. Portanto, se alguém puder me ajudar com qualquer quantia, minha conta é esta aí em baixo:
BANCO DO BRASIL
Agência: 2299-3
C/C: 7801-8
Me perdoem tamanha cara-de-pau, mas volto a dizer que só estou agindo assim porque a coisa anda feia mesmo. Só espero que esta atitude não afaste vocês deste espaço. Não pensem que será sempre assim e que isso tornará a ocorrer se essa minha situação se prolongar. Como disse, foi uma decisão tomada num momento de desespero, por alguém que vê suas possibilidades ficando menores a cada dia. Não vou, entretanto, desanimar nem muito menos desistir. Principalmente agora que estou casado e prestes a ser pai. De qualquer forma, não fujam daqui, por favor. E, desde já, muito obrigado a todos.
Chega de baixo astral. Vamos a mais uma historinha.
O EXU MARKETEIRO
Tenho um primo veado. Bem, nada contra ele ser veado. Nada mesmo. Até porque eu amo meu primo como se fosse um(a) irmão(ã) mais velho(a). Acontece que o cara além de veado é macumbeiro e mitômano também. Aí já é um pouco demais, não acham? Esse meu primo, o Luiz Henrique, também tem uma outra característica muito interessante e que ele deveria explorar melhor. O cara exerce um verdadeiro fascínio sobre as pessoas. Ele tem o dom da palavra. Parece pastor da Universal. É praticamente uma seita. Tem até seguidores. Já houve tempos em que ele era acompanhado por uma pequena legião. Depois, conforme neguinho sacava que ele era um tremendo 171, ia se afastando e, hoje, são três os seus fiéis seguidores: Dina Lara, que abriu mão de seus dois filhos, um rapaz e uma garota, para permanecer ao lado dele após o garoto, que era caso do meu primo, com o consentimento e as bênçãos da mãe, ter quebrado maior pau dentro de casa quando descobriu que a mãe havia passado a casa pro nome do guru. E o fez de maneira oficial, indo ao juizado de menores e passando a guarda de ambos para a avó dos garotos. A outra é a Selma, que nunca se casou – há fortes suspeitas de que jamais tenha tido um homem na vida, o que não necessariamente implica numa virgindade -, é a única com trabalho fixo – é professora das redes municipal e estadual – e, por conta disso, a grande financiadora e mantenedora da casa, além de tratar meu primo como se fosse seu filho, dando tudo o que ele quer, podendo arcar com o ônus da coisa ou não. E finalmente temos o Richardson, que largou a mulher – gatíssima, por sinal – e os três filhos para assumir seu romance de sete anos com o cara. Pior é que durante um bom tempo a mulher dele também foi apaixonada pelo meu primo, que sem que um soubesse da paixão que o outro nutria por ele, pegava os dois.
Bom, por aí acho que já deu pra se ter uma idéia de como é o ambiente por lá, né? A parada é muito bizarra. Certa vez, eu estava brigado com a Flaviana, na época minha namorada, e comecei a dar uns pegas na Suni, a ex do Richardson. Numa sexta-feira à noite, eu e um outro primo, o Big Bruno, sujeito obeso e criador de caso, e a garota estávamos curtindo um forró no bar da Tia Cássia, em Paracambi. De repente, surgem "as moças". A Suni, que não suporta ficar no mesmo ambiente que o ex-marido, me chamou pra ir embora, com o que concordei de imediato. No momento em que passamos pelo Luiz, ele me segurou pelo braço e disse: "Porra, Fabiano, que merda." "O que foi, cara?", perguntei. "Cara, você com a Suni!?". Ao que respondi: "Porra, Luiz, você com o Richardson!?". A conversa acabou ali.
Em 98, pouco depois de ter chegado da Europa, comecei a fazer um curso de treinador de futebol no Forte do Leme. Na época meu primo morava num quarto e sala na Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Nada mais natural do que ficar por lá enquanto durasse o curso. Ele sempre me tratou com todo o respeito e cuidava de mim com carinho e dedicação. E como meu negócio sempre foi mulher mesmo, não via risco algum em cair por lá. O problema é que com isso eu era praticamente obrigado a aturar as conversinhas fiadas dele. E não eram poucas, não. O cara sempre foi um iludido. "Mente que nem sente", diria minha mãezinha, tia dele. E na época ele tava metido numa tal de Net Food, uma parada muito furada, no melhor estilo Amway. É claro que ele tentou alucinadamente me convencer a fazer parte daquela porra. Mas eu, claro, não cedi àqueles delírios. Porém, numa quinta-feira à noite, quando eu já me preparava pra dormir, eis que a porta do quarto se abre e eu vejo a Dina. Tem início então um breve diálogo entre mim e ela e, em seguida, uma das cenas mais grotescas que já presenciei:
- Fabiano?
- Oi, Dina, pode entrar. Ainda não tô dormindo, não.
- Ah, que bom. É que o seu Sete taí e quer falar com você?
- Quem, Dina???
- Seu Sete Covas.
- O santo que o Luiz pega?
- Santo, não, Fabiano, é entidade. E ele não pega, incorpora.
- Tá. Mas o que ele quer comigo, Dina?
- Não sei. Vai lá falar com ele.
- Tá legal.
Não era a primeira vez que eu falava com o Exu. Pra dizer a verdade, freqüentei terreiro por um bom tempo. Adorava ir lá. Achava lindo os atabaques, os pontos de macumba, os santos descendo, as gargalhadas das pombagiras... Era legal. E quando tinha festa no Centro, então? A melhor era a de Preto Velho, porque rolava uma feijoada do caralho. Eu comia muito. E todo mundo babava meu ovo só porque eu era primo do Luiz. Mal sabiam que era tudo encenação. Mas ele era foda. Imitava direitinho. Nem o Pai-de-santo percebia. Pelo contrário, se consultava com ele quando não estava nos "trabalhos". E só pegava santo forte. Sete Covas, Zé Pilintra, Tranca Rua, Caboclo Flecheiro, Pedrinho da Cachoeira e outros que já não me lembro mais. Mas voltemos ao diálogo com seu Sete Covas na casa do Luiz:
- Boa noite, seu Sete.
- Oh, mizifi, quanto tempo.
- É, seu Sete, tempão, né?
- Gostou dos passeio lá na Terra Velha?
- Ah, foi muito bom sim.
- Hehehehe. Mizifi andou muito.
- Bastante, seu Sete.
- E o que que mizifi tá fazendo agora?
- Tô fazendo um cursinho aí.
- Eparrê, mizifi, eparrê.
- Eparrê pro senhor também, seu Sete.
- Já sabe que o cavalo – é como eles se referem ao hospedeiro - tá trabaiando, né?
- Sei sim.
- E ele já falou com suncê?
- Falou.
- E suncê?
- Ah, seu Sete, isso aí não é muito a minha, não.
- Mas suncê num gosta de cascaio?
- Gosto sim, seu Sete. Gosto muito.
- Então mizifi tem que ajudar o cavalo.
- Mas é que eu...
- Não, não, não. Seu Sete vai expricá pra suncê cumé que faz?
- Ahn???
- Depois suncê vai entender porque que os amigo do cavalo lá na Net Food (pronúncia perfeita) anda tudo com brum-brum bonito, grande.
- Brum-brum?
- Cumé que é brum-brum mesmo, Richardson?
- É carro, seu Sete?
- Isso, carro grande, importado.
Nesse exato momento, seu Sete pede ao Richardson que pegue o quadro branco e dois pilotos pra ele. Com uma habilidade e demonstrando total domínio do assunto, o Exu me explica todo o processo de pontuação e premiação, me diz como ir de um simples membro da corrente a diamante e arrisca até uma previsão de compra do meu primeiro "brum-brum" importado. "Com banco de couro", me disse, mostrando um conhecimento automobilístico antes impensado para quem há poucos minutos não sabia nem pronunciar a palavra carro. Desenhava esquemas e gráficos com extrema habilidade e não fosse a voz engabelada e o fato de o cara ainda estar vivo, eu diria que estava na presença do espírito de Philip Kottler, o papa do marketing mundial. Uma palestra grátis e, melhor ainda, só pra mim.
Apesar da brilhante explanação que veio do Além, mantive-me firme na idéia de não aderir àquela pirâmide. Não sei se por causa disso meu nome foi pra boca do sapo ou se enterraram uma cabeça de porco no quintal lá de casa. Acontece que agora sabemos a força que têm o marketing e a propaganda no mundo atual, globalizado.
E, quer queiram, quer não, seu Sete arrebentou.
o fundo buraco do Tatu
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Ratapulgo
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27.3.03
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O blog começa a lhe fazer mal quando...
* As pessoas perguntam como foi seu dia e você diz para elas lerem no blog.
* Deixa de sair com os amigos para ler comentários.
* Cria um personagem fictício para comentar no próprio blog.
* Comenta em vários blogs qualquer coisa, só para fazer propaganda do seu.
* Dá reload no blog várias vezes para aumentar o número de visitas no contador.
* Só escreve sobre assuntos que vão lhe render visitas através dos sites de busca.
* Nunca leu um livro, mas acha que pode escrever alguns.
* Acha que um dia pode concorrer à ABL.
* Fica arrasado com críticas e nem consegue dormir.
* Quando está com outras pessoas, só fala de blogs e posts.
* Perde completamente a noção de privacidade, sai botando na banca as piores histórias da família e dos amigos e ainda dá nome, endereço e telefone de todo mundo.
* Não consegue ficar um minuto sequer longe do micro.
* Quando está longe, não vê a hora de voltar pra casa, conferir as estatísticas, os comentários e escrever sobre a sua preocupação em voltar logo para frente do micro.
* Acha que as pessoas vão surtar se você deletar seu blog e desaparecer.
* Passa o dia pensando no que postar.
* Fica deprimido se não há o que escrever.
* Fica deprimido porque ninguém comenta os seus posts.
* Fica deprimido se o número de visitantes diminui.
* Comemora sempre que o contador bate os números redondos.
* Passa o dia fazendo propaganda do próprio site.
* Quando entra em um banheiro público, deixa o endereço do blog atrás da porta.
* Quando não tem nada para fazer, fica procurando erros de português no blog dos outros.
* Senta a boca nos comentários dos blogs populares, só pra ganhar notoriedade.
* Sabe que tem um português sofrível, mas diz que não se importa e capricha nos erros.
* Fica indignado ao ver que o seu blog não saiu nas indicações do No Mínimo, Globo, Blogger, Blig e outros.
* Manda fazer cartões de visita com o endereço do blog.
* Passa mais de oito horas por dia gerenciando o próprio blog.
* Noventa e nove por cento dos seus amigos tem blog.
* Seus últimos relacionamentos amorosos começaram via sistema de comentários.
* Terminou o namoro via post.
* Já pensou em pedir as contas do emprego para se dedicar mais ao blog.
* Quando está com amigos blogueiros e tem uma idéia para um post, avisa logo: "Eu primeiro! Idéia minha! Post meu!"
* Não perde a oportunidade de ser o primeiro a comentar um post.
* Sempre que é o primeiro a comentar um post escreve: "Primeiroooooo!"
* Só encontra seus amigos via ICQ.
* Coloca no blog a foto de alguém que não é você, mas jura de pés juntos que é.
* Quando viaja, não relaxa até achar um cyber café.
* Fica de mau-humor quando o blog ou suas ferramentas saem do ar.
* O Weblogger já te deixou de cama por três dias.
* Fica andando de um lado para o outro quando o blog sai do ar.
* Só se relaciona com blogueiros famosos e ignora qualquer um que tenha menos de cem visitas diárias.
* Fica emocionado quando ganha um award e agradece como se tivesse ganhado o Oscar.
* Você se informa das novidades pelo Top Links.
* Anda na rua achando que todos sabem quem você é.
* Verifica as estatísticas dos blogs antes de se dar ao trabalho de comentar.
* Já namorou o(a) autor(a) de um blog popular só para ganhar um link.
* Acha que link no seu blog vale mais do que ouro em Serra Pelada.
* Não linka ninguém porque acha que não há blog melhor que o seu.
* Não linka ninguém por que não quer concorrência.
* Linka todo mundo porque quer links de todo mundo.
* Quando dorme, você sonha com um template novo.
* Coloca scripts para evitar que copiem seus textos e imagens utilizando o teclado e o botão direito do mouse.
* Deseja esganar um pescocinho quando vê que copiaram um texto e ignoraram a autoria (a propósito, este texto é de Alê Félix, do amarulacomsucrilhos.blogger.com.br!)
* Passa horas pensando em um post que fale sobre os malefícios causados pelo blog, identifica vários em si própria mas, mesmo assim, não vê a hora de postá-lo.
(...)
Putz! Tô bem na foto com este pessoal da Globo, hein? Será que eles não querem comprar espaço publicitário no meu blog? :-)
Ah, sobre o post anterior, fiz um upgrade. O blog começa a lhe fazer mal quando...
* Você já pensou em colocar espaço para publicidade no blog.
* O computador pifa e você pifa junto.
* A internet fica lenta e você liga no provedor e xinga até a mãe dos atendentes.
* Você grita, se descabela e esmurra o computador quando expira o tempo de postagem do blogger e você perde um post inteirinho.
* Seus últimos sonhos de consumo estão todos relacionados ao blog: notebook, câmera digital, webcam, speed...
* Passa o dia atualizando o blog só para aparecer no Fresh Blogs.
* Tem custos altíssimos para manter o blog como: domínio próprio, hospedagem, tráfego adicional, etc.
* Quando está com amigos blogueiros fica calado para evitar que suas idéias sejam usadas por eles.
AMARULA COM SUCRILHOS
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Ratapulgo
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27.3.03
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To
Mr. George W. Bush
White House
Washington
Zuza
Mr. Bush,
Não daria pra desviar a rota dum Tomahawk pra ele cair na cabeça da síndica do meu prédio, que é uma pentelha insuportável, além de retardada da Igreja Universal do Reino do Bispo? O nome dela é Nair. Se o sr. quiser, eu ponho um GPS escondido no carro dela.
Sincerely,
Sergio Faria
Condômino em atraso
PS - Pelo bigode, eu acho que ela é iraquiana.
perdigotos do ¢AtaRrO vE®De
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Ratapulgo
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27.3.03
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26.3.03
Quando você estiver desestimulado pela vida, faça algo novo. Pequeno, que não gaste muito dinheiro, que não dê trabalho e que resulte em um momento de prazer só seu. Vá à farmácia e compre uma pasta de dentes que você nunca experimentou. Um shampoo novo, um sabonete que você não conhece. Vá pra casa e tome um banho.
Não importa se o resultado é diferente ou não, é uma nova experiência, algo para distrair sua cabeça.
Fiz isso. Acabei de tomar um banho com um sabonete de cuapuaçú. É estranho, não compraria de novo.
Mas isso eu decidi agora, que já experimentei.
Ninguém no mundo vai viver seus prazeres. Nem suas dores. só você.
por isso, mantenha sempre sua relação consigo mesmo, em paz e harmonia.
Beijos.
Querido Leitor,
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Anita
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26.3.03
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I just called to say fuck you
- Amor, desliga você, vai...
- Não, primeiro você, amor.
- Não, você, coisa linda.
- Não, desliga você primeiro.
- Você primeiro, fofa.
- Você desliga.
A Telemar desligou por falta de pagamento.
pérolas de mau humor
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Ratapulgo
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26.3.03
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Acordei cedo para dar uma caminhada sozinha. O jardim está vazio e os passarinhos dividem comigo os contornos das calçadas. Eu devia estar contente pois venho emagrecendo espontaneamente sem precisar de dietas rígidas ou exercícios. Com o passar dos dias consigo ver meu corpo por inteiro refletido em superfícies cada vez menores: monitores de TV, copos de água, lentes de óculos e nas poças de chuva sob o banco no qual me sento para descansar.
Antes eu dividia este banco com meus amigos, mas agora o telefone já não toca mais como antigamente. O que ouço são portas que se abrem e fecham com cuidado, vozes abafadas e passos de pessoas indo e vindo pelos cômodos da casa.
Meu cabelo começou a cair, fio por fio, até restarem dois que eu tive de arrancar para não atrapalhar a peruca.
A peruca faz sombra no papel da carta que estou lhe escrevendo. Mas não me importo porque sei de cor o que devo dizer. Hoje tenho 25 quilos, nenhum cabelo e é domingo. Aguardo ansiosamente a sua visita.
Prosa Caotica
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Ratapulgo
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26.3.03
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Hoje eu vou falar sobre a minha vizinha gostosa.
- Ih, você tem uma vizinha gostosa?
Ô. Fenomenal. De parar o trânsito.
- Uau... e já deu uns "pegas" nela?
Não. Primeiro: ela é gostosa.
- Ah sim. Isso explica tudo.
Segundo...
- Não precisa mais detalhar, nós entendemos.
Sim, mas independentemente disso...
- Não interessa, já foi compreendido.
Sim, mas...
- Companheiro, não precisamos mais de razões. O fato dela ser gostosa já te exclui de um possível relacionamento com ela.
Você está insinuando que eu não ficaria com uma mulher bonita?
- Convenhamos meu caro, você tem espelho em casa...
Hum. Tá.
Mas como eu ia dizendo. Hoje eu desci o elevador com ela. E sabe como é, aqueles papos furados de elevador:
- Tá frio hoje, né?
Curte a resposta que eu dei.
- Ah, nem tô sentindo tanto...
Não tem como complicar! Mulheres gostosas tem sempre a razão!
- Você é uma anta!
É, eu sei. E no final, ela disse:
- Tchau! Boa aula!
Por que ela não pode dizer "Bom dia" como qualquer pessoa? Aí eu respondi institivamente:
- Obrigado, você também!
Mas ela não mais tem aulas! E eu fiquei com cara de otário depois!
Será que ela faz isso só pra dizer "Vá pra escola seu pirralho! Resigne-se a sua condição inferior de estudante!".
Hunf!
- Mermão, foda-se, ela é gostosa...
É né? E sabe o que é pior?
Fez um frio do cão.
KSW 4.0 | A voz é a mesma, mas os cabelos...
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Ratapulgo
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26.3.03
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Uma loucura o encontro, por sinal. Eu fingi que não o tinha visto (ele tava lá aos beijos com a tal menina do incenso, não ia interromper o romance), então nem cumprimentei. Aí fiquei nas redondezas, esperando que ele me visse e viesse falar comigo. Sim, porque eu sou esnobe e salta-pocinhas. Ainda assim, foi só na segunda vez que ele me viu (também não tinha como não ver, tava na frente dele) que ele veio falar comigo. Até me apresentou a Andreia. Ele percebeu que eu tava sem-graça (não me pergunte porque, eu também não sei), mas agiu normalmente comigo.
Tá, vai, eu fiquei com ciuminho/raiva/inveja. Minha vida tá parecendo final de novela: todo mundo que eu conheço tá namorando e exalando felicidade. Que puta mundo egoísta.
ciuminho/raiva/inveja do me Jane you Tarzan
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Ratapulgo
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26.3.03
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Um dia vou te levar lá. Vamos pedir duas fichinhas no Café Aquário, eu vou ganhar uma verde, tu, uma vermelha, e a gente vai trocar por dois cafés fumegantes. O dia vai estar frio, já vou avisando. Frio e úmido como sempre é em Satolep. Um dia vou te levar lá, na cidade onde não há nada para se fazer e onde, portanto, pode-se não fazer nada. Te levo para conhecer o chafariz e o solar da baronesa e a grutinha que fede um tanto a mijo, mas que traz recordações da minha infância enredada. E se as bicicletas estiverem boas, a gente vai de uma ponta a outra da orla do Laranjal, da Figueira ao trapiche que se foi no último dilúvio - e eu te conto a história da minha vida, aquela que só dura 6 segundos, se os tiveres de sobra.
vá a Pelotas e Tome uma Xícara de Chá
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Ticcia
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26.3.03
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Tristeza Ouvi agora na CBN que um apartamento foi assaltado na Visconde de Pirajá e os assaltantes roubaram 35 reais (!) e violentaram a filha do casal, que estava amarrado. Me lembrei de uma história que aconteceu comigo, quando eu tinha um sebinho no Jardim Botânico. A livraria era a maior paz, musiquinha, cheiro de jasmim, de repente entram dois policiais armados (naquela posição prontos-para-atirar) e uma linda moça, loura. Ela estava aos prantos. Junto com eles estava o pintor de paredes que às vezes fazia trabalhos pra mim.
- A senhora conhece esse homem? Me perguntou o policial com aquela delicadeza que eles costumam ter.
- Conheço sim. Ele pintou a minha casa.
- Essa moça disse que foi estuprada por ele. Ele é da sua confiança?
Tipo da pergunta cretina. Eu posso afirmar que uma pessoa é da minha confiança, que posso deixar ouro em pó em cima da mesa, mas quem sou eu para conhecer os mecanismos da mente humana? Como posso saber se um homem é capaz ou não de praticar um ato de tamanha violência contra uma mulher? Expliquei isso a ele, como pude.
Resumindo a história: a moça, que deveria ter um vinte e cinco anos, foi estuprada aos quinze no Parque Lage. Ela estava matando aula, quando um homem se aproximou e disse que ela deveria se juntar a outros adolescentes que estavam ali por perto, tocando violão. Ela acreditou. O resto vocês imaginam.
Pois bem, anos mais tarde essa moça se casou mas não conseguiu manter o casamento. Obviamente, tinha problemas graves em relação ao sexo. Se separou e casou outra vez, com um homem paciente e amoroso, por sinal cliente da livraria.
O pintor esteve na minha loja, para marcarmos um trabalho. Quando ele estava andando pela rua Jardim Botânico ela esbarrou com ele. Chamou os policiais que estavam por perto, contou seu drama, ele disse que tinha referências e foram todos pra livraria. Os policiais estavam loucos pra dar umas porradas, deviam estar em jejum. Queriam que ela confirmasse a violência. Ela chorava, tomava copos de água com açúcar, e por fim, falou: “Não é ele”. Os policiais, contrariados, liberaram o elemento.
Quando todos foram embora, ela ficou, ligou para o marido e ficamos conversando até ele chegar. Ela me olhou com aqueles olhos muito azuis e molhados. Seu rosto parecia estar contido numa cena de cinema, num super close.
- Você tem filha?
- Tenho
- Por favor, não deixe nunca mais esse homem entrar na sua casa. Nunca mais, por favor...
- Você acha que foi ele?
- Sim, tenho certeza que sim. Jamais esquecerei aquele rosto...
- E por que você impediu que ele fosse preso?
- Porque eu tinha 99% de certeza de que era ele mas tive medo de errar e entregar um inocente... Mas sei que foi ele, tenho certeza.
Seu marido chegou quando ela ainda estava aos prantos e eles se foram. Logo depois entrou uma psicóloga que ia sempre lá, uma mulher muito vivida. Contei tudo a ela. Ela me disse que a garota tinha cometido um erro gravíssimo, que aquela era a chance de ela tentar se livrar do trauma e que aquele fantasma continuaria a persegui-la para o resto da vida.
Liguei e desmarquei a pintura da sala. Para sempre.
estado de alerta do BloWg
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Ticcia
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26.3.03
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25.3.03
Minha mãe ficou horrorizada quando disse que alguns amigos estão fazendo ou querendo fazer análise. "Pra quê?", perguntou ela. Foi meio complicado explicar pra minha própria mãe que eu pertenço a uma turma que se sente insegura com um monte de coisas e tem uma série de problemas de auto-estima. Meio timidamente ela perguntou se eu também era assim. Aliás, perguntou tão timidamente que foi como se não perguntasse. Para evitar maiores aprofundamentos, soltei logo que eu quero procurar um analista também. O ônibus chegou e mudamos de assunto.
Tem certas coisas que é terrível admitir pros pais. Que vc anda infeliz talvez seja a pior delas. Outro dia li no blog de um garoto, o Scissorhands, que a mãe dele descobriu o blog todo deprê dele e caiu no choro, ficou super mal. É foda mesmo, porque os pais dedicados fazem tudo pela felicidade dos filhos e saber que não é o suficiente - nunca é, porque o mundo é uma merda e sempre acaba machucando as pessoas - é muito frustrante.
Enfim: todos pra terapia, ÊÊÊÊÊ!
CocHiLos RodoViárioS
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Anita
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25.3.03
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A minha vidinha pode ser considerada "certinha", bem sei, com casa, filho, marido, trabalho e cardápio de almoço e jantar, mas isso não precisa me remeter à preconceitos tolos. O fato de eu ter e preferir um estilo de vida dito tradicional não significa que eu seja uma beata de plantão ou membro do TFP.
Eu cuido da minha vida, contente, assim como ela é e admiro a dos meus amigos, seja que estilo tenham ou que opções façam. Vai ver é por isso que não vejo nada de estranho na vida, nas opções sexuais ou nos relacionamentos dos outros - desde que seja prá ser feliz. Ou pelo menos tentar porque (prestenção!!) na grande maioria das vezes tentar é ser. Muito adequado aquele anúncio "cada um na sua com alguma coisa em comum", porque ser feliz, inegavelmente, é a de todo mundo.
É. Eu não entendo nada mesmo dessa coisa de pode ou não pode, do que é certo ou errado, do que é socialmente aceitável ou politicamente incorreto. Eu entendo de gente que ri, chora, sofre, luta, erra, acerta, esperneia, se assume e não se entrega. Meus pré-conceitos são outros: guerra, fome, droga, pequenez de espírito, nhém-nhém-nhém e falta do que fazer. Isso sim é triste.
O mundo seria bem mais feliz se o lema geral e irrestrito fosse o de viver e deixar viver. E é sempre bom lembrar que viver a vida dos outros não é vida, é osmose; que umbigo não é só prá massagear, mas prá vistoriar as próprias cracas e que quando você aponta um dedo limpo prá alguém, provavelmente está se sujando inteiro.
Afrodite sem Olimpo
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Anita
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25.3.03
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Clotilde, minha particular ressaca, a minúscula mulher-gorila que se agarra aos meus cabelos depois das gandaias da vida, resolveu que ontem não foi o bastante, e largará seu tacape na minha cabeça hoje tb.
Drops da Fal versão efervescente
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Ticcia
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25.3.03
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Janice bate em minha porta com toda força. Eu abro, ela pula em meus braços e me lasca um beijo de cinema. Tudo estaria perfeito, mas eu não conheço nenhuma Janice.
- Quem é você?
- Ora, sou eu, a Janice. Mas... isso eu é quem pergunto! Você não é o Valter!
- Meu nome é Rosalvo. O Valter é do 42B. Esse é o 42A. Você pegou o elevador errado.
- Ah... Desculpa, hein! Tchau.
Droga! Por que eu tinha de me chamar Rosalvo!?!
* * * * *
Era tarde da noite e Júlio decidiu sair para tomar um ar. Dane-se o perigo de assaltos: ele não ia ficar refém em seu apartamento com uma cidade como São Paulo para explorar. Júlio, resolvido, pos seu melhor sapato, uma roupa elegante, uma corrente de ouro e saiu a andar num passo firme e decidido.
Desde então Júlio nunca mais foi visto.
mais dois textículos do zazoeira
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Ratapulgo
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25.3.03
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Diário de guerra: Longa jornada noite adentro
Enviado especial de Folha de S.Paulo a Bagdá
O pior da guerra, você descobre logo, é conseguir dormir. Os bombardeios não respeitam horário e, na fase em que os aviões são utilizados como agora, há inclusive uma preferência pela madrugada, quando a visão desde o solo fica prejudicada. Assim, ir para a cama vira quase, trocadilhos à parte, operação de guerra.
Primeiro, é preciso dormir vestido. Por vestido inclua aí os sapatos. Amarrados. É verdade: se uma bomba atinge o lugar ou próximo do lugar em que você está e se, por uma sorte (que o faz continuar), a edificação não for totalmente destruída, é preciso gastar no máximo cinco minutos para chegar ao abrigo antiaéreo. Ou, se for menos grave, para chegar ao local e ver o que houve.
Assim, de calça, camisa, malha e sapatos, você se deita na cama. Não é possível entrar debaixo dos lençóis, claro. Nem tirar o relógio. Nem a credencial de imprensa, que vai identificá-lo na corrida ao abrigo. Nem o chamado "dog tag", que traz seu nome, tipo sanguíneo e telefone no Brasil. Nem as duas bolsas camufladas por dentro da roupa, uma com metade do dinheiro e as passagens, a outra com a outra metade, os cartões e passaporte.
Mas há mais. No chão a seu lado repousa o colete de trabalho, que tem de trazer pelo menos uma lanterna, para iluminar o caminho, que obviamente estará escuro. Também o espera a postos o colete à prova de balas e o capacete idem, itens que são cada vez mais utilizados pelos jornalistas no dia-a-dia desta cobertura em Bagdá, principalmente nos passeios de ônibus. Pesam sete e três quilos, respectivamente.
E uma mochila perenemente preparada e fechada, com água potável, comida desidratada, estojo de primeiros socorros, máscara de gás ABC (antiataques atômicos, biológicos e químicos) e caixa de antibiótico contra antraz.
Tudo pronto? Tente dormir. Desde sexta-feira, os bombardeios têm acontecido de meia em meia hora, mas ou menos. Antes de a bomba atingir seu alvo propriamente dito, há uma preparação sonora. Começa com as sirenes antiaéreas, que serão seguidas pelas baterias antiaéreas. Então, a explosão. Ou as explosões, pois elas têm acontecido em trios.
Passado tudo isso, sirene, bateria, bomba, explosão, vêm as ambulâncias. Aí, o silêncio. Então, você tenta de novo pegar no sono. Mas o motor da geladeira começa a funcionar, e você dá um salto. Ou um Passat brasileiro velho passa na rua com o escapamento aberto, e você pensa que é um avião se aproximando. (Ah, sim: agora, os norte-americanos estão usando aviões nos ataques; some esse barulho à sequência sonora.)
Digamos que mesmo assim o sono venha. Você começa a sonhar. Com terremotos, batidas de carro ou perseguições (é verdade). Aí, pontualmente às 4h40 da manhã, os muezins vão aos minaretes para chamar os fiéis para a reza pelos alto-falantes. Depois deles, acordam os passarinhos (ainda há aves em Bagdá, apesar da guerra e do petróleo queimado no ar) e, depois deles, começa a sinfonia de cachorros.
Não dormiu? Tarde demais: já é hora da próxima bomba.
tá, não é um blog, é o SÉRGIO DÁVILA na Folha Online - Mundo, mas paciência.
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Ratapulgo
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25.3.03
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24.3.03
Quando passo por essas estradas, sinto uma necessidade absurda de parar em acostamentos. Tirar fotos dos caminhos do passado, observar os vales e as montanhas já vencidos. Quero a paisagem sob minhas rodas, o próprio chão por onde me perdi.
Muita gente acha que isso é pura nostalgia, ou que é um profundo esquecimento. Que quero simplesmente ter lembranças de tudo, para não ter que me esforçar, e me lembrar.
Na verdade eu só quero olhar para todos aqueles lugares, e comparar o que sentia então com o que sinto agora. Cada foto é somente uma interpretação, um instantâneo, uma lembrança que nunca se mantém a mesma dentro da gente. Simplesmente a gente muda, e tudo que ficou para trás também se transforma em algo que você não sabe realmente interpretar.
Quando saí da vida dela, eu sabia que a casa não tinha como se manter a mesma. Certas redecorações são necessárias para corações partidos. Os objetos parados criam poeira, e mesmo sob os móveis pesados o chão muda de cor e consistência. Coloca-se um quadro novo na parede, flores frescas em um jarro, travas novas pelas portas.
Fechaduras por onde não se espia, esperando o dono das chaves certas.
Por isso não espero as lembranças intocadas, não tenho essa ilusão. Elas se misturam em nosso sangue, diluem em nossos pensamentos, provocam a formação de um novo amálgama. Acho que essa é a real definição de sangue novo, mercurial. Pulsa em minhas têmporas, esquenta minhas mãos, formiga ao som desse motor.
Me lembro daquela foto em que você sorria, segurando as mãos contra o sol, em um vestido que já se esgarçou.
Dessa foto que guardei, percebo a luz daquele momento, a incidência de uma emoção. Nenhum sorriso se repete realmente, mas outros virão.
A estrada segue os contornos de uma montanha ainda distante, e meu coração precisa de mais velocidade. Casas que antes pareciam de brinquedo vão sendo tingidas de realidade.
E eu só quero chegar lá.
polaroid do Cardiotopia
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Ticcia
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24.3.03
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O que você já quis ser na sua vida?
Eu quis ser caixa de supermercado. É, a mocinha que fica lá na máquina registradora (na época que eu tinha estas pretensões, a máquina era daquelas duras que faziam barulhinhos de moedinhas a la Tio Patinhas). Tinha uma moça bonitinha, que sempre atendia minha mãe no Superbom (que era muuuito mais legal que o Sonda, porque havia uma área de camping cheia de barracas onde minha irmã e eu nos escondíamos da mamy, além de containers de amendoim e castanha que sempre estavam abertos, prato cheio pra molecada). Bom, eu queria ser que nem esta tal mocinha, bonita que nem ela, dominar aquela maquininha como ela, contar dinheiro tão rápido como ela, ter as unhas sempre impecáveis como as dela.
Daí mudei algumas vezes, porque cheguei à conclusão que não teria futuro, previ que venderiam o Superbom e demitiriam a garota. Resolvi ser outra coisa. Bailarina, sempre. Mas além disso arqueóloga, dentista, mil carreiras. Pobrecitária foi o que rolou. E como já disse no dia 4/2, é por isso que danço tanto.
Salón Comedor
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Anita
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24.3.03
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Já experimentou entrar sozinho no cinema numa tarde de sábado? Ingresso, pipoca, refrigerante e lá vai você à procura do melhor lugar. Quando coloca a cabeça dentro da sala, o choque: casais perdidamente apaixonados sussurando por todos os cantinhos do ambiente. Acomodado na poltrona com um carregamento de guloseimas sobre o colo, você sente suas pernas e braços diminuindo e sua aparência aproxima-se à de uma tartaruga. Enquanto ocorre tal mutação genética nos seus membros, outro fenômeno incrível permite que os casais proliferem-se à sua volta na velocidade da luz: ploft! ploft! ploft! Quando você se dá conta, o espaço está repleto de duplas coladinhas e os barulhos de beijos e risadas passam a ser insuportavelmente incômodos. Já que pipocas não falam, você não tem ninguém com quem comentar aquela cena picante do filme.
Depois de dez minutos na situação acima descrita, sua estatura beira os dez centímetros e você quer morrer afogado no copo de soda limonada que repousa ao seu lado. Nas vezes em que isso aconteceu comigo, eu só pensava no quanto o mundo era cruel com uma menina boazinha feito eu. Adolescentes sempre têm alguma visão romântica acerca dos perrengues da vida: por que as pessoas tinham direito a esse tipo de felicidade plena e eu não? Como diria o poeta, felicidade plena é o caralho, meu nome é Zé Pequeno. Hoje é sabido que 50% daqueles casais tinham rodado a baiana antes de sair de casa. Outros 10% quebrariam o pau depois da sessão, na hora de escolher o fast food mais barato para comer um lanchinho. 20% não brigavam nunca porque eram lobotomizados, mas também não conheciam a tal felicidade plena.
Faltou alguma coisa? Ah, sim. Pelas minhas contas, varri uma bela porcentagem dos casais para debaixo do tapete só para não ter que falar sobre coraçõezinhos vermelhos e olhares brilhantes. Acontece que os 20% restantes eram felizes juntos e isso é incontestável mesmo para uma pilha de gelo cética como esta que vos escreve. Não eram, no entanto, plenamente contentes como eu imaginava durante minha adolescência, porém conseguiam ser suficientemente felizes e isso já é muito quando se sabe que a plenitude não existe.
Morfina
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Anita
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24.3.03
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Por que eu fui emprestar o dinheiro justo para aquele vagabundo? Eu sabia que ele nunca ia me pagar de volta! Agora o que eu vou fazer? Droga, odeio ligar para o Ricardo.
- Oi Ri...
- Quié? Já sei. Aquele filho da puta não te pagou de volta, né?
- Ô Ri, que grosseria. Tudo bem contigo?
- Sim. Estou certo, não?
- É que...
- Você quer quanto?
- O de sempre...
- Tudo bem. Passa aqui em casa hoje de noite. Mas dessa vez de calcinha vermelha, viu!
- Combinado.
- E só te pago se você engolir!
um textículo do Zazoeira
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Ticcia
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24.3.03
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Agora é fato: pouco falta para os quarenta. Dia 18 de março completei 36.
Houve jantarzinho aqui em casa. Ganhei flores, uma pulseira linda, linda, ganhei uma camisa do Lôro, me dei livros e um par de sapatos de presente. E recebi amor, muito amor.
Minha família organizou uma festinha de aniver para mim, Lôro e minha irmã do meio, chamada por nós cá do Norte simplesmente de Nêga.
Na festinha que minha família organizou também ganhei presentes, mas um dos melhores foi o cartão da minha sobrinha Fernanda. Acontece que eu e Lôro demos a ela um daqueles blocos com imagens magnetizadas e aí ela pode fazer uma série de interferências na imagem, que é a Monalisa. E o cartão que a Fê me deu diz assim: "tio Baba (ela me chama assim desde bebê) te amo de mais (sic), adorei a Monalisa ou Gi... Tô aqui. Fê". Entre as lágrimas de comoção e a bobagem toda que são as festas de aniversário, ri bastante das palavras dela. Em tempo: o "Gi..." é de Gioconda.
E claro que o Fratelo ligou, que a Zel ligou, que a Rose e o tio Mário ligaram, que os amigos que não perdi ao longo da minha trajetória ligaram. É sim, que eu perdi porque deixei muita gente partir acreditando que eu não as desejava por perto.
Então eu preciso dizer, ainda que com atraso, que eu sei bem quando as pessoas partem, eu conheço o que é estar só. E que "I want to be alone" de cu é rola. Eu gosto de ter o meu cardume. Mas vê, eu tou me despindo e ficando cada vez mais nu a ponto de dizer que eu sei dos meus silêncios, sei do meu sem jeitismo com os outros, da minha habilidade em desaparecer dando aos outros a impressão de "não estou nem aí", mas, olha, eu tou aí sempre. É só o que posso dizer.
Estou feliz. A vida é boa pra mim.
Amor, amor, amor.
Um pisciano descrito nas Páginas Íntimas
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Ticcia
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24.3.03
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O Mito do Herói
É, meu amigo Charlie. Era um garoto que amava Blur e Radiohead. Foi lutar pela pátria. Com soldados armados, amados ou não. Não há luar, ó gente, ó não, luar como esse do sertão que é o deserto. No rancho do seu pai no Texas também era assim, ou quase. Só não tinha esse bombardeio todo, esse calor desmesurado, essa sede. E agora, Joseph? Minnesota não há mais. Os cães de guerra ladram e a caravana passa. Tudo passa, tudo sempre passará. A morte vem em ondas como as dunas. E o mundo é apenas um retrato na parede. Mas como dói.
Texto drummondiano no Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa
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Ticcia
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24.3.03
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. (PONTO FINAL)
Acabou. Tudo.
É. Não vou mais ter blog. Essa vida virtual dá duplo sentido em tudo o que você escreve. Felizes são aqueles que escrevem ficção. Já basta na vida real, ter que entender mensagens subliminares.
Prefiro escrever um diário e ter minha vida ali, no papel. Pelo menos não corro o risco do meu passado escrito, sumir na rede cibernética. E tb não corro o risco de que as pessoas levem por outro lado, o que eu falo.
Boa sorte para os que ficam!
:*
Aninha
my imagination ITS OVER OK? O-V-E-R ...
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Ratapulgo
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24.3.03
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e a herança lusitana
E vou parar de comer bacalhau e de contar piadas de português. Afinal, foram os lusitanos que transformaram esse país num imenso cemitério indígena (e segundo o filme Poltergeist é por isso que nada dá certo aqui).
saudade do presidente Figueiredo
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Anita
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24.3.03
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Ele atrasa dez minutos, chega como se nada tivesse acontecido e você desaba o mundo em sua cabeça. Lembra de todas as vezes em que ele se atrasou, fala, fala, fala e fala. Aí, ele vira e diz pra você irrelevar o atraso, já que está tudo bem e ninguém vai morrer por isso. Aí você desata a chorar. Cena patética.
TPM é f***.
amente.capta
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Ratapulgo
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24.3.03
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Eu me sinto vazia... complatamente vazia... é uma sensação estranha...
Acordei e quando vi o tempo fiquei feliz. Quando eu era pequena acreditava que quando eu estava MUITO triste e chorava, chovia por que o mundo chorava junto comigo. Eram minhas lágrimas escorrendo no vidro... maluco não?
Estou tendo uma semana lastimável... fora os "problemas" já citados, os quais eu tenho plena consciência de que não são problemas reais, ontém minha mãe foi na minha casa para acessar os e-mails dela e, assim, como quem comenta do tempo, falou como ela anda pensando em se matar todos os dias... como ela tem que fazer força para sair da cama pela manhã...
E, derepente, ouvindo isso ontém, sem falar nada por que eu não tenho o que falar, me ocorreu que foi assim a minha vida inteira... desde que os meus pais se separaram eu tive que crescer no tapa por que minha mãe ficou nesse estado e, desde os meus 12 - 13 anos escuto ela falando como ela pensou em enfiar o carro em um poste, ou sobre como ela não aguentava mais a situação e iria abandonar tudo...
Eu não sei mais como isso me afeta e, para ser sincera não sei como me afetou. Sei que eu endureci. Tinha que endurecer por que senão eu despencava... para minha infelicidade sou como o preto, as coisas batem e são absorvidas e, absorvendo tudo isso eu tive que dar um jeito de sair do meio disso, de sobreviver.
Ontém, ao ouvir tudo aquilo, eu senti a retração chegando, mas, ao mesmo tempo eu me senti distante e hoje, sinto meu peito travado, meu coração gelado, um vazio dentro de mim mesmo. Preciso do vazio por que caso contrário eu não conseguiria fazer mais nada na minha vida à não ser me desesperar pelas coisas que eu não posso mudar.
Eu sei que hoje estou diferente, mas não sei dizer como... ou seja, a coisa me afeta mas, de uma forma muito louca, eu criei formas de não sentir nada já que, enquanto ela falava aquilo eu só não falava como também não sentia. Não posso sentir... não acho que eu consiga explicar...
De qualquer forma, todas essas lembranças vindo, só serviram para eu ponderar que, no final das contas, eu sai mais normal do que eu poderia esperar...
Sim, sei que tem gente com problemas muito piores por aí mas, quer saber, não são meus problemas.
oooooooops!
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Ratapulgo
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24.3.03
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23.3.03
Ah! Mais uma desventura dessa vida de andarilha. Chego em Brasília. Tripulação vai para o hotel, dormir, como merecido.
Recepção do hotel, tumulto. Pergunto à recepcionista o que acontece e ela me responde prontamente: reunião de prefeitos, tem mais de 200, do Brasil todo...
Pressentindo a "cagada" tiro o crachá, enfio na bolsa, pego a chave do quarto e subo.
Uma e meia da manhã, depois do "Ilê das sete Amapeaux", Manuela, Mariana, Anita e Garibaldi também dormindo, toca o telefone:
- Olá, boa noite. Tudo bem?
(Educada)
- Tudo...
- Quem tá falando?
- Quem tá falando pergunto eu, quem me ligou foi você...
- Eu sou o fulano de tal, te vi na recepção do hotel e pensei se... Sou prefeito de (sei lá aonde!) e precisava de conversar com alguém...
(Silêncio pausado)
- Liga pra sua mãe, pra sua avó, pra puta que o pariu. Mas vai encher o saco de outro que eu estava dormindo. E nem sua eleitora sou. Velho idiota!!!!!!
(Revoltada, ligo pra recepção)
- Escuta, quem passou o número do meu quarto? Tô dormindo e me liga um louco, acho que você deveria ter perguntado pelo menos o nome antes de passar a ligação, né?
- Ele falou que viu umas comissárias na recepção e pediu o telefone de uma... Aí eu dei o seu...
- Sei lá...
Vou dormir, melhor não arranjar confusão.
Passam-se mais algums horas, cerca de 4:30, toca o telefone, de novo. Atendo, voz de bêbado do outro lado:
- Alô...
- Alô.
- Quer falar comigo agora?
Me diga: Alguém merece???
O que passa pela cabeça desse povo?
Depois de mais de 8 horas trabalhando ter que passar por isso
Nobody deserves!!!!
Mais uma aventura de Wannabee
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Ticcia
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23.3.03
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CONTO DE FADAS
Uns dias atrás instalaram uma máquina dessas de salgadinho aqui na redação. Também tiraram a de café. Desde então proliferam barulhos crocantes de dentes esmigalhando farinha e glúten. Minha suspeita é a de que estão tentando nos engordar aqui na EMPRESA. Pra que não sei: nos comer não vão. Fosse esse o propósito, Hermano já teria sido sacrificado: rapaz vem aumentando de circunferência a olhos vistos (segundo o próprio, inclusive) desde a sua admissão.
Não me excluo da maldição - o mesmo me acontece. Mas ainda tou meio longe do ponto de abate.
ONE HUNDRED PERCENT CHONGAS
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Anita
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23.3.03
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árvore, filho, livro
aquele era o tipo de informação que fica na cabeça, perdida entre belos pares de coxas e peitos femininos. quando criança, viu numa entrevista do chico anysio ao goulart de andrade que um homem só se realizaria no dia em que escrevesse um livro, plantasse uma árvore - excetuada a mandioca, devido às conotações que tal sentença suscita, e já que plantar a mandioca leva, em alguns casos ( uns seis bilhões atualmente, mais ou menos, mas o número tende a diminuir devido ao belicismo crescente) ao último ponto da tríade da realização anysiana: ter um filho.
pois bem, depois de dois apostos intermitentes, só resta contar que obviamente a frase não é do produtivo anysio - filhos e mulheres mil, sem contar os personagens; mas sim de uma sabedoria popular (conceitos estranhos de serem postos numa mesma frase, esses...), antiga e de etimologia a mim desconhecida. mas ele não sabia dissso, o que sabia é que tinha um desejo inconsciente de plantar uma árvore, já menino, e assim o fez, com um pouco de algodão e água e alguns grãos de feijão num copo de cafezinho, típico de repartições rodrigueanas, sabem?, os feijõezinhos germinaram mas nunca viraram árvores, pelo menos não do jeito que ele queria. de apartamento que era, desistiu do projeto do plantio, pelo menos para se concentrar nos outros dois tópicos da agenda até que pudesse ir morar no campo e terminar com um dos tópicos.
e cresceu e ficou tentando ter filhos a todo custo. é de estranhar e eu não vou ficar de fora disso que ele tentasse ter filhos com toda e qualquer mulher que aparecesse, de professoras a balconistas de sorveteria, passando pelas coleguinhas de aula e culminando nas namoradas que teve, a muito custo conquistadas, por dinheiro e bebida nenhuma engravidadas. até que o inesperado aconteceu. a camisinha estourou, desespero dela, sorriso dele. como tivesse espermicida, lá se foi o plano de novo, até porque não era período fértil e ele deveria ter-se informado melhor a respeito disso.
restava-lhe o livro. dos desígnios da imortalidade, a tarefa que parecia ser mais simples. só escrever, publicar e vender pros amigos verdadeiros, talvez dar um de presente pra mãe, que bancaria toda a publicação. mas era péssimo, nem a genitora conseguia ler algo dele, nem os colegas de estágio, nem a ex-namorada promoter, que terminou com ele e saiu espalhando por aí que ele tinha mania de reprodução, o que fez com que suas possibilidades de conquista diminuíssem consideravelmente, com isso diminuindo também compradores potenciais para o livro que nunca escreveria, pois a mãe declarou que nunca daria um centavo a ele para que estragasse quilos de papel com aquilo.
frustrado, criou um blog. e nunca ficou sabendo que a frase não era do chico anysio, seu ídolo maior.
vida besta.
como assim dois uísque?
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Anita
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23.3.03
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Cheguei a mencionar aqui que, quando existia Pangaea, as aulas de geografia eram muito mais fáceis. É que todo o meu conhecimento de geografia se resume ao tabuleiro do War. Do War 1, que é mais simples que o War 2. Na minha humilde opinião, o tabuleiro do War deveria ser considerado o Novíssimo Mapa Mundi, o Altas do Mundo Moderno. É menos complicado, eles tiraram tudo o que não era fundamental e deixaram apenas os países mais importantes como Vladvostok e Borneo.
Aliás, a minha noção de história também se resume ao jogo War. Pelo meu conhecimento, foi assim que aconteceu a Segunda Guerra Mundial:
Os exércitos pretos queriam dominar 32 territórios ou destruir na totalidade os exércitos azuis. Então, criaram o Eixo, que consistia numa união dos exércitos pretos com os brancos e os amarelos. Os azuis se aliaram aos outros que restaram e foram combater o tal do Eixo.
Como de costume, no final um dos exércitos enjoou de jogar e zoneou todo o tabuleiro pra acabar a brincadeira.
vida + ou -
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Anita
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23.3.03
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Muita gente deve se perguntar qual a verdadeira definição de "Mulher da Noite", que cito sempre nos posts sobre festas. Então hoje resolvi revelar esse segredo, conhecido apenas pelos verdadeiros xibangos. Na verdade, esse é um trecho do "manual do xibangueio" a ser editado, impresso e vendido brevemente.
Mulher da Noite: É a definição utilizada para a mulher mais linda do local. Aquela que o cara que pegar ali, sairá "grandão" da festa. Na grande maioria das vezes, essa mulher é vista (e definida) pelo grupo xibangueiro nos primeiros 30 minutos de chegada no local. Em alguns casos, ainda na fila. Um xibango raramente pega a Mulher da Noite (por falta de oportunidade, e não de vontade). Se acontecer de ele pegar, três coisas podem ter ocorrido:
1) Júpiter, plutão, saturno e a lua estão alinhados, estabelecendo uma conexão direta e fortalecendo as energias positivas e sedutoras do indivíduo.
2) Ele na verdade não é um xibango, e sim um Bunda Mole (essas mulheres os adoram);
3) Aquela não era a mulher da noite.
Normalmente, a terceira opção é a que ocorre. Devemos levar em conta que se a primeira opção ocorrer, o xibango deve finalizar os 3 pontinhos, levando-a para um motel, sua casa, casa dela, banco de trás do carro, moita, canto escuro da festa, etc. E com certeza esse momento único jamais será esquecido.
E se a segunda opção ocorrer, o "xibango" deve ser crucificado, espancado, empalado, esfolado, atropelado e expulso do grupamento de xibangu
anotado no rótulo da Cerveja
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Ratapulgo
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23.3.03
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A importância do violão
Todos os homens deveriam aprender a tocar violão. Matar baratas sem fazer sujeira e abaixar a tampa do vaso sanitário também são importantes, mas o instrumento musical é prioridade. Tocar violão desenvolve a habilidade manual, requisito básico para a prática do sexo bem-sucedido.
Nada melhor que aulas de violão para entender que a força atrapalha em algumas atividades. A sutileza dos movimentos pode proporcionar resultados mais eficazes que o vigor físico. Claro que essa regra não vale para a troca do pneu do carro, por exemplo. Se a força para tirar os parafusos do pneu furado não é suficiente, vale o velho truque dos pulinhos em cima da chave de roda. Mas quando o assunto é violão ou orgasmo por estímulo do clitóris, esse tipo de improviso não funciona. O que conta mesmo é a delicadeza dos gestos.
Mas essa não é uma lição aprendida do dia para a noite. Somente anos de prática podem trazer o aperfeiçoamento e consequentemente a qualidade nas atividades manuais – novamente excluindo-se aí a troca de pneus. Homens experientes sabem tirar melhor proveito dos instrumentos e proporcionar maior prazer às mulheres. Tanto auditivo quanto físico. Na maioria dos casos, o repertório de um aprendiz é limitado e burocrático. Ritmo e harmonia são adquiridos com o tempo.
As vantagens de se ter um violonista experiente em casa não ficam só na cama (ou no sofá, no tapete, na pia da cozinha...). Se faltar energia elétrica durante uma reunião de amigos, o vasto repertório musical dele pode garantir a trilha sonora até que a empresa de distribuição de energia resolva o problema.
Daniela Santos no Clube da Lulu
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Ratapulgo
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23.3.03
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O joystick
Fiquei embasbacado ao ler os artigos de Daniela Santos e Bianca Marotta na semana que passou. Ah, então quer dizer que somos desajeitados com as mãos, não? Pois eu digo o mesmo das senhoritas (não especificamente das nossas colunistas, reparem bem. Estou falando das mulheres em geral. Não me comprometam). Um amigo meu teve a mesma reação, e me mandou um email: "Por que você não escreve um artigo avisando a elas que o negócio não é joystick de Atari?". Coberto de razão esse meu amigo. E ele tem Pinto por sobrenome, sabe do que está falando.
Não, não me venham com reclamações. É dura a verdade, é difícil de engolir (reparem os trocadilhos, por favor), mas aceitem: O fato é que vocês são muito desajeitadas quando se trata do manuseio de nosso melhor amigo. E tenho historinhas para ilustrar isso.
Uma vez estava com uma garota num momento, digamos, íntimo. Depois de consumado o ato, virei-me para a garota e disse:
- Deixa eu adivinhar... Você foi criada numa fazenda, certo?
- Puxa, como é que você sabe?
- Ah, esse seu jeito inocente tem todo o bucolismo dos campos. Ao mesmo tempo, é capaz de se transfigurar, deixando transparecer o que há de selvagem em você.
- Que bonito isso!
Entendam, eu tinha que improvisar. Queria mais "momentos íntimos" com a garota. Mas a verdade é que soube que ela havia sido criada numa fazenda não pela inocência nem pela selvageria: Adivinhei porque ela me ordenhou de uma tal forma que, fosse eu uma vaca leiteira, teria rendido uns dois baldes. O que seria estranho.
Uma outra menina que conheci parecia ter transformado a inveja do pênis em puro ódio: Maltratou meu pobre companheiro com tamanho empenho que eu temi por sua sobrevivência. Ainda tentei dar um toque:
- Cuidado, assim você arranca ele!
Por alguma razão ela deve ter entendido que isso significava que eu estava gostando, porque apenas fez uma pausa, sorriu e depois retomou sua atividade frenética. PLÁ-PLÁ-PLÁ-PLÁ-PLÁ. Terminei a noite com lágrimas nos olhos e prometendo a mim mesmo que jamais veria novamente aquela psicopata.
Ah, são muitas histórias. E tenho certeza que os homens que lêm esta minha coluna têm muitas outras para contar.
Portanto, meninas, conformem-se: Vocês são tão ou mais desajeitadas do que nós. Mas não se preocupem: A prática leva à perfeição. Desde já me ofereço (sem interesse algum!) para ajudá-las nesse processo.
E só espero que nem a fazendeira nem a psicopata leiam isto.
Ombudsman do Clube da Lulu
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Ratapulgo
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23.3.03
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Sou orgulhosa, metida e estou feliz assim obrigada.
Cuspindo no prato que comeu sempre. Eu nunca vou aprender.
E amanhã tem reunião lá na escola e eu não entreguei o papel para minha mãe e nem vou entregar e quando a irmã Mariluce perguntar segunda-feira numa das aulas cu dela de biologia:
- Por que sua mãe não veio na reunião?
Vou mentir e dizer:
- Ah.. eu esqueci de avisar ela
Talvez ela nem pergunte por que ela sabe que minha mãe ainda está doente mas caso pergunte será isso ae mesmo. E caso minha mãe me pergunte:
- Por que você não me avisou da reunião?
Eu falarei com todas essas palavras:
- Tem dois motivos principais, o primeiro é que com certeza a Mercedez de geografia e a Nilza de inglês iram falar que eu rio demais, falo demais e não presto atenção na aula. E eu não presto mesmo e eu falo mesmo porque pra mim professoras que não conseguem prender minha atenção não merecem um pingo de respeito meu e muito menos meu bom comportamento e depois eu ODEIO gente burra e odeio mais ainda professoras burras.
Segundo é que com certeza absoluta a senhora iria comentar alguma coisa ruim de mim e aí a irmã iria fazer algum comentário estúpido sobre isso na aula dela e iria me deixar com uma RAIVAZINHA que me daria um passe direto para o inferno. E os professores iriam continuar nos SOCANDO de mais e mais trabalhos e tarefas e eu não iria fazer nenhuma nem que Jesus desça do seu trono REAL e dance eguinha pocotó porque nem aquela velha tirana e nem nenhum daqueles professores mandam em mim e dae eles iriam reclamar e na próxima reunião iriam falar e falar e falar e falar e a senhora iria colocar a culpa na televisão, no computador, no telefone, e iria me proibir de sair, de atender telefones, de viver! Então começaria uma revolução aqui em casa e isso só iria me dar mais vontade de fazer 18 anos logo e ir pra bem longe daqui.
Quero muito que minha mãe pergunte porque eu não entreguei o papel.. ah como eu quero
Tá tudo tão bem aqui em casa agora, não é uma merda de reunião de professores que vai foder com isso. Não vai.
Abscesso.. turning into something you are not
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Ratapulgo
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23.3.03
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Todo mundo vive dizendo que são as coisas pequenas que realmente importam na vida. Eu, pessoalmente, nunca acreditei nisso. Sempre me pareceu que uma bazuca tem muito mais repercussão do que um estilingue e, nesse ponto, continuo achando que estou certa. Mas isso não é motivo para desconsiderar totalmente o estilingue como arma. Na verdade, no dia-a-dia, as pessoas tendem muito mais ao estilingue do que à bazuca. Pensa bem: uma bazuca é um negócio pesadão, difícil de manejar que precisa de um monte de munição que também pesa uma tonelada. Definitivamente não é uma coisa prática. Já um estilingue você pode carregar no bolso de trás e pedra para atirar se cata do chão, mas o estrago não é nem de longe tão grande. Antes que eu me perca na metafóra, a última coisa que eu gostaria de dizer é: embora um bazuca faça uma tremenda zona, imagine o que você pode fazer com centenas de milhares de estilingues, funcionando em seqüencia, ininterruptamente. É a velha história da água mole em pedra dura.
Agora que você não está entendendo mais nada, eu vou começar tudo de novo, do começo. As coisas mais importantes na vida, as realmente transformadoras, são as que acontecem diariamente sem você perceber. Quer um exemplo bobinho? O caminho que você faz todo dia, seja para o trabalho, para a escola ou boteco sujo mais próximo. Você sai de casa e automaticamente toma pequenas decisões: vou virar aqui e andar nessa rua e atravessar neste ponto, o mesmo caminho todo dia. Você pode fazer exatamente esse caminho por toda a sua vida e nunca pensar em todos os outros caminhos que você deixou de tomar, mas porque você escolheu esse caminho e não um dos outros milhares de caminhos possíveis, sua vida mudou. Você podia ter atravessado a rua um pouco mais na frente e ter sido atropelado. Ou você poderia ter virado numa outra rua e achado um bilhete premiado de loteria. Ou você poderia ter feito esse mesmo trajeto caminhando dois passos para a esquerda e ter levado um vaso na cabeça. São as coisas pequenas, entende?
Ok, eu admito que isso foi meio confuso. Então, aqui vai uma história que demonstra bem como as escolhas que nós fazemos, por menores que sejam podem afetar profundamente não só as nossas vidas como as dos outros (e, antes que alguém pergunte, não, eu não faço parte de nenhuma seita maluca que prega o bem-estar coletivo global):
Imagine que você é um sujeito comum. Você, sujeito comum, costuma almoçar na casa da sua namorada comum todo domingo. Então, domingo, meio-dia, você pega o seu carro comum e dirige até a casa dela. Preocupado com a segurança do seu carro, você decide deixá-lo num estacionamento pago. Você vai até lá, deixa o seu carro com o manobrista e vai embora. Depois do almoço (você pode ficar para assistir o jogo se quiser, afinal de contas, você é um sujeito comum e sujeitos comuns gostam de futebol), você vai até a garagem. O manobrista traz o seu carro, te entrega a chave e você vai para casa. Na segunda, você não usa o carro, mas, ao abrir o carro na terça de manha, você descobre uma chave de carro no banco do carona. Você não colocou essa chave lá, aliás você nunca viu essa chave na vida. Você, sujeito comum com idéias comuns, fica perplexo.
Agora vamos observar o que aconteceu para a chave chegar ao seu carro. O manobrista que estacionou o seu carro, também estacionou o carro que chegou depois dele e ficou na frente do seu. Portanto, quando você chegou para buscar seu carrinho comum, ele levou duas chaves: a do seu carro e a do carro na sua frente. Ele tirou o carro-na-sua-frente e estacionou em outra vaga. Foi até o seu carro com as duas chaves na mão, entrou no carro e colocou a outra chave no banco do carona. Entregou o carro para você, esquecendo completamente da chave no banco. Você foi para casa e descobriu a chave dois dias depois, ficando perplexo.
Finalmente, vamos observar o que aconteceu na segunda de manhã, quando o dono do carro-sem-chave (ex-carro-na-sua-frente) veio buscar seu carro. O manobrista obviamente não conseguiu encontrar a chave e, muito sem-graça, tentou explicar isso para o dono do carro-sem-chave. Este, por sua vez um sujeito comum de um país estrangeiro, não conseguiu entender e achou que seu carro tinha sido roubado. Armou um escândalo com a gerência e o manobrista acabou demitido.
Moral da história: são as pequenas escolhas que definem o rumo da sua vida e sempre olhe no banco do carona quando você entrar no carro.
milagres termodinâmicos de Oba Fofia
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Ratapulgo
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22.3.03
"... São as águas de Maarço fechando o verão
É promessa de viida no teu coração..."
(Águas de Março - Tom Jobim)
Anos, muitos anos atrás, meu irmão aprendeu esta música no piano e convidou meu pai, que tem uma voz educada por serenatas perdoenses, a acompanhá-lo numa audição programada pela professora. Não foi fácil, mas meu pai aceitou o convite e, como se estivesse se preparando para uma apresentação no Palácio das Artes lotado, estudou as notas, marcou no papel as pausas, ouviu esta música incansavelmente. Meu irmão e ele interrompiam o almoço para ir pro piano. Discutiam a música por telefone. Um mês inteiro de ensaio. No fim-de-semana marcado para a audição, veio de Goiânia até BH especialmente por causa disso. Lembro-me que ele disse ter praticado a canção durante todos os 900km de estrada. Tinha decorado todas as respirações do Tom Jobim e sabia exatamente a duração de cada nota. Não podia estar mais preparado.
Hora da apresentação. Um monte de crianças mostravam suas peças no piano da casa da professora. Até que ela chamou a dupla para encerrar a noite "com chave de ouro". O Bruno começou a tocar e meu pai o acompanhava direitinho, até que, de repente, depois de umas quatro estrofes, ele parou de cantar. Parou, assim, de repente, no meio de uma frase e não continuou mais. Só o Bruno, sozinho, sem entender o porquê.
Ninguém entendeu nada. Quando todos perguntaram, perplexos, o que tinha acontecido, meu pai explicou: "vocês estavam batendo palmas, cantando junto, pensei eu estivesse fora do ritmo e parei para não atrapalhar."
Sempre que eu ouço Águas de Março, eu me lembro desse tempo bom. Um tempo tranqüilo, parecido com o descrito por Tom Jobim na música acima.
Recital de Despropósitos
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Ticcia
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22.3.03
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te perdi. voce voltou a ser um new yourkean guy.
estou anestesiada. esta viagem esta sendo boa. mas minha cabeca e meus sentimentos estao espalhados pelo mundo. literalmente. um pouco no brasil. um pouco na inglaterra e outro tanto em ny.
ontem falei com gon. ele nao parece ser a pessoa que conheci. sei que tambem estou diferente. depois quase chorei. tentei me lembrar das coisas que vivemos. mas nao. o que vivemos foi real. durante alguns momentos parece que consigo captar aquele instante de que fala clarice lispector. mas aquele instante esta la. ja foi. eu sei que vivi o que pude. e lamento nao poder viver mais. mas vivi. eh o meu consolo, agora. e eu nao queria que isto tivesse acontecido. de me apaixonar desta maneira. e meu coracao se entristece. e sinto-me agora como me sentia ha seis meses. amadureci emocionalmente. sim. e ja entreguei tudo que podia aa nsa senhora, quando la estive em fatima. e o dia estava lindo. na volta comecou a chover de leve. e a anunciacao veio pelas nuvens. exatamente como todo o imaginario visual que temos de anunciacao. e alcancei um leve estado de graca. mas agora para mim eh tudo assim. tudo leve. mas o amor que senti. este foi forte e veio cheio de certezas. certezas sentimentais em meio a um futuro incerto. ou pior: um futuro mais do que certo. um futuro que ja eh presente. e meu coracao se entristece. mas o choro nao vem. » sim. eu morri um pouco com a tua ida. com a tua mundanca. eu senti isto. algo dentro de mim se foi e talvez nunca mais volte. e eu te amei de uma maneira calma, serena, carinhosa e incerta. vivi. sentia-me viva a teu lado. tao viva quanto ha muito nao me sentia. mas voce se foi e levou esta vida consigo.
e meu futuro eh incerto. nao sei se ja tive futuro tao incerto assim. acho que sim. talvez la nos idos de 1995. mas tudo era diferente. minha vida estava comecando. e agora... estou entrando na meia vida. estou meia.
[boop it]
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Ratapulgo
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sonhei com meu pai.
é raro, isso.
sonhei com ele mais velho, mas a aparência saudável, gordinho, de cabelo branco. mas estou me adiantando no sonho.
vinha uma pessoa - uma mulher - me avisar que ele estava chegando de viagem, uma viagem que demorou muito tempo, muitos anos. e eu ia buscá-lo, mas não na rodoviária, que era longe, mas num posto onde os ônibus paravam, perto de onde eu estava, algumas ruas, só. e eu via seu nome na lista de passageiros, mas ele não estava lá no posto.
eu o via chegando na calçada, andando de skate (!), e não lembro se o abraçava, mas ele sorria um sorriso grande e minha saudade ficava quentinha e eu ficava muito feliz em vê-lo.
depois era meio complicado: estávamos eu, ele, minha mãe e graça, minha irmã do meio. havia uma certa briga pq eu queria que ele voltasse para casa mas acho que ele havia abandonado a gente e estava um mal estar danado. minha mãe estava deitada de costas, não queria participar da conversa, e eu dizia que a casa era dele e ele seria bem vindo para voltar a hora que quisesse. lembro de dizer "as portas estão abertas".
no meu sonho graça estava doente. muito doente, com lepra, mas não aparentava. eu só sabia que ela estava doente. e ela era contra papai voltar. lu não aparecia no sonho. e papai não se incomodava muito com a questão, ele sorria o tempo todo, um olhar de carinho e curiosidade, pois as pessoas tinham mudado enquanto ele estava fora.
o sorriso dele e sua cara de velho estão comigo. espero que sempre fiquem.
e se quiser voltar, pai, a casa é sua. a hora que quiser, as portas estão abertas, meu coração também. será muito bem vindo.
blog do meu pai
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Ratapulgo
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Sim, sim, hoje é um Daqueles Dias. Raramente me sinto angustiada, mas hoje tá de lascar. Parece que dentro de mim está deflagrada guerra entre os besouros e os mamutes, entre os caracóis e os tigres, entre lambaris e dinossauros e, pasmem, aqueles estão levando vantagem. Tudo fica dúbio e conflitante. A sensação é de que não estou cabendo no espaço do meu corpo e que daqui a pouco, o que está preso e comprimido vai começar a mandar mensagens para o mundo exterior, riscando frases ao contrário na minha pele, como no O Exorcista, sabe como é? méugninousoânuE. Pois é. Bem assim. O peito fica pressionado, o ar demora a entrar e mais ainda a sair. Suspiro 367 vezes por hora, na tentativa de destensionar o tórax. Nada. Um cachorro me devora as tripas e não me deixa dormir, raspando as patas em minhas costelas e dentro da cabeça uma sinfonia de metais, de oficina, não sinfônicos, teima em executar Britten. As mãos ficam trêmulas e os pés molhados e frios. Sou pura ânsia, por vir, represa, contenção. Um abcesso quente e avermelhado de vida, que não vem a furo, apenas dói.
Não discuto, você discute?
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Anita
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22.3.03
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A Marina agora tem um icq. Ha. Grande erro, eu sabia que ia me arrepender. Eu tô aqui tentando ler uns blogs e vem o uh-oh:
- oi.
- tchau, Marina.
- naum
- onde vc aprendeu a escrever naum em vez de não?
- naum sei.
E ela não pára mais de me mandar mensagens.
- Marina, vc vai apanhar por icq.
E se eu não respondo ela levanta da cadeira e vem falar comigo. hahahah Ô vida besta.
um Céu azul lindo demais na ilha de Rinos - parte II
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Ratapulgo
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22.3.03
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Tudo vale a pena
será? Foi o que comecei a pensar ontem, quando cheguei em casa, exausta, e decidi empilhar uma montanha de livros na sala, para ter o prazer de ver aquele amontoado de teorias em outra dimensão. Tirar os livros da estante me fez ver ter vontade de esvaziar mais a mais a minha casa, numa pretenciosa intenção de fazer tudo combinar com minha nova condição: vazia.
É estranho pensar que passei tanto tempo tendo que pensar em alguém e de uma hora para outra todos esses pensamentos estão suspensos, literalmente no ar. Não sei o que fazer. Poderia simplesmente substituir esses pensamentos, transferi-los para outra coisa, outra pessoa. Mas não sei se estou totalmente disposta a fazer isso. Acho arriscado demais. E daí vêm as dúvidas, o medo...
Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro... (Clarice Lispector)
um barulho surdo
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Ratapulgo
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22.3.03
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O gênio é raro. E para cada mulher de gênio, há uns dez homens de gênio.
(...)
O gênio é raro demais, quase uma aberração.
E uma benção.
Contra a Ilusão
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Ratapulgo
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22.3.03
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21.3.03
Nova Máquina
Há tempos nosso computador vem dando problemas. Cheio de conflitos, pouco espaço em disco, entre outros distúrbios. Ontem resolvemos dar uma passada na PC World, para talvez comprar um outro disco rígido, ou talvez comprar um outro CPU completo ou ainda comprar a versão original do Windows XP.
Voltamos para casa com uma linda sanduicheira elétrica! :o)
A Vida Escrita à Mão
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Anita
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21.3.03
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Noite de sexta-feira é cruel para mim: é quando o meu [resto de] ser, fustigado pela correria e pelo estresse da semana inteira, abre concordata. Ontem eu tava um caco, destruído. Cheguei em casa e, depois de muito me consumir tentando escolher entre quatro opções de programas (sem forças sequer para comer, imagine), tomei um banho de energização e me taquei pro aniversário de uma amiga. Lugar meio hype, 25 pilas de entrada, Ragatanga no som, ai. Mas reencontrei muita gente querida, e a festa era naquele esquema open bar: castanhas diversas no balcão, bebidas à vontade. Com o corpo tão moído (o cérebro, coitado, já nem funcionava havia horas), a solução foi a anestesia à base de álcool - a caipirinha, forte e doce demais no começo, transformou-se em poção mágica na sexta dose. Depois da décima, então, eu parecia o Jackie Chan dançando break! Quando acabou a caipirinha (acabei, talvez?), veio a vodka com suco de pêssego, acho. Aí cagou tudo.
Agora estou eu no escritório, tentando me convencer de que não tem um ogro roxo tamborilando os dedos na mesa ao lado, sentindo o mundo todo meio fofinho, ouvindo ecos dolby digital quando alguém fala e rezando para não morrer com esse gosto imprestável de cachaça no fundo da goela.
Nunca mais vou beber. (só para não perder o costume...)
Gente
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Anita
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21.3.03
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Eu, meus amigos e toda a cidade de Belo Horizonte (ao menos a população notívaga ativa) temos endereço certo para o final de noite: o restaurante Bolão. Há um da espécie em quase toda cidade grande: comdia boa, gostosa, barata, ambiente familiar e serviço de copo-sujo. Desses do tipo "se a nossa comida ou serviços não estiverem a altura de seus padrões, favor baixá-los."
Minha última e esfomeada passagem pelo local me lembrou uma piada (vida de humorista):
"- Garçon, meu prato esta úmido
- Úmido não, é sua sopa. Pode tomar."
Melhor que peixe com tomates!
Esta barra é azul. Se não for, contate-nos. Gratos
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Anita
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21.3.03
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Recebi esse texto da irmã Margaret Ormond, que é a superiora da Confederação de Irmãs Dominicanas (DSI) em Roma e de frei Enrique Sariego, secretário do CIDAL: dominicanos da América Latina.
Estou anexando a tradução que acabo de fazer do original da irmã Sherine, que muit@s de vocês tiveram a alegria de conhecer aqui ou no FSM.
Um abraço, Lília Azevedo.
"14 de março 2003
Para todas as pessoas de boa vontade através do mundo,
O Amor e a Paz do Cristo estejam com vocês.
Estamos nos dirigindo ao Presidente Bush e a todo o povo norte-americano como seres humanos, e não como um presidente dos Estados Unidos. Presumimos que, como cristãos, vocês tenham o coração cheio de amor e compaixão. Terão piedade de nossas crianças iraquianas, nossos anciãos e anciãs, e nossa juventude que não tem nenhuma esperança de um futuro melhor e uma vida decente. Nós, irmãs e irmãos dominicanos que vivem no Iraque, estamos vivendo e partilhando com nosso povo, em seu sofrimento. Os iraquianos vêm passando por tempos difíceis há vinte e três anos, pois foram testemunhas de duas guerras desastrosas. Se o Presidente Bush iniciar outro ataque militar contra o Iraque, pensamos que será uma catástrofe. Acreditamos que vocês podem sentir o perigo que está ameaçando a população civil do Iraque. É por isso que milhões de pessoas, de diferentes países em todo o mundo estão fazendo manifestações, escrevendo cartas e tentando pressionar o Presidente Bush para que não comece um novo ataque militar.
O Presidente Bush defende os direitos dos animais. Será que nós valemos menos que os animais? Ele alega que está tentando defender os direitos humanos no Iraque. Ele está disposto a construir um novo Iraque. Tentou convencer o povo dos EUA e os povos em todo o mundo que só vai bombardear o exército e as armas no nosso país. Ele promete que não vai causar nenhum dano aos civís. Por acaso ele está jogando flores nas pessoas? Ele vai usar armas de destruição massiva, que vão causar grande dano à nossa cultura, nossa terra e história, a provocar a morte de milhares de pessoas iraquianas inocentes de todas as idades.
Como alguns e algumas de vocês que visitaram o Iraque devem saber, os acampamentos do exéricito estão localizados muito perto das casas das pessoas. Temos dois conventos: um no começo do acampamento do exército e outro no final. Será que o bombardeio vai matar os soldados, ou o povo? Estamos vivendo com um medo enorme, pânico, e extrema preocupação. Nós não estamos sofrendo apenas uma guerra militar, mas temos estado sofrendo por cause de uma situação psicológica muito difícil, desde que o Presidente Bush começou suas ameaças desumanas de iniciar nova guerra contra nosso povo. A incerteza destes momentos e os tempos difíceis que estamos atravessando nos têm feito esperar pela morte a qualquer instante. A cada dia damos graças a Deus por estarmos vivas e vivos, porque não sabemos o que o amanhã esconde para nós. O pesadelo da nova guerra está nos assombrando sempre e em todo lugar.
Deus nos deu a vida e a liberdade como seus dons preciosos. Por que é que o Presidente Bush quer tirar tudo isso e nos privar de nossa liberdade?
Vocês bem podem imaginar que até nossas crianças não agüentam mais essas ameaças e não conseguem mais suportar a tensão psicológica e o desespero. Elas perguntam: quando é que a guerra vai começar?
Vocês são enganados, e nós somos reféns dos seus meios de comunicação de massa, que são os maiores mentirosos. Nossas crianças, mulheres e as pessoas em geral estão morrendo de desnutrição e fome, devido às sanções desumanas. As sanções já causaram a morte de um milhão e meio de iraquianos, na maioria mulheres e crianças. Por que é que vocês querem acabar de vez com elas por meio de uma nova guerra?
Vamos perguntar aos jovens dos Estados Unidos, “Eles enfrentam ou esperam pela morte a cada momento? Se for assim, será que não vão explodir?”
Por que o povo americano tem o direito de viver em paz, segurança e prosperidade? Será que a vida deles tem mais valor que a vida de outros povos, por exemplo, o povo iraquiano?
Nossos estudantes universitários se despediram uns dos outros no sábado, dia 15 de março, e estão preparados para a guerra. Eles não têm disposição para estudar. Achamos que estão certos, porque estão decepcionados e para eles a esperança parece ser a coisa mais sem esperança.
Há uns dois dias, podíamos sonhar com segurança e paz, mas agora não sabemos mais o que essas palavras significam, porque a violência, o sofrimento e o medo estão nos envolvendo.
Finalmente, gueremos dizer que não estamos curados da guerra do Golfo. Como poderemos agüentar os efeitos da nova guerra, que serão ainda piores?
A guerra não é só desastrosa e destrutiva em seus efeitos diretos, mas também em seus efeitos duradouros. As pessoas inocentes não serão apenas vítimas dos bombardeios, mas serão também vítimas da água potável contaminada, do meio ambiente poluído, urânio empobrecido, suprimentos médicos inadequados e força elétrica danificada.
Pedimos a todos e todas vocês que têm um coração compassivo e amor pela humanidade, que levem o sofrimento e preocupação do povo iraquiano a todos os púlpitos, salas de aula e todo lugar onde a Palavra de Deus é pregada. Que todas as pessoas ouçam a verdade a respeito da dor do povo iraquiano. Por favor, ouçam os gritos das crianças iraquianas e redobrem seus esforços para impedir que essa nova guerra aconteça. Somente assim vocês poderão eliminar a angústia, acalmar os gritos das crianças iraquianas enquanto estão dormindo: “Eles estão aqui para nos bombardear e causar nossa morte.”
É justo estarmos passando por tudo isso? É aceitável? É crime nosso estarmos flutuando em cima de um enorme mar de ouro negro? Para quê serve, a não ser para pagar por nossa morte? Por que não conseguimos sonhar com um futuro alegre e uma vida decente?
Valorizamos muito seus esforços a nosso favor e também suas orações. O amor e as orações conseguem milagres.
Deus os abençoa a todos e todas,
suas irmãs dominicanas no Iraque."
Ora Bolas
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Ratapulgo
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21.3.03
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A solidão acena do vidro da janela, desdenhando do calor de dentro de minha casa. Me chama pra fora, quer que eu sinta o frio, que eu dê minha cara a tapa. Se aperta entre os batentes da porta, quer afugentar as visitas, interceptar as notícias. Quer que eu desista, que eu faça de conta que serei infeliz assim.
Bate no vidro e mostra que minha sala não tem móveis, que meu quarto não tem quadros, que minha escrivaninha não tem porta-retratos. Ri de minha taça vazia, da garrafa de vinho que nunca termina.
Solta beijos pelas mãos frias, abre os braços querendo colo, pede algo que não posso dar.
Mostra a porta pela qual a menina saiu, levando suas roupas, sua escova de dentes, o meu coração. Aponta para a carta na geladeira, para a assinatura firme, pela falta de emoção.
A solidão raspa os pés no tapete, sempre se preparando para entrar. Se acha a única no mundo de quem eu possa precisar, quer ser minha desde a hora em que eu acordo até o momento em que for me deitar.
Mas não consigo deixá-la entrar.
É que enquanto eu existir pra mim mesmo, enquanto eu puder me fazer compania, não preciso me desesperar. Enquanto tiver amigos na vida, sempre vai existir uma mesa em um bar.
Enquanto houver amor nessa vida, a solidão vai ter que esperar.
Batidas de Cardiotopia
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Ticcia
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21.3.03
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20.3.03
Cada vez mais eu me impressiono com os meus super-poderes. Um deles, o de atrair doidos, é infalível. Desde priscas eras que isso acontece e eu fazia vistas grossas. Negação, sabe? Mas de uns tempos pra cá isso está sendo tão significativo que não posso mais culpar o acaso. Sou um verdadeiro ímã pra loucos. E, muita calma nessa hora, estou acreditando piamente que os opostos se atraem. É claro. Rô rô rô. Ou se isso pareceu muito surreal eu digo mais: ando com uma placa, visível apenas aos olhos dos birutas, dizendo : vinde a mim as criancinhas. Só pode ser isso, puts.
O segundo é o poder da transformação que, é claro, só funciona com os tantãs. Estas pobre criaturas vêem na minha pessoa a figura, nada mais, nada menos, de Gisele Bündchen. Extonteante, fenomenal, perfeita. Uma pessoa que chama atenção até debaixo d´água. Alguém que não vai na esquina sem receber 74 propostas de casamento. No maior estilo O Amor é Cego. Sim, eu sou O poder. Você não vê isso? Não?! Então viva, você é normal!!!
Sim, esse post foi pra dizer que o namorilho está subindo no telhado porque eu cansei de psicóticos e doentes de ciúmes.
Sorriso Lexotan
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Anita
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20.3.03
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LA CONCHA DE TU MADRE
Não tenho nada contra os Argentinos, muito menos contra as Argentinas. Inclusive já abriguei na Paróquia Maldita algumas belas chicas às quais ensinei dois ou cinco capítulos do "Cântico dos Cânticos". Mas é difícil, principalmente para os que vivem em cima de Santa Catarina(1), compreender a antipatia dos nossos irmãozinhos do Sul para com os habitantes do Além-Prata.
Cena Um: Garopaba, SC. No camping à beira-mar, bebo chimarrão com uma família Argentina. Todos muito cultos, bem-falantes, discorrendo sobre Quevedo, Casares e vinhos tintos. Eu estava de olho na filha do Patriarca, uma morena esguia que me deixava, ahn, tenso com aquele sotaque. Isso apenas considerando a parte fonética. Sei que estávamos naquele agradável sarau quando, BEM NA FRENTE do camping estacionou um ônibus cheio de farofeiros vindos sei lá de onde. Todo mundo estava bêbado e fizeram uma sujeira tremenda na praia. O Patriarca se virou para mim e perguntou: são brasileiros ou são porcos? Num daqueles atos falhos, impensadamente respondi: pelo menos estão em seu próprio chiqueiro. Desnecessário dizer que depois disso o clima ficou um pouco agridoce, mais para "agri". E não comi a argentina! Carajo!
Cena Dois: Novamente Santa Catarina. Canasvieiras. Fim de Outubro, um pouco antes da temporada. Restaurante quase dentro do mar - e vazio. Camarão frito, um bom vinho branco gelado e uma conversa tranqüila, cheia de silêncios confortáveis, com a Noviça Edelweiss(2). Discutíamos preguiçosamente sobre a possibilidade da Salvação através do Intelecto, hipótese que sempre me pareceu um tanto jactanciosa. Numa das muitas pausas daquele falso debate, eis que estacionam DOIS ÔNIBUS DE EXCURSÃO CHEIOS DE ADOLESCENTES ARGENTINOS. Quando a porta de um deles se abriu, saltou um rapaz enrolado na bandeira da Argentina soprando uma corneta. Imediatamente o restaurante ficou LOTADO com uma cambada de criaturas extremamente barulhentas, que começaram a bater com os talheres nos pratos, exigindo comida. Chamei o garçom e pedi a conta imediatamente, antes que invocasse o Anjo Exterminador.
Cena Três: Recebi esses dias a visita do Padre Geraldo, que durante muito tempo pastoreou as Ovelhinhas lá no Rio Grande do Sul. Saímos para beber uma cachaça curtida com cana-de-açúcar no Bar do Teimoso e comer uns torresmos. Ele me contou que havia um colega nosso, Padre Irineu, responsável por uma paróquia nas Missões(3), que detestava os argentinos e sempre dava um jeito de malhar os "hermanos" nos seus sermões. Como exemplo, ele me falou que em uma de suas Pregações, o Irineu começou assim: agora vou falar da história de uma Correntina(4) safada chamada Maria Madalena. Realmente o sujeito não gostava dos Castelhanos. Pois o problema é que, sendo uma região fronteiriça, muita gente tinha pai, mãe, tio ou algum parente que era argentino, e se sentia indiretamente ofendida. Aí as reclamações foram parar no ouvido do Delegado, que mandou chamar o Padre. Aí ele disse: Padre, com todo o respeito a sua Autoridade Religiosa, o senhor não pode mais continuar falando mal dos argentinos na missa. Tem um monte de gente me aporrinhando por causa disso. Se o senhor não parar com essa mania, vou ser obrigado a lhe prender.
Bem, chegou o Domingo e o Padre Irineu subiu no púlpito para levar a Luz e a Verdade aos seus paroquianos. Ele espremeu os olhos e percebeu, lá no fundo, o Delegado, que havia excepcionalmente comparecido à missa para verificar se o Padre iria se comportar. Irineu respirou fundo e mandou ver:
- Hoje eu vou contar para vocês a história da Santa Ceia. Jesus reuniu os Apóstolos para jantar e disse pra eles que iria ser traído por um deles. Aí João perguntou: Senhor, acaso serei eu? Jesus disse: não, João, não vai ser você. Então Pedro perguntou: Senhor, acaso serei eu? E o Filho do Homem acalmou-o, dizendo: Pedro, não serás tu. Judas, então, se levantou e perguntou: Señor, ¿acaso seré yo?
NUETAS DE RODAPIÉ
(1) No sentido geográfico, seus pervertidos!
(2) Edelweiss é uma espécie de flor. No caso dela, era uma flor de fogo.
(3) Noroeste do RS, perto da fronteira com a Argentina.
(4) Natural de Corrientes.
Evangelho do Padre Levedo
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Anita
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20.3.03
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Cinzento Essa semana tive duas notícias muito tristes: um querido amigo está com câncer no pulmão. Uma amiga de faculdade, que morava em Florença, se jogou na frente de um trem.
E a gente continua se chateando por que o tempo está nublado, porque manchou um vestido, perdeu a hora do cinema. Quando a vida, na verdade, é outra coisa.
a vida segundo BloWg
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Ticcia
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20.3.03
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Não tem nada mais justo do que ser verdadeiro com as pessoas. Isso pode gerar problemas, às vezes, mas foda-se. Eu acho que é muito melhor a gente mostrar nossa índole e nossas vontades, mesmo que isso seja ultrajante, do que ficar mostrando uma cara que não é sua.
Digo que a verdade pode doer porque as pessoas nem sempre estão preparadas pra ouvir certas coisas. Eu procuro saber tudo sobre mim mesmo, pra não ter que me surpreender com uma verdade que talvez seja jogada na minha cara em momentos apropriados. Eu prefiro dizer “eu já sabia que eu era assim” do que ter que engolir aquilo e ter que admitir sozinho em casa quando tiver com a cabeça no travesseiro.
É difícil você achar alguém que seja como você. Alguém que realmente te diga toda a verdade sobre si. Alguém seguro, que não tenha medo de ser repreendido, e alguém que saiba respeitar suas vontades e defeitos. A segurança é uma virtude que eu admiro. Conheço pessoas inseguras que precisam de um certo tratamento pra poder deixar as coisas fluírem. Eu geralmente faço isso com meus amigos. Quando eu percebo que estão inseguros com alguma coisa, eu trato logo de fazer algo pra acabar com isso. Não gosto de ver ninguém em cima do muro por alguma coisa. E as coisas sempre melhoram depois disso. Sabe como? Eu não os sento numa cadeira e falo que nem mãe querendo convencer o filho de que o mundo é da forma que ela acha que é. Eu simplesmente me mostro seguro o bastante pra pessoa se sentir segura comigo. Depois é só deixar as coisas andarem com suas próprias pernas e correr pro abraço.
Meu relacionamento com esse anjo é baseado nesse princípio. Se eu não pudesse dizer pra ela que eu gosto de apanhar, não valeria a pena. E se ela não me batesse também não. Ela pode ser o que ela quiser comigo e eu com ela. Sem angustias, sem pressões, sem alergias sentimentais. Não estou falando de putaria. Estou falando de mim. Daquele cara que estava escondido dentro de mim há algum tempo e que agora eu posso dividir com alguém que está disposta a dividir o eu-interior dela também. Antes disso tudo foi só preparação. Não estou profetizando sobre as coisas. É que eu estou feliz assim. Não pensamos no futuro, como estávamos preocupados antes. Não pensamos a relação, como estávamos acostumados a fazer antes. Apenas sentimos o que sentimos um pelo outro e não paramos nossa vida por isso.
Eu consegui um anjo disposto a dividir suas asas comigo para que voássemos juntos.
Matéria cheia de sinceridade do Jornaleco!
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Ticcia
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20.3.03
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Perdeção de Linha: Nosso querido Jonas, futuro maior crítico musical mala do país, sex symbol da imprensa brasileira, rei de Florianópolis e dono de um sarcasmo ímpar enchendo a cara propiciando boas risadas aos amigos de internet
< NickDrake > UEU TO BEAXODO
< NickDrake > AHJEHAE
< NickDrake > EU BTO
< Liv_Forever > ?!
< Liv_Forever > tá bêbado?
< NickDrake > HAHAEUHAEUIOC
< NickDrake > AIOA
< NickDrake > EU TOEY
< Liv_Forever > haHAAhhaHahh
< NickDrake > ONDEwk/
< Liv_Forever > JONAS
< NickDrake > osjua
< Liv_Forever > vai tomar um banho!
< NickDrake > delsignau oc aps
< NickDrake > eu coaç ´psotar
< NickDrake > n o blof
< Liv_Forever > EU QUE VOU POSTAR ISSO!
< Liv_Forever > haHAAhhaHahhHah
< Liv_Forever > onde vc foi, hein?
< NickDrake > eua/?
< NickDrake > eisei ça[lah
< NickDrake > eu dptp malç
< Liv_Forever > eu to vendo
< Liv_Forever > o que vc tava fazendo?
< NickDrake > eisel alah
< NickDrake > bebvendo
< NickDrake > eu daoto begado
< Liv_Forever > não
< NickDrake > yer blaues!"!
< NickDrake > yer blaues!"!
< Liv_Forever > eu que tô!
< NickDrake > yer blaues!"!
< NickDrake > yer blaues!"!
< Liv_Forever > haHAAhha
< NickDrake > eeeeema!
< NickDrake > yer blaues!"!
< NickDrake > klkuuuuiiiiv
< NickDrake > çoçi
< NickDrake > kliuiiiiv
< NickDrake > livvv
< Liv_Forever > diga, jonas!
< NickDrake > eu ate amo
< NickDrake > eu ate amo
< NickDrake > lduiondona!
< Liv_Forever > dá um oi pra galera do ...GO TO HEAVEN!!!
< NickDrake > eu ta amo!
< NickDrake > eu ta amo!
< NickDrake > eeeeee
< Liv_Forever > SORRIA!
< Liv_Forever > VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO!
< Liv_Forever > hahahaha
< NickDrake > akll doogf childe ago to revem
< NickDrake > aeee
< NickDrake > aemi
< NickDrake > lvi forev aer
< NickDrake > eua ta amyu
< NickDrake > eua ta amyu
< Liv_Forever > hahahahahaha
< Liv_Forever > ó o papo de bêbado
< NickDrake > LIC!
< NickDrake > OPA
< NickDrake > LIV!:
< NickDrake > QUAER CASARS COMAFIGO?
< NickDrake > SÁEEIRO!
< NickDrake > S´SAERIO!
< NickDrake > S´SAERIO!
< NickDrake > CASAGA!
< NickDrake > EU ATMO BVOCE!
< Liv_Forever > hahahaha
< Liv_Forever > jonas
< Liv_Forever > faz o seguinte
< Liv_Forever > se cura desse porre
< Liv_Forever > fica sóbrio
< NickDrake > AHNMD?
< Liv_Forever > aí vc pede de novo
< Liv_Forever > que eu ACEITO! :P
< NickDrake > DOK!
< NickDrake > DOK!
< NickDrake > DOK!
< NickDrake > AEEEW!
< Liv_Forever > mas só qdo vc tiver sóbrio, viu?
< Liv_Forever > < /psicologia infantil >
sure, true perfection has to be imperfect...
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Ratapulgo
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20.3.03
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Tenho uma amiga, a Stéfanie e digo: ELA É LOUCA.
Ela me ligou as 5 da tarde, agorinha mesmo. Me acordou do meu sono de beleza para perguntar uma coisinha insignificante de física e porque nós só falamos besteiras o papo acabou aqui:
Sté: eu quero um ratinho
Lí: ah eu também, um rato e um peixe
Sté: aaa mas você também quer tudo hein? Um sapo, um rato, um peixe.. vou te dar uma formiga.
Lí: ah que beleza.. adestrada?
Sté. é. todas as formigas que eu pego pra criar morrem.
Lí: é que você não dá aguinha e nem comidinha.
Sté: do sim! sabe o que eu descobri?
Lí: o que?
Sté: que elas morrem porque não conseguem viver sozinhas.
Lí: olha que interessante.. ... é verdade! se você coloca o dedo no meio dessas careatas de formigas as que ficam atrás vão ficar desnorteadas porque elas seguem as outras da frente.
Sté: mas que divertido.
Sim, a Stéfanie cria formigas, besouros, joaninhas e qualquer animal vivo que se pode colocar um um pote.
furando o Abscesso.. turning into something you are not
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Ratapulgo
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20.3.03
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Ontem eu encontrei uma mulher no lixo. Levei ela pra casa, dei um banho e comecei a jogar conversa fora com a princesa. Fiz um arroz à grega bem malandro e selecionei tópicos na enciclopédia Barsa para discutirmos. Fiquei impressionado com a cultura daquela fêmea lasciva. Trocávamos olhares provocantes, a noite era nossa. Ela me mordia com os olhos e assoprava, com a boca cheia de ervilha. Ela passava seu pé pela minha perna mecânica com sofreguidão enquanto saboreava um nabo cru com volúpia e maestria.
No meio da conversa ela babou copiosamente enquanto falava sobre os discos do Renato & Seus Blues Caps. "Acho os discos dele chocantes."
Eu engasguei com a comida e disse:
— O quê?
E ela repetiu a frase. Me levantei, pensando como alguém podia usar a palavra chocante dez anos depois de ela ter sido morta e enterrada. Agora vai aquela besta depredar o túmulo. Pra quê, senhor do penhasco? Pra quê?
Ela me perguntou aonde eu ia. Disse que tinha que tomar uma ducha fria. Entrei embaixo do chuveiro, enchi a banheira, passei creme de barbear nas sobrancelhas, mas minha cabeça não pensava em outra coisa. "E no plural, ainda".
Saí do banho e a expulsei de casa. Ela tentou fazer beiço pra chorar, mas eu fui mais rápido. Peguei o extintor e espirrei pó branco nela. Ela ainda tinha uma casca de tomate grudada no nariz mesmo.
na lixeira do Clube da Comédia
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Ratapulgo
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20.3.03
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A vida é uma merda.
Sim, estou num dia desses... na verdade, fui levada a um dia desses. Se eu tivesse 3 desejos um deles com certeza seria fazer com que uma pessoa sumisse da face da terra. Sim, iria desintegrar uma pessoa. E, para aqueles que pensam que sou nobre e desentegraria um dos dois idiotas que pretendem fuder o mundo todo eu digo: nobre o caralho!
Não sou nobre, não faço questão de ser nobre e, se eu fosse mais egoísta mataria o mundo de asfixia por que não iria querer dividir o ar que eu respiro.
Odeio o mundo inteiro. O mundo é uma merda, a vida é uma merda e hoje, estou mais Rods do que nunca! Ou seja, espero que explodam tudo de uma vez para que eu tenha maiores preocupações na minha vida do que ficar imaginando formas de acabar com a vida alheia.
Vocês já desejaram do fundo do coração de vocês que alguém simplesmente não existisse? Assim, não é que você quer o mal daquela pessoa... você só quer que ela não exista para você. Ela até pode ir existir em outra região do mundo desde que fosse estupidamente distante de você. Que mal há em querer isso?
Tá vendo, já me perdi... me perdi da raiva que eu estou sentindo por não poder fazer nada de forma concreta... O máximo que eu posso fazer, se eu quiser é apelar para o bom-senso alheio e pedir para que desapareçam da minha frente... um lixo né... não vou pedir porra nenhuma... não vou me sujeitar a isso... mas, vou me sujeitar a aguentar a presença? É uma merda né... entre a cruz e a espada...
Vocês já detestaram tanto uma pessoa que você já passou do ponto onde ofendê-la te dá prazer e você simplesmente sabe, com cada célula do seu ser que você só não quer vê-la na sua frente? O que fazer quando você sabe que, ao menos que você peça e, mesmo assim talvez você não seja atendido, você será obrigado a vê-la?
Odeio a tudo e a todos e espero que todos que estejam lendo está merda vão à pqp.
Sim, estou usando a minha máxima. Se você não está de bom-humor não dê bom-dia. Pelo menos assim é mais honesto.
Odeio, odeio, odeio e odeio.
oooooooops!, tchibum!
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Ratapulgo
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20.3.03
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19.3.03
Outro casamento. Mas nesse eu queria ter uma câmera. Estudo antropológico ali na minha frente, a mãe da noiva era uma espécie de Dercy Gonçalves que foi muito à igreja, havia sanduíches de carne louca e tocava Twisted Sisters a sério no salão. O mundo não é mesmo um lugar habitável. A família Mole saiu da festa nervosa e fugida, nos refugiamos no restaurante próximo e rezamos para que ninguém conhecido entrasse e nos descobrisse, enquanto comíamos toneladas de rosbife com salada de batata.
O sábado passou e quando eu dei por mim já eram quatro horas da tarde do domingo. E viva o Corinthians.
slowlife
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Anita
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19.3.03
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Por falar em cachorros vira-latas, uma observação feita pelo próprio Alessandro: já repararam que os cães vadios, sempre que estão indo para algum lugar, vão com a determinação de um executivo prestes a fechar um negócio de bilhões? É como se estivessem, sei lá, com dor de dente, correndo para o dentista mais próximo. Não te olham na cara, nem reparam nos semáforos. Concentram-se apenas no caminho mais curto e rápido que o levara daqui a ali.
O Polzonoff
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Anita
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19.3.03
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Não sei se é normal, mas eu gosto de uns detalhes, nas mulheres, dos quais eu não vejo outros homens falando.
Não sei se porque o que eu procuro numa mulher é diferente daquilo que a maioria procura (peitos, bunda, coxas, curvas...) ou se é porque os caras só costumam falar mesmo dos atributos supracitados.
De todo modo, eu gosto do que já falei, mas também procuro outras coisas.
Por exemplo, adoro mulheres com pintinhas.
Muitas. Pelas costas, colo, seios, barriga, coxas, braços, pescoço...
Posso passar horas procurando todas. Catalogando cada uma na memória. Não tenho a menor pressa com esse tipo de coisa.
E gosto de ver mulheres prendendo o cabelo.
O jeito como uma mulher mexe no próprio cabelo fala um bocado a respeito dela. Não sei explicar o que é, mas dá pra saber como ela gosta que você mexa nela só olhando como ela mesma mexe no próprio cabelo. Mulheres que são negligentes com seus cabelos não me agradam em nada.
Gosto de vê-las mexendo nas unhas.
Mesmo quando estão tirando o esmalte com as outras unhas, ou até com os dentes. Quando ficam tentando arrancar pontinhas dos dedos e cutículas com a boca.
Gosto de vê-las comendo. Limpando a boca. Olhando pros lados pra se certificar de que ninguém viu quando pegaram a batata com a mão. Os sorrisos que dão de boca cheia quando percebem que estão sendo observadas.
Gosto de vê-las olhando o relógio, com ar preocupado, como se tivessem pressa pra fazer alguma coisa, mesmo quando não têm nada a fazer. Ou o jeito folgado com que ficam jogadas de lado vendo televisão, sem dar atenção a mais nada. Nem à própria TV.
Gosto de vê-las acordando. Fazendo muxoxos e resmungando enquanto vão pro banheiro. O jeito que reclamam que estão descabeladas e feias.
Gosto do cheiro delas. E da textura da pele delas. E do jeito como elas piscam e movem as mãos. É diferente do jeito como os homens piscam e mexem as mãos. Mesmo quando elas dão dedo.
Gosto de mulheres. Não só de vaginas.
Gosto do conjunto. Da coisa toda. Das vozes e dos trejeitos e dos olhares.
Mulher, na concepção plena da palavra.
Não existe nada melhor no mundo. Pelo menos não nesse mundo.
Utopia Dilucular (In Memorian?)
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Anita
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19.3.03
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"Não". "Não" é uma boa palavra. Só perde pro "sim", e ainda assim, não é em todos os momentos. É palavra coringa também, compõe frases positivas, interrogativas, e pode ser forte ou fraca. O que nunca deixa de ter é significado. Agora, bão mesmo é "talvez", certas vezes substituido por "quem sabe". Não existe nada, nada melhor do que um talvez bem aplicado. Porque instiga, deixa no ar e, sobretudo, não te deixa numa sinuca de bico, caso o não vire sim ou o sim vire não. Quer dizer, muitas vezes o sim é não e o não é sim, lógico, mas talvez você possa se perguntar isso enquanto deixa a situação suspensa no ar com um talvez, em resposta ao um sim nãozento ou um não simzador. No final das contas talvez talvez seja a melhor vávula de escape para pessoas ponderadas e/ou indecisas como eu, não é?
pode ser O Descrente
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Ratapulgo
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19.3.03
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eu não tenho patotas
não tenho quem me banque
não sou Fernando Pessoa
não tenho Florbela que me espanque
não vim ao mundo à toa
eu procuro outras rotas.
dO Homem do Castelo Alto
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Ratapulgo
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19.3.03
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Zona de Guerra
Esses dias eu vi uma conversa mais ou menos assim no pátio do meu condomínio entre duas crianças com armas de plásticos em punho:
- Eu sou o Bush.
- Não, sou eu. Você é o Saddam.
- O Saddam é você!
- Não, então eu sou o Rosana Bin Lamem (?!?)
- Ah não, o Rosana eu quero ser.
- Mas você queria ser o Bush. O Rosana sou eu.
- Você é o Bush, e eu vou explodir você!
- Vem, vem.
zazoeira mata um
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Ratapulgo
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19.3.03
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Olha só: estamos na terça-feira! Hoje, diferente de ontem, o sol faz uma festa pra esse boboca aqui. Como é dia de rodízio, saí bem mais cedo de casa.
Dirigir com menos carros na rua, makes me wonder, como sugere Plant. Hoje o dia tem todas as armas pra me provocar: textos atrasados, comerciais fora do prazo, telefonemas perobas e uma inevitável sessão bancária. Quer dizer: muito parecido com o dia de ontem. Talvez a única diferença seja que o Grande Arquiteto não deu a guerra de presente para aquele imbecil.Enfim.
Antes de chegar ao escritório do RA, parei pra padariar. Há menos de um mês por aqui, ainda não elegi minha padaria favorita.Visitei todas e nenhuma ainda ganhou o AFP (alvará de funcionamento Pato). Essa que escolhi hoje me recebe pela segunda vez.Hum.Hoje foi diferente.Parecia que ela estava me esperando. Esse solzinho de terça-feira tem efeitos alucinógenos. Sei lá. Deu barato quando entrei. Entrei pensando nas coisas chatas de meu dia e que não tinha nada de interessante pra postar. E isso me preocupou, porque de alguma maneira fiz ligação com a veia criativa que teria que aparecer nos textos que teria que redigir para o ganha pão. Pão. Pedi um pãozinho e um expresso. E bem no meu nariz, colado no vidro, um recorte de jornal que o dono da padoca deixou ali orgulhosamente. Era um texto do Ignácio de Loyola Brandão. Tem gente que acha ele brega, lugar comum. Eu não, pra mim é como um amigo antigo.
Quando meu pão chegou eu já tinha embarcado na conversa mole do Ignácio: "Sábado, 7 da manhã, caminho devagar pela rua deserta. Da minha casa à CPL, a padaria da esquina, são menos de cem metros. Um sol tímido."
Bom, aquilo ali deixou minha terça-feira mais singular ainda.
"...Nessa hora do sábado ainda não há fila, na padaria. O pão caseirinho, especialidade da casa, está saindo do forno. Quase posso ver o vapor subir da cesta..."
A padaria do Ignácio, era a mesma padaria que eu estava e eu comia o mesmo pãozinho que ele comeria mais `a frente, na cronica. Essa bobagem me aqueceu, me acordou e me lembrou que o Grande Arquiteto constantemente manda sinais pra gente; uns mais claros, outros mais subjetivos. Mas manda. Na mesma crônica, Loyola fala do Dusek, um outro cara meio mal entendido pelas pessoas e que eu amo de paixão. Amo porque Dusek parece uma máquininha de criar, escrever , tocar e do bom humor.
E o Ignácio fecha a crônica dele de maneira acadêmica, lugar comum mas maravilhosa. Pra usar as palavras dele, uma grande paz bateu na anta aqui. Lembrei o que a minha pata me disse na noite anterior pra me acalmar e sorri. Acabei o pãozinho, bebi o último golinho do café e paguei a conta da minha nova padaria favorita, a CPL. E saí mais feliz acreditando que esta terça-feira esconde muito mais que um solzinho quente de fim de verão.
saindo quentinho do Patos e Fotos - Radio Blah
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Ratapulgo
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19.3.03
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18.3.03
Reflexão das dez horas...
Passar o dia pensando no que vai escrever durante a noite. Qual será o assunto em questão? Como abordá-lo? Que conclusão terá? Há vezes em que me sento em um lugar qualquer procurando descobrir o que vou escrever mais tarde. Essas são o que chamo de "as horas absurdas". Um mundo como este é prodigioso de interesse e matéria diversa! Mas e nossas vidas? Não haverá matéria suficiente que possa interessar? O que ainda é possível descobrir de novo sobre o mundo e sobre nós mesmos? O artista sai de seu pequenino albergue chamado vida particular e vai investigar o mundo a sua volta de forma desinteressada apenas para retornar avidamente para o ser. Ele está preso a condição especular que o faz se debruçar sobre si para si mesmo. Como escrevera Descartes, trata-se de pensamento que se pensa a si mesmo e para si próprio. O grande tema para todo e qualquer artista é a curiosidade para consigo e num âmbito mais específico, para com as relações que estabelece com o universo: o que já teve o poder de o comover? o que continua lhe comovendo? o que o comoverá ainda? Tudo o que o artista revela são circularidades que escapam e retornam para a sua própria natureza. O fato de maior interesse para nós é que aquilo que retorna já é transformação. Então o artista senta-se num canto qualquer, durante as suas horas mais absurdas, e cata de grão-em-grão os assuntos que possam vir a resgatar a sua própria vida. Ele descobre um novo matiz no colorido da íris da pessoa amada, ele desvenda o mistério dos sons harmônicos, ele aprende a se equilibrar sobre as ondas do mar, ele se espanta com a suavidade das próprias mãos. O artista, por fim, reinventa os assuntos, recria o sentido das coisas, faz novos bricolages com as metáforas. É um ser que se reinventa para caber melhor no mundo.
Uma das grandes divagações do Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo
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Ticcia
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18.3.03
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Já é o quarto erro consecutivo do blogger. O quarto. Consecutivo.
A cada problema que eu resolvo, eles me agraciam com mais um. Eu driblo algum empecilho e recebo outro horas depois.
Primeiro foi o esquema dos caracteres acentuados não serem lidos pelo blogger. Era só ir em Codificação e voltar o texto pra Europeu Ocidental.
Depois eu não conseguia mexer no template. Ele simplesmente não publicava mudanças. E quando eu clicava em Publish, após escrever um texto, ele ficava um tempão lendo a página pra depois dar uma mensagem de erro sem nenhuma especificação. Eu precisava publicar umas 4 ou 5 vezes pro texto ir mesmo pra página. Certo. Foi só ir na área de edição de templates, escolher um dos modelos do blogger, publicar e pronto. Voltou a funcionar direito. Aí foi só colar o código-fonte do layout padrão do utopia por cima e continuar a vida. Mas até descobrir isso levei umas boas duas semanas...
Depois foi com os cookies. Meu IE não salvava os cookies do blogger e meu login expirava a cada 3 minutos. Um porre. Mas esse se resolveu sozinho.
E agora é o erro 203. Que eu não sei de onde vem, ou qual sua solução. E não me venham com links pra soluções pro erro 203. Não estou disposto a consertá-lo.
Porque deu no saco.
DEU NO SACO! CANSOU!
FODA-SE! FODA-SE O ERRO 203!
Se eu acordar hoje e essa MERDA continuar assim, ADEUS pra essa PORRA de blog, ADEUS pra essa MERDA de "blogosfera", ADEUS pra essa conversa de escrever pra uma CORJA DE HIENAS.
E QUALQUER BABACA QUE FIZER COMENTÁRIOS FALANDO MERDA NESSE POST VAI ESTAR COMPRANDO BARULHO BRABO COMIGO!
Conselho de amigo: não comentem esse post. Calem a boca e vão escrever seus pensamentos em outros textos.
Isso aqui não é um debate nem uma pergunta de "o que vocês acham?". É uma decisão final e irrevogável.
Calem-se. Aprendam a ficar em silêncio.
E esperem pelo pior - ou pelo melhor, no caso daqueles que por algum motivo querem se ver livres do Utopia.
(...)
Chega de Utopia.
como diria o confeitero-mor: o sonho acabou, De volta à realidade.
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Ratapulgo
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18.3.03
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Enquanto isso, no divã...
- Como estamos hoje?
- Não muito bem, doutor. Ando sob muita tensão...
- Problemas no trabalho?
- Pois é... muita pressão. Sabe como é: cargo de chefia, muita responsabilidade...
- Interessante. Fale-me mais sobre seu trabalho.
- Bom, doutor... meu trabalho é muito importante, pelo menos prá mim. É um cargo alto e quem decide tudo sou eu. Muita gente queria o meu cargo, mas não é o que eu queria da minha vida.
- Desenvolva.
- Bem... meu pai tinha o mesmo trabalho que eu... rolou uma pressão da famíia. Sabe como é, doutor... criação de interior. Meu pai queria que eu fosse como ele, que trabalhasse onde ele trabalhou e como ele trabalhou. Ele queria que eu seguisse seus passos.
- E o que você queria? Quais seus sonhos, suas ambições, seus desejos?
- Bom... na verdade eu queria... ah, eu não posso contar.
- Tudo que for dito não vai sair desta sala.
- Bem, quando eu era jovem, tinha que fazer esportes, ser bom com as moças... mas eu gostava mesmo de me vestir de dançarina de dança do ventre.
- Interessante, prossiga. Você sentia prazer com isso?
- Muito, doutor. Eu me trancava no quarto e me vestia e dançava na frente do espelho. Então eu me deitava e me masturbava pensando em algum sultão ou um vizir, que vinha e me possuia, me fazia mulher.
- Desenvolva.
- Mas um dia meu pai descobriu e me deu uma surra. Continuei fazendo escondido, mas ele descobria e me batia. Então eu parei, por que ele ia acabar me matando! Então eu comecei a beber e me sentir sujo, e comecei a achar que a culpa não era minha, era dos sultões e seus turbantes, que entravam em minhas fantasias prá me sodomizar e me deixar como uma vadia arrependida. Então tomei ódio de árabes. Olhava prá eles e sentia repulsa, vontade de reduzi-los a subnitrato de pó de merda. E meu pai também enojou-se deles, por imaginar seu filho sendo putinha de um árabe. E eu, por decepcionar meus pais. Então resolvi fazer o que ele pedia e segui seus passos. Bom, acho que foi isso.
- Bem, nosso tempo acabou. Vejo o senhor na semana que vem, sr. Bush?
- Não dá, por causa do trabalho. Semana que vem vai ser uma tremenda batalha, doutor.
Analisado no Alea Jacta Est
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Anita
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18.3.03
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o rapto da menina dourada
um dia - e neste dia eu devia ter uns 5 anos, estava na sala de aula do jardim de infância ou coisa assim, e tinha uma professora substituindo a tia rosane ou coisa assim -, um homem abriu a porta da sala e botou a cara dele na fresta, chamando a professora. aí a professora, que falou um minuto e talvez uns segundos com ele, me chamou: ana paula, arruma tuas coisas que vieram te buscar. achei estranho. minha tia (que dava aula na mesma escola) viria me buscar. senão, meu pai ou minha mãe. e eles jamais iriam me buscar no meio da aula.
quando saí da sala olhei pro lado e vi um cara que nunca tinha visto mais gordo. pensei: "me danei! é agora que vão me roubar!". ele me disse, então, que meu pai tinha pedido que ele fosse me buscar. "tá pensando que eu sou o que? tu não é nem o tio maneca, nem o tio miguel e nenhum dos colegas de trabalho do pai! e de mais a mais, não é meu pai que me busca, portanto não mandaria nenhum colega fazer isso.", eu pensei. meu coração estava descendo e subindo pela minha garganta, e a professora dizia: "vai com ele, ele me disse que era amigo do teu pai!". sempre fui muito desconfiada e nunca esqueci do que minha mãe dizia sobre não aceitar nada de desconhecidos. não ia ser agora, né? "vem cá, como é que tu sabe que ele é amigo do meu pai? por acaso ele te deu alguma prova?", pensei. mas eu só disse que não ia porque não conhecia ele e que meu pai e minha mãe tinham me dito que nunca fosse com quem não conhecesse.
mas ela insistia, a cretina! até hoje eu fico pensando em que tipo de professora era aquela, afinal? e eu não ia, de jeito e maneira. até que, e dessa parte não me lembro com muitos detalhes, alguém disse quem era meu pai. não sei se eu falei que o nome dele era paulo ou se o cara falou o nome do cara que seria meu pai. só sei que eu disse algo como "viu, não é o meu pai!".
o cara deve ter achado a ana paula dele bem mais tarde, já que esse nome não era comum na minha série e nem nas primeiras séries. e acabou aí minha aventura. eu fiquei com isso entalado e nem cheguei a contar pra mãe. fiquei furiosa de pensar que, não fosse eu ser um monstrinho cheio de desconfianças com 5 anos de idade, eu poderia ter ido com o cara e o pai dessa ana paula perceber que a filha dele não era bem aquela, e eu, no caminho, perceber que o cara nem ia pra minha casa e nem ia pro trabalho do pai. mais furiosa ainda eu fiquei com a professora. eu estava sendo educada por uma pessoa que nem sabia os princípios básicos de segurança, que ia me largar com qualquer um por aí. que que é isso? mas eu era mais esperta e acabei mostrando pra ela que com uma ana paula de 5 anos não se discute. tá pensando o que?
Cenas de infâncias no OCinematógrapho
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Ticcia
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18.3.03
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[rodízio novo, vida nova]
Ôpa. Cirurgia, aqui vou eu!
Então escolho o estágio onde supostamente vou me meter em menos cirurgias, porque não gosto da coisa, queria me envolver menos nelas e ter mais tempo livre, e não vejo nenhuma falha grave em admitir isso, já que não quero ser cirurgiã.
Primeiro dia, vamos às apresentações. Eu e mais três coleguinhas do coração com o Dr. Preceptor numa salinha minúscula.
- Algum de vocês quer fazer cirurgia no futuro?
Todos nós balançamos a cabeça negativamente.
Pra mim:
- E por que você escolheu vir pra cá?
- Eu?
- Sim?
- Por que escolhi vir pra cá?
- Sim, doutora.
- Honestamente?
- Por favor.
- Ah. Bem. Escolhi vir pra cá porque aqui a coisa é mais leve, a gente entra em menos cirurgias e...
- Erro fatal, doutora. É aí que vocês se enganam. A doutora vai fazer o que depois que se formar?
- Psiquiatria.
- Pois a doutora Psiquiatra vai meter a mão na massa, e vai ser comigo.
- Tamos aí, não vai ter tempo ruim.
- Então pronto.
Mifudi.
[minoria de dois]
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Anita
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18.3.03
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porque no dia em que eu tiver uma filha (sou tendenciosa sim, e daí?) ela vai ter um baú de fantasias. vai ter os disquinhos que contam historinhas, vai ter a arca de noé de vinícius de moraes, muitos lápis de cera e vai poder rabiscar na parede do quarto dela sim senhor, seja antipedagógico o caramba.
ela vai sentar no meu colo e eu vou contar histórias de quando a avó dela era menina e tinha um carneirinho branco. só não vou contar que meu avô mandou matar o carneirinho pro almoço de domingo.
vou ensinar a minha menina a música do alecrim dourado, vou ler ana maria machado, ruth rocha, sylvia orthoff, monteiro lobato, vou fazer brigadeiro e comer na panela com colherinha pequena para durar mais tempo. vou dar fantoches e mamulengos e bichos de pelúcia e bonecas de pano. se encontrar as panelinhas de barro que eu brinquei quando era criança eu dou também. mas vai sempre ter uma caixa grande de papelão no quarto, para ser castelo, barco, carro, foguete, caverna, o que ela quiser.
eu não vou exigir cabelo penteado nem pé calçado. aliás, pé descalço vai ser a lei da casa. ela vai brincar com os gatos, e, se tudo correr direitinho, a gente vai morar numa casa de verdade, cheia de pitangueira. e ela vai poder sujar a blusa de manga que eu juro que não brigo.
vou ensinar as letras e os números. a catar feijão para me ajudar num almoço legal, e a plantar feijão no algodãozinho.
vou vestir minha filha de matuta todo são joão, de chapéu de trancinha e sardas pintadas no rosto.
me lembrem disso: de nunca perder a paciência nem o desejo de brincar. de saber olhar o mundo como uma coisa nova. de saber explicar o que é o arco-íris e quem é papai do céu.
mas não vou deixar acreditar em papai noel. vou fazer como meu pai me dizia, "papai noel é o pai da gente fantasiado no natal"
vou fazer pipoca, vou deixar comer porcaria, mas ela vai ter que lavar o pé, escovar os dentes e rezar antes de dormir. comigo contando historinha. ou cantando que o relógio bate e é hora de nanar.
só penso nela assim, pequenininha, sendo lygia ou laura ou janaína ou outro nome que um dia eu gostar. porque eu tenho muito amor guardado aqui, só para ela. desde a primeira boneca que eu carreguei no colo. desde que as sobrinhas nasceram e eu aprendi a cuidar de bebês de verdade.
um dia essa criaturinha vai chegar na minha vida, e eu espero estar pronta para ser feliz com ela.
tá, se vier um menino eu vou gostar também :) e vai se chamar pedro. isso se fred não tiver idéia melhor... mas alguns anos me separam dessa criança. no dia que ela chegar, eu aviso vocês. e vocês, por favor, me lembrem do que eu prometi aqui.
Quarto da Telinha
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Anita
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18.3.03
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Acorda, Arnaldo
- Esse eu não vou levar. Vê lá se os meus são do tipo seco que fica oleoso durante o dia!
É claro que não são. Acho que ela gosta dos que vêm com ceramida. Passei a acompanhar com certo entusiasmo sua incursão pela prateleira dos xampus, já que o rapaz do hortifruti não me deixava beliscar as uvas.
- Ceramida, não, Arnaldo. Ceramida deixa as pontas quebradiças, já não sabe?
Acorda, Arnaldo. Ceramida, não. É que eu tive uma noite péssima, acho que tive um pesadelo com o rapaz do hortifruti. Não é de hoje esse negócio com as uvas. Fica aí com essa touca besta achando que é o dono do mercado. Eu conheço o dono, está ouvindo? Se quisesse, piscava o olho esquerdo e você estava na rua da amargura, rapazinho petulante.
- Acorda, Arnaldo! Esse aqui tem algas marinhas bioativas com p.H. neutro, mas não diz se são selecionadas.
Não tem mistério: xampu se compra pela descrição. Quanto mais longa e técnica a descrição, melhor o produto. Aposto como aquele rapaz do hortifruti não sabia disso. Só sabe ensacar legume. Vai ficar velho e abrir uma banca de revista que só vende legume, enquanto assiste ao dominó dos compadres comendo legume. O porre é que vai viver muito, porque li não sei onde que legume faz bem. Se liga, Arnaldo.
- Sempre são selecionadas, Lindóia.
Ela gosta quando empresto meu ar confiante às respostas. Bota o saponáceo no carrinho e vai, sabendo que respondi com a autoridade de quem entende de xampu.
por baixo dos panos - notas do subterrâneo
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Anita
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18.3.03
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(Dis-cur-so, dis-cur-so, ...)
A gente é pobre mas se diverte pra caramba.
(Aplausos)
Agora é deixar de conversa mole e dar início a mais um episódio dessa panelada dançante.
Vamlá.
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Anita
às
18.3.03
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E o chip continua instalado. Como sempre.
Mas a minha diversão na vida é ficar pensando em como as coisas seriam se não fossem como são (???). E não deixo de me perguntar, eventualmente, como eu seria sem essa porcaria controladora de impulsos primários agindo sobre meu cérebro.
Em primeiro lugar, eu não seria tão controlado ao telefone. Porque eu tenho dificuldade em ser grosseiro com as pessoas ao telefone, é engraçado isso. Pessoalmente eu consigo demonstrar insatisfação muito fácil: só um olhar é o suficiente. Mas pelo telefone eu teria que ser verbalmente ofensivo, e aí eu seguro muito a minha onda, porque conheço a potência do meu coice e sei que sou muito definitivo em discussões.
Ao telefone, normalmente, eu sou assim:
-- Alô?
-- Oi. Por favor, o Pedro está?
-- Tô.
-- Oi, Pedro. É a fulana.
-- Opa. Falaí. Tudo em paz?
-- Tudo bem. E com você?
-- Tudo bem, também.
-- ...
-- ... (Pensando: porra, será que essa filha da puta não vai dizer nada? Me ligou pra jogar conversa fora?)
-- Mas e aí, o que você tá fazendo.
-- Ahn... nada. Eu tava ali no PC matando tempo.
-- Ah, legal.
-- É.
-- ...
-- ... (silêncio constrangedor)
-- ...
-- Mas e aí, o que você tem feito? Como tá a faculdade/escola/trabalho/vida familiar?
-- Ah, tá legal.
E aí eu começo a entrar em assuntos específicos com a pessoa, pra ver se ela fala, e logo arranjo um meio de me livrar da ligação. Não passo mais de 5 minutos falando com esse tipo de gente nem a pau. Mas não engrosso em momento algum. O chip não deixa. A cada pensamento de "porra, vou mandar esse imbecil tomar no cu" ele libera uma pequena descarga elétrica na terceira vértebra da minha coluna, inibindo essa atitude.
Sem esse maldito controle mental, eu seria assim:
-- Alô?
-- Por favor, o Pedro?
-- Sou eu. Desembucha: o que você quer?
-- Ah, te liguei pra saber como você tá.
-- Em que sentido?
-- Heim?
-- Você é imbecil, anormal? Que parte de "em que sentido" você não entendeu? Quer que eu soletre?
-- Ah... ehr... é... hã... quais... quais os sentidos possíveis?
-- Vários.
-- Ah, tanto faz...
-- Puta que pariu. Quando foi que instalaram telefone no zoológico?
-- Cara, que grosseria, Pedro. Eu ligo pra saber como você está, e...
-- ...e me arranca do computador e das minhas ocupações. Eu estou SENTADO, de CUECAS, FAMINTO e IRRITADO. O que mais você quer saber?
-- Pô, só queria conversar contigo e...
-- Tá pretendendo DAR pra mim?
-- Quê?
-- Perguntei se você quer dar pra mim. Trepar. Foder. Fornicar. Fazer sexo. Trocar gametas.
-- Não, eu...
-- Você é uma desocupada e quer me encher o saco, então.
-- Não, pô. Você é meu amigo, e...
-- Amigo o caralho. Você é uma chata de galocha. Acha que eu seria teu amigo? Tô a fim de foder. Quer foder ou não?
-- ...
-- Decide, porra. Não tenho o dia todo.
-- Tô indo praí.
Cara, eu ia comer muita gente se fosse mais estúpido.
contagem regressiva no Utopia Dilucular
Postado por
Ratapulgo
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18.3.03
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Alem de tudo
Eu quero dizer uma coisa pra vcs,poucos leitores
Eu tenho 20 anos
E sempre considerei cinema um lugar meio que "sagrado". Cinema pra mim é pra ver filme. Nao me passava pela cabeça deixar de acompanhar 5 minutos que fosse de um filme pra beijar alguem,por melhor que isso seja. Ou pelo menos eu imaginava que seria com aquela pessoa.Com ela eu aceitaria.
E hoje foi meu "debut" de beijo em cinema. Definitivamente, nao é um lugar legal pra se beijar. Eu me senti desconfortavel. A poltrona em si é desconfortavel. A posição em que ficamos não foi legal. E ainda por cima, eu,como cinefilo (é esse o termo que se aplica a quem gosta de cinema?), nao queria enxer a paciencia de quem tava sentado atras de mim, entao eu tinha que ficar meio que abaixado.
Puta que o pariu
E eu ainda perdi as melhores partes dos filme. Nao era raro escutar o som de risadas e ou o som de pancadas nas brigas do filme.
Bah
Amanha vou VER o filme ..
Vou mesmo..
(...)
Se já nao bastasse isso, eu, nesse mesmo dia, voltei a meio que falar com ela. Falei na boa com ela,brinquei,e nao sei por que cargas d'agua, inventei de dizer que ia ligar pra ela pra pedir um dvd emprestado.
O que eu tinha na cabeça?
Saiu espontaneamente
Eu sei que ela ficou feliz em ver que eu falei novamente com ela. Sei disso. Ela sorriu e muito falando comigo. Vai ver, ela ja fazia isso e eu nao tava percebendo.
Como eufalei, criei uma certa barreira em relação a aceitação dela em mim.
Tomara que essa barreira nao tenha sumido, que ela apenas tenha diminuido e que esteja mais facil pra ela dar um jeito de pular,escalar,sei la..de atravessar a barreira sermos algo de novo.
Amigos,logico
Bah..que merda, vai ser o jeito mesmo. Melhor com ela do que sem ela
Mas convenhamos .. eu queria mesmo o dvd .. o Jagged Little Pill da Alanis Morrisette é bom D+
Que nada
Tem que convir mesmo é que eu não aguento viver longe dela
Bangulhus - Comentários Inúteis de 1 Pessoa Quase Inútil !
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Ratapulgo
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18.3.03
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Tive uma noite horrível. Não ando conseguindo dormir direito.
Eu me deito e os milhões de pensamentos invadem a minha mente, me pertubando mais ainda. Geralmente eu desencano e perco a noção da realidade (ou seja, durmo) no meio desses devaneios filosóficos. Mas ultimamente só me restaram os efeitos colaterais, tais como dor de cabeça e rolação na cama até umas 2 da manhã. Nesse caso, eu tento "esvaziar" a cabeça (como se isso fosse possível, haha), visualizo uma imagem toda preta (ou toda branca, depende da ocasião) e tento me lembrar de todas as músicas clássicas que eu conheço - elas tendem a me acalmar, sabe como é. Mas aí eu me dou conta que o meu conhecimento erudito se restringe a toques de celular, então por mais que eu me esforce, eu só consigo me lembrar da melodia eletrônica - o que só faz aumentar a dor de cabeça. Ou então eu penso em filmes de guerra ("Cavalgada das Valquírias" do Apocalipse Now, aquela que toca do G.I.Jane cujo nome eu não sei), mas aparecem as imagens dos filmes também (sangue, bala, defunto, stress em geral) e aí as mesmas me pertubam também.
Conclusão: quando eu finalmente durmo já é hora de acordar. Merda.
me Jane you Tarzan me Jotalhão
Postado por
Ratapulgo
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18.3.03
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- Mãe, eu tava querendo um vasinho de planta pra colocar no meu quarto.
- Oba, qual a que você quer, minha filha?
- Aquela ali - apontei para um vaso de tamanho médio com umas folhinhas miúdas e graciosas que nasciam em par, redondinhas.
- Mas isso é mata-pasto, filha.
- Diabo é mata-pasto, mãe?
- Mato. Erva-daninha. Tiririca. A gente arranca isso pra poder plantar qualquer coisa. Elas estão nascendo aí nesse vaso desocupado por causa do tempo fresco que tem feito ultimamente.
- Mas eu quero é essa.
- Filha, pega um vaso com dinheirinho, alfinete ou qualquer outra coisa...
- Hum, hum. Quero é essa. Gostei foi dessa, quero essa.
- Mas também, minha filha... Você é muito difícil! Não aceita sugestão de ninguém, só faz o que quer... ad infinitum.
- Mãe, dá pra arrumar o vasinho ou não?
- Pode fazer, você quando quer uma coisa... ad infinitum novamentis.
Só queria ter esse talento pra escolher coisas simplórias, baratas e despretensiosas quando eu entro numa sapataria, livraria ou joalheria ou quaisquer outras "ias" da vida.
já que liberou mesmo... salta um Arroz-de-leite
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Ratapulgo
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18.3.03
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FIM DO MUNDO (I)
Acordei, depois de uma noite repousante de sono. Mas não estava no meu quarto, nem na minha cama. Olhando para cima, vi tudo azul e branco. Ao meu redor, o chão, tudo azul e branco. Com listras. Não dava pra ter noção de distâncias, paredes, horizontes ou limites. Tinha um velhinho, magrinho, barrigudo e de barba branca, de pé ao meu lado. Me virei e perguntei (pergunta típica do amnésico, ou pós-bebedeira):
Onde estou? Eu morri?
- Não, garoto, você não morreu, foi o mundo que acabou.
Caramba! E não é a mesma coisa?
- Não.
Acho que não estava muito bem acordado. Levantei, tirei a remela do canto do olho (é, mesmo no fim do mundo você ainda tem que tirar remela do canto do olho), e olhei bem para aquele tiozinho.
Mas o fim do mundo não é quando todo mundo morre?
- Não.
Mas então como o mundo acabou?
- Garoto, você não percebeu os sinais? Tudo indicava que o mundo ia acabar!
Que sinais?
- Egüinha Pocotó, Lacraia, Big Brother, Santos campeão brasileiro, você parou de beber...
Tá, tá, já entendi. Como não tinha percebido isso antes?
- É, você vacilou.
Mas eu não estou morto?
- Não. Você veio para o lugar onde todos vieram quando o mundo acabou.
E por que não vejo ninguém além de você?
- Aqui ninguém vê ninguém do mundo que acabou. Estão todos aqui, mas incomunicáveis, como você.
Mas como o mundo acabou? Choveu merda em todo mundo, explodiu tudo, caíram meteoros...
- Não, nada disso. Fez "puf" e acabou.
Hã? Quer dizer que o mundo acabou num grande e estrondoso "puf"?
- Grande e estrondoso, não. Só um "puf".
Só um "puf"?
- Só um "puf".
Eu ainda tinha muita coisa a descobrir...
fios cruzados do Eletrochoque!!!
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Ratapulgo
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18.3.03
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Escritor é tudo puto. Eles passam por experiências com você, e depois te jogam no papel como um mero personagem. Escritor é tudo covarde. Eles escrevem porque não tem jeito de te dizer na cara. Escritor é tudo bêbado. As inspirações moram em cada copo de cerveja. Escritor é tudo safado. Eles sabem que uma péssima transa pode dar um bom texto. Escritor é tudo fodão. Eles podem te dizer coisas que mudam a sua vida, sua visão, uma nova perspectiva. Escritor é tudo solitário. Nunca estão contentes. Não dão certo no amor, porque sempre estão atrás de um novo ponto de interrogação, uma vírgula ali na esquina do texto, reticências no final da vida. Na próxima vida quero nascer escritora. Afinal, escritor se nasce, ou escritor se torna? De uma coisa eu sei. Escritor não é dono da verdade. Escritor é tipo Deus. Cria a verdade. A tua, a minha, a nossa.
Cata Vento & Montanha Russa
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Ratapulgo
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18.3.03
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Memórias do nunca
Lembro dos momentos com aquela mulher que nunca vi (mas que eu tenho um pressentimento de que está ainda por aí). De nunca ter esbarrado com uma Fernanda rua acima e, anos depois, descobrir que seu sobrenome era Lima. E daquela frase muito genial que eu não disse a ela, apesar de ter quase certeza de que estava me dando trela. Ou de quando falei a tal frase, que ela certamente não entendeu. Na verdade, fez cara de espanto porque nada disso realmente aconteceu.
O que eu não paro de recordar é a Camila que conheci numa fila do Banco Real. E que faltou nos nossos encontros imaginários, o que, querida, me deixou muito mal. Mas, neste momento, me apego mesmo aos dias que não passei com aquela pessoa com um papo maravilhoso, justamente porque o destino — esse roteirista de quinta categoria — planejou uma brincadeira de gosto duvidoso.
Nossas melhores memórias muitas vezes são de coisas que jamais aconteceram. Algo como aqueles anciões, que não existiram e, por isso, não envelhereceram. Elas são pequenas células, autônomas e passageiras. Porém, sempre voltam para lembrar de todas nossas asneiras. Mas também para dizer que desejar o que não temos. E que isso nos motiva a manter as mãos em nossos remos.
Chez Nigro's
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Ratapulgo
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18.3.03
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17.3.03
"Quando o inimigo abre a guerra em grande escala deve entender que a batalha entre nós será lutada onde quer que haja céu, terra e água, em qualquer lugar do mundo", disse Saddam Hussein.
A saída é fugir para aquele conjugado do seu cunhado em Cabo Frio.
Não há céu porque não tem janela naquele cubículo. Não há terra porque é impossível pisar no chão entre os trinta e oito colchonetes com todos os seus primos e sobrinhos. E água? Ora, todo mundo sabe que em Cabo Frio falta água o verão inteiro.
Uma Dama Não Comenta
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Ticcia
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17.3.03
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Comunicado
Temos o inenarrável prazer de anunciar uma outra nova co-editora. É a magnífica Anita Deleite.
E podemos afirmar categoricamente que o objetivo último do C&P ao contratar mais e mais co-editores é alguma coisa que não me lembro no momento.
Também já me perguntaram sobre o critério de seleção de co-editores e aproveito este espaço para responder.
A Ticcia entrou com um mandato judicial
e a Anita torce para o Limoeiro.
Ficou claro? Ótimo.
Bola pro mato que é jogo de campeonato!
atenciosamente,
A direção desta Birosca
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Ratapulgo
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17.3.03
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Entrei correndo no metrô, asfixiada por uma quantidade absurda de trabalho. Um lugarzinho vago - opa! é meu! E me sentei.
Olhei para o lado, e havia um rapaz, sentado de costas para mim. Vinte e pouquíssimos anos, alto, magro, com um walkman e uma camiseta azul - mas só prestei atenção nele cerca de quinze minutos depois. Nos quinze anteriores, meus olhos viram AQUILO. Impossível não ver.
O tamanho, o formato, a cor, a posição das orelhas do cara - demorei um tempo para compreender. Sempre achei que uma das minhas orelhas é horrenda: é de abano. Mas, amiguinhos, perto das orelhas do cara, a ligeira curvatura da minha orelhinha é perfeição estética.
Depois de uns minutos tentando rebootar o cérebro para entender o fenômeno, procurei analisar com calma. Mas isso são orelhas ou são próteses???
Me lembrei das aulas de desenho, em que o professor ensinava uma técnica de proporção para o desenho do rosto, e estudando o cara, percebi que o tamanho das orelhas correspondia a 1/3 do tamanho da cabeça...
Orelhas bronzeadas, enormes, redondinhas na parte superior, enfiadas perpendicularmente nas laterais da cabeça, cujos cabelos encrespados foram domados pela máquina dois, no cocuruto uma calva incipiente, como se fosse um quipá. Quantos apelidos esse cara já levou na vida?
Por mais que eu quisesse, não adiantava tentar desviar o pensamento para outras regiões da anatomia do cara, porque ELAS dominavam o quadro: foram furadas um dia, mas ele estava sem os brincos. Tá, mas o pescoço dele é elegante, penso, para logo depois reparar que ELAS são cobertas por uma penugem aloirada e que são ricamente vascularizadas. Dava para ver os vasos arroxeados e bem nutridos irrigando as dumbaças. A orelha esquerda tem uma pinta atrás, penso, e essa pinta ele nunca vai poder encarar de frente, a não ser que...
Tentei me controlar, mas todos os demônios do inferno fizeram aflorar o pior que há em mim. Continuei: ... a não ser que cortem as orelhas dele!!! Como é que ele consegue conviver com essas orelhas, meu Deus? Será que se ele conseguir abaná-las, sairá voando por aí? E o que Dumbo faz aqui no metrô, ao lado de todos os pobres mortais que não voam?
Eu estava me odiando. Detesto ter esse tipo de pensamento. Não costumo reparar desssa forma nas pessoas. Estava me sentindo mal, queria pensar no trabalho, mas ELAS se recusavam a sair do meu campo de visão. Imaginei se ele escuta melhor que eu. Tentei visualizar o formato do feto invertido, que os chineses dizem que nossa orelha é, com terminações de todos os meridianos por ali. Não consegui ver feto nenhum. Pareciam mais duas batatas.
Fiquei curiosa para estudar o cara de perfil, de frente, olhar mais, perceber mais, entender melhor, mas não houve jeito. As orelhas se levantaram, pendendo de dentro delas os fiozinhos pretos do walkman. Ele, sempre de costas, saltou na estação. E então finalmente reparei que as orelhas tinham dono.
Mermaid Online
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Ratapulgo
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17.3.03
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Comentei aqui que sonhei com a minha avó. Ela estava num lugar alto etc etc etc. Já esperava pelas respostas dos adeptos do espiritismo dizendo que isto significava que ela estava num lugar alto, num plano superior e por aí vai. O que eu acho dessas explicações? Não sei. Ou melhor, depende do dia... Às vezes, sou extremamente cético. Às vezes, crédulo demais.
Teve uma época na minha vida em que a crença de uma vida após a morte era um fato consumado. De uns tempos pra cá, comecei a balançar. E passei a me fazer a pergunta de Caetano: "Existir a que será que se destina?" Por outro lado, me repugna a idéia de que somos apenas fruto do acaso.
Quanto às religiões, já disse aqui que respeito todas enquanto (argh!) visões de mundo e interpretações da realidade. Espelhos culturais na verdade. Todas as religiões têm, ao lado de suas virtudes, as suas mazelas, os seus tropeços e nem poderia ser diferente, porque no fundo, todas as religiões são "demasiado humanas". Querem saber nada mais nada menos o que se passa na cabeça de Deus.
Não acredito, por exemplo, que Kardec tenha sido um embusteiro e acredito que Jesus tenha existido.
Mas não sei se seremos alguma coisa depois de pagarmos o óbolo para Caronte...
Ah, sei lá...
Falemos de bundas...
ordenhando o pato em Uma empresa da Duck's Milk Entertainment Company.
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Ratapulgo
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17.3.03
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Eu acredito em horóscopos.
Sagitário
Você é otimista e entusiástico, mas tem uma forte tendência a confiar na sorte, uma vez que não possui nenhum talento. A maioria dos sagitarianos é composta de obesos bêbados e viciados. Você não vale aquilo que deixa na latrina.
Áries
Você tem uma imaginação fértil e freqüentemente pensa que está sendo perseguido pela policia. Você não consegue realmente influenciar ninguém, apesar de ficar o tempo todo tentando exibir seu poder. Falta autoconfiança. Em geral, você é um jumento. Sem falar no chulé azedo e no bafo de onça bêbada.
Câncer
Você é solidário e compreensivo com os problemas das outras pessoas, o que faz de você um baba-ovo. Você só quer saber de se dar bem, custe o que custar, e acaba sempre ficando numa boa, apesar de não valer nada. Quase todo mundo na cadeia é de câncer.
a lua em saturno e a Pedra no Sapato
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Ratapulgo
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17.3.03
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As estatísticas mostram que uma em cada quatro pessoas sofre algum tipo de doença mental. Pense nos seus três melhores amigos. Se eles estiverem bem... então é você.
(...)
A depressão é uma bobagem criada para vender consultas psquiatricas e Prozac. Assim como a Bíblia é uma obra de ficção inventada para vender livros (tenho a minha teoria de que a Bíblia é na verdade o primeiro Blog público do mundo, afinal, tem um monte de livros escritos por um monte de gente através de tempos). A depressão é uma grande (e profunda) bobagem.
Ah é. Estou deprimido. Mas passa!
dizem que é do Esta barra é azul. Se não for, contate-nos. Gratos
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Ratapulgo
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17.3.03
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TRINTA
30, XXX, trinta, TRINTA, atnirt, tRiNtA, TrInTa. Incrível.
Trinta, mas com um corpinho... de trinta e com idade mental... de trinta. Finalmente.
Pela primeira vez na vida minha idade cronológica, física e mental vão estar coincidentes.
Já tive 17, com corpo de 40 e idade mental de 8. Já tive 25, corpo de 25 e idade mental de 60. Já tive 12, corpo de 18 e idade mental de 25. Já tive 5, corpo de 7 e idade mental de 10.
Há muito tempo eu me via com trinta.
Aos trinta eu estaria morando sozinha. Durante um tempo eu não sabia bem como, já que estava casada e achava que era pra sempre, mas tinha aquela sensação de que Esta-história-não-se-estanca-por-aqui (Hique Gomez). Aos trinta eu teria me encontrado na vida, na profissão. Aos trinta eu estaria pronta para O Grande Amor. Aos trinta eu teria um gato. Aos trinta eu teria o meu dinheiro. Aos trinta eu teria os meus 100 CD's dos sonhos. Aos trinta eu aprenderia francês e alemão. Aos trinta eu colocaria uma camisola sexy mesmo pra dormir sozinha. Aos trinta eu estaria pensando na possibilidade de morar fora do país por um tempo. Aos trinta eu me compraria flores toda semana. Aos trinta eu mandaria à merda quem me torrasse. Aos trinta eu teria amigos de verdade. Aos trinta eu faria análise e tiraria proveito dela. Aos trinta eu estaria satisfeita com o meu corpo e meus cabelos. Aos trinta eu me acharia linda. Aos trinta minha melhor companhia seria eu mesma. Aos trinta meus conflitos com a família estariam resolvidos e eu adoraria a companhia deles. Aos trinta sexo seria uma delícia. Aos trinta eu saberia beber vinho. Aos trinta eu saberia cozinhar. Aos trinta eu teria realizado alguns sonhos e teria certeza de realizar mais um monte deles. Aos trinta eu me sentiria capaz de qualquer coisa, qualquer desafio e não teria medo de errar. Aos trinta eu amaria incondicionalmente e conheceria os riscos disso. Aos trinta o mundo me tiraria pra dançar.
E não é que era verdade?!
é um nepostimo absolutamente descarado, Não Discuto
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Ratapulgo
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17.3.03
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Faça você mesmo - Decifrando as tinturas de cabelo.
Eu e minha irmã somos especialistas em tingir o cabelo em casa, cada uma na sua cor. Ela conhece o vermelho melhor que ninguém, sabe todos os truques para ficar sempre a mesma cor, não manchar, e talz, já que há anos ela usa o cabelo assim.
Já eu... Bem, digamos que eu já passei de um tudo nesse cabelo, que já foi do loiro ao atual preto Mortícia.
E cheguei a seguinte conclusão: é mais fácil uma pessoa morder a própria testa do que voltar à cor original dos cabelos.
Quando eu passei um tonalizante vermelho, só dava pra ver uma mecha avermelhada aqui ou ali quando eu estava no sol.
Quando eu fiz luzes (sim, eu fiz), ficou uma coisa meio grisalha, o cabelo ficou muito branco.
Quando eu passei o loiro claro, o cabelo ficou laranja-mico-leão-dourado.
Loiro dourado, a mesma coisa.
Quando num ato de desespero eu passei um descolorante (o famoso Blondor) , o cabelo ficou amarelo-banana, uma coisa meio Belo.
Passei o loiro escuro, até que ficou bonito, até umas duas lavadas. Depois desbotou e ficou um horror.
Agora, minha última peripécia foi passar o castanho. Segundo a caixinha, a cor ficaria parecida com a cor natural do meu cabelo, um castanho meio claro, meio médio. Só que parece que eu passei Bigen (ou Tablete Santo Antônio, segundo minha mãe). Preto, preto, preto. Mas só até começar a desbotar, aí começa tudo de novo.
E isso sem contar as marcas que eu uso. Enquanto minha irmã tem a dela e não troca por outra, eu vou sempre pela que eu ainda não usei. Já usei Wellaton, Koleston, Casting, Lumia, Nutrisse, Preference, Biocolor, Cor&Tom, Belle Color... só as que eu lembro agora, mas deve ter sido mais...
Pinte&Borde na Wannabee
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Ticcia
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17.3.03
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Não verás verão nenhum, pero que dia maravilhoso! Que linda camada de poluição sobre o céu de São Paulo! Vou ali desfalecer entre as margaridas de plástico. E já descobri o que sinto quando desço a Cardoso: se chama pacaemblues essa coisa que eu canto. E saio de fininho porque sempre tem alguém olhando.
Saia com ela e Tome uma Xícara de Chá
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Ticcia
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17.3.03
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:: Asas do Sonho ::
Não,
Não quero que olhem meu filho
Como um pássaro ferido,
Cujas asas agora
Adormecidas
Zelam um sono icariano.
Não,
Meu filho,
Eu conheço bem,
Está muito longe.
Na ânsia de voar
Ele atrela seu coração
Às mais longínquas estrelas
E voa...
Há filósofos, surfistas,
Descobridores e afoitos
Jovens
Iguais a ele
Em seus pensamentos.
Ah! Meu filho
Não te dei membros alados
Mas tua alma
É um pássaro.
Ou será um anjo?
###As palavras acima são da minha mãe, a dª. Benê, escritas para mim há 15 anos.
Explicando: no dia 2 de janeiro de 88, este alfarrabista que vos fala sofreu um acidente. Eu era um pára-quedista amador e, numa *brincadeira*, sofri uma queda que resultou nos dois calcanhares e um punho quebrados. Foram quatro meses de cadeira de rodas, e mais alguns meses para reaprender a andar.
Graças a Deus, não ficou nenhuma sequela, para surpresa dos médicos.
E, mesmo do período na cadeira de rodas etc., só tenho boas lembranças: o carinho e a força dos pais, irmãos e amigos. Lembro-me que, assim que deixei a cadeira de rodas, muitas pessoas me cumprimentavam, dizendo que eu era um *herói*, por ter suportado tudo aquilo.
Suportado o quê? Com o apoio, carinho e consideração que me cercavam, não havia o que suportar.
Por mais que eu me esforce, não consigo me lembrar de algum momento *triste*. E nem mesmo da dor, que eu sei que havia, mas não era nada, nada.
Eu me lembro, sim, de ter que ser carregado no colo pelo meu pai ou meu irmão para ir ao banheiro ou para entrar no carro; me lembro das minhas irmãs fazendo minhas unhas (!) e lavando meus cabelos (só para *visualizar*: eu estava com as duas pernas e um braço engessados...); me lembro de alguns amigos me *resgatando* em casa para me levar a alguma balada; me lembro de algumas (poucas, mas preciosíssimas) visitas de uma moça muito especial.
E me lembrei disso tudo, agora, quando minha mãe achou um papel datilografado com o poema acima.
Obrigado, mãe!
Aliás, outra lembrança bem bacana: quando eu ainda estava no hospital, minha mãe me mandou um fita cassete com mensagens de parentes e amigos, e uma música: *João e Maria*, do Chico Buarque. Pois é...
*Agora eu era o herói,
E o meu cavalo só falava inglês...*
Alfarrábio
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Ticcia
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17.3.03
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16.3.03
Meu unico dia off essa semana. Ate que tentei conseguir algum trabalho mas nao rolou e decidi nao insitir. Afinal, preciso de algum descanso. Tenho trabalhado demais, aproveitando que agora , com 15 semanas de gravidez, estou numa fase de muita disposicao fisica. So danco agora de corpete para disfarcar a silhueta longe de esguia. As outras meninas que me conhecem ha mais tempo ja sacaram. Mas para quem nunca me viu mais gorda (literalmente) nao da para desconfiar( ainda).
E Londres esta longe de ser uma cidade completamente segura. Um cara tentou entrar no meu flat hoje de manha. Tentou so nao, entrou mas quando me viu, deu o fora; nao sem antes levar a unica coisa a vista: uma mochila que estava no chao perto da porta. Estava ainda meio adormecida e mal me dei conta da coisa. Aqui eh bastante comum arrombamento de apartamentos ( ja tive um ha cerca de 2 anos atras) mas acontece geralmente quando a casa esta vazia pois eles evitam a todo custo qualquer confronto fisico.
E pai do baby me liga ontem para perguntar como estou (isso a gente nao se falava ha um mes). "Tudo bem contigo?" Eu respondo , com voz saudavel e fresca, que sim, que estou otima. "Vc parece esta bem, heim! Ainda trabalhando!? Anyway, qualquer novidade, me liga. Tchau!"
Interessante que se alguem me dissese que passaria por uma situacao desssas e nao me abalaria, eu nao acreditaria mas assim tem sido. Tenho levado tao numa boa tudo isso que ate eu mesma me surpreendo. Sinto-me so as vezes, mas nada perto de desesperanca, desanimo ou desespero. E cada vez mais me alegro da escolha que fiz. A sensacao de descobrir-se mais forte do que a gente imaginava ser eh muito boa.
Naked Emotions
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Ratapulgo
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16.3.03
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Eu não estou aqui
E isso não está acontecendo. Você também não é você. Pelo menos, você não é quem você pensa que você é. Você também não está fazendo o que você pensa que está fazendo. Aposto que você pensa que está sentado na frente do computador, lendo um brógue, navegando inocentemente pela internet. Não. Você não está. Agora você deve estar pensando que eu devo ser um daqueles nerds que acredita em coisas como a Matrix e que seu corpo está na realidade alimentando uma máquina gigante e isso aqui que nós vivemos é uma grande realidade virtual. Também não. E isso também não é uma coisa metafísica, daquelas que envolve espírito e seres feitos de luz que fazem aparições esporádicas para pessoas como a Elba Ramalho. Longe disso. Aliás, isso não envolve nenhuma questão religiosa, científica, sociológica ou alienígena. Não, é tudo muito simples. Houve um engano em algum ponto da criação e toda a sua vida é uma mentira.
A verdade é que seu nome é Astolfo Rodrigues, você tem 32 anos, trabalha numa xerox e tem um aquário de peixes ornamentais. Você mora em São Bernardo do Campo e não é muito atrante. Sua vida amorosa é um desastre e você não tem nenhuma ambição na vida. Eu sugiro que você comece a se comportar como tal.
Obrigado pela atenção.
Oba Fofia - um alienigena, um camelo e uma colher de pau magica
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Ratapulgo
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16.3.03
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Tenho que confessar, não estou farto do lirismo comedido. O tal, que pára e vai averigüar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. E gosto muito do lirismo namorador. Aquele mesmo, o sifilítico. E - sim, sim - odeio o lirismo dos loucos. Abomino o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados. Coisa de gentinha malnascida.
Como faz falta o lirismo comedido, o lirismo bem-comportado, que pára e vai etc! A poesia brasileira acabou quando as pessoas se fartaram do lirismo comedido; volte, lirismo comedido; volte...
Alexandre Soares Silva
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Ratapulgo
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16.3.03
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Hoje me contaram uma história muito tosca da qual eu não me lembrava.
Bem, é sobre uma menina que estudava lá no colégio. Eu não revelarei a identidade, mas tudo o que eu posso dizer é que ela era conhecida como Marmota.
Sim, ela não era uma padrão de beleza ocidental.
pois bem, ela tinha a fama de ser meio estúpida. Dentre as dezenas de histórias estúpidas que me foram lembradas, uma se destaca.
A própria uma vez contou que estava na casa da tia e quebrou um vaso. Foi perguntar onde tinha Superbonder. A tia respondeu que estava na mantegueira. (parte da porta da geladeira onde se guarda manteiga, elementar não?)
Aí a anta foi no pote de manteiga, passou manteiga no pedaço quebrado e ficou chorando "Não quer colar! Não quer colar!".
- Caralho, que menina estúpida!
Espera, ainda não acabou.
Quando ela finalmente achou o Superbonder, não conseguiu abrir. Foi tentar abrir com os dentes e o superbonder estourou na boca dela. Ficou com meia boca grudada.
Moral da história.
Burrice é um mal que não consegue atingir um ápice.
KSW 4.0
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Ratapulgo
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16.3.03
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Admiro quem sabe amar à distância: não é fácil para ninguém amar sem contato físico ou visual. Imagine que seu filho saia de casa hoje. Nada se altera se ele resolve morar duas ruas depois da sua; entretanto, se essa distância aumenta para um outro estado ou até mesmo um outro continente, tudo se amplia: a preocupação, a aflição, a saudade. Só quem ama alguém à distância sabe como é bom e triste ouvir a voz saudosa ao telefone e não poder tocar o rosto de quem diz “alô”. Só quem ama de longe sabe como é gostoso e deprimente ler uma carta e sorrir por saber de eventos que não participou. Só que ama separado sabe como é belo e deprimente voltar prá casa ainda com outra saliva na boca e apenas um aceno de mão pela janela do ônibus. Mas também só quem ama afastado é capaz de dizer como é bom ver um rosto há muito sumido chegando no portão. Só quem ama sem estar por perto sabe como é gostoso sentir o abraço há tanto a esperado. E só que ama sem tato ou visão sabe como é bom entrar em um avião sabendo que é a última vez.
Alea Jacta Est
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Ratapulgo
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16.3.03
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15.3.03
Meu pai hoje me pediu p/ ir buscar água benta, eu, no esquema, "don´t ask, don´t tell" fui... e qual não foi minha surpresa, ao chegar na igreja, com uma garrafinha de água mineral p/ ser benzida e descobrir que o padre não pode mais fazer isso, q se eu quisesse deveria comprar uma garrafinha deles com água benta, tá não era caro, custava R$ 0,80, mas mesmo assim é meio chocante essa constatação... e além do mais, eu preferia q o padre abençoasse a água na minha frente, afinal, como eu posso ter certeza q o potinho q eu comprei foi reeealmente benzido? Complicado né... Mais uma razão para eu continuar indefinida, mesmo meu pai sendo protestante, minha mãe budista e meu irmão agnóstico.
Believe it or not this is my life
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Ratapulgo
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15.3.03
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De todos os meus desejos de consumo eu acho o mais estranho, em matéria de eletrodoméstico, minha vontade de ter uma máquina de fazer pão.
Por que eu quero uma máquina dessas é um mistério para mim... principalmente por que eu tenho certeza ABSOLUTA de que usaria a porcaria da máquina na primeira semana e depois... em ocasiões especiais, ou seja, uma vez por ano, s usasse tudo isso... é tão absurdo querer algo só por que parece uma mini-máquina de lavar-roupa, é bonitinho e, faz pão em 1 hora... que nem eu me conformo... no entanto, eu continuo querendo e muito provavelmente na primeira chance que eu tiver a grana e nada mais apelativo para comprar no momento como, a 4ª Temporada de AX ou, a 1ª Temportada de Sex and the City, ambas na pré-vendo do Submarino (eu odeio esse mundo cheio de tentações... um desastre para pessoas como eu...) eu compro a maldita da máquina e fico com ela em casa como com a minha tostadeira que faz pandas na fatia de pão. Nova, nunca utilizada por que só a encontrei na versão 220 e na minha casa só tenho tomada 110...
Sim, eu tenho problemas e, uma tostadeira que faz rostinhos de panda no pão tá! :p
oooooooops!
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Ratapulgo
às
15.3.03
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Entramos num sebo.
Após 5 minutos, o vendedor estava contando uma história sobre um amigo que tomou LSD com chá de cogumelo e teve uma vontade enorme e comer polenguinho. Começa a chover. Ficamos mais 3 horas lá. Conversando e gritando. No final, já havíamos todos trocado e-mails e ganhado desconto em livros. A Renata levou de graça um, de 8 reais, com a seguinte justificativa "eu sou curitibana e posso provar". Na verdade, ela teve que expôr uma série de argumentos e os clientes que estavam na loja julgaram se ela merecia ou não o livro. Foi divertido. O vendedor também mostrou como nos botar de graça pra dentro da Boate Ballroom e começou a organizar eventos de cinema e várias outras coisas. Além disso, ele é do mundo virtual e através da internet que conheceu sua noiva.
É o melhor sebo!
(...)
Aonde fui me meter?
Só hoje que fui perceber como a faculdade de Relações Internacionais é pesada. Todas as aulas, os professores passam de 40 a 60 páginas de leitura para a aula seguinte. Tenho 3 matérias por dia. Isso dá em torno de 100 à 150 páginas de leitura por dia. Sendo que é praticamente sobre política e assuntos exteriores. Tudo muito denso. E, ainda por cima, em inglês. Sem contar o preço da xérox.
Para amanhã, tenho que ler 3 artigos do New York Times, 30 paginas de letra-miuda de um texto político em inglês e 48 páginas de sociologia. Meu cérebro está derretendo.
Já li os discursos de quase todos os presidentes do mundo a respeito da guerra do Iraque. Tão interessante.
Free Bee
Postado por
Ratapulgo
às
15.3.03
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E tem esse meu lado consciente-bonzinho. E ele fica me dizendo coisas de pessoas boazinhas e conscientes.
Eu ainda acho que é um chip que minha vó instalou no meu cérebro quando eu era pequeno demais pra me dar conta do fato, e que foi sendo programado aos poucos. Ativado pela voz dela. eu não duvidaria se minha vó fosse um habitante de uma civilização mais moderna do que a nossa.
Mas o assunto é que eu tenho esse meu lado consciente-bonzinho. É o que me faz pensar duas vezes antes de dizer algo - quando ele ganha, eu acabo não dizendo nada.
Atualmente minhas refeições tem sido miojo - e semelhantes -, sucrilhos e sanduíches. Não necessariamente nessa ordem.
Mas, sempre que eu abro a geladeira, o chip se ativa.
– Olha a conta de energia, rapaz. Ficar abrindo essa geladeira assim, uma vez atrás da outra. Pega logo o que você quer e fecha isso.
– Cala a boca.
– O que é isso? Isso lá é jeito de falar com as pessoas?
– Não tô falando com as pessoas, tô falando contigo, que sou eu. Agora cala a boca que eu preciso pensar no que comer.
– Arroz, feijão, um pedaço daquele assado com cenoura, um pouco daquelas batatas cozidas, duas folhas daquela alface, aquele tomate picado, temperado com azeite, orégano, limão e vinagre.
– Ah, fala sério. Isso é rango pra almoço, qual é? São 4 horas da tarde, pelo amor de deus!
– Mas você não almoçou hoje.
– Pois é, acordei tarde demais pra almoçar.
– Então come isso como janta.
– É cedo demais pra jantar.
– Já vi que você vai passar o dia inteiro sem se alimentar direito. De novo.
– Biduzão.
– É por isso que você tá emagrecendo.
– Foda-se.
– Esse linguajar denota um vocabulário extremamente limitado.
– Se meu vocabulário fosse extremamente limitado, você, que é um pedaço da minha consciência - do qual eu não gosto -, não teria utilizado a palavra "denota".
– É, isso é verdade.
– Eu sei. Eu sempre tenho razão.
– Então, como parte de você, eu também tenho razão sempre?
– Sim.
– Então eu tenho razão agora.
– Sim.
– Então você vai comer direito?
– Não.
– Mas... mas... você disse que eu tenho razão!
– É, mas não disse que eu sou racional. Agora dá licença que eu quero pensar em outras coisas enquanto como um prato de Sucrilhos®.
– Você vai morrer cedo.
– Veja pelo lado bom: você não vai ter que conviver comigo por muito mais tempo.
Isso acontece várias e várias vezes ao dia...
no freezer do Utopia Dilucular
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Ratapulgo
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15.3.03
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14.3.03
Do you wanna get heavy?
E de repente ele apareceu com uma camiseta que imediatamente me fez lembrar de tudo:
Da noite, das músicas, das palavras.
Da cerveja, do vinho, dos filmes preferidos.
Do pôster de Pulp Fiction que eu tenho colado na parede do meu quarto.
Da barba por fazer machucando meu rosto.
Da minha língua deslizando dentro da boca úmida e vermelha.
Do toque, das confissões tímidas, do sorriso quase escondido.
Dos contos escrotos que envolviam incesto e outras coisas.
Do pedido para que no dia seguinte eu o beijasse novamente.
Das ruas sujas e escuras.
Do meu bar preferido.
Dos comentários óbvios e/ou assustados.
Da fase foda pela qual eu passava.
De como eu achei que tudo poderia ser diferente.
Do telefone que não tocou no dia seguinte, nem no seguinte e menos ainda no seguinte.
Dos olhares que fugiam e pareciam pedir que nenhum de nós dois estívessemos ali de verdade.
Do meu medo.
Da minha covardia e insegurança disfarçadas em um comportamento pseudo-amigável e prático.
Do meu ar blasé.
Do modo errado que conduzi tudo isso.
De tudo que mudou em mim.
De tudo que insisti em manter mesmo vendo que estava jogando um monte de coisas fora.
De tudo que eu não fiz.
Das palavras que eu teimei em não dizer.
Da minha insistência em foder tudo.
Da minha maneira auto-destrutiva de enxergar a vida.
Das chances que eu perdi.
Das conversas imaginárias que tive.
Da fase foda pela qual eu passo novamente.
Das chances que eu talvez ainda tenha.
Ou não.
Passe Geléia de Pérolas nas suas dúvidas
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Ticcia
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14.3.03
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hoje vou tirar minha carteira de trabalho
agora vou poder participar dessas passeatas de desempregados que ficam mostrando a carteira com um monte de folhas em branco sem me sentir excluida!
Uma entre as Ah, Sei Lá, Mil Coisas
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Ticcia
às
14.3.03
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Naipe de mendigo - garrafa de pinga,
seis meses observando a mansão da vítima.
Os empregados - quem pode ser corrompido,
avaliação dos bens, freqüência de amigos.
Sócio majoritário de hypermercado,
sai às 8 com os vigias, num Passat blindado.
Às 10 a mulher vai pro balé, com um diamante
à noite, no álibi do restaurante, vai dar pro amante.
13 horas um segurança leva o pivete pra escola,
pra não chamar a atenção cola com um gol bola
Só com uma pistola, segundo o motorista
colabora pq uma Uzi ameaça sua família.
Entre a puta ou o filho, o filho é mais provável
vamos de 7 galo e um Vectra turbinado.
Avenida Ibirapuera, perto do Shopping,
colou um vendedor, do meio da flor um revólver...
O segurança quis vazar, mas fechei - fui ninja!
Morreu tipo cinema, com a cabeça na buzina
Pedestre abaixado, grávida desmaiada
refém no porta-malas, caminho aberto a granada.
Que merda era PM o cu vendendo drops,
Tiro no capacete do truta, morte instantânea num poste.
10 minutos depois, rua deserta,
um carro novo
"Alô, prepara o cativeiro, tá chegando um pote de ouro!"
O mano morto na missão, mó güela, deixou pista
Se tiver com identidade, sujou a fita.
Gambé filho-da-puta, quem pode prever?
Vou beber, dar um rolé, ver as notícias da TV...
Do pré-pago, primeiro contato, idéia firme:
"500 mil e nem vem com história triste
Segue as instruções pra não ter missa de sétimo dia,
É sem contra-oferta e não envolve polícia
pra mim é só negócio - não tenho coração.
Desacredita e ganha um Lego, pra montar e por num caixão".
Se pá a divisão anti-seqüestro tá no caso,
Pra boy vem até o governador de quatro.
Vão por chip na grana, tipo FBI.
Ou vão catar o resgate pra eles, e se matar pra dividir.
O moleque tá mal, no quarto empoeirado
Tem bronquite fica sem ar amarrado.
"Me deixa ir pra casa por favor"
Papai, pague a Disneylândia, senão tem noites do terror.
Segundo contato, e o banco não liberou a quantia,
desconfiaram e acionaram a polícia.
Mas pra esse ramo não tem não
Já amolamos a faca no chão,
"vão tirar dinheiro do cu,
quando verem um dedo da mão".
Foi de Sedex 10, a la ritual satanico,
e a familia entendeu,
que ninguem tá brincando.
O moleque dava dó, mas negócio é negócio.
Eu nem tenho essa maldade, só que tenho outros sócios,
um que ria, lambendo o sangue da faca:
"não chora que seu pai paga a cirurgia plástica"
Fiz curativo, pra não dar germe,
Ele só esquecia a dor assistindo Tom & Jerry.
"É amanhã, no Frango Frito, na via Anhangüera,
Vem sozinho, sem putaria, que isso aqui não é novela.
Espera na lanchonete, com todo o dinheiro,
se eu ver polícia a um quilômetro, pode fazer outro herdeiro."
No dia foi um truta, encarregado da missão,
estilo cliente, filmou do teto até o chão,
achou que tava limpo, pediu a mochila,
do copeiro ao caixa, todo mundo era polícia.
Bastou o psicológico, e um chute nas costas,
e tava ele e os gambé, na crocô, batendo na porta.
TOC TOC - "Sou eu, tá limpo, pode abrir!"
A voz estranha, o cachorro latindo, engatilhei - percebi.
Catei o refém, fui pra janela negociar.
Atirador em ponto estratégico, não dá pra escapar.
13 horas de idéia, nem UM pedido atendido,
os caras se entregaram, abraçando o que o juiz tinha prometido.
Eu tô ligado que se eu saio,
não chego no distrito, então
"boy, dá tchau pro seu filho,
eu fui pro inferno, ele foi comigo".
by Facção Central - medonhamente bom, né?
abrindo uma puta exceção para a letra do rap postada no EgoTrip do 3dv
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Ratapulgo
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14.3.03
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Estava aguardando a saída do ônibus no ponto final perto aqui de casa. Só estava eu e o cobrador no momento e o cara-de-pau pra mim:
Aê, me dá R$1 e passa por debaixo da catraca. Só q tem ser por baixo pra ninguém sacar.Eu dei uma olhada pro lugar que o desgraçado queria que eu passasse, ou melhor, rastejasse, olhei pra cara dele e perguntei:
O que o faz pensar que, por míseros R$0,30 eu vá me rastejar feito cobra nesse chão mais sujo q chiqueiro?
O cara ficou todo sem graça. E aí eu resolvi tirar uma com a cara dele:
"Vou obrigado a denunciar-lhe, desculpe..." E o cara: Ôu quê isso aê ô maluco, blá, blá, blá..." Ele já tava quase chorando quando falei q ia deixar pra lá e tal. Nem preciso dizer que o cara me deixou passar "de grátis" na roleta, né? Ah, sei lá...Míseros R$1,30...
(...)
O estagiário me perguntou ontem:
- Como faço para gravar só uma música de um CD?
- Você seleciona e salva só ela.
- E eu posso fazer isso com vários CD's e depois juntar em um só?
- Sim, isso se chama coletânea...
- Ah...
E hoje ele chega e diz:
- Não tem jeito de fazer aquilo.
- Como não? Já fiz milhares de vezes. Se não tivesse jeito eu não falaria para você fazer e nem explicaria como.
- Mas não tem jeito. É impossível.
- Impossível como, criatura?
- É que depois que eu gravei a primeira música, ele não quis gravar mais.
- Mas não era para gravar uma de cada vez no CD, era para salvar tudo e gravar de uma vez só... lógico...
- Depois eu tentei isso, mas é impossível.
Aí eu apelei pra ironia:
- É você tá certo, é impossível...
- Não falei?
- Falou.
- !!!
- O melhor é usar fita cassete mesmo, né?
- Com certeza, não tem erro. E se errar é só gravar de novo.
- Para que gastar 300 reais em um gravador de Cd se existe fita cassete, né?
- Pois é, e eu ainfda paguei 500 naquela porcaria.
- Que CD's você queria gravar?
- Os dois do Bruno & Marrone, Zezé de Camargo e Luciano e acústico do Karametade.
- É, você tá coberto de razão, é impossível.
- É, impossível, eu te disse...
Pedra 90
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Ratapulgo
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14.3.03
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Frases de efeito do papai:
"Você é igual a sua avó. Você é consumista. Se ganhando um salário baixo como esse você compra tudo a toda hora, imagina quando você começar a ganhar muita grana?!"
Uau. Ele acha que eu ainda vou ganhar muita grana um dia.
insight de me Jane you Tarzan
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Ratapulgo
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14.3.03
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Relacionamento. Não gosto de relacionamentos. Prefiro a frieza de um "olá" sem-graça do desconhecido que estuda na sua sala, ou trabalha com você. Relacionamentos não se contentam com tanta simplicidade. Eles pedem mais.
Um relacionamento exige que você se abra, que compartilhe segredos, coisas que me impedem de passar despercebido na vida. Não poderei ser o cara que viveu entre livros e discos, sob a luz de meu computador, pois haverá alguém que lembrará de algo que fiz por esta pessoa, e que vai querer que outros tenham conhecimento. Não deixarão a morte representar sua função: esquecimento.
É estranho que eu tenha dito tudo isso. Simplesmente porque eu queria um pretexto para falar de um certo tipo de relacionamento. O com mulheres. Este representa um verdadeiro desafio. Eu me apaixono fácil. Sou atraído por charmes como se fantasia nos filmes. E não gosto. Me dou mal toda vez. Nunca fui correspondido. Não posso dizer que namorei uma pessoa de quem gostei verdadeiramente.
E pra piorar ainda mais, eu consigo me tornar amigo de todas por quem me apaixonei. Sempre achei que era o jeito de conquistar: entrar no universo delas. Lêdo engano. Hoje eu entendo que não importa realmente se você é amigo, inimigo, colega de trabalho, completo desconhecido. Elas escolhem, sempre escolheram, mesmo quando o homem achava ter o controle. Não há flores ou atos hollywoodianos que mudem a vontade dela, que a façam ver que tem um cara legal atrás dela. O cara ideal não existe, pelo menos não um padrão que agrade todos os perfis. Eu sonhei muito em ser diferente, para atingir o ideal que agradasse todas, e então poder escolher a que eu queria.
Por causa de tanta desilusão (detesto esse clichê), mudei. Tento ser mais natural na presença delas, mesmo quando minha mente/hormônios me dizem para tentar algo completamente insano; minha sorte é que tenho um filtro para esses impulsos, a timidez. O que chamam de maturidade eu chamo de ceticismo. Todo dia espero conhecer alguém. Não alguém mais bonito, mais inteligente que a última. Espero finalmente conhecer a que me corresponda.
no one knows
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Ratapulgo
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14.3.03
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Bula é algo hilário, principalmente quando se chega na parte das reações adversas. Olha o que andei lendo:
“...Raramente podem ocorrer movimentos descontrolados,
tais como movimentos irregulares dos olhos, postura anormal, como torção no pescoço, tremor e rigidez muscular...”
Agora se a sua imaginação é como a minha você deve ter
no mínimo visualizado um pessoa com todas essas reações adversas ao mesmo tempo. Imagina! Bisonho! Tive que rir, e ainda fui representar pros meus pais como seria esse ser depois de tal metamorfose. Um tipo de cena que só se pode fazer dentro de casa e somente pra quem tem absoluta clareza da sua sanidade mental. Minha mãe riu. Meu pai disse que vai me apresentar pra um cara do trabalho dele que tem cara de maluco. Ah, pai, também não precisa esculachar! Segundo meu pai e aparência do cara transmite tanta maluquice que quando não quer pagar passagem ele dá uma exagerada em si mesmo e consegue entrar pela porta da frente nos ônibus. Sinistro...
receitas Tendenciosas
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Ratapulgo
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14.3.03
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Pouco tempo depois de começar o Maré, retornei a AACD (após quinze anos), para fazer exames, conferir a saúde e ver a possibilidade de poder usar aparelho para ficar em pé. Meu objetivo principal era voltar a ficar em pé. Fiz montanhas de exames, para saber sobre a fragilidadede de meus ossos, para saber sobre a condição de minha medula, saber de meus rins, bexiga, enfim, minha condição geral.
Descobri que tenho osteoporose (normal em minha condição, mas eu não sabia), que tenho uma pequena dilatação em um dos rins, que minha medula é quase toda atrofiada, que minha lesão é alta suficiente pra me classificar como tetra e não paraplégica, que, considerando o tempo que sou portadora de deficiência, estou muito bem (fato que me assustou, pois fiquei imaginando o que isso queria dizer). Tudo isso caiu feito um bombardeio em mim, não que algo fosse horrível, mas foram descobertas, feitas todas de uma vez, que eu nem imaginava que faria. Isso começou em Agosto.
Alguns meses depois, em Novembro, ainda fazendo exames para a AACD e sem descobrir se poderia ficar em pé ou não, percebi em mim um novo câncer de pele em meu rosto (tive um há seis anos). Outra bomba. Dia 25 de janeiro retirei totalmente o tumor, através de cirurgia (tenho retorno ao plástico em Abril).
Dia 23 de Fevereiro, menos de um mês após a cirurgia no rosto, levei um tombo e quebrei o joelho. Lá fui eu novamente para a mesa de operação, colocar placa e parafuso na perna.
Até hoje não terminei todos os exames e não sei se poderei voltar a ficar em pé.
Ficar em pé era como um sonho, que se desfez quase completamente quando soube que o uso de aparelho estava descartado. Só que, depois de tantas coisas em tão pouco tempo, perdi a vontade, nem estou mais me importando com os resultados. Não considero isso ruim, ao contrário, acho que alguns de meus valores mudaram. Ficar em pé não faz diferença, ficar bem sim. E estou bem.
A gente sempre diz que de tudo se tira uma lição, mas estou achando que Deus resolveu me colocar num curso intensivo do tipo "tire seu diploma em seis meses". Acho que estou me saindo bem. Conseguirei meu diploma, mas aí, vou fazer um acordo com Ele lá em cima e pedir férias.
balanço da Maré
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Ratapulgo
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14.3.03
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13.3.03
Sim, Física.
O Rafael da Camiseta do Sabbath é um sujeito bonachão típico. Fez 26 em matemática, e ainda assim frequenta o Pré-cálculo. Ao nosso lado um rapaz que não lembro o nome, Engenharia de Materiais, sotaque de catarina. Entre nós uma garota que ficou em 95a posição, gata, que ficou sabendo que passou através do namorado-ops-ex. Todos os gajos felizes porque ela incluiu a informação "desnecessária" do "ex". Tst. Tst. Tst. Como somos todos patéticos, nós, homens.
A aula foi sobre aqueles conjuntos numéricos e os intervalos. Vou precisar de um livro de 86 reais, "Cálculo: um novo horizonte". Porém, para o primeiro mês, posso usar uns arquivos que a editora colocou para download especialmente para a UFRGS.
Depois, chuleta, farofa, lentinha e alface no RU. Joguei ossos para os cães, o que foi ótimo pois hoje mesmo lembrei que um dos compromissos que assumi com o Rinpoche foi alimentar alguém a cada lua cheia. Se comer no RU pode ser todos os dias.
O Rafael fez um discurso básico desabonando as humanas. Foi engraçado. Daqui a pouco estamos desabonando os engenheiros também. Ah, padrões óbvios.
Consegui ficar totalmente disfarçado. Sem mala, não falei de religião, muito menos de budismo. Apenas recitei uns mantras silenciosos.
Texto fluído do Infundibula Cronosinclástica
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Ticcia
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13.3.03
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o Max le meu blog às vezes, para treinar portugues.
ele sabe falar "chinelagem" e outras palavras importantes. estou muito orgulhosa.
Lições da Vida de Inseta
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Ticcia
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13.3.03
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Privação
Há quanto tempo vc não sente fome ? Não aquela sensação de que é hora do almoço, digo fome mesmo, seu estômago arde e seu corpo enfraquece pela falta do alimento.
Há quanto tempo vc não sente medo ? Não um clichê de filme de terror, mas aquele medo que paralisa, a tua alma parece deixar o corpo e tudo o que vc consegue pensar é em fugir daquele pesadelo.
Há quanto tempo vc não sente frio ? Não o frio cômodo de sair debaixo do edredon para olhar a chuva na janela e vestir o moleton, mas sentir teu rosto cortando com o vento, teus ossos tão rijos que os passos no chão parecem rachar todo o esqueleto.
Há quanto tempo vc não se apaixona ? Não aquele sentimento fácil e bobo, conhecer-beijar-transar-largar, mas aquela paixão que te confunde os sentidos, bagunça a cabeça e põe a vida de ponta cabeça, o desejo pelo outro é maior do que a vontade de viver.
Estamos acomodados, acostumados com metade dos sentimentos, o mundo abrevia as sensações e ameniza seus efeitos.
Comemos pois é hora do almoço ou do jantar, e não lembramos de sentir fome. Nos protegemos de tudo e todos, atrás de muros altos, e temos medo antes de que algo aconteça. Nos cobrimos para evitar o frio, antes mesmo da certeza de que iremos sentir frio. Amamos antecipadamente, nos apaixonamos e desapaixonamos rapidamente, sem vínculo ou preocupação.
Vivemos apenas metade do que deveríamos, sentimos as coisas em partes, em pedaços, esvaziamos o as sensações, tornando-as fáceis como palavras em rimas baratas.
E assim, a vida se torna mais oca, e os dias sempre vazios.
Há quanto tempo vc não chupa um LimãoAzedo ?
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Ticcia
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13.3.03
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Nas últimas horas eu:
- Quase matei um nerdis filho da puta de Francisco Beltrão [essa porra tá no mapa?], estudante do Cefet, que tentou ferrar a minha pouca dignidade no trabalho. Ele conheceu a minha fúria, pois pra quem nunca tinha ouvido nada mais além de "bom dia" e "tchau", eu escrachei o mané bonito!
- Perdi a carteirinha da Biblioteca.
- Tomei chuva.
- Vegetei durante as aulas.
- Troquei um longo silêncio de quatro horas com um menino que estava louco pra falar comigo, e eu com ele, mas nada rolou.
- Reafirmei dentro de mim: curitibano é uma merda.
- Me expressei com um grunge lindo, maravilhoso, gostoso e lolito, mas isso não vem ao caso.
- O Gaúcho ligou atrás de mim desesperado [palavras da minha mãe], perguntando pela quadragésima vez o número do meu celular, que ele sabe que eu não tenho, nem nunca vou ter, porque sou contra o telefone.
- Então era por isso que sonhei com aquele merda dois dias seguidos.
- Cheguei em casa sóbria, cansada, mas feliz por ter resistido ao chamado da cerveja.
- Meu pai me expulsou pela cagagésima vez de casa, só por que eu disse que não vou às 8 da manhã na porra da dentista, concertar a porra do dente que tanto me incomoda.
- Gritei com o meu pai. Se quer respeito, se dê ao respeito.
- Ele gritou comigo.
- Eu gritei mais alto, se é pra acordar os putos dos vizinhos e fazer aquele barraco, me chama que eu vou, você é meu pai, mas não me conhece nem um bocadinho assim.
- Portas bateram.
- Minha mãe tentou gritar comigo.
- Mas eu gritei mais umas três mil vezes, com meu pai de porta fechada, com minha mãe no meio do tiroteio, com a porra dos vizinhos, com Deus, com o teto e com o espelho! Eu estava possuída!
- Fiquei rouca e histérica.
- Dei risada escondido, como são manés esses meus pais.
- Quer dizer que chegar vomitando no pé deles, podre de bêbada, pode, que não levo bronca.
- Mas dizer que não vou à dentista, quase me matam.
- E ainda ameaço: pode me chamar do que for, façam o diabo, mas se levantarem um dedo pra mim, todo mundo vai passar a noite tomando café na degacia.
- Porra de família desequilibrada!
- Prazer, meu nome é Daniele. Libriana equilibrada de cú é rola.
- E barraco é meu sobrenome.
Ohh Baby, Don't Forget the Alcohol
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Ratapulgo
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13.3.03
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Beto
O Beto tem a mesma idade que eu. Fomos amigos de infância. Quando tínhamos dezesseis anos, o Beto era o terror das festas. Terror de terror mesmo. Todo mundo fugia do Beto, porque durante as festinhas, adolescente quer dançar, ficar, paquerar, tentar aliviar um pouco as necessidades hormonais latentes. Mas o Beto era diferente. Ele queria conversar. De preferência, sobre as disciplinas vistas em aula e de preferência sobre física. Imagina você de olho na Fernandinha que está lá do outro lado da sala sorrindo pra sua pessoa. Você toma coragem pra cruzar o recinto e dar o bote, mas é impedido pelo cara que se atravessou no seu caminho, mencionando alguma coisa sobre a fórmula de não-sei-o-quê que você não entendeu nada durante a aula, imagine só se você vai tentar entender essa abominação agora, com a Fernandinha lá na menor minissaia que já se viu. Mas o Beto insiste. Aí você dá uma de grosso, depois fica com pena porque, no fundo, você é um cara legal, mas também o Beto é um mala ao quadrado. Você se livra do Beto, que parte em direção a outra vítima, agora uma menina. Porque até o Beto sabe que as meninas são mais compreensivas. Aí ele aborda a menina que tá conversando com uma amiga, tentando decidir se fica ou não fica com o Daniel, aquele gostoso que deixou ela na mão no último sábado. O Beto pergunta o que ela achou da última aula de química. A menina é direta: Beto, não enche! E por aí vai. O Beto tentando se aproximar e o pessoal tentando ficar o mais distante possível dessa criatura bizarra.
Assim foi a adolescência e aí o Beto partiu, só o reencontrei há dois anos quando ele voltou pra cidade. Hoje, o Beto costuma aparecer de vez em quando no Bar de Baco. E ainda provoca grandes antipatias, mas de uma maneira bem diferente. O Fábio e o Dado acham o Beto um terror. Terror de terror mesmo Porque ele começa a falar de certos assuntos, os mesmos que tentava falar com a gente na adolescência, mas agora a coisa mudou de figura. O Beto fala de coisas tão atraentes e interessantes que, ao invés de o pessoal fugir, todo mundo quer se aproximar. Mas dá pra compreender o fato de alguns indivíduos desejarem cortar a garganta do Beto. Imagina você ali no Bar de Baco, no lugar do Dado, por exemplo, com a Bárbara ao seu lado na mesa, quase pronta pra ir ao seu apartamento e ter uma noite inesquecível. Você se deu ao trabalho de arrumar todo o apartamento e até champagne deixou na geladeira porque sabe que ela se amarra num espumante. Então chega o Beto e alguém puxa assunto com ele. Confesso, esse alguém geralmente sou eu, mas é que o papo do Beto é simplesmente irresistível. Ele vai respondendo, assim:
- ... e então imagine que você descobriu um buraco negro com uma massa umas mil vezes maior que a do sol e você fica a uns centímetros do horizonte de eventos desse buraco negro; a sua passagem pelo tempo se desacelera e o seu relógio vai ser 10 mil vezes mais lento que o do pessoal aqui na Terra. E, se você ficasse ali por um ano, quando fosse pilotar sua nave espacial de volta para a Terra, numa viagem curtinha, quando você chegar lá, vai perceber que na Terra já se passaram 10 mil anos...
Ou...
- ... a idade atual do nosso Universo é de cerca de 15 bilhões de anos...
Ou...
-... o relógio de uma pessoa que está em movimento anda mais devagar, mas são números tão pequenos que não percebemos, agora, se andássemos na velocidade da luz, notaríamos a diferença com certeza...
E por aí vai. A Bárbara se interessa, claro. Qual é a mulher ou a pessoa humana que não se interessa pela origem da vida, a maior de todas as questões? E o Beto ali, esclarecendo mil coisas, respondendo a todas as perguntas, levando a turma pra viajar com ele pelo cosmo das possibilidades. E adeus sua noite inesquecível com a Bárbara.
É por essas e outras que, se você estiver com intenções para depois do Baco, não sente na mesma mesa que o Beto. Se na adolescência as mulheres fugiam dele como do capeta, hoje o Beto parece que tem mel. E tudo só no papo.
nas galáxias de Angel 7000
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Ratapulgo
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13.3.03
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Ontem eu peguei uma puta que era a cara daquela menina loirinha do rótulo do dip'n'lik. Era muito feia, o rosto dela era achatado, parecia um decalque. Aí eu pensei: dinp'n'lik? Porra, eu tô ficando velho. Eu tô ficando velho e ainda tenho cabelo comprido. Isso deprime ainda mais. Eu fico pensando naqueles caras que têm cabelo comprido na adolescência e esquecem de cortar, vão ficando com o cabelo branco e ralo. Me lembra um véu de noiva. Sempre que eu vejo esses velhos eu imagino o Clodovil cheirado cruzando com um deles numa charutaria.
— Com licença, quanto o senhor quer nessa grinalda?
Eu vou pintar o cabelo. Os velhos que andarem comigo podem me chamar de bicha, mas eu aposto que vou pegar mais coroas do que eles, assim. Se bem que eu não sei até que ponto vale a pena. As mulheres, depois dos quarenta, com aquele monte de pintas nas costas, parecendo a chitara, dá pra ir em baile de carnaval sem fantasia. E as senhoras que realmente acreditam que juventude é um estado de espírito, fazendo aula de dança do ventre. Porra, eu não quero isso pra mim.
Pelo menos eu sou vegetariano, não vou ser dos que passam a vida fazendo churrasco nos finais de semana, com aquela barriga de tumor maligno, sandalinha e shorts de nylon, com a boca cheia de maionese gritando olha a lingüiça. Agora, eu penso, como um cara desses consegue casar de novo? É claro, ele não vai marcar encontro com uma mulher num bar e ir sem camisa, levando um tupperware com farofa, mas eventualmente ele faz o convite pra um churrasco de família e cospe um picles na cabeça dela.
Mas isso não ajuda muito. Hidroginástica, por exemplo. Eis uma coisa que eu não quero pra minha vida. Eu vejo hidroginástica e enxergo o canal discovery apresentando um documentário entitulado "Morsas e outras criaturas marinhas do ártico". Os velhos se afogando na piscina e fazendo canudinho com a língua pra tossir. E dão risada, dançando em câmera lenta ao som de cds de street dance. Ou na sauna seca. Velho em sauna seca é foda. Sabe quando o Zeca Urubu fumava muita maconha e começava a enxergar o Pica-Pau em forma de frango assado, torta de palmito ou bife à rolê? Então, eu entro em sauna seca e vejo um monte de leitãozinho à pururuca. O lado bom da piscina é que não se transpira muito, porque tem os velhos que vão fazer caminhadas, transpiram muito no sovaco e usam absorvente feminino embaixo do braço pra cessar o fluxo do suor, e eu não quero ser um deles. Meu suor vem ficando mais e mais caudaloso nos últimos anos. Se não inventarem uma solução, quando eu estiver entrando na meia idade, arrumo duas daquelas maquininhas de dentista que chupam a saliva e enfio embaixo do braço. Ou melhor, não pratico esporte, me entupo de frango à passarinho, mando os médicos pra puta que pariu e me mudo pra cancún.
no salão de festas do Clube da Comédia
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Ratapulgo
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Homem manco e gago assa-assa-assalta loja em Cuiabá
Um homem ga-ga-gago assaltou uma loja no centro de Cu-Cu-Cuiabá em companhia de um cu-cu-cúmplice na manhã de domingo. O assaltante, além de gago, era manco.
A loja de enxováis Doce Lar estava com a porta entreaberta, pois o proprietário, Romeu Paulo Lobo Filho (55), e dois funcionários estavam arrumando as prateleiras do local. Os dois assaltantes aproveitaram o pouco movimento em frente à loja, no domingo de carnaval e, armados com revólveres, entraram na loja.
"Ficaqui, ficaqui, fica quieto! Mãos au au, mão au au, mãos ao alto que é um assa, um assa, um assalto", teria dito o ladrão, com medo de deixar pistas para ser reconhecido posteriormente. Os funcionários ficaram imóveis enquanto os objetos pessoais eram roubados. "Passoce, passoce, passa o celular!". E foram embora três telefones celulares. Eles também roubaram um talão de cheques, R$ 250, uma corrente no valor de R$ 3 mil e um anel de brilhante no valor de R$ 700.
Depois do roubo, as três vítimas foram trancadas em um banheiro localizado no fundo da empresa. Os assaltantes fugiram a pé. Reconhecê-los não deverá ser muito difícil.
Copia? Positivo e Operante
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Ratapulgo
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13.3.03
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Savassi, rua de trás do posto da Obra. Parei o carro, fomos até a porta e voltamos uns 10 minutos mais tarde.
O pequeno guardião teen de formas arredondadas e topete oxigenado erguido no cabelo araminho estava lá, cobertor como manto e apoiado com as duas mãos num cabo de vassoura como que num cajado. Buscando seu soldo:
- dá um trocado ?!
- não...fiquei só dez minutos, e pelos meus cálculos, é você quem me deve...
- daí ou...
- nem fudendo...
- ou...eu moro na rua !!! daí...
- olha o tanto de carro aí rapá, meu trocado nem vai te fazer falta !
- mas eu tô indo embora agora...
- pra onde ? pra rua ?
O moleque coça o topete e resolve mudar de assunto quando já estou dentro do carro:
- essa mulher é sua ?
- até onde sei, sim...
- nó, ela parece modelo...
- valeu...
- fala pra ela me procurar quando vocês terminarem !
- pode deixar, ela te liga...
- fala pra ela que eu amo ela !!!
- aí não ! aí você leva...
- levo o que ?
- aí que mora o perigo... vai pagar pra ver ?
- nem...antes eu tava pedindo, agora vou pagar !?
(...)
Tarde de domingo, espero no carro por um casal amigo, estacionado em uma ruazinha do Luxemburgo. Um imundo mala de beiças inchadas e dentes podres se aproxima:
- xalablá blábleuf ?
- quê ?
- labláf ?
- o quê ?? não tô entendendo bulhufas !
- xôlává !?
- o carro ???
- é...(+ resmungos)
- ô amigão...não me leva a mal não mas você não consegue nem se lavar, vai lavar o carro ???
Ele resmunga mais um pouco, mais um tanto, mais alto, aproxima as sombrancelha apertando e franzindo a testa. Dá um passo a frente, entorta a cabeça e olha para dentro do carro. Desentorta, respira fundo, olha nos meus olhos e, surpreso, exclama em alto tom de voz:
- DUZENTOS QUILÔMETROS !!!
- ???
- DUZENTOS QUILÔMETROS !!!
- o que tem duzentos quilômetros ?
- DUZENTOS !!!
Conferi o painel do carro, o hodômetro é digital e estava apagado. Carro popular só tem, além do hodômetro, indicadores de temperatura, gasolina e velocidade. Conclui sem muito trabalho do que ele estava falando.
- ah tá... a velocidade máxima...
- é...MÁXIMA ! Duzentos quilômetros ! Antes era só Alfa Romeu...depois, depois veio a bê-ême-dábliu. Aí fudeu, mercedes e tal e fudeu...
- é...
Ele toma fôlego, desiste do papo da velocidade e finalmente pede, apontando para o cigarro na minha mão:
- num tem um irmãozinho desse não ?
- foi mal, filho único.
- dá um traguinho então...
- não rola...você sabe como é, filho único é sempre mimado...
- RÁ !!!
Ele então caminha pra longe, resmungando e chutando pedrinhas no caminho.
estrimilique do random spasm
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Ratapulgo
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13.3.03
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12.3.03
A cada dia que passa os pedidos para que eu faça a barba e corte o cabelo têm sido mais freqüentes e sinceros entre as pessoas próximas à mim. Hoje, com muito mais cabelo, mais barba e menos quilos que há 1 ano atrás, eu comparo o que mudou em minha vida depois que me tornei um neandertal. A saber:
*Os elogios feitos pelas amigas/parentes de minha mãe mudaram de “como ele está bonito e grande” para “como ele é inteligente” ou “como ele está diferente” acompanhados por um revirar de olhos.
*As velhinhas que antes eram sorridentes e gentis passaram a ser arredias e muitas vezes violentas, freqüentemente me ameaçando com suas bengalas.
*As portas giratórias dos bancos (aquelas com detector de metal) passaram a travar comigo com muito mais freqüência.
*O assento ao lado do que estou ocupando em um ônibus quase nunca é utilizado, mesmo que o ônibus esteja cheio.
*Quando abordo alguém com a intenção de perguntar as horas a pessoa geralmente segura o relógio ou segura a bolsa de encontro ao corpo (se for mulher).
*Os policiais passaram a me acompanhar com os olhos na rua.
*As mocinhas aparentemente passaram a me achar menos atraente.
Eu tenho certeza que seria o ultimo a ser escolhido para o time de futebol se ainda estivesse no colégio.
Parece que há um preço a ser pago se você quer economizar dinheiro com cabeleireiro e barbeiro nos dias de hoje e não tem nenhuma banda famosa ou dinheiro o suficiente para que sua aparência se torne um hype.
Em vez de ir ao barbeiro, vá ao Cacofonia Blog
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Ticcia
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12.3.03
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Você amigo(a) leitor(a)... que não almoçou porque precisou dar treinamento na sua hora de almoço para uma monga que não sabe nem onde está a seta do mouse mas que cantarola música da Britney Spears o tempo todo, aproveite a temporada e coma uma coxinha. Mas tem que ser fria porque quando ela chegar, simultaneamente seu chefe vai ligar e pedir que você vá até a sala dele.
No almoço coma Biscoito Doce
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Ticcia
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12.3.03
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O Currículo de Roseleide
Jurei para mim mesmo que seria o cara mais feliz do mundo aos 25 anos. Teria o carro do ano, o apartamento mais bacana, com os móveis mais invejados pelos colegas que, claro, não estariam tão bem quanto eu.
Não sou bom em cumprir as promessas que faço a mim mesmo e de todo o parágrafo acima, só o que se concretizou foi a chegada dos 25 anos, que veio acompanhada de um desejo surrealista de voltar aos 15. Sou um cara cheio de olheiras, cansado de trabalhar, sem férias desde os 23, vivendo de aluguel e andando de metrô.
Mas a minha tendência a achar que minha vida é de cachorro foi freada hoje à tarde, quando me deparei com alguém mais canino do que eu. Um curriculum vitae, de uma moça chamada Roseleide, 22 anos, chegou a minhas mãos, assim, sem mais nem menos.
Era uma folha de papel A4, impressa cuidadosamente, com a foto da moça, sorridente, bonita, maquiada para parecer um jovem talento. As roupas escolhidas a dedo para causar boa impressão em um possível empregador...Seu primeiro emprego foi como auxiliar de escritório em 2000. De lá, tentou a sorte como recepcionista no laboratório Dilab, onde só ficou quatro meses e, desde então, trabalha como vendedora em uma loja de jóias obscura.
E eu chorei com o currículo dela nas mãos. Derramei as lágrimas que adiava havia tempos. Chorei por Roseleide, que precisava enviar a própria vida dentro de um envelope para desconhecidos. Mas chorei por mim também. Pela minha falta de esperança, por não saber aonde foi parar meu ânimo de viver e trabalhar. Chorei, chorei, chorei, até que o mundo ficasse com dó de mim. E voltei do banheiro, onde havia me exilado para o pranto, respondendo que estava tudo bem a quem se mostrou solidário.
Lembrei de quando eu, até bem pouco tempo, mandava currículos desesperados a editores, repórteres, redatores e faxineiros. Alguém que conhecesse alguém que tivesse ouvido falar de alguém que precisasse dos serviços de um cara como eu haveria de tomar conhecimento da minha existência.
Queria fazer algo por Roseleide, que tem cara de ser bem gente boa. Mas sei que não posso. Aposto que ela hoje fez arroz com ovo e viu a novela das seis com a mãe, depois de trabalhar de dez às quatro na loja. E foi dormir às dez e sonhou que, em três anos, quando fizer 25, ela será a mulher mais feliz do mundo, vai ter o carro do ano, o apartamento mais bacana...
Uma exceção à regra da Central de Manicures
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Ticcia
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12.3.03
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De tanto falar em tosqueiras e tosquices, a Marina e eu criamos um parque temático, o mais novo empreendimento das organizações Ilha de Ursos: a Toscolândia. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento, mas já temos o logo, o slogan, 4 atrações principais e o personagem símbolo, Bob Tosco. Estamos aceitando sócios investidores.
No incrível e tosco parque temático da Toscolândia, temos a Montanha Russa Tosca, por exemplo. É assim, a gente manda vir um caminhão de terra e fala pros peão "joga ali, ó". A parte emocionante e adrenalinante da montanha tosca é a seguinte: depois de esperar horas na fila, você se senta em um carrinho de mão. Um peão especialmente contratado empurra o carrinho de mão com você dentro até o alto da montanha de terra. Chegando no cume da montanha, ele solta o carrinho de mão. Uau, que puta emoção tosca.
E tem também a Roda Gigante Tosca. É que nem essas dos hamsters, sabe? Cada um que pedale se quiser rodar.
No parque tosco da Toscolândia, o tiro ao alvo é assim: a gente manda pendurar na parede com dois pregos um saco de farinha, com a boca aberta, sabe? Você tem direito a atirar três laranjas podres no saco. Quem acertar todas ganha um incrível boneco do Bob Tosco, que é mais ou menos como o Super 15, e quem acertar só uma ganha uma foto dele, impressa em papel vagabundo.
Ainda estamos aceitando sócios-investidores. Seja você também um vencedor! (cof, cof)
passando Calor demais na ilha de Rinocerontes - parte II
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Ratapulgo
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Videotexto (Post X)
Rambo X Juma Marruá
Eu nunca dei a menor bola para a forma como as pessoas se vestem. Aliás, nunca entendi porque algumas pessoas costumam avaliar as outras pela etiqueta que elas carregam em suas roupas. Não, eu nunca fui assim. Mesmo porque não tenho moral para julgar alguém pela aparência. Eu já usei blazers com ombreiras, gel com purpurina, já fui dark... Sim uma dark dos anos oitenta; daquelas que só usavam roupas pretas, capas, borravam os olhos e a boca com cajal preto e dançavam de frente para as paredes do Madame Satã.
Não dei a mínima para o fato do rapaz usar roupas estranhas do exército, mas confesso que fiquei muito apreensiva com a faca amarrada na coxa. Convenhamos, é no minimo estranho. De qualquer forma, não poderia simplesmente sair e deixar o moço a ver navios. O que eu não quero pra mim, não faço com os outros. Ignorei a primeira impressão, considerei as qualidades que ele tinha demonstrado nas nossas conversas pelo videopapo e fui almoçar com o Loiro27a como havia combinado.
Adolfo não era brasileiro. Mudou-se para São Paulo com os pais quando era um garoto de colo. Era filho único, ganhava a vida como jogador de beisebol e até me deu uma bolinha de presente. Introspectivo, de poucas palavras, escrevia melhor do que conversava, o que, para mim, não era um grande problema, já que eu sempre falei por meia dúzia de tímidos. Tinha vinte e sete anos, embora seus traços aparentassem dez anos menos. Tudo corria bem e, provavelmente, nos tornaríamos bons amigos se não fosse pelo incidente que lhe revelaria o caráter. Felizmente, naquela tarde, o garçom enganou-se com o pedido feito pelo Adolfo e eu escapei de um grande equívoco.
- Aqui está o suco de abacaxi com hortelã que o senhor pediu.
- Não. Não foi isto que eu pedi. Leve de volta e traga o meu pedido corretamente.
- Desculpe... Que suco o senhor pediu?
- Suco de abacaxi natural, isto é polpa. Eu só tomo sucos naturais. E o quero batido com hortelã, uma colher de açucar, sem gelo e com um copo de gelo à parte.
- Pois não senhor, volto já com o seu suco.
Observei a cena calada e com um gosto de indignação diante do tom de voz dirigido ao garçon. Adolfo, continuou:
- Não suporto pessoas burras. Se um homem não é dotado de capacidade mental suficiente para ser um reles anotador de pedidos, nem deveria ter nascido.
Por um instante eu achei que tinha ouvido errado, mas não resisti às agressões que o maluco disparou a fazer por conta de um simples suco. Muitas coisas neste mundo me tiram do sério, uma delas é gente que se acha superior e se vê no direito de menosprezar pessoas menos afortunadas. Algumas pessoas acham que quanto mais amigos melhor. Naquele dia eu descobri que quero meus amigos peneirados, selecionados e escolhidos a dedo. Não, eu não suporto todo tipo de gente. Muito menos pessoas como o Adolfo que, meia hora depois do caso do suco, defendia a separação dos estados do sul e sudeste do resto do país e que os sub-empregos deveriam empregar somente negros, índios e nordestinos. Segundo ele, este seria um gesto de generosidade com raças que não servem para muita coisa.
Levantei da mesa, paguei a conta e dei a maior gorjeta da minha vida.
- Ei! Onde você pensa que vai? - Agarrou meu braço com força e como se tivesse este direito.
- Como assim onde eu penso que vou? E solta meu braço! Dentro deste braço corre o sangue de um avô nordestino, uma avó negra e uma bisavó índia. Solta antes que este mesmo braço te mostre a força que tem cada uma dessas heranças!
Se ele se achava o Rambo, se deu mal, porque eu virei uma onça. Uma Juma Marruá! Também, que cabeça, a minha! O que esperar de um cara que anda com uma faca amarrada na perna?
>>> Continua...
na cumbuca de AMARULA COM SUCRILHOS
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Ratapulgo
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Eu ainda vou descobrir qual é a serventia da barba.
- Barba? Você não tem barba. Você tem pêlos pubianos na cara.
Bah, foda-se.
Mas há de existir um motivo.
Além de pinicar, coçar, incomodar, e te deixar com cara de porteiro.
Malditos pêlos pubianos do meu rosto!
depilado do KSW 4.0 | A voz é a mesma, mas os cabelos...
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Ratapulgo
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Ela não tinha ilusões. Bom, não muitas. Algumas pequenas, daquelas bobas, mais esperancas leves que ilusões, você sabe, perder uns cinco quilos, conseguir trocar de carro no ano que vem, ter grana pra matricular a pequena na natação, encontrar uma tinta de cabelo que não a deixasse com cara de avó de alguém, terminar a revisão do livro... mas nada de grandes ilusões, nada disso. Ela não esperava um grande amor. Uma grande causa. Uma flechada no coração. Nada que lhe tirasse o sono, a fome, ou a sensação dos dedos dos pés. A vida era isso aí. Uns dias ruins, uns dias mais ou menos. Mas teve aí um dia. Ah, aquele dia pareceu vir pra mudar todos os outros, pra mudar as certezas, pra alterar rumos. Foi um desses dias que começa com o requeijão espalhando melhor sobre a torrada, o leite sem nata, a menina doce, sem gritos estridentes, o marido calmo e saindo mais cedo, que ela acreditou que ia ser... melhor, talvez? Um pouco menos tolo, um pouquinho só? A falta de trânsito pro escritório, a secretária sorridente, o assistente gentil, o bolo no estômago que sumira, isso tudo não podia ser uma sinal? Já passavam das dez da manhã e ela não tinha tido saudades, nem arrependimentos, nem... que coisa, nem dor. Dor nenhuma. Um sinal cósmico de que tudo ia mudar, ao menos dentro dela, ao menos hoje, só hoje, e depois... ah, depois ela podia virar uma abóbora de novo, e quem é que ia notar a diferença? Claro que não eram sinais cósmicos, claro que não. Quando ela desligou o abajur naquela noite, às onze horas, depois de um dia igualzinho aos outros, ainda teve tempo de pensar, antes de cair no seu sono de Dormonid, que era mesmo uma sorte ela não ter ilusões.
chupado do ¡Drops da Fal!
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Ratapulgo
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11.3.03
PELO CANO
Quando eu era pequena, eu tinha verdadeira adoração por banheiros. Freud talvez explique, mas eu não faço a menor idéia da razão dessa antiga fixação. Sei que quando ia com a minha mãe visitar a casa de alguém, eu tinha que conhecer o banheiro da pessoa. Não precisava nem usar, mas precisava muito conhecer. E como eu era boazinha e quietinha, e não mexia em nada, a minha mãe deixava. Eu achava que ela era legal, que compactuava do meu vício. Mas depois eu descobri que, enquanto eu estava lá, olhando para os potinhos e vidrinhos em cima da pia, ela estava dando risadas com as amigas da minha mania de criança. Que vergonha!
Uma vez, eu devia ter uns nove anos, fiquei com vontade de fazer xixi na volta do colégio para casa. Como a dona da perua morava no mesmo condomínio que eu, éramos (eu, minha irmã e mais uma penca de crianças que morava por lá) os últimos a serem entregues, obviamente. E eu lá, pedindo a Deus que o percurso fosse feito o mais rapidamente possível. Foi quando um colega de sofrimento pediu ao garoto que estava desembarcando se ele poderia usar o seu banheiro. O menino era muito legal, e perguntou se mais alguém queria. É claro que eu não perdi a oportunidade... além de satisfazer uma necessidade fisiológica, eu satisfaria uma necessidade curiosiológica. Mas nem estava muito preocupada com isso no momento.
E lá fomos nós: eu, o dono da casa e o menino apertado. Como a casa dele era toda murada, e com uma portão de madeira imenso, e eu era uma criança ingênua, nunca havia imaginado o que iria encontrar lá dentro. Quando entrei, tive um baque. Era a casa, uma quase-mansão maravilhosa, imensa, linda. E eu lá, nem imaginando como seria o banheiro, tamanha era a vergon